Conte Sua História de São Paulo: Em transformação

 

Márcio Chicca nasceu em 1947 em São Paulo e é um apaixonado pela cidade. Nas décadas de 1950 e 1960, entre a infância e a juventude, participou de momentos marcantes da história da cidade, como a inauguração do parque do Ibirapuera e de alguns dos tradicionais cinemas da cidade. Histórias que ele narrou ao Museu da Pessoa:

Ouça o texto de Márcio Chicca sonorizado por Cláudio Antônio

Tenho muitas recordações desta cidade, que eu aprendi a gostar desde pequeno, pois meu pai me propiciava informações, assuntos e passeios que se tornaram inesquecíveis, alguns dos quais ainda recordo com muita emoção.

Aos domingos, meu pai me levava passear no centro da cidade, na rua Boa Vista, onde ficava o Restaurante Guanabara e onde eu me deliciava com os enormes e variados sanduíches. Enquanto eu comia e tomava uma “Caçulinha” da Antártica, um sucesso na época, ele saboreava um chopp escuro.

Em outros domingos, invertia o roteiro e íamos para a rua Vieira de Carvalho, onde o restaurante Fasano funcionava em um prédio bonito que hoje é o hotel Bourbon São Paulo. Lá, meu pedido era uma ou duas coxinhas especiais, que eram deliciosas. Logo depois, meu pai comprava alguns doces em uma doceria ao lado, que eu acho que já era a Dulca, para a sobremesa do domingo.

Um passeio que marcou minha memória foi um dia inteiro de domingo de 1954, quando da inauguração do Parque do Ibirapuera. Tudo novinho, gramado lindo, lagos, pavilhões de alguns países, exposições diversas, alguns teco-tecos sobrevoando o parque e jogando flâmulas de papel prateado com textos em comemoração à inauguração do parque e ao IV Centenário da cidade.

Cada casa de São Paulo colocava em lugar de destaque uma placa comemorativa dos 400 anos da cidade: o brasão de São Paulo em alumínio polido ou colorido, salientando a idade da cidade. Quase todas as casas tinham um ou dois.

A maior diversão da cidade, e mais barata, era o cinema! Havia cinemas belíssimos como o Cine Metro da MGM dos EUA; o Bandeirantes (depois Ouro); o Marrocos, único em que as cadeiras deslizavam ao se sentar, o maior da cidade; o República, primeiro a exibir filmes em terceira dimensão; o Ipiranga e o Marabá, de grandes exibições como “Os Dez Mandamentos”, de Cecil B. de Mille, grande diretor de filmes épicos maravilhosos da época.

Nestes cinemas só se entrava com terno e gravata e foi para ir a um deles que usei a minha primeira. Nos intervalos, uma orquestra surgia no palco para tocar algumas músicas. Deste tempo eu peguei o final, onde se mantinha o hábito de usar terno e gravata, mas somente um cinema mantinha um excelente pianista, o Cine Ouro do Largo do Paissandu. Os outros já não suportavam este custo.
Depois de alguns anos, e com novas tecnologias, surgiu o Cinerama. Um espetáculo: tela imensa, som estéreo, só apresentando filmes especiais para aquele equipamento.

Na minha juventude ainda mantive alguns hábitos que meu pai me deixou, tais como ir comer um bauru no Ponto Chic do Largo Paissandu, ou tomar um chopp no Bar do Léo, na rua Aurora esquina com a rua dos Andradas, ou ainda uma boa canja de galinha no frio da madrugada no restaurante Papai, na esquina da Duque de Caxias com a São João.
Já não existia mais o Fasano da Vieira de Carvalho e o Guanabara mudou para rua São Bento, já não tinha nada mais a ver com aquele dos anos 50.

Hoje, às vezes, quando saio com meu filho, vamos comer um bauru ainda no Ponto Chic do Largo Paissandu e ele me lembra destas histórias dos passeios de meu pai, seu avô.

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, às 10 e 30, dentro do programa CBN SP. Você pode participar enviando seu texto ou agendando uma entrevista no site do Museu da Pessoa.

Na mesa, água na jarra

 

Nas mesas de restaurantes italianos, a água chega na jarra antes mesmo de você fazer o pedido. No Brasil, ainda temos o hábito de pedir água engarrafada. A Iniciativa Água na Jarra me foi apresentada por Alexandre Nunes, que deixou recado aqui no Blog. A proposta é que se substitua o consumo de água engarrafada pelo de água tratada e purificada. Restaurantes e eventos interessados em aderir a ideia se comprometem a comercializar, preferencialmente, água tratada e purificada servida em jarras. E assim deixam de gerar grande quantidade de resíduos poluentes. Para saber mais sobre a projeto visite o site Água na Jarra, de onde foi extraído o texto a seguir de autoria da economista Letycia Janot, uma das fundadoras da Iniciativa:

Vamos começar pelo básico…

À medida que a proposta da Iniciativa Água na Jarra vai se disseminando, muitas reflexões bacanas têm surgido. O tema do consumo da água sem garrafa tem muito mais a nos ensinar do que pode parecer à primeira vista. Ao contrário do que se possa pensar numa análise rápida e simplista não estamos falando apenas de uma iniciativa pelo consumo consciente. Estamos falando de sermos sustentáveis naquilo que nos é mais essencial, mais básico, que fazemos todos os dias, várias vezes ao dia. Estamos falando que um consumidor que se sensibilizou com essa causa terá uma nova atitude e vai praticá-la tantas vezes, que com certeza estará mais inclinado a adotar outras práticas que visem a melhoria ambiental e que beneficiem a coletividade.

Mas não vamos parar por aí, podemos ir além; imagino que esse consumidor, ao se dar conta de tantos benefícios alcançados com esse gesto, terá consciência da importância da preservação dos mananciais da sua cidade. A partir daí ele entenderá que os serviços ambientais prestados pela natureza são essenciais e por isso é importante proteger nossos recursos naturais: nascentes, vegetação, biodiversidade. Quem sabe ele então terá um novo olhar para as áreas protegidas existentes no entorno de onde mora.

E o mais bacana é que tudo isso pode acontecer através de uma troca muito simples, onde se consome o mesmo produto, mas que chega até o consumidor de uma maneira diferente. No fundo, nada mais é do que uma mudança logística. E esta troca simples tem como consequência reduções nos impactos ambientais de (i) exploração de nossa água subterrânea (ii) exploração do petróleo e todas as etapas necessárias para produção da garrafa (iii) diminuição da emissão de CO2 pelo transporte da garrafa e  (iv) diminuição dos resíduos que geramos em nosso dia a dia.

Entendo que, se uma empresa está se esforçando de verdade pela incorporação das práticas sustentáveis em seu negócio, ela deveria também adotar uma nova maneira de consumir a água potável. Atenção: não vale instalar os filtros purificadores na empresa mais continuar usando copos plásticos descartáveis. Cada funcionário deve ter seu próprio recipiente e um local adequado para higienizá-lo. Não vamos fazer disso um grande problema. Todo mundo lava o copo de água em sua própria casa, e pode fazê-lo também em seu local de trabalho. A boa notícia é que a empresa ainda consegue fazer uma boa economia adotando essa medida.

A sustentabilidade é importante para você? Que tal começar pelo básico?

 

Comércio perdeu batalha contra lei antifumo, no Rio

Há pouco menos de um ano, os fumantes cariocas passaram a sofrer as mesmas restrições que estarão em vigor no Estado de São Paulo com a aprovação da lei que proíbe o fumo em recintos fechados ou parcialmente fechados. Apesar de na capital fluminense a determinação ter chegado por decreto da prefeitura, bares e restaurantes se deram mal na tentativa de derrubá-lo na Justiça.

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, em junho do ano passado, negou liminar pedida pela Federação de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares para suspender os efeitos do decreto até o julgamento final. A entidade alegava a inconstitucionalidade do decreto, mas não convenceu o relator da ação, o desembargador Sérgio Cavalieri Filho, que, na época, justificou que a prefeitura pode estabelecer regras, de acordo com o artigo 196 da Constituição Federal: “A saúde é um direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos”.

Em São Paulo, a Federação anunciou que vai à Justiça para derrubar a lei aprovada na Assembleia Legislativa que deve ser sancionada pelo governador José Serra, em breve. Diz que haverá demissões no setor apostando na redução do movimento de bares e restaurantes.

No Rio, não se tem informações sobre as tais demissões pelo cerco ao cigarro.

Duas novidades de peso

Por Ailin Aleixo
No ÉpocaSP na CBN

Forneria San Paolo Villa Daslu

A fórmula é a mesma, ambiente moderninho-sofisticado, clientela vip circulando no almoço e no jantar. E com um adendo: a nova unidade fica no primeiro andar da Villa Daslu, onde o trânsito de beldades já é intenso por si só. O salão é até envidraçado, mas quem olha para fora? Se não é sua praia, melhor optar pela matriz na R. Amauri, onde o clima é parecido, mas atenuado pela porta da rua. Já para quem gosta do burburinho, o cardápio, assinado pelo chef Rodrigo Gonçalves, oferece os mesmos atrativos da casa-mãe, com acento ainda mais italiano. Além dos ótimos sanduíches em massa de pizza, servidos durante todo o dia, sem intervalo, são exclusivos da nova unidade os pratos de peixe e três tipos de risotos – vale provar o mare, que traz lula, polvo, camarão, todos tenros e saborosos. De sobremesa, creme de mascarpone e chocolate e charlotte de frutas vermelhas.

Av. Chedid Jafet, 131 – Vila Olímpia, 3841-9680

Bacalhoeiro

São 660m2 de área, dividida em seis ambientes que impressionam. Mas a proposta vai além da instalação faraÔnica cravada na Zona Leste. A ideia, diz o gerente português Norberto Moutinho, é representar a cozinha portuguesado tradicional Antiquarius nesta parte da cidade, A afirmação se justifica pelo cardápio que repete sucessos da fonte inspiradora, para garantir a autenticidade dos pratos, Moutinho trouxe o chef Francisco Everaldo da Silva e cozinheiros que trabalham no Antiquarius, no A Bel Sintra e no Trindade. Deu certo. Preparado com o melhor bacalhau do mundo, o Gadus Morhua, o bacalhau à lagareiro vem em posta alta, dourada no azeite e acompanhado de batata assada, alho, azeitona e brocólis. Mas vale sair do óbvio: prove a perna de cordeiro com feijão branco. Irretocável. Antes, de entrada, peça a frigideira de polvo no sal grosso com bacon. 

R. Azevedo Soares, 1580 – Tatuapé, 2293-1010

Restaurantes com novidades no cardápio

Por Ailin Aleixo
No Época SP na CBN

Tantra

Para aproveitar a moda indiana impulsionada pela novela, o chef Eric Thomas lançou novos pratos inspirados na perfumada culinária do país, oferecidos no menu à la carte. Ele passeia pelos costumes alimentares de várias regiões e prepara inclusive uma receita vegetariana – o cabelo de anjo com cogumelos frescos e ervas aromáticas, acompanhado de pães indianos. Há ainda um frango (ou cordeiro) assado no forno tandoor, salmão ao curry, cheesecake de cardamomo e lassi, bebida à base de iogurte e especiarias, ideal para refrescar o paladar diante de tantos temperos. A novidade chega também no bufê Mongolian Grill, que permite ao cliente escolher os ingredientes do prato que será preparado na chapa. Agora, 70% deles são indianos.R. Chilon, 364 – Vila Olímpia – São Paulo – SP 3846-7112/3842-8874

Fazenda MC

Está em cartaz o 8º Festival de Carnes Red Angus. No almoço e no jantar, a clientela pode provar mais de 50 cortes artesanais, sempre em porções de 100 gramas, provenientes da fazenda do proprietário, na região de Campinas. Todos são preparados na churrasqueira de carvão, à vista do salão, pelo chef Rogério Carneiro da Cunha. Tem assado de tira, coração de picanha, costela no bafo, ossobuco, paleta, bistecão, bife ancho e até linguiça com pimenta, entre outros pedidos. Para acompanhar, 30 opções de saladas e 15 de sobremesa. Toda essa comilança sai a R$ 55,90 por pessoa. R. Henrique Schaumann, 251 – Jardim Europa – São Paulo – SP 3775-5001

Rosmarino

O restaurante está promovenod um festival de terrines doces. Até dia 20 março, cinco receitas integram o menu de sobremesas. A tradicional da casa leva chá de hortelã e mel, casca de laranja, manga, uvas e lichia. há ainda versões de frutas secas, de frutas vermelhas, de frutas tropicais e uma terrine de pannacota com chocolates branco e preto. Todas custam R$ 12 a porção. R. Henrique Monteiro, 44 – Pinheiros – São Paulo – SP  3819-3897

Os restaurantes da Consoleta

Por Ailin Aleixo
No Época SP na CBN

Anita

Da cozinha envidraçada chefiada por Fabiana Caffaro saem pratos bem simples, muitos declaradamente inspirados na dita baixa gastronomia, aquela dos botecos, mas com algumas gostosas frescurinhas. Tem filé oswaldo aranha (feito com prime rib), frango com creme de milho (empanado com panko, uma farinha de rosca japonesa) e deliciosos bolinhos de arroz (que levam creme de queijos na mistura). A entrela da casa, porém, é a máquina de assar galetos, a típica televisão de cachorro, estacionada na calçada inclusive à noite. As aves, bem torradinhas e douradas, chegam à mesa já cortadas, acompanhadas de farofa, batata bolinha ao alecrim e vinagrete de tomates verdes. Na sobremesa, não deixe de provar a ótima panqueca de doce de leite com sorvete de nata. No almoço executivo, vale o sistema de prato do dia: quarta-feira, por exemplo, é dia de mignon de porco com couve e quibebe de mandioca. A casa fecha no dia 23 de dezembro para os festejos do final do ano e reabre no dia 6 de janeiro.

R.Mato Grosso, 154 – Higienópolis, 2628-3584

AK Delicatessen

A cozinha de Andrea Kaufmann está cada vez mais surpreendente. Hábil no preparo de receitas judaicas tradicionais, como o spondre, costela bovina cozida lentamente com cebolas, ela também se sai muito bem nos pratos de outras procedências. É o caso do chupe peruano, sopa de camarão, arroz e queijo. Vale experimentar as novidades que ela introduz de tempos em tempos no cardápio, mas há hits já consagrados que é um pecado perder. Por exemplo, o medalhão envolvido em pastrami, gratinado sob uma camada generosa de queijo brie, servido sobre mix de cogumelos: quem prova não esquece. O restaurante, inaugurado em 2007, segue bombando. O andar de baixo, antes inteiramente tomado pelo balcão da rotisseria, hoje também abriga mesas, mas não com o mesmo charme do andar superior. E continua saindo gente pelo ladrão.

R. Mato Grosso, 450 – Higienópolis, 3231 4497

La Frontera

O belíssimo salão art déco, repleto de metais dourados e enormes ventiladores de teto, foi inspirado nos antigos bares de Buenos Aires – tudo a ver com a vizinhança, já que o imóvel fica coladinho ao Cemitério da Consolação, em uma região que realmente lembra a terra do tango. Uma das sócias da casa é a argentina Ana Maria Massochi, também proprietária do Martín Fierro. Mas a cozinha do chef e sócio Leo Botto, como indica o nome do restaurante, fica no meio do caminho entre os dois países. Na grelha, ele prepara nobres carnes portenhas e prosaicas sardinhas com a mesma desenvoltura. O serviço é dos mais atenciosos: tem até couvert de cortesia, ótimo por sinal, com pão caseiro quentinho. Quem pede um ojo de bife tem não só a chance de escolher o peso do corte, de 200 ou 300 gramas, como ainda decide o acompanhamento: não dispense os nhoques quadradinhos de batatas assadas na grelha com creme de parmesão, uma iguaria de lamber os beiços. Na sobremesa, as bolinhas de mussarela de búfala vêm com delicioso doce caseiro de tomatinhos, tipo compota da vovó.

R. Coronel José Eusébio, 105 – Consolação, 3159-1197

Mais uma leva de novas casas

Por Ailin Aleixo
No Época SP na CBN

Meu sushi

O restaurante moderninho, instalado num charmoso sobrado nos Jardins, segue a linha saudável. O cardápio oferece opções de combinados, com cortes grossos e frescos, com pouco carboidrato (Leve light), com mais carboidrato para quem pratica atividades físicas (Esporte), veggie (com pouco peixe), com peixes grelhados e na chapa (Nada cru) e vegan (só com legumes e verduras) e entradinhas leves como o gostoso e sequinho bolinho de soja com nozes e hortelã. Para beber, o suco Meu sushi leva abacaxi, clorofila e hortelã é ótimo e bem natureba (não leva açúcar). Caso prefira refrigerante, no almoço, o refil é grátis: é só encher direto na máquina. Se a pressa for muita, pegue o seu combinado na grande geladeira que fica na entrada do salão e leve para viagem.
Al. Campinas, 1179, Jardim Paulista

Na Cozinha

O nome diz tudo: quem escolhe um lugar no diminuto salão se sente praticamente dentro da cozinha da nova casa, pilotada pelo chef e professor Carlos Ribeiro. Dentro do ambiente envidraçado, oito ex-alunos dele se revezam no fogão, no preparo de receitas brasileiras renovadas e servidas com capricho. O picadinho, prato de resistência do almoço executivo, chega à mesa em porções delicadas, tudo separadinho em cumbucas de cerâmica – só o feijão, apesar de bem temperado, tinha caldo meio ralinho. À noite, entram em cartaz algumas opções mais elaboradas, como um curioso pastel aberto de pernil agridoce oferecido como entrada; risoto de rabada; nhoque de batata com ragu de galinha e quiabo; e moqueca paraense com arroz negro com coco. Para a sobremesa, tem arroz vermelho brûlée com creme de goiabada cascão e um mix de compotas brasileiras. Na sobreloja, um espaço para cursos e eventos estava programado para funcionar a partir deste mês.
R. Haddock Lobo, 955, Jardim Paulistano

Zena

A nova casa de Juscelino Pereira, do Piselli, é comandada pelo filho, Dudu Pereira em parceria com o chef Carlos Bertolazzi. O restaurante tem jeitão despojado, salão arejado e serviço atencioso mas não lembra em nada o Piselli: é feito para petiscar, tem pouquíssimas opções no menu e muitos “lanches”. O cardápio traz deliciosas e crocantes focaccias com o della casa (recheada com queijo stracchino) e saborosos paninnis como o Bologna (focaccia aberta recheada com mortadela com pistache, alface e pasta de limão siciliano) e o integral com lascas de salmão defumado ao azeite e dill. Para quem quer algo mais consistente, a casa oferece cinco pratos, como a massa de lasagna servida no prato com molho de funghi– no ponto, mas sem graça e tempero. As saladas, todas com ingredientes orgânicos, também precisam de mais sabor e, pelo preço sempre acima de R$ 20, maior fartura de ingredientes.
R. Peixoto Gomide, 1901, Cerqueira Cesar

A pedidos: Piqueri e Freguesia do Ó

Por Ailin Aleixo
No Época SP na CBN

Amigos do Picuí

A dona das receitas à base de carne de sol é a potiguar Maria do Carmo Cardoso de Souza, cuja família tem 79 churrascarias Brasil afora. Nas unidades paulistanas, com paredes de azulejo estilo boteco, o cardápio sofre algumas bem-vindas adaptações: a carne de sol é feita de contrafilé e, acredite, tem textura de filé mignon. O prato mais pedido é a carne de sol à picuí, acompanhada de feijão verde, arroz, farofa, macaxeira frita, purê de macaxeira e vinagrete. Dizem que dá pra dois, mas é exagero: dá pra quatro. Na sobremesa, não se consegue escolher entre o queijo coalho com melado e o doce de caju. Na dúvida, peça os dois.
R. Ministro Petrônio Portela, 412

La Rita all”Osteria dei Venitucci

Quem conheceu o antigo restaurante de Vincenzo Venitucci, a Casa Venitucci, em Perdizes, lembra que o proprietário ficou famoso pela ótima comida, pelos preços altos e pelo indomável mau humor. Após um tempo fora de cena, ele agora está à frente de uma casa beeem diferente. Seu temperamento se mantém o mesmo, o talento na cozinha também, mas a ambientação e o cardápio, sobretudo a coluna da direita, são bem diferentes. Instalada dentro de um galpão no Piqueri, com a cozinha aberta na parte dos fundos, a casa não oferece qualquer sofisticação – e os preços são condizentes com a simplicidade do lugar. Prepare-se para comer bem. Vincenzo prepara receitas de sua terra natal, aquelas típicas da nonna, nem sempre fáceis de encontrar em São Paulo, como frango capão cozido com legumes, azeite e vinho ou coelho ao molho de tomates, especiarias e ervas. Há ainda boas massas artesanais, como o tagliatelle com manteiga e raspas de tartufo (em porção simbólica, o que permite o preço baixo). É bom ter paciência com o serviço. O vinho tinto chegou geladíssimo à mesa e faltavam vários itens do cardápio no dia da visita.
Av. General Edgar Facó, 1.127, Piqueri

Empório Nordestino

Fica em um casarão antigo e muito simpático, ao lado de outros bares e restaurantes sempre cheios – as mesinhas na calçada, diante da matriz, são as mais disputadas. O cardápio privilegia a carne de sol grelhada, em vários pedidos bem parecidos. Quase sempre o acompanhamento é mandioca frita e feijão verde tropeiro, com a opção de queijo coalho assado. As demais guarnições ficam em um bufê: arroz, feijão verde (ótimo), paçoca, purê de abóbora, purê de mandioca, mandioca cozida… Não dispense a sobremesa. As compotas de frutas – jaca, goiaba e caju – são caseiras e deliciosas.
Lgo. da Matriz de Nossa Senhora do Ó, 144

A pedidos: boas dicas no Tatuapé

Por Ailin Aleixo
No Época SP na CBN

Faronella

Carpaccio de carne, molho de mostarda, alcaparras e parmesão ralado – essa mistura pode parecer bizarra para uma pizza, mas acredite, foi por causa dela que a casa se tornou uma das mais conhecidas do bairro. Há quem diga que a cobertura de carne crua sobre a massa quentinha, hoje presente em várias pizzarias da cidade, surgiu aqui. De qualquer forma, não há como negar que criatividade é a palavra de ordem do lugar. Tem pizza à bolonhesa (molho com carne moída), de cheese burger (mussarela, rodelas de tomate, hambúrguer, cheddar, orégano e alface temperados com molho de mostarda) e de mortadela com escarola crua picada, mussarela de búfala, parmesão e molho agridoce. Calma, nem só de esquisitices vive esse cardápio. As tradicionais margherita, calabresa e toscana, bem melhores, diga-se de passagem, também saem do forno. A fartura na cobertura e a borda larga com recheios de catupiry e queijo cheddar são a marca do lugar. Peça a borda simples e evite que a massa suma no meio de tanto queijo.
R. Cantagalo, 934 – Tatuapé – São Paulo – SP2293-0584 / 2098-6359

Braccia Parilla

Não faltam predicados para justificar a casa cheia. A construção enorme, com três pisos, varanda, adega e capacidade para quase 400 pessoas chama a atenção. Mas a qualidade da carne e a simpatia no serviço são os principais motivos e atraem o povo das redondezas em grupos numerosos, para os almoços e jantares. Isso dá um clima família ao lugar. O jeito de fazer churrasco é argentino. Usa grelha móvel para assar os bifões altos, importados da Argentina e do Uruguai. Há cortes para apetites vorazes ou para partilhar, como o t-bone steak, a costela de ripa e o prime rib, todos com 600 gramas de carne. Alguns trazem versão baby – é o caso do macio bife ancho, peça retirada do contrafilé, e da tapa de quadril (picanha). No almoço, oferece fórmulas mais em conta com cortes menores e direito ao bufê de saladas esse sofrível, com folhas murchas e itens nada empolgantes. Faça as escolhas à la carte. De sobremesa, a panqueca de doce de leite importado é de tirar qualquer um do sério. Às quintas, tem show de tango.
R. Azevedo Soares, 1.008, 2295-0099 / 2295-9306

La Pergoleta

Finalista na categoria Melhor Polpettone do Melhor de SP 2008.No início, o La Pergoletta era uma pequena e modesta rotisseria. Mas a casa cresceu (no tamanho e na qualidade) e se transformou em um dos melhores restaurantes do Tatuapé. Mérito do milanês Elia Seganti. Adepto da culinária artesanal e cantineira, ele produz massas secas e frescas, recheios e conservas. Os pães, focaccias e carnes são assados no forno a lenha, o que dá um gostinho ainda mais especial às receitas. É o caso do pernil de cordeiro com legumes. O grande trunfo fica para a seção de massas, leves e com recheios muito saborosos. Há versões básicas, como o delicado ravióli verde com mussarela de búfala ao molho de pomodoro, e outras mais criativas como a meia-lua de bacalhau com mandioquinha. O ravióli integral (com queijo fresco, salsa, cebolinha e shiitake) está entre as opções bem sacadas para quem procura a linha vegetariana
R. Itapura, 1478 , 2092-3330

Rodízios de comida japonesa

Por Ailin Aleixo
No Época SP na CBN

Dhaigo

Se a  intenção é almoçar rapidamente, o Dhaigo é uma ótima opção, tanto que é bem popular entre o pessoal que trabalha no Itaim. O restaurante está sempre lotado, mas a espera é curta. Detrás do comprido balcão do salão principal, cinco sushimen preparam bandejas com sushis variados de quatro tipos de peixes (tainha, robalo, atum e salmão) e camarão. Essas são passadas de mesa em mesa e, talvez por isso, o frescor dos peixes deixa a desejar. Já o temaki de salmão com cream-cheese e o sashimi, que vem direto à mesa de quem pede, estavam  no ponto: alga crocante, fresquinhos, corte médio e boa qualidade do salmão. O hot-roll de goiabada – crocante por fora e cremoso por dentro –  pode não primar pelo tradicionalismo, mas estava bem gostoso. A banana flambada  deixou a desejar: a fruta,  cortada em rodelas, veio com um excesso de calda  que mais parecia a cobertura do sorvete de creme que acompanha o prato. Rodízio almoço: R$ 33,50  (sem sashimi) e R$ 39,50  (com sashimi). Rodízio jantar: R$ 39,50 e R$ 44,50
R. Araçari, 178

Hideki

Restaurante tradicional no bairro de Pinheiros, atrai japoneses e descendentes no jantar e executivos da região no bom e variado bufê de almoço. Se você quer conhece o que o Hideki tem de melhor, é melhor ir à noite. É nesse horário que são servidos os sushis exóticos, como barbatana de tubarão, e especiais, como toro. O corte, extremamente bem feito é, ao contrário da maioria dos japoneses da cidade, grosso– por isso, se você prefere aquelas fatias quase transparentes de tão fininhas, pode estranhar. Uma boa sugestão para variar do tradicinal combinado é o Tirashi-Sushi especial, 20 fatias de sushi (polvo, salmão, atum, prego) acompanhada de arroz com nori, gergelim, gengibre e ovo mexido. A brincadeira aqui é você montar seu próprio sushi. A carta de saquês e sochus traz bons rótulos importados. O rodízio de almoço é super famoso e concorrido. Além de suhis e sashimis há uma boa variedade de pratos quentes como tempurá, yakissoba e bolinhos de peixe. R$ 45 (seg. a qui.); R$ 50 (sex.); R$ 55 (sáb.)
R. dos Pinheiros, 70

Sassá sushi

O restaurante, que antes ficava a duas quadras da Horácio Lafer, onde está agora, mudou de endereço, mas não de cardápio. São oferecidas as opções a la carte e dois tipos de rodízio: um mais simples (R$ 47,90), com pedaços limitados de sashimi, e um com a iguaria à vontade e mais algumas entradas especiais, como carpaccio de salmão ao molho de shoyu e maracujá (R$ 53,90). Os peixes (além de salmão e atum havia duas opções de peixe branco) chegaram frescos à mesa e cortados na largura certa. O arroz estava um pouco adocicado demais e poderia ter sido menos “espremido”. A carta de saquê, porém, compensa o deslize e vem com boas opções nacionais e internacionais a preços surpreendentemente baixos para a região.
Av. Horácio Lafer, 640