A Guerra da Guararapes: ação do MPT leva maior fábrica de confecção do mundo a deixar o Brasil

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Protesto contra ação do MPT  em São José do Seridó, no RN (Foto: Divulgação/ Governo do RN)

 

Em 2010, o Grupo Guararapes tinha na cidade de Estremoz, divisa com Natal RN, a maior fábrica de roupas do mundo. Eram 20 mil funcionários. Sob o aspecto governamental esta grandiosidade, em contraponto com a pobreza da região castigada pela seca, mostrou que a criação de unidades fabris de produção de roupas era uma boa e, talvez, única solução para absorver mão de obra local.

 

Assimilando essa posição e anexando-a a necessidade do crescimento e da agilidade que o Grupo que dirigia estava exigindo, Flavio Rocha convenceu o Governo do Estado a criar o projeto que viria se chamar PRÓ-SERTÃO.

 

Implantado em 2013, o sistema PRÓ-SERTÃO para Flávio Rocha era a realização de um sonho originado ao visitar a ZARA, quando o fast-fashion começava a dar as cartas. Na Galícia, a ZARA operava um processo de produção ágil o suficiente para fabricar a tempo as novidades da moda.

 

Do sonho, o “Galícia Potiguar”, conforme vislumbrava Flávio, veio o sucesso com a adesão de cidades, marcas importantes como a Hering e pequenos empreendedores que formavam um robusto parque industrial de faccionistas.

 

Entretanto, um enorme contratempo, que já se delineava desde 2010, surgiu em julho deste ano. O MPT – Ministério Público do Trabalho do Rio Grande do Norte, através do Grupo de Procuradores do Trabalho, vinculados à CONAFRET – Coordenadoria Nacional de Combate a Fraudes, cobra da Guararapes R$ 37,7 milhões de indenização. Valor correspondente a parte do lucro obtido com o trabalho das facções, em uma ação baseada na suposição da existência de subordinação estrutural e responsabilidade estrutural da empresa na operação das facções.

 

Essa ação, encabeçada, como todas as anteriores, pela promotora Ileana Mousinho, exige a contratação direta de todos os empregados das facções, elevação dos preços pagos, abastecimento garantido, etc.

 

A empresa que congrega, além da fábrica, as LOJAS RIACHUELO, devido a multas e indenizações impetradas pela Dra. Ileana de R$ 41 milhões e acordadas em R$ 6 milhões, reduziu a participação de mão de obra local de 60% para apenas 20%. Na fabricação, tem expandido suas operações fora de nossas fronteiras, na China e Paraguai.

 

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Centenas de pessoas se reuniram em Seridó do RN contra ação do MPT (Foto: Divulgação)

 

Essa compulsória migração de mão de obra reflete provavelmente o atraso de nossa legislação trabalhista. Entretanto, há aqui algo a investigar, quando o principal executivo do Grupo acusa ser vítima de perseguição. Em recente manifesto dirigido à promotora Ileana Mousinho, Flavio Rocha pede:

 

“O nosso setor tem o potencial de transformar a realidade socioeconômica do Rio Grande do Norte. Basta que a Sra. deixe o ódio de lado e nos deixe trabalhar”.

 

É oportuno observar a difícil tarefa de estabelecer deveres e direitos, pois se não houver equilíbrio o direito defendido poderá tornar-se desnecessário pela extinção do propósito.

 

As costureiras domiciliares, que tanto serviram à periferia carente, que não podia sair de forma convencional para o trabalho, devido a obrigações com parentes idosos ou doentes, foram extintas pela exigência formal.

 

As oficinas externas, se passarem a responsabilidade das contratações de mão de obra e as demais obrigações empresariais aos contratantes, também serão extintas.

 

Quem irá contratá-las?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

 

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Conte Sua História de SP: As toalhas de dona Maria Elisa

 

Maria Elisa Martins da Costa Câmara nasceu em Açu, no Rio Grande do Norte. Passou a infância na cidade mineira de Nova Era. Foi aluna interna no Rio e voltou para Minas após concluir o curso. Na capital, Belo Horizonte, conheceu o marido com quem veio para São Paulo onde, juntos, montaram uma empresa de alumínio. Daqui e do passado, Dona Maria Elisa tem muitas histórias para contar. No depoimento ao Museu da Pessoa, fala de quando o presidente Getulio Vargas visitou a fazenda do avô, no interior do Rio Grande do Norte. Curiosamente, a primeira lembrança que Maria Elisa tem da cidade de São Paulo é da avenida 9 de Julho, inaugurada em 1941, por Prestes Maia, e assim batizada em homenagem a dada do início da Revolução Constitucionalista, quando milhares de paulistas se rebelaram contra o governo Getulio Vargas, em 1932. Quando ela chegou por aqui, era uma avenida imponente e com vários casarões recém-construído, cercados de belos jardins. Com o marido e mais um casal, foram morar em um apartamento da Barão de Limeira, de onde saia para passear e tomar chá no Mappin:

 

 

Maria Elisa Martins da Costa é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio e o depoimento foi registrado pelo Museu da Pessoa. Você também pode contar mais um capítulo da nossa cidade. Marque uma entrevista em vídeo pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Ou mande sua história para mim: milton@cbn.com.br. Se você quiser ouvir outros textos, visite meu blog miltonjung.com.br

Professora pede respeito e vira hit no Twitter

 

A professora Amanda Gurgel da rede pública de ensino do Rio Grande do Norte pediu a palavra durante audiência pública, no dia 10 de maio, que discutia a situação da educação no Estado e ganhou a internet. Durante oito minutos falou sobre as dificuldades enfrentadas pelos professores na sala de aula, diante de deputados da Comissão de Educação e da secretária de Educação Betânia Carvalho. Resultado: o vídeo foi parar no You Tube e se transformou em destaque nas citações do Twitter.

O sucesso talvez se justifique pela maneira sincera e expressiva do seu pronunciamento, raridade nos dias de hoje.