A Rio 2016 por americanos, ingleses e argentinos

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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No Hora de Expediente, quadro apresentado no Jornal da CBN, dessa segunda-feira, ao avaliar as Olimpíadas do Rio, de passagem se indagou sobre a importância da opinião dos estrangeiros.

 

Do ponto de vista da cidade sede é evidente que um dos objetivos é divulgar a imagem que a torne conceituada e seu nome passe qualificação para eventos, turismo, produtos e serviços. Daí fica incontestável o valor de saber como os outros países julgaram os acontecimentos da Rio 2016.

 

Fomos então ao INDEKX, site que apresenta os principais jornais e revistas do mundo, e buscamos três países importantes e prestigiados veículos de comunicação. Encontramos as seguintes conclusões:

 

New York Times (Estados Unidos):

 

“Nas areias de Copacabana e olhando para o Atlântico, ao fim dos jogos do Rio. De um lado o futebol e o vôlei com o ouro olímpico. Perfeito final. De outro as premissas de doenças pela poluição das águas e da zika causando uma crise global de saúde. E agora, quando tudo terminou não houve mosquitos e nenhum atleta adoeceu pelas águas.”

 

The Guardian (Inglaterra):

 

“Os destaques da Rio 2016 – Bolt três ouros, Grã Bretanha medalhas como nunca, Phelps, Lochte mentiroso e polícia brasileira eficiente, Fiji primeiro ouro em sua história, assentos vazios, oiscina verde. Tivemos de tudo afinal.”

 

La Nación (Argentina):

 

“Os fatos marcantes das Olimpíadas do Rio: Usain Bolt o rei da velocidade riu de todos, Phelps e a revanche pessoal, Joseph Schooling ganhou do ídolo da foto, Rafaela Silva da favela à gloria, Simone Biles a menina plástica, Brasil e a alegria do futebol com Neymar Jr., o pulinho de Shaunae Miller para ganhar os 400m, Fiji a fantasia do rugby 7, o Dream Team, um clássico”.

 

Pela amostra acima, podemos concluir que afinal a Rio 2016 marcou positivamente.

 

O exterior também leu de forma correta o que foi oferecido nos shows de apresentação e encerramento. Pena que ainda há brasileiros como Nelson de Sá, que a respeito do encerramento, escreveu na Folha: “contraste com Tóquio foi cruel”.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Legado da Rio2016 nas artes e na moda

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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A abertura das Olimpíadas do Rio, espetáculo de apurada criatividade, entrará definitivamente para a nossa história de grandes eventos. Tema, cenografia, música, roteiro e vestuário foram impecáveis. Santos Dumont no ar tecnológico e Gisele Bündchen na passarela de Ipanema foram destaques à altura do show.

 

Gisele foi ainda agraciada com notas sobre a velocidade que imprimiu no desfile e o processo de criação do seu vestido. Se o andar foi mais lento, segundo Fernando Meirelles, o talento de moda foi superior.

 

“Gisele sabe exatamente o que fica bom nela, o que facilitou muito meu trabalho …”

 

“Ela esteve presente em todo o processo e me deu dicas importantes. Pensamos juntos. Ela fez alterações importantes. Parte do meu processo criativo foi escutar e ajustar o vestido para que ela ficasse satisfeita”.

 

Alexandre Herchcovitch ao site americano da revista VOGUE.

 

 

Maria Prata, jornalista de moda corporativa da CBN, entusiasmada pelo clima olímpico, saiu do escritório e entrou nos campos e nas quadras. Na sexta-feira, informou que para o futebol foram lançadas chuteiras cujo material repele a água que forma a lama. Na ginástica foi desenvolvido  tecido que estica pelos quatro lados, permitindo os movimentos sem limitações. Para o atletismo, surgiu um tecido com o frescor dos chicletes, com a função de diminuir a temperatura do corpo.

 

No restrito mundo da alta moda, a seleção brasileira de equitação na modalidade de saltos foi brindada pela aristocrática Hermès (centenária empresa que se iniciou como selaria), com a criação exclusiva de seus uniformes. Ralph Lauren e Lacoste fizeram o mesmo para americanos e franceses. Na natação, vários competidores estão usando enormes casacos de inverno.

 

 

A Nike, fornecedora de uniformes aos atletas brasileiros e mais 13 delegações, apresentou o tecido chamado de Aeroswift, fabricado em poliéster reciclado, com a função de diminuir o peso, e o processo Aeroblade aplicado em áreas especificas, reduzindo o atrito gerado nas roupas e, consequentemente, aumentando a velocidade – com isto a performance dos atletas poderá melhorar.

 

Segundo a empresa há quatro anos esta vantagem era obtida para tempos mais curtos, mas agora é possível manter o rendimento por distâncias mais longas.

 

Outra novidade da Nike é um sistema que impede o contato do suor com a pele.

 

Como vimos, as artes e a moda já têm legado da Rio 2016. Resta saber se o Rio terá o seu. Esperamos que tenha.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

O (meu) sonho olímpico

 

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Tocha olímpica em foto de Rio2016/Fernando Soutello

 

Se o jornalismo sempre foi meu destino, por alguns anos tive a ilusão de ludibriá-lo como professor de educação física. Cheguei a passar na UFRGS – a federal do Rio Grande do Sul -, depois de quase tropeçar no teste físico que me obrigava a arremessar pelota. Fiz algumas cadeiras e alguns semestres antes de desistir da faculdade, especialmente devido as aulas de anatomia, que me levavam a dissecar cadáveres e explicar para que servia cada um daqueles músculos que acabara de mutilar. O cheiro de formol foi mais forte que o meu desejo de concluir o curso

 

A faculdade não terminei, mas ensinei crianças a jogar basquete, entretive alunos de escola pública e aprendi muito em um projeto com meninos e meninas especiais. O esporte sempre fez parte da minha vida, especialmente na infância e adolescência quando joguei futebol e basquete – este último por 13 anos. Portanto, no jornalismo era esse o tema que me seduzia e a primeira oportunidade de estágio que surgiu, em 1984, foi para produzir o programa “Esporte Amador na Guaíba”, único dedicado ao tema no rádio gaúcho. Um sonho.

 

Minha primeira experiência foi muito rica, a começar pelo mentor que tive: Alex Pussieldi, hoje comentarista de natação na SportTV. Graças ao programa, fiz minha primeira viagem “internacional”, quando vim a São Paulo para cobrir o I Meeting Internacional de Atletismo, em 1985, que tinha Joaquim Cruz e Zequinha Barbosa como atrações. Poucos anos depois, a força do futebol me fez migrar para os gramados, quando trabalhei como repórter, até ser levado para o departamento de jornalismo, de onde nunca mais saí (minto: em 2000/2001 tive rápida experiência de narrador de futebol e tênis, na RedeTV!).

 

Independentemente do que tenha acontecido no restante da carreira, o esporte sempre me atraiu e me emocionou. A história de superação dos atletas, as vitórias alcançadas nos segundos finais e as derrotas milimétricas me sensibilizam a ponto de chorar ou vibrar e, às vezes, chorar e vibrar ao mesmo tempo.

 

Alguém haverá de dizer que atletas, equipes, modalidades e competições estão a serviço de interesses econômicos e hegemônicos. Resumir o esporte a essas questões, porém, é desmerecer o esforço de cada ser humano envolvido na prática esportiva. É não compreender o poder de transformação que o esporte pode provocar nas mais diversas comunidades.

 

Imagino que você, caro e raro leitor deste blog, é um dos muitos brasileiros incomodados com os desmandos das autoridades que organizam os Jogos Olímpicos no Rio. É provável que preferisse ver o dinheiro investido no evento voltado às áreas mais necessitadas no Brasil. E hoje faça comentários indignados ou mau humorados com cada fato negativo que aparece no noticiário.

 

Espero também nunca perder o poder de me indignar com a injustiça, mas não quero que isto seja suficiente para tirar o brilho nos olhos de todas às vezes que vejo o feito desses grandes nomes do esporte. Quero me dar o direito de torcer pelos atletas brasileiros, muitos dos quais campeões por sua coragem e persistência. Gente vencedora desde o início, pois acreditou que poderia driblar o destino que lhe haviam traçado.

 

Espero muito pelo início dos Jogos Olímpicos, ciente de que o ouro não ofuscará os erros, e certo de que cada atleta que ali chegou merece nossa torcida. A minha, com certeza, eles terão, pois levam à frente o sonho que todo atleta tem de um dia disputar uma Olimpíada.