Um empate em memória do amigo Salvador

 

Milton Ferretti Jung

 

Somos dois aqui em casa que acompanhamos a Copa do Mundo pela televisão:Maria Helena,minha mulher,e eu. Não faço a mínima questão de assistir a algum jogo na Arena Beira-Rio ou seja lá como estão chamando o reformado estádio do Inter. Não deixei de ver até agora nenhuma das já várias partidas disputadas. Somente sento à mesa da cozinha para tomar o café da manhã. Faço as restantes refeições diante da tevê do living. Já Maria Helena divide o interminável CityVille,que ela joga no computador,com os embates que rolam pela televisão. Não sei como ela consegue acompanhar a Copa e o seu jogo compartilhado por amigas de várias nacionalidades. Sei que Malena,como é chamada pelos íntimos,não gosta do futebol português e implica,especialmente,com o craque Cristiano Ronaldo. Nem preciso dizer para que seleção ela torceu no dia 16.

 

Ao contrário de Malena,eu fiquei com pena do Melhor Jogador do Mundo. Ele é vaidoso,mas vá lá. No jogo contra a Alemanha,Cristiano,além de estar enfrentando uma equipe que, em matéria de futebol pode ser vista como,no bom sentido,Deutschland über alles,não contou com o apoio dos seus companheiros. Deixaram-no abandonado. Não há quem não saiba que,em um esporte coletivo,embora alguns sejam protagonistas,os demais têm de exercer da melhor maneira possível as suas funções. E não foi isso que se viu em Alemanha 4 x 0 Portugal.

 

Assim como não gosta de Cristiano Ronaldo e,por tabela,da Seleção Portuguesa,Maria Helena cai de amores pelo México. Ocorre que,por seis anos,cultivamos forte amizade com um mexicano,odontólogo e professor universitário,com quem conversamos diariamente pela internet. Ele sabia tudo sobre computadores. Quando as nossas máquinas não funcionavam a contento,Ignacio Salvador Mendés Ordóñes as corrigia por controle remoto. Malena e eu tivemos nele um extraordinário professor de espanhol. Hoje,ela fala e escreve nessa língua com perfeição. Em troca,eu escrevia para ele em português,bancando professor. Salvador,de uma hora para outra,desapareceu. Creio que morreu,porque era uma pessoa com saúde frágil. Sentimos sua falta,mas ficamos apreciando o México e,por extensão,a sua Seleção,graças à nossa amizade com ele. Em homenagem a Salvador,torcemos por um empate no jogo dessa segunda-feira. Achamos que,com isso não estaríamos traindo a nossa Seleção.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

O cigarro do Ronaldo

 

Por Dora Estevam


 
O cigarro é mesmo o vilão. Digo isso porque foi só o jogador Ronaldo se despedir do futebol e pronto – o agora-eu-posso falou mais alto. Ele e o amigo Roberto Carlos caíram num cigarrinho. E, a se notar na foto, estava bem gostoso.
 
Confesso que fiquei desapontada com os moços tragando e conversando numa boa. Não quero me meter na vida deles, mas não combina. Não cai bem para jogadores experientes como os dois.

Sabe-se agora que eles fumam há bastante tempo e o tema teria sido assunto interno da seleção brasileira na Copa de 2006. A imagem feita pelo repórter fotográfico José Mariano, da Agência Estado, apenas escancarou o hábito.

Conhece aquele ditado: “o que os olhos não veem o coração não sente”

É por aí.
 
Pelas notícias já soubemos de muitos envolvimentos dos garotão com mulheres, travecas, baladas … mas com cigarro? Ainda se fosse um astro de Hollywood poderia dizer que começou a fumar porque fez um personagem que pedia esse comportamento. Mas creio que não é o caso.


 
Mesmo em Holly agora a onda é usar o cigarro eletrônico. Johnny Depp usou um no filme “O Turista”. A cena aparece logo no inicio do filme. Dá para ver bem como funciona. Para atores que não fumam  o cigarro eletrônico aparece até na versão sem nicotina.
 
O aparelhinho é todo equipado com um inalador, um cartucho, um atomizador ou chip e uma bateria recarregável. Ele acende na ponta simulando um cigarro de verdade. Até a fumaça sai da mesma forma.
 
Calma, calma, antes que digam e “daí esta fumaça …”! Ele vaporiza a nicotina, ou seja, a fumaça é apenas um vapor. Dizem que é mais saudável por só possuir nicotina, e que tem menos substâncias tóxicas que as 4 mil que um cigarro comum possui. Para quem quer parar de fumar, eles são vendidos com menos nicotina ou até sem.


 
O uso do cigarro eletrônico já virou febre em todo o mundo, mas no Brasil nem pensar. A Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária reprova o aparelho. Desde 2009 a importação do dispositivo eletrônico está proibida. É que a Anvisa não sabe até que ponto o seu uso pode prejudicar a saúde.

De volta a dupla RR. Se ao menos os dois estivessem fumando um desses sem nicotina, quem sabe abrandaria a decepção.
 
Mas é isso, o cigarro é um vício e tem muita gente que recorre a ele. Poderia ser na bebida, nas drogas, na comida ou sexo. Existem milhões de pessoas que tentam parar mas não conseguem. É muito difícil mesmo, por isso é um vício.
 
E o vício agora declarado também é do Ronaldo e do Roberto Carlos.
 
Que pena!
 
Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: Dar a vida

 Ronaldo Tcheco

Santa Cruz 3 x 2 Grêmio
Gaúcho – Santa Cruz/RS

Há quem dê ao Divino a autoria pelo belo roteiro que o futebol nos oferece a cada momento. Quando Ronaldo sobe mais alto e com a cabeça – a mesma que nunca foi muito boa, seja dentro da área ou fora do campo – marca o gol de empate no último minuto do clássico, o primeiro de seu re-retorno, tem quem diga que foi o dedo de Deus. Afinal, ele parecia estar morto para a bola, mas renasce. Está vivo.

Creio que Ele tenha muitas preocupações para ficar a escrever estas histórias. Mas, com toda a certeza, o futebol está sempre a nos oferecer bons momentos para serem contados. Foi assim com o Grêmio na Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro quando tínhamos todos os motivos para não lembrar daquela passagem. Foi assim nas duas vezes nas quais conquistamos o título nacional (1981 – 1996), quando precisamos sair atrás na decisão para a glória no jogo final.

Houve partidas memoráveis que nem mesmo a derrota diminuiu o orgulho de ser tricolor. Lembra a Guerra de La Plata ? Foi contra o Estudiantes, em 1983, quando se disse que os gremistas quase morreram em campo. E não era figura de linguagem.

Hoje, após mais uma derrota no Campeonato Gaúcho – ruim, mesmo que se esteja jogando com um misto frio -, dos poucos jogadores lúcidos dentro de campo, o capitão Tcheco conversou com os repórteres ainda no péssimo gramado do estádio dos Plátanos, em Santa Cruz do Sul: “O Grêmio chegou em um momento que, depois de tanta crítica, se a gente comprar um circo, o anão cresce”.

Por mais torto que possa parecer este meu pensamento, você que é Imortal Tricolor vai entender: o Grêmio chegou no momento certo para voltar a vencer. Perdeu seu principal volante machucado durante partida sem qualquer importância, antes mesmo da estréia na Libertadores; jogou fora o primeiro turno contra o “tradicional rival”; indignou sua torcida; aumentou a pressão sobre o técnico; empatou com o Ypiranga em casa; e perdeu o rumo em Santa Cruz.

É assim que tem de ser conosco. É assim que os Deuses do Futebol – sim, estes estão soltos por aí a nos pregar peças – nos forjam para as conquistas. E o fazem para nos capacitar a vitória na mais importante delas, a da Libertadores, a que nos levará ao topo da América para de lá chegar ao Mundo.

Para esta caminhada, Tcheco não deixou dúvidas: “Vamos dar a vida”.

Nos acréscimos:

Foi fenomenal ver Ronaldo marcar o gol nos acréscimos do clássico. Foi piada pronta ver que, pesado, o alambrado despencou. Foi sem graça, o pessoal ter reclamado da falta de sensibilidade do árbitro que aplicou a lei e puniu com cartão amarelo a comemoração quando o próprio atacante disse ter sido irresponsável.