Trabalho escravo na moda

 

Por Carlos Magno Gibrail

A produção de roupas na era moderna sempre se caracterizou por gradativamente se afastar dos países centrais para os periféricos. Na medida em que as nações se desenvolveram e ficaram prósperas, as confecções as deixaram e se dirigiram onde existiam pessoas dispostas a trabalhar por um prato de comida.

Até mesmo o trabalho domiciliar nos grandes centros urbanos em metrópoles cosmopolitas, propiciado a pessoas que cuidavam de parentes idosos ou doentes, foi se extinguindo. Não foi capaz de concorrer com os países asiáticos e afins.

A oferta de baixa qualidade, baixa remuneração e alta produção pelo enorme contingente humano disponível resultava num invejável preço competitivo à moda que se confeccionava.

Enquanto o gado começou a ser policiado e para ser vendido é preciso provar que sua origem não é de áreas desmatadas. Enquanto a madeira precisa de certificado de origem para ser comercializada nos grandes centros contemporâneos. Enquanto as roupas são ofertadas sem rastreamento, embora a etiqueta que as acompanha o permita e, às vezes, o baixo preço as denuncie nada de expressivo se fez.

E, é neste cenário que o recente caso dos guetos latinos em São Paulo possa trazer uma expressiva contribuição para corrigir esta distorção. Lição que precisa ser levada principalmente aos consumidores, pois é através da decisão de compra que se efetivará o real controle da cadeia produtiva. É preciso criar uma identificação que premie as marcas que estão respeitando o ser humano. É hora de vigiar e premiar. Para vigiar, até que se estabeleça um controle oficial, é atentar à origem, ao preço e ao tamanho das organizações.

Se no mais evoluído estado brasileiro há regime de escravidão, podemos imaginar nos confins da China ou da Índia. Se grandes corporações de varejo já quebraram enorme quantidade de micros e pequenas empresas fornecedoras utilizando seu absoluto poder econômico, cancelando encomendas exclusivas ou pressionando preços, imagina-se o que podem fazer com indefesos trabalhadores terceirizados ou quarteirizados. E, se o preço baixo é importante, melhor será aproveitar as liquidações das marcas fora do eixo potencial de risco.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

O horizonte da moda masculina

 

Por Dora Estevam

Foi se o tempo em que os homens andavam todos iguais com calças, camisas, paletós e gravatas sem uma só dobrinha ou sinal de roupa amassada. Nos pés, então, nem se fala. Aqueles sapatos lustradíssimos com bico fino (tipo aqueles que o Maluf usava, também conhecidos por sapato pra matar barata nos cantos). Na paleta de cores, vermelho ou amarelo nem pensar.

Sem desvalorizar o que se passou, acredito que em matéria de vestimenta, hoje, a moda está muito mais funcional. Andar por ai com calças largas ou justas – sim, os homens também usam skinning – usar  calça saruel,  camisas e camisetas sobrepostas e pólos logadas. Nos pés a grande variedade de chinelos, sandálias, sapatos, tênis e botas.

Os mais clássicos aderiram as calças sociais com barras curtas, lenços echarpes e bolsas.

Nos acessórios não é diferente: viraram febre correntes de todas as espessuras, anéis nos mais variados formatos e desenhos – o mais cotado é o com desenho de caveira -, bonés e bermudas florais e xadrez, sem esquecer dos brincos, é claro.

Se avaliarmos os desfiles de moda masculina vamos encontrar na passarela verdadeiros concorrentes com os desfiles femininos. Não falta mais nada. Tem de tudo e para todos os gostos.

Nas ruas é que se vê toda esta transformação da moda homem.

E a moda foi tão longe que não tem mais aquele estilo “casual chic” calça caqui e camisa azul.

Separei  um trecho do final do desfile da Prada com as propostas para o verão 2011 – se eles usam os brasileiros se inspiram.

Um outro vídeo que eu gosto muito é do Ermanno Scervino. Ele mostrou uma coleção fresca e elegante, com tons de bege,  branco e caqui. Uma coleção bem versátil para qualquer tipo de homem. Destaque para as jaquetas estilo blazer.

É isso, estas são algumas das opções entre as novidades que você vai ver nesta temporada que promete.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre estilo e moda no Blog do Mílton Jung

Vá passear com seu bichinho de estimação

 

Por Dora Estevam


 
Pode estar frio ou quente, não importa a estação, se tem um por perto elas não pensam duas vezes, armam a produção com um detalhe infalível: o bicho.
 
Eles estão por toda parte, ou melhor, em todos os acessórios: bolsas e sapatos são suas vítimas preferidas. As estampas felinas saltam aos olhos das mulheres nas vitrines de todo o mundo.
 
As vítimas, digo, as usuárias (eu também), não se contentam com pouco, querem sempre complementar com um bichinho. Discreto! Pode ser. Exagerado! Por que não?
 
As onças são as mais procuradas, a mistura das cores: preto e caramelo agradam muito. Depois a zebra, preta e branca. O instinto selvagem fala mais alto. Se é tendência ou não, as mulheres estão sempre atentas aos novos modelos.
 
Tem algumas mais discreta, tem mais extravagantes. Olhem estas fotos da editora da Vogue, Anna Dello Russo. Ela misturou onça com acessórios enormes e dourados, cabelo trançado, franjas e unhas negras. Tudo num só corpo.

O exótico se torna natural. Pode tudo na hora de buscar uma estampa para vestir. Do tropical ao luxo, você escolhe a fera de acordo com o cenário. Madame ou gata felina, a ordem é se arriscar.
 
Para as mais ariscas, sugiro produções leves: shorts, biquínis, vestidos tudo pode ser misturado com peças de cores neutras.
 
Às mais clássicas: terninhos lisos com sandálias em bicho ou bolsas estampadas. Quer mais uma dica ? Amarre um lenço para dar mais charme ao acessório.
 
Selvagem chic ou gatinha tropical, deixe o seu instinto cuidar das suas escolhas.


 
Pegue seu bichinho de estimação e bom passeio pra você!

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo, aos sábados, no Blog do Mílton Jung

O feminino usa saia

Por Dora Estevam

Com tanta correria hoje em dia, as mulheres acabam optando por roupas mais práticas. Calças, camisas, blazers e sapatos fechados, fazem parte do figurino de boa parte delas.

Você diria que este dresscode é masculino? Sim, aparentemente sim. Mas é a realidade, mulheres com calças e blazers, roupas consideradas discretas para uso em trabalho. Principalmente nos escritórios. Por toda a cidade se você observar na hora do almoço é um verdadeiro batalhão de mulheres de escritório com as roupas convencionais.

Sem dúvida que uma calça alfaiataria fica muito bonita se combinada com uma bela camisa. Passa um ar mais sóbrio e não deixa de ser feminino se as produções estiverem ao alcance. Uma bela bolsa, um par de sapatos modernos, tudo isso favorece o visual, deixando mais leve, bonito e moderno.

O fato é que tenho visto em todos os desfiles de moda, nacionais e internacionais, modelos de vestidos e saias muito longos. Nos mais variados tecidos e padronagens.

Como eu gosto muito de vestido e saias longas separei alguns modelos de streetstyle para vocês se animarem, e, quem sabe, já começar a usar nos próximos dias. Lembrando que não é só no verão que usamos saias.

Para as que trabalham em escritórios formais as cores neutras ficam melhor. Neste caso, os acessórios podem dar um toque particular e quebrar um pouco a sobriedade. Cuidado com as alças, não se esqueça de combinar um spencer, casaquete ou cardigãn, além de te proteger ficará estiloso e sóbrio. Cuidado também com os pés, não é porque está usando um vestido que vai colocar uma sandália rasteira. É deselegante. Procure usar sandálias fechadas e com pouco salto.

Para as mais despojadas, vestidos e saias coloridos, estampados. Nos pés as opções vão desde os mais variados tipos de tamanco, ancle boot, sandálias mais grossas, até as minibotas. Tudo proporcional ao seu estilo.

Eu adoraria ver a saia comprida virar febre de verão. E não se preocupem com os tecidos: jeans, seda, algodão, todos leves e próprios para a estação.

Opções é que não faltam. Não tenha medo de ousar, você ficará linda e charmosa. Toda a família dirá que você está encantadora.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre estilo e moda, aos sábados, no Blog do Mílton Jung


A fonte destas imagens é o site Stockholm StreetStyle.com

Adoro listrado!

 

Por Dora Estevam

listrado3No próximo verão você vai, com certeza, usar pelo menos uma vez uma camiseta listrada. Se já não a usa.

Digo isso porque nos desfiles de tendências Verão’11 Paris, Milão e NY, todos apresentaram modelos com o tema LISTRAS ou náutico se preferir, tanto no feminino como masculino.

Mademoiselle Chanel (1883-1971) que gostava de usar duas cores – em plena juventude – sentiu-se atraída pela camiseta de um pescador e a transformou em uma peça da coleção; peça que nunca mais foi esquecida por estilistas do mundo inteiro.

E eu te digo, caro leitor, Chanel gostava de homens, por isso a inspiração no uniforme masculino. É verdade, enquanto os outros criadores de moda se exorcisavam de vivências infantis para as suas criações, Coco se inspirava em oficiais da cavalaria e escolas abastadas. Por isso, os casacos sem gola e a famosa camiseta listrada, não esquecendo das calças masculinas. Notavelmente a camisola listrada sem gola ou gola canoa (como era chamada a camiseta na época) era uma das peças preferidas de madame Chanel.

Mas nem só de glamour vivem as listras. No passado, elas eram usadas apenas por pessoas “do bem”: prostitutas, palhaços, boêmios. Na cultura medieval, ocupações como açougueiros, moleiros e outras consideradas menos nobres é que podiam usar roupas listradas.

As listras eram tidas como divisor de águas; o não puro, o transgressor, aquilo que dividia, que mudava, tudo contado no livro “The devil’s cloth: a history of stripes” escrito pelo historiador de arte francês Michel Pastoureau.

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Quando as listras começaram a ser popularizadas, elas eram feitas somente em peças íntimas; achavam que as listras podiam tocar apenas as partes “sujas” do corpo. Com o tempo todos os objetos que significavam proteção de barreiras contra a sujeira do nosso corpo eram listrados.

Já reparou como a maioria dos pijamas são listradinhos. Pois é, os medievais acreditavam que as listras serviam para impedir a influência nefasta dos demônios nos sonhos. Elas serviam como um filtro de proteção. No mundo contemporâneo podemos identificar as listras em muitos produtos do nosso uso; as roupas esportivas, pastas de dente, códigos de barras; e, sem dúvida, o vai e vem da moda.

Vertical ou horizontal. Até esta questão virou polêmica, veja só: quando o significado das duas cores foi mudando, elas passaram a ser usadas pela aristocracia, mas somente as listras verticais; as horizontais, imagina, eram usadas pelos serviçais e pessoas mais comuns.

Mas elas chamaram atenção pra valer nas revoluções (elas representavam transgressão, lembra?), a ponto de virarem figurinha fácil em bandeiras; pelo mesmo motivo, tornaram-se as queridinhas de artistas rebeldes.

A polêmica não para. Eu diria que nos dias atuais a preocupação é outra: se engorda ou emagrece.

A listra continua vilã. Vai engordar o quê? Vai emagrecer o quê? A roupa emoldura o seu corpo, não faz milagre – nem o tubinho preto. Ajuda se você tentar usar o velho e bom senso na hora de tirar uma dessas do armário.

De qualquer forma, o que importa é se você gosta e está com a produção em mente. Vá em frente e combine o que puder. Ou faça como os “transgressores”.

Adoro quando vejo páginas e páginas nos editoriais de revistas com as fantásticas produções de xadrez com listra e floral. Acho bem divertido. As variações são incontáveis. Modelos como blusas, vestidos, terninhos (risca de giz), tudo ganha poder quando o motivo é listrado. Agora já sabemos o porquê de os estilistas usarem listras nas coleções.

Listrado é simples, chique e sempre moderno.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo no Blog do Míton Jung, às vezes vestindo listras

Eles querem as gordinhas

 

Por Dora Estevam

Fluvia Lacerda

O frio chegou, assim como a Copa. E a fome também. Há quem brigue com a balança achando que está quebrada, que tem algum engano. Também pudera – não sei você, mas eu não paro de comer. E isso que o Brasil ainda não jogou.

Não pensa que esqueci das festas Juninas. Pelo menos duas são obrigatórias. Para quem gosta de comida típica como eu, impossível fugir delas.

E tem também os desfiles da SPFW – edição que apresenta a coleção de verão 2011. E volta o assunto das modelos magras. Mas sempre foram. E vai coleção, vem coleção o assunto é sempre o mesmo. Uma campanha aqui, outra ali, e continua tudo igual. Verdadeiros cabides.

Calma, não estou querendo dizer que deveria ser diferente nem criticando o fato de não ser como elas (nem de longe… ) também não posso dizer que tem que ser assim mesmo porque senão as gordinhas vão me matar.

Tá ! Por falar nelas, agora muito, mas muito mesmo, em moda são as modelos Pluz Size (modelo GG) garotas de bem com a vida e lindas. A novidade este ano é que o evento que organiza o Miss Brasil (normalmente, Miss Magrinha) agora também seleciona Miss Brasil GG. Legal, né!

A garota precisa seguir alguns pré-requisitos, nada complicado: primeiramente, é claro, ser G ou maior que G; ser solteira, não pode nem morar junto (põe o namorado pra correr); nunca ter posado nua, nem mostrado o seio em foto (ufa!) nem ter feito filme pornô; e ser muito alegre, simpática, ter boa postura, estar com a saúde em forma e a educação, também.

Bem, se você conhece alguém que se enquadra nestes requisitos e gostaria de ser Miss, vale a pena tentar. É só clicar www.misssaopaulo.com.br.

Fluvia LacerdaUm caso muito conhecido de modelo nesta categoria é o da brasileira Fluvia Lacerda, 29 anos,13 anos em Nova York. Pode-se dizer que a moça revolucionou o mercado GG no Brasil. Voltou para renovar o conceito das confecções com relação aos tamanhos grandes e também deu um empurrão nas modelos gordas que na opinião dela eram desvalorizadas e mal pagas.

Tem mercado para todo mundo, ninguém fica de fora nem a barriguinha proveniente da comilança, efeito Copa, Festa Junina, desfiles, e etc.

O interessante é que a roupa exerce um poder nas pessoas sem que elas percebam. Mesmo que diga que não liga pra estas coisas, acaba caindo em contradição quando vai às compras porque a peça que está em casa está fora de moda ou está velha. É sempre assim.

Eu conheci gordinhas lindas e super bem vestidas, meninas que se produzem com peças da moda e ficam charmosas. Assim como outras que nem ligam para a moda e dão graças a Deus por ter um camisão bem largo para se esconder dentro dele. Também conheço magras que são verdadeiras cafonas e outras que são chiquérrimas. Tudo é uma questão de gosto e estilo da pessoa.

Agora, é muito comum ouvir as grávidas, as gordas e as pessoas com deficiência reclamarem que nunca tem roupa para eles. É verdade. Vergonha mesmo é o Brasil com tantos talentos de estilistas não ter um sequer que faça a moda voltada para estes segmentos. Assim como o pessoal do Miss Brasil deu o primeiro passo quem sabe o Paulo Borges, diretor do SPFW, não segue o caminho e convide estilistas com propostas para este mercado desfilarem na próxima edição.

Muito além de um elegante vestido preto

 

Por Rosana Jatobá
Vestido preto em tela por Bertrand Eberhard

Ela surgiu para esconder as vergonhas, mas hoje em dia revela o íntimo de cada um. A roupa é o sinal instantâneo da auto-imagem que queremos exibir. E, na visão da grande dama da moda, ela pode ser uma arma poderosa e infalível:

“Vista-se mal, e notarão o vestido. Vista-se bem, e notarão a mulher.”

Mademoiselle Chanel revolucionou, não apenas porque libertou a mulher dos trajes desconfortáveis e rígidos do fim do século 19. Mas porque valorizou o senso crítico:

“O mais corajoso dos atos ainda é pensar com a própria cabeça”.

Se os tempos modernos desafiam nossas escolhas em nome da Sustentabilidade, invocar a genialidade de Coco Chanel pode ser norteador. Foi o que eu fiz quando recebi um presente, que chegou cheio de recomendações:

– Tenha muito cuidado, guarde-o em lugar fresco e escuro, e, se sujar, leve a um especialista. Esta pele pertenceu à sua avó. É um vison!

Vesti e imediatamente senti o poder de transformação do visual. A peça macia e felpuda de cor castanha tinha a pelagem espessa, brilhante e vistosa. Embora com mais de meio século, mantinha um design atemporal. Envolta na altura dos ombros, proporcionava uma sensação de conforto e proteção. Era a mais perfeita tradução do luxo, o acessório que permitia a metáfora: os diamantes estão para as orelhas, assim como a pele está para o corpo.

Chegou o dia de exibi-la. A noite do casamento estava mesmo fria em São Paulo, coisa rara nos últimos invernos. A festa era de gala, num endereço tradicional da cidade, o Jockey Clube. Escolhi um vestido de seda preto, me enrolei no vison e me perfumei,
afinal, segundo nossa musa:

 “Uma mulher sem perfume , não tem futuro!”

 Mas a última olhada no espelho, em vez de glamour, revelava inquietação:

Eu sabia que o animal havia sido morto numa época em que não existia o risco de extinção da espécie. Tinha certeza de que ninguém iria me hostilizar na festa , pois grande parte das mulheres estaria ostentando a sua estola ou casaco de pele. Possuía o aval da papisa da moda, Anna Wintour, editora da vogue americana, fã incondicional de peles e uma das responsáveis pela “fur mania” atual, um boom que não se via desde os anos 80.

Tinha, portanto, razões de sobra para usar o bicho, mas nenhuma tão contundente quanto a deixada pelo legado de Chanel :

“A moda não é algo presente apenas nas roupas. A moda está no céu, nas ruas, a moda tem a ver com ideias, a forma como vivemos, o que está acontecendo.”

Não poderia ignorar que, se usasse o vison, vestiria a capa da indiferença diante de um mercado cruel e fútil, que não para de crescer. De acordo com a Peta (Pessoas pela Ética no Tratamento de Animais), a indústria da pele mata 50 milhões de animais por ano no mundo. Só na China, a produção atingiu números entre 20 e 25 milhões em 2010, ao passo que no ano 2000, oscilava entre 8 e 10 milhões de peles. A organização beneficente invade desfiles de moda e aterroriza as donas do acessório, jogando baldes de tinta para inutilizar a peça. É uma forma de protestar contra os maltratos dispensados aos bichos, que passam suas vidas confinados em minúsculas gaiolas.

Para a extração da pele, são eletrocutados, asfixiados, envenenados, afogados ou estrangulados. Nem todos morrem imediatamente, alguns são esfolados ainda vivos! Em alguns locais, para que as peles fiquem intactas, corta-se a língua do animal, deixando-o sangrar até morrer.

A voz da consciência soprou mais uma vez ao meu ouvido e ouvi o conselho da mestra das agulhas:

“Elegância é recusar.”

Abri mão da gostosa sensacão térmica da pele morta do vison e fui às bodas.

No salão ricamente enfeitado, a fauna mórbida desfilava à minha frente. Era uma profusão de visons, chinchilas, raposas, zibelinas, cabras e cordeiros. Bichos montados, pendurados, entrelaçados em mulheres superproduzidas. …e bem agasalhadas.

Toda concessão tem seu preço.

O ar gelado entrava pelas janelas e resfriava até a minha alma, obrigando-me a contorcer os músculos.

Mas toda renúncia, a sua recompensa.

O desconforto em pouco tempo desapareceu, quando me senti envolvida pelo calor dos braços de um certo alguém. Como dizia Gabrielle Coco Chanel:

“Uma mulher precisa de apenas duas coisas na vida: um vestido preto e um homem que a ame”.

Rosana Jatobá é jornalistas da TV Globo, advogada e mestranda em gestão e tecnologias ambientais da USP.


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Vereadores acionam eleitor por crítica em jornal

 

adoteOs vereadores de Ribeirão Preto devem estar sem muito o que fazer. Têm tempo até para processar eleitor, como ocorreu com o comerciante Jânio Reis que escreveu carta ao jornal A Cidade criticando a Câmara após ler reportagem sobre a roupa dos parlamentares. A publicação do texto dele na coluna dos leitores provocou interpelação judicial por parte do legislativo e uma conta de R$ 2 mil, referente ao custo do advogado contratado.

A reportagem que gerou o comentário do leitor era uma brincadeira do jornal que decidiu analisar a vestimenta dos parlamentares da cidade (leia aqui). Os vereadores, segundo estilista entrevistado, não se vestiam de acordo com o ambiente e a ocasião.

Vê-se que também estão fora de moda quando o tema é liberdade de expressão.

A mania da camisa azul

 

Dialogo Serra Twitter

A conversa acima rolou no Twitter entre o Governador José Serra (PSDB), de São Paulo, e uma seguidora, e chama atenção para um hábito comum entre os homens: o uso de camisas azuis.

Pela elegância e praticidade, dividem a preferência masculina com as camisas brancas. O que muda no azul é o leque de tons que vai do mais claro ao mais escuro, diz a empresária Denise Rocha, uma das  proprietárias da Camisaria Rocha, das mais antigas de São Paulo, no mercado desde 1914.

Neste caso, para que discordar, certo?

Denise lembra que existem vários padrões de cores e tecidos no mercado, mas o azul combina muito bem com todas as cores de ternos: preto, cinza escuro, azul marinho.

Na Rocha, as camisas são feitas sob medida. A agenda é engrossada por executivos da área financeira e advogados. E Denise explica com autoridade: “O homem é mais exigente do que a mulher, ele quer ver a camisa bem cortada, saber se está bem alinhada, nada pode sair errado … Eles também são  vaidosos, se preocupam com o tecido, caimento, o pesponto do colarinho”.

O homem não tem tanta variedade como as mulheres no guarda-roupa e a camisa é uma peça clássica. Para diferenciá-las existem os acessórios: punho duplo, monogramas, abotoaduras – siiiim, elas são muito usadas e você encontra no mercado uma mais linda do que a outra.

Comprar várias camisas da mesma cor também não é exclusividade de Serra. A empresária tem cliente que pede para que sejam feitas 10 camisas da mesma cor (branca) que são numeradas para evitar o risco de repetir a camisa dias seguidos.

Há o que sempre encomenda duas brancas, duas listradas e duas xadrezes. Motivo ? Como tem muitas reuniões fora, Rio, Brasília e … enfim, ele manda entregar uma de cada modelo no hotel no qual ficará hospedado. Assim as camisas chegam primeiro, impecáveis, passadinhas … prontas para vestir. Muito prático (e excêntrico).

Taylor Lautner em GQNa história da camisa houve pouca mudança. Antigamente, era caseada para abotoamento na cueca e perto do peito tinha um furinho onde se colocava um broche com as iniciais do dono. Nos anos 1970 e 1980, foram as camisas mais larguinhas, hoje são as mais justas, ensina Denise.

Claro que se você não tem barriga de tanquinho, igual a de Taylor Lautner aí ao lado, nem adianta tentar, vá logo na modelagem mais larga para não passar ridículo.

Eu já vi mulher comprar coisas do mesmo modelo em cores variadas, mas o mesmo modelo e a mesma cor, jamais. Estes homens tem cada mania !

A propósito, quantas camisas azuis você tem no seu guarda-roupa ?

Dora Estevam é jornalista e aos sábados escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung

N.B (nota do blogueiro): O que Serra não conta é que mais do que prevenção ao erro as camisas azuis são as preferidas no guarda-roupa dos tucanos pois combinam com a calça amarelo-clara, conjunto que lembra as cores do PSDB.

Uma camisa rosa é reveladora

 

Desde pequeno somos ensinados de que menino veste azul e menina, rosa. Os pais esperam para sair às compras apenas após saberem o sexo do bebê. Os parentes preferem não arriscar e presenteiam tudo amarelo. Serve para os dois. Morrem de medo de trocar as cores. Principalmente se for homem. Imagina o que os outros vão dizer ? E a confusão na cabecinha do menino ?

O tempo passa e as coisas não mudam, até o rapaz resolver vestir uma camisa rosa e sair por aí. A mãe estranha, mas até que acha que a cor lhe caiu bem. Ficou bonitão, as meninas vão gostar, pensa em silêncio para o pai não ouvir.

É cruzar pelo primeiro amigo e lá vem a primeira gracinha: “Pegou a camisa da irmã ?”. O colega na escola não deixa passar em branco e tasca um sorriso malicioso logo de cara. Ele fica vermelho de vergonha, mas dá de ombros às convenções.

Durante toda a vida será assim. Na faculdade, no clube, na família, no primeiro emprego, no trabalho atual. É chegar no escritório e os olhares se voltam para a camisa rosa. Alguns murmuram notas desafinadas da “Pantera”. Das colegas até surgem elogios pelo bom gosto, mas também há as que deixam escapar comentários em tom de brincadeira. O amigo da Igreja não perde a oportunidade de tirar uma casquinha. Só por que ele é crente não vai agir igualzinho ao ateu ? É até pior.

Ninguém fica indiferente diante de um homem vestindo rosa. A cor é reveladora.