Avalanche Tricolor: salve, Imortal!

 

San Lorenzo 1×1 Grêmio
Libertadores – Buenos Aires

 

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Lincoln voa em foto de Lucas Uebel/Gremio FBPA

 

Um gol quando o jogo mal havia se iniciado. Um gol bem quando o jogo estava terminando. E entre um mal-feito e um bem-feito, havia Marcelo Grohe.

 

Nosso goleiro foi heróico aos 19 do primeiro tempo quando limpou a barra do nosso esquema defensivo.

 

Foi elástico, aos 42, ao despachar o chute traiçoeiro do adversário.

 

Como a sorte ajuda aos homens de boa vontade, aos 43, Grohe foi salvo pelo travessão, uma vez; pelo pé alheio, na segunda; e por seu fiel escudeiro Geromel, na terceira.

 

E ainda havia todo o segundo tempo para Grohe operar milagres.

 

Verdade que o time da casa não repetiu a artilharia dos primeiros 45 minutos, mas quando só Grohe poderia nos salvar, como naquele lance nos acréscimos, foi ele quem nos salvou.

 

Salve, Grohe!

 

Grohe, porém, não pode fazer tudo. É preciso que alguém faça gol. E Lincoln fez justo quando os descrentes já haviam abandonado a causa.

 

Salve, Lincoln!

 

O guri entrou desajeitado em meio a um time que jogava desajustado. A bola quase não chegava ao pé dele, pois não havia ninguém mais em condições de carregá-la com a precisão necessária.

 

Após um cruzamento mascado e uma bola prensada, Lincoln acertou o único chute a gol do nosso time, naqueles últimos 45 minutos de partida. A bola passou rente e entre as pernas do zagueiro deles (que não era assim um Geromel) e foi parar dentro do gol.

 

Um gol que talvez não tenha feito jus ao futebol que apresentamos. Mas que fez à história que construímos: a de Imortal Tricolor. E só por acreditar sempre nesta história, fiquei atento, ligado, sofrendo e torcendo até o apito final do árbitro, sem perceber que me restariam pouco minutos para descansar e iniciar maratona de trabalho, nesta quarta-feira.

 

Quem se importa com isso, depois de ter tido o prazer de assistir a mais um grande feito da nossa imortalidade.

 

Salve, Gremio!

Avalanche Tricolor: emoções que forjam minha paixão Imortal

 

Grêmio 1 (2) x (4) 0 San Lorenzo
Libertadores – Arena Grêmio

 

 

Somos todos sofredores desde o momento em que nos permitimos nos apaixonarmos por uma causa. No futebol, a minha é o Grêmio. Não escondo isso. Nunca tentei fazê-lo, mesmo na época em que, repórter esportivo, cobria o tradicional adversário em Porto Alegre. Por lá, sabiam todos da minha preferência e respeitavam minha escolha tanto quanto eu me esforçava para impedir que a paixão influenciasse a postura profissional. Acredito que tenha conseguido separar as coisas. Hoje, atuando em área e cidade distantes posso tratar do tema com muito mais tranquilidade a ponto de escrachar minha paixão sempre que escrevo esta Avalanche. É aqui que compartilho com você, caro e raro leitor, as emoções que o futebol gremista me proporciona. E quando falo de emoções não estou me atendo apenas as alegrias da conquista. Refiro-me ao coração apertado diante da bola que bate no travessão, do grito rouco no gol anulado e, principalmente, da angústia em perceber que nossa crença vai além das forças do próprio time. As mãos esfregam o rosto repetidas vezes, os dedos se entrelaçam enquanto recebem mordidas que deixam marcas, os braços se abraçam sobre a cabeça, com os pés chuto bolas imaginárias e, às vezes, me envergonho de tanto murmurar palavras impronunciáveis como se estivesse sozinho diante da televisão. Nesta noite que ainda será longa, vivi muitos desses momentos. Acreditei sempre que seríamos premiados com ao menos um gol, mesmo que atropelássemos a lógica do futebol para chegar até lá. Haveríamos de marcar se não pela técnica, pela insistência; se não pela tática, pelo canto da torcida. Eu reivindicava o direito a esta alegria e fui atendido na bola que explodiu no rosto de Dudu e se esparramou na rede. Eu explodi junto com aquela bola disparada por Rodriguinho, arranquei os óculos, cerrei os punhos, soquei o ar e as almofadas próximas de mim. Comemorei como se fosse o último gol que comemoraria em minha vida, mesmo sabendo que ainda não seria o suficiente para alcançarmos a vitória que precisávamos. Azar! Decidi que merecia aquele prazer fugaz, pois em todos os demais minutos da partida a mim só haveria de ser oferecido o sofrimento. Independentemente do que tenha havido e do que haverá de acontecer daqui pra frente, das línguas afiadas dispostas a encontrar um culpado, como se apenas um houvesse, das bocas tortas que vão babar de prazer enquanto atacam nossos ídolos, das mudanças e confirmações, estou aqui para agradecer ao Grêmio (e ao futebol, também) por me proporcionar todos estes sentimentos. Um turbilhão de emoções que forja minha paixão Imortal.

Avalanche Tricolor: alguém aí não acredita? vai …

 

San Lorenzo 1 x 0 Grêmio
Libertadores – Buenos Aires (ARG)

 

 

Era apenas uma brincadeira o comentário de Juca Kfouri, na manhã de quarta-feira, quando conversamos no Momento do Esporte, no Jornal da CBN. Ele disse que estava ali, ao vivo, quando normalmente grava o quadro, preocupado com meu comportamento diante dos últimos resultados gremistas. Chegou a dizer que soube nos bastidores de um mau humor que estaria influenciando meu relacionamento com os colegas de trabalho. Claro que não gosto de derrotas, mas o futebol não chega a me influenciar a ponto de estragar a boa relação com os amigos (ao menos é o que eu imagino). Sou adepto da tese de que rir de si mesmo nos aproxima mais daquilo que somos e, baseado nisso, achei engraçada a “pegadinha” dos colegas de Jornal que, hoje cedo, reproduziram o gol do San Lorenzo na narração de um histérico locutor argentino. Adoraria ouvi-lo na semana que vem no jogo de volta. O que não gostei muito foi de ler minha timeline no Twitter, durante a partida de ontem à noite, pela qual sigo vários torcedores do Grêmio. Entendo que algumas coisas que vemos são de tirar do sério: chutar a bandeirinha em lugar da bola ou despachá-la por cima do travessão na cobrança de falta técnica dentro da pequena área chega a ser bizarro. Mas tive a impressão de que o pessimismo do pessoal não estava a altura do jogo jogado e do resultado final. Mais incômodo do que isso: a descrença não condiz com nossa história. Sempre defendi a ideia, e falei isso para o Juca na conversa de ontem, que até 3 gols contra viramos em casa. Sou otimista, com certeza. Mas meu otimismo está pautado por nossas conquistas. O placar de ontem à noite, em Buenos Aires, está dentro do roteiro, especialmente porque percebemos que somos capazes de superar a marcação argentina, teremos o retorno de Wendell e Luan, e estaremos jogando ao lado de nossa torcida. E espero que estejam na Arena apenas os torcedores que, como eu, acreditam na nossa força. Aqueles que invadem hotel para ameaçar em lugar de incentivar jogadores, aqueles que duvidam do poder do Grêmio, aqueles que antes mesmo de iniciada a fase final apostavam na nossa desclassificação … estes todos tirem suas camisas e fiquem em casa vendo novela.

 

Eu acredito! Sempre!