Conte Sua História de SP: vai plantar batata!

 

Por Mário Cúrcio e Onéia Rodrigues

 

 

No Conte Sua História de São Paulo, nós vamos conhecer história escrita por Dona Oneia Rodrigues, que nos chegou através de seu sobrinho e afilhado Mário Curcio. Dona Oneia morreu em 2011, mas antes deixou esta lembrança para nós:

 

Meu nome é Onéia Rodrigues. Sou de Rio Claro, interior de São Paulo, cidade do ilustre Ulysses Guimarães. Fui a segunda de oito filhos e nasci em 1930. Naquele tempo, Rio Claro ainda era pequena, mas já cortada por ferrovias. Andei muito de trem porque também tinha parentes na vizinha Limeira. Casei em 1952 e tive três meninas, todas nascidas naquela cidade a 163 quilômetros de São Paulo. Trabalhei como professora em diferentes escolas no interior.

 

Na primeira metade dos anos 70 eu me separei. Poucos anos depois, acho que em 1976, vim sozinha a São Paulo para trabalhar como bibliotecária na assembleia legislativa. As meninas, já crescidas, ficaram em Rio Claro num primeiro momento, morando em nossa casa na Rua 3. Ficar longe delas deixou meu coração apertado, mas foi uma decisão acertada.

 

O primeiro bairro em que morei aqui foi Santo Amaro, na casa de minha irmã, onde dividi o quarto com meu sobrinho e afilhado Mário Augusto, na época um menino com dez anos, muito falante. Uma vez por semana eu comprava para ele um saquinho daquelas balas de leite de uma loja famosa por seus chocolates e percebia que ele comia cada uma como se fosse a última. O pai dele, meu cunhado João, sempre fazia piadas sobre meu ex-marido e a falta que eu sentiria dele. “Ah, João, vai plantar batata!” Era só o que eu podia dizer.

 

Um ano depois de chegar a São Paulo, eu consegui alugar um apartamento e pude trazer de Rio Claro as três filhas. Ficamos alguns anos ali na Rua Abílio Soares, bem em frente ao quartel. Vira e mexe, os soldados, com seus 18 ou 19 anos, acabavam se distraindo ao ver as meninas na sacada. O lugar era agradável e bem próximo ao meu trabalho.

 

Dali nos mudamos para um apartamento no Largo do Arouche. O prédio ficava bem ao lado de um cinema decadente mas de uma boa padaria. Quando minha irmã e meu cunhado me visitavam com aquele sobrinho, descíamos para comprar frios e doces, tudo sempre muito fresquinho.

 

Nunca fui de muito luxo, mas adorava meus móveis, objetos e mantinha minha casa sempre arrumada. Já os meus discos do Ray Conniff e do Paul Mauriat eu empilhava no prato da vitrola. Não me dava ao trabalho de tirar um e por o outro. “Besame Mucho” estava quase sempre na ponta da agulha. Aquele apartamento de paredes grossas me dava segurança, mas precisávamos de mais espaço. E como gostava do Arouche, saí daquele para outro apê um pouco maior, também no Arouche.

 

Bem de frente para a nova sacada ficava uma igreja no largo Santa Cecília. Com um bom binóculo dava para espiar até mesmo o altar. Já aposentada, gostava de descer e almoçar por ali nos fins de semana. Com menor frequência, minha irmã vez ou outra aparecia para conversar. Minhas filhas sempre estiveram perto de mim nos últimos anos e foram muito companheiras.

 

O tempo passou e a saúde não permitiu que eu continuasse no Arouche. Por causa disso acabei voltando para Rio Claro. Estou aqui desde 2011, mas sempre lembro com saudade do velho centro de São Paulo, do comércio, das minhas meninas e do corre-corre de quem vive aí.

 


Dona Onéia Rodrigues foi personagem do Conte Sua História de São Paulo. O texto foi enviado por Mário Curcio. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode participar com textos enviados para milton@cbn.com.br.

Conte Sua História de SP – 461 anos: quando os engenheiros chegaram para construir o Minhocão

 

Por Deborah Pereira

 

 

Em 1965, minha família se mudou para a Rua Albuquerque Lins no trecho entre a Praça Marechal Deodoro e a Brigadeiro Galvão. O bairro era ótimo, tranquilo e residencial. A rua era de paralelepípedos e andávamos de bicicleta com tranquilidade até a praça.

 

De repente começaram a aparecer uns engenheiros da prefeitura, mediam aqui, ali e só diziam que haveria uma obra enorme que mudaria o bairro. São Paulo não podia parar e isso, na época, era sinal de progresso, valorização dos imóveis e crescimento econômico. Nada foi perguntado ou informado aos moradores.

 

Depois dos engenheiros chegaram os trabalhadores e o minhocão começou a subir. E foi rápido. Se me lembro bem, coisa de um ano. Na véspera da inauguração deixaram as bicicletas curiosas subirem sob os olhares surpresos dos adultos.

 

Nossa que obra! Isso sim é um país que cresce!

 

E cresceu, e se tornou um problema para os vizinhos que moravam em frente e que aos poucos foram se mudando. A rua foi se deteriorando, meu pai foi transferido para uma cidade do interior e nós também partimos.

 

A vida me trouxe para morar na Rua Albuquerque Lins de novo, agora entre a Alameda Barros e a Rua Baronesa de Itú e daqui observo agora o destino que se quer dar ao elevado Presidente Costa e Silva.

 

Do meu modesto ponto de vista, ele deve ser demolido e o seu entorno recuperado. O sol deve voltar a iluminar a praça Marechal para que as crianças possam voltar a andar de bicicleta.
 

 

Deborah Pereira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode contar a sua história da nossa cidade, escrevendo para milton@cbn.com.br

Conte Sua História de SP: Nos tempos da rádio-patrulha

 

Um tempo em que quebrar as vidraças das casas vizinhas era travessura dos meninos do bairro, crime suficiente para que as autoridades policiais fossem chamadas e surgissem a bordo da rádio-patrulha, um Ford 46 pintado de preto e branco. É desta época as lembranças do ouvinte Domingos Sérgio Baroni, natural de São Paulo, nascido em 1933 e morador da rua Fortunato, no bairro de Santa Cecília.

 

Ouça o Conte Sua História de São Paulo com depoimento de Domingos Sérgio Baroni.

 

O depoimento foi gravado pelo Museu da Pessoa e sonorizado pelo Cláudio Antônio. Você também pode contar o seu capítulo da nossa cidade, enviando um texto para milton@cbn.com.br ou marcando uma entrevista em áudio e vídeo no site do Museu da Pessoa. O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar no programa CBN SP, logo após às 10 e meia da manhã.

Foto-ouvinte: os macacos estão soltos na praça

 

Macaquinho gente

 

Texto e foto de Devanir Amâncio

 

Grafite de saguis com mãos e pés de humanos chamam a atenção na recém-batizada praça Rio+20,na rua Ana Cintra,ao lado do Metrô Santa Cecilia, centro de São Paulo. O belo grafite em meio ao lixo é assinado por Sub X Tu. Nesta semana, crianças do bairro comparecem ao local para uma aulinha de biologia.

                         

Conte Sua História de SP: Dos tempos da rádio-patrulha

 

Nascido em 1933 na cidade de São Paulo, Domingos Sérgio Barone, morou na rua Fortunato, no bairro de Santa Cecília, região central. No depoimento gravado pelo Museu da Pessoa e reproduzido no Conte Sua História de São Paulo, seu Domingos lembra dos tempos em que fugia da rádio-patrulha. Seu crime, quebrar as vidraças das casas vizinhas.

 

Ouça Domingos Barone, em gravação sonorizada pelo Cláudio Antônio e editada pela Juliana Paiva

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, dentro do programa CBN SP. É resultado de parceria da rádio com o Museu da Pessoa que coleta depoimentos a partir de gravações em áudio e vídeo. Para você contar mais um capítulo da história da nossa cidade, agende uma entrevista no site do Museu da Pessoa. Ou envie um texto para milton@cbn.com.br.

Prefeitura esquece cozinha para morador de rua

 

Casa da prefeitura

De cor azul água, a casa da Prefeitura – Centro de Acolhida e República para moradores de rua emergentes, na rua Apa, Santa Cecília, é muito bonita por dentro e por fora. A casa atenderá cerca de cem pessoas. Tem sabor europeu e estilo colonial que lembra os velhos solares da arquitetura rural brasileira.

Tudo estaria certo se os moradores não fossem comer no casarão de confortáveis divisórias. Pois na véspera da inauguração, 21/7, os dirigentes, idealizadores e arquitetos que planejaram a reforma tomaram um susto: a casa não tinha cozinha.

A inauguraçao foi adiada. Enquanto isso a Prefeitura adotou o sistema hot box – compra “as quentinhas” para os funcionários e matriculados no Centro de Acolhida.

A mendiga Maria, que mora na calçada da casa e carrega um cobertor nas costas, ironizou: ” Vai ver que foi inspirada na casa que o Toquinho canta.”

N.B: Nosso “correspondente” voltou ao local, disse que o espaço é muito interessante. A prefeitura está providenciando a cozinha para o Kassab inaugurar na próxima semana

Conte Sua História: Uma cidade educada

 

No Conte Sua História de São Paulo, Mário Rubens Gatica, nascido em 1966, na capital paulista. Ele morou em várias regiões da cidade, mas o bairro de Santa Cecília ocupa um lugar especial em sua vida. No depoimento gravado pelo Museu da Pessoa, Mário conta que sua brincadeira preferida era tomar banho de chuva em meio aos prédios e casarões do bairro. E relembra que, antigamente, o conceito de civilidade era ensinado nas escolas, por isso São Paulo era uma cidade muito mais educada.

Ouça o texto de Mário Rubens Gatica sonorizado pelo Cláudio Antonio

Conte você, também, mais um capítulo da nossa cidade. Envie um texto ou agende uma entrevista em áudio e vídeo no site do Museu da Pessoa.O Conte sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, logo após às dez e meia da manhã, no CBN SP.

Canto da Cátia: Promotor na Calçada da Fama

 

Calçada da Fama em construção 1

As estrelas ainda não estão na Calçada da Fama, a polêmica, sim. A rua Canuto do Val, região central de São Paulo, tem sido palco de discussão desde que a empresária Lilian Fernandes conseguiu apoio da Câmara Municipal e da prefeitura para ampliar a calçada na área em frente aos restaurantes dos quais é proprietária. Agora, o Ministério Público mandou instaurar um inquérito civil para apurar se existe alguma irregularidade nas obras.

Ouça a reportagem da Cátia Toffoletto, no CBN SP

Calçada da Fama e da controvérsia

 

Calçada da Fama em frente a restaurante

A rua Canuto do Val, no bairro de Santa Cecília, é cenário de um debate que deixa qualquer um louco. Em uma cidade na qual as calçadas são um desrespeito ao pedestre, moradores criticam o trabalho de recuperação que está sendo realizado em parceria do poder público e uma empresária, Lilian Fernandes. Ali, onde no passado o abandono era comum, ela decidiu investir na construção de cinco casas com estilos diferentes que funcionam, principalmente, à noite. O aumento do movimento de pessoas passou a atrapalhar o sono dos que por ali moram e a convivência entre o lado residencial e comercial se complicou. Com a aprovação na Câmara de Vereadores e o início das obras para a construção da Calçada da Fama, o caldo entornou.

Acompanhe esta polêmica na reportagem da Cátia Toffoletto que foi ao ar no CBN São Paulo e deixa sua opinião: Ouça aqui a reportagem sobre a Calçada da Fama