Um tesouro chamado Carbrasa

 

Por Adamo Bazani

Carbras 1962

Veja aqui slideshow com imagens do Carbrasa


Avenida das Bandeiras, 846 – Lucas – Rio de Janeiro. Telefone 30 08 30

Descobri que este era o endereço de uma das empresas que marcaram a história da indústria de carrocerias de ônibus no Brasil após achar uma relíquia. Pura coincidência.

Este apaixonado por transportes estava indo com o pai ao mercado, domingo de manhã, comprar mistura para semana, quando começa, ao volante de seu carro de passeio (infelizmente) a esbravejar:

– “Nossa, nossa, nossa, nossa…um Carbrasa”.

O pai deste que lhe escreve não entendeu nada

“Car o quê ?”

Os apaixonados pela história do ônibus sabem bem o motivo pelo qual esbravejava. No meio do caminho entre a casa de um busólogo e o supermercado havia um verdadeiro tesouro: um ônibus de carroceria Carbrasa, ano 1962.

Era domingo, trânsito tranquilo, rua de bairro, em Santo André, deu até para parar em frente a uma guia rebaixada de uma casa (não façam isso). Todo o busólogo tem de sair “armado”, seja quando atravessa o país seja quando vai até a outra esquina. Eu estava. Em minhas mãos, uma máquina fotográfica.

É verdade que o ônibus dava sinais de que sofreu com o implacável tempo. Mas, como se o veículo fosse um sitio arqueológico, fucei e descobri detalhes interessantíssimos.  O câmbio cotovelo de difícil engate. A placa do motor Chevrolet TB 65 02. O freio de mão, totalmente diferente dos de hoje. Em um dos degraus da porta, a plaquinha, com endereço e telefone da Carbrasa.

A empresa não existe mais. Seu fundador, Mário Sterka, era diretor da Volvo do Brasil nos anos 40. Época difícil, Segunda Guerra Mundial, os avanços tecnológicos não tinham a mesma velocidade de hoje em dia.

Sterka se inconformava em ver a Europa e Estados Unidos, já nos anos de 1930, apresentarem ônibus com carrocerias metálicas, enquanto, o povo brasileiro ainda era transportado em duros veículos com mecânica defasada e carroceria de madeira. Em 1945, mesmo com a crise da Segunda Guerra, decidiu fundar no Rio de Janeiro a Carbrasa – “Carroçarias Brasileiras  S. A”, que desenvolvia, inicialmente, para chassis Volvo, inovadoras carrocerias de aço cobertas de alumínio. Obviamente, o preço era mais alto do que a concorrência e, assim, o início foi bem difícil. A vontade de desistir, segundo a família, apareceu. Mas ela foi superada. Mas Sterka provou que é no momento de crise que se deve investir em inovações. 

Nos anos 60, bem da década que nossa relíquia foi encontrada em Santo André/SP, a Carbrasa se tornou uma das principais encarroçadoras do País, ostentando o nome BRASILEIRAS em sua sigla. Nesta época, a carroceria não era colocada apenas em plataformas da Volvo, mas de diversas montadoras, como a GM, empresa cuja mecânica ainda é a original de nosso achado.

No fim dos anos 70, as ações da empresa foram compradas por outras encarroçadoras, mas a Carbrasa deixou marcas, que são encontradas até hoje, principalmente, pela ação inovadora de Mário Sterka.

Assim foi, com estas lembranças, o domingo de um busólogo que ao levar o pai ao mercado encontrou um tesouro. Pai que também gostou de rever um dos veículos no qual ele andava quando jovem, mas que não aguentava mais de fome, após horas ao lado do filho que contemplava o achado “arqueobusófilo” (não procure esta expressão no dicionário).

A entristecer o dia, apenas a informação de que o dono deste Carbras vai transformá-lo em um motorhome. Portanto, aproveite bem estas fotos, talvez as últimas deste exemplar que ficou na história.

Ádamo Bazani é repórter da CBN e busólogo. Às terças, escreve para o Blog do Mílton Jung. E durante toda a semana garimpa tesouros pelas ruas.

Santo André ganha ônibus para deficientes

 

Por Adamo Bazani

Ônibus adaptados para passageiros com deficiência

Ônibus adaptados para passageiros com deficiência

Santo André, no ABC Paulista, ganhou mais 11 ônibus adaptados para pessoas com deficiência que devem começar a rodar em breve na cidade. São dez Caio Apache Vip II, Volkswagen 17-230, e um micro-ônibus Caio Foz, Volkswagen 9-150, comprados pela Expresso Guarará. Até agora, havia apenas ônibus do tipo “micrão” em condições de transportar passageiros com restrições de locomoção.

A apresentação dos veículos marcou as comemorações dos oito anos de operação do Corredor Vila Luzita, o único segregado para ônibus na cidade de Santo André. Apesar de reclamações como lotação nos veículos, o corredor, idealizado em 1998 e entregue a população em 2001, representou avanço nos transportes da cidade, já que os ônibus conseguem oferecer viagens até 50 por cento mais rápidas do que antes de sua implementação.

Santo André carece ainda de outros sistemas semelhantes e o próprio corredor da Vila Luzita deve ser aperfeiçoado, por conta da alta demanda de passageiros.

O prefeito de Santo André, Aidan Ravin, acredita que investir em ônibus adaptados para deficientes beneficia toda a população.

“Ao comprar ônibus com acessibilidade, as empresas, como a Expresso Guarará, criam uma cultura de transportes, que consegue modificar a visão dos cidadãos sobre os deficientes. Quando a população vê um ônibus com elevadores para cadeirantes ou piso baixo, percebe que a pessoa com deficiência é cidadão e, como tal, tem o direito de estudar, trabalhar, passear, enfim ter uma vida normal. Além de ser um investimento no nosso próprio futuro. Hoje estamos jovens e com força, mas amanhã a idade virá e as limitações também podem vir. Se uma cidade tiver uma cultura para transportar essa população, se estivermos no futuro nestas condições, seremos beneficiados”.

Quando se fala em cultura de transportes, um dos referenciais na região é Sebastião Passarelli, dono da Expresso Guarará e fundador de boa parte das empresas na região do ABC. A família Passarelli atua no ramo de transportes coletivos desde 1938, no interior paulista.

“Uma das coisas que mais me gratificam ao longo do tempo é saber que é possível ter um transporte racional, economicamente viável, que dá lucro, mas que ao mesmo tempo é humano. Estou na região do ABC há 49 anos atuando na área. Me doía ver que num passado não muito distante, pessoas com limitações não tinham condições de entrar num ônibus. São veículos mais caros, mas vale a pena investir”, comenta o empresário, de 81 anos.

Quem está nas ruas no dia a dia sabe como são as dificuldades dos passageiros, principalmente os deficientes físicos. É o caso da motorista Luciane Lopes, da Expresso Guarará. Ela conta que começou a dirigir ônibus em 1996. No início,guiava micro-ônibus. Depois, Luciane
se aperfeiçoou e, hoje, transporta de uma só vez mais de cem passageiros em ônibus articulados, de 18 metros.

“São gigantes domesticados pela suavidade da mulher” – brinca a motorista, uma das primeiras do grupo, quando as linhas municipais ainda eram operadas pela Viação São José.

“Transportar deficientes é como transportar um tesouro dentro do ônibus. Eles tem uma força especial, sempre algo a ensinar. Fiz muitas amizades trabalhando como motorista e digo sem medo nenhum. Prefiro linha de bairro, de periferia. Apesar dos perigos, o passageiro torna-
se amigo. São poucos carros e os pontos finais são praticamente na porta das casas. Nunca tive medo do perigo da periferia. Ao contrário, nas lanchonetes de ponto final é que se encontram histórias de luta e superação, além de uma comida deliciosa” – diz Luciane. Para ela, a
população das periferias vê no ônibus um apoio, um sinal de que não foi esquecida totalmente.

O funcionário da Expresso Guarará, Sandro Alves, que acompanhou a compra dos veículos, explica que os ônibus possuem elevadores para cadeirantes com acionamento automático pelo motorista, balaustes com textura para deficiente visual, bancos com cores diferentes para idosos e bancos para obesos.

Sandro, o funcionário, sempre dava lugar ao Sandro, busólogo. Além de trabalhar, ele é um apaixonado por ônibus, o que permite que conheça um pouco mais do ramo, com as visões de profissional e de fã.

Isso foi possível notar quando, indiscutivelmente entusiasmado, ele mostrava os “mimos” que a empresa conseguiu negociar com a encarroçadora, como relógio digital, com marcador de temperatura e um simpático ventilador para o motorista.

Por onde os ônibus novos passavam, numa espécie de carreata, os moradores viam a diferença em relação aos antigos e logo perguntavam quando estes começariam a rodar, o que acontecerá nos próximos dias.

Até outubro haverá 30 ônibus acessíveis transportando passageiros pela Expresso Guarará. Eles se somarão aos 15 “micrões” da Viação Vaz, já circulando. Número pequeno ainda se for levando em consideração o fato de que a frota de Santo André tem 250 ônibus. Mesmo assim, é o início
de uma nova fase que este “Ponto de ônibus”, que registra a história do transporte de passageiros, faz questão de contar, afinal, as cidades, empresas e sociedade tem enorme débito com as pessoas com deficiência.

Adamo Bazani é busólogo, repórter da CBN e sorri quando um passageiro com deficiência pode sair de casa, não apenas para o hospital, mas para trabalhar, estudar, passear e viver.

Árvores secam em Santo André

 

Árvore seca

A qualidade do serviço de recuperação de área verde na cidade de Santo André, ABC Paulista, é questionada pelo ouvinte-internauta José Carlos Vieira que registrou esta e outras imagens (veja no álbum do Flickr clicando na foto acima) de canteiro na avenida Prestes Maia, onde haviam sido plantadas árvores, recentemente. De acordo com ele, o solo estava mal-cuidado e a erosão se iniciou, além de boa parte das árvores estarem secas.

A resposta: (02.09.09, 19h07)

A prefeitura de Santo André foi procurada pela produção do CBN SP e enviou a seguinte justificativa após ver a nota no blog e as imagens no álbum do CBNSP no Flickr:

A Prefeitura de Santo André, por meio da Secretaria de Obras e Serviços Públicos (SOSP), informa:

As fotos abaixo são de lugares diferentes. As seis primeiras fotos são de um talude na Av. Prestes Maia, atrás da sede da Guarda Municipal, onde não existia qualquer tipo de vegetação a não ser capim. Neste talude o Departamento de Parque e Áreas Verdes (DEPAV) plantou 251 mudas de árvores nativas de mata atlântica, plantou também grama-amendoim, para evitar erosões, e outras plantas ornamentais.

As cinco fotos seguintes são do Parque Central, onde foram podadas duas árvores, sendo uma cássia-amendoim e um abacateiro (não é nativo), por estarem prejudicando a casa vizinha ao Parque. Foi removida também uma amoreira (não nativa) pelo seu estado fitosanitário estar comprometendo seu desenvolvimento e a integridade dos transeuntes, pois oferecia perigo de queda. Salientamos que foram elaboradas as autorizações de podas e remoção das mesmas. A Policia Militar Ambiental esteve no local e constou que estávamos agindo corretamente.

Para mais informações favor nos contatar.

Engº Agrº Valdemar Campião Junior
Diretor Assistente

Novas linhas atrapalham passageiros em Santo André

 

Por Adamo Bazani

População ainda não se acostumou com mudança de número de identificação de linhas de ônibus
Todas as linhas com extensão R receberam novos números. Primeiro dia útil de operação confundiu usuários.

ônibus em Santo André 2 T 18

No primeiro dia útil de operação das linhas que foram renomeadas pela Prefeitura de Santo André, muitos passageiros deixavam o ônibus que utilizam passar, porque não reconheciam as novas nomenclaturas das linhas. A Prefeitura decidiu retirar a letra R, depois do número de algumas linhas. A letra indicava que a linha era uma derivação do trajeto original percorrido pelas linhas principais.

O poder público alega que os passageiros se confundiam com as derivações, ramais, extensões e desvios, muitas vezes descendo muito longe dos pontos previstos. Um exemplo era a linha B 63 e B 63 R, A B 63, saindo da Vila Palmares vai até o Jardim alvorada, via Hospital Mário Covas e Bairro Paraíso. A B 63 R (hoje B 64) vai até o Termonal Santo André Oeste, no centro da cidade e longe ainda do Hospital e demais bairros,

Mesmo com cartazes colocados em ônibus e terminais antes das mudanças, muitos passageiros não decoraram o número das linhas, conforme o Blog observou em algumas paradas da região Central de Santo André.

A Prefeitura de Santo André possui um serviço de informações por telefone sobre as linhas: 0800 – 019 19 44. No site da Prefeitura, há relação das linhas, mas ainda nem adianta consultá-lo, pois as novas nomenclaturas ainda não constam no portal do governo municipal.

O Blog traz os números de linhas que mudaram:

  • AL 111 R origem: Terminal Vila Luzita/destino: Clube de Campo (via Rua Sagui da Serra); mudou para AL 112 – A linha principal, AL 111, continua com o mesmo nome.
  • AL 113 R origem: Terminal Vila Luzita/destino: Recreio (via Rua Anambé). Mudou para AL 114. A AL 113, principal, continua com o mesmo nome
  • T 12 R origem: Jardim Ana Maria/destino: Centro de Santo André mudou para T 14. A T 12 permanece
    T 16 R origem: Parque João Ramalho/destino: Ipiranguinha (via Jardim Rina); renomeada para T 18. A T 16 não muda de nome.
  • T 27 R origem: Parque Gerassi/destino: Terminal Urbano Prefeito Saladino para T 28. A T 27 não muda de nome
  • B 63 R origem: Estação de Santo André/destino: Fundação Santo André; para a ser B 64
  • A T 12 R não mudou para T 13, porque já existe a linha B 13.

Mesmo com a letra da frente diferente, a população poria se confundir com o número. Todas as linhas T e B são operadas pela Viações Guainazes / Curuçá, lote 01 do sistema de Santo André e as AL pela Expresso Guarará, lote 08.

Adamo Bazani é repórter da CBN, busólogo e pega ônibus em Santo André, mas ainda não perdeu o rumo.

Só agora Santo André tem ônibus para deficiente

Por Adamo Bazani

Comil 1, ônibus adaptado para deficientes em Santo André


Parece incrível. Uma cidade do porte de Santo André, no ABC Paulista, com mais de 600 mil habitantes, só agora apresentou a população ônibus adaptados para pessoas com deficiência (com elevador e banco para obesos). Antes tarde do que nunca, como diria o velho jargão.

Nesta quarta-feira, com exclusividade, o Blog presenciou a entrega dos veículos. São os primeiros do Consórcio União Santo André. Na cidade, só havia dois ônibus, da Expresso Guarará, Caio Millenium II, com a adaptação, mas a empresa não participa do Consórcio. São 11 ônibus encarroçados pela Comil, modelo Svelto, Chassi Mercedes Benz, OF 1418. Eles vão operar linhas da de apenas uma empresa do consórcio formado por seis viações: a Viação Vaz.

“A empresa investiu cerca de 3 milhões de reais na compra dos veículos. Além de preparar os motoristas para operar os elevadores e os componentes, preparamos também para o convívio e atendimento aos deficientes que são cidadãos comuns como todos” – disse Gustavo Augusto de Souza Vaz, diretor da Viação Vaz, que opera cinco linhas na cidade.

Renata, primeira motorista da empresaAlém de apresentar os novos ônibus, a empresa contratou sua primeira mulher motorista: Renata Nogueira, de 37 anos.

“Trabalho há cinco anos dirigindo ônibus, nas Viações Imigrantes, Julio Simões, Veneza e Auto Viação ABC, mas para mim é um orgulho trabalhar com o deficiente, e ser a primeira mulher motorista de uma empresa” – conta Renata. A Viação Vaz vem da Viação Padroeira do Brasil, empresa que operava em Santo André desde os anos 40 e tinha apenas motoristas homens. A empresa Vaz assumiu a Viação Padroeira, trocando de nome, em 2002.

O gerente comercial da Comil, Fabrício Tascine, afirma que a estratégia da empresa é retomar mercado em São Paulo. Para isso, anunciou um Comil modelo Svelto Midi, um micrão com proporções menores que os apresentados em Santo André, no dia 1º de Julho.

“Nossa empresa conta com colaboradores especializados em adaptar os veículos. Já era mais que hora de isso acontecer. Desde o menor ônibus ao maior, hoje podemos oferecê-los com acesso a quem tem mobilidade reduzida. Afinal, o deficiente não precisa do transporte só para ir ao hospital. Ele tem o direito de trabalhar, passear e estudar, usando o transporte público”.

Já o representante de revenda da Mercedes Benz do Brasil, em São Paulo, Paulo Mendonça, afirmou que a marca vai se dedicar ao aprimoramento de chassis que atendam ao deficiente. “Independentemente do tamanho dos ônibus, grande, convencionais, midis ou micros, a idéia é priorizar o deficiente. Eu trabalho há mais de 30 anos no ramo e a mentalidade do empresário e do poder público em relação a isso mudou muito, e pra melhor. Seja carro com piso rebaixado ou com elevador, a demanda para tornar o deficiente mais incluso nas cidades é felizmente cada vez maior”

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Santo André muda cor de ônibus para ‘apagar’ PT

Por Adamo Bazani

ônibus versão PTB

Uma surpresa para os moradores de Santo André, no ABC Paulista. Menos de um ano depois de a frota de ônibus ter adotado novo visual, durante a administração do prefeito João Avamileno, do PT, todos os veículos vão ter de mudar de cor de novo por imposição do prefeito Aidan Ravin, do PTB.

A prefeitura nega que a mudança na atual administração tenha conotação política. Oficialmente, diz que a ideia é fazer com que os ônibus circulem com as cores da bandeira da cidade (branco, azul e amarelo).

O blog flagrou o ÚNICO ônibus em operação com o novo visual. O carro faz a linha T 29 (Vila Suíça /Estação de Santo André), da Viação Guaianazes.

A mudança na pintura é tão frequente na cidade que ainda é possível ver ônibus rodando com a carroceria azul, anterior ao visual adotado pela administração do PT que destaca uma faixa vermelha na lateral.

Analistas políticos da região dizem que o prefeito Aidan Ravin quer tirar da cidade tudo o que lembre o Partido dos Trabalhadores, inclusive a cor vermelha. Coincidência ou não, o nome da empresa que gerencia o transporte público na cidade, a EPT (Empresa Pública de Transportes) vai virar SATrans (Santo André Transportes).

Nem os pontos de ônibus, que eram vermelhos, escaparam. Todos foram pintados com as novas cores.

Em entrevista ao jornal Diário do Grande ABC, Aidan Ravin disse que em quatro meses todos os ônibus estarão com o novo padrão. São as empresas de ônibus que vão pagar a conta para atender os caprichos dos administradores públicos. Ele não disse quanto isto vai custar para as transportadoras.

Nos pontos, os passageiros confusos perguntavam: Por que mudar de cor? Não seria melhor as empresas usarem o dinheiro para comprar mais ônibus e investir na manutenção da frota ?

Adamo Bazani é repórter da CBN, e busólogo

“Furo” de Garagem

Por Adamo Bazani

Todo admirador de ônibus, além de gostar de saber do passado e de como os sistemas de transportes se tornaram o que são, é ligado numa novidade. É o “Furo de Garagem”.

Então vão algumas novidades no ABC Paulista.

O KM EAOSA MASCARELLO

A EAOSA – Empresa Auto Ônibus Santo André, que serve os municípios de Mauá, São Caetano do Sul, Santo André e São Paulo foi obrigada a renovar a frota. E o processo já começou. Antes mesmo de chegar às ruas, flagramos um Mascarello Articulado GranVia na garagem, com motor Volkswagen.

ALPHA - NOVA PINTURA 1

Já o poder municipal de Mauá, obrigou as duas empresas que operam na cidade, Barão de Mauá e Januária, que são do mesmo grupo, a adotar um novo padrão visual. Foi possível flagrar um Caio Alpha com nova pintura, um Caio Foz micro sendo pintado e mais um bi-articulado que vai fazer o inédito serviço no ABC (como antecipou este blog), carroceria Marcopolo, motor Volvo.

Para um busólogo de verdade, nem mesmo a dor ou as dificuldades, impedem um “furo de garagem”. Graças a estes, os passageiros já sabe o que vem por aí nos transportes. E em várias regiões do País, um número cada vez maior de busólogos corre atrás destas novidades.

Adamo Bazani é busólogo sem nunca deixar de ser repórter.

Foto-ouvinte: Mulher voadora

Balão publicitário voa por Santo André

A silhueta de uma mulher em pose erótica sobrevoou o céu de Santo André durante o vendaval dessa segunda-feira e chamou atenção do ouvinte-internauta Ailton Tenorio. Foi propaganda espontânea, casual e perigosa, pois estava estampada em balão publicitário de uma casa de shows noturna, na Rodovia Raposo Tavares. No cálculo de Tenorio a viagem foi de aproximadamente 20 quilômetros.

Os 456 anos de Santo André a bordo de um ônibus

Por Adamo Bazani

Em 8 de abril de 1553, o português João Ramalho tem seu pedido atendido pelo governador geral da época Tomé de Sousa e transforma a região onde morava na Vila de Santo André da Borda do Campo. Casado com a índia Bartira, filha do Cacique Tibiriá, da tribo Guaianazes, João Ramalho não podia imaginar que a cidade se transformaria numa das mais importantes do Estado de São Paulo e num dos maiores PIB.

A cidade foi palco do traçado da linha de trem, dos inglesas da São Paulo Railway, que no final dos anos de 1890 se tornaria a principal via de escoar café do interior para o Porto de Santos.

A região crescia e vias surgiam. No início dos anos de 1920 surgem os primeiros serviços de ônibus.

Com um rápido retrospecto de imagens de transportes, contamos a história mais recente da cidade:

Ônibus de 1925 (FOTO 1)

1925 – É inaugurada uma das primeiras empresas regulares do ABC Paulista, que ligava a então estação de São Bernardo do Campo (hoje estação de Santo André) à Vila de São Bernardo – região central de São Bernardo do Campo. O ônibus da imagem foi um dos pioneiros no serviço de passageiros em São Bernardo (São Paulo), realizando o trajeto entre a Estação e a Vila de S. Bernardo. Era de propriedade de João Setti, que iniciou suas atividades nesse setor em 1925. A linha hoje existe e é operada pela Viação ABC, de herdeirtos de João Setti.

Ônibus de 1933 (FOTO 2)

1933 – A Inglesa São Paulo Railway, operadora das linhas de tens, também investe no transporte rodoviário, que serviu o ABC Paulista, entre São Paulo e Santos com um ônibus peculiar. O ônibus apelidado de “King-Kong” foi um modelo introduzido pela Companhia Geral de Transportes, uma subsidiária da São Paulo Railway. A mecânica era inglesa, de marca Thornycroft, e a carroceria era da Grassi, de São Paulo. Fazia o trajeto entre São Paulo e Santos

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Amor por ônibus faz mecânico ter 360 filhos

Por Adamo Bazani

CÉLIO HONÓRIO DE JESUS

“Tá vendo cada ônibus desse? Pois é, são como um filho para mim. Sei de tudo o que eles precisam, sei do detalhe e do macete de cada um. Os trato com intimidade. Se aparece no final do dia com um risquinho qualquer ou um barulhinho diferente, mesmo que seja de uma porca mal ajustada, eu sei”.

Assim, Célio Honório de Jesus Júnior, 37, o Macarrão, gerente de manutenção do grupo de empresas de ônibus Barão de Mauá, Januária e EAOSA (Empresa Auto Ônibus Santo André) recebeu a reportagem dentro da garagem, em Mauá, na Grande São Paulo. E o que ele falou, não foi papo apenas, não. Percorrendo os três enormes pátios das empresas, mostrava orgulhosamente cada veículo que estava parado na revisão. Dava de cabeça as fichas técnicas e contava particularidades de cada ônibus, mesmo sendo muitos do mesmo modelo. Não somente a parte mecânica, mas a paixão de Célio Honório pelo ramo, faz com que ele saiba até mesmo a história de cada carro.

“Esse nós compramos zero quilômetro. Esse aqui dava uma trabalheira na suspensão e tivemos de fazer uma adaptação de improviso na mão, esse veio da empresa do grupo lá de Manaus” – contava com orgulho enquanto caminhava de peito aberto pela grande oficina.

Tamanha memória e conhecimento de cada detalhe é paixão pelos ônibus mesmo, pois ele é responsável por mais de 360 veículos, ou como chama, mais de 360 filhos, 360 histórias.

O início de Macarrão, como prefere ser chamado, foi de luta, perseverança e humilhação. Apesar da pouca idade, Célio está há mais de 20 anos na mesma empresa. Começou aos 13, enquanto fazia curso técnico no Senai (Serviço Nacional da Indústria). Apesar de estar estudando uma formação técnica Macarrão começou como varredor na garagem, em 1986.

“Eu era novo, franzino e tinha motorista e outros funcionários que de sacanagem, me humilhavam. Eu limpava um canto da garagem, via gente sujar de propósito. Varria o pátio todo, amontoava sujeira no meio para depois colocar no lixo e tinha motorista que passava com o ônibus em cima só pra espalhar tudo de novo. Era humilhação, mas eu seguia firme”

Seguia firme, por necessidade e por um ideal. Macarrão seria pai-precoce. Hoje, com a filha de 23 anos, logo será avô.  Sempre quis ter uma família e a assumir sem ajuda de ninguém. “Por isso, pra mim não tinha humilhação, gozação ou trabalho que fizesse me desanimar”.
Dois meses depois de entrar como varredor, foi chamado para ser auxiliar-mecânico. “Aí eu descobri o que era trabalhar numa empresa de ônibus de fato e de verdade. O diesel entrou nas veias”.

Ele ajudava na limpeza das máquinas e no torno mecânico na oficina da garagem. Depois de 4 meses, foi trabalhar no setor de montagem e ajustagem. A garagem, que congrega as três empresas, é uma das mais conhecidas do ABC Paulista por promover reparos e alterações nos ônibus. Dependendo da necessidade da frota e das condições dos itinerários, ainda feitos em vias de difícil tráfego na cidade de Mauá, os veículos têm a suspensão elevada. Carros simples viram articulados e articulados viram convencionais. Veículos de motores traseiro ganham a configuração de motor  dianteiro. Peças são literalmente fabricadas na empresa. A oficina das três empresas é um verdadeira linha de produção.

A entrevista foi realizada num ambiente típico, entre cheiro de graxa e diesel, movimentação e correria de mecânicos com peças, barulho de marteladas, maçaricos,  e enormes veículos articulados sendo envelopados com papel especial para a pintura na funilaria.

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