Avalanche Tricolor: uma goleada na minha ansiedade

 

Grêmio 3×0 São Luiz
Gaúcho — Arena Grêmio

 

Gremio x Sao Luiz

André comemora gol e me manda recado, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

No salão de embarque do aeroporto de Congonhas, escrevo esta Avalanche. Estou a caminho do Rio, onde apresento o Jornal da CBN, na segunda-feira. Esperei o jogo se encerrar para sair de casa, porque sabia que haveria tempo de chegar para o embarque sem correria.

 

Poucas coisas me incomodam ou geram ansiedade mais do que o relógio correndo enquanto se aproxima a hora da viagem. Deve ser coisa de outras vidas —- se é que você acredita nelas —-, já que não lembro de uma viagem perdida por me atrasar.

 

Tendo, porém, a imaginar que o trânsito estará mais complicado do que já costuma estar — mesmo com o advento do Waze penso em alguma intercorrência momentânea; imagino que a chegada em Congonhas será caótica —- e motivos não me faltam dada algumas trapalhadas feitas por quem gerencia o acesso de carro ao aeroporto; que o excesso de passageiros vai travar o setor de fiscalização e controle; e outros quetais preocupantes. Curiosamente, a única preocupação que deixo na mala é a da viagem de avião.

 

Independentemente de todas minhas ansiedades, estou aqui a espera do voo e em tempo de escrever esta Avalanche. Mas é que gosto de ter controle sobre as coisas — ao menos daquelas que posso ter controle.

 

Estava ansioso antes de a partida de hoje, também. Especialmente depois de três jogos sem gols e um tropeço frustrante no meio da semana, na Libertadores. Sabe como é que é. A gente tem a melhor campanha, está invicto, havia levado apenas um gol em toda a competição, é muito melhor do que o adversário … mas vai que dá errado. Sei lá, nosso chute bate no travessão, levamos o contra-ataque e no desvio do zagueiro colocamos fora a passagem à final.

 

Verdade que ao ver nossa equipe, a firmeza de nossa defesa, o talento dos volantes, a qualidade do toque de bola no meio de campo e a velocidade de nossos atacantes, fica difícil não confiar.

 

Sem contar que, ao lado do campo, tem Renato, sempre dedicado, chamando atenção de um jogador aqui, posicionando outro ali, pedindo marcação alta — é assim que se chama o que um dia já foi conhecido por “pega ratão”, né!? —, cobrando mais velocidade na troca de bola e aplaudindo a boa jogada.

 

Tudo isso é motivo para deixar nossa confiança em alta, mas vai que o domingo é um dia daqueles pra esquecer … haja ansiedade!

 

O primeiro gol veio antes de meia hora de jogo, após um lance de muito talento de Jean Pyerre que fazia fila entre os marcadores adversários e só foi parado após uma falta dura. Em vez de ficar se lamentando, Geromel cobrou com rapidez, pegou a defesa fora de posição e depois de a bola cruzar pela área, André fez a assistência para Alisson completar.

 

O gol era para dar tranquilidade a este torcedor ansioso, mas aí o locutor lembrou que o Gaúcho tem “gol qualificado” e, assim, após empatar fora de casa em zero a zero, um só golzinho do adversário nos tiraria da final. Caramba!

 

Foram necessários mais 13 minutos até marcarmos o segundo gol, em jogada na qual André teve todo o mérito, pois foi preciso ao driblar o zagueiro dentro da área e ágil ao bater de primeira. Correu para a torcida e com a mão direita fez um sinal que muita gente estranhou. Eu logo entendi. Mandava dizer para mim que agora estava tudo OK, pode ficar tranquilo porque já estamos na final — se não foi isso, foi assim que entendi.

 

O segundo tempo ainda nos daria um ou outro susto, mas nada que me tirasse da cadeira. A não ser o gol de Everton que voltou a marcar, logo cedo, aos 13 minutos. O passe de Jean Pyerre, enquanto Everton entrava na área, foi genial. Nosso atacante, ao seu estilo, cortou o marcador, limpou e chutou fora do alcance do goleiro. Na saída do campo, na entrevista, tenho certeza que mandou outro recado para mim: precisa controlar a ansiedade, disse ao explicar o tempo que ficou sem fazer gols.

 

Quando o Grêmio joga com essa supremacia não tem mesmo motivos para ficar ansioso. Que venha a final do Gaúcho! Que venha a Libertadores! Putz … já comecei a ficar ansioso de novo.

Avalanche Tricolor: Lição de casa

 

São Luís 0 x 1 Grêmio
Gaúcho – Ijuí (RS)



A viagem é longa até Ijuí, são quase 400km de estrada desde a capital Porto Alegre. O estádio é acanhado, insuficiente para receber todos os torcedores gremistas que vivem nas Missões. E o gramado mais se parece com um charque, molhado por uma chuva que é rara neste verão gaúcho.

Havia ainda um adversário que admitia sua inferioridade a cada falta cometida, único recurso que encontrou para impedir que a bola seguisse nos pés do time tricolor.

Para enfrentar estas condições não bastaria jogar futebol, era preciso coragem e muita disposição. Provavelmente tenha sido este o maior desafio de Renato Gaúcho na conversa de vestiário. Mostrar ao seu time que mesmo neste campeonato pouco atrativo, disputado em meio a uma competição que pode nos oferecer a glória – a Libertadores -, vestir a camisa do Grêmio gera alguns compromissos. Lutar sempre e buscar o melhor, estão nesta lista de tarefas.

E a equipe que nos representou neste fim de noite deu sinais de que entendeu o recado. Bastaram sete minutos de partida – e o gol de Maylson – para impor sua superioridade e mostrar que é o melhor time do Rio Grande do Sul na atualidade.

Exagero de minha parte ? Com uma rodada de antecedência soma 17 pontos, mais do que qualquer outro adversário pode fazer. Garantiu assim o direito de disputar as partidas do mata-mata sempre em casa, a nossa casa, o Olímpico Monumental.

Os pouco acostumados com o Campeonato Gaúcho devem estar desdenhando tais feitos. Importante, então, lembrar que outras equipes tradicionais do estado ainda estão desesperadas dado o perigo de ficarem fora da fase decisiva do primeiro turno.

O Grêmio, não. O Grêmio fez a lição de casa – e a de fora de casa. Por isso, nesta madrugada, enquanto retorna para Porto Alegre, poderá dormir o sono dos justos. E competentes. Eu, também, porque, afinal, já está mais do que na hora.

Avalanche Tricolor: Porto Alegre, 44º


Grêmio 1 x 1 São Luis
Gaúcho – Porto Alegre

O Guaíba que apelidamos de rio, apesar de ser um estuário, compõe um dos cenários mais bonitos de Porto Alegre. O pôr-do-sol visto de alguns pontos estratégicos da cidade é uma atração. Porém, o sol no verão da capital gaúcha chega a ser cruel. A terra do frio, assim conhecida nacionalmente, vira um inferno.

Obrigar atletas profissionais a jogarem futebol nestas condições é um crime. E este foi cometido na tarde desta quarta-feira, em Porto Alegre. Não sei a justificativa para tal – e mesmo que saiba não serei convencido de que a decisão não foi absurda -, mas Grêmio e São Luis, assim como Porto Alegre e Santa Cruz, foram a campo às cinco horas da tarde, em pleno horário de verão. Não por acaso, as duas partidas se encerraram com o mesmo placar: um suado empate de 1 a 1 – sem trocadilho.

No momento em que os jogadores esboçavam esforço, a Climatempo anunciava 37º, temperatura oficial; dentro do gramado chegava a 40º; e a sensação térmica, 43º. Ninguém joga decentemente nestas condições, mesmo que o árbitro da partida tenha feito três paradas técnicas – as duas primeiras, aliás, não compensadas nos acréscimos.

Joga menos ainda uma equipe em reconstrução como é o caso do Grêmio que necessita entrosar aqueles que chegaram com aqueles que ganharam posição de titular. Dos 11 que começaram a partida, seis são “novatos”: Maurício, Ferdinando, Hugo e Borges contratados neste ano e Joílson e Lúcio, entrando na equipe apenas agora. Sem contar o prejuízo com a perda do talento de Souza por quase seis meses, após lesão grave no Gre-Nal.

Uma situação tão cruel que o comentarista da TVCOM, ex-jogador Batista, que aguardava o início do jogo na cabine do estádio Olímpico, não resistiu ao calor. Desmaiou diante da câmera. Voltou bem em seguida. Mas não chegou a levar em consideração este aspecto no momento de avaliar o futebol jogado pelas duas equipes.

Ainda bem que ao fim de tudo, o Grêmio encerra mais uma rodada como líder e mantém a incrível invencibilidade de quase um ano e meio dentro do estádio Olímpico – o nosso caldeirão.