Conte Sua História de SP: a gratidão do office-boy que se transformou na cidade

 

Por Ivan Endo

 

 

Para custear os estudos, me vi na contingência de com apenas 13 anos de idade, iniciar como office-boy em firma de importação e exportação de ferro e aço, e distribuidora dos produtos da Companhia Siderúrgica Nacional. Naquele tempo de economia mista, sediada à Rua Florêncio de Abreu, no Centro da Cidade de São Paulo, após ser selecionado, o patrão, hábil empresário, enxergou em mim, um jovem iniciante, de boa família e índole, sem vícios adquiridos em geral por passagem em outras firmas e resolveu investir em minha carreira, ao longo do tempo, exerci todos os cargos e funções na empresa com grande eficiência, porque também nunca deixei de estudar.

 

Tive excelente escolaridade, tanto que toda a correspondência da firma era elaborada por mim. Com a habilidade adquirida logo galguei o cargo de procurador e passei a representar a firma em audiências cíveis, trabalhistas e reuniões diversas com poderes de iniciativa e decisão, qualidades estas necessárias e imprescindíveis para vencer não só no comércio, como na advocacia liberal.

 

Eis porque me dispus, data venia dos nossos autênticos poetas, a elaborar um hino de gratidão a nossa São Paulo, que espelha aquilo que trago na mente e no coração.

 

Cidade extraordinária, eu me orgulho de aqui ter nascido, vivido intensamente até a vitória final, juntamente com meus pais e irmãos.

 

São Paulo se erigiu vigorosa e trepidante com arroubo de fascinante grandeza, acendrado amor ao trabalho, progresso e liberdade. Os que aqui aportam sentem logo a grandeza de São Paulo que está alicerçada em algo além do trabalho, da técnica e do saber, é o espírito indômito e destemido herdado dos abnegados Bandeirantes, transformando-nos numa verdadeira família, por isso somos diferentes e indestrutíveis, ninguém conseguirá destruir o espírito dos Bandeirantes, destemido e corajoso que passa a existir em cada cidadão paulista.

 

Ouça aqui e leia a música Bandeirantes, composta por Ivan Endo:


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Avalanche Tricolor: a teoria do omelete se confirmou

 

Grêmio 1×2 São Paulo
Brasileiro – Arena Grêmio

 

Edinho tenta sair jogando (foto; Grêmio Oficial no Flickr)

Edinho tenta sair jogando mas tem dificuldade para driblar o omelete (foto; Grêmio Oficial no Flickr)

 

Já falei pra você da teoria do omelete? Provavelmente, não. Aproveito o domingo, então, para dividir com você esta tese muito particular que venho construindo há algum tempo. Costumo lembrar dela nas manhãs dominicais quando acordo bem mais cedo do que toda turma aqui em casa, vou para a cozinha e começo a preparar meu café. Mudo muito pouco o cardápio matutino, dando preferência para o café preto, duas xícaras, normalmente, e um omelete (tem quem prefira chamá-lo de a omelete). Pode variar a quantidade de ovos e a mistura. Às vezes faço experiências nem sempre com sucesso. Mas me divirto diante do fogão, aliás, momento raro no meu cotidiano pois tendo a ser um desastre cozinhando.

 

Vamos, porém, ao que interessa: a teoria do omelete. Você deve saber que depois de despejar os ovos batidos com um fio de leite na frigideira, o que o deixa “espumoso”, cobrir com frios e salpicar a mistura do dia – pode ser azeitona, cebola picada, tomate cortado bem fininho ou qualquer outra coisa que aparecer na frente – deve-se esperar o momento certo para virar o omelete. Com a mão direita bem posicionada e dedos firmes envolvendo o cabo é necessário um movimento rápido e preciso que permita que a massa de ovos já consistente suba a meia altura, vire de cabeça para baixo e caia novamente na frigideira. Manobra que, você que já fez um omelete há de confirmar, nem sempre é feita com sucesso.

 

É no momento da virada do omelete que minha tese se concretiza. Porque se no início do domingo, quando a maioria das pessoas ainda dorme, os bichos me acompanham da porta da cozinha com olhar preguiçoso e os santos ainda aguardam nossos pedidos na parede da Igreja, o omelete sobe, vira e desce no ponto certo, sem sujar nada no fogão, eu tenho certeza de que aquele será um domingo especial. Um dia de satisfação com a família, sem visita de gente chata, pouco trabalho extra e, claro, uma vitória no futebol da tarde.

 

Tem domingo, porém, que a virada do omelete é feita sem muita firmeza, pega-se o cabo de forma desajeitada, o movimento para o alto sai inseguro, e o ovo despenca pelas bordas da frigideira, lambuzando o fogão por inteiro. Ao assistir à esta cena e antes mesmo de correr para pegar o pano de prato e tentar limpar a sujeira feita, fico sempre com a impressão de que alguma coisa vai dar errado naquele domingo. Coisas como o goleiro titular que está voltando ao time depois de três jogos ter torcicolo e não conseguir entrar em campo; o zagueiro que vinha realizando uma sequência de atuações perfeitas e acaba de servir sua seleção errar todos os botes que tinha para dar durante a partida; o craque da equipe tropeçar na bola; e a equipe que se destaca pelo toque refinado e marcação impecável errar mais de 40 passes no jogo e ser incapaz de segurar os contra-ataques adversários.

 

Acho que não preciso dizer para você o que aconteceu com o meu omelete nessa manhã de domingo. Mas, tudo bem: vou continuar tentando acertar meu omelete e jamais deixarei de acreditar no Grêmio.

Conte Sua História de SP: os velhos e bons meninos do “Canto do Rio”

 

Por João Batista de Paula

 

 

No Conte Sua História de SP, o texto do senhor João Batista de Paula que está com 83 anos e mora em Interlagos. Mas o olhar dele está no Itaim Bibi e o texto é para homenagear um time de futebol, formado por meninos, lá na região

 

Era verão de 1941, portanto estávamos em pleno século 20. Local: a várzea do Itaim Bibi. Éramos uns trinta ou mais meninos que variavam a idade de nove a doze ou treze anos. Era a turminha da parte baixa do Itaim Bibi.

 

Eram as esperadas férias escolares de um verão que ficou marcado para todo sempre entre mil brincadeiras nas matas, nos campos, caçar pássaros, montar em cavalos sem permissão do dono, nadar nas muitas lagoas onde éramos bons nadadores. Em tudo o que fazíamos, as traquinagens de alguns meninos mais aventureiros não tinham limites. Só terminavam à noite, ali pelas nove ou dez horas, depois de passarmos por outras brincadeiras de rua. Naquele local não tinha asfalto nem iluminação nas ruas. O que era quase uma regra, os pequenos jardins nas casas. Naquele tempo, os meninos já tinham suas namoradinhas e as brincadeiras só terminavam quando a canseira nos alcançava.

 

Foi naquele verão de 1941 que, no nosso treininho diário de futebol, no campinho da Rua do Porto, começou um movimento entre os amigos: precisávamos fundar um time de futebol, coisa difícil devido a idade dos meninos, mas aqueles garotos eram diferentes, eram duros na queda. O campinho ficava em um terreno, ao lado da casa do Sr Deja, onde os meninos bebiam água e se refrescavam após o treininho. Nos fundos, o Córrego do Sapateiro, onde o Sr Souza, pai do Armando e do Nico, tinha um porto de areia. Era seu ganha pão. Alguém, olhando o monte de areia, pronta para a entrega, teve a feliz ideia de falar com Sr Souza se podíamos tirar areia de seu porto. imediatamente, ele não só permitiu como ajudou em tudo, como ferramentas e comprador para o produto. Foi também ele quem orientou os meninos no difícil trabalho que iam enfrentar: tirar areia do córrego do sapateiro para fazer fundos para compra de material esportivo.

 

Tudo começou ali. Quando o verão do ano de 1941 terminou, nós tínhamos um time de futebol com o forte nome “Canto do Rio” sugerido por Pedro Chaves, um adolescente da época. Não tínhamos a mínima ideia de quantos anos essa epopeia ou desafio de um punhado de meninos ia durar. Neste verão do ano de 2015,  agora em pleno século 21, já vislumbrando o centenário, com endereço próprio e vários bens, uma diretoria devidamente legalizada tem a difícil tarefa de zelar pelo enorme prestígio que o clube adquiriu nestes 74 anos de fundação.

 

Controle do cidadão pode fazer das parcerias público-privadas solução para mobilidade

 

 

Mediar o debate no Connected Smart Cities – Cidades do Futuro no Brasil foi um enorme desafio pois a parte que me coube foi tornar claro ao público de que maneira poderíamos encontrar investimentos para as obras de mobilidade necessárias nas cidades brasileiras. Menos mal que na mesa de discussão havia gente gabaritada, daqui e do exterior. No foco da nossa conversa, estavam as parcerias públicos-privadas, sistema que tem permitido a ampliação e modernização dos sistemas de transportes, mas que, para alcançar o resultado pretendido, depende de regras muito bem definidas e controle da sociedade. No vídeo, gravado logo após o debate, ocorrido no último dia do seminário, em São Paulo, apresento de forma resumida o que penso sobre o tema.

Conte Sua História de SP: reencontro

 

Por Sidarta S. Martins

 

 

Novamente…
Novamente me envolvo em seus braços
Sinto o calor de seus abraços.

 

A cada reencontro, as lembranças…
Cada lembrança me faz voltar
Voltar a um tempo feliz
Um tempo que passamos juntos
Nos abraçamos, nos envolvemos
Juntos, enlouquecemos…

 

E cada dia mais
Mais e mais
Eu te amei.
Loucamente, profundamente.
Eu te amei.

 

E você me amou.
Amou-me com ternura,
Dedicou-se a mim,
Deu o melhor de si
O melhor que você podia…

 

Você era uma criança
– Você continua uma criança,
Descobrindo, errando
Caindo, levantando, acreditando…

 

Mas me amou!
Amou-me como gente grande
Como nenhuma outra
Fez-me crescer
Mostrou-me a vida…

 

Eu te amo!
Continuo te amando como no passado
Loucamente, profundamente.

 

Abandonei-te, sinto muito!
Você disse que outros a haviam abandonado
E eu?
Eu jurava amor eterno
Mas fui um ingrato.
Sinto muito, te abandonei!
Conheci outras
Procurei novas aventuras
Envolvi-me, me entreguei
Aconcheguei-me em outros braços.

 

Você sabe disso
Eu sei disso
Mas te amo!
Amo-te sempre
Sempre e sempre…

 

A cada volta
Me apaixono novamente.
Sou volúvel?
Não sei!
Sei que te amo!

 

Tuas curvas, às vezes perigosas
Revelam segredos novos e velhos
Sou curioso, sou atrevido, insaciável
Os caminhos estreitos
Os cruzamentos perigosos
Seus sinais…

 

Verde: Vá em frente!
Amarelo: Atenção!
Vermelho: Perigo, muito perigo!

 

Suas colinas, seus vales
Suas avenidas que convidam
Convidam a ir em frente
Sempre em frente…

 

Destemido, quero conhecer mais
Perder-me em seus bosques
Deitar em seu colo
Beber de sua fonte
Embriagar-me novamente.

 

Dá-me tua mão, me conduz
Quero voltar ao passado
E só você tem a receita
Só você conhece meu prato predileto
Os segredos da cozinha alemã
A alegria italiana
A formalidade e a formosura da chinesa.
Minha caipirinha predileta
Meus bares, meus programas…

 

Com simplicidade você me fala de seus poetas
Dos escritores, dos professores
Dos locutores, de seus cantores…

 

Culta, você sabe ser simples
Inteligente, você sabe ser humilde
Rica, você sempre acolheu os pobres
Rápida, você aceita a lentidão
Bondosa e sincera, sempre acredita em promessas.

 

Perdoa-me, te abandonei!
Andei por aí afora
Vaguei pelo mundo
Troquei-te por outras.

 

Mas volto sempre!
Preciso de você
Preciso de seu pulsar
Preciso de seu calor
Nada sou sem te ouvir.

 

Dá-me tua mão
Leva-me por aí afora.

 

Você é meu norte
De norte a sul.
Você é meu leste,
De leste a oeste.
Você é santa!
A única em minha vida com nome de santo.
São Paulo…

 

Amo-te!
Amar-te-ei sempre!

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, logo após às 10h30, no programa CBN SP. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode participar enviando texto para milton@cbn.com.br

Multar para arrecadar

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Rodovias e vias de São Paulo e Rio estão sendo usadas e abusadas pela indústria da multa. A Rio-Santos no trecho entre Paraty e Angra com 96 km tem 45 radares, que equivale a um radar a cada 2,2 km. Com velocidade máxima de 40 ou 60 km. E, multas de 86 a 576 reais. Em São Paulo se reduz a velocidade de grandes avenidas para 50 km e é anunciada para breve uma velocidade geral para as demais vias de 40 km.

 

O Ministério Público Federal tem agido na Rio-Santos para coibir abusos de excesso de controle e de variação de velocidade. Tem obtido sucesso momentâneo, mas não conseguiu padronizar e racionalizar o sistema de controle de tráfego. Na Assembleia Legislativa, as manifestações contra os excessos também não conseguiram aplacar a gana pelo dinheiro das multas.

 

Na capital paulista, os 11,5 milhões de habitantes também não se mexem e assimilam o que vai na cabeça de Haddad e seus auxiliares.

 

É o típico caso em que o Poder Público é causa e efeito do problema. Nas estradas é permissivo quanto à ocupação de beira de rodovia, onde são construídas casas e comércios junto as pistas. Na cidade, o automóvel antes priorizado vê seus já congestionados espaços ocupados pelas faixas de ônibus e ciclovias.

 

O cenário é preocupante, pois se usa o automóvel para arrecadar e se justifica pela vida a ser salva. Como se o motorista irresponsável possa ser constrangido pela multa.

 

Há prejuízos.Nas rodovias turísticas certamente motoristas pensarão duas vezes antes de sair para locais com radares a cada 2 km. Principalmente quando não há linhas aéreas. Nas cidades a redução do ritmo do transporte resultará em menor produção e produtividade.

 

Os aplicativos talvez sejam a solução. Nas rodovias, com clubes de compra para passagens aéreas. Nas cidades, para escolher e combinar o melhor candidato para a próxima eleição.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

 

A imagem deste post é do álbum de M.J.Ambriola, no Flickr

Conte Sua História de São Paulo: fui recebido na cidade pelo Henfil

 

Por Alejandro Rosas Vera

 


 

 

Morava no Chile quando surgiu a possibilidade de uma viagem para Belo Horizonte. Era janeiro. Eu deveria estar lá em março. Por tanto, e para fazer hora, fui pelo Norte: –Assim aproveito e conheço a Amazônia–, disse aos meus pais. – É só dar a volta por cima, descer pelo litoral, e do Rio a Minas, um pulinho.  Os mapas mentem descaradamente. Passei mais de um ano viajando pelo Brasil e meu compromisso em BH foi para as cucuias.
 

 

São Paulo me chamou mais forte com seus cantos de sereia, e acabei fixando como destino final da minha viagem essa cidade da qual ouvia falar em cada estradinha da Amazônia, casinha do Nordeste ou bar dalgum morro carioca.
 

 

Aprendi português na viagem, e quando cheguei na Rodoviária do Tietê,  carregava todos os sotaques possíveis do Brasil e a mochila suja do pó da estrada. Olhei um mapa e assustado pelo tamanho da cidade e da minha solidão decidi buscar alguém em quem pudesse confiar para me dar uma aula de sobrevivência neste mundo por descobrir. Como não conhecia ninguém e ninguém  sabia de mim, era livre de escolher a qualquer um dos milhões de habitantes para pedir um glosário paulistano, mapa prático, diagnóstico emocional ou um simples cafezinho para me dar as boas vindas. Fui até a banca de jornal, pedi uma Veja, anotei um telefone e liguei. 
 

 

–Oi, bom dia, acabo de chegar e busco o Henfil
 

 

Era o ano 1983, e a doce voz do outro lado, sem perguntar nada, me passou um número. Agradecido, desliguei e respirei fundo.
 

 

No dia seguinte passei cinco horas com o maestro Henfil, que depois de me chamar de cara de pau, me recebeu no seu apartamento perto de Higienópolis e me deu dicas preciosas, me contou do desastre que foi sua estadia nos Estados Unidos pois seus desenhos escandalizaram a sociedade. Disse-me que as viagens de avião são violentas porque não dão tempo de se adaptar ao novo destino, e que para chegar a um lugar como se deve é necessário o mesmo tempo que demoraria se você fosse caminhando.
 

 

Pensava ficar uns meses em São Paulo, mas demorei 20 anos em conhecê-la e me apaixonar. Talvez o tempo que teria demorado em percorrer todas as suas ruas caminhando.

 

Hoje, moro na Espanha, e de São Paulo trouxe comigo o melhor: a saudade, o sentimento de ser parte daquela loucura, e uma paulista que conheci uns dias depois que ao Henfil, que ama a Graúna e cujo celular toca Sampa cada vez que liga alguma de minhas três filhas, paulistas, obviamente.

 

Imóveis de luxo com assinaturas de grife passam longe da crise no Brasil

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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Apesar da crise que o Brasil atravessa, o mercado de bens e produtos de luxo parece mesmo estar, até o momento, imune a esse cenário negativo. No segmento de imóveis de altíssimo padrão podemos notar não apenas a criação de novos empreendimentos, mas, principalmente, opções inovadoras e associadas a designers famosos e prestigiosos.

 

A Cyrela, uma das gigantes do setor, é prova disso. Apesar de seu último balanço geral ter tido uma queda de R$ 6,6 bilhões para R$ 5,8 bilhões, de 2013 para 2014, a parte referente aos imóveis de alto padrão mantiveram-se estáveis, o que levou a incorporadora a investir mais em empreendimentos de luxo.

 

Quando pensamos em imóveis de luxo, certamente nos vêm em mente atributos como espaço, requinte, sofisticação e localização privilegiada Porém, o consumidor AAA tem se apresentado com exigências mais apuradas e em busca do exclusivo, inusitado, ligado ao prestígio de um criador, por exemplo. Afinal, quantos de nós não adoraria morar em um apartamento projetado por designers da Ferrari?

 

Os imóveis com assinaturas renomadas são uma tendência no segmento, como a recém parceria da Cyrela com a Pininfarina, estúdio italiano de design que participa de projetos de marcas como Ferrari e Maserati, que já criou projetos residenciais de luxo em destinos como Miami e Cingapura. O empreendimento, chamado Cyrela by Pininfarina, fica na Vila Olímpia, em São Paulo, tem 92 apartamentos de 46 a 50 metros quadrados, preço por volta de R$ 1,2 milhão, com o metro quadrado em torno de R$ 26,5 mil e R$ 31 mil e previsão de entrega até o segundo semestre de 2017.

 

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As linhas laterais do Cyrela by Pininfarina tiveram inspiração no dinamismo das aeronaves espaciais e foram pensadas para dar a sensação de movimento ao prédio, cuja discreta entrada para pedestres foi inspirada nas saídas de ar da Ferrari. Sua piscina de 47 metros de raia é acompanhada de mobiliário com formatos curvilíneos e suaves, que podem ser vistos tanto do salão de festas quanto da academia, localizada no mezanino.

 

Próximo a este empreendimento, há ainda outro empreendimento da mesma incorporadora, mas desta vez em parceria com o escritório de design Yoo, criado por ninguém menos que Philippe Starck e John Hitchcox. Starck é ícone do design do mercado do luxo mundial, referência e criador de projetos como o Faena Hotel em Buenos Aires, SLS South Beach Hotel em Miami Beach e Hotel Fasano no Rio de Janeiro.

 

Mas, tomando como exemplo o empreendimento da Pininfarina em São Paulo, o que faz um imóvel de cerca de 50 metros quadrados ter um preço tão elevado?

 

Devemos lembrar que os aspectos intangíveis são essenciais. A região da Vila Olímpia, onde o empreendimento se localiza, cresce cada vez mais em números de escritórios e edifícios comerciais. Hoje, ter tempo é um dos luxos mais desejados por moradores de grandes cidades, e morar próximo ao trabalho é fator decisivo na compra de um imóvel para o consumidor contemporâneo. A questão do design com assinatura também é algo extremamente valorizado, uma vez que, este é um atributo muito considerado no segmento de luxo, especialmente quando associado a funcionalidade. Além disso, o nome de um criador atrelado a marca é sinônimo não apenas de alta qualidade, mas de história e prestigio.

 


Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Conte Sua História de SP: a cidade que conheci pelas pessoas e pela arte de cada uma delas

 

Por Jorge Anunciação
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Caro Milton,

 

somos próximos por sermos do sul, eu de Cruz Alta-Passo Fundo, você portoalegrense; ligados ao esporte porque ouvia e admirava teu pai na Rádio Guaíba; também porque sou tão paulista quanto você, pelas lembranças e pelos encantos que São Paulo me mostrou desde muito cedo, por Adoniran e Jaçanã, por Hebe, cujas histórias eram trazidas pela minha tia Suely que morava em Osvaldo Cruz e por Moacyr Franco que, em Cruz Alta – terra de Érico e Justino Martins -, falavam que era o maior cantor do mundo. Depois vieram Dudu-Ademir, Gerson-Pedro Rocha, Rivelino-Paulo Borges, Pelé-Coutinho, a Rua Bariri, o Canindé de Xaxá-Enéias-Cabinho. Encantei-me também pelas músicas Lindóia, Saudade de Matão, Aurora, pelo Rio de Piracicaba e dos jeito brejeiro de um interior paulista que ainda não conheço. Um dia conheci Rolando Boldrin, um dia conheci a São Paulo italiana de Nino, o italianinho, conheci Plínio Marcos e Guarnieri. São Paulo era e é tudo, interior-capital, brasileira-portuguesa-italiana-japonesa, entre outros, entre tudo.

 

Em janeiro de 1973 descobri, ao acaso, percorrendo o rádio de válvulas de meu pai, Hélio Ribeiro, da Bandeirantes. Hélio, de São Paulo, do mundo, que todos ouviam e refletiam com ele. E São Paulo cresceu ainda mais.

 

Finalmente, em 1989, fui conhecê-la quando participei de um congresso médico, minha profissão, e fiquei pateticamente parado no cruzamento da Ipiranga com a São João procurando Caetano e Gil. Avenida São João onde dizem que o Capitão Blue teria morrido atropelado segundo o cantor Leno (de Leno e Lilian) o mesmo que cantaria em Flores Mortas, uma São Paulo em que as árvores cortadas deram lugar ao asfalto das avenidas.

 

Em razão da medicina visitei essa cidade outras tantas vezes; Ibirapuera, aeroportos, Bixiga, Brigadeiro, Consolação, Jardins, Anhembi e até o túmulo de Airton Senna. Fui até o Joelma ver o que restou daquilo que assisti pela TV em fevereiro de 1974.

 

Hoje, caro Milton, minha filha Georgia estuda Relações Internacionais na FAAP e mora na Albuquerque Lins e visito-a regularmente. Ouço você todas as manhãs junto com sua turma, Bel-Márcio-Juca-Arnaldo-Max-Carlos-Xexéo-Cony, com exceção das sextas quando amanheço de plantão no hospital. Vocês me aproximam de minha filha, de Hélio Ribeiro, dos jogadores dos meus times de botão, de Rita Lee a mais completa tradução. Amo São Paulo, agradeço por você fazer parte dessa liga que me aproxima da maior cidade do mundo, cidade pulsante e elétrica.

 

Perceba, finalmente, caro Milton (gol-gol-gol do Grêmio) que conheci a cidade pelas pessoas, pela arte de cada uma delas. Conheci pela velocidade das coisas todas, pelo árduo trabalho cotidiano. Tenho extremo respeito às pessoas que labutam. Por isso, gosto de vocês, das informações, dos debates, amo até as regiões de São Paulo que não conheço, tenho saudades das ruas por onde nunca andei, como dizia Mario Quintana, o poetinha.

 

Abraço, cara.

 


Jorge Anunciação é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você participa enviando seu texto para milton@cbn.com.br

Conte Sua História de SP: o cinema foi a minha moradia

 

Por José Carlos Valle
Ouvinte da Rádio CBN

 

 

Nasci no Brás em 1946.

 

O inicio da minha infância, foi ter morado dentro de um cinema. O Cine Iris, na Av Celso Garcia, 1558. Desde pequeno já gostava muito de assistir aos filmes na matinê de domingo. A fila virava a esquina. Na época era esta a única diversão. Assistir aos seriados que todo domingo tinham continuidade: o Zorro, cujo parceiro era o Tonto; o Super Homem, o Cavaleiro Negro, entre outros. 

 

Na época não tinha geladeira, então todos os dias entregavam o gelo com a carrocinha puxada a cavalos. Os filmes vinham em rolo de latas de 35 mm bem pesados que o Rafael entregava com sua carroça puxada por ele mesmo.

 

Ah, os bondes! Eram o “must” da época. Eles iam para o Parque São Jorge, bem frente ao estádio. E para a Penha. Ao lado do cinema tinha um jornaleiro que se chamava Caieira, que me deixava ver as histórias em quadrinhos sem pagar.

 

Depois de alguns anos, o cinema  fechou. E hoje ele tem 400 familias morando lá dentro. O Belenzinho de hoje dá dó. Praticamente todos amigos já se foram.

 

Depois fui morar mais longe, na Ponte Rasa. Passei dois anos da minha vida bem legais. Jogava pião, bola de gude, empinava pipas, carrinho de rolimã, mãe da rua, box, esconde-esconde. Na época não tinha maldade, drogas, era uma pureza.

 

Depois voltei a morar no Belenzinho, no Largo São José. O Grupo Escolar Amadeu Amaral existe até hoje; a Igreja; o cine Teatro São José era antigamente o charme da praça. 

 

Foi uma época boa. Eu lembro que um dia fui com minha mãe ao Hospital da Beneficência Portuguesa. Para ir ao hospital tinha uma ponte de madeira entre a rua Vergueiro e o hospital, tudo rodeado de mata e com o riacho embaixo.

 

Tinham vários cinemas na época: o cine São Luiz, na Celso Garcia, o Brás Politeama, o cine Universo, que o teto abria nos dias de calor. Ali assisti ao filme Lawrence da Arábia. O Cine Piratininga, que era considerado o maior do Brasil. Perto do lago da Concórdia.

 

Andar de bonde era muito gostoso.

 

Eu sou muito feliz por ter tido uma infância gostosa, e curto cada momento que lembro.

 

Bom tenho muito que contar, mas, hoje, tirei este temp para falar um pouco da minha vida em São Paulo.

 

José Carlos Valle é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você participa deste quadro enviando textos sobre a cidade de São Paulo para milton@cbn.com.br.