Ralph Lauren terá loja própria no Brasil em 2015

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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Para os apaixonados pelo estilo Ralph Lauren uma notícia mais do que excelente: a grife americana voltará ao Brasil, em 2015, e, desta vez, com sede própria. O local, escolhido meticulosamente, será o luxuoso Shopping Cidade Jardim, em São Paulo, em um espaço com privilegiados 800 metros quadrados de pura sofisticação – padrão, aliás, das lojas de Lauren ao redor do mundo.

 

A grife deve abrir suas portas ainda no primeiro semestre de 2015 e focará em suas linhas de luxo como vestidos e bolsas, entre outros produtos. Ao que consta, infelizmente, a nova loja não será como sua mais recente loja-conceito aberta na Quinta Avenida, em Nova Iorque, onde foca-se na coleção Polo, carro chefe da marca.

 

Ralph Lauren teve lojas próprias no Brasil durante anos e, desde 2001, todas foram fechadas, uma vez que a operação da marca por aqui era comandada por um grupo argentino e, com a crise na Argentina, a empresa não pôde dar continuidade em sua gestão.

 

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Ralph Lauren sabe como ninguém atrair seu público-alvo com suas criações únicas e de extremo bom gosto. O designer, nascido Ralph Lifshitz, iniciou sua carreira comercializando gravatas e hoje é dono de uma das marcas mais importantes do mercado do luxo, famoso por suas pólos, tendo o pequeno pony como principal símbolo. Sua sofisticação e cuidado nos detalhes está presente em todas as hierarquias do luxo onde a marca atua. Lauren possui linhas de produtos que vão muito além de suas clássicas pólos e camisas, como suas criações de joias de coleção limitada, linha purple label, black label e outras.

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Avalanche Tricolor: sofrendo no ar, sofrendo em terra, nosso destino é sofrer até a vitória

 

Grêmio 1 x 2 Cruzeiro
Campeonato Brasileiro – Arena Grêmio

 

O dia começou para mim muito cedo, em São Paulo, como sempre começa, mesmo sendo feriado para a maior parte da cidade, nesta quinta-feira. Não contente com a carga de trabalho diária, acrescentei viagem a Florianópolis, onde fui convidado para falar sobre comunicação para os principais dirigentes da indústria catarinense e algumas dezenas de assessores. É da capital catarinense, cenário de muitas das minhas férias na adolescência, que estou retornando esta noite, abordo de um avião que leva a marca Gol – registre-se, apesar da minha escolha ter se dado pela conveniência do horário, gosto de pensar que tenha sido uma premonição.

 

Deveria ter saído do Aeroporto Hercílio Luz muito mais tarde, atendendo a marcação do voo feita pelos organizadores do evento, mas me apressei em chegar a tempo de uma troca de avião. Por mais que minha cabeça consiga se concentrar nos compromissos assumidos em São Paulo e Florianópolis, confesso-lhe, caro e raro leitor desta Avalanche, que o coração passou o dia batendo em Porto Alegre. E agora bate ainda mais angustiado, pois sem acesso às informações em tempo real, aqui do alto, fico imaginando o clima em torno da Arena Grêmio.

 

Vejo as arquibancadas lotadas e tomadas pelo nosso azul em tom que se sobrepõe ao do adversário. Faz alguns dias que penso em cada momento deste jogo, mesmo porque meus colegas paulistanos não passaram um minuto sem me lembrar do grande desafio que tínhamos pela frente: a melhor campanha deste segundo turno diante da melhor campanha do campeonato até agora. Todos esperando nada mais do que uma vitória contra o líder, pois provocaria uma reversão de expectativa na competição: uma esperança pequena, é verdade, mas uma esperança. Mal sabem que estava pouco me importando com as intenções deles, pois para mim, para nós gremistas, a vitória tinha outras motivações: seria a certificação para a Libertadores, nosso sonho maior.

 

A partida vai começar em instantes e quando isto acontecer ainda estarei chegando de volta a São Paulo. Talvez ainda consiga descer em tempo de ouvir os locutores de rádio transmitindo os primeiros minutos ou ao menos o primeiro tempo do jogo. Talvez não. Nunca se sabe o que as viagens de avião podem nos proporcionar de atraso. Na dúvida, sofro sozinho pensando como estará nosso time em campo. Partimos para o ataque desde o início no embalo do torcedor, fórmula que tem funcionado nos últimos compromissos? Ou resolvemos respeitar o adversário e chutar a bola lá de atrás, o que torna o drama desta decisão ainda maior? Fico na expectativa de que a defesa volte a demonstrar segurança, sua marca neste novo momento do time. Torço para que o meio campo e o ataque estejam inspirandos, trocando bola rápido, driblando, chutando, quem sabe marcando gol logo cedo. Tenho vontade de descer aqui mesmo apenas para saber o que está acontecendo em Porto Alegre.

 

Sei que minha presença diante da televisão tanto quanto no estádio não mudaria uma vírgula do nosso destino, pois mais que eu sofra, vibre e grite, não jogo. Dependo exclusivamente do desempenho do time e da luz irradiada por Luis Felipe Scolari. Mas quero estar ao lado do time com a ilusão de que sou capaz de ajudá-lo.

 

O piloto pede para colocarmos o cinco de segurança, pois vamos enfrentar uma área de turbulência. Será que ele está sabendo de alguma coisa da partida que eu não sei? Será que nossa situação se complicou diante do mais forte adversário que poderíamos enfrentar nesta competição? Daqui a pouco, todas estas minhas dúvidas serão dirimidas. O comissário de bordo passa ao meu lado e pede para desligar o computador, estamos praticamente chegando ao Aeroporto de Congonhas. Assim que aterrisar, ligo meu celular, acesso a primeira rádio que conseguir de Porto Alegre, e passarei a sofrer pelos ouvidos.

 

Pés na terra, ouvidos ainda sob a pressão do voo, rádio ligado, descubro que saímos na frente com um gol de Riveros, ainda na primeira parte do jogo; o árbitro irritou mais uma vez; o adversário foi maior do que tudo isso; e acabamos derrotados. Perdemos essa batalha, mas temos mais três pela frente. E em cada uma delas, assumo o compromisso, estarei ao lado do Grêmio, onde o Grêmio estiver. Talvez não faça muita diferença para o desempenho do time, mas para mim faz. Sofrer à distância é muito pior do que apenas sofrer.

Conte Sua História de SP: As toalhas de dona Maria Elisa

 

Maria Elisa Martins da Costa Câmara nasceu em Açu, no Rio Grande do Norte. Passou a infância na cidade mineira de Nova Era. Foi aluna interna no Rio e voltou para Minas após concluir o curso. Na capital, Belo Horizonte, conheceu o marido com quem veio para São Paulo onde, juntos, montaram uma empresa de alumínio. Daqui e do passado, Dona Maria Elisa tem muitas histórias para contar. No depoimento ao Museu da Pessoa, fala de quando o presidente Getulio Vargas visitou a fazenda do avô, no interior do Rio Grande do Norte. Curiosamente, a primeira lembrança que Maria Elisa tem da cidade de São Paulo é da avenida 9 de Julho, inaugurada em 1941, por Prestes Maia, e assim batizada em homenagem a dada do início da Revolução Constitucionalista, quando milhares de paulistas se rebelaram contra o governo Getulio Vargas, em 1932. Quando ela chegou por aqui, era uma avenida imponente e com vários casarões recém-construído, cercados de belos jardins. Com o marido e mais um casal, foram morar em um apartamento da Barão de Limeira, de onde saia para passear e tomar chá no Mappin:

 

 

Maria Elisa Martins da Costa é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio e o depoimento foi registrado pelo Museu da Pessoa. Você também pode contar mais um capítulo da nossa cidade. Marque uma entrevista em vídeo pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Ou mande sua história para mim: milton@cbn.com.br. Se você quiser ouvir outros textos, visite meu blog miltonjung.com.br

Conte Sua História de SP: Alex Gurgel, mas pode me chamar de Michael

 

Alex Lima Guimarães Gurgel nasceu em Guadalupe, no Piauí. Passou a infância com os pais, em Mossoró. Rebelde e de convivência difícil, foi tentar a sorte no Rio de Janeiro. Voltou para as casas do pai, mas não ficou por muito tempo. Um dia, resolveu pegar a estrada, a caminho de São Paulo. Alex trabalha em obra, mas sonha mesmo é fazer sucesso com a música. Já cantou embaixo de viaduto com microfone de plástico e hoje arranha um violão. Diz que era bom mesmo, fazendo cover de Michael Jackson:

 

 

Alex Lima Guimarães Gurgel é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. O depoimento foi gravado pelo Museu da Pessoa. Você também pode registrar suas memórias. Agente entrevista em vídeo pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Ou mande seu texto para mim, em milton@cbn.com.br.

Quem diria, os separatistas estavam por aqui

 

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É no mínimo curioso receber mensagens pedindo a separação de São Paulo do restante do País, especialmente do Nordeste, desde a divulgação dos números finais da eleição presidencial deste ano. A cisão unilateral está apoiada no que consideram ser um absurdo: ser comandado por uma presidente, no caso Dilma Roussef, que teve apenas 35,69% dos votos do eleitorado paulista – provavelmente nordestinos que vem se aproveitar das nossas riquezas, dizem alguns. Que voltem para seus estados de origem e se submetam às ordem superiores. E na República Independente de São Paulo ficaríamos apenas nós, os puros de alma, combatentes da corrupção, defensores dos bons costumes e bem informados. As manifestações de indignação e em defesa da divisão ganha caráter oficial quando assinada por gente de alto coturno com representatividade no Palácio Nove de Julho que, talvez, sonhe em transformá-lo em palco da resistência. Tudo bem que os arroubos políticos se resumiram às redes sociais, mas se ouvirem muitos aplausos temo que decidam subir à tribuna.

 

Têm todo meu respeito os que estão incomodados com a derrota na eleição, é um direito nos inconformarmos sempre que uma batalha é perdida, mas defender a separação do Estado de São Paulo em função de resultados obtidos nas urnas é não compreender a dinâmica da democracia, se não bastasse ser um absurdo. Como sei que São Paulo é muito maior do que estes que se descontrolam – e em alguns meses mesmo estes já estarão envolvidos em outras disputas – chego a me divertir, especialmente pela ironia do destino.

 

Desde que cheguei em São Paulo, em 1991, por mais de uma oportunidade fui acusado de ser separatista. Sim, você, caro e raro leitor deste blog, não tem ideia do que muitas vezes tenho de ler e ouvir. O ataque é baseado no fato único e exclusivo de ter nascido no Rio Grande do Sul, onde, no século 19, grupos se rebelaram contra o governo imperial do Brasil e declararam independência, fundando – sem sucesso, diga-se – a República Rio-Grandense. De vez em quando, surge uma ou outra voz por lá retomando o assunto e acreditando que o Rio Grande se bastaria, mas são gritos que não ecoam há muito tempo nos pampas.

 

Verdade, também, que os gaúchos tendem a exacerbar seu orgulho pelo estado em que vivem, conservam suas raízes, preservam o chimarrão e a bombacha, usam o sotaque sulista para reforçar sua identidade e não se envergonham de entoar o hino rio-grandense (registre-se, de letra e ritmo belíssimos). Orgulho, sim, mas sem deslumbramento nem desrespeito ao restante do Brasil. História e comportamento que talvez confundam pessoas desinformadas como essas que procuravam me atingir sempre que me ouviam criticando os problemas de São Paulo.

 

As agressões, geralmente por e-mail, eram mais frequentes na época em que apresentava o CBN São Paulo, a medida que as reportagens e entrevistas que realizava tinham o foco no estado e capital paulistas. Costumavam me mandar de volta para casa já que, segundo eles, eu estaria descontente com a vida que levava por aqui. Não eram capazes de entender que ao reclamar a falta de estrutura, desrespeito no atendimento ao cidadão, ambiente poluído, congestionamentos intermináveis, entre outros problemas comuns do nosso cotidiano, o fazia por força da profissão e por gostar muito de São Paulo.

 

Talvez o que mais me incomodava (e me incomoda, nos raros momentos em que ainda sou chamado de separatista) é o fato dessa gente não entender o quanto gosto de São Paulo. Trabalhar aqui foi escolha minha, por admirar a força desta região. Construí minha carreira, minha casa e minha família; meus filhos são paulistanos, assim como minha mulher (isto ao menos me valeria um passaporte brasileiro, em caso de secessão, não?). Nestes 23 anos desenvolvi projetos em favor da cidade que me orgulham muito como o programa Conte Sua História de São Paulo, que está no ar desde 2006 e se transformou em livro, no qual moradores e pessoas que tiveram alguma experiência na capital paulista registram sua memória. Tem ainda o Adote um Vereador – apesar de que este, para esta turma, é uma forma que encontrei de reclamar da política na cidade. Hilário.

 

Quem diria, depois de tantos anos ouvindo que sou um separatista, hoje me deparo com pessoas defendendo que São Paulo dê seu grito de independência, se liberte do restante do Brasil. Descubro que apenas usavam sua própria régua moral para me julgar. Vamos combinar o seguinte: somos todos brasileiros, independentemente de onde tenhamos nascido, onde vivemos e como votamos. E como brasileiros, o que temos é o que as urnas nos ofereceram. Saibamos então aceitar as diferenças, reduzir as desavenças e trabalhar para que cada vez mais nossos destinos sejam traçados por nós mesmos, sem depender deste ou daquele governo. Valorizemos as características de cada um dos 26 estados e do Distrito Federal, mas convencidos de que fazemos parte de um só país.

E as ciclovias!? Vão bem, obrigado (por enquanto)!

 

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Esses dias, publiquei aqui no Blog texto no qual me referia ao esforço que devemos fazer para mudar nossos hábitos. Falava da atividade física e do mau costume que temos de voltarmos ao sedentarismo duas semanas depois de feita a inscrição na academia mais próxima de casa. Pesquisas provam que precisamos de 66 dias para transformar uma ação em rotina. Lembrei-me disso ao ler e publicar o texto do colega de blog Julio Tannus no qual critica as ciclovias implantadas em São Paulo e a falta de planejamento na cidade.

 

Por anos nos acostumamos a usar o automóvel, meio de transporte privilegiado tanto pela forma como a cidade se espraiou sem que o sistema público conseguisse alcançar as franjas da capital quanto pelo incentivo à indústria automobilística. De maneira geral, nossas cidades transformaram-se em grandes aglomerados urbanos sem que suas administrações encontrassem formas de financiar a expansão necessária do transporte coletivo – e São Paulo é o exemplo mais bem acabado deste modelo (ou seria, mal acabado?). O resultado é o drama diário de paulistanos que passam parte do dia emperrados no trânsito enquanto tentam se deslocar de casa para o trabalho, do trabalho para a escola, e vice-versa.

 

Desconstruir essa lógica da cidade, convidando as pessoas a deixarem o carro em casa e em troca oferecendo sistema de ônibus e metrô mais eficiente e espaço para bicicleta, é tarefa para muito mais do que uma gestão. Um costume que exigirá investimento e envolvimento em ações conjuntas do poder público e privado. Imagino que ninguém têm a ilusão de que as faixas pintadas nas ruas e avenidas, seja para ônibus seja para bicicletas, resolverão esse problema. Porém, e aí começo a me distanciar do que pensa meu colega de blog, havia a necessidade de alguém disposto a dar a “pincelada” inicial.

 

A atual administração decidiu tomar para si a responsabilidade de implantar ciclovias como já havia feito com as faixas nem tão exclusivas de ônibus. Aposta que o número de ciclistas aumentará – como já se percebe em algumas vias – tanto quanto cresceu a velocidade dos coletivos. É verdade que se esqueceu de conversar com os cidadãos, o que poderia ter amenizado a reclamação inicial e evitado alguns atropelos e rotas impróprias. As faixas vermelhas, porém, servem de alerta aos motoristas de carro para algo que o próprio Código Nacional de Trânsito já prevê, mas nunca foi respeitado: o compartilhamento da via pública entre carros, caminhões, ônibus, motos e bicicletas. Em nenhum momento é exigida identificação dos ciclistas e da bicicleta, mas lhe é cobrado o respeito às leis de trânsito – mesmo porque a condução imprópria deste veículo tende a ser muito mais arriscada ao seu condutor do que a terceiros.

 

As dimensões e geografia de São Paulo devem servir muito mais de incentivo do que restrição para o uso da bicicleta. Com uma cidade deste tamanho (e altura) pode-se, por exemplo, pedalar em trechos menores e medianos, reduzindo a frequência com que usamos o carro, ou integrá-la ao transporte coletivo, como ocorre em algumas estações.

 

O que mais prejudica a implantação das faixas de ônibus e de bicicleta é a falta de confiança do cidadão no poder público. Poucos creem que as medidas persistirão e apostam que assim que a tinta começar a desbotar as boas intenções permanecerão apenas na propaganda de governo. Prevêem que as faixas de ônibus nunca se transformarão em corredores exclusivos, e as de bicicleta logo estarão tomadas por todo tipo de obstrução. E têm motivos para isso: nossa história, como o próprio Tannus, descrente, descreve em seu texto, está cheia de bons planos nunca executados e execuções mal planejadas.

 


Não deixe de ler o texto do nosso colunista Julio Tannus que gosta muito de bicicleta, mas não de como estão nossas ciclovias

E as ciclovias!?

 

Por Julio Tannus

 

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Trabalhei desde 1975 com o sistema de transportes na cidade de São Paulo: SISTRAN – Sistema de Transportes para a cidade de SP, no governo Olavo Setúbal na Prefeitura e Paulo Egídio Martins no Estado. Participei de projetos no Metrô e coordenei projeto para um novo sistema de trólebus. No governo Franco Montoro (governador) e Mário Covas (prefeito) atuei no projeto Participação e Descentralização.

 

Tudo engavetado!

 

Mudam-se os personagens e a peça é outra! O que é preciso mudar é essa estrutura política infame!

 

Lutei ferozmente, enquanto presidente e fundador da Sociedade Amigos da Região da Praça-do-Pôr-do-Sol para um novo Plano Diretor para a cidade de São Paulo, no governo Marta Suplicy: só faltou sair tiros, não fosse a intervenção da polícia, pois em uma das reuniões descobriu-se que o lobby imobiliário havia “comprado” alguns participantes para que votassem a favor de seus interesses.

 

Falando das ciclovias: essa medida é totalmente irresponsável, pois não há nenhum controle sobre as bicicletas, não se tem qualquer registro de quem é o proprietário, de quem está dirigindo, e assim por diante. Afora a questão da (in)segurança: se somos assaltados dentro de nossos carros, o que dirá em cima de uma bicicleta!

 

E há quem a defenda, citando como referêcia algumas cidades europeias. Amsterdã, por exemplo, é uma cidade totalmente plana, com uma população incomparavelmente menor e socialmente diferente da nossa.

 

E as ciclovias foram construídas nesse período totalmente atípico de falta de chuva.

 

Como diz o sociólogo Zygmunt Bauman sobre os dias atuais, quando, na visão dele, a experiência e a maturidade não têm mais vez: “aprender com a experiência a fim de se basear em estratégias e movimentos táticos empregados com sucesso no passado não funciona mais”.

 


Julio Tannus é Consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier)

Conte Sua História de SP: na placa tinha meu nome e o caminho para o trabalho

 

Carlos Sereno nasceu em Santo André, SP, em 1947. Filho de pais espanhóis é fruto do segundo casamento de seu pai. Cresceu no bairro Vila Metalúrgica, onde brincava de jogar futebol com os amigos nos terrenos baldios. Passou por vários empregos e, depois de casado, voltou a estudar, terminando a faculdade de Educação Artística. Começou a trabalhar como voluntário na Associação “Viva e Deixe Viver”, contando histórias para crianças em hospitais de São Paulo. É professor de artes no ensino fundamental.

 

Em depoimento ao Museu da Pessoa, Carlos lembra como o pai o ajudou a encontrar o primeiro emprego na empresa de engenharia e arquitetura na qual ele já trabalhava. Carlinhos tinha apenas 12 anos:

 

 

Carlos Sereno é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. O depoimento foi gravado pelo Museu da Pessoa, onde você também pode deixar registrada a sua memória. Marque entrevista em áudio e vídeo pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.com.br. Ou mande suas lembranças da nossa cidade em texto para milton@cbn.com.br.

Virada à paulista: de Getúlio a Aécio

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

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Os votos paulistas no primeiro turno das eleições, pela expressividade do estado e pela concentração da votação contra o PT, tem sido um dos temas prediletos de jornalistas e analistas políticos.

 

O colégio eleitoral de São Paulo, que representa mais de 22% do total nacional, deu a Aécio 42% de votos e 25% a Dilma. Ou seja, 10,1 milhões contra 5,9 milhões. Reelegeu Alckmin com 57%, enquanto Serra interrompeu os 24 anos de Senado de Suplicy. Além disso, na Assembleia Legislativa, o PT passou de 24 para 14 deputados, e o PSDB manteve os 22, contribuindo para que a oposição ficasse com apenas 21% dos deputados e operacionalmente impotente.

 

Para esta rejeição, talvez, mais do que uma explicação, São Paulo tem uma vocação, que é a de viradas contundentes. Ora aposta em obras e elege Maluf, com a ilusão de petróleo, de fechar rios com avenidas, ou, em administrações equilibradas como as de Jânio Quadros, Carvalho Pinto e Franco Montoro.

 

Nesse aspecto, historicamente a relação mais intensa e dissonante foi com Getúlio Vargas. Em 1932 a revolução constitucionalista deixou marcas nas famílias paulistas, ao perderem filhos e maridos, em luta contra o golpe de Vargas. Anos mais tarde, em 1950, Getúlio retorna ao poder pelo voto democrático com apoio paulista. Virada e tanta, mas certamente ocasionada pela nova classe de trabalhadores que começava a surgir na indústria que se desenvolvia.

 

A virada de agora também pode estar sendo exercida pela nova classe de trabalhadores. Predominantemente urbanos, da área de serviços e mais instruídos.

 

Conjecturas a parte, São Paulo não tem nenhum logradouro com o nome de Vargas. O 9 de julho não foi esquecido.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Conte Sua História de SP: queria comprar um sapato novo

 

No Conte Sua História de São Paulo, você acompanha o depoimento de Hilário Burri ao Museu da Pessoa. Hilário nasceu em Dois Córregos, interior de São Paulo, em 1924. Veio para a capital, depois que um irmão conseguiu alugar a casa para os pais, no bairro do Sacomã. Da casinha no Sacomã, o pai conseguiu outra no Alto do Ipiranga, época em que seu Hilário já era ajudante de pedreiro na empresa Elevadores Atlas. No caminho não havia calçada, apenas barro, o que o obrigava a levar um sapato extra na sacola. Para sair de lá, só havia uma linha de ônibus. Seu Hilário conta que todo o dinheiro que ele e os irmão ganhavam tinha de ser entregue para o pai. Até que ele resolveu mudar a ordem das coisas

 

 

Hilário Burri é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. O depoimento foi gravado pelo Museu da Pessoa. Você também pode registrar, em áudio e vídeo, suas memórias. Agende entrevista pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Se quiser, escreve um texto e envie para mim: milton@cbn.com.br