Anestesia social

Dra. Nina Ferreira

@psiquiatrialeve

Estou andando pela calçada e sou atropelada por um pedestre que caminhava próximo de mim: ele não me viu ali.

Estou esperando na recepção do prédio para a porta ser aberta e a porta não abre: o porteiro não me percebeu ali.

Estou entristecida porque tenho passado por um problema grave na família: ninguém nota.

Uma anestesia geral. Pessoas não percebem a presença de outras. Pessoas não percebem as necessidades e os sentimentos de outras.

Veja, não existe intenção de ser mau ou egoísta – não é um ato consciente. É que existe uma neutralidade de percepções e afetos sobre o mundo ao redor. Na verdade, é como se não houvesse mundo ao redor.

A maioria de nós, humanos, está tão ensimesmada, tão individualista, tão presa dentro de si (ou do mundo digital), que não nota os acontecimentos em volta. Desconectados, ausentes, anestesiados.

As consequências são caóticas. Nessa anestesia, não tomamos a iniciativa de respeitar o espaço do outro (exemplo da calçada), de executar a ação que é esperada de nós (exemplo da portaria), de ajudar no acolhimento da dor do outro (exemplo da tristeza).

Nessa anestesia, cada um acredita que vive no seu mundo particular, que não existe mais ninguém por ali, que está sozinho. Às vezes, pior: cada um acredita que tudo (e todos) em volta são “só” objetos e ferramentas para fazer sua vida individual funcionar – e estranha quando isso não acontece, quando suas necessidades não são vistas ou satisfeitas!

Precisamos acordar. Cada um de nós, acordar: lembrar que vivemos em sociedade, que nossas ações impactam nos outros, que precisamos funcionar todos em conjunto.

Precisamos recuperar nossa capacidade de olhar pra fora, fazer parte do todo, colaborar sempre que possível, pedir ajuda quando necessário, respeitar pessoas e mundo ao nosso redor.

Precisamos sair da anestesia – se quisermos sobreviver e, assim, ter chances de voltar a viver.

Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é médica psiquiatra, especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.

Mundo Corporativo: Katia Regina, da Nestlé, revela como a personalização de benefícios transforma o engajamento nas empresas.

Kátia Regina nos bastidores do Mundo Corporativo Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“Se você não muda essa consciência de que, para ganhar o engajamento da pessoa, você tem que ir muito além do financeiro, coloca em risco a sustentabilidade da sua organização.”

Katia Regina

A transformação nas empresas não depende apenas de salários competitivos, mas da capacidade de oferecer bem-estar e reconhecimento que vão além do valor financeiro. Esse é o foco da entrevista com Katia Regina, Diretora Regional de Total Rewards da Nestlé para América Latina, que destaca a importância de uma gestão que valoriza o colaborador de maneira holística. Segundo ela, “as pessoas não buscam apenas o reconhecimento financeiro, mas também benefícios que impactem sua vida como um todo”. Esse movimento tem ganhado força, especialmente em meio às novas gerações.

No programa Mundo Corporativo, Katia compartilhou sua visão sobre como a valorização dos profissionais é essencial para a sustentabilidade das empresas. Ela destaca que o reconhecimento deve ser personalizado, levando em consideração as necessidades individuais de cada colaborador e suas famílias. “É uma transformação gigante da organização”, afirmou, ao explicar como a Nestlé tem desenvolvido estratégias voltadas para a saúde, bem-estar e qualidade de vida dos seus funcionários.

Personalização e a nova realidade do mercado

O desafio de atender a milhares de colaboradores com programas personalizados é grande, mas Katia Regina acredita que é possível. Na Nestlé, um exemplo disso são as avaliações de saúde realizadas anualmente, que geram dados importantes para a criação de programas focados nas necessidades específicas de cada grupo. “Nós temos uma população que está precisando melhorar o sono, e outra que precisa de suporte na saúde mental”, explicou. A personalização é essencial para garantir o engajamento, e a tecnologia tem sido uma aliada nesse processo.

Outro ponto levantado por Katia é a mudança de consciência que deve partir dos líderes. “Nós só vamos conseguir fazer essa transformação cultural se o líder entender que isso é importante para ele e para suas pessoas”, disse, enfatizando a necessidade de uma liderança comprometida com o bem-estar de seus times.  

Uma trajetória marcada pela inclusão e liderança transformadora

Katia Regina construiu uma carreira sólida na Nestlé, onde começou como estagiária e, ao longo de mais de 20 anos, passou por diversos cargos, como assistente, analista e trainee, até assumir a posição de Diretora Regional de Total Rewards para a América Latina. Hoje, lidera iniciativas que impactam mais de 56 mil vidas, entre colaboradores e seus dependentes, com foco na personalização de benefícios e na equidade salarial, especialmente em relação à diversidade de gênero e raça.

Como mulher negra e cadeirante, Katia traz uma perspectiva única para a inclusão dentro da empresa, sendo uma defensora da importância de reconhecer as necessidades individuais de cada funcionário. Refletindo sobre sua trajetória, Katia destaca: “Eu acho que essas minhas qualidades me ajudaram a estar no cargo onde eu estou, porque as empresas hoje são muito mais diversas e só consegue falar com propriedade quem realmente entende do tema.” Agora, ela se prepara para mais um desafio, assumindo novas responsabilidades com sua transferência para o México, reforçando seu compromisso com a valorização e o bem-estar dos colaboradores.

Ouça o Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Sobre esquecer o passado

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

“Às vezes é preciso parar e olhar para longe,

para podermos enxergar o que está diante de nós”

John Kennedy

O filme “Brilho eterno de uma mente sem lembranças” (2004) traz a história de Joe e Clementine, um casal que após diversas tentativas para que o relacionamento dê certo, opta por esquecer um ao outro. Para isso, eles contratam uma empresa com tecnologia especializada em apagar as lembranças dolorosas. Porém, no meio do processo, Joe percebe que também tem boas memórias sobre Clementine e não quer perdê-las, apesar do rompimento atual.

Na ausência de uma tecnologia que nos permita tal feito e embalados pela ficção, se você pudesse apagar da sua mente as lembranças indesejadas, você o faria?

Me desculpe a insistência das perguntas, mas você desejaria apagar apenas as lembranças “ruins”? E por que não as “boas” memórias?

A resposta pode parecer óbvia, mas se assim for, compreendo que o desejo não é pelo esquecimento das experiências ou aprendizagens, mas sim, para evitar o sofrimento que essa lembrança evoca.

Nossas memórias, sejam de experiências boas ou dolorosas, falam da nossa história. Falam sobre quem somos. E se somos quem somos, é porque nossas experiências nos permitiram as aprendizagens sobre a vida, sobre o mundo e sobre nós mesmos, constituindo a nossa identidade, isso que nos torna únicos.

Não é possível registrar apenas o lado bom da vida. Porque isso não seria a vida real… Isso não significa que precisamos viver afunilados pelas situações dolorosas. Porque isso também não exprime tudo o que vivemos. Mas é preciso olhar além…

Onde estamos quando tantos sofrem os horrores da guerra?

Onde estamos quando tantos sofrem a devastação causada pelas mudanças climáticas?

E se apagássemos isso da nossa memória, numa busca desenfreada para mantermos apenas as lembranças positivas?

Só poderemos agir de maneira diferente e construir uma vida mais significativa, se olharmos para as nossas vivências e compreendermos o que elas nos ensinam.

Viver exige que estejamos de olhos bem abertos. Não me refiro, obviamente, à capacidade visual. Viver exige que estejamos presentes em nossas próprias vidas. E estar presentes em nossas vidas significa viver o momento atual, esse mesmo que muda o tempo todo e não nos pede permissão.

Diante dos desafios em vivermos o momento presente, muitos buscam em medicamentos as soluções para driblar o cansaço da rotina extenuante. Muitos buscam em medicamentos as soluções para esquecer os problemas e dificuldades que se apresentam, como num entorpecimento da realidade, fugindo de suas vidas, mergulhados num sono que de tão rápida a sua chegada nem permite reflexões.

E assim, enveredamos pelos caminhos do não sentir: não queremos experimentar a tristeza, o medo, a solidão…

Evitar situações ou eventos que desencadeiam emoções difíceis não tem nenhum efeito permanente no nosso bem-estar. A evitação pode até diminuir temporariamente as emoções dolorosas, mas não terá nenhum efeito na maneira que reagiremos a essas situações ou eventos no futuro, porque cada emoção tem a sua função, mesmo aquelas que são mais difíceis. Elas nos comunicam sobre o que acontece a nossa volta, sobre o que nos acontece e nos motivam para a ação. Se desejamos esquecer algo, é porque sabemos que podemos construir algo melhor, mais significativo. Mas como saberíamos se nos esquecêssemos disso?

Sendo assim, espero que aquela pergunta inicial se torne obsoleta, porque como dizia o professor Iván Izquierdo:

“O passado contém o acervo de dados, o único que possuímos, o tesouro que nos permite traçar linhas a partir dele, atravessando o efêmero presente que vivemos, rumo ao futuro”.

Simone Domingues é psicóloga especialista em neuropsicologia, tem pós-doutorado em neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das fundadoras do canal @dezporcentomais, no YouTube. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung. 

Mundo Corporativo: a jornada de resiliência e autodescoberta de Leonardo Simão

Nos bastidores do Mundo Corporativo em foto de Priscila Gubiotti

“A gente não precisa controlar nada externo, basta a gente controlar a nossa reação” 

Leonardo Simão, empreendedor

No universo do empreendedorismo, a jornada de Leonardo Simão se destaca s pelo seu sucesso como empreendedor em série, mentor, investidor e autor, e também pela sua profunda compreensão da importância da resiliência mental e do autoconhecimento. Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, Simão compartilha ideias valiosas sobre os desafios e estratégias para prosperar em um cenário de negócios altamente competitivo.

O autor do livro “Do zero ao Exit, um manual completo do mundo da criação e captação de recursos para startups” argumenta que o cerne do sucesso empresarial não reside na ideia ou na execução, mas na capacidade do empreendedor de lidar com adversidades.

“O maior fator do sucesso de qualquer empreendedor, de qualquer empresário, não está na execução apenas, não está na ideia, não está no negócio, está na sua resiliência mental, está na sua saúde mental para lidar com todos os desafios”.

A filosofia do estoicismo, que Simão adotou após um período de intensa reflexão e busca pessoal, tornou-se uma pedra angular em sua vida e negócios. Ao abraçar conceitos como a dicotomia do controle e a importância do julgamento individual na percepção de eventos, Simão encontrou um equilíbrio que lhe permitiu enfrentar as incertezas do mundo dos negócios com uma mente mais tranquila e focada.

“Quando a gente entende o mindset positivo, a gente vê que não tem nada bom nem ruim na nossa vida. As coisas simplesmente são. E o que torna elas boas ou ruins é o nosso julgamento. Então, a partir do momento que você começa a controlar o seu julgamento, controlar a forma como você, age, como você reage, tudo muda”.

Simão compartilha sua trajetória de altos e baixos, desde o apogeu com a Bebê Store, uma líder em e-commerce, até momentos de introspecção profunda que o levaram a questionar o verdadeiro significado da felicidade e do sucesso. Esta jornada o inspirou a desenvolver o método “Calma da Mente”, visando ajudar outros empreendedores a encontrar paz e clareza em meio às pressões do ambiente de negócios.

Ao discutir a aplicação prática da filosofia estoica no empreendedorismo, Simão destaca a importância de focar no que se pode controlar e adotar uma mentalidade positiva. Ele enfatiza que, ao mudar nossa reação às circunstâncias, podemos transformar desafios em oportunidades de crescimento e aprendizado.

“Foque sempre em você, nunca foque no que está tá fora de você”.

Além disso, Simão toca em um tema de crescente relevância: o impacto da saúde mental no desempenho e sustentabilidade dos negócios. Ele argumenta que a produtividade e o bem-estar da equipe estão intrinsecamente ligados à saúde mental dos líderes e colaboradores, fazendo um apelo por uma maior atenção a este aspecto essencial do ambiente de trabalho.

Assista à entrevista com Leonardo Simão

A entrevista com Leonardo Simão serve como um lembrete oportuno da complexidade do empreendedorismo e da importância de cultivar uma mente saudável e resiliente. Suas experiências e ideias oferecem valiosas lições para empreendedores que buscam não apenas o sucesso nos negócios, mas também uma vida mais equilibrada e significativa.

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN; aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo; e está disponível no podcast do Mundo Corporativo. Colaboram com o programa Carlos Grecco, Letícia Valente, Débora Gonçalves, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Uma hora a gente cai

Nina Ferreira

@psiquiatrialeve

Foto de Josh Hild

Mal chegamos no mundo, já temos uma queda: a casa quentinha no útero da mãe dá lugar a um espaço barulhento, meio quente e meio frio, cheio de luz que irrita olhos que antes não precisavam fazer o esforço de ver…

Tudo parece fluir bem, mas uma hora a gente cai. Uma discussão no casamento, um problema no trabalho, uma dívida financeira… Um exame médico que dá um resultado suspeito, um acontecimento não planejado que muda o rumo do futuro…

Cair é inevitável.

Não, não quer dizer que temos que gostar. Aliás, ninguém “tem que” nada.

Essa constatação serve pra nos trazer pra realidade da vida e, a partir dela, decidir como viver.

O que fazer com os momentos de queda?

Dá pra chorar, gritar, se esconder.

Dá pra tirar um tempo pra pensar.

Dá pra fechar os olhos e se imaginar mudando de planeta.

Só quero que se lembre que não está sozinho.

Só quero que, nessas horas, olhe para os lados e perceba: mais cedo ou mais tarde, você verá todos que conhece caírem (e, por aí, quem você não conhece também estará indo ao chão).

Só quero que você sinta que, apesar das quedas, há momentos em que estamos em pé, caminhando, podendo apreciar o vento fresco no rosto, a luz do Sol, as belezas do mundo.

É… uma hora a gente cai.

E, ainda bem, outras horas a gente está em pé e podendo saborear momentos felizes.

Te desejo esperança na sua capacidade de se erguer, de se reerguer e de seguir em frente!

A Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é médica psiquiatra, especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.

Dez Por Cento Mais: a importância da comunicação e da saúde mental na sexualidade masculina

Foto de Nathan Cowley

A sexualidade masculina, frequentemente associada a ideias de virilidade e constante disposição, esconde desafios significativos, principalmente relacionados à comunicação e saúde mental. A psiquiatra Ana Patrícia Brasil,, em entrevista ao programa “Dez Por Cento Mais” no YouTube, discutiu essas questões, revelando que muitos homens enfrentam dificuldades em expressar suas preocupações sexuais, mesmo em um contexto clínico.

Segundo a Dra. Brasil, os homens muitas vezes se sentem mais à vontade para discutir questões íntimas com uma profissional feminina, possivelmente devido à ausência de julgamento percebida e à facilidade em compartilhar tais assuntos com uma mulher. Ela ressaltou que a dificuldade em abordar esses temas está muitas vezes enraizada em estereótipos culturais de masculinidade, onde admitir vulnerabilidades sexuais pode ser visto como um sinal de fraqueza.

Comunicação aberta reduz problemas sexuais

A especialista enfatizou a importância da comunicação aberta e franca, tanto com profissionais de saúde quanto com parceiros(as), como meio de enfrentar e resolver problemas sexuais. Ela observou que o tabu em torno da sexualidade masculina e a pressão para se conformar a certos padrões muitas vezes mascaram problemas subjacentes, como ansiedade, estresse e baixa autoestima, que podem levar a disfunções sexuais.

Além disso, Dra. Brasil destacou o impacto da saúde mental na sexualidade. Problemas psicológicos, como depressão e ansiedade, podem influenciar significativamente o desejo e o desempenho sexual. A terapia e, em alguns casos, medicação, podem ser necessárias para abordar esses problemas subjacentes.

Cuidado com pornografia em excesso

A entrevista também abordou o uso problemático de pornografia e a forma como isso pode afetar a sexualidade, especialmente entre os jovens. A Dra. Brasil alertou sobre as consequências negativas do consumo excessivo de pornografia, incluindo a formação de padrões de excitação irrealistas e problemas na interação sexual real.

Dica Dez Por Cento Mais 

Comunicar-se sobre o que aflige, o que se espera do outro, ou até sobre dúvidas e inseguranças, pode não só fortalecer a relação, mas também aumentar a compreensão mútua e a intimidade, disse Dra Brasil na Dica Dez Por Cento Mais: 

“Não é uma fórmula complicada, e funciona na maioria dos casos de pessoas que estão em um relacionamento: conversar abertamente sobre o que te aflige, sobre o que você espera no outro. Isso já ajuda a sanar grande parte do problema que são todos esses pensamentos, dessa bagagem que a pessoa leva antes da relação. Se essa bagagem você abre, esse peso diminui, e as chances de você ter uma performance melhor, uma satisfação maior aumentam muito”.

Assista ao Dez Por Cento Mais

Toda quarta-feira, às oito da noite, você tem um novo episódio do Dez Por Cento Mais, no YouTube. Ao assistir ao vivo, você pode fazer perguntas aos entrevistados do programa:

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: por que as marcas não querem falar sobre saúde mental?

Peça da campanha “Falar pode mudar tudo”, da Libbs

“As marcas têm uma entrada na vida das pessoas e podem usar esse prestígio para o bem da sociedade”

Cecília Russo

As marcas podem desempenhar um papel relevante na conscientização sobre saúde mental. Setembro, marcado pela cor amarela, é dedicado à conscientização e prevenção ao suicídio, e esta tem sido uma pauta crucial para a sociedade. Falamos desse tema, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, com Jaime Troiano e Cecília Russo.

Psicóloga de formação e especialista em branding, Cecília destacou que, apesar da crescente consciência sobre a importância da saúde mental, muitas vezes o assunto é negligenciado em comparação com outras questões de saúde. 

“Ainda existe uma visão muito equivocada de que saúde mental não requer tanto cuidado” 

Cecília Russo

Farmacêutica incentiva a abertura do diálogo

Um exemplo inspirador de envolvimento de marca é da Libbs Farmacêutica, através de seu programa “Falar Pode Mudar Tudo”, que incentiva a abertura do diálogo sobre questões de saúde mental. A empresa quer estimular não apenas os que sofrem com patologias relacionadas à saúde mental, mas também seus amigos e familiares, a quebrar o silêncio e o estigma em torno do tema.

Marcas ainda temem falar de saúde mental

Jaime ponderou sobre a relativa falta de engajamento das marcas em comparação com outras campanhas de conscientização, como o Outubro Rosa, que trata do câncer de mama, e o Novembro Azul, que alerta para o câncer de próstata. Ele especula que a hesitação pode surgir do receio de associar a marca a temas sensíveis

“Isso por si só já diz alguma coisa. O que seria? Parece que as marcas não querem colocar seus nomes ligados a, por exemplo, o suicídio. Como se isso fosse algo que pudesse assustar as pessoas e colocar em risco os negócios da marca. Assusta mesmo, vamos falar a verdade!” 

Jaime Troiano

CVV é referência na atenção à saúde mental

Porém, há quem esteja fazendo a diferença. Jaime citou o trabalho notável do CVV (Centro de Valorização da Vida), uma instituição sem fins lucrativos que se dedica a apoiar e ajudar aqueles em crise. Com mais de 60 anos de serviço, o CVV se tornou uma marca reconhecida, superando preconceitos e servindo como uma linha de apoio crucial para muitos.

“A instituição faz mais de 3 milhões de atendimentos anualmente, tem 4 mil voluntários que estão trabalhando lá. Além disso, tem um hospital psiquiátrico,  em São José dos Campos, atendendo dependentes químicos”.

Jaime Troiano

Jaime se recorda de um anúncio do CVV que era veiculado antes de as transmissões das emissoras de televisão sairem do ar na madrugada, convidando as pessoas que se sentissem necessitadas de um auxílio a conversar com os voluntários. 

Marcas podem usar sua influência para ajudar pessoas

A experiência de algumas ações e a necessidade da sociedade de discutir o tema da saúde mental levam às marcas a responsabilidade de usarem sua influência para beneficiar às pessoas, não apenas para fins comerciais.

Conforme mais marcas reconhecem e abraçam seu papel na promoção da saúde mental, espera-se que mais pessoas se sintam apoiadas e compreendidas, e que o estigma em torno da questão continue a diminuir.

Ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

Jaime Troiano e Cecília Russo apresentam o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso aos sábados, às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN

Dez Por Cento Mais: na prevenção ao suicídio, a conversa que importa

A sociedade está passando por mudanças rápidas e os adolescentes enfrentam uma montanha-russa de desafios emocionais. Estamos em uma era de constantes conexões digitais, pressões acadêmicas e sociais, e uma exposição sem precedentes a informações e estímulos. Mas, ao mesmo tempo, testemunhamos uma mudança positiva: o aumento das conversas sobre saúde mental e a prevenção ao suicídio

A Dra. Nina Ferreira, médica psiquiatra, colaboradora deste blog, foi entrevistada no programa Dez Por Cento Mais, no YouTube, quando falou do Setembro Amarelo, mês dedicado a prevenção ao suicídio. Na conversa mediada pela jornalista Abigail Costa e a psicóloga Simone Domingues, que também escrevem aqui no blog, os desafios enfrentados pelos adolescentes foi um dos destaques.

A necessidade de uma abordagem empática

É crucial adotar uma abordagem empática ao lidar com adolescentes e suas famílias, de acordo com Nina Ferreira, que é especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia. Para ela, compreender as necessidades emocionais, oferecer apoio genuíno e fornecer orientação apropriada são passos fundamentais na promoção da saúde mental dos jovens.

Um ponto essencial destacado na entrevista é que desafios emocionais fazem parte da jornada de todos nós. Sofrimento e incertezas são sentimentos comuns, e buscar ajuda profissional não é sinal de fraqueza, mas de coragem e responsabilidade consigo mesmo.

A responsabilidade pela saúde mental é compartilhada

A importância da família e da comunidade também foi ressaltada. A base de apoio fornecida por entes queridos e pela comunidade desempenha um papel vital na saúde mental dos adolescentes. A comunicação aberta, o respeito pelas emoções dos jovens e o compartilhamento de preocupações são cruciais.

Além disso, devemos lembrar que a responsabilidade pela saúde mental não recai apenas sobre os ombros dos profissionais de saúde mental. É uma responsabilidade compartilhada que abrange toda a sociedade. Todos nós temos um papel a desempenhar na construção de uma cultura de apoio.

É preciso criar uma cultura de apoio

Outro ponto importante é a necessidade de criar um ambiente em que os adolescentes se sintam à vontade para falar sobre suas emoções e buscar ajuda quando necessário. Conversas sobre saúde mental devem ser encorajadas, e o estigma associado a esses tópicos deve ser superado.

Na entrevista, a Dra. Nina Ferreira destacou a importância da comunicação. Na dúvida, devemos falar sobre questões relacionadas à saúde mental. A comunicação é a ponte que nos liga aos outros, e é fundamental para compreender e apoiar aqueles que estão passando por momentos difíceis.

Busque tratamento adequado

Histórias de superação e recuperação também foram compartilhadas pelas pessoas que assistiram ao programa, ao vivo. Elas nos lembram de que, com a ajuda adequada, é possível encontrar esperança e melhorar a qualidade de vida. Ter uma rede de apoio composta por amigos, familiares e profissionais de saúde é uma parte fundamental desse processo.

Prevenir problemas de saúde mental e buscar tratamento adequado quando necessário são aspectos vitais de nossa jornada. A Dra. Nina enfatizou que a saúde mental é a base para a saúde como um todo, e cuidar de nossa mente é essencial para uma vida plena e saudável. 

Sugestões para falar sobre suicídio 

  • Seja empático e compreensivo.
  • Evite julgamentos ou culpabilização.
  • Ofereça apoio e solidariedade.
  • Reforce que o suicídio é uma doença que pode ser tratada.
  • Incentive a pessoa a procurar ajuda profissional. 

Se você está pensando em suicídio, procure ajuda imediatamente.

Ligue para o CVV no telefone 188 ou acesse o site do Centro de Valorização da Vida

Assista aqui à entrevista completa com a Dra Nina Ferreira. O programa Dez Por Cento Mais, apresentado por Abigail Costa e Simone Domingues, vai ao ar, todas às quartas-feiras, oito horas da noite, ao vivo, no YouTube:

Crenças disfuncionais: não é sobre ser mais ou ser menos, é sobre sermos nós mesmos

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

Foto de Anna Shvets

   “Porque os homens são anjos nascidos sem asas,

é o que há de mais bonito,

nascer sem asas e fazê-las crescer”

José Saramago

 

Um dia você acorda com uma vontade enorme de ficar na cama. Está chovendo, você tem uma apresentação para fazer na empresa, e dá um frio na barriga só de pensar! Você passou quatro semanas trabalhando nesse projeto, mas julga que não ficou tão bom como gostaria. Se recorda da apresentação de outros colegas e tem certeza de que não está à altura dos demais. Pensa que talvez fosse melhor enviar uma mensagem para seu chefe, arranjar uma desculpa… Mas isso seria ainda pior. O que os outros pensariam sobre você? Ah, sim! Teriam certeza de que você é uma farsa ou perceberiam sua incompetência. Então, decidi ir para a empresa, faz a apresentação e, apesar do ótimo feedback, julga que usou duas ou três palavras de maneira equivocada e as pessoas só não perceberam suas falhas, porque talvez estivessem dispersas ou pouco interessadas no conteúdo.

Por que será que isso acontece com tantas pessoas? Por que será que, mesmo diante de situações que evidenciam sucesso ou competência, elas se julgam incapazes ou fracassadas? 

Desde a infância, desenvolvemos determinadas ideias sobre nós mesmos, sobre os outros e sobre o mundo que nos cerca, especialmente através da interação com a família e com aqueles que estão à sua volta. Para os psicólogos Greenberger e Padesky (2017), essas pessoas ensinam coisas como “o céu é azul”, “isto é um cachorro” e “você é inútil”. Apesar de muitas mensagens serem corretas e precisas, as crianças acreditam em tudo o que é dito, mesmo que isso tenha sido uma expressão inadequada, que não corresponda à realidade.

Além disso, as crianças tiram suas próprias conclusões a partir de suas vivências. Algumas podem ouvir “você é inútil” e perceberem que uma outra criança é mais valorizada na sua família ou na sala de aula, por exemplo, por ter mais habilidades para os esportes. Essa experiência poderia gerar um entendimento de que aquelas crianças não são tão boas quanto a outra, sendo essa ideia armazenada na mete delas como “sou incompetente ou um fracasso”.

As crianças pequenas não têm habilidades mentais para pensar de maneira flexível e, ainda que essas ideias negativas não sejam reais ou precisas, serão assimiladas como verdades absolutas: as crenças sobre si mesmo.

Como essas crenças auxiliam na compreensão do mundo em fases precoces do desenvolvimento, se tornam desajustadas ou problemáticas quando são mantidas como absolutas e inflexíveis até a vida adulta, impedindo que possamos ver a nós mesmos de maneira mais realista.

Como lentes que distorcem a realidade, quando essas crenças negativas estão ativas, há uma interpretação também negativa das situações, nas quais a pessoa se vê, por exemplo, como incapaz, fracassada, incompetente, inferior às outras ou insuficiente para realizar algo.

Diante disso, alguns comportamentos são adotados como estratégias para se lidar com a carga emocional despertada, de modo a evitar ou compensar as situações que ativam essas crenças.  Alguém que acredita ser preguiçoso ou incompetente poderia evitar algumas situações, recusando desafios ou adiando o término de um trabalho, por exemplo, por temer a crítica. Outra pessoa com uma crença semelhante, poderia adotar um comportamento de supercompensação, trabalhando exaustivamente ou de maneira compulsiva, como estratégia para “mascarar” suas dificuldades.

As duas estratégias seriam desadaptadas ou desajustadas, uma vez que não solucionam o problema, não permitem testar as crenças disfuncionais negativas com novas experiências, mantendo ou reforçando a crença original.

Todos temos crenças positivas e negativas sobre nós mesmos. A diferença é onde colocamos a nossa lupa. Sim, uma lupa, que muitas vezes ignora inúmeras características positivas que temos e foca em alguns aspectos que fogem à realidade. Uma lupa distorcida, que enviesa e distorce quem somos, nos rotulando e nos reduzindo a determinados aspectos.

Atualmente, muitas pessoas se sentem frustradas por reconhecerem que não têm todas as habilidades ou que não são competentes em tudo o que gostariam de realizar, quando se comparam com outras pessoas. Mensagens são disseminadas de que basta querer e você será tudo o que desejar.

Desculpe se vou destruir ilusões, mas nunca poderemos ser tudo. Isso é muita coisa para um ser humano, falível, imperfeito. Somos assim! Mas também podemos ser muito mais do que julgamos ser, quando acreditamos que somos menos do que os outros.

Não é sobre ser mais ou ser menos. É sobre sermos nós mesmos, com nossas características que envolvem pontos fortes e fracos.

O mundo seria muito chato e monótono se todos tivessem as mesmas habilidades, as mesmas características. Somos diversos, e aí mora a beleza de sermos quem somos. Somos experiência, vastidão, sucesso. Incompetências e fracassos também, por que não? Assim, não bastamos a nós mesmos. Precisamos dos outros. Essa é a nossa natureza!

Talvez tenhamos dificuldades para reconhecer… Porque borboleta não nasce borboleta. Nasce lagarta, mas queira ou não ela será uma borboleta. E depois disso? Depois disso vai voar!

Simone Domingues é psicóloga especialista em neuropsicologia, tem pós-doutorado em neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do canal @dezporcentomais, no YouTube. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung. 

Mundo Corporativo: Ruy Shiosawa, da Great People, prevê a extinção das empresas

Ruy Shiosavwa em entrevista ao Mundo Corporativo Foto de Priscila Gubiotti

“.. as coisas mais simples provavelmente são as mais efetivas e poderosas. Ou seja, investimento em pessoas não é dinheiro, é investimento do seu tempo como líder, a atenção que você dá para as pessoas”. 

Ruy Shiosawa, Great People

As empresas estão em extinção? A provocação é feita pelo mesmo cara que há dois anos extinguiu a sede da sua empresa para preservar o emprego  das pessoas. Eu estou falando de Ruy Shiosawa, que era CEO da Great Place To Work quando a pandemia chegou e tomou a decisão de se desfazer dos escritórios em comum acordo com os demais profissionais da organização. Atualmente, Ruy está à frente da Great People, que reúne dez empresas que prestam os mais diversos serviços — de consultoria a produção de conhecimento — com a intenção de valorizar as pessoas e impactar a sociedade.

Você deve se perguntar, como alguém que comanda um ecossistema com tantas empresas questiona a existência delas. Esse tem sido o papel de Ruy ao longo de sua jornada profissional. Inspirar as pessoas a repensarem processos e comportamentos. Somente assim é possível desenvolver novas culturas e criar ambientes de trabalho saudáveis. 

“O que que era uma boa empresa? Opa, uma empresa grande, uma empresa segura, estável, que desse uma carreira cheia de degraus … hoje, isso dificilmente alguém fala nesses termos. Então, hoje não importa se a empresa é grande, pequena — aliás, talvez daqui a pouco não tem mais empresa, tem conexão de propósitos, de objetivos com pessoas que podem apoiar o desenvolvimento desse propósito”.

Para este “empreendedor em série”, cuidar da saúde mental dos seus profissionais foi um dos desafios que a pandemia trouxe às empresas e seus líderes. Por que se um colaborador é diagnosticado com burnout isso está ligado à empresa e deixa de ser um problema apenas da pessoa. É responsabilidade da organização criar mecanismos para detectar esses riscos. Foi, aliás, diante da necessidade de criar estratégias capazes de identificar como está a saúde mental da equipe de trabalho, que a Great People criou a Jungle — uma das dez empresas do ecossistema. Uma das soluções desenvolvidas foi, a partir do uso da neurociência, a criação de uma análise, com mais de 200 variáveis, baseada em textos escritos pelos funcionários, que permite antecipar problemas de transtorno ou fragilidade:

“A gente detectou casos de atenção da saúde mental e detectamos casos graves. O fato de ter detectado no momento adequado permitiu que isso fosse encaminhado a um especialista para ser tratar. Agora, imagina você não dá atenção para isso, o que vai acontecer é que uma hora explode uma hora tem uma crise”.

O futuro do trabalho transformou-se em presente com a pandemia, de acordo com Ruy Shiosawa, e uma das discussões que se aceleraram foi o modelo de trabalho que a empresa deve seguir: remoto, presencial ou híbrido. Para ele não existe resposta única porque isso dependerá das pessoas que compõem aquele grupo de trabalho que chamamos de empresa. 

Há realidades diversas e demandas que não são compatíveis, o que pode levar a empresa a perder talentos se não souber conjugar essas diferenças. Alguns têm família e gostariam de ter mais tempo para os filhos, outros preferem ficar na sua casa na praia, onde se sentem mais produtivos e livres, e há quem busque ambientes colaborativos e de aproximação. Os líderes têm de entender que atualmente valoriza-se muito a possibilidade de as pessoas organizarem seu próprio tempo e conciliarem vida pessoal e profissional. Portanto, é preciso flexibilidade.

“E aí qual é o ponto de atenção, como que a gente resolve isso? Liderança! Desenvolver pessoas que gostem de pessoas. E comunicação! Lembrando que comunicação é uma via de mão dupla”.

Diante disso, os métodos de feedback nas empresas ganham importância e precisam ser mais bem desenvolvidos. Chamar o profissional uma ou duas vezes por ano, cumprindo tabela proposta pelo RH, não é suficiente para entender as pessoas e desenvolver os profissionais. De acordo com Ruy, a experiência da Great People, pelo trabalho iniciado no Great Place To Work, comprova que a ferramentas do feedback é uma das mais poderosas para melhorar o ambiente de trabalho. Líderes que ouvem mais seus profissionais, através de feedbacks mais frequentes, conseguem resultados superiores do que aqueles que restringem esse canal de comunicação.

Para conhecer outras estratégias que podem engajar mais os profissionais, desenvolver as pessoas e preservar um ambiente saudável no trabalho, assista à entrevista completa do Mundo Corporativo com Ruy Shiosawa, CEO da Great People.

Ops, antes de pular para o vídeo: talvez você tenha percebido que em todo o texto não tivemos uma resposta exata para a pergunta inicial sobre a extinção das empresas. Se você quiser uma certeza, sim, em breve, estarão extintas as empresas da forma como são, mantendo hierarquias rígidas, com equipes “presas” dentro de escritórios, sem promover melhores relacionamentos entre os times e líderes afastados dos problemas que impactam seus profissionais.

O Mundo Corporativo tem as colaborações de Priscila Gubiotti, Guilherme Muniz, Renato Barcellos e Bruno Teixeira.