Voluntários tornam hospitais mais humanos

 

Mais da metade dos voluntários (57%) que trabalham em hospitais estão há mais de dois anos desenvolvendo o serviço, e a maior parte desses (27%) já está por lá de cinco a 10 anos. Apesar de a maioria ser pessoas em boas condições financeiras, há um número considerado de voluntários de baixa renda que se dedicam à função, também. Estes são apenas alguns dos resultados da pesquisa “Humanização e voluntariado: um estudo em hospitais públicos estaduais da Grande São Paulo”, desenvolvido pela pesquisadora do Instituto de Saúde da Secretaria do Estado da Saúde de São Paulo, Maria Cezira Nogueira Martins.

Na entrevista ao CBN SP, ela traçou o perfil dos voluntários que colaboram para a humanização dos hospitais:

Ouça a entrevisa da professora Maria Cezira Nogueira Martins

A repórter Michelle Trombelli – autora da foto que você vê neste post – realizou, recentemente, uma série de reportagens sobre a humanização nos hospitais (ouça aqui).

Ministério da Saúde vai rever remédio para hepatite B

 

Após sete anos, o Ministério da Saúde vai rever a lista de remédios para tratamento de hepatite B disponível na rede pública, incluindo drogas mais avançadas já vendidas no Brasil. A portaria será assinada no mês que vem, outubro, pelo ministro José Gomes Temporão. A informação é do coordenador do Programa Nacional para Prevenção e Controle de Hepatites Virais do ministério, Ricardo Gadelha, entrevistado pelo CBN São Paulo.

Nesta semana, a ONG Otimismo reclamou da demora do Ministério que estaria motivando a piora no estado de saúde de pacientes que contraíram a doença. A estimativa da Organização Mundial de Saúde é de que 2 milhões de pessoas tenham o vírus da hepatite B e 95% destes não sabem que são portadores. Ricardo Gadelha disse que o governo brasileiro não leva em consideração estes números, mas também não tem nenhuma estimativa oficial porque os estudos não teriam sido concluídos.

Ouça a entrevista com Ricardo Gadelha, do Ministério da Saúde

Leia e ouça a reportagem com Carlos Varaldo, da ONG Otimismo

Hepatite B: mande um e-mail para o Ministro

 

Dois milhões de brasileiros tem o vírus da hepatite B e 95% desses não sabem disso. O pior é que se souberem talvez não encontrem remédios para combater a doença, pois as drogas mais eficientes não são distribuídas na rede pública, apesar da insistência de organizações sociais. Para forçar o Ministério da Saúde a renovar a lista de remédios oferecidos aos pacientes, gratuitamente, a ONG Otimismo está convocado o cidadão a enviar e-mail ao gabinete do ministro José Gomes Temporão e pedir que ele autorize a compra das drogas mais avançadas e já autorizadas pela Anvisa que podem salvar a vida de pacientes com hepatite B. Além disso, que invista em campanha nacionais com informações sobre a doença.

Ouça entrevista com o presidente do Grupo Otimismo Carlos Varaldo

O e-mail do ministro da Saúde é gavim@saude.gov.br.

Parteiro por um dia

 

Por Devanir Amâncio
ONG Educa SP

São Paulo, segunda-feira, 31 de Agosto de 2009 – 17:33 – Hospital M’Boi Mirim, Quarto 313 – 3º Andar, Zona Sul. “Enfermeira, enfermeira, tá nascendo”… cadê a enfermeira? E nada da enfermeira! O pai, em estado de desespero, decidiu fazer o parto por conta própria.

Depois de muitos gritos, suor e lágrimas, finalmente o abraço e o carinho da mãe. Isabele Mosquetto da Conceição veio ao mundo-, por obra completa do seu pai. Enfim, chegou a enfermeira, meio sem graça. – “Que horas que nasceu?” “Ainda bem que tinha um relógio na parede do quarto”.

Ricardo Rafael da Conceição, o pai, achou tudo muito estranho. “E se ela estivesse sozinha?” Na hora fiquei com medo de destroncar a ‘bichinha’. Sou marinheiro de primeira viagem”!

Giliane Vieira Mosquetto, 18, primeiro filho, já está em casa, andando. Isabele nasceu com 45 centímetros, 2 quilos e 145 gramas, foi registrada, passa bem e já sorri.

Conte Sua História: Pó, graxa e infância

Por Cesar Cruz
Ouvinte-internauta do CBN SP

Ouça o texto Pó, graxa e infância com sonorização de Cláudio Antonio

Fui provocado assim que pisei na calçada:

– Esse pisante aí ta dando medo, hein tio?

O menino, de uns oito anos, sotaquezinho e jeitão cariocas, surgiu sabe-se lá de onde. Era como se ele estivesse à minha espera atrás do tapume daquela obra e, agora, enquanto eu descia a rua em direção ao meu carro, ele seguia colado em mim, lado a lado, me olhando e esperando uma resposta àquela sua provocação.

“Mas o que foi mesmo que ele disse?” Só então atinei com as idéias: “Pisante, é claro!” Ele se referira ao meu sapato. Estanquei o passo e olhei para baixo. O garoto tinha razão, estavam mesmo de dar medo. Nojentos e asquerosos, para dizer a verdade. É que eu havia acabado de sair de uma visita do tipo mais imundo que conheço: visita a canteiro de obras; e aquela era mesmo uma obra sujíssima! Isso aconteceu ali na zona sul, no bairro da Saúde, travessinha calma da Av. Jabaquara.

– O que tem meu sapato? – indaguei para testar o menino.

– Pô, brother! Tá nojento!

Não dava mesmo pra negar…

– É… você tem razão, amiguinho – concordei -… é que saí da obra e…

– Vamos engraxar, então, tio? – interrompeu-me, prático e determinado.

A densa poeira parecia ter oxidado o meu cérebro, pois só então reparei que o menino carregava uma caixa de engraxates pendurada em um dos ombros. Estava tudo explicado. Era um engraxate mirim. Coisa raríssima de se ver, assim, solitário, numa rua qualquer, já que hoje eles trabalham em grupos, bolsões organizados, muitas vezes com o amparo de adultos. Mas esse era independente e autônomo! E muito perspicaz! Eu tinha que admitir que a jogada de marketing do guri era de fato muito boa, ele merecia crédito! Seria uma desonra da minha parte resistir a ele… Além do mais, meus
pisantes estavam mesmo de dar medo.

Eu topo. – disse. E quem é o artista da graxa, você? – desafiei-o, com um falso ar de desdém.
– Opa, tio! – admirou-se ele – Você vai ver só a minha sshcova nerrvosa
– Vamos ver então!

O problema é que eu não tinha onde me sentar. E eu não estava disposto a me
postar em pé, recostado no muro duma casa, em plena calçada, como ele tinha
me sugerido. Não, isso não.
.
A única possibilidade seria usarmos o meu carro. Então abri a porta do
passageiro e sentei-me virado para o meio-fio, com os pés apoiados, um no
chão, outro sobre a caixa de madeira do guri.

Nos minutos que se seguiram, fiquei ali, na incômoda posição de um rei com
um súdito prostrado aos seus pés.

O delgado e ágil Elton (era esse o seu nome) esmerou-se em velozes e lépidas estaladas de flanela e ritmados giros de escova. Obediente às eventuais batidas secas que soavam na caixa, fui alternando o pisante esquerdo e o direito sobre o apoio. Elton usava uma garrafinha plástica para borrifar sobre o couro, vez por outra, uma aguinha misteriosa, mas logo voltava a “flanelar” o calçado, extraindo dele um brilho quase metálico.

Enquanto o menino trabalhava, me contava sua vida. Contou-me que morava com a mãe e dois irmãos na periferia, todos mais velhos. Vieram do Rio, havia dois anos, tentar a sorte em São Paulo. Um dos irmãos era ladrão e estava preso. A mãe sentia um grande desgosto por isso.

Os outros dois irmãos, uma menina de onze anos e um rapaz de dezoito, moravam com eles. Também trabalhavam e entregavam religiosamente todo o dinheiro recebido à mãe. Fiquei curioso para saber em que uma menina de onze anos poderia trabalhar, mas achei melhor não perguntar, já que o próprio Elton, bem mais novo, vivia pelas ruas, curvado aos pés de adultos desconhecidos, como eu.

Ele me contou ainda que guardava parte do que ganhava para comprar uma moto quando fizesse dezesseis anos. Tentei lhe explicar que moto só se pode pilotar depois dos dezoito, mas ele me disse que no seu bairro, com quinze, dezesseis anos, todos já pilotam uma.

Terminado o serviço, fiquei surpreso ao saber que aquele belo trabalho me custaria apenas três reais. Dei-lhe dez, não por que sou muito generoso, não! Foi por puro merecimento! Sugeri ao Elton que guardasse o troco para a compra da moto, mas o fiz prometer que só o faria aos dezoito anos e que compraria também um bom capacete. Ele concordou com um sorriso maroto… Fiquei na dúvida se cumpriria mesmo a promessa…

Enquanto eu tirava o carro da vaga, fiquei olhando-o pelo retrovisor. Voltou para a frente da obra e se encostou no tapume. Dali a pouco, certamente outro incauto deixaria a obra e seria provocado pelo menino engraxate: “Esse pisante aí ta dando medo, hein tio?”.



Participe do Conte Sua História de São Paulo. Envie um texto ou arquivo de áudio para contesuahistoria@cbn.com.br. O programa vai ao ar aos sábados, às 10 e meia da manhã, no CBN SP

Canto da Cátia: Gripe suína vai a escola

 

alunos voltam às aulas

Lavar as mãos foi a primeira lição na volta as aulas no fim das férias prolongadas devido a gripe suína. Nesta segunda-feira, o que deveria fazer parte dos nossos hábitos diários se transformou em atração com os equipamentos com sabão e álcool-gel distribuídos nas escolas. Nesta manhã, a Cátia Toffoletto esteve na Escola Municipal de Educação Infantil João de Deus Cardoso de Mello, na Capela do Socorro, na zona sul de São Paulo e, além da curiosidade das crianças, encontrou cartazes espalhados nas salas e áreas comuns para lembrá-las da necessidade de manter hábitos de higiene.

São Paulo terá banheiro público-privado

 

Banheiro públicoUrologistas do Hospital das Clínicas chamaram atenção ao lançar guia sobre a necessidade de haver banheiros públicos à disposição do cidadão. Estavam preocupados, principalmente, com as pessoas que sofrem de incotinência urinária, bexiga hiperativa e problemas de próstata. Também, com o fato de que conter a urina por muito tempo propicia problemas de saúde. A falta deste equipamento é sentida quando se circula no centro de São Paulo.

Foi na administração Paulo Maluf que se fechou boa parte dos banheiros públicos localizados nas áreas externas das estações do Metrô. Alegava dificuldade para conter o vandalismo e atos sexuais pouco recomendáveis em público. Desde então, para os paulistanos restaram o paredão mais próximo ou a condescendência dos donos de bares e padarias, que muitas vezes só ocorre após o pagamento do cafezinho.

São Paulo agora estuda a possibilidade de “privatizar” os banheiros públicos. Ou criar os banheiros públicos-privados, conforme projeto apresentado à Emurb. Os donos de restaurantes, bares e padarias que aceitarem o acordo abrem seus banheiros para quem quiser entrar e em troca podem colocar uma placa (15 x 15) na parte externa com o nome de quem financia a parceria. Pode ser o nome do próprio restaurante ou de algum patrocinador. Da mesma forma como ocorre com as praças.

Na entrevista para a Fabíola Cidral, o secretário municipal das Subprefeituras Andrea Matarazzo passou a imprensão de que banheiro público (saúde pública, segundo os urologistas do HC) não é prioridade. Ao ouvir a entrevista, o ouvinte-internauta Edivaldo Ferreira lembrou de um banheiro que encontrou em Santiago do Chile e nos enviou a foto que ilustra este post. Além de público, limpo e disponível, também é inclusivo, pois tem acesso para pessoas com deficiência.

3 mil liberados da Lei Antifumo, por enquanto

 

Decisão liminar suspende a Lei Antifumo para três mil bares e restaurantes de São Paulo, conforme nota divulgada pela Abresi (Associação Brasileira de Gastronomia, Hospedagem e Turismo). Ressalte-se: a medida é preliminar pode ser cassada a qualquer momento eplo Governo do Estado de São Paulo.

Leia a nota:

“O juiz da 3ª Vara da Fazenda Pública mandou suspender, através de liminar, parte da Lei Antifumo, no que tange a hotéis, restaurantes, bares e similares abrangidos pelo sindicato da categoria em Itapeva e região, presidido por Silvio Cataldo. A ação foi patrocinada pelo Dr. Marcus Vinicius Rosa, diretor jurídico da ABRESI.

Assim, cerca de 3 mil estabelecimentos entre hotéis, bares e restaurantes dos municípios de Apiaí, Barra do Chapéu, Barra do Turvo, Bom Sucesso de Itararé, Brui, Capão Bonito, Guapiara, Itaberá, Iporanga, Itapeva, Itararé, Itaoca, Nova Campina, Ribeira, Ribeirão Branco, Ribeirão Grande, Riversul e Taquará estão proibidos de serem fiscalizados assim como as seis multas aplicadas pelo Governo do Estado a estabelecimentos da região são nulas.”

Twittadas do dia: Sérgio Guerra e lei antifumo

 

Desde o retorno ao trabalho, a novidade no blog é a publicação das mensagens que envio pelo Twitter (dê uma olhada na lateral direita). Alguém há de dizer: “grande novidade, Milton Jung”. Pois é, caro amigo e amiga, a vida deste blogueiro não é fácil, pois a plataforma em que estou ancorado nem sempre me oferece todos os recursos que sonhei. Este só está no ar graças a turma de apoio da internet da CBN.

Ao que interessa: minha intenção é diariamente dar publicidade no blog também aos comentários enviados pelo Twiiter, pois cresce a cada semana a participação do pessoal por lá. Nem sempre será possível colocar todos por aqui, mas me esforçarei para que as opiniões estejam bem representadas.

Nesta segunda-feira, a entrevista do presidente do PSDB Sérgio Guerra, explicando o uso de dinheiro público para que a filha dele o acompanhasse em viagem para Nova Iorque, onde fez tratamento de saúde, e a reação de fumantes contra a lei antifumo no Estado de São Paulo foram os temas que mais geraram comentários.

Sérgio Guerra e o dinheiro público

marcosrs@miltonjung Se o dinheiro é NOSSO, fico feliz em saber que se precisar ir à NY tratar da saúde, posso contar com um avião do senado. Não?

fernandomaciel@miltonjung Precisa avisar ao Sen. Sérgio Guerra que a palavra “farra” no caso das passagens não é no sentido de diversão, mas do uso ilegal

Isasperandio@miltonjung vou pedir pra minha empresa pagar a passagem pra minha máe vir pra cá e ir ao médico comigo. Tá, até parece. É uma palhaçada

Isasperandio@miltonjung meu, vai contar história pra boi dormir em outra freguesia, né? é indignante como chamam a gente de otário.

bferrari@miltonjung Ele ganha o suficiente para comprar a passagem. Se o país desse condições a todo enfermo tratar-se no exterior, talvez sim.

hellenquirinoRT @miltonjung Sen. Sérgio Guerra defende gasto c passagem aérea p filha ir à NY p ser sua acompanhante em trat d saúde. Neste caso pode ?

AntonioBicarato@miltonjung mas ainda sendo uma questao de saude, nao deixa de ser uma questao particular, nao?

AlmirVieira@miltonjung Senador faça me o favor o senhor é muito desinteressado com o dinheiro público!

Lei antifumo em São Paulo

hugowt@miltonjung quem é contra sempre vai reclamar mais do que quem é a favor vai elogiar… saí neste fim de semana e só vi sorrisos de alívio

Roberto_SP@miltonjung Milton, só manda email quem quer reclamar,né?! A grande maioria, que apoia, não se manifesta.Acho incrível quem reclama

marcospog@miltonjung É a meia duzia de fumantes de sempre, sem respeito, sem vergonha e que não aceita o fato de que ele é um cancer

FefeThomson@miltonjung Claro que os e-mails são contra. Quando as pessoas são a favor, não costumam se manifestar. É cultural…about 6 hours ago from web in reply to miltonjung

danielmajzoub@miltonjung mais uma medida draconiana e extrema, apesar de odiar cigarros, não se pode fazer a coisa certa da maneira errada!

ric_gonzalez@miltonjung E eu que fui no Genésio (Vl Madalena) e o garçom me disse que apoiava tanto a Lei, que ele mesmo ia ao banheiro ligar no 0800!

elderbraga@miltonjung Em São Paulo qualquer minoria é gigantesca e merece atençãoabout 8 hours ago from Twitterrific in reply to miltonjung

anabenassi@miltonjung Minha irmã foi em uma balada no sábado e falou que realmente funcionou…Ela adorou não sair fedendo cigarro.

KilderCatapano@miltonjung Mas são a minoria. A maioria q aprova a lei não tem do que reclamar 

NRigon@miltonjung não tem pq ser contra… a maioria não é fumante e a maioria em qquer democracia tem o direito de escolher o que é melhor

MAFE_87Toh chocada!!! RT: @miltonjung: Em São Paulo, 16 multas por descumprimento da lei antifumo, diz Gov de SP.

guskauffman@miltonjung Gente contra terá sempre!! Mas que esta lei antifumo veio em boa hora, isto veio! Chego em casa ainda cheiroso.

panicoemsp@miltonjung Bem, eu apoio a lei antifumo. Agora posso jantar fora numa boa.

sergiostampar@miltonjung Isso ai.. tem que multar mesmo! Primeiro o respeito com quem não fuma!

Gripe suína e descontrole põem medo em Porto Alegre

 

Foram três dias seguidos dentro de um dos principais hospitais de Porto Alegre, capital gaúcha. O desfile de máscaras era constante nos corredores. Lavar às mãos em totens de gel espalhados por todos os cantos, uma obrigação. Na porta da emergência, algumas pessoas se acumulavam a espera de informação e atendimento. Os leitos de maternidade deram lugar a pacientes que não haviam contraído gripe – tenha ela qual fosse o nome -, mas exigiam cuidados emergenciais. Os “gripados” estavam em macas dentro de quartos feitos de cortina. Os graves foram para isolamento. Áreas de convívio passaram a receber pacientes, também. Em um só dia, havia 23 a espera de internação, mas sem apartamento.

Pendurados no celular, as pessoas davam detalhes da situação, falavam de colegas de trabalho que contraíram a doença. “Está todo mundo gripado por lá”, ouvi de um deles. “A gerente está com pneumonia”, comentou a moça na cafeteria.

Enfermeiros e auxiliares tiveram carga de trabalho aumentada há um mês e tentam ser solícitos apesar dos (im)pacientes.

Lá embaixo, o grupo de operários se esforçava para interferir o mínimo possível no cotidiano hospitalar enquanto conclui a obra de ampliação do setor de emergência. Assim que esta etapa se encerrar, nova área sofrerá intervenção para que mais leitos estejam à disposição da população.

No ar, muito mais do que pó, bactérias ou vírus, havia preocupação e medo. Tudo por causa da gripe.

Na primeira página do jornal e a qualquer hora que ligar o rádio, repetem-se os números de pessoas mortas pela gripe suína. Médicos, infectologistas, diretores de hospitais e políticos são entrevistados, um atrás do outro. Uns dizem uma coisa, outros dizem outras. Nem sempre esclarecem o que disseram.

O secretário estadual de Saúde muda de opinião a medida que se sente coagido pelo noticiário. As escolas do Estado decidem ficar fechadas e as particulares são forçadas a repetir o mesmo gesto, pressionadas pela opinião pública. As da capital (enfim, alguém pensa) abrirão pois sem a merenda escolar os alunos tendem estar mais frágeis a doenças.

Os que não estão por aqui telefonam preocupados com a gripe. Alertam para os sintomas que se aparecerem devem ser combatidos imediatamente, “de preferência longe desta cidade que não tem mais leitos”. Mas cuidado quando pegar o avião, afinal por mais de uma hora todos estarão confinados no mesmo ambiente expelindo perdigotos e afins.

O pânico está instalado em Porto Alegre por causa do risco de morte provocado pela gripe suína. Mas a verdade, que a paranóia não deixa ninguém enxergar, é que, até o momento que escrevo este texto, ninguém morreu contaminado pelo vírus H1N1 na maior cidade do Rio Grande do Sul.

O que fazemos é um desserviço à saúde.