Carro mata mais pela poluição do que em acidente

Calcula-se que 20 pessoas morram por dia, na região metropolitana de São Paulo, vítimas da poluição área provocada pelos automóveis, motos, caminhões e ônibus.  Isto representa cinco vezes mais do que o número de pessoas vítimas de acidentes no trânsito, na capital paulista.

A situação tem -se agravado com o aumento da frota de veículos e a má-qualidade do combustível consumido, principalmente o diesel, disse ao CBN São Paulo, o doutor Paulo Saldiva, das maiores autoridades médicas do País no estudo dos efeitos da poluição no ar. Ele acaba de concluir estudo sobre os riscos à saúde por situações ambientais para o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia, órgão do Conselho Nacional de Pesquisas (CNPQ). No trabalho indentificou-se que São Paulo perde até U$ 1 bilhão em vidas prejudicadas pela qualidade do ar.

Triste saber, também, que o quadro se agravou depois de a cidade ter alcançado avanços no combate a poluição do ar, conforme análise feita em 2004. Saldiva defende a melhora da qualidade do diesel, a intensificação da inspeção veicular e o investimento em transporte público.

Ouça a entrevista com o médido Paulo Saldiva, do Laboratório de Poluição da USP

Obras tem de anunciar se não usam amianto, em São Paulo

Pelo fim do amianto

“Nesta obra não há utilização de amianto ou produtos derivados, por serem prejudiciais à saúde”.

O aviso tinha de estar em local visível em todas as obras, públicas e privadas, no Estado de São Paulo, de acordo com lei estadual de número 12.684/2007. Na capital paulista tem lei semelhante (13.113/2001) aprovada seis anos antes. Boa parte das construções, porém, não respeitam esta determinação, segundo a gerente do Projeto Estadual do Amianto, da Superintendência Regional do Trabalho, em São Paulo, Fernanda Giannasi.

O assunto surgiu na programação após a informação de que o governo de São Paulo havia construído salas de aula provisórias com madeirite e telhas que, temia um ouvinte-internauta, fossem produzidas com amianto. A empresa responsável pelo produto divulgou nota afirmando que desde a década de 90 baniu o produto cancerígeno.

Agora, o projeto responsável por coordenar a substituição do amianto, ligado ao Ministério do Trabalho, lembra da necessidade de os Governos do Estado e da Capital fiscalizarem o cumprimento da lei. Na imagem acima, o exemplo de qual deve ser o procedimento das empresas nas obras.

Fabricante de sala de madeira baniu amianto, em 1990

As salas de aula de madeirite, registradas pelo jornal Folha de São Paulo em reportagem que causou azia no governador José Serra (PSDB), provocaram reações diversas nos ouvintes-internautas. Uma das preocupações foi em relação as telhas usadas na construção provisória. A cobertura poderia conter amianto, produto condenado em vários países e no estado de São Paulo, também, por provocar doenças pulmonares. A Secretaria Estadual de Educação se apressou em negar esta possibilidade. E, neste fim de semana, recebi mensagem da Brasilit, responsável pelas telhas usadas nas salas, explicando que o produto nocivo à saúde foi substituido no processo de fabricação desde os anos 1990.

Leia a nota enviada pela empresa:

Prezados senhores:


Na edição de terça-feira, pela manhã, do rádiojornal CBN São Paulo, da nossa prezada Rádio CBN, foi levantada questão por um ouvinte a respeito de se salas de madeira de determinada escola de São Paulo (da Escola Estadual Professora Eulália Silva, no Jardim Ângela, zona sul de São Paulo) estariam sendo construídas com telhas de Brasilit e se estas estariam ou não isentas de amianto.
 
Nesse sentido, nós da Brasilit gostaríamos de  informar e de dar uma explicação ao grande público, uma vez que o assunto voltou várias vezes à baila.
 
Anos atrás, ainda na década de 90, a Brasilit assumiu atitude pioneira ao substituir totalmente o uso do amianto crisotila – e de seus efeitos à saúde – e investir milhões de reais na produção do composto (PP) Fio de Polipropileno, em seu lugar – em sua unidade de Jacareí, São Paulo. O composto PP, é aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), atendendo ao previsto na Convenção nº. 162 da OIT, de 1986, da qual o Brasil é signatário.
 
Apesar de seu uso milenar e mais especificamente como matéria prima na manufatura de telhas na indústria de fibrocimento, pesquisas internacionais mostram sem sombra de dúvida os efeitos do amianto em doenças pulmonares. Por isso, a Brasilit não hesitou em eliminá-lo da produção de seus materiais, mesmo sofrendo forte concorrência até hoje de produtos que mantém o uso desta fibra cancerígena de origem mineral.
 
Fizemos tal opção em respeito aos consumidores, aos trabalhadores e aos brasileiros e temos assumido uma posição inequivocamente clara e contrária a seu uso, apoiando qualquer iniciativa da ampla divulgação de seus efeitos às pessoas.
 
Estejam tranqüilos, portanto, os paulistanos – e os brasileiros –  de que, se forem utilizadas telhas Brasilit na construção de escolas, não haverá qualquer perigo à saúde dos estudantes.
 
BRASILIT
 

Um remédio, por favor !

Sebastiao NicomedesSebastião Nicomedes é morador de rua em São Paulo e ativista social como poucos. Bem articulado, descreve seu cotidiano através de blog e se tornou uma espécie de porta-voz do povo da rua. Nestes dias, mandou mensagem me contando que participa de ação de solidariedade ao pessoal que vive em situação de rua, no Rio de Janeiro. Pedi para que me contasse algumas das histórias que recolheu nas muitas experiências que conheceu por lá. Recebi a seguinte mensagem nessa quinta-feira:

Quando o assunto é saúde da população de rua a situação é mais agravante. Essa é a história de Nilton, um homem do Maranhão acolhido no Rio de Janeiro pela operação Choque de Ordem. Dia 3 de fevereiro, ele foi atropelado por um carro numa avenida perto do hotel onde está hospedado.S em medicamentos, sem receita médica, sem conseguir atendimento por clinico, passa os dias no abrigo a base de água, almoço e jantar, sem nenhum antiinflamatório sequer. Para fazer os curativos, vai a pé até o  posto de saúde, quando volta a perna está sangrando de novo. Com ferimentos na cabeça, braços e pescoço, Nilton pede se há algum médico no Brasil, algum posto de saúde que lhe possa fornecer os medicamentos. Só isso é o que ele pede.”

Dos sentimentos em Porto Alegre

Espera, angústia e alívio marcaram os dias em Porto Alegre. Na sala de espera do Hospital Mãe de Deus aguardei durante horas notícias sobre o estado de saúde de meu pai. Um dia antes havia desfilado meu orgulho ao lado dele, como você pôde (pode) ler neste blog. Homem de 71 anos que nunca apreciou muito seguir a risca as recomendações médicas agora terá de permanecer “amarrado” as regras até o momento certo para a cirurgia que pretende liberar o tráfego de sangue em veias e artérias.

Ainda bem que tive a oportunidade de estar ao lado dele quando precisou, e me foi oferecida a chance de continuar com ele.