Cidades tentam reduzir acidentes com pedestres que usam celular

 

 

 

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Photo: Matthew Brown / Hearst Connecticut Media

 

 

Que celular ao volante não é legal, você já sabe! Não é legal, sai caro e pode causar graves acidentes. Ainda sem conseguir tirar o equipamento das mãos dos motoristas — apesar da fiscalização e das multas —, algumas cidades começam uma nova cruzada: impedir que os pedestres atravessem a rua de olho no aparelhinho.

 

 

Parece impossível, não é mesmo !?!

 

 

Hoje cedo, na CBN, o doutor Luis Fernando Correia nos contou que uma lei que proíbe o uso do celular quando a pessoa estiver cruzando a rua foi encaminhada ao parlamento do estado de Nova Iorque. Se ao atravessar, o pedestre for flagrado enviando mensagem, checando e-mail ou bisbilhotando a rede social dos amigos vai ter de pagar multa de até U$ 50 — mais ou menos R$ 200.

 

 

Mais do que faturar, o que a proposta pretende é alertar às pessoas para o grande risco que corremos no dia-a-dia das cidades. Ficar de olho grudado no celular quando estamos caminhando na calçada já é um problema porque pode nos levar a bater em outras pessoas ou tropeçar nos buracos que têm no caminho. Imagine, atravessar a rua.

 

 

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Photo: Matthew Brown / Hearst Connecticut Media

 

 

Estudo de 2015 diz que pedestres que caminham olhando para o celular perdem a noção de distância, identificam os sinais de alerta com atraso e agem como se estivessem bêbados na calçada. Um perigo!

 

 

Pesquisa feita pela Universidade de Ohio mostrou crescimento de mais de 300% no número de pedestres mortos, entre 2004 e 2010, enquanto andavam e usavam o celular.

 

 

A National Safety Council, dedicada a prevenção e atendimento de acidentes, diz que tivemos 11 mil pessoas que sofreram ao menos alguma lesão porque estavam distraídas enquanto caminhavam, entre os anos de 2000 e 2011. A organização também identificou mudança no perfil da maioria das vítimas de atropelamento: se antes eram crianças de até nove anos —- lembra da clássica imagem do menino correndo atrás da bola no meio da rua? —- agora são jovens de 15 a 19 anos, nos Estados Unidos.

 

 

Quando a cidade de Stamford, em Connecticut, fez essa mesma discussão em 2017, muitos defendiam a ideia de que seriam muito mais apropriadas campanhas educativas para evitar o uso do celular enquanto se caminha pela cidade. Foram voto vencido.

 

 

Honolulu, no Havaí, e Montclair, na Califórnia, também restringiram o uso do equipamento —- mas nenhuma das duas cidades ainda publicou algum estudo para se verificar a utilidade da medida.

 

 

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Cidade chinesa cria faixa exclusiva para “sem-celular”

 

 

Em Chongqing, na China, pintou-se no piso da calçada faixa exclusiva para quem caminha sem olhar para o celular, com a intenção de chamar atenção do público para a necessidade de se ter algum tipo de controle deste vício que está espalhado no planeta.

 

 

Aqui no Brasil, desconheço qualquer iniciativa neste sentido. Por enquanto, parece que a única coisa que impõe medo aos pedestres é que roubem o celular nas suas caminhadas. Sem contar que  nosso grande desafio ainda é tirar o celular das mãos dos motoristas, hábito muito mais mortal do que andar com o aparelho nas calçadas.

Até quando as festas barulhentas continuarão impunes? — II episódio

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Voltamos ao tema dos pancadões publicado há 15 dias neste blog e replicado na íntegra no jornal Morumbi News — cuja repercussão gerou inúmeras manifestações de leitores, que abordaram significativos ângulos do problema.

 

Entre tantas, selecionei uma que transcrevo abaixo:

 

Milhares de pessoas sofrem de síndromes metabólicas decorrentes da poluição sonora urbana. Poucas horas de sono ou sono de má qualidade causam aumento de pressão arterial, aumento do colesterol, irritabilidade, perda de memória, etc.
O barulho do motor de uma moto é um medidor do nível de decibéis que prejudicam o sono e a saúde humana. Se esse é o limiar, o que dizer das milhares de pessoas que nas noites de sexta, sábado e domingos são submetidas a tortura de terem suas casas invadidas pelo som dos pancadões….

 

Estive no último CONSEG Morumbi, na terça 5 de junho,….Lá representantes do Jardim das Vertentes, de condomínios ligados ao Shopping Raposo Tavares, do Real Parque, do Jardim Colombo e nós moradoras da Rua Tavares Vilela, clamávamos por alguma proteção para ter direito ao justo sono! Ouvimos o que tenho ouvido nos últimos 5 anos de participação em CONSEGs….A PM e a GCM, que chegam aos locais de tumultuo nas madrugadas, não tem qualquer poder para agir e são limitados a passar lição de moral. Se não me engano, metade dos milhares de chamados para os telefones de emergência nas madrugadas se refere a perturbação de sossego e outros tantos de agressão são decorrentes do mesmo problema.

 

Se nós de classe média, com casas bem construídas temos condição de nos dirigirir aos CONSEGs com nossos carros para pedir proteção, qual seria a situação de milhares de pessoas de comunidades que têm muito menos proteção ao barulho dos vizinhos? E quem, como ouvi outro dia no ônibus, não consegue entrar na própria casa vindo da escola noturna porque os carros com música a toda fecharam o caminho…E quem consegue trabalhar depois de um fim de semana sem dormir? E quem protege mães que choram o envolvimento de filhos e filhas nessas algazarras associadas a bebida e as drogas?

 

Por outro lado, como o barulho não é colocado como um problema de saúde pública e meio ambiente, e meramente como um problema de polícia, há pouco apoio por parte dos vereadores no sentido de criar leis que ataquem o problema. Esses defendem o pancadão como uma manifestação cultural ou uma diversão juvenil….

 

Por tudo isso exposto, peço como cidadã que o Grupo I dê visibilidade e abra o debate sobre o problema…

 

Sugiro que se difunda a ideia de que:

 

a) poluição sonora não mata tão rápido como uma bala, mas também mata. Barulho noturno é questão de saúde pública.

 

b) que a PM e GCM sejam agentes fiscalizadores com o poder de gravar documentando a altura do som e o endereço do comércio, casa ou carro responsável pelo mesmo. E, ao mesmo tempo, que o PSIU advirta e multe os responsáveis. Multas que sejam cobradas no sistema de cadastro de inadimplentes e SERASA….

 

c) que vereadores que fizeram a semana de Poluição Sonora e Meio Ambiente em 2016 possam colaborar no trato desta questão com informações técnicas e de saúde pública.

 

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Dirce S R Moretti

 

Ao que tudo indica, resta apoiarmos a posição da Sra. Dirce com os meios que tivermos. De nossa parte, apelamos aos vereadores que se debrucem no tema.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Celular ao volante não é legal: apoio do ministro e tecnologia que identifica motoristas com sono

 

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A campanha “Celular ao volante não é legal!” ganhou o apoio informal do ministro da Defesa Raul Jungmann. Ele foi entrevistado sobre o uso das Forças Armadas no combate à violência no Rio de Janeiro, nesta segunda-feira, no Jornal da CBN. Perguntei sobre o fato de um dos principais traficantes do país estar em prisão de segurança máxima mas, mesmo assim, ser capaz de comandar as ações de seu bando, na Rocinha. Jungmann defendeu medida que impeça o uso de celular dentro das prisões. Ao tratar do assunto, abriu um parênteses e comentou que apoiava a ideia que acabara de ouvir na CBN quando, em bate-papo com Cássia Godoy, eu chamava atenção para a necessidade de abandonarmos o celular enquanto estivermos dirigindo. Foi informal, foi voluntário, mas é sempre importante saber que o recado que transmitimos na rádio chega aos ouvidos de autoridades. Que alcance os motoristas, também.

 

Desde a semana passada temos recebido várias colaborações sobre medidas adotadas para mudar o hábito de motoristas e amenizar o impacto dessa distração. O Guilherme Muniz, da revista AutoEsporte, falou da função Driving Mode, que passa a fazer parte do iPhone com o novo sistema operacional iOs11. Quando a função está acionada, o celular não recebe notificações na tela, diminuindo os estímulos de distração do motorista. Têm ainda as tecnologias que clonam no painel digital do carro aplicativos dos celular, reduzindo a necessidade de o motorista tirar os olhos da pista.

 

 

Soube ainda que a Ford também tem apostado na tecnologia para manter os motoristas mais atentos, especialmente aqueles que dirigem com sono. O cansaço é causa de um em cada cinco acidentes de trânsito. Os modelos Fusion e Edge têm câmeras que avaliam o nível de atenção e fadiga do motorista. Se o carro começou a balançar de mais dentro da faixa de rolamento, sinal de alerta. Não por acaso, além de um alarme, aparece no painel o símbolo de uma xícara de café. Trocou de faixa com freqüência sem dar a seta, o volante treme e se não houver reação do motorista, o equipamento mesmo trata de corrigir a direção.

 

 

Mais uma colher de chá – ou de café – para os motoristas cansados. Nos modelos Fusion e Focus, pelo comando de voz do sistema de conectividade SYNC 3, basta o motorista pedir: “quero um café”. O carro automaticamente identifica cafeterias próximas e guia o motorista até o local. Se disser “quero parar”, também receberá o caminho mais curto onde possa descansar.

 

 

Caso você conheça outras experiências que ajudem os motoristas a reduzirem o nível de distração, conte para a gente. Vai ser bem legal!

Carros estarão mais atentos em motoristas distraídos

 

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Celular ao volante é ilegal, perigoso e pode matar. Distrai o motorista e motoristas distraídos são responsáveis por 80% dos acidentes de trânsito e 17% dos acidentes fatais, nos Estados Unidos. Nada disso, porém, tem sido suficiente para convencer os motoristas a abandonarem o hábito de enviar texto, consultar informações e conversar com outras pessoas pelo smartphone enquanto dirigem. Sem muita esperança de mudar o comportamento do ser humano, cientistas investem na mudança do comportamento dos carros.

 

Reportagem da Wired, sugerida pelo Thássius Veloso, comentarista de tecnologia da CBN, editor do TechTudo, da globo.com (além de ouvinte do Jornal da CBN), mostra que a aposta agora é no uso da inteligência artificial. Pesquisadores desenvolvem software que emitirá alerta sempre que identificar que o motorista está distraído. Poderá chegar ao ponto de assumir a condução do próprio veículo.

 

Os sistemas testados detectam movimentos da cabeça e das mãos, podem fazer rastreamento ocular e “enxergar” quando o motorista desvia a visão da estrada, e combinam todas essas informações com a velocidade, localização e forma de condução do carro. O uso de algoritmo e a troca de informações do próprio sistema, em redes automatizadas e inteligentes, tornarão a identificação cada vez mais precisa sabendo diferenciar quando ele apenas consultou uma informação no painel ou está realmente desatento.

 

Os cientistas entrevistados pela Wired dizem que se o carro cada vez mais entende o que está em seu entorno – a partir do desenvolvimento de veículos autônomos que ainda estão em estágio inicial – passará a entender, também, do que acontece dentro dele.

 

Leia aqui a reportagem completa da Wired:

 

WANNA STOP DISTRACTED DRIVING? MAKE CARS THAT WATCH THEIR HUMANS

Celular ao volante não é legal!

 

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Você e eu já participamos de inúmeras campanhas com pedidos de basta a questões que se tornam insuportáveis. Abaixo a Ditadura, Diretas Já, a campanha da fome, contra a corrupção ou pelo fim da impunidade: uma ou outra, certamente, mereceram um mínimo de atenção de nossa parte. No passado vestíamos a camisa, saíamos em passeata, erguíamos bandeiras e colávamos adesivo no vidro do carro. Hoje a tecnologia facilitou nosso engajamento: pode ser um post replicado na rede social preferida ou uma hashtag que nos acompanhe durante todo o dia no Twitter. Um simples “like” costuma já ser suficiente para apaziguar nosso ímpeto revolucionário. Clicou no botão, compartilhou, fez um selfie. Fiz minha parte. Alívio na consciência.

 

Desta vez, sou eu que quero convidá-lo a “levantar uma bandeira” ou, simplesmente, dar um “joinha”, já vai me deixar feliz. Caro e raro leitor deste blog, quero propor a você que abra mão de um vício que se espalhou pela sociedade moderna e tende a se agravar: o uso do telefone celular.

 

Calma lá. Não será preciso jogar o seu fora. Vai que nem tenha terminado de pagar as prestações! Nem seria louco de pedir que você desligasse o telefone durante um dia inteiro. Imagine o trauma? Por 24 horas, você não saber o que seus amigos estão fazendo nas redes sociais (sim, porque boa parte daquelas coisas legais que eles mostram, só fazem na rede) ? Ou, eliminar sua interação com aqueles grupinhos legais do WhatsApp? A humanidade se desintegraria. Nossas famílias, com certeza.

 

Meu pedido é apenas que você deixe de acessar o celular enquanto estiver dirigindo.

 

(Opa, você não tem carro e só anda de transporte público ou usa táxi e serviços de compartilhamento? Então, fique tranquilo. Você não precisa entrar nesta campanha, mas antes de desistir do texto “dá um joinha”, coloca entre seus favoritos e compartilha para os seus amigos nas redes sociais.)

 

A ideia surgiu há algum tempo após perceber que parte das mensagens que recebemos no WhatsApp da CBN é enviada por motoristas que se deslocam pela cidade e resolvem contar o que encontram no seu caminho. Um baita perigo!

 

Fácil de entender que se estão escrevendo enquanto conduzem um carro (ônibus, moto, bicicleta e caminhão, também), correm risco; sem contar que cometem irregularidade de trânsito: o código brasileiro impede que sua atenção, ao volante, seja desviada para outras atividades tais como assistir a vídeo, consultar informações na tela do celular, falar ao telefone ou fumar (sim porque o código exige que você use as duas mãos para dirigir e somente solte o volante para a troca de marcha).

 

Nos Estados Unidos, após décadas de recuo nos acidentes de trânsito, o aumento no número de casos tem chamado atenção de autoridades, nos últimos dois anos. Pesquisas não são suficientes ainda para identificar a verdadeira causa deste fenômeno, mas levando em consideração que a fiscalização é a mesma, o processo de educação dos motoristas, também, o sistema viário apenas avançou e a segurança dos carros aumentou, desconfia-se que a resposta esteja no uso do celular que mudou o comportamento dos motoristas ao volante. Foi o que me contou nesta segunda-feira, o secretário municipal de Transportes, em São Paulo, Sérgio Aveleda, bastante preocupado com este fenômeno na segurança de trânsito.

 

A solução para este drama, é bem provável, será encontrada na própria tecnologia que conectará o seu aparelho automaticamente ao sistema do carro, o impedirá de acessar o telefone, limitando-o ao comando de voz. Mais à frente, a interferência humana também será reduzida com a maior participação de carros “sem motorista” na frota urbana, carros que “não bebem”, “não falam ao celular”, “identificam pedestres com precisão”, “não trocam de faixa sem sinalizar” e “se distanciam de bicicletas” – estas coisas que a maioria de nós esquece de fazer quando está ao volante.

 

Como ainda dependemos do avanço da tecnologia, façamos o que está ao nosso alcance, reforçando a fiscalização e realizando campanhas permanentes de conscientização no trânsito.

 

No Jornal da CBN, nosso convite para que o ouvinte fale conosco pelo WhatsApp, Twitter ou e-mail virá sempre acompanhado do alerta para que não leiam nem postem mensagem enquanto estiverem dirigindo. Deixem para opinar, sugerir ou reclamar quando chegarem ao destino ou peçam para quem estiver ao lado que envie a mensagem.

 

Taí a nossa campanha: diga não ao celular, enquanto estiver dirigindo! Celular ao volante, não é legal!

Mundo Corporativo: Percival Jatobá fala como a inovação tem tornado mais seguros os pagamentos eletrônicos

 

 

 

 

“O banco recebe uma informação dizendo que você está na latitude A e na longitude B, e o comércio se encontra em um outro local, absolutamente diferente, ele vai ter muito mais propriedade para tomar decisão … a indústria vem trabalhando muito fortemente no campo de garantir que os dados sejam corretamente carregados e que a transação ocorra da forma mais segura possível”. Desta maneira, Percival Jatobá, vice presidente de produtos da Visa do Brasil, explica como as empresas do setor de pagamento eletrônico têm atuado diante do desafio da segurança e da privacidade dos dados do cliente. Ele foi entrevistado pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da radio CBN.

 

Uma das inovações que vem sendo estudadas pela empresa é a utilização dos carros conectados que podem ser usados para tornar mais simples e produtiva a relação de compra dos consumidores. Hoje já se tem tecnologia que permite que o motorista faça a encomenda de uma refeição, e, ao chegar ao ponto de venda, encontre o produto à sua espera e com o pagamento realizado, apenas pelo comando de voz. A Visa mantém, em São Paulo, um centro de inovação para promover a interação entre novos empreendedores e incentivar a busca de soluções tecnológicas.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site ou na página da CBN no Facebook. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 11 da noite, em horário alternativo. Colaboraram com o Mundo Corporativo Juliana Causin, Luiza Silvestrini e Debora Gonçalves.

Ecos do carnaval: roteiro de acidentes é lugar-comum no Brasil

 

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Vítimas de acidente são atendidas no Sambódromo (reprodução site CBN)

 

 

Perdão pelo lugar-comum. Sei que poucas coisas são tão antigas quanto a expressão “ecos do carnaval”. Leio e ouço isso desde os tempos em que a mãe pintava um pinico na minha testa e me convencia que era o suficiente para estar fantasiado para o baile de carnaval dos Gondoleiros, clube da zona norte de Porto Alegre do qual meu avô era sócio remido – e reproduzo aqui essa informação pois lembro que na infância imaginava que esta categoria de associado era destinada às famílias nobres e, portanto, tinha orgulho de contar aos amigos.

 

 

O uso da palavra “eco” é uma desculpa que costumamos usar quando queremos voltar a escrever sobre assuntos que parecem esgotados, mas ainda reverberam na nossa cabeça. É o meu caso neste momento.

 

 

Mesmo depois de três semanas seguidas de festa, o carnaval ainda nos oferece subsídios para reflexão, especialmente diante dos acontecimentos no Sambódromo do Rio de Janeiro, onde dois carros alegóricos, da Paraíso do Tuiuti e Unidos da Tijuca, estiveram envolvidos em acidentes ferindo ao menos 30 pessoas, entre as quais algumas com gravidade.

 

 

Um dos diretores da Liesa – Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro – Elmo José dos Santos comparou os dois acidentes na Marques de Sapucaí a desastres de avião, mas não para revelar a dimensão da tragédia: “Tudo pode acontecer. O avião não cai? O avião não foi feito para cair, mas ele também cai. Então tudo pode acontecer”.

 

 

Infeliz comparação.

 

 

Apesar do clamor popular que acidentes de avião geram, por motivos óbvios, é inegável a seriedade com que os agentes envolvidos – fabricantes, companhias aéreas, engenheiros, pilotos, autoridades entre outros – tratam a questão da prevenção. Atitudes como as que levaram a tragédia da Chapecoense são raras. Se em lugar de desdenhar da gravidade dos acontecimentos no Sambódromo, o dirigente se espelhasse na forma como o setor aéreo atua, provavelmente estaríamos aqui apenas comemorando o título da Portela (aliás, eu nem estaria aqui escrevendo).

 

 

Por coincidência, ao mesmo tempo em que nossos carros alegóricos se envolviam em acidentes, no Rio, o mundo se mostrava escandalizado com a gafe proporcionada pela organização do Oscar, o maior prêmio do cinema internacional.

 

 

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Gafe histórica no Oscal (Reprodução site CBN)

 

 

Apenas para relembrar: os apresentadores Warren Beaty e Faye Dunaway anunciaram “La la land” como melhor produção quando o vencedor na categoria havia sido “Moonlight”. A PwC – PriceWaterhouseCooper, auditoria contratada para a apuração dos votos dos 6.600 jurados do Oscar, assumiu a responsabilidade pelo erro, imediatamente. Um de seus funcionários, no mínimo descuidado, entregou o envelope trocado aos apresentadores, enquanto ainda curtia o resultado de uma selfie com Emma Stone, vencedora na categoria melhor atriz.

 

 

A retratação não foi suficiente para a PwC, uma das empresas de auditoria e consultoria mais conhecidas do mundo, presente em 157 países, cerca de 223 mil colaboradores e receita bruta de US$ 35,9 bilhões, em 2016. Sua história não resistiu ao erro humano e a organização do Oscar cancelou o contrato e a parceria que durava oito décadas. Manchou seu legado.

 

 

Aqui no Brasil, a Liesa premiou as escolas responsáveis pelos carros alegóricos acidentados ao decidir que, neste ano, não haveria rebaixamento para não prejudicar as agremiações. E, sem pestanejar, isentou de culpa o engenheiro Edson Marcos Gaspar de Andrade, que certificou o carro da Paraíso do Tuiuti. Um engenheiro pra toda obra, como destacou em manchete o jornal O Globo, ao constatar que ele tem longa ficha de serviços prestados à Liga e a nove das 12 escolas de samba do grupo principal, no Rio.

 

 

O mais triste é perceber que tanto quanto a expressão “ecos do carnaval”, o comportamento da Liga das Escolas de Samba diante dos acidentes é lugar-comum no Brasil. A maneira leniente com que a Liesa trata o assunto é a mesma que permitiu a morte de 242 jovens na Boate Kiss, em Santa Maria (RS), e causou o maior desastre ambiental que se tem notícia, além de ter matado 19 pessoas e deixado milhares sem abrigo, em Mariana (MG). Infelizmente, não faltariam exemplos se quiséssemos estender essa lista de tragédias. E não nos faltarão no futuro. Ao menos enquanto políticas de segurança e prevenção não se transformarem, estas sim, em lugares-comuns no Brasil.

Deu problema? Vai um ministério, aí!

 

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Reportagem do jornal O Globo de hoje (11/01) mostra que o corte de secretarias municipais foi uma das medidas mais importantes tomadas pelos prefeitos das capitais brasileiras no início da gestão, este ano. Prefeitos de 14 cidades cortaram 104 secretarias.

 

Conforme levantamento, o caso mais radical foi o de Porto Alegre, onde o prefeito Nelson Marckezan, do PSDB, reduziu de 37 para 15 secretarias. O Rio de Janeiro de Crivella está com 12 secretarias, depois de cortar pela metade este número. E São Paulo de Dória, corou cinco secretarias e está com 22.

 

O Governo Federal também foi cobrado a reduzir o número de ministério logo após o impeachment de Dilma Roussef. E Michel Temer o fez em número menor do que o esperado. Passou de 31 para 23. Algumas pastas foram absorvidas por outros ministérios, transformadas em secretarias com menor estrutura e poder. Houve recuos como no caso do ministério da Cultura que seria extinto, mas por pressão do setor retomou seu status de Ministério.

 

Porém, como a gente conhece bem a forma como funciona a política no Brasil, anúncios de cortes devem ser comemorados com moderação. Pois, a pressão de alguns segmentos, crises pontuais e negociação política costumam motivar a recriação de secretarias e ministérios.

 

Agora mesmo estamos acompanhando esta situação: a bancada da bala, formada por deputados que se dizem representantes do setor de segurança pública, pressiona Temer para que seja criado o Ministério da Segurança Pública. O argumento é que o Ministério da justiça tem que resolver várias demandas ao mesmo tempo e não consegue priorizar a questão da segurança.

 

A ideia é transformar a Secretaria Nacional de Segurança Pública que está no Ministério da Justiça em ministério, com mais poder, e claro, mais cargos e mais gastos.

 

Se é verdade que a criação de ministérios pode resolver problemas, talvez fosse o caso de nos mobilizarmos para a recriação dos ministério da Educação e da Saúde.

 

Não se engane com os discursos fáceis e de aproveitadores.

Aposentadoria especial de deputados é imoral

 

Por Milton Ferretti Jung

 

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Confessei na semana passada ter ficado apavorado com a notícia do jornal ZH a propósito da impossibilidade de o Governo do nosso Rio Grande do Sul aproveitar Policiais Militares em condições de entrar em serviço imediatamente,eis que já aprovados e, portanto, em condições de trabalhar.

 

Lembro que a informação foi a de que os novatos custariam R$ 9 milhões por mês à BM. Com isso, a corporação está com o seu menor efetivo em 33 anos e tem uma carência de 15,6 PMs. As aposentadorias,por sua vez,dilapidaram ainda mais o contingente.

 

O remédio seria a utilização dos guardas-municipais para suprir a falta de brigadianos. Não sei se “este remédio” já foi posto em prática. Os guardas-municipais, se é que vão ser utilizados, somente poderão atuar em Porto Alegre.

 

Enquanto isso não ocorre, os PMs e a Polícia Civil, assoberbados de serviços, por mais que se esforcem,não conseguem preencher as lacunas que afetam a segurança nas cidades interioranas que não contam com mais de dois PMs,um escalado para trabalhar pela manhã e o outro durante a noite. Os assaltos se repetem,transeuntes são transformados em reféns e precisam de muita sorte para que escapem ilesos.

 

Apesar de tudo que está ocorrendo em matéria de falta de segurança para a população do nosso Estado, pasmem, os nossos “ilustres” deputados pretendem obter aposentadoria especial para a categoria.

 

Vão enfrentar, porém, um inimigo que considera esta aposentadoria IMORAL.

 

Quem acompanha os nossos jornais, sabe que Rodrigo Janot, simplesmente Procurador-Geral da República, concluiu que a aposentadoria especial para os deputados é “anti-isonômica”, que tem como propósito privilegiar poucos indivíduos,locupletando-os à custa do Estado, com regras especiais, sem razão consistente. Janot entende que, ao final do mandato, os ex-deputados devem ser tratados como os demais cidadãos.

 

Eu gostaria de poder dizer ao Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot: ”Muitíssimo obrigado,Doutor”.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

De violência

 

Por Maria Lucia Solla

 

Violência

 

A violência, que hoje frequenta todo tipo de boca, continua atingindo a parte de dentro e a parte de fora de nossas casas. De todas as casas. Ela não tem só duas caras, tem uma coleção delas. Apresenta-se como preciso for, no momento do ataque. Nasce da covardia, do medo, da fraqueza, da impotência, do descontrole, da incapacidade de se adaptar; de se aceitar.

 

O violento é medroso, fraco, e ataca para enfraquecer o outro pelo grito, pelo susto, pelo assalto dentro e fora de casa, para que você desça ao nível dele (ou dela); onde moram a covardia e a sensação de poder.

 

Violência é constrangimento físico ou moral, dizem os dicionários, mas vamos concordar que violência é violência, e pronto. Quem a pratica é covarde e viciado em adrenalina. Sua ‘droga’ é ferir.

 

Violência é filha da ignorância, e ataca intelectual e emocionalmente. É falta de educação, de preparo para viver em sociedade. Falta de família e excesso de uma essência que não quer mudar.

 

O problema do povo brasileiro é, sempre foi e sempre será, o seu povo. Os macacos e as araras é que não são; certo? Somos uma mescla riquíssima de gente de todos os pontos do planeta, e patinamos, patinamos, mas não deslanchamos.

 

Não vou me aprofundar na questão, primeiro porque não domino o tema, e porque não me apetece essa pesquisa. De qualquer modo, todos estamos carecas de saber de tudo isso. Não é preciso pesquisar para saber que a violência está saindo pela tampa.

 

Passei só mesmo para lembrar-nos de contermos a violência nas palavras, no olhar, no gesto, no pensamento, sempre. Um sorriso, atenção extra e delicadeza sempre, ajudam a diminuir os efeitos malévolos da dita cuja.

 

Você sabia que cinco pessoas morrem, a cada volta que o ponteiro dá em volta do mostrador do relógio? Isso mesmo, cinco seres humanos morrem por hora, no Brasil, atingidos por arma de fogo.

 

Desarmamento de todos, inclusive dos bandidos…
E-du-ca-ção já!
Respeito pelo professor, pais, vizinhos, por todos os seres e pela Natureza, e pronto.

 

Paz

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Escreve no Blog do Mílton Jung