O que é realmente importante para mim?

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

Foto de David Bartus no Pexels

“Somos o que fazemos, mas somos, principalmente,

o que fazemos para mudar o que somos”

Eduardo Galeano

O que você acha que seria a chave de mudança para você ter uma vida feliz?

Dinheiro? Carros? Reconhecimento? Filhos?

Para os gregos antigos, a sensação de felicidade e realização com a vida seria alcançada ao se viver de acordo com valores, também chamados de virtudes por Aristóteles. Esses valores seriam qualidades de caráter, tais como paciência, coragem, autenticidade, que não seriam naturais ou inatas – sobre as quais não se teria nenhuma interferência. Derivariam da prática, de ações propriamente ditas, tornando-se um hábito.

Desse modo, Aristóteles conceitualiza a virtude como algo que deva ser treinado, através de ações deliberadas, de atitudes que possam nos transformar na pessoa que desejamos ser.

A excelência nesse processo consiste em buscar um equilíbrio apropriado de cada qualidade, através da razão, numa escolha de ações e emoções que conduzam a um meio-termo, para nós e para os outros, evitando faltas e excessos. Por exemplo, a falta de coragem pode ser compreendida como covardia, enquanto seu excesso, pode significar destemor ou audácia.

Por vezes, temos uma tendência a agir pelos extremos, tornando esse caminho do meio-termo a ser percorrido um trajeto difícil.

Somos seres acostumados aos hábitos. Nos sentimos seguros em situações mais familiares. Seguir por caminhos já conhecidos, manter comportamentos que estamos acostumados a ter, por vezes é mais confortável. Não à toa, chamam a isso de zona de conforto.

Desbravar um novo trajeto, traçar um objetivo de quem desejamos nos tornar, de quais qualidades queremos ter, pode ser muito desafiador.

Caminhos antigos são largos, o solo está mais batido. Trilhas pouco exploradas exigem um caminhar mais atento, são pouco sinalizadas, estreitas… causam medo.

Se queremos levar uma vida que vale a pena ser vivida, precisaremos de coragem para desbravar novos caminhos e percorrê-los. Mais do que isso. Precisaremos escolher as sementes que queremos plantar, cultivá-las dia a dia, para que possam florescer.

A propósito, “florescimento” era o termo escolhido pelos gregos para essa mudança, para se viver de acordo com os valores, alcançando a felicidade.

Viver uma vida satisfatória não pressupõe que todas as coisas serão boas ou que nossos sonhos se realizarão. Significa viver aquilo que realmente importa para nós.

Talvez a gente se preocupe em mudar para agradar aos outros, para viver como imaginamos o que os outros esperam de nós. Talvez a gente se preocupe em mudar para sermos mais parecidos com aquilo que vemos nas redes sociais, numa exposição fantasiosa de vida perfeita ou feliz – talvez isso explique mais sobre frustração do que felicidade.

A chave da mudança está dentro de nós. Pode ser mais paciência. Pode ser mais fé. Pode ser menos raiva. Mas somente promoveremos mudanças que nos trarão felicidade, quando perguntarmos para nós mesmos: o que realmente é importante para mim? O que eu desejo fazer para ter uma vida que vale a pena ser vivida?

Saiba mais sobre saúde mental e comportamento assistindo ao canal 10porcentomais

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do canal @dezporcentomais no Youtube. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

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