O seguro morreu de velho

 

Por Milton Ferretti Jung

 

O meu pai, seu Aldo, como preferia ser chamado, comprou o seu primeiro carro em 1937. Como nasci em 1935, não posso dizer que lembro desse automóvel. Conheci-o em fotografias, lamentavemente desaparecidas na poeira do tempo. Tenho uma vaga ideia de que o carrinho, com os seus dois cilindros, recusou-se a subir uma lomba em uma estrada de terra. Faltou-lhe força. A Segunda Guerra estava por começar quando papai trocou o DKW por um Chevrolet 1939, zero quilômetro, importado, como todos os automóveis daquela época, dos Estados Unidos. Desse tenho, até hoje,boas lembranças fotográficas, guardadas com saudade. Em uma dela, apareço já grandinho, junto com minha irmã, sentada sobre o capô.

 

Não sei qual era a quilometragem do Chevrolet quando o meu pai decidiu o colocar na garagem da nossa casa, sobre quatro cavaletes. Houve que preferisse usar o que chamavam de gasogênio, uma traquitana danada que substitua a escassa gasolina. Já o motor do carro do meu pai era ligado seguidamente a fim de evitar que sofresse danos com a longa paralisação. O meu querido velho acreditava piamente que, ao final da guerra, o preço dos automóveis não fosse subir. Mas aumentou de maneira considerável. Não tenho a mínima ideia de quanto obteve com a venda precipitada do Chevrolet.

 

O Citroën, terceiro carro do meu pai, veio da França, de navio. Era para ser negro brilhante. Aliás, como os primeiros Ford, nunca se viu um Citroën que não fosse, originalmente, preto. O revendedor da marca, explicou que a mão definitiva de tinta seria dada tão pronto o produto desembarcasse em Porto Alegre. Isso acabou caindo no esquecimento. Fosse hoje em dia e, no mínimo, a revenda iria se incomodar com o PROCON. Pintura à parte, o Citroën foi o primeiro automóvel que dirigi. Papai o adquiriu quando eu estava internado no Colégio São Tiago, em Farroupilha, na Serra gaúcha. Fui surpreendido com a visita do meus pais que foram me apresentar o francesinho. Ele acabou sendo o meu primeiro carro, depois de passar vinte anos na casa paterna. O seu Aldo o vendeu para mim em um negócio de pai para filho, isto é, sem juros. Precisei reformá-lo de cima para baixo. Saiu caro.

 

Após o Citroën, o meu pai passou a trocar de carro com mais frequência. Teve uma coleção de Fucas. O último, um 1966, quem herdou foi o meu caçula, o Christian. Hoje,ele tem um Fusca apetrechadíssimo. Já eu, sempre que papai comprava um Fusca zero km, ficava com o usado. E era um excelente negócio. Todos tinham baixa quilometragem. Só não consigo recordar a partir de qual automóvel passei a fazer seguro. A propósito de seguro-auto, fiz todo o intróito que se viu acima (se é que alguém enfrentou tal sacrifício), vou relatar a surpresa que tive ao renovar, faz uma semana, o do meu Beetle.

 

Depois de saber qual o preço do seguro, o moço do BB, que me ligou para acertar a renovação, disse-me que eu teria direito, em saídas noturnas, se houvesse ingerido bebida alcoólica ou, simplesmente, não estivesse disposto a dirigir, bastava ligar para determinado número de telefone para pedir que um táxi me buscasse. Tratava-se de um serviço gratuito, uma cortesia inesperada. Aí, o moço do Banco do Brasil lembrou-se de perguntar o ano do meu nascimento. Disse-lhe que era 1935. O rapaz ficou sem jeito e titubeou ao tentar explicar que, lamentavelmente, a cortesia valia somente para quem tivesse até 70 anos. Minha primeira reação foi dar uma risada. Desliguei o telefone e cai em mim. Por que será que pessoas com mais de 70 anos são discriminadas pela seguradora? Creio que os mais idosos teriam, inclusive, mais direito de se valer da “cortesia”.

Viagem segura e com cinto

 

Por Milton Ferretti Jung

Mais vale prevenir do que remediar. Em se tratando de trânsito, convém lembrar, remediar nem sempre é possível. Nesse feriado prolongado, que culminou com os festejos da virada do ano, mesmo que o fato não tenha sido divulgado com destaque pela mídia do Rio Grande do Sul, a Operação Viagem Segura, realizada pela Polícia Rodoviária Federal, Comando Rodoviário da Brigada Militar e Departamento Estadual de Trânsito, foi executada com sucesso. É verdade que, apesar disso, 2012 começou com uma tragédia, cujo palco foi a Estrada do Mar. Três carros envolveram-se em acidente que provocou duas mortes. A motorista de um dos veículos estava visivelmente embriagada e não possuía carteira de habilitação. O automóvel, que ela dirigia, se chocou frontalmente contra outro veículo que, por sua vez, atingiu um táxi.

Neste réveillon, nas 60 horas em que se desenvolveu o programa preventivo criado pelas autoridades, foram aplicadas, por hora, 91 multas. Na mesma época de 2010, em que a maioria dos infratores abusou da velocidade, o número de multas foi superior: 126 por hora, em três dias de rigorosa fiscalização. Agora, falando apenas nas estradas gaúchas, controladas pelo Comando Rodoviário da Brigada Militar, uma irregularidade chamou-me a atenção: foram multados 353 motoristas, porque eles ou passageiros dos veículos que dirigiam, não faziam uso do cinto de segurança. Eu imaginava que esta infração fosse das menos expressivas, mas me enganei. Ficou em segundo lugar, com 353 autuações, perdendo somente para as ultrapassagens proibidas, que levaram 484 motoristas a perder pontos na carteira de habilitação.

O motorista e o passageiro que fica ao seu lado, em geral, atam seus cintos. Os que viajam no banco traseiro, porém, porque não sabem o perigo que correm e aquele a que expõem os que estão à sua frente, não se dão ao trabalho de afivelar este verdadeiro salva-vidas. Sempre que ando de táxi, não só trato de usá-lo, mas peço a quem viaja atrás, que aperte o seu. Não quero correr o risco de ter a cervical rompida por um passageiro catapultado desse local, caso ocorra uma colisão ou, até mesmo, uma freada brusca e forte. Seja lá como for, torço para que as autoridades responsáveis pelo trânsito, em cada fim de semana, pelo menos, repitam a Operação Viagem Segura.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Cheque clonado, o seguro morreu de velho

 

Por Milton Ferretti Jung

Os bancos, com certeza, ainda são os locais mais confiáveis para que a gente deposite neles o nosso dinheiro. Os malandros de todas espécies, porém, vivem estudando maneiras de ludibriar a segurança das casas bancárias, muitas vezes, diga-se a bem da verdade, com safadezas bem sucedidas. Quando uma é descoberta, os patifes, imediatamente, inventam outras. Há espertinhos que tentam usar internautas ingênuos ou navegadores principiantes, para aplicar os mais diversos golpes. Quem lê seu correio eletrônico, por exemplo, é assediado com frequência a abrir e-mails supostamente enviados por bancos. Só hoje recebi mensagens de dois. Sou, entretanto, cliente de apenas um deles. Logo o deste, chegaram três. O assunto do e-mail era atualizaçãp de dispositivo. Bancos não costumam mandar e-mails para seus clientes por questões de segurança. Assim mesmo, existe quem, inadvertidamente, cai na esparrela. Conheço gente experiente em Internet que, se descuidou, sofreu momentânea bobeira e marchou nesse tipo de golpe. Outra mensagem muito usada é a que fala em “recadastramento de segurança”.

Tomei conhecimento na semana passada de outro golpe que está sendo aplicado, este mais novo e com tecnologia mais moderna. Pessoa de minhas relações foi consultar seu extrato e quase desmaiou com o que viu: sua conta estava no vermelho, eis que alguém, usando os dados de um cheque seu, que estava bem adiante do último que fora passado, havia feito retirada de certa importância, felizmente de pequena monta. Seu cheque tinha sido clonado. A vítima foi aconselhada a ir a uma delegacia para fazer um boletim de ocorrência. Lá, ficou sabendo que outras seis pessoas tinham adotado idêntico procedimento, visando a serem ressarcidas pela instituição bancária que também é vitimada pelo golpista.

Sei lá por que, nunca tinha ouvido falar em cheque clonado. Como eu, talvez várias pessoas estejam no mesmo caso. Para diminuir o risco que corremos de virar vítimas de vigaristas, conviria que controlássemos mais amiúde o extrato bancário. Sei que há quem não ligue para isso. Mas, como ouvia meu pai dizer frequentemente, seguro morreu de velho. Quem conhecia a trampa, que me desculpe. Escrevi o texto para alertar possíveis incautos.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Sem número, seguros insistem em restrição ao Rodoanel

 

Mesmo sem números que comprovem a informação, as seguradoras insistem na restrição ao transporte de cargas no trecho sul do Rodoanel, em São Paulo. De acordo com o presidente da Comissão de Transporte da Federação Nacional das Seguradoras Jair Carvalheira as faltas de sinal de telefonia celular, policiamento e iluminação no local aumentam o risco de roubos. A recomendação é que as transportadoras que usarem a rodovia estejam com escolta particular, caso contrário a seguradora não pagará indenização pelo desaparecimento da carga.

Ouça entrevista com Jair Carvalheira da Fenaseg

Conforme informado no Blog, sexta-feira (15.07), o Governo de São Paulo diz que não há nenhum registro de roubo de carga no trecho sul do Rodoanel desde a abertura ao tráfego, em 1º de abril. O CBN São Paulo conversará sobre o assunto, amanhã, com representante da Secretaria Estadual de Transportes.

É obrigatório pagar o seguro obrigatório com o IPVA

 

A lei não deixa dúvida: o seguro obrigatório – apelido do seguro por Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre – tem de ser pago com o IPVA, no início do ano. Se você pagar o imposto à vista em janeiro tem de pagar o DPVAT, também. Se parcelar em três vezes, é preciso pagar o seguro com a primeira parcela. Se você deixar para pagar em uma só vez, sem desconto, em fevereiro, é lá que você desembolsa o valor do seguro.

Hoje, tiramos dúvidas sobre o assunto com o diretor presidente da seguradora líder do DPVAT Ricardo Xavier. E uma das questões mais comuns é em relação a data do pagamento, pois muita gente deixa para fazê-lo apenas no período do licenciamento. Na entrevista, você fica sabendo o que pode acontecer caso se envolva em acidente de trânsito com vítimas e não tenha pago o seguro obrigatório.

Tire suas dúvidas na entrevista com Ricardo Xavier do DPVAT, ao CBN SP

Mais informações sobre seguro obrigatório no 0800.0221204 ou no site www.dpvatseguro.com.br

Garantia estendida de loja é seguro enrustido

 

“O Senhor gostaria de ampliar a garantia do produto, por apenas 60 reais o senhor leva mais dois anos de garantia”

A proposta é comum de se ouvir quando você está fechando a compra de produtos de informática, eletrodomésticos e eletroeletrônicos. Diga-se de passagem, o método é usado aqui e lá fora. Nunca gostei desta ideia, principalmente após o fenômeno do “envelhecimento precoce” dos equipamentos. Em dois anos ou menos, você já está doido para trocar tudo novamente. Passei a odiá-la após saber em pesquisa do Procon de São Paulo que a tal garantia estendida é falsa. O que a loja vende e não fala é que a garantia é um seguro que você assina sem conhecer as muitas restrições impostas.

No levantamento feito pelo Procon, 71,26% dos consumidores não foram informados de que compravam um seguro. Pior de tudo é que muita gente colocou dinheiro fora: 63,22% nunca usou o recurso e metedade dos que usaram tiveram problemas. Os dois maiores: exclusão de cobertura por mau uso do produto e não trocou o produto conforme estava previsto em contrato. Que contrato ? Mais de um terço dos que compraram a falsa garantia estendida não o receberam e mais de 96% dos que receberam somente souberam da existência dele na hora em que fizeram o pagamento. Ou seja, não tiveram oportunidade de ler as cláusulas e conhecer as restrições antes da compra.

Para entender melhor este assunto

ouça e entrevista Valéria Rodrigues, diretor de estudos e pesquisa do Procon de São Paulo

Da próxima vez que o vendedor pergurar: “O senhor quer comprar a garantia estendida ?. Olha bem no olho dele e diga: “Não, obrigado seu mentiroso”.

Funilarias denunciam seguradoras, em CPI

A pressão das seguradoras sobre as oficinais de funilaria e pintura para que usem peças não-originais e recondicionadas foi denunciada na CPI das Seguradoras, realizada pela Assembleia Legislativa de São Paulo. De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria de Funilaria e Pintura do Estado de São Paulo, Ângelo Coelho, as companhias desrespeitam o Código de Defesa do Consumidor e interferem na segurança dos automóveis e dos motoristas.

Ângelo foi além e acusou as seguradoras de colaborarem com o crime organizado ao negociarem veículos retirados do mercado por terem apresentado perda total.

Ouça a entrevista com ângelo Coelho, do Sindifupi

O CBN São Paulo pretende conversar com outros setores envolvidos no tema durante a semana. Se você tiver alguma reclamação envolvendo seguradoras registre neste blog.