Mundo Corporativo: Helen Moraes, da HB Brasil, transforma o mercado imobiliário com impacto social e representatividade

Reprodução de gravação do Mundo Corporativo com Helen Moraes

“Eu quero deixar um legado para que mulheres pretas e homens pretos possam saber que é possível chegar lá.”

Helen Moraes, HB Brasil

De quase despejada com sua família a CEO de uma das principais incorporadoras sociais do país, Helen Moraes transformou as dificuldades da vida em força para mudar realidades. À frente da HB Brasil Incorporadora e Construtora e da Habita Reurb, ela alia negócios e impacto social com projetos de moradias dignas e acessíveis, uma proposta que desafia as regras tradicionais do mercado imobiliário e inspira novas formas de empreender. A história dela é tema da entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN.

O lucro no atacado e a dignidade na construção

Helen Moraes conduz seus negócios com uma visão clara: lucrar no atacado para viabilizar moradias que garantam dignidade. “Eu pergunto qual é a minha margem de lucro. É tanto? Então você vai tirar um pouco dessa margem e entregar o que eu quero. Eu não vivo o lucro em um só empreendimento, vivo o lucro no atacado”, explica Helen, justificando sua escolha por semi-mobiliar os imóveis destinados a populações de baixa renda.

A inspiração para esse modelo veio de viagens internacionais, onde viu incorporadoras que entregavam imóveis já equipados. Ao trazer essa prática para o Brasil, Helen busca oferecer mais do que moradia: “Eu quero entregar um lar digno.”

Além do Brasil: os desafios da internacionalização

Os projetos de Helen Moraes ultrapassaram fronteiras. Ela está em negociação para levar o modelo de habitação digna ao Senegal e a outros países. Segundo Helen, a internacionalização não é apenas uma expansão de negócios, mas uma troca de aprendizados: “As tecnologias e práticas sustentáveis que vi em Dubai e Boston nos ensinam a fazer melhor aqui no Brasil. Obras limpas, responsabilidade ambiental e eficiência são inspirações que adotamos.”

Educação e representatividade como pilares

O compromisso de Helen vai além da construção civil. Ela vê a própria trajetória como um exemplo de representatividade: “Quero que pessoas pretas saibam que podem chegar lá.” Essa visão é moldada por sua história de vida. Filha de uma mãe que priorizou a educação sobre os luxos materiais, Helen valoriza o impacto transformador da escolaridade e da ação afirmativa.

Ela também enfrenta desafios constantes relacionados ao preconceito racial. “O racismo estrutural é real e se manifesta até nas altas esferas. Já ouvi que eu não teria capacidade financeira para executar grandes projetos. Quero mudar isso, ser uma referência e abrir caminhos para que outros também cheguem lá.”

Ouça o Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast.

Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Conte Sua História de São Paulo: uma torrada e uma batida de coco

Por Mauricio Pereira

Ouvinte da CBN

Corria o mês de julho de 1978. Eu e mais dois colegas de farda, oriundos da Base Aérea de Santa Maria, no Rio Grando do Sul, embarcamos em uma jornada que já começou turbulenta. Perdemos o translado aéreo e tivemos que enfrentar uma viagem de trem até Porto Alegre, marcada por solavancos e atrasos. De lá, seguimos em um voo pinga-pinga até Curitiba, onde pernoitamos, antes de finalmente chegar à grandiosa Rodoviária da Luz, em São Paulo. Para olhos matutos como os nossos, o tamanho e o movimento daquele lugar eram impressionantes.

Famintos, com aquela fome típica de soldados, decidimos buscar algo para comer. Com os parcos recursos que nos restavam, compramos as passagens para Guaratinguetá, nosso destino final, e seguimos para uma lancheria próxima. Lá, ao analisar o cardápio, deparei-me com uma variedade de “batidas” e, curioso, pedi:


— Uma torrada e uma batida de coco, por favor!

Veio como pedi, mas não era o que eu esperava. No Sul, “torrada” significava misto-quente, e “batida” era o termo usado para se referir a vitaminas. O que recebi foi um pão de forma torrado e uma bebida alcoólica de coco! Apesar da surpresa, paguei pelo pedido, mas só consegui comer o pão torrado.

Essa experiência foi apenas uma das tantas aprendizagens que tive ao longo daquele período. Aos poucos, fui me adaptando à metrópole que me acolheria definitivamente dois anos depois, em 1980, após a formatura no curso de Controle de Voos. Trabalhei nos aeroportos de Congonhas, Campo de Marte e Guarulhos, cidade onde resido até hoje.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Mauricio “Tchedatorre” Mello Pereira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo. 

Dezembrite: o peso emocional das festas de fim de ano

Por Juliana Leonel

@profa.julianaleonel

Dezembro é, para muitas pessoas, o mês mais aguardado do ano: celebrações, reencontros e descanso marcam a época. No entanto, para quem enfrenta transtornos mentais, este período pode ser marcado pela intensificação das dificuldades emocionais e aumento do estresse. 

O fim do ano evidencia seus problemas de relacionamento, desamparo familiar e negligência, especialmente em momentos de confraternização. O impacto emocional provocado pela pressão social e pela expectativa de comemoração agrava o quadro psicológico, resultando em desequilíbrios emocionais significativos.

De acordo com um estudo da National Alliance on Mental Illness (NAMI), entre 24% e 40% das pessoas com transtornos mentais relatam uma piora nos sintomas durante o fim do ano.


São comuns, entre aqueles que vivenciam dificuldades emocionais nesta época, frases como:


“A vida está sem cor, como comemorar?”
“Fui abandonado pela minha família…”
“As pessoas se afastaram quando souberam do meu transtorno…”
“Eles não me querem por perto, dizem que eu estrago as festas…”
“Ainda tenho tantas demandas a cumprir…”

Nesse contexto, os ambulatórios de saúde mental intensificam seus esforços preventivos, considerando o alto índice de piora nos quadros psicológicos e o aumento dos casos de suicídio nesse período. Sentimentos de medo, culpa, ressentimento, ansiedade e depressão podem se tornar mais intensos, transformando dezembro em uma fase de sofrimento emocional.

Outro fator agravante é o balanço anual de realizações e planos para o futuro. Frustrações por metas não atingidas, comparações entre progresso e estagnação, e a pressão por novos objetivos e cobranças são grandes gatilhos de ansiedade. A cobrança por mudanças imediatas, especialmente após um ano repleto de desafios, gera insegurança e medo.

Algumas práticas são indispensáveis para proteger o bem-estar psicológico:

  1. Evite o abuso de bebidas alcoólicas e substâncias – Elas podem agravar o quadro emocional e aumentar a sensação de vulnerabilidade.
  2. Controle o excesso de consumo (alimentar, financeiro, etc.) – A pressão para “consumir mais” pode gerar frustração e estresse.
  3. Fique atento ao isolamento social e aos sinais de tristeza, solidão ou desesperança – O afastamento das pessoas pode aumentar a sensação de desconexão.
  4. Estabeleça metas realistas e valorize pequenas conquistas – Evite criar expectativas irreais e pressionar-se de forma exagerada.
  5. Converse se estiver triste ou ansioso – Falar sobre seus sentimentos ajuda a aliviar a tensão emocional.
  6. Pratique a empatia consigo e com os outros – Lembre-se de que todos têm suas batalhas; a compreensão mútua é um importante alicerce emocional.
  7. Acolha quem está em sofrimento ou luto – Se souber de alguém enfrentando uma doença ou perda, ofereça apoio e presença.

Dezembrite pode, sim, ser uma fase desafiadora. No entanto, com atenção, apoio adequado e práticas conscientes, é possível atravessar este período com mais leveza e menos desgaste emocional. Reconhecer as próprias necessidades e as dos outros torna-se essencial para que todos encontrem um espaço de acolhimento e  compreensão.

Juliana Leonel, psicóloga pela Universidade Paulista, mestre em Psiquiatria e Psicologia Médica pela Universidade Federal de São Paulo e professora universitária em tempo integral. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: estudo aponta o fim das gerações

O conceito de gerações, amplamente utilizado para categorizar comportamentos, consumo e comunicação, pode estar com os dias contados. Essa é a provocação trazida pelo comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, com base em um estudo realizado pela TroianoBranding em parceria com a consultoria Dezon. O levantamento questiona a relevância de dividir as pessoas em “caixinhas geracionais” em uma sociedade cada vez mais fluida e inclusiva.

Cecília Russo destacou que o uso das gerações se tornou uma “muleta” para justificar quase tudo, desde campanhas publicitárias até memes nas redes sociais. Porém, a pesquisa mostrou que, mais do que diferenças, o que une as gerações são os temas estruturantes da vida humana, como identidade, laços afetivos, comunidade, crescimento e bem-estar. “O que muda é a forma como cada tema é traduzido, a depender do contexto social ou da idade de cada pessoa”, explicou Cecília. 

Os cinco elementos estruturantes da pesquisa

  1. Identidade
    Refere-se à forma como as pessoas se percebem e se definem em relação ao mundo ao seu redor. Abrange aspectos como personalidade, valores e autocompreensão, que guiam suas escolhas e ações, independentemente da geração.
  2. Laços Afetivos
    Trata-se das conexões emocionais que as pessoas constroem ao longo da vida. Inclui relações familiares, amizades e vínculos afetivos que dão sentido à existência e influenciam comportamentos de consumo e interações sociais.
  3. Comunidade
    Diz respeito ao senso de pertencimento e à busca por coletivos que compartilhem valores e objetivos. Essa necessidade de se sentir parte de algo maior transcende gerações, ainda que os meios para formar essas conexões possam variar.
  4. Crescimento
    Representa o desejo humano de evolução, aprendizado e autodesenvolvimento. Pessoas de todas as idades compartilham essa busca, seja em aspectos profissionais, pessoais ou espirituais, mas o modo como perseguem o crescimento pode diferir.
  5. Bem-Estar
    Focado no equilíbrio físico, mental e emocional. Embora a forma de buscar o bem-estar varie, como práticas esportivas ou consumo de conteúdos relacionados à saúde, o objetivo de alcançar qualidade de vida é comum a todos.

Conteúdo universal e comunicação transversal

Jaime Troiano reforçou essa ideia ao falar do impacto para as marcas: “Existem mais similaridades do que diferenças entre as gerações, seja de mentalidade, seja no consumo de marcas.” Ele citou exemplos de marcas como O Boticário, Nike e Samsung, que conseguem se comunicar de forma transversal com diferentes públicos, usando os temas estruturantes como base. Para Jaime, a capacidade de criar conteúdos universais, adaptados para diferentes canais, é o que torna essas marcas relevantes para todas as faixas etárias.

O estudo também propõe que abandonar os rótulos geracionais é uma forma de inclusão, pois permite às marcas explorar temas humanos profundos sem a limitação de padrões tradicionais. Cecília Russo destacou que essa abordagem permite prever comportamentos de forma mais rica e abrangente, deixando de lado classificações que já não refletem a realidade atual.

A marca do Sua Marca

A principal mensagem do comentário é clara: ultrapassar a superfície das classificações geracionais é essencial para compreender as pessoas em sua profundidade. “É o fim das gerações, ou as gerações sem fim?”, questionou Jaime Troiano, ao concluir que os marcos geracionais podem, muitas vezes, aprisionar nossa visão. A verdadeira lição é pensar “fora da caixinha” e adotar uma abordagem mais inclusiva e universal, tanto na vida quanto nos negócios.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Mundo Corporativo: Tatiane Tieme, do GPTW, fala de liderança humanizada

Tatiane Tieme conversou on-line com o Mundo Corporativo

“O líder que quebra o estereótipo do super-herói e humaniza as relações do dia a dia alcança resultados superiores.”

Tatiane Tieme, GPTW

Diante das transformações no ambiente de trabalho, a figura do líder evolui para lidar com equipes cada vez mais diversas e demandas organizacionais mais complexas. Seja na convivência entre gerações ou na adaptação a modelos híbridos e remotos, os líderes enfrentam desafios que exigem habilidades técnicas e uma capacidade singular de criar conexões humanas. Foi o que destacou Tatiane Tieme, CEO do Great Place To Work Brasil, durante sua entrevista ao programa Mundo Corporativo.

A executiva trouxe à tona questões fundamentais sobre como a confiança, a coerência e a consistência podem impactar diretamente o sucesso das organizações, tornando ambientes mais produtivos e saudáveis para todos os envolvidos.

A confiança como pilar da liderança

“A felicidade resultante desse modelo de confiança impacta diretamente o sucesso do negócio”, afirmou Tatiane. Segundo ela, o papel do líder hoje não se limita à gestão de tarefas. É preciso estabelecer uma relação de confiança com as equipes, criando um espaço onde a vulnerabilidade seja permitida e a colaboração, incentivada.

A diversidade também aparece como um dos grandes desafios. Equipes que incluem diferentes gerações e perspectivas têm o potencial de ser mais criativas e produtivas. Entretanto, sem políticas inclusivas e uma liderança humanizada, essa diversidade pode se transformar em conflito.

“As empresas precisam ir além de contratar grupos diversos; elas devem incluir essas pessoas no dia a dia, escutando suas necessidades e promovendo uma cultura de respeito e reconhecimento”, explicou Tatiane.

Tecnologia e humanização: o equilíbrio necessário

Com a crescente adoção de tecnologias e da inteligência artificial no ambiente corporativo, muitos profissionais se preocupam com o impacto dessas ferramentas em suas funções. Para Tatiane, o papel do líder neste contexto é essencial:

“Essa disrupção digital só aumenta a importância de construirmos relações de proximidade e confiança. É necessário garantir que as pessoas tenham espaço para expressar seus receios e buscar caminhos de desenvolvimento, adaptando-se às novas possibilidades que a tecnologia traz.”

Ela ainda destacou que o modelo de comando e controle — característico de uma era passada — não tem mais lugar nas organizações que querem prosperar. “A gestão deve ser baseada em engajamento e cooperação, não em controle. Isso gera não apenas mais produtividade, mas também uma equipe que inova e cria com mais liberdade.”

Ouça o Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast.

Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Rasgando o Véu da Ilusão: cuidado com o que você vai descobrir

Tive o privilégio de ser convidado para escrever o texto de apresentação do livro “Rasgando o Véu da Ilusão – ensaio sobre coragem, liberdade e autenticidade”, das psicólogas Abigail Costa, Aline Machado e Vanessa Maichin.

O livro já está à venda pela editora Dialética e o lançamento oficial, com presença das três autoras, será neste sábado, dia 14 de dezembro, às 16 horas, no Restaurante Bar Alfândega,
na rua República do Iraque, 1347, Campo Belo, São Paulo, SP. Confirme sua presença aqui.

Apresentação de Rasgando o Véu da Ilusão

Mílton Jung

Há livros que não apenas lemos, mas que parecem nos ler de volta. “Rasgando o Véu da Ilusão – ensaio sobre coragem, liberdade e autenticidade” é um desses. Quando comecei a leitura dos textos originais de Abigail Costa, Aline Machado e Vanessa Maichin, não imaginava que, ao final, seria mais do que um leitor passivo, mas alguém profundamente tocado, como se, página após página, tivesse rasgado alguns dos véus que me acompanhavam há anos, me levando a descobrir a alma e o coração, no sentido de despir-me das sombras que os ocultavam.

A cada capítulo, fui confrontado com as ilusões que construí ao longo da vida para me proteger das incertezas que, ironicamente, ainda me assombram. As autoras, com uma coragem que admiro e invejo, se revelam em suas fraquezas e, de maneira quase cirúrgica, mostram como essas ilusões nos moldam, nos limitam e nos prendem a uma ideia de perfeição que, muitas vezes, é um fardo. Quisera eu ter a coragem delas para assumir todas as minhas fragilidades.

Foi desconcertante, quase constrangedor, ser confrontado por verdades que me surpreenderam, mesmo sendo eu íntimo de uma das autoras. Sim, caro leitor e cara leitora, devo confessar: sou casado há mais de 30 anos com Abigail. Não poderia omitir essa informação. Revelo isso porque acredito que essa transparência permitirá que você, ao ler esta apresentação, desenvolva um olhar crítico mais apurado, consciente do viés pessoal que pode colorir minhas palavras.

Em diversas passagens, me peguei relendo os trechos onde a finitude e a vulnerabilidade são tratadas com tanta franqueza. Era como se Abigail, Aline e Vanessa, com suas diferentes vozes, estivessem ali, do meu lado, me dizendo: “Sim, é difícil, mas é preciso encarar isso, sem filtros, sem ilusões.” Nesse olhar sincero, encontrei ressonâncias com minhas próprias batalhas. Não é fácil aceitar que o perfeccionismo, tantas vezes visto como virtude, pode ser, na verdade, um véu que nos separa da vida como ela realmente é – imperfeita, sim, mas também autêntica e rica em possibilidades.

Como se as provocações das autoras não fossem suficientes, ainda deparei com o prefácio de Alexandre Cabral. Ah, o prefácio… De uma profundidade que não permite passagens rápidas, que obriga o leitor a parar, pensar e questionar. Foi então que percebi que o que deveria ser um simples prefácio havia se transformado em algo muito maior – não apenas uma introdução, mas uma parte essencial dessa jornada literária.

Essa transformação do prefácio em algo tão significativo é uma prova do poder da palavra quando usada com propósito e sensibilidade. Não é apenas uma abertura; é um convite a uma reflexão que transcende o texto introdutório comum. Ao final, percebemos que o prefácio de Alexandre Cabral não é só um prólogo, mas um verdadeiro pórtico, imponente e necessário, que nos conduz ao coração das questões levantadas no livro.

Ao concluir a leitura, percebi que “Rasgando o Véu da Ilusão” não é apenas um livro sobre coragem, liberdade e autenticidade. É uma jornada, daquelas que começam na primeira página e continuam muito depois de fecharmos o livro. Uma jornada que nos convida a ser protagonistas de nossas vidas, a enfrentar as incertezas, a deixar para trás a ilusão de controle e a abraçar, de uma vez por todas, a beleza da imperfeição.

Prepare-se para ser provocado, questionado e, quem sabe, transformado. Boa leitura!

Avalanche Tricolor: uma carta à Dona Eliane Geromel

Geromel se despede do Grêmio Foto: reprodução GZH

Dona Eliane:

Foi seu o abraço mais inusitado que recebi e retribuí em todos os meus tempos de arquibancada. Estávamos em Al Ain, nos Emirados Árabes Unidos, e Everton havia marcado um golaço que nos levaria à final do Mundial de Clubes, em 2017. Todos corremos alucinados para comemorar o feito e, entre o choro imediato com os meus filhos e o agradecimento aos céus, nosso abraço se encontrou. Não nos conhecíamos pessoalmente; havia ali apenas o manto tricolor nos unindo em celebração.

Passado o primeiro instante de êxtase, você se apresentou como ouvinte do meu programa de rádio e mãe de Pedro Geromel — foi essa a ordem que escolheu para justificar o abraço entre desconhecidos, como se a felicidade de um gol daquele tamanho precisasse de explicação. Sua fala tornou-se um troféu particular para este torcedor. Claro que tê-la como ouvinte me envaidece; mas ser abraçado pela mãe daquele que mais admiramos e respeitamos nesses anos todos era demais para o meu coração tricolor.

Poucos jogadores fizeram por merecer tanto respeito do torcedor — os nossos e os adversários — quanto Geromel. Ele se fez líder pela personalidade entre os colegas; se fez ídolo pela performance em campo; se fez mito ao nos proporcionar os títulos mais importantes deste século; e se fez humano pela conduta íntegra e pelo comportamento irretocável, mesmo nos momentos mais difíceis que vivemos. Ele se tornou próximo com um sorriso sincero e uma fala genuína que destoam daqueles moldados pelo marketing e pelo uso exagerado das redes sociais.

Gustavo Poli, comentarista esportivo do jornal O Globo, escreveu certa vez, e eu anotei no caderninho que tenho sobre a mesa:

“Entre o homem e o ídolo há uma distância que não queremos percorrer. Porque o ídolo é nosso amor íntimo, um parente próximo. Nos abraçamos ao ídolo. O ídolo nos move e emociona. O ídolo não tem os defeitos do homem. Entre o homem e o ídolo existe a realidade — mas no futebol, a realidade comezinha importa menos. Para o torcedor, a realidade acontece entre quatro linhas.”

A definição é perfeita para os ídolos. E quantos temos no futebol. Ídolos que admiramos pelo que fazem em campo, não pelo que representam fora dele. Mas Geromel transcende essa descrição. Por isso o chamamos de GeroMito. E se assim o é, dona Eliane, isso tem muito a ver com a forma como Geromel — que imagino ser apenas o Pedrinho, na casa da Vila Mariana — foi educado e preparado para a vida pelos pais.

Pode parecer coincidência estar escrevendo esta carta a uma mãe no domingo em que, na Igreja Católica, celebramos Nossa Senhora da Imaculada Conceição, um momento de veneração à mãezinha que, além de ter sido submetida a um dom sobrenatural, seguiu o Cristo de modo perfeito, como na oração que ecoa nas igrejas em 8 de dezembro. Jung, o psiquiatra, defendia que não existem casualidades, mas uma força do universo que atua para que os fatos se expliquem de maneira racional. Ter assistido à despedida de Geromel, neste domingo, me inspirou a ousar escrever este texto – especialmente depois de vê-la em campo ao lado do marido, dos filhos, da nora e dos netos. 

Dona Eliane, Geromel se eternizou no coração de todos nós, torcedores gremistas. E você — que tomei a liberdade de não chamar de senhora por imaginar que sou mais velho — foi primordial para que essa história se realizasse. Se um dia Maria foi convocada por Deus para conceber Jesus, a você coube a missão de nos dar Geromel.

E, assim como Maria entregou ao mundo o maior exemplo de amor e sacrifício, a senhora, dona Eliane, nos entregou um homem que, embora mortal, nos ensinou o que é ser eterno no coração de um povo. Não apenas pelo que fez dentro das quatro linhas, mas pelo que representou fora delas. Geromel não é apenas um ídolo; é um símbolo de tudo que desejamos ver no futebol e, mais ainda, na vida.

Enquanto o apito final ecoava no estádio e a torcida gritava seu nome, percebi que não estávamos nos despedindo de um jogador, mas celebrando uma lenda que escolheu caminhar ao nosso lado. Seu legado ficará em cada faixa hasteada, em cada canto entoado e no brilho emocionado dos olhos de quem teve a sorte de vê-lo jogar.

Por isso, obrigado, dona Eliane, por ter permitido que o Pedro, aquele menino da Vila Mariana, se tornasse o nosso Geromel. Hoje e sempre, ele será um pedaço de todos nós. E aquele abraço que trocamos, no calor de um gol histórico, simboliza o que Geromel é: um laço eterno entre a paixão e a gratidão.

Com carinho,
Um torcedor que, como tantos, nunca se esquecerá da família Geromel.

Mílton Jung

Conte Sua História de São Paulo: uma viagem pelo interior de um edifício histórico da cidade

Ivani Dantas

Ouvinte da CBN

São Paulo pulsa.

Cheia de vida se renova e encanta, ainda que o trabalho seja a sua principal característica. Foi há  20 anos que a cidade completou os seus 450 de existência. A importância do momento merecia um registro à altura.  Assim foi feito e assim tive a alegria de participar desse trabalho.

Na empresa estatal onde eu trabalhava, os preparativos para as comemorações incluíam uma pesquisa sobre o edifício sede, personagem importante no desenvolvimento do Estado de São Paulo. Começamos o trabalho do topo, no 25º andar.  Um mirante com 360º de uma vista de tirar o fôlego convidava a pousar os olhos na cidade que se traduz em força, trabalho e paixão. Foi Incrível vê-la daquele alto.  

Bem no coração da metrópole, o edifício foi construído na década de 1950, pelo escritório de arquitetura Ramos de Azevedo — aquele mesmo que construiu o Teatro Municipal, o prédio dos Correios, a Pinacoteca e tantas maravilhas mais que nos trazem orgulho. 

A ideia de compartilhar com o mundo aquela sensação ainda me toca. Lá estava eu, na companhia de um jornalista e historiador e outros profissionais, com a tarefa de deixar marcada na História de São Paulo a comemoração dos 450 anos. 

Marcas ficaram em mim e nos tantos que participaram desse registro.

De lá do mirante, descendo pelos andares, ouvi histórias dos tempos do descobrimento, e de como evoluiu a metrópole iniciada no Pátio do Colégio, sob o comando dos jesuítas. Dos rios e riachos, hoje escondidos por avenidas, até os tropeiros que cruzavam as estradas trazendo mercadorias, ouvi histórias do passado contadas de forma tão saborosa que para lá me transportei, imaginando como seria a vida naqueles tempos. 

Nesse clima de aventura cruzamos os painéis artísticos e afrescos feitos por encomenda ao artista italiano Gaetano Miani e outras obras de arte, até chegarmos ao subsolo para mais histórias que viriam a enriquecer meu repertório.

Um belíssimo cartão postal, uma atração à parte: o cofre! A porta impressiona pelo brilho do aço e pelas dimensões. Redonda, algumas toneladas de peso, uma fortaleza com trancas e respiros que remetiam à autoridade ali representada! Um sistema de segurança praticamente indevassável. Senhor absoluto na responsabilidade de proteger as riquezas depositadas. Fabricado na Alemanha chegou de navio para ser instalado envolto em um metro e meio de concreto, que o torna à prova de terremotos — mas, não temos terremotos !?

 Aqui chegou antes que se erguesse o prédio, com muitas histórias pra encantar, antes que lendas (ou verdades) povoassem sua presença no edifício. Aberta, a porta revela um novo desafio à imaginação:  cofres de aluguel, lacrados em sua maioria, encerram histórias, riquezas, quem sabe armas, cartas de amor, segredos de quem nem mais habita nosso mundo, e que levou consigo as chaves e os sonhos de muitos que por aqui ficaram. 

Sim, um pedaço de eternidade que pude visitar, para nunca mais talvez.

Naquele momento, e ainda hoje, penso no presente que a população ganharia com sua abertura à visitação. A cidade merece conhecer e se apropriar desse tesouro.  Com certeza olhinhos brilhariam de orgulho e curiosidade em saber mais sobre o mundo mágico que ali ficou escondido. Um espaço tão pouco conhecido e tão rico.

Que sorte a minha estar naquela hora, naquele lugar. 

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Ivani Dantas  é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva agora o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, viste o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Na falta de comunicação, a fofoca vira chefe

Sabia a última da Cássia? 

O que ela fez ontem depois de sair aqui do jornal? 

Antes de falar, deixa eu contar outra coisa.

Toda firma tem um fofoqueiro de plantão, aquele que parece ter a agenda cheia, mas ainda encontra tempo para se atualizar sobre os segredos da empresa. Esse personagem universal é uma espécie de “CGO — Chief Gossip Officer”. E, curiosamente, é mais frequente nas organizações que falham na comunicação interna.

Um estudo recente da Universidade de Stanford foi ainda mais longe. Segundo os pesquisadores, a fofoca é uma espécie de ferramenta evolutiva. Ao que tudo indica, somos propensos a fofocar porque isso ajuda a proteger nossa reputação e a nos manter informados. E, você haverá de admitir, saber da vida alheia é tentador. É quase como uma sobremesa após o almoço: nem sempre é saudável, mas é difícil resistir.

Porém, as conseqüências da fofoca podem ser devastadoras em um ambiente de trabalho. Não raro, informações distorcidas geram conflitos, prejudicam relacionamentos e criam um clima de desconfiança generalizada. Mais grave ainda é o impacto na produtividade: enquanto tentamos decifrar quem disse o quê sobre quem, o foco nas tarefas principais vai embora.

O paradoxo é que, muitas vezes, o fofoqueiro se torna protagonista porque a empresa deixou espaços para ele atuar. Se os gestores comunicam mal ou pouco, esses vácuos são rapidamente preenchidos por interpretações criativas e boatos. Sem canais claros e confiáveis de comunicação, qualquer corredor vira estúdio de podcast informal.

Agora, imagine o impacto de uma estratégia eficiente de comunicação interna: boletins informativos regulares, murais digitais, espaços abertos para feedback e lideranças acessíveis. Empresas que investem nesses recursos não apenas reduzem os boatos, mas também criam um ambiente de transparência e confiança. Quando as mensagens são claras, consistentes e bem distribuídas, o fofoqueiro titular perde protagonismo e o foco volta para o que realmente importa.

Portanto, aqui vai um conselho para as organizações: antes de gastar energia tentando conter as fofocas, dediquem-se a comunicar bem. Afinal, é mais fácil evitar o fogo do que apagar o incêndio. E, convenhamos, menos boatos nos corredores significa mais produtividade nos escritórios. Talvez até sobre um tempinho para o café—sem a culpa de um segredinho compartilhado.

Sobre a última da Cássia não vou contar não, porque fofoqueiro não sou.

Quer saber mais sobre comunicação?

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Mundo Corporativo: Thaís Nicolau conta como ousadia e IA conectaram Will Smith à Nomad

Thaís no estúdio do Mundo Corporativo. Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“Se você só é criativo por ser, quando isso não está linkado aos objetivos de negócio, a criatividade vira legalzice.”

Thaís Souza Nicolau, Nomad

Convencer Will Smith a protagonizar sua primeira campanha publicitária foi apenas o início de uma estratégia que colocou a Nomad, fintech brasileira, no centro das atenções no mercado de finanças. A empresa, fundada há apenas quatro anos, apostou em ousadia, criatividade e inteligência artificial para se destacar em um setor competitivo. Essa abordagem, segundo Thaís Souza Nicolau, diretora de marketing da startup, foi fundamental para consolidar a marca. O tema foi destaque no programa Mundo Corporativo, da CBN.

Criatividade que gera resultados

Para Thaís, a criatividade não é um fim em si mesma, mas um meio para atingir objetivos concretos de negócio. “Você pode utilizar a criatividade para gerar uma emoção nas pessoas, para gerar conversa, mas ela precisa estar alinhada aos desafios e metas da empresa,” afirmou. Essa visão orientou o desenvolvimento da campanha com Will Smith, que não apenas deu visibilidade à marca, mas reforçou sua mensagem central: a Nomad é a maior aliada dos consumidores no uso de contas internacionais e investimentos no exterior.

A campanha se destacou tanto pela escolha do astro de Hollywood quanto pelo uso de inteligência artificial. Em uma iniciativa inovadora, a tecnologia foi usada para fazer Will Smith falar português fluentemente no comercial, além de outros idiomas, como espanhol e japonês. “Queríamos materializar o conceito de que a Nomad rompe barreiras, assim como o dinheiro dos nossos clientes”, explicou Thaís.

Um passo além na comunicação

Para alcançar relevância no mercado, especialmente com recursos limitados, a estratégia da Nomad focou em campanhas potentes que gerassem conversa. Thaís relembra sua experiência no Burger King, onde aprendeu que ousadia e criatividade podem compensar um orçamento limitado. “Não ter a maior verba de mídia do mercado exige conceitos criativos que reverberem e atraiam a atenção do público de forma consistente.”

Outro destaque na estratégia de Thaís foi o engajamento interno. Antes do lançamento da campanha, a equipe da Nomad foi a primeira a conhecê-la, garantindo alinhamento e entusiasmo entre os colaboradores. “Esse tipo de co-criação ajuda a refinar o conceito, com base em diferentes perspectivas, sem perder a essência original”, disse.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast.

Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves, Letícia Valente e Priscila Gubiotti.