Jornada do consumidor: uma odisseia na loja de eletrodomésticos

Da experiência do consumidor sei muito mais por empirismo do que por ciência. O que os especialistas chamam de CX (Customer Experience) deixo para os colegas da WCES. Eles são craques no assunto. Meu conhecimento vem do simples fato de ser consumidor – e de consumir desde os tempos em que não havia internet, frete grátis e entrega em casa. Era preciso ir à loja, confiar no conhecimento do vendedor e torcer para que o produto desejado estivesse em estoque. Caso contrário, ouvia-se a clássica sentença: “Volte amanhã!”

Neste fim de semana, resolvi me aventurar novamente em uma loja de eletrodomésticos. Dessas grandonas, âncoras de shopping center. Insisto nessa experiência, mesmo sabendo que, do conforto do sofá, tenho tudo à disposição no computador. O produto que eu queria não tinha preço exposto. Pedi ajuda à atendente, que imediatamente recorreu ao celular. “O sistema está lento”, justificou. Confesso que fiquei tentado a pesquisar por conta própria, mas, paciente que sou, esperei.

Gostei do preço e, quase triunfante, soltei: “Vou levar!”.  A vendedora fez nova consulta ao celular. Desta vez, para verificar o estoque. Não tinha, mas ela garantiu que, em dois dias, o produto estaria na minha casa. Ótimo, vamos fechar a compra.

Então veio a pergunta: “Qual o CEP?” Informei. O sistema, no entanto, só reconhecia o nome do condomínio, mas não aceitava a entrega sem um número do prédio. “O número do prédio?”, perguntou-me. Expliquei que meu prédio tem nome de árvore e que nunca teve número. “Basta colocar o nome e o número do apartamento”, tentei. Mas o sistema queria um número que não existia.

Diante do impasse, ela pediu licença e foi até um computador no fundo da loja. Sentou-se diante dele iniciando uma experiência de profunda interação e pouquíssima aceitação. Ela clicava, esperava. Esperava, re-clicava. Digitava meus dados e os anotava em um pedaço de papel. Talvez desconfortável com a falta de empatia da máquina, começou a se atrapalhar com os números. Para ajudá-la, passei a ditá-los no ritmo de locutor de rádio – modéstia à parte, tenho jeito para isso.

Enquanto acompanhava a batalha entre ela e o computador (que, desconfio, ainda rodava DOS), percebi um problema persistente: a senha dela não conversava com o login. O mais curioso foi vê-la testando diferentes logins, como se estivesse jogando um jogo de adivinhação.

Quando o processo finalmente parecia perto do fim, saquei o celular para pagar com o cartão digital, em quatro vezes sem juros (mentira, né, Teco Medina?). O sistema seguiu lento. O pagamento não se completava. A solução? Atravessar a loja para tentar outro computador. É isso que chamam de jornada do consumidor, Thiago Quintino?

Depois de minutos suficientes para eu ter feito mais de uma compra pelo celular e seguido a vida, o processo foi finalizado. Recebi o comprovante do cartão de crédito e a promessa de que a nota fiscal e os demais documentos chegariam com o produto em dois dias.

Enquanto tudo isso acontecia, contei pelo menos seis ou sete vendedores e representantes de marca conversando entre si, sem muitos fregueses para atender. O tempo que desperdicei sem sequer sair da loja com o produto me fez questionar: o que ainda motiva consumidores como eu a insistirem nessa experiência?

Porque, convenhamos, um modelo como esse não pode ser sustentável.

Avalanche Tricolor: Grêmio se reinventa e sonha com o Octa

Grêmio 2×1 Juventude
Gaúcho – Arena Grêmio, Porto Alegre RS

Cristian Oliveira foi um dos destaques do time. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Temos um time para a temporada. Essa é a melhor notícia do fim da noite de sábado. Espero que Gustavo Quinteros tenha a oportunidade de construí-lo e dar consistência à equipe, a tempo de conquistar o octacampeonato. O tamanho dessa missão pode ser medido pela quantidade de jogadores recém-chegados que disputaram essa partida de semifinal: sete deles estiveram em campo, dos quais cinco como titulares. Alguns mal devem ter desfeito as malas. Alguns se comunicam apenas pela linguagem da bola.

Mesmo sem o devido entrosamento, a equipe já demonstra uma ideia clara de jogo, movimentação coordenada, jogadas ensaiadas e um futebol empolgante para o torcedor. Ainda há falhas na execução de algumas jogadas e ajustes a serem feitos na saída de bola da defesa. Quinteros tem alternativas no elenco, o que propicia mudanças conforme a necessidade da partida e substituições à medida que a intensidade do futebol proposto cause cansaço.

Com os reforços e o novo treinador, jogadores que antes já se destacavam ganharam ainda mais protagonismo: João Pedro, Villasanti, Monsalve e Braithwaite são exemplos disso. Na partida deste sábado, foram fundamentais para a vitória.

Dos reforços, Cristian Oliveira se destaca pelos gols decisivos que marcou nas duas partidas em que esteve em campo. Amuzu, mesmo com pouco tempo, consegue mostrar seu potencial — e o gol da vitória teve participação importante dele. Terá de mostrar se tem físico e dimensão para manter sintonia com a forma como o time marca e retoma a bola assim que o adversário planeja o ataque.

Cuéllar e Camilo, volantes com cara de volantes, tendem a dar a consistência que o setor defensivo busca há duas temporadas. Thiago Volpi tem feito defesas difíceis em momentos cruciais, sem contar o feito do meio da semana, na Copa do Brasil.

O placar da primeira semifinal poderia ter sido mais elástico, especialmente porque defenderemos a classificação na casa do adversário. Fizemos por merecer mais. Tivemos a oportunidade de abrir dois gols de vantagem, o que abateria o adversário logo cedo, mas, infelizmente, a incompetência de quem deveria sinalizar o pênalti, que aconteceu ainda no primeiro tempo, nos prejudicou. Sofremos o empate. No segundo tempo, dominamos a maior parte do jogo, passamos à frente do placar e por muito pouco não ampliamos.

Teremos uma tarefa difícil em Caxias do Sul. O caminho para o octacampeonato ainda vai nos impor muitos desafios. Quinteros, ao menos, terá uma semana livre para ajustar a equipe. E o fará com a certeza de que temos um time para a temporada. E essa é a certeza que anima os gremistas para o que vem pela frente.

Dez Por Cento Mais: descobrindo a calma da mente em um mundo acelerado

Ansiedade e estresse dominam a rotina de milhões de pessoas. Diante dessa realidade,  encontrar equilíbrio emocional tornou-se um desafio essencial. Para Léo Simão, essa busca não apenas mudou sua vida, mas também se transformou em um método prático de autodesenvolvimento. Sua experiência pessoal de superação o levou a estudar filosofia, neurociência e espiritualidade para compreender como a mente humana pode ser treinada para viver com mais serenidade. Criador da metodologia “Calma da mente”, Léo compartilhou essa jornada em entrevista ao canal Dez Por Cento Mais, apresentado pela jornalista e psicóloga Abigail Costa.

Léo Simão destaca que um dos aprendizados mais transformadores de sua vida foi a percepção de que não somos nossos pensamentos. “Os pensamentos são como nuvens, eles vêm e vão, mas nós somos o céu, a presença que permanece”, explicou. Esse conceito, presente em diversas tradições filosóficas e espirituais, ajudou-o a desenvolver uma nova perspectiva sobre a mente e o controle das emoções. 

Os dois atos de uma vida e a crise existencial

A jornada de Léo Simão pode ser dividida em dois momentos distintos. No primeiro ato, ele alcançou grande sucesso empresarial, fundando uma empresa que faturava centenas de milhões de reais e recebendo prêmios de empreendedorismo. Apesar de toda a conquista material, sentia-se vazio e ansioso. “O dinheiro e o sucesso não resolveram minha busca interior”, confessou.

O segundo ato começou com uma grande reviravolta: a perda de sua empresa, separação conjugal e um quadro de depressão profunda. Em 2021, ele enfrentou outro desafio ao contrair Covid-19 de forma grave, ficando internado na UTI. Essa experiência o fez confrontar sua própria mortalidade e ressignificar seu propósito de vida.

Em busca de respostas, Léo mergulhou na leitura de textos religiosos, filosóficos e científicos. Explorou desde a Bíblia e os livros de Allan Kardec até obras como Meditações, do imperador romano Marco Aurélio. “Foi como se todas as peças do quebra-cabeça finalmente se encaixassem”, relatou sobre a influência do estoicismo em sua vida.

Ele descobriu que a chave para uma vida mais equilibrada está na prática de valores e virtudes. “A vida não é sobre nós, mas sobre as pessoas que tocamos”, refletiu, destacando a importância do autoconhecimento e da contribuição para o bem-estar coletivo.

A criação do método “Calma da Mente”

A partir de sua experiência, Léo estruturou o programa “Calma da Mente”, um treinamento voltado ao desenvolvimento da inteligência emocional. O método baseia-se em três pilares:

  • Atividade física: Estudos mostram que exercícios aumentam os níveis de dopamina e reduzem o estresse.
  • Fé e gratidão: A crença em algo maior reduz a ansiedade e melhora a resiliência emocional.
  • Reprogramação mental: Técnicas de respiração, escrita e visualização ajudam a mudar estados emocionais negativos.

O sucesso do método levou Léo a ministrar palestras para empresas e até para forças policiais, impactando milhares de pessoas. “O que ensino é sobre sair do caos mental e encontrar um estado de equilíbrio e produtividade”, explicou.

Seu livro, 365 Dias com a Calma da Mente, segue a estrutura de um guia diário, com reflexões baseadas no estoicismo. Cada página apresenta um ensinamento acompanhado de um QR Code que direciona o leitor para um episódio do podcast “Meditação Estoica”, onde ele aprofunda o tema do dia.

A história de Léo Simão é um exemplo de como é possível transformar crises em oportunidades de crescimento. Ao adotar estratégias para treinar a mente e desenvolver a inteligência emocional, ele encontrou um novo propósito e hoje compartilha esse conhecimento para ajudar outras pessoas a alcançarem o equilíbrio e a paz interior.

Assista ao Dez Por Cento Mais

O canal de YouTube Dez Por Cento Mais, apresentado pela jornalista e psicóloga Abigail Costa, traz programas inéditos e ao vivo, quinzenalmente, às quartas-feiras, ao meio-dia. 

Avalanche Tricolor: no limite do desespero

São Raimundo 1 (1) x (4) 1 Grêmio
Copa do Brasil – Canarinho, Boa Vista, RR

Volpi, o protagonista. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

A partida era contra o vice-campeão estadual de Roraima. O estádio acanhado, de gramado irregular, tinha espaço para cerca de 5 mil torcedores — lembrava mais um campo de várzea do que um palco para um gigante do futebol brasileiro. Em campo, o desequilíbrio era evidente no papel: qualquer jogador gremista que pisou no gramado ganha, ao fim de um ano, mais do que toda a folha salarial do adversário. Mas isso não bastou para dar ao Grêmio superioridade enquanto a bola rolava.

O time produziu pouco no ataque, sofreu com a falta de entrosamento e saiu atrás no placar, castigado por um contra-ataque no segundo tempo. Por muito pouco, não voltou para Porto Alegre com um vexame na bagagem, após cruzar quase 10 mil quilômetros de distância. Uma eliminação precoce na primeira rodada da Copa do Brasil seria um golpe duro para a autoestima do torcedor e para as expectativas na temporada de 2025.

Foi só nos acréscimos, aos 47 do segundo tempo, já com um jogador a menos depois da expulsão de Edmilson, que o Grêmio conseguiu acertar o gol. E a bola entrou. Cristian Oliveira, o uruguaio recém-chegado, matou no peito após a sobra de um escanteio, bateu firme e colocou no ângulo, sem chances para o goleiro. Mesmo considerando as diferenças técnicas, financeiras e estruturais entre os dois times, arrisco dizer que a mística da imortalidade se insinuava ali.

Mas a classificação ainda exigiria mais um teste para os nervos. O novo regulamento da Copa do Brasil determina que, nas fases iniciais, um empate leva a decisão para os pênaltis. Foi quando, enfim, a superioridade gremista apareceu.

Braithwaite, Jemerson e Arezo converteram com segurança. O São Raimundo desperdiçou a primeira cobrança chutando para fora. Depois, Thiago Volpi brilhou: defendeu a terceira batida e assumiu a responsabilidade na última cobrança. Bateu com categoria, definiu a classificação e evitou um fiasco.

Diante do que se desenhava ao longo da partida, a se comemorar o fato de o Grêmio não ter desistido em nenhum momento. Teve jogadores com frieza para converter os pênaltis e um goleiro que não apenas defendeu, mas decidiu. Foi mais sofrido do que deveria, mas o alívio final lembrou que, no futebol, por vezes, a glória nasce no limite do desespero. “É a Copa do Brasil”, disse Volpi com um sorriso no rosto.

Avalanche Tricolor: BaitaWaite!

Grêmio 5×0 Pelotas
Gaúcho – Arena Grêmio, Porto Alegre RS

Foto: Lucas Uebel

Martin Braithwaite chegou ao Grêmio no ano passado com uma tarefa ingrata: substituir Luis Suárez — afirmação que dispensa explicação. O dinamarquês logo chamou atenção do torcedor, assim como dos colegas e jornalistas que acompanham o dia a dia do clube. Seu comprometimento com o time era evidente dentro e fora de campo — e olha que o atacante pegou o Grêmio em uma temporada bem complicada.

Partida após partida, Braithwaite, aos 33 anos, tem se revelado melhor e maior. Está longe de ser aquele centroavante que fica cravado entre os zagueiros à espera de uma bola para decidir o jogo. Desloca-se o tempo todo, comanda o ataque e orienta o meio de campo. Leva os zagueiros de um lado para o outro, abrindo espaço para os companheiros na área. Assim como cede a bola nas assistências, também surge para recebê-la em condições de chutar ao gol. Também bate bem pênalti como vimos no fim de semana, no Gre-Nal.

Antes do primeiro gol gremista, nesta terça-feira à noite, Braithwaite já havia propiciado dois ou três lances interessantes com passes velozes e talento no toque de bola. Os dois gols que ele marcou, sacramentando a vitória gremista ainda no primeiro tempo, demonstraram outra qualidade do atacante: o tempo certo para saltar e se impor sobre os zagueiros na bola aérea. Fez os dois gols de cabeça depois de receber cruzamento qualificado de Edenílson.

O início de temporada de Braithwaite nos permite ter esperança de que o ano seja promissor, à medida que Gustavo Quinteros ajuste a movimentação da equipe, especialmente no meio de campo, e equilibre o ataque, que tem funcionado melhor pelo lado direito.

Independentemente do que venha por aí, arrisco dizer que esse dinamarquês, com visual de viking e movimentação de craque, é um BaitaWaite — com o perdão do trocadilho.

Avalanche Tricolor: sobreviver ao Gre-Nal não é o bastante

Grêmio 1×1 Inter
Gaúcho – Arena Grêmio, Porto Alegre RS

Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Há anos longe de Porto Alegre, assistir ao Gre-Nal à distância me poupa da tensão pré-clássico. Mas só até certo ponto.

Deixo de vivenciar a agitação que toma conta da cidade natal. Chego à padaria — aqui isso é uma instituição — e ninguém está falando do que acontecerá no fim de semana em Porto Alegre. No máximo, Françoise, que me traz o pão na chapa com uma xícara de expresso duplo, pergunta: “Como está o gremista?”, mais para demonstrar intimidade do que por real preocupação com o risco iminente.

Nas ruas de São Paulo, o desfile de camisas de futebol não segue a moda gaúcha, em que a tricolor e a encarnada dividem espaço no ponto de ônibus, na porta da escola ou nos centros comerciais. No escritório — no meu caso, a redação — o Gre-Nal é raramente mencionado entre os colegas. Quando muito, surge em um breve comentário do único conterrâneo que, para meu infortúnio, torce para “eles” — por isso, o evito.

O clássico gaúcho costuma se apresentar para mim durante os bate-papos esportivos no programa que apresento, quase como uma galhofa dos amigos comentaristas. Afinal, eles têm de se preocupar mesmo é com o que vai acontecer no Campeonato Paulista ou no Carioca. Sou alcançado pelos sentimentos que nos movem às vésperas do Gre-Nal principalmente pelas mensagens nas redes sociais ou no grupo de WhatsApp que reúne torcedores e ex-jogadores, do qual faço parte. Esse cenário me deixa imune a boa parte das polêmicas e discussões que inflamam a cidade na semana do clássico.

Mas, à medida que o horário da partida se aproxima, a ansiedade toma conta dos meus pensamentos. O torcedor que vibrou no Olímpico Monumental ressurge, esquecendo a racionalidade e se entregando à adrenalina do clássico. Diante da bola que cruza a área do meu time, estico a perna no sofá para fazer o papel que os zagueiros deixaram de cumprir. A tentativa de cabeceio do meu atacante é acompanhada pelo movimento do meu corpo. E os dedos das mãos deslizam pelos cabelos, percorrendo da testa à nuca, em repetidos gestos que revelam a tensão.

No sábado à noite, tudo isso se manifestava diante da televisão, que exibia um time ainda claudicante: abrindo mão da troca de passes no meio de campo, esticando muitas bolas para o ataque e aproveitando pouco as raras chances de gol. Na defesa, cada chegada do adversário parecia um perigo iminente, apesar de algumas boas intervenções de Gabriel Gandro, goleiro que ainda se esforça para ganhar a confiança do torcedor.

A partida ficou menos tensa depois da parada para que a regra fosse cumprida. E aqui um parêntese: apesar de meus colegas jornalistas — e aparentemente Roger, também — terem tratado com surpresa o regulamento que pune o técnico sempre que alguém da sua comissão é expulso, essa regra já está prevista há alguns anos no futebol gaúcho.

No segundo tempo, as chances apareceram com um pouco mais de insistência, a ponto de termos forçado um pênalti bem marcado pelo VAR — o que fez calar alguns amigos que me escrevem com teorias da conspiração de que toda a decisão dos árbitros é contra o nosso time. Isso também faz parte da tensão do Gre-Nal, eu sei.

O pênalti premiou o melhor jogador do Grêmio na atualidade. Martin Braithwaite marcou seu primeiro gol em um Gre-Nal com uma cobrança segura. Nosso atacante passou o clássico em busca de um companheiro que se aproximasse, tabelasse, surgisse para receber a bola e devolvê-la em condições de chute. Encontrou poucos e teve de se virar por conta própria. Talvez o lance mais interessante, além do gol, tenha sido os dribles na lateral do campo, onde deixou três marcadores para trás — a ponto de gesticular para os adversários, como quem pergunta: “Quem é o próximo?”. Sim, Gre-Nal tem dessas coisas, e a gente gosta.

A lamentar que as previsões de que nossa defesa não resistiria à pressão de um adversário um pouco mais calibrado nos chutes (ou cabeceios) tenham se confirmado. Menos de um minuto depois da euforia do gol e da esperança de que, talvez, desta vez, a eficiência superaria a técnica, fomos castigados por mais uma falha de marcação.

O empate final me deu a sensação de que apenas sobrevivemos ao Gre-Nal, e isso não me agrada. Imagino que também não tenha atendido às expectativas de Gustavo Quinteros. O novo técnico ainda tem muito trabalho pela frente e já percebeu que o Grêmio precisa melhorar consideravelmente se pretende conquistar, ao menos, o Octacampeonato nesta temporada.

Conte Sua História de São Paulo: comecei como office boy e passava pelas lojas da cidade

Por Marcos Antonio Afoloti

Ouvinte da CBN

No Conte Sua História de São Paulo, o ouvinte da CBN Marcos Antonio Afoloti, entre outras lembranças, destaca as lojas inovadoras da cidade: 

Nasci em 5 de setembro de 1952, no bairro Vila Munhoz, Vila Maria. Em 1959, comecei o curso primário nas Escolas Agrupadas de Vista Alegre, pertinho de casa. Ia a pé pelas ruas sem asfalto, mas com muito segura. Após quatro anos, para ingressar no ginasial, precisei fazer o exame de admissão, semelhante ao vestibular. Estudei na Escola Estadual José Maria Reys, referência em ensino público.

Em 1963, acompanhava minha mãe para um tratamento no Hospital Padre Bento, em Guarulhos, viajando no trem da Cantareira, que partia da estação Pauliceia, passando por Jaçanã e Vila Galvão. Entre 1964 e 1965, nas férias de julho, íamos a São Carlos no trem da Companhia Paulista de Estrada de Ferro, saindo da Estação da Luz. As paisagens rurais, com os laranjais de Limeira, são lembranças inesquecíveis.

De 1966 a 1968, nossa diversão era assistir, em casa, com os vizinhos à novela Redenção, da TV Excelsior, em um moderno aparelho Telefunken.

Em 1968, comecei a trabalhar como office boy, com registro em carteira profissional de menor, no edifício Rio Branco, na Barão de Itapetininga. Andava por todos os cantos entregando correspondências. Passava em frente a loja Pitter, a Mesbla e a Clipper, que inventou o Dia dos Namorados.

Já adulto, fui convocado a trabalhar como mesário e cheguei a presidente de mesa nas eleições da década de 70, quando os votos ainda eram em cédulas de papel. No fim do pleito, era minha responsabilidade entregar as urnas no Acre Clube, no Tucuruvi, encerrando mais um marco da cidadania paulistana.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Marcos Antonio Afoloti é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

(os textos originais, enviados pelos ouvintes, são adaptados para leitura no rádio sem que se perca a essência da história)

Valeu, Cortella: uma noite de aprendizados sobre fazer o melhor

Diante da plateia do Teatro da FAAP, sob os refletores que iluminavam a cena, eu me vi mais uma vez ao aldo de um grande mestre e amigo: Mário Sérgio Cortella. Um filósofo que não apenas pensa, mas ensina com a força de quem coloca a alma em cada palavra. Estávamos ali para falar sobre Faça o Teu Melhor, seu mais novo livro, publicado pela editora Planeta. Como sempre acontece quando se está ao lado de Cortella, falávamos, na verdade, sobre a vida.

A felicidade daquele momento veio acompanhada de um senso de responsabilidade: estar à altura do conhecimento que Cortella compartilha é um desafio. É preciso estar atento, conectado, disposto a mergulhar nas ideias e, claro, fazer o meu melhor para acompanhar a profundidade dos seus pensamentos. E ali, no palco, cercado pelo olhar atento do público, percebi que essa era exatamente a essência do que discutíamos. Fazer o nosso melhor não significa superar o outro, mas sim superar a nós mesmos, a cada dia, na condição que temos, enquanto não temos condições melhores para fazer ainda melhor.

O livro de Cortella nasce dessa provocação. Inspirado na citação de Ricardo Reis, heterônimo de Fernando Pessoa, ele nos convida a colocar quanto somos no mínimo que fazemos. Não é sobre grandeza medida por status ou reconhecimento externo, mas sobre excelência como um compromisso pessoal. Um antídoto contra a mediocridade, essa doença silenciosa que se esconde no vou fazer o possível quando, na verdade, deveríamos dizer vou fazer o meu melhor.

No palco, entre reflexões e risadas, Cortella lembrou de sua infância em Londrina e da decisão que tomou aos 12 anos de idade: fosse qual fosse sua profissão, ele se recusaria a ser medíocre. E essa recusa não era uma obsessão pela perfeição, mas um compromisso com a entrega. “Não quero ser o melhor professor do mundo, quero ser o melhor professor que eu posso ser”, disse ele, com aquela clareza desconcertante que nos obriga a olhar para dentro.

Fazer o nosso melhor, explicou Cortella, não significa apenas aperfeiçoar uma técnica ou adquirir mais conhecimento. Envolve um compromisso ético e estético: fazer bem o que precisa ser feito e, ao mesmo tempo, fazer de forma bela, digna, significativa. Como um cozinheiro que não apenas prepara um prato, mas coloca ali seu esmero. Como um jornalista que não se contenta com uma pauta mediana, mas busca um ângulo mais profundo. Como um médico que não apenas prescreve, mas se importa. Como um professor que não apenas transmite, mas transforma.

Esmero foi a palavra que ganhou lugar privilegiado no palco e, ao fim da noite, no autógrafo grafado nos exemplares dos livros levados carinhosamente pelos leitores presentes. Cortella a descobriu em Os Maias, de Eça de Queirós, na cena em que Baptista recebe Carlos e “preparava com esmero um grogue quente”. Para ele, esmero vai além do cuidado: é o refinamento que dá polimento ao que fazemos, elevando cada ação ao seu melhor acabamento possível.

Conversamos também sobre a síndrome do possível, essa armadilha do conformismo em que nos contentamos com o mínimo necessário para seguir adiante. Quantas vezes ouvimos (ou dizemos) eu fiz o possível quando poderíamos ter nos esforçado mais? E o quanto essa mentalidade, tão enraizada, nos afasta da excelência? No palco, rimos da lembrança de um boletim escolar cheio de notas medianas e da justificativa clássica: pai, deu para passar. Passar não é suficiente. Viver no rascunho não basta.

Entre tantas reflexões, ficou um ensinamento precioso: a excelência não é um ponto de chegada, mas um horizonte. Não é um troféu para ser ostentado, mas um compromisso diário. Não exige perfeição, mas exige que estejamos em movimento. Fazer o nosso melhor, na condição que temos, enquanto não temos condições melhores para fazer ainda melhor.

E quando o talk show chegou ao fim, depois de um mergulho profundo nessas ideias, deixei o palco com a certeza de que aquele encontro não terminava ali. As palavras de Cortella ecoariam nos pensamentos do público, assim como ressoavam em mim. Enquanto nos despedíamos, troquei com ele um sorriso e disse, com a simplicidade que o momento pedia:

— Valeu, Cortella.

E valeu mesmo. Porque foi um daqueles encontros que fazem valer a pena.

Ouça a entrevista completa com Mário Sérgio Cortella

O que a IA não sabe sobre a linguagem humana

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A linguagem é a morada do ser”, escreveu o filósofo Martin Heidegger, e poucos conceitos me parecem tão essenciais quanto este. Nossa relação com as palavras define o mundo que habitamos. Elas moldam nosso pensamento, aproximam ou afastam, constroem e destroem. São, ao mesmo tempo, ferramenta e espelho de quem somos. Talvez por isso eu tenha ficado tão surpreso ao ler uma reportagem do jornal La Nación, publicada em janeiro, sobre uma análise de inteligência artificial que classificou ‘basicamente’, ‘óbvio’ e ‘simplesmente’ como três das seis palavras usadas por pessoas com menor capacidade intelectual.

Basicamente, fiquei perplexo.

Óbvio que fui conferir se havia algum fundamento na pesquisa.

Simplesmente, não encontrei.

A reportagem afirma que essas palavras são usadas por pessoas ‘menos inteligentes’ ou que tendem a fazer generalizações constantes sobre tópicos que não conhecem.

Fiquei imaginando um escritor, um professor ou até um grande cientista sendo julgado por um algoritmo por ousar resumir uma ideia com um ‘basicamente’. Será que Stephen Hawking jamais teria usado um ‘simplesmente’ para tornar uma explicação mais acessível? Ou será que Einstein, entre suas reflexões sobre espaço e tempo, nunca disse que algo era ‘óbvio’?

Intrigado, e nada convencido, busquei nos textos de meu poeta preferido argumentos para derrubar essa “tese artificial”.  Abri o arquivo com as poesias completas de Mário Quintana, um mestre das palavras simples e profundas. Passei os olhos pelas páginas (de verdade, usei o recurso de busca de meu computador) e lá estava ela: ‘simplesmente’. Não uma, nem duas, mas 59 vezes. E em um de seus versos, a palavra surge duas vezes, com uma força que só a poesia é capaz de dar:

A arte de viver
É simplesmente a arte de conviver…
Simplesmente, disse eu?
Mas como é difícil! …

Se ‘simplesmente’ fosse um indicador de menor capacidade cognitiva, teríamos que reavaliar a genialidade de Quintana. Mas a verdade é que vivemos uma época em que dados são tratados como verdades absolutas e, pior, quando esses dados vêm de uma inteligência artificial, a tendência é aceitar sem questionar. Se a IA afirma, deve ser real. Se uma análise estatística sugere um padrão, deve haver um significado profundo. Mas, na pressa de transformar palavras em evidências de QI, esquecemos que a linguagem não é uma equação. Ela é viva, mutável, cheia de nuances que nenhum algoritmo consegue capturar por completo.

E, por favor, não me entendam mal. O avanço da inteligência artificial é fascinante. Mas precisamos lembrar que, no fim das contas, a máquina só reflete aquilo que ensinamos a ela. Se dermos a ela um dicionário reduzido, ela nos devolverá uma visão limitada. Se programarmos para que encontre padrões onde eles não existem, ela os criará.

As palavras, todas elas, são bem-vindas. Desde que usadas apropriadamente, não há expressão inútil, insignificante ou indigna. O segredo não está em proibi-las, mas em saber quando e como utilizá-las. Porque o que define nossa inteligência não é a palavra que escolhemos, mas o pensamento que conseguimos expressar com ela. 

O poder da comunicação verbal

Na certificação internacional de comunicação estratégica, que apresento em parceria com a WCES, a importância da palavra bem dita é um dos destaques quando falamos dos três recursos da comunicação: o verbal, o não verbal e o vocal. 

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O impacto da IA na comunicação

Na edição revista e ampliada de “Escute, expresse e fale – domine a comunicação e seja um líder poderoso”, analisamos o impacto que a IA tem na comunicação e na forma como os líderes fazem a gestão de suas equipes nas empresas. A nova versão do livro escrito por mim, António Sacavém, Leny Kyrillos e Thomas Brieu está disponível no site da editora Rocco.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o crescimento das marcas próprias no Brasil

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As marcas próprias das redes varejistas estão se consolidando como estratégias de negócio cada vez mais relevantes no Brasil. Criadas e comercializadas por supermercados, farmácias e lojas de diversos segmentos, essas marcas oferecem alternativas de custo-benefício e fidelizam consumidores. Esse é o tema do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso.

“O que se busca com essas iniciativas é trazer um custo-benefício ao consumidor, oferecendo uma proposta de valor diferenciada das opções tradicionais”, explica Cecília Russo. Em alguns casos, a marca própria leva o nome da rede varejista; em outros, é criada uma identidade independente, com logotipo e visual descolados da empresa-mãe. No exterior, essa prática é ainda mais desenvolvida: “Redes na Europa chegam a faturar mais de 60% do total das vendas com produtos de suas próprias marcas”, destaca Cecília.

O mercado brasileiro, ainda em estágio de maturidade inferior ao de Estados Unidos e Europa, tem expandido a adoção dessas estratégias por três principais motivos: “Elas são uma arma de negociação contra marcas mais fortes, ampliam a lucratividade e fortalecem a fidelização dos clientes”, diz Cecília. “Se a marca própria é boa, o consumidor volta para comprá-la e acaba adquirindo outros produtos na mesma loja.”

Jaime Troiano complementa com exemplos concretos. “O Grupo Koch, maior rede de supermercados de Santa Catarina e décima maior do Brasil, tem a marca BonTraz, que abrange diversas categorias de produtos, de pão de queijo a papel toalha”, afirma. Ele também cita experiências passadas: “Trabalhamos com Taeq, do Pão de Açúcar, e criamos as marcas Go New e All 4 One para a Netshoes”. Nos Estados Unidos, o exemplo mais expressivo é o atacadista Costco, cuja marca própria faturou 56 bilhões de dólares em 2023, superando marcas globais como Nike e Coca-Cola.

A marca do Sua Marca

A expansão das marcas próprias é uma oportunidade para varejistas, mas também um desafio. “Qualidade deve ser sempre uma condição essencial. Afinal, é a própria marca do varejo que está em jogo”, alerta Cecília. Criar uma marca própria exige uma mentalidade diferente da simples comercialização de produtos de terceiros. “Aquilo que pode ser vantajoso também pode se tornar uma armadilha”, conclui.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após as 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo