O susto e a raiva

Dra. Nina Ferreira

@psiquiatrialeve

Foto de Pixabay

Existe algo que tem um poder enorme sobre nós, seres humanos: o erro. Vindo de nós mesmos, nos assusta: “Como pude fazer isso?” e nos gera raiva: “Que ódio de mim!” Quando o erro vem dos outros, a intensidade pode modificar – pra cima ou pra baixo – mas eles brotam e incomodam.

Por que o erro nos bagunça tanto?

Um ponto a considerar: o erro nos deixa vulneráveis. Ele mostra que a vida é imprevisível, que qualquer coisa pode acontecer a qualquer momento. Verdade dura, realista, mas que insistimos em fingir que não está ali – tanto que temos a ilusão do controle: “Se eu fizer tudo certo, ficará tudo bem”.

Outro ponto: o erro, quando é nosso, nos envergonha, mostra nossos defeitos. Errar é evidência clara e inquestionável da nossa imperfeição. E querer ser perfeito é um desejo que nunca acaba, em nenhum de nós – porque o perfeito é prazeroso, agradável, admirado e amado – quem não quer isso pra si? Então, lutamos pra não errar porque lutamos pra atingir esse lugar ideal – pensa só: um esforço enorme, uma vergonha profunda… pra chegar em um lugar que nem existe. Será que vale a pena?

E quando o erro é do outro? “Provocação, só pode. Como a pessoa ousa fazer isso?” Ah… a autorreferência. Esse nosso hábito de achar que é tudo sobre nós, para nos atingir ou incomodar… Então, parece uma afronta quando alguém erra e nos prejudica. Às vezes, pode até ser. E, muitas vezes, é só a pessoa existindo mesmo. Vamos pensar: já que todo mundo, mais cedo ou mais tarde, vai errar, será que não é mais libertador abandonar essa ideia de que é “contra a gente”? Porque essa tal autorreferência faz as consequências do erro serem ainda maiores – porque transbordam em mágoa.

Fantasia pensar que o susto e a raiva nos deixarão em paz sempre que erros ocorrerem. Em algum nível, eles estarão ali. O convite é: perceber e soltar. Fazer o erro ficar mais leve, para a gente mesmo e para os outros… isso sim está ao nosso alcance.

O susto e a raiva podem se transformar em aprendizado e recomeço. Bem mais agradável, não é?! Escolhamos o caminho da leveza!

A Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é médica psiquiatra, especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia.

Avós: novos tempos, novas regras

Martin Henkel

CEO da SeniorLab e Professor de Marketing 60+ na FGV

A imagem da avó dedicada integralmente aos netos, um arquétipo arraigado no imaginário popular, está sendo drasticamente reformulada. Um estudo da SeniorLab Mercado e Consumo 60+, com base em dados de 18.604 homens e mulheres 60+ de todo o Brasil cadastrados na Maturi, revela que “cuidar dos netos” ocupa apenas a 18ª posição na lista de hobbies preferidos das mulheres dessa faixa etária. Essa descoberta não apenas desafia estereótipos, mas também sinaliza uma mudança crucial no comportamento do consumidor sênior, com implicações significativas para o mercado. O mito da avó totalmente dedicada à família obscureceu por muito tempo a individualidade e os desejos das mulheres 60+. A pesquisa evidencia uma mudança de paradigma: essa persona está se transformando em um consumidor com novas demandas, aspirações, foco no seu cuidado e limites.

A longevidade crescente e a melhoria da qualidade de vida criaram um novo segmento de consumo: mulheres 60+ que buscam autonomia e realização pessoal. A aposentadoria, antes vista como um declínio, agora é percebida como uma oportunidade para investir em experiências e atividades que proporcionem bem-estar e prazer. A atividade física lidera o ranking de hobbies, seguida por viagens, culinária e atividades sociais. Esse perfil de consumo busca produtos e serviços que promovam saúde, bem-estar e experiências enriquecedoras onde a tecnologia desempenha um papel fundamental na vida das mulheres 60+, conectando-as ao mundo e abrindo novas oportunidades de consumo. A internet e as redes sociais são canais essenciais para alcançar esse público, oferecendo informações, produtos e serviços personalizados.

A mudança de prioridades das avós exige uma revisão das estratégias de marketing quando o ponto de interesse é a família. O foco não deve ser apenas nos produtos e serviços para netos, mas também nas necessidades e desejos das avós como consumidoras independentes. O mercado de produtos e serviços para o envelhecimento ativo e saudável está em franca expansão. As mulheres 60+ são um público-alvo promissor para empresas que oferecem soluções para saúde, bem-estar, lazer e educação. O novo Luxo da Consumidora 60+ é oautocuidado e o bem-estar. As empresas que oferecem produtos e serviços que promovam a autoestima, a saúde mental e a beleza têm um grande potencial de crescimento nesse mercado.

As marcas que desejam se conectar com o público 60+ precisam quebrar estereótipos e adotar uma nova narrativa, que valorize a autonomia, a individualidade e a diversidade das mulheres nessa faixa etária. A maturidade feminina é diversa e multifacetada. As empresas precisam adotar estratégias de marketing personalizadas, que primeiramente entendam e depois atendam às necessidades e desejos específicos de cada segmento. A mídia e o marketing têm um papel fundamental na reafirmação e consolidação de novas narrativas sobre a maturidade feminina. É preciso dar voz às mulheres 60+, mostrando suas histórias, seus desafios e suas conquistas.

As empresas que desejam se destacar no mercado 60+ precisam adotar uma postura de responsabilidade social e inclusão, oferecendo produtos e serviços acessíveis e adaptados às necessidades desse público. O futuro do mercado 60+ é gigante e trilionário, com um grande potencial de inovação e oportunidades. As empresas que forem bem orientadas e aprenderem a compreender as necessidades e desejos desse público estarão à frente da concorrência. Ao adotar práticas inclusivas e valorizar a diversidade, as empresas contribuem para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa.

O conceito de “Aging in Market” emerge como um pilar fundamental neste momento de redefinição estratégica para o mercado 60+. À medida que a sociedade evolui e os estereótipos tradicionais se desfazem, torna-se imperativo ajustar bússolas, narrativas e mensagens para refletir a realidade multifacetada desse público. Não se trata apenas de reconhecer o envelhecimento populacional como um fato, mas de compreender as nuances desse processo e como ele molda o comportamento do consumidor sênior e o quanto a indústria criativa ainda se baseia em preconceitos disfarçados de percepções. Ao adotar uma abordagem centrada no Marketing 60+ as empresas podem aperfeiçoar criar produtos, serviços e campanhas de marketing que ressoem autenticamente com o público 60+, construindo relacionamentos duradouros e impulsionando o crescimento.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o que o fenômeno Ozempic ensina sobre marcas

Um medicamento criado inicialmente para controlar o diabetes tipo 2 virou assunto obrigatório em conversas sobre saúde e comportamento, invadindo redes sociais e ganhando destaque em reportagens. Esse fenômeno, representado pela marca Ozempic, foi tema do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo, que analisaram por que o remédio conquistou tamanha relevância no mercado e o que outras marcas podem aprender com isso.

Jaime e Cecília apontam que parte fundamental do sucesso está no próprio nome Ozempic, porque permite diferentes interpretações, facilitando conexões pessoais com o público. Cecília Russo explica: “Nomes bons são aqueles que permitem que a gente construa histórias a partir dele”. É exatamente o que ocorre com Ozempic, cujo nome remete tanto a uma aplicação simples (“pic”) quanto à ideia olímpica de saúde (“ozem”).

Outro fator relevante destacado por Cecília é a forma como o medicamento expandiu sua utilidade, indo além do diabetes tipo 2 ao ser aprovado também para o tratamento da obesidade, aumentando significativamente seu alcance no mercado. A inovação na apresentação em forma de caneta também ajudou a diminuir o desconforto e aumentar a adesão ao tratamento pelos pacientes, um desafio conhecido na indústria farmacêutica.

Jaime Troiano chama a atenção ainda para outro ponto-chave: o valor percebido pelo consumidor. Apesar do preço elevado, “a percepção de valor é tão alta que o preço até que se justifica”, diz ele. Ozempic conseguiu atingir um patamar raro no mercado: o de ser visto pelos consumidores não como custo, mas como investimento.

Além disso, Jaime observa que Ozempic não apenas vendeu mais medicamentos, mas criou e lidera uma nova categoria. Ele reforça essa vantagem lembrando uma máxima do especialista em branding Washington Olivetto: “Aquele que ocupar primeiro o topo da montanha tem uma posição muito mais privilegiada”. 

As lições que fizeram do Ozempic uma marca forte

  1. Um nome que conta histórias 
  2. Expansão estratégica do público-alvo 
  3. Inovação prática e acessível 
  4. Valor que supera o preço 
  5. Pioneirismo estratégico

A marca do Sua Marca


A marca principal deste comentário é justamente mostrar que o sucesso de um produto depende diretamente da combinação entre valor percebido, inovação, posicionamento estratégico e identificação emocional com o público.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso


O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Avalanche Tricolor: o revés do Octa que me batizou gremista

Inter 1×1 Grêmio 

Campeonato Gaúcho – Beira-Rio, Porto Alegre, RS

Gre-Nal em 1969 em foto de arquivo

Era uma quarta-feira à noite quando o Grêmio desperdiçou a possibilidade de conquistar, pela primeira vez, o octacampeonato gaúcho: 17 de dezembro de 1969. Empatou o Gre-Nal, sem gols, no recém-inaugurado estádio José Pinheiro Borba, apelidado Beira-Rio.

Eu era apenas um guri de calções curtos, que havia completado seis anos em agosto de 1969. Lembro pouco daquele período, mas imagino que minha infância fosse muito mais simples do que a dos guris de hoje, expostos a todo tipo de estímulos digitais e uma infinidade de informações.

A história pessoal mais marcante daquele 1969 não ficou gravada na minha memória — porém, descobri, muitos anos depois, que estava registrada no meu coração. Ela era sempre contada pelos mais velhos nas reuniões em família, acompanhada de risadas, o que me levou a acreditar que fosse apenas um desses mitos familiares transmitidos entre gerações.

Por incrível que pareça, foi somente na vida adulta, já morando em São Paulo, que os fatos relatados pelos parentes foram confirmados por um dos protagonistas: meu pai, que dispensa apresentação aos caros e raros leitores desta Avalanche.

Vamos aos fatos: a perda do octacampeonato gaúcho fez com que o lado colorado do Rio Grande do Sul entrasse em êxtase. A flauta corria solta pela cidade, e os gremistas, desacostumados com aquela situação, andavam de cabeça baixa, provocados constantemente.

Lá em casa, na Saldanha Marinho, nas vizinhanças do Olímpico, falar de futebol passou a ser um tema proibido pelo meu pai – ao menos por aqueles dias. Eis que um primo de segundo grau resolveu fazer uma brincadeira (sem graça) e, aproveitando-se da minha ingenuidade, vestiu-me com uma camisa vermelha e me fez entrar em casa, com uma bandeirola colorada nas mãos, cantarolando “Papai é o maior”, espécie de hino não oficial do coirmão. Meu pai, irritado, pegou a bandeira e me deu umas palmadas para que eu aprendesse a lição.

Foi durante uma troca de posts em um blog de gremistas, ao contar como inspirei meus dois filhos a torcerem pelo Imortal Tricolor, que meu pai me surpreendeu com um pedido público de desculpas. Ele escreveu que eu havia sido muito mais inteligente do que ele na maneira de criar dois gremistas em casa e demonstrou arrependimento pelo ocorrido.

Além de dar boas gargalhadas ao descobrir que a história familiar era verdadeira, disse ao meu pai que ele não deveria se desculpar, pois a forma desajeitada com que agiu, talvez típica da educação da época, foi justamente o que me moldou gremista. A reação dele foi meu verdadeiro batismo. Foi a lição que precisei para entender qual era o lado certo da força, e eu agradecia por ele ter me conduzido na vida de torcedor.

Aprendi com meu pai, desde aquele dezembro de 1969, que os gremistas foram feitos para o sofrimento, para a luta eterna contra o improvável, para superar adversidades; somos imortais não porque não morremos, mas porque jamais desistimos, sabendo que a derrota de hoje nos fortalecerá para as conquistas futuras.

Sim, porque foi aquele Grêmio derrotado em 1969, que amargou oito anos seguidos de frustrações regionais na sequência, que se tornou forte o bastante para ganhar o título estadual de 77 e conquistar o Brasil, a Libertadores e o Mundial nos anos 1980.

O revés do octa de 1969 foi meu batismo tricolor. Que em 2025 muitos outros gremistas nasçam desta mesma essência épica e sofrida—mas por métodos mais saudáveis. Apesar de que das palmadas que levei, felizmente só restou mesmo o amor pelo Grêmio.

Mundo Corporativo: para ter eficiência energética é preciso entender onde estão os gastos, diz Marcelo Xavier, da GreenYellow

Reproduçao do vídeo do Mundo Corporativo

“Nada resiste ao trabalho. As oportunidades vão passar na sua frente diversas vezes, então você tem que estar preparado para elas.”

Marcelo Xavier, GreenYellow

Reduzir o consumo antes de investir em novas fontes de energia. Esse é o princípio básico que deveria guiar empresas em busca de eficiência energética, mas nem sempre é o caminho seguido. “Muitas vezes, as empresas pensam em colocar um telhado fotovoltaico sem olhar para as máquinas. Você acaba superdimensionando sua necessidade de energia, sendo que poderia reduzir o consumo antes”, afirma Marcelo Xavier, diretor-presidente da GreenYellow no Brasil. A gestão eficiente da energia e a transição para fontes renováveis foram tema da entrevista ao Mundo Corporativo.

Eficiência energética: por onde começar

O conceito de eficiência energética, segundo Xavier, se divide em duas frentes principais: redução de consumo e geração de energia renovável. “O primeiro passo é fazer um diagnóstico, entender onde estão os grandes gastos e otimizar os sistemas”, explica. A empresa atua identificando pontos de desperdício em processos como iluminação, refrigeração e climatização, realizando substituições e modernizações para minimizar custos e aumentar a eficiência.

Além disso, a transição para fontes renováveis deve ser feita de forma estratégica. “Reduzimos o consumo, depois dimensionamos a necessidade de geração com fontes renováveis, como energia solar”, destaca. Modelos de geração distribuída, em que usinas solares atendem unidades consumidoras remotamente, cresceram no Brasil nos últimos anos, mas agora enfrentam desafios com a redução de incentivos. A tendência, segundo o executivo, é investir em geração próxima ao consumo e em soluções híbridas, com armazenamento de energia.

O papel da comunicação na transição energética

Além dos desafios técnicos, Xavier ressalta a importância da comunicação no processo de eficiência energética. “A maneira como o comercial transmite a informação para um cliente pode definir se uma venda será feita ou não. Clareza e objetividade são fundamentais”, afirma. Dentro da empresa, ele vê a comunicação como uma peça-chave para alinhar as equipes e garantir que as estratégias sejam implementadas de forma eficaz.

A mudança para um modelo de energia mais descentralizado e digitalizado também exige uma evolução na mentalidade do empresariado e do setor público. “O Brasil tem todo o potencial para ser líder global em transição energética, mas ainda engatinha. Falta educação corporativa sobre o tema e mais incentivos governamentais”, aponta Xavier. Ele cita o exemplo de países europeus, onde os galpões logísticos já são projetados para receber painéis solares, enquanto no Brasil ainda há resistência e barreiras estruturais.

Para os profissionais que ingressam no mercado, Xavier deixa um conselho direto: “A gente estuda algo e imagina que vai trabalhar com isso para sempre. Mas isso não vai acontecer. Oportunidades surgem o tempo todo, e você precisa estar preparado para elas”.

Ouça o Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast.

Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Avalanche Tricolor: de sofrência em sofrência, lá se vão as férias

Athletic-MG 3 (7) x (8) 3 Grêmio
Copa do Brasil – São João del-Rei (MG)

Gandro defende a última cobrança. FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

Torcer para o Grêmio é não viver um dia de sossego. Nem nas férias. A semana de descanso, aqui pelo litoral de Alagoas, tem sido uma sofrência só — considerando que nossa conversa nesta Avalanche é sobre futebol, claro. Depois do sábado em que vimos o caminho para o octacampeonato ficar mais distante, fomos a São João del-Rei, a 1.600 quilômetros de Porto Alegre, e por pouco não nos despedimos precocemente de nossas viagens na Copa do Brasil.

O jogo desta noite, que assisti na tela do computador, aproveitando a luz de uma lua cheia que brilhava no céu alagoano, foi completamente maluco. Tomamos um gol muito cedo, em um lance que tem se tornado rotineiro na vida do gremista. O empate veio no cabeceio de Braithwaite, que já havia sinalizado problemas físicos e aguardava a substituição. A virada surgiu de um improvável lance de gol, no qual a falha do goleiro adversário foi de dar dó. Quando imaginávamos coisa melhor, tivemos mais um jogador expulso ainda no primeiro tempo. Desta vez, o autor da atabalhoada foi Luan Cândido.

A volta do intervalo nos reservaria mais uma dose de sofrimento. Sob forte pressão, cedemos o empate muito cedo, quase sofremos a virada e passamos o restante da partida tentando manter a bola o mais distante possível do nosso gol. Foi numa dessas tentativas que Arezo soube aproveitar a escapada entre os zagueiros, encobriu o goleiro e concluiu para as redes, nos dando uma improvável (e parcial) vitória. Quando os locutores (e nós, torcedores) já se empolgavam com narrativas e hipérboles sobre a imortalidade tricolor, fomos surpreendidos com um gol contra de João Lucas, que levou a decisão da vaga para os pênaltis.

É verdade que, nesta temporada, já havíamos conquistado duas classificações — no Gauchão e na Copa do Brasil — vencendo nos pênaltis. O drama é que Thiago Volpi, o goleiro que nos proporcionou essas vitórias, defendendo cobranças adversárias e marcando seus gols, estava assistindo a tudo do banco. Caberia a Gabriel Gandro repetir o feito. Foram necessárias oito cobranças de cada lado até que, finalmente, ele se destacasse com a defesa final que nos levou à terceira fase da Copa do Brasil.

A melhor notícia da noite — além da classificação, lógico — foi que o Grêmio finalmente voltou a ter bons cobradores de pênaltis. Quem sabe não nos serão úteis no sábado, quando precisaremos, mais uma vez, que o mito da Imortalidade se expresse. Sim, porque antes de minhas férias se encerrarem vem mais sofrência por aí.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: a lição da Osesp e o maestro das marcas

Uma orquestra sem maestro pode se tornar um caos sonoro. No mundo das marcas, o risco é o mesmo quando a comunicação não tem direção. Esse foi o tema do comentário desta semana no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo no Jornal da CBN.

A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP) serviu de metáfora para a construção e gestão de marcas. Segundo Jaime Troiano, assim como os músicos precisam seguir a regência para alcançar a harmonia, as empresas precisam de um maestro para integrar os diversos canais de comunicação. “Cada instrumento tem um papel, uma partitura que precisa obedecer à regência do maestro”, afirmou. Sem essa coordenação, o resultado pode ser o mesmo dos momentos iniciais de uma apresentação, quando os instrumentos ainda estão sendo afinados.

Cecília Russo destacou o equilíbrio necessário entre virtuosidade e humildade, tanto na música quanto na gestão de marcas. “A contribuição de cada instrumento está a serviço do protagonismo de uma coisa maior, da obra que está sendo executada como um todo”, explicou. No universo das marcas, isso significa que cada ponto de contato com o público – da fachada de uma loja ao post no Instagram – precisa estar alinhado a uma comunicação integrada e coesa.

A marca do Sua Marca

A lição desta edição foi clara: no branding, não basta se encantar com um único instrumento de comunicação, mas sim com a sinergia do conjunto. Marcas bem-sucedidas funcionam como uma orquestra: cada peça tem seu momento, mas é a harmonia que constrói a identidade forte e duradoura.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após as 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Avalanche Tricolor: distante, mas nunca impossível

Grêmio 0x2 Inter
Campeonato Gaúcho – Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)

Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Escrevo esta Avalanche a mais de 3.700 quilômetros de Porto Alegre. Aqui, o porto é das Pedras, no litoral de Alagoas. Vim para cá para aproveitar alguns dias de folga do trabalho na rádio. O mar é manso e morno. A maré baixa ao longo do dia, revelando piscinas naturais de águas claras. O sol a pino se põe no Rio Manguaba, berçário de um estranho e bonachão peixe-boi.

Nem fauna nem flora, nem mar nem rio foram suficientes para me desconectar do que aconteceria na capital gaúcha, no fim da tarde deste sábado. Impossível não ser tocado pelo que ainda representa a disputa de uma final de Campeonato Gaúcho. É verdade que, no início da temporada, maldizemos a competição, que nos obriga a enfrentar adversários bem mais frágeis, muitas vezes em campos incipientes. Mas, quando chega a decisão, todos queremos o título.

Sempre queremos o título!

A possibilidade do octacampeonato — mais remota do que quando a partida começou — e a necessidade do adversário de conquistar uma competição que não vence há oito anos (sim, o co-irmão é octa-derrotado no estadual) fazem desta final um momento especial para o futebol gaúcho.

Mesmo longe, era possível sentir a tensão que cercava o clássico — lá em Porto Alegre e aqui, em Porto de Pedras. Um nervosismo que não me impedia de enxergar que estavam frente a frente duas equipes em estágios distantes de preparação. Uma pronta desde o ano passado; a minha, ainda em processo de construção. Minha esperança estava depositada na pressão que a torcida poderia exercer na Arena e no esforço redobrado dos jogadores tricolores para superar a falta de entrosamento de um time que ainda tenta falar a mesma língua.

Esperança frustrada ainda no primeiro tempo, quando a distância entre as duas equipes ficou evidente. De um lado, a bola tinha origem e destino certos; do outro, a falta de sincronia impedia avanços coordenados. O Grêmio esteve longe daquele que, em algumas partidas deste início de temporada, nos fez acreditar que tínhamos um time. Não perdi a crença nessa ideia. Temos um elenco melhor do que nos últimos dois anos, e há lógica na formação da equipe. Mas as oscilações são preocupantes — já tinham aparecido na estreia da Copa do Brasil e na segunda partida da semifinal do Gauchão. E se repetiram no Gre-Nal.

Alcançar o título gaúcho neste ano não será tarefa fácil, embora não seja impossível. Antes, porém, será preciso viajar mais de 1.600 quilômetros até São João del-Rei, no interior de Minas Gerais — bem longe de Porto Alegre —, vencer nosso adversário na segunda rodada da Copa do Brasil e retomar o ânimo para a final no próximo sábado.

Por que somos tão duros conosco? A resposta pode surpreender

Muitas vezes, somos os nossos maiores juízes, impondo padrões rígidos e cobrando de nós mesmos uma perfeição inatingível. Mas será que essa postura nos leva a uma vida mais equilibrada? Esse foi o tema central da conversa entre a jornalista e psicóloga Abigail Costa e a psicanalista e pesquisadora de relacionamentos Carol Tilkian no canal “Dez Por Cento Mais”. Durante a entrevista, Carol discutiu como a autocompaixão pode transformar nossa relação com as dificuldades e contribuir para uma vida mais leve e equilibrada.

O início de um novo ano costuma ser marcado por listas de resoluções e metas, muitas vezes carregadas de cobranças e pressão social. Carol destacou que antes de se perguntar “o que eu quero fazer?”, muitas pessoas se questionam “o que eu devo fazer?”. Esse senso de obrigação está diretamente ligado ao superego, uma instância da mente que age como um juiz interno, baseando-se nas expectativas externas e na moral social.

O resultado desse processo pode ser um acúmulo de cobranças que tornam as metas mais angustiante do que motivadoras. “Ao nos perguntarmos ‘por que eu quero isso?’, conseguimos perceber o quanto nossas escolhas podem estar sendo influenciadas por padrões externos e não por nossos reais desejos”, explicou a psicanalista.

Durante a conversa, foi abordado o conceito do “Quitter’s Day” (Dia dos Desistentes), observado nos Estados Unidos na segunda sexta-feira de janeiro. Essa data marca o momento em que um grande número de pessoas abandona as metas traçadas para o ano. Para Carol, essa desistência não deve ser vista como um fracasso, mas como uma oportunidade de reavaliação. “Desistir também pode ser um convite à reflexão: por que ainda quero isso? Essa meta ainda faz sentido para mim?”, questionou.

Um dos pontos centrais da discussão foi a tendência humana de tentar controlar todas as variáveis da vida. Carol explicou que muitas vezes nos culpamos por situações além do nosso controle como uma forma de evitar a angústia da imprevisibilidade. “Nosso desejo de controle é uma ilusão que nos aprisiona em um ciclo de ansiedade e frustração”, afirmou.

Autocompaixão e a relação com a autoestima

Para exercitar a autocompaixão, a psicanalista sugeriu um exercício simples: anotar as autocríticas que fazemos ao longo do dia e imaginar como falaríamos com um amigo que estivesse passando pela mesma situação. “Muitas vezes somos duros conosco de uma forma que jamais seríamos com alguém que amamos”, destacou.

Uma das diferenças fundamentais entre autocompaixão e autoestima está na forma como enxergamos nossas emoções. Enquanto a autoestima se baseia na ideia de “se valorizar”, muitas vezes comparando-se a padrões externos, a autocompaixão convida à “validação” do que sentimos, sem juízo de valor.

“Quando validamos nossas emoções, paramos de pedir permissão para sentir”, afirmou Carol. Isso significa que, em vez de se questionar “eu deveria sentir isso?”, a abordagem mais saudável é reconhecer e investigar a origem desse sentimento.

Ao tratar da influência das redes sociais na forma como nos percebemos, Carol disse que “seguimos pessoas que projetam vidas perfeitas e, sem perceber, nos comparamos e nos sentimos insuficientes”. Uma estratégia sugerida para reduzir essa influência negativa é revisar os perfis seguidos, priorizando conteúdos mais realistas e condizentes com a própria realidade.

Além disso, a psicanalista reforçou a importância de cercar-se de pessoas que compartilhem um olhar mais humano e acolhedor. “A autocompaixão não se desenvolve no isolamento. Precisamos de relações que nos validem e nos ajudem a enxergar nossa própria humanidade”, concluiu.

Pratique a autocompaixão no dia a dia

Para quem deseja exercitar a autocompaixão, Carol Tilkian sugeriu três práticas simples:

  1. Revisar o diálogo interno: Observar como falamos conosco mesmos e substituir autocríticas severas por frases mais acolhedoras.
  2. Aceitar a imperfeição: Compreender que errar e falhar fazem parte da experiência humana e não definem nosso valor.
  3. Buscar apoio: Conversar com amigos e profissionais de saúde mental para compartilhar emoções e reduzir a autocrítica.

Assista ao Dez Por Cento Mais

Esse episódio do “Dez Por Cento Mais” trouxe reflexões valiosas sobre a necessidade de tratarmos a nós mesmos com a mesma gentileza que oferecemos aos outros. Em uma sociedade que frequentemente exige produtividade e perfeição, a autocompaixão se mostra uma ferramenta essencial para lidar com desafios, acolher medos e viver de maneira mais leve e autêntica.

O “Dez Por Cento Mais” é apresentado, ao vivo, quinzenalmente, às quartas-feiras, a partir das 12h, no YouTube.

Avalanche Tricolor: um time que jamais se renderá!

Juventude (2) 2×1 (3) Grêmio
Gaúcho – Alfredo Jaconi, Caxias do Sul, RS

Volpi comemora classificação à final. Foto: Lucas Uebel/GremioFBPA

A ausência de um futebol mais envolvente obrigou o Grêmio a ser mais guerreiro do que nunca nesta temporada. Sem espaço para o talento brilhar, a classificação veio na base da insistência e da resiliência. O time recém-formado, ainda sem pleno entrosamento, superou suas falhas com valentia e manteve viva a esperança do Octacampeonato Gaúcho.

Saímos de Caxias do Sul cientes de que será preciso mais equilíbrio para sustentar um futebol de alto nível nos 180 minutos decisivos. Alguns jogadores, especialmente na defesa, precisam se posicionar com mais segurança. No ataque, será essencial diversificar as jogadas, explorando melhor os dois lados do campo e movimentando-se com mais sintonia entre os marcadores para criar oportunidades de gol.

Não há ilusão. Há orgulho, porém, pela postura do time diante da adversidade. Com um jogador a menos na maior parte do jogo e sofrendo dois gols que nos desclassificariam, conseguir voltar à disputa com um gol de bicicleta nos acréscimos é feito para poucos.

O zagueiro Gustavo Martins, mesmo sob a desconfiança de parte da torcida, já havia arriscado um cabeceio, sem muito perigo. Usar o recurso do malabarismo para alcançar uma bola que escapava e colocá-la na rede, naquelas circunstâncias, foi coisa de quem nunca se entregará enquanto vestir a camisa gremista.

Impossível não lembrar que, no instante do gol salvador, quem estava na área adversária, porque também não aceita a rendição, era o nosso novo goleiro, Tiago Volpi. Foi ele, aliás, quem mais uma vez revelou coragem e talento quando mais precisamos. No tempo normal, já havia feito ótimas intervenções. Na decisão por pênaltis, voltou a brilhar com duas defesas e ainda marcou seu gol com uma cobrança precisa.

Estamos em mais uma final do Campeonato Gaúcho — pelo oitavo ano seguido. Mesmo com um futebol inconstante, de altos e baixos, levamos para esta decisão uma certeza: o Grêmio jamais desistirá!