Avalanche Tricolor: um resultado de tirar o sono dos outros, não o meu

 

Sport 1 x 0 Grêmio
Brasileiro – Ilha do Retiro/Recife

 

22064662423_c138edd3e5_z
A rodada do Campeonato Brasileiro reservou-me o Grêmio para fechar um fim de semana diversificado e divertido, que se iniciou no fim da tarde de sexta-feira com jantar em família. Os demais dias foram divididos entre sessões de filmes e seriados, realização de algumas tarefas profissionais pendentes e uma ótima experiência com um grupo de cidadãos dispostos a mudar a forma de se fazer política no Brasil, no evento Virada Política, que se realizou em São Paulo.

 

O caro e raro leitor deste blog pode achar estranho eu ter escrito no parágrafo acima que o fim de semana foi divertido, diante do resultado do meu último compromisso deste domingo. Claro que eu preferiria ir para a cama comemorando uma vitória, a medida que a conquista de mais três pontos nos daria chance de disputar o vice-campeonato e embolsar mais uns dois milhões de reais. Tivéssemos produzido ofensivamente um pouco mais, arriscado a gol um pouco mais e acertado o pé um pouco mais, principalmente na troca de passe final e no chute, era provável que saíssemos com resultado bem melhor.

 

Uma derrota como a deste domingo, porém, é incapaz de estragar os momentos que vivi no fim de semana ou mesmo a minha visão sobre o Grêmio – e olha que Heber Roberto Lopes se esforçou para tirar meu bom humor com sua arbitragem atrapalhada e displicente. Digo isso com tranquilidade porque teimo em não analisar o desempenho gremista por esta ou aquela partida, isoladamente. Hoje mesmo alguns jogadores que têm sido excepcionais em campo não conseguiram desenvolver o mesmo futebol. Seria injusto aproveitar o baixo rendimento para criticá-los.

 

Tenho insistido nesta Avalanche que precisamos olhar a campanha ao longo da temporada, as expectativas que tínhamos e a perspectiva que se abriu graças ao crescimento técnico e tático da equipe. Nossa evolução tem sido tal que a perda dos três pontos neste domingo é incapaz de mudar a trajetória vitoriosa que estamos trilhando na busca do Tri da Libertadores – esta sim uma obsessão gremista. Não há motivos de preocupação, o que não significa que tudo esteja resolvido. Roger sabe que precisa ajustar as peças, dar mais consistência para alguns jogadores e reforçar o elenco, mas tudo isto administrado com a tranquilidade, prudência e sabedoria que lhe são características.

 

Quem não deve dormir muito tranquilo neste domingo é aquela turma que viu mais um candidato chegar para a disputa da quarta vaga para a Libertadores.

 

A imagem deste post é do álbum Grêmio Oficial no Flickr

Avalanche Tricolor: apesar do empate

 

Grêmio 1×1 Sport
Brasileiro – Arena Grêmio

 

Maxi está de volta ao time (Foto Grêmio Oficial no Flickr)

Maxi está de volta ao time (Foto Grêmio Oficial no Flickr)

 

Torcedor quer ganhar sempre. E eu sou torcedor. Quero a vitória a qualquer custo e em qualquer circunstância. Esse fascínio pela vitória porém não é suficiente para me fazer praguejar empates como o da noite deste sábado.

 

Sei que era jogo contra adversário direto. Sei que saímos na frente. Sei, também, que tivemos próximo do gol que nos deixaria colado do líder, no Campeonato. E, provavelmente, é por saber de tudo isso que não saio frustrado.

 

Há jogos em que ganhamos com futebol sofrido. Hoje, jogamos futebol bonito. Bem jogado na maior parte do tempo. Fomos punidos com um gol exatamente na parte ruim, quando corremos atrás da bola em lugar de mantê-la no pé.

 

Com a bola de pé em pé e trocada com precisão. Com gente passando por um lado e gente passando pelo outro. Com drible e velocidade. Com a velha marcação de sempre. Fizemos jogo de gente grande e potencial de título. É isso que me dá tranquilidade, apesar do empate.

 

Quero ganhar sempre, mas sabemos que nesta competição não bastam vitórias mal-feitas. Essas são ilusórias. Garantem três pontos hoje, mas representam pouco a longo prazo. A conquista do título, que afinal é o que queremos mesmo, vem com jogo sustentável. E assim temos sido no Brasileiro deste ano.

 

Temos que fazer consertos no meio da área, principalmente, pois pelo alto seguimos enfrentando dificuldade. Lá na frente, talvez chutar com mais precisão a gol para aproveitar melhor as chances que criamos. E encontrar alguém com aquele jeito de matador. Do tipo que sai do banco para resolver o jogo.

 

Que a vitória seria importante para a campanha, não tenho dúvida. Mas vou curtir o fim-de-semana com tranquilidade, pois estamos na disputa e com futebol consistente.

 

A lamentar: a covardia da regra que segue a dar poderes ditatoriais ao árbitro

Avalanche Tricolor: vitória da persistência

 

Grêmio 2 x 0 Sport
Campeonato Brasileiro – Arena Grêmio

 

Gremio x Sport

 

Jogos às quartas-feiras, 10 da noite, você, caro e raro leitor deste blog, já sabe que é um martírio para este madrugador que vos escreve. A partida vai se encerrar beirando à meia-noite; tenho de baixar o batimento cardíaco, que se acelera a cada gol perdido na área deles e bola despachada da nossa; depois tenho de forçar o sono para aproveitar o máximo o pouco tempo até o despertador tocar às 4 da manhã. Escrever logo após a partida, como me proponho normalmente nesta Avalanche, é quase impossível. Hoje, nem mesmo nos intervalos do Jornal da CBN, que apresento das 6h às 9h30 da manhã, encontrei tempo para escrevinhar algumas palavras sobre nossa “goleada” da noite anterior. O noticiário exigia atenção redobrada.

 

Desta vez, porém, o adiantado da hora e o excesso de trabalho pela manhã me deram oportunidade de ficar saboreando por mais tempo o gostinho de estar na zona de classificação para a Libertadores da América. Sei que dependemos de uma combinação de resultados, neste segundo dia da 27a rodada do Campeonato Brasileiro, para termos entrado definitivamente no G4. Independentemente do que acontecer, contudo, estamos cumprindo com nossas obrigações e colocando nas costas dos nossos adversários a responsabilidade de vencerem para não se distanciarem da disputa lá no alto.

 

Meu sonho é chegar ao topo e, enquanto a matemática e a paciência resistirem a todos os percalços, continuarei nesta busca. Para chegar lá, no entanto, antes precisamos galgar posições no G-4. Até aqui não temos conseguido nos fixar nesta posição, apesar de estarmos muito próximos a cada dia. Tenho a impressão que nossa persistência será recompensada em breve, como nesta quarta-feira à noite, em que o time foi para o ataque com bolas roubadas a partir de forte marcação e alguma correria e chegou ao primeiro gol ainda no primeiro tempo. Gol com significado especial pois premiou um jogador de meio de campo que arrisca partir com dribles para cima do marcador e chutar de fora da área, algo precioso para enfrentar as defesas cada vez mais fechadas que encontramos no caminho.

 

Aliás, apesar de ter ficado incomodado com as convocações de três de nossos jogadores para a seleção brasileira (houve época em que isso era motivo de orgulho de todas as torcidas), estas nos proporcionaram boas surpresas, ao menos na partida desta quarta. Como está no ditado: há males que vêm pra bem. Alan Ruiz saiu jogando como titular, atacou bem, driblou forte, fez gol e mostrou que não é apenas jogador de segundo tempo como sinalizava até aqui. Tem tudo para se transformar em titular se se esforçar um pouco mais na marcação. E Tiago saiu-se muito bem no gol, ou melhor, saiu muito bem do gol sempre que foi exigido e defendeu bolas difíceis especialmente na pressão final que sofremos. A despeito de seus 21 anos, oferece segurança enquanto esperamos o retorno de Marcelo Grohe.

 

Aconteça o que acontecer logo mais à noite, sábado estaremos de volta brigando pelo G-4 e no caminho da liderança, sem ter de me preocupar a que horas vou acordar no dia seguinte.

 

Foto do album oficial do Grêmio no Flickr

Avalanche Tricolor: uma conversa com Barcos ao pé do ouvido

 

Sport 0 x 0 Grêmio
Brasileiro – Receife (PE)

 

 

Permita-me, caro e raro leitor deste blog, começar com os fatos do início da semana, pois o que assisti no meio dela, mais especificamente, na noite de quarta-feira, não me entusiasmou tanto assim a ponto de dedicar toda esta Avalanche. Na segunda-feira pela manhã, logo após o Jornal da CBN, fui à ESPN Brasil, no bairro do Sumaré, em São Paulo, a convite da produção do programa Bola da Vez que teria como entrevistado o atacante Barcos. O programa vai ao ar terças-feiras à noite, mas como nosso jogador teria compromissos com o Grêmio no Recife, ficou combinado que gravaríamos um dia antes, enquanto a delegação ainda estivesse em São Paulo. Apesar da distância não ser muito grande, contei com a astúcia do motorista da emissora para sair da rádio, no centro, e seguir até a zona oeste, driblando os congestionamentos matinais, o que me permitiu chegar confortavelmente até a redação da ESPN Brasil. Muitos anos de São Paulo me deixaram com trauma em relação ao horário, por isso faço todo o esforço para estar com antecedência nos meus compromisso, assim evito estresse e consigo atender melhor as pessoas dentro de suas necessidades. Nesse caso, meu bônus foi ficar, em uma sala, a espera do início da gravação, conversando com Barcos, ambos desarmados da tradicional postura de entrevistado e entrevistador.

 

Foi entre um cafezinho e outro que me apresentei como jornalista e, também, torcedor gremista, mesmo porque este foi o motivo que levou o pessoal do Bola da Vez a me convidar. Deixei claro para Barcos que, apesar de torcedor, minha postura é bem diferente daqueles que, nos últimos tempos, têm atacado o jogador pela ausência de gols. Quem acompanha esta Avalanche já percebeu que sempre busco preservar nossos jogadores e técnico, mesmo diante de situações constrangedoras como as que ocorreram recentemente, você-sabe-quando. Além disso, todo profissional, independentemente da função que exerce, mesmo que não consiga fazer seu trabalho com precisão, tem de ser respeitado e se tivermos alguma queixa que a façamos de maneira civilizada. Infelizmente, nem todos pensam assim e Barcos foi alvo de agressões verbais tanto pessoalmente como nas redes sociais. Alguns não o perdoam por ter perdido o pênalti na decisão da vaga às quartas-de-final da Liberadores e outros por ser o capitão da equipe derrotada no Campeonato Gaúcho.

 

Barcos, apesar de não ter o ensino médio completo, é um jogador inteligente e experiente, deixou a Argentina cedo e passou por vários clubes aqui e fora do continente. Desde jovem dava sinais de que havia nascido para liderar e mesmo em times onde recém havia chegado não se continha em ouvir, gostava de opinar. Foi assim no Estrela Vermelha, da Sérvia, quando quiseram cortar o prêmio por uma conquista alcançada e, apesar de estar há apenas três dias no clube, reclamou no vestiário. A conversa com ele é interessante, pois a primeira impressão que se tem é que o atacante é tímido, mas logo se percebe que a fala é que é direta. Não precisa de muitas palavras para dizer o que pensa, e não esconde o que pensa. Sobre a falta de gols, e eu nem precisei fazer qualquer pergunta para entrarmos no assunto, ele considera injusto que se faça avaliações isoladas que não levem em consideração a forma como o time joga, de que maneira a bola chega até ele e a quantidade de chances que surgem (no caso, poucas). “E quando marco dois gols, vem um jornalista e me cobra por causa da comemoração”, se queixou – referência aos questionamentos por ter recebido cartão amarelo contra o Chapecoense após o segundo gol. Barcos sabe que parte da cobrança se dá por algo que ele não tem culpa particularmente: a falta de títulos. Os torcedores estão impacientes, e com razão; o problema é que esta impaciência, segundo ele, atrapalha o time e prejudica ainda mais o desempenho de alguns jogadores. Deve ter gostado mesmo é da informação que ouviu do assessor de comunicação do Grêmio que o acompanhava: Barcos está a três gols do maior goleador estrangeiro que já vestiu nossa camisa, Oberti, que fez 35 gols entre 1972 e 1974. Antes de a conversa se encerrar, aproveitei a oportunidade para deixar o desejo de que ele alcançasse logo esta marca, já no próximo jogo, o que, como já sabemos, não aconteceu.

 

Avalanche Tricolor: uma vitória de virada e com direito a passeio

 

Grêmio 3 x 1 Sport
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

 

Era meia noite e meia em Ansedonia (ITA) quando a partida do Grêmio estava começando, em Porto Alegre, e a decisão de assistir ao jogo poderia comprometer a programação de férias na manhã seguinte. Com os dias que faltam sendo contados na ponta do lápis, deixar um passeio de lado com a família nem sempre é boa escolha, principalmente quando se acorda com céu azul e o sol iluminando a costa da Toscana – que é a promessa cumprida de todos os dias neste verão italiano. Estava, porém, curioso para conferir se o bom futebol da rodada anterior, quando vencemos em Belo Horizonte, se repetiria diante da torcida e contra um time que tendia a jogar fechado, muito fechado. Não resisti e antes mesmo de os times entrarem em campo, peguei meu Ipad, fui para um canto da casa onde a internet navega mais rápido e comecei a torcida.

 

Mais uma vez éramos o dono da bola, no sentido de estar com ela nos pés muito mais do que o adversário, o que tem se repetido jogo após jogo, mas faltava criatividade para furar um bloqueio tão intenso, o que, somado ao constante risco de tomarmos um gol de contra-ataque e de cabeça, seria suficiente para estragar meu programa e provar que tinha feito uma escolha errada. Ir para o intervalo da partida em desvantagem fez minha frustração aumentar e me questionar sobre o desempenho de domingo passado. Se imaginava que poderia dormir tranquilo sem ver o segundo tempo, ledo engano. Permanecer acordado e na torcida eram obrigações naquele instante. O Grêmio precisaria de toda força e inspiração, mesmo que de outro continente, para derrubar aquele paredão construído em seu caminho.

 

Valeu a pena. E me desculpe Leandro, menino tão tímido para jogar quanto para falar, que desabrochou ao entrar e marcar dois gols, considerado por muitos o personagem da partida. Me perdoe Marcelo Moreno que parece ter acordado após o desastre de dois jogos atrás e retomou seu papel no ataque marcando gols decisivos nas últimas partidas. Me senti muito mais recompensado mesmo foi pelo que vi Elano fazer no meio de campo gremista ao usar o drible para desmontar o adversário e a inteligência para dar oportunidade a seus companheiros. O primeiro gol surgiu de um desses momentos de criatividade do recém-contratado, apesar de que na estatística não lhe caberá sequer o mérito da assistência. No terceiro, teria todo o direito de concluir a gol, pois era quem mais havia tentado marcar, a maior parte das vezes de fora da área. Mas foi inteligente e solidário ao dar sequência a mais bonita troca de passes de toda a partida e oferecer a Leandro o prazer do gol. O talento foi reconhecido pela torcida que gritou seu nome, o que não fiz apenas porque acordaria meus companheiros de viagem, e eram quase duas e meia da madrugada.

 

Agora são nove da manhã por aqui, quatro horas no Brasil, estou de café tomado, diante do cenário que a quinta-feira me prometia, e sem um pingo de sono, apesar de a partida ter se encerrado tão tarde. Ou seja, tanto tive a satisfação de confirmar que temos um novo time como terei a alegria de agora pela manhã dar seguimento aos passeios destas férias.

Avalanche Tricolor: Eu também, Maxi !

 

Grêmio 3 x 3 Sport
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

O futebol está cheio de parlapatões. Mal o juiz apita o fim do jogo, o cara já está em posição de entrevista ao lado do campo, corpo voltado para as câmeras de televisão, a mão esfrega a testa a acentuar o suor de quem batalhou (?) 90 minutos, respira fundo para dar tempo de o microfone do último repórter se aproximar e começa a desfiar uma série de explicações para o resultado.

No vestiário, é a mesma coisa. Vestiário, não. Isto foi na época em que trabalhei como repórter de campo. Tínhamos de forçar a porta para entrar no local enquanto os jogadores ainda se secavam do banho. Falávamos com um enquanto já cercávamos o próximo. Agora, os jornalistas esperam, comportados e confortáveis, o escolhido pela assessoria de imprensa se aprumar na cadeira, atrás de um pequeno microfone e diante de um painel com uma monte de patrocinador – aqueles que as televisões se esforçam em não mostrar.

Começa a entrevista e o parlapatão está lá a justificar o injustificável, fala um monte de coisa, se contradiz de tanto que diz, vai e volta na opinião de acordo com a conveniência, ou conforme a conivência do repórter. Na categoria de falastrão tem jogador, tem técnico e quase todos os dirigentes. Esses são um caso a parte, mais atrapalham quando abrem a boca do que quando tomam decisão. Não se mancam que em boca fechada não entra mosca nem sai m…..

Por tudo isso, admiro aqueles que preferem trabalhar a falar. Em campo suam a camisa, tomam todos os espaços, dão carrinho quando precisam (no Grêmio atual, parece que só os atacantes ainda são capazes de exercitá-lo), e não se escondem da responsabilidade de decidir o jogo. Ao fim de tudo, se provocados, com uma frase e poucas palavras definem o que sentem, como Maxi Lopez logo após o empate deste domingo:

Eu também, Maxi. Eu, também !