Avalanche Tricolor: nossas virtudes!

Sport 0x0 Grêmio

Brasileiro B – Arena de Pernambuco, Recife/PE

Rodrigues na disputa da bola, em foto de Lucas Uebel

Paciência! Muita paciência! Parece ser a virtude necessária ao fim de mais uma rodada à beira do G4. Estamos a um ponto do grupo que se candidata à ascensão, mas ainda não estamos lá. Não precisa ser agora, porque ainda nos falta bem mais de meio campeonato pela frente, e de nada adianta estar lá para ceder a posição depois. Difícil, porém, é exercitar a paciência em momentos como esse. A ansiedade que nos toma e o desejo de nos livrarmos da maldição da B o mais breve possível, transtornam o torcedor, incomodam os jogadores e pressionam o clube.

Temos de ter tanto paciência quanto força e coragem —- outras das virtudes necessárias para nos elevarmos à Série A. Estas, ao menos, não nos têm faltado. Haja vista a forma como o time se apresentou nas últimas rodadas. Há clara entrega de cada jogador na disputa pela bola, a despeito das limitações técnicas que impedem um passe mais preciso,  um chute certeiro ou a conclusão no gol (que são as virtudes mundanas que o futebol cobra). Nossa defesa é exemplar nesse cenário. Em 12 jogos, tomou apenas quatro gols. Nos últimos cinco, nenhum. Geromel é o ícone deste trabalho; Kannemann, o guerreiro; e Rodrigues, um batalhador. 

O resultado que levamos para Porto Alegre, na noite desta segunda-feira, alcançado com força e coragem, está no limite da paciência exigida. A derrota seria imprudente. Fossem os três pontos, o G4 estaria conquistado Com o ponto ganho na casa do adversário, perseveramos. Seguimos na disputa. E temos a chance de descontarmos a diferença na próxima rodada quando estaremos de volta à Arena.

Como o assunto desta Avalanche são as virtudes. tenhamos fé esperança! 

Avalanche Tricolor: em livro sobre as “Poderosas do Foz”, jornalista dá ponte pé inicial para desvendar a história do futebol feminino no Brasil

Grêmio 0x2 Sport

Brasileiro — Arena Grêmio, Porto Alegre

Quem me lê nesta Avalanche — e são cada vez mais caros e raros —- sabe que a dedico ao meu tricolor de coração. E a publico poucas horas após o árbitro trilar o apito final. Como tudo está fora da ordem, da vida ao meu time de futebol preferido, abandonei meus compromissos com o leitor e com a coluna depois do resultado de domingo  passado. Não significa que abdiquei da minha paixão, porque esta é eterna, o que me faz acreditar mesmo no inacreditável —- o que não é o caso, ainda. Já havia desistido de escrevê-la pelo tempo passado e o desconforto com o tema. Foi então que “o carteiro chegou e o meu nome gritou com uma cartão na mão”, como bem escreveu em Letras, Maria Bethânia.

No pacote que abri ansioso, sem saber o que me aguardava, encontrei livro, camisa e copos alusivos ao trabalho do colega de profissão e companheiro de Twitter, Bruno Zanette, com quem compartilho alguns amores. Nascido e vivido em Foz do Iguaçu, adora rádio e futebol, a assim como eu. Nos últimos tempos, dedicou-se a registrar os momentos vividos por um time que fez história no futebol feminino: o Foz Cataratas FC, campeão da Copa do Brasil, em 2011. 

Azul como meu Grêmio, mas bicolor por nascença, o Foz surgiu em 2010, estreou às vésperas do Dia Internacional da Mulher e foi vice-campeão da Copa do Brasil naquele ano.

A derrota na final para o Duque de Caxias (RJ) foi marcada por polêmica de arbitragem, expulsão, discussão e gás de pimenta. A despeito de justiça ter sido feita ou não, foi aquele jogo que forjou o caráter e a personalidade do time que conquistaria o Brasil no ano seguinte.

Bruno, que era repórter de campo e torcedor do Foz —- não necessariamente nesta ordem —- registra a história no livro “O ano em que o Foz Cataratas conquistou o Brasil”, publicado graças a sua coragem e talento —- características que também fazem parte do roteiro das ‘Poderosas do Foz’, como as meninas que jogavam na tríplice fronteira eram conhecidas. Da mesma forma que elas, o autor também contou com a torcida de apoiadores que aceitaram financiar a ideia de registrar um dos capítulos do futebol feminino, no Brasil.

Eis aí, entre tantos, o maior mérito deste trabalho realizado pelo Bruno. Como escreve a jornalista Patrícia Zeni, na apresentação do livro, “a história do futebol feminino ainda está escondida” e Bruno dá o ponta pé inicial para torná-la pública. Faz trabalho bem feito, com precisão, apuro e emoção —- similar ao que aquelas jogadoras aprestaram em campo quando desafiadas por suas adversárias.

Os feitos das “Poderosas” deixo para que o próprio Bruno conte. Ele tem autoridade no assunto e foi testemunha ocular daquela conquista que fez “a alegria das arquibancadas, com jogadas imortais de craques”—- como eternizado no hino do clube. De minha parte fica o convite para que você conheça e apoie o trabalho dele, inspirando outros jornalistas a contarem em livro a história do futebol feminino no Brasil.  E, também, deixo meu agradecimento ao autor que, ao me proporcionar a leitura destes feitos, ameniza a frustração dos resultados do meu time de coração.

Ps: aos leitores recém-chegados, explico: a Avalanche Tricolor registra resultados, jogo após jogo, alcançados pelo Grêmio, sem que, necessariamente, eu tenha o compromisso de escrever sobre eles, especialmente quando meu time nada faz por merecer.

Avalanche Tricolor: salvo pelo sonho de criança que realizei há 20 anos, em São Paulo

Sport 1×0 Grêmio

Brasileiro – Ilha do Retiro, Recife PE

A conversa corria solta e animada com os estudantes de Jornalismo e da Administração, da UNISATC, de Criciúma, quando a partida desta noite já havia se iniciado. O papo virtual tinha jornalismo e comunicação como temas predominantes. Às boas perguntas que ouvi, me esforcei para dar respostas que atendessem o interesse da turma. Estrategicamente, deixei uma tela extra, ao lado do computador, com a bola rolando na Ilha do Retiro. 

Foi de revesgueio que assisti àquela cobrança de falta que resultaria no único gol da partida — e deles, não nosso. Porque nós, até onde consegui ver, só forjamos jogadas mas não soubemos concluí-las com o mínimo de precisão. Diante das dificuldades para fazer a bola chegar ao alvo, já começava a imaginar onde encontraria inspiração para esta Avalanche que teimo escrever mesmo quando o time não faz por merecer.

Salvo pelo gongo. Ops, salvo por uma pergunta. Se não me falha a memória foi o Marcelo, um dos estudantes. Ou teria sido o Heitor? Perdão, guris. Sei que fui provocado a falar da minha passagem pelo futebol, como repórter, apresentador e narrador de TV.

Isso moveu com minha memória afetiva e me fez lembrar que, há exatos 20 anos, eu havia realizado o maior sonho, ou um dos maiores, que um torcedor pode sonhar com seu time: narrei o título de campeão da Copa do Brasil, de 2001, do Grêmio. O tetracampeonato!

Trabalhava na RedeTV, que havia recebido da TV Globo o direito de transmitir as partidas da Copa do Brasil daquele ano. A convite de Juca Kfouri fui testar o que considerávamos ser um novo formato na narração esportiva da televisão — até então contaminada pelo modelo das transmissões de rádio. Era para ser uma locução mais pausada, focada em informar o nome dos jogadores e alguma outra circunstância que se desenvolvia em campo ou fora dele. Sem gritaria, sem animação de torcida e valorizando o silêncio, sempre que possível. Acreditávamos que a riqueza das imagens e do som ambiente seriam suficientes para acompanhar o telespectador. Acho que já falei com você, caro e  cada vez mais raro leitor deste blog, desta experiência.

Naquele ano, o Grêmio, sob o comando de Tite, fez uma campanha incrível na competição e se candidatou à final contra o Corinthians,  de Vanderlei Luxemburgo, considerado pela crônica esportiva o favorito. No primeiro jogo, os paulistas saíram com dois gols de vantagem, em pleno estádio Olímpico. Mas o Grêmio encontrou forças para empatar e chegar vivo à decisão em São Paulo.

Fui privilegiado e escalado a transmitir a final, tendo Juca Kfouri, Jorge Kajuru e Oswaldo de Oliveira ao meu lado como comentaristas. As cabines de transmissão, no Morumbi, sacudiam com a animação do torcedor corintiano que tomou conta de praticamente todo o estádio. Apenas uma pequena parcela das arquibancadas foi reservada aos gremistas. 

Antes de os jogadores subirem as escadas que davam acesso ao gramado, Tite reuniu o elenco e fez apenas um pedido: “vão lá e divirtam-se!”. Algo sobrenatural deve ter acontecido, porque mesmo estando distante deles, foi como se eu tivesse recebido aquela mesma mensagem e decidido que me divertiria com o microfone em mãos. Vencemos por 3 a 1 e, por mais que o profissionalismo exigisse equilíbrio, vibrei a cada gol do meu Grêmio, revivendo os tempos em que narrava futebol entorno da mesa de botão quando meu time sempre vencia. 

Lembrar daquela tarde de domingo, no Morumbi, e assistir às imagens dos gols que marcamos foi estimulante nesta noite e uma ótima desculpa para eu não perder tempo com o mal e desorganizado futebol que estamos jogando.

Avalanche Tricolor: minhas impressões

Sport 1×1 Grêmio

Brasileiro — Ilha do Retiro, Recife/PE

Pepê comemora gol, em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

A bola no pé e a cabeça distante do gramado. Assim o Grêmio jogou nesta rodada do Brasileiro disputada entre a desclassificação da Libertadores e a semifinal da Copa do Brasil. Parte do time titular estava em campo, mas não no jogo. A impressão é de que o passe demorava mais do que o normal para chegar ao colega, o deslocamento era mais lento do que costumamos fazer e a marcação mais distante. Haja vista que mesmo com o domínio total da bola, os chutes a gol, especialmente no primeiro tempo, foram raros —- substituídos por uma sequência de cruzamentos na área, sem conclusão. Em um deles, deu-se o contra-ataque adversário que resultou no gol. 

Nada do que disse até aqui significa que o time não se esforçou. Ao contrário, conseguiu se superar quando perdeu Kannemann, expulso aos sete minutos do segundo tempo. Pareceu-me que o cartão vermelho serviu de despertador e fez o Grêmio se jogar para frente, a ponto de conseguir pênalti que foi bem convertido por Pepê. A propósito: depois daquela sequência ruim na retomada do Campeonato Brasileiro, tenho a impressão de que o nível das cobranças melhorou consideravelmente.

Uma vitória nesta rodada não seria redentora, mas tornaria o ambiente melhor — no mínimo faria com que alguns “torcedores” de rede social deixassem de encher o saco. O peso da desclassificação da Libertadores —- da forma como ocorreu —- está claramente sobre o ombro dos jogadores. Em alguns mais do que outros. Jean Pyerre está cabisbaixo. Sentiu o golpe. E Renato certamente está a aconselhá-lo porque sabe que o talento de nosso camisa 10 é fundamental para subirmos o nível do futebol e chegarmos a final da Copa do Brasil.

O empate, levando em consideração como foi construído, não é ruim —- longe do desastre que alguns tentaram impor. O Grêmio ainda está na disputa do G4 no Brasileiro e mostrou, após a expulsão, o poder de reação de um time ainda abalado. Um time que tem muito futebol para jogar e precisará fazê-lo já na próxima quarta-feira. Eu confio — e isso não é um impressão.

Avalanche Tricolor: que toquem as cornetas

Grêmio 1×2 Sport

Brasileiro — Arena Grêmio

 

Foto LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Acordei bem cedo alertado pelo incomodo som das cornetas que chegava até aqui, onde aproveito o fim da minha folga, trazido pelo vento sul que sopra na montanha, antes de o sol se aprochegar pelo leste. Conheço bem essas cornetas, seus tocadores e o que os motiva. Cinquenta e sete anos de vida e muitos deles passados nas arquibancadas do saudoso Olímpico, deixam os ouvidos calejados. 

 

O Grêmio teve 74% de posse de bola, finalizou 30 e tantas vezes e fez 55 cruzamentos para dentro da área adversária. Fez apenas um gol e levou dois —- nos dois únicos lances de ataque do adversário, se não perdi algum.

 

Ninguém saiu de campo feliz. Dos gandulas —- aqueles que são gremistas, e muitos somos —- a jogador; de segurança a diretoria; do porteiro da Arena aos comentaristas. Todos viram que mesmo com todo o domínio que se pode ter, fomos incapazes de chegar à vitória, mais uma vez.

 

O Grêmio já havia dominado o Corinthians e o Flamengo —- dois dos grandes do Brasil —- e voltou a fazê-lo contra o Sport, que era o lanterna da competição. O resultado não foi alcançado como merecíamos ou gostaríamos em nenhuma dessas partidas. Aliás, no Brasileiro, tivemos apenas uma vitória e mantínhamos uma enganosa invencibilidade com a sequência de empates que nos deixava no meio da tabela de classificação. 

 

Evidentemente que quem pode mudar esta situação sabe o que está acontecendo e está batendo cabeça para tentar resolver as peças em campo, engrenar o passe, ajustar o chute a gol e achar uma saída para este momento. Tem jogadores em falta e outros desconsertados pelo baixo desempenho.

 

No jogo da noite de ontem, as vaias não ecoaram na Arena porque o DJ era clubista (mais até do que eu) — apesar de já ter assistido à cena nos espetáculos da NBA em que acordes da marcha fúnebre soaram diante de um resultado negativo do time da casa. Houvesse torcedores presentes, haveria as vaias individuais, voltadas para um ou outro jogador; os que ofenderiam o time por inteiro; e os insanos que gritariam “Fora Renato”.

 

O silêncio das críticas na Arena migrou para as redes sociais, onde as hipérboles negativas sempre ganharão mais força pela forma como ecoam nos diversos perfis de gente incomodada e indignada —- tivessem esse mesmo incomodo e indignação com o que estão fazendo com o Brasil talvez as coisas melhorassem mais rapidamente por aqui.

 

Longe de mim reclamar de quem reclama; ou dizer que o torcedor deve aceitar o resultado ruim de boca calada. Somos assim, amamos e odiamos em questões de minutos. Aplaudimos e vaiamos quase ao mesmo tempo, conforme o resultado final do drible e do chute. E os resultados não têm sido bons especialmente após a volta da pandemia.

 

Eu, na frente da televisão, também faço das minhas; mas há muito tempo, abri mão do meu desejo de vaiar; prefiro sofrer calado a espera da vitória —- que, convenhamos, nos últimos anos tem aparecido com frequência. Vai ver que é meu instinto de solidariedade, pois como você — caro e raro leitor desta Avalanche —- deve saber, sou alvo de vaias, críticas e ofensas diariamente, por jornalista que sou.

 

Agora, acordar logo cedo nesses dias de folga e ler o que li, me deu um certo fastio. Fracasso, teimosia, preguiça, desastre e até quem já enxergue no horizonte a queda para a Segunda Divisão, como maldição do titulo Gaúcho. Fora os que acusam Renato por tudo de errado que esteja acontecendo. Temo que em breve haverá quem reivindique a derrubada da estátua dele, na Arena. 

 

Há os que analisam de cabeça fria para entender a queda de rendimento —- e isso é importante; os que pesam na tinta por torcedores que são —- e o coração fala mais alto; e, claro, tem os inimigos de plantão, que nunca aceitaram que Renato chegasse onde chegou. E o Grêmio voltasse a ser um campeão com futebol bem jogado e elogiado pelo Brasil.

 

Esse coro faz parte do futebol e pode ajudar se for ouvido como um sinal de alerta.

 

Pelo que se conhece daqueles que lideram o Grêmio nesses últimos tempos, não tenho dúvida, o mesmo som que me acordou logo cedo, nesta sexta-feira, já passou das ruas e das redes, atravessou as arquibancadas da Arena e chegou aos ouvidos de quem está no vestiário. Experiente, criativo e talentoso, nosso maestro fará com que todos os demais instrumentos passem a tocar no mesmo ritmo e o som estridente das cornetas encontre o tom certo e se integre a harmonia de um futebol bem jogado, mais bem afinado. 

Avalanche Tricolor: a Copa vai começar, ainda bem!

 

Sport 0x0 Grêmio
Brasileiro – Ilha do Retiro/Recife PE

 

40806598015_0e1cfbffff_z.jpg

Geromel, o Mito, em foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Trabalhei com esporte em alguns momentos da minha carreira profissional, especialmente no início, na primeira parte dos anos de 1980 quando fui repórter de campo —- como chamamos essa turma que fica atrás do gol e correndo atrás de jogador ao fim da partida. Na época estava na rádio Guaíba, em Porto Alegre.

 

Já em 1990, fui produtor de programa de esportes da rádio Gaúcha, durante a Copa da Itália. De Porto Alegre, marcava e gravava entrevistas, redigia textos e preparava o roteiro que o âncora apresentava aos ouvintes. Fiquei apenas no mês do Mundial e cheguei a fazer alguns jogos do Campeonato Gaúcho até receber convite para trabalhar com uma produtora de vídeo que me fez viajar por boa parte das cidades do Rio Grande do Sul — e aí o assunto não era mais futebol.

 

Em São Paulo, no início dos anos 2000, graças a Juca Kfouri e a RedeTV! tive a oportunidade de narrar jogos de futebol — da Champions League, do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil — além de algumas partidas de tênis. Foi uma experiência e tanto: imagine que transmiti a final da Copa do Brasil de 2001, entre Corinthians e Grêmio, na qual fomos campeões, sob o comando de Tite.

 

Quando pensei que a cobertura esportiva se resumiria a bate-papos nos programas de rádio e TV que apresentei em diferentes emissoras aqui na capital paulista, o Portal Terra me ofereceu uma chance única: cobrir a Copa do Mundo da África do Sul, em 2010. Diretamente da Cidade do Cabo apresentei programa que movimentava repórteres pelo país e trocava opinião com comentaristas e internautas. Foi emocionante.

 

O clima que envolve uma Copa do Mundo é contagiante. Turistas de todas as partes se encontram, se fantasiam e se divertem. Você, caro e raro leitor desta Avalanche, deve ter vivenciado parte dessa sensação durante o Mundial aqui no Brasil — mesmo que a maioria de nós prefira deixar para lá o que aconteceu naquela competição e continue a pagar a conta dos gastos mal feitos.

 

A Copa vai começar novamente, nessa quinta-feira, e independentemente do mau humor de alguns brasileiros — há quem diga que não são apenas alguns —, estou bastante entusiasmado com o que veremos nos gramados. A história dessa competição nos dá certeza de que atos heróicos estão para acontecer a qualquer momento. São jogadores, muitos dos quais jamais ouvimos falar, que superam dores e decepções, que se tornam heróis e algozes, que alegram e frustram, que estão a beira de cair no ostracismo da mesma maneira que podem se transformar em ícones de uma nação.

 

Cada Mundial é um capítulo à parte do futebol. Cada seleção tem seu próprio desafio. Cada jogador, uma expectativa diferente. Para uns estar em campo é a vitória; para outros só a vitória interessa. Há os que se satisfarão se tiverem a chance de perfilar ao lado de seus colegas na foto antes do jogo. Há os que só terão a alegria confirmada quando registrarem um selfie agarrado na taça de campeão.

 

Gosto de Copa e desta vez no papel de admirador do futebol me programarei para assistir aos principais jogos na TV. Vou parar para ver o Brasil de Tite. E, evidentemente, vou dedicar uma torcida especial para Geromel, que sonho ver saindo do banco de reservas para decidir um jogo complicado da nossa seleção. Sim, porque mesmo que eu goste de Copa e torça para o Brasil, a camisa que visto continuará sendo a mesma: a do Grêmio.

 

Aliás, o Grêmio é um dos motivos pelos quais não via hora desta Copa na Rússia começar. Estávamos precisando urgentemente de uma longa parada para colocar as coisas no lugar, respirar fundo, recuperar condicionamento físico, curar lesões e dores e voltar a jogar o futebol mais bonito do Brasil que, sem dúvida, não foi esse que mostramos na noite desta quarta-feira.

 

A Copa vai começar, ainda bem.

Avalanche Tricolor: sol, família e goleada

 

Grêmio 5×0 Sport
Brasileiro – Arena Grêmio

 

IMG_9221

O desabafo de Edilson (reprodução SporTV)

 

Um sabadão daqueles de dar gosto de viver. Depois de semana corrida e viajada, estava em família, tranquilo e em casa. Lá fora sol e temperatura agradáveis. Aqui dentro, o Grêmio na tela da TV com a possibilidade de ficar mais próximo da liderança do Brasileiro.

 

Tudo bem que o adversário era aquele que nos tirou os primeiros três pontos do campeonato quando já estávamos nos dedicando a Libertadores e estreamos o time reserva na competição nacional. E agora com um técnico respeitado pela torcida. Havia, também, o fato de a escalação estar com alguns desfalques: Luan e Barrios servem à seleção; Geromel e Maicon ao departamento médico; e Pedro Rocha às finanças do clube.

 

Bastou, porém, a bola rolar para percebermos que se o Grêmio não tinha os melhores à disposição, nós tínhamos o melhor do Grêmio em campo. A marcação era precisa, com a dupla de zaga se destacando e Bressan ratificando a aposta de Renato. O meio de campo dominava o jogo com toque de bola veloz e criativo e o ataque apresentava com mobilidade suficiente para atordoar o adversário.

 

Registre-se: quando falo em marcação, lembro-me da atuação dos atacantes, também que voltam para fechar o espaço; quando falo em meio de campo, incluo a chegada forte dos laterais; quando falo em ataque, lembro-me do volume enorme de jogadores que chegam a área vindo das mais diferentes posições.

 

Assim é o Grêmio de Renato. Time moderno no qual os jogadores invertem de lado, fazem a transição com tranquilidade e são capazes de se reinventar independentemente da posição que estejam escalados. Um time com personalidade para superar o impacto da desclassificação na Copa do Brasil.

 

Aliás, o adversário deste sábado à tarde, lamento, pagou caro seja pelo que fez no começo do Brasileiro seja pela perda que tivemos na Copa. E isso ficou evidente na forma como Edilson jogou: endiabrado. O primeiro gol que explodiu na rede e sua comemoração sinalizavam a raiva de alguém que não engoliu o desperdício do título e do pênalti, em Belo Horizonte. E ficou clara na fala dele ao fim do primeiro tempo quando lembrou do poder de recuperação do time mesmo sem que o repórter o tenha provocado a tratar do tema.

 

Edilson foi perfeito. Mas não só Edilson. Arthur segue carregando a bola com uma intimidade de dar inveja. Everton, que completou em gol a dupla meia lua de nosso lateral, também fez seu show lá na frente. Ramiro voltou a ser o batalhador de sempre, roubando bola, distribuindo jogo, sendo incisivo no ataque, provocando o pênalti e servindo seus companheiros. Fernandinho, goleador e melhor cobrador de pênalti da equipe, confirma-se como substituto natural de Pedro Rocha.

 

Faltando 16 jogos, tendo 48 pontos em disputa, o Grêmio está com 65% de aproveitamento no campeonato, tem disparado o melhor ataque com 40 gols, tomou conta do segundo lugar da competição e se aproxima do líder. Imagine se estivéssemos levando a sério este Campeonato.

Avalanche Tricolor: pagamos o preço das nossas escolhas

 

 

Sport 4×3 Grêmio
Brasileiro – Ilha do Retiro/Recife PE

 

IMG_7870

Gol de Thyere em reprodução do Canal Premiere

 

Sei lá de onde surgiu esta coisa de touca no futebol. E me parece que a expressão só é usada no Rio Grande do Sul mesmo. Se estiver enganado, não deixe de me ensinar. Imagino, como já escrevi nesta Avalanche, em setembro de 2015, que venha da expressão “marcar touca”, que significa bobear diante de uma situação qualquer. 

 

Dado o histórico das últimas partidas contra o adversário desta noite, pode-se colocá-lo na lista de “toucas” do Grêmio? Ano passado, mesmo com a boa campanha que tivemos, perdemos seis pontos para eles. E veja que os caras são de uma terra que sempre nos foi muita grata: é pertinho dali que escrevemos a história da nossa imortalidade na Batalha dos Aflitos. Vai ver que não vencer mais um dos times de lá seja o preço que teremos de pagar pela façanha alcançada em 2005.

 

Escrevo tudo isso em busca de uma boa explicação para o fato de termos desperdiçado mais três pontos em um campeonato brasileiro, mesmo tendo feito 1×0 aos cinco minutos e 2×0 aos 17, do primeiro tempo, sem contar o baile. Até os 30 minutos de jogo, o time nem parecia reserva (ops, alternativo), apesar de eu ter achado aquela formação um tanto estranha. Se eu não os entendia muito bem, com a bola rolando eles davam sinais que sabiam o que estavam fazendo: passe de pé em pé, deslocamentos para frente, dribles que funcionavam bem e muitos chutes a gol.

 

Estariam todos enfeitiçados pelo brilho do time titular? Ledo engano.

 

Já na parte final do primeiro tempo percebia-se que os ventos estavam mudando e a chuva aumentando. No segundo, a coisa desandou. Desistimos de jogar com a bola. Acreditamos que chutá-la para frente seria suficiente, o que apenas permitiu pressão maior do adversário. E a pressão somada a chuva e a falta de entrosamento da defesa nos fizeram pagar um preço caro na noite de hoje. Além de quase termos sido goleados, jogamos fora a liderança do campeonato.

 

Sei que é apenas o começo de uma campanha e, na quarta-feira, temos uma decisão pela frente, na Copa em que somos Reis, mas sabemos também que no Brasileiro o que vai fazer diferença lá adiante são os pontos jogados fora aqui no começo e contra adversário que na maior parte das vezes não está disputando o título. Já foi assim, em 2016. Legal se aprendermos essa lição.

 

É evidente que o resultado deste domingo não tem nada a ver com as coisas do sobrenatural do futebol, nem com sorte ou azar, menos ainda com a chuva que atrapalhou a todos em campo. O preço que pagamos foi pela escolha que fizemos. Por prudente que fomos. Reservamos o time titular para o meio de semana, quando teremos um adversário mais forte pela frente e diante de sua torcida. Mesmo que estejamos levando para o Rio um resultado bastante favorável (3×1 a nosso favor), precisamos ter todo cuidado possível e jogarmos o melhor que sabemos.

 

Escrevi agora há pouco que pagamos um preço caro, nesta noite. Na realidade, saber quanto terá nos custado a derrota de hoje, só os demais resultados da temporada nos dirão. Uma classificação na quarta, já diminuirá e muito esse custo.

Avalanche Tricolor: um resultado de tirar o sono dos outros, não o meu

 

Sport 1 x 0 Grêmio
Brasileiro – Ilha do Retiro/Recife

 

22064662423_c138edd3e5_z
A rodada do Campeonato Brasileiro reservou-me o Grêmio para fechar um fim de semana diversificado e divertido, que se iniciou no fim da tarde de sexta-feira com jantar em família. Os demais dias foram divididos entre sessões de filmes e seriados, realização de algumas tarefas profissionais pendentes e uma ótima experiência com um grupo de cidadãos dispostos a mudar a forma de se fazer política no Brasil, no evento Virada Política, que se realizou em São Paulo.

 

O caro e raro leitor deste blog pode achar estranho eu ter escrito no parágrafo acima que o fim de semana foi divertido, diante do resultado do meu último compromisso deste domingo. Claro que eu preferiria ir para a cama comemorando uma vitória, a medida que a conquista de mais três pontos nos daria chance de disputar o vice-campeonato e embolsar mais uns dois milhões de reais. Tivéssemos produzido ofensivamente um pouco mais, arriscado a gol um pouco mais e acertado o pé um pouco mais, principalmente na troca de passe final e no chute, era provável que saíssemos com resultado bem melhor.

 

Uma derrota como a deste domingo, porém, é incapaz de estragar os momentos que vivi no fim de semana ou mesmo a minha visão sobre o Grêmio – e olha que Heber Roberto Lopes se esforçou para tirar meu bom humor com sua arbitragem atrapalhada e displicente. Digo isso com tranquilidade porque teimo em não analisar o desempenho gremista por esta ou aquela partida, isoladamente. Hoje mesmo alguns jogadores que têm sido excepcionais em campo não conseguiram desenvolver o mesmo futebol. Seria injusto aproveitar o baixo rendimento para criticá-los.

 

Tenho insistido nesta Avalanche que precisamos olhar a campanha ao longo da temporada, as expectativas que tínhamos e a perspectiva que se abriu graças ao crescimento técnico e tático da equipe. Nossa evolução tem sido tal que a perda dos três pontos neste domingo é incapaz de mudar a trajetória vitoriosa que estamos trilhando na busca do Tri da Libertadores – esta sim uma obsessão gremista. Não há motivos de preocupação, o que não significa que tudo esteja resolvido. Roger sabe que precisa ajustar as peças, dar mais consistência para alguns jogadores e reforçar o elenco, mas tudo isto administrado com a tranquilidade, prudência e sabedoria que lhe são características.

 

Quem não deve dormir muito tranquilo neste domingo é aquela turma que viu mais um candidato chegar para a disputa da quarta vaga para a Libertadores.

 

A imagem deste post é do álbum Grêmio Oficial no Flickr

Avalanche Tricolor: apesar do empate

 

Grêmio 1×1 Sport
Brasileiro – Arena Grêmio

 

Maxi está de volta ao time (Foto Grêmio Oficial no Flickr)

Maxi está de volta ao time (Foto Grêmio Oficial no Flickr)

 

Torcedor quer ganhar sempre. E eu sou torcedor. Quero a vitória a qualquer custo e em qualquer circunstância. Esse fascínio pela vitória porém não é suficiente para me fazer praguejar empates como o da noite deste sábado.

 

Sei que era jogo contra adversário direto. Sei que saímos na frente. Sei, também, que tivemos próximo do gol que nos deixaria colado do líder, no Campeonato. E, provavelmente, é por saber de tudo isso que não saio frustrado.

 

Há jogos em que ganhamos com futebol sofrido. Hoje, jogamos futebol bonito. Bem jogado na maior parte do tempo. Fomos punidos com um gol exatamente na parte ruim, quando corremos atrás da bola em lugar de mantê-la no pé.

 

Com a bola de pé em pé e trocada com precisão. Com gente passando por um lado e gente passando pelo outro. Com drible e velocidade. Com a velha marcação de sempre. Fizemos jogo de gente grande e potencial de título. É isso que me dá tranquilidade, apesar do empate.

 

Quero ganhar sempre, mas sabemos que nesta competição não bastam vitórias mal-feitas. Essas são ilusórias. Garantem três pontos hoje, mas representam pouco a longo prazo. A conquista do título, que afinal é o que queremos mesmo, vem com jogo sustentável. E assim temos sido no Brasileiro deste ano.

 

Temos que fazer consertos no meio da área, principalmente, pois pelo alto seguimos enfrentando dificuldade. Lá na frente, talvez chutar com mais precisão a gol para aproveitar melhor as chances que criamos. E encontrar alguém com aquele jeito de matador. Do tipo que sai do banco para resolver o jogo.

 

Que a vitória seria importante para a campanha, não tenho dúvida. Mas vou curtir o fim-de-semana com tranquilidade, pois estamos na disputa e com futebol consistente.

 

A lamentar: a covardia da regra que segue a dar poderes ditatoriais ao árbitro