Mundo Corporativo: Rafael Segrera, da Schneider Electric, explica por que eletricidade 4.0 é chave para a descarbonização

Segrera em entrevista no estúdio de podcast da CBN Foto: Priscila Gubiotti/CBN

O grande desafio das nações do mundo é triplicar a porcentagem de energias renováveis, mas duplicar gestão energética. E essa combinação, essa equação é a equação perfeita. Porque o mundo mais eficiente, utilizando cada vez mais energia elétrica, esse é o verdadeiro vetor da descarbonização.
Rafael Segrera, Schneider Electric

O custo da energia, que muitas vezes aparece apenas como uma linha na planilha financeira, está no centro de uma disputa que define a competitividade das empresas e o futuro da transição energética. Em um momento em que a COP30 coloca o Brasil no mapa das negociações climáticas, cresce a pressão para provar que sustentabilidade não é apenas pauta ambiental, é modelo de negócio — sustentado por digitalização, automação e uso mais intenso de eletricidade. Esse foi o tema da entrevista de Rafael Segrera, presidente da Schneider Electric para a América do Sul, ao programa Mundo Corporativo.

Segrera parte de uma provocação direta ao empresariado: “Sustentabilidade não custa caro, é um negócio”. A frase resume a estratégia que, segundo ele, vem sendo construída há mais de duas décadas dentro da Schneider Electric. A companhia decidiu desenvolver tecnologia com três objetivos combinados: “Ajudar o planeta, fazer bem para as pessoas e, para ser sustentável no tempo, ser bom para a empresa”. Isso significa, na prática, colocar gestão de energia e eficiência energética no centro da geração de valor.

Ele explica que, em qualquer setor, a energia é componente relevante do custo operacional – de 3% a 7% em prédios comerciais, chegando a 20% ou 30% em saneamento, aço ou data centers. A partir daí, o raciocínio é simples: “Tudo o que a gente faz é para assegurar que você utiliza essa energia da melhor maneira possível, que tenha economia particularmente, e essa economia que é gerada é uma economia que tem um benefício no bottom line, na rentabilidade”.

Eletricidade 4.0, digitalização e a conta de luz

A resposta passa pela combinação de três peças: gestão de energia, automação e software. Segrera descreve a trajetória da Schneider, que saiu de uma empresa de produtos elétricos e de controle industrial para soluções integradas e, mais recentemente, para plataformas digitais. O objetivo é medir, monitorar e controlar o uso da energia em tempo real, em diferentes ambientes – de indústrias a prédios, de infraestrutura crítica a data centers.

Nesse contexto surge o conceito de eletricidade 4.0. “A junção do mundo elétrico ao mundo digital é o que a gente chama de eletricidade 4.0”, resume. A ideia é usar o poder das ferramentas digitais – incluindo inteligência artificial e realidade virtual – para redesenhar processos, simular cenários de consumo antes da implantação física, otimizar a operação e reduzir desperdícios.

Segrera destaca que o benefício mais visível da digitalização é a capacidade de enxergar o sistema como um todo: “Se você não mede, você não sabe como está se comportando”. A partir dos dados coletados, torna-se possível criar arquiteturas de informação que suportem decisões rápidas e consistentes sobre investimentos, manutenção e ajustes operacionais.

O tema dos data centers, hoje no centro da discussão sobre consumo de energia, também entra na conversa. Para ele, é preciso relativizar: “Hoje o peso do consumo elétrico dos data centers tá por 1%. A gente não pode pensar que são 20% do consumo energético, não são”. Ao mesmo tempo, ressalta que esse é um dos setores que mais pressiona fornecedores por eficiência, já que consome muita energia, água e espaço.

A inteligência artificial, vista muitas vezes apenas como nova fonte de demanda energética, vira ferramenta de ganho de eficiência: “Mais se aprende sobre o sistema e a inteligência artificial, mais nos permite ajudar a nossos clientes a serem mais eficientes. Então, é um círculo virtuoso”, define.

O lugar do Brasil na transição energética

Quando o assunto é matriz elétrica, Segrera reconhece uma vantagem importante do país. Ele lembra que o Brasil está entre as melhores posições do mundo em participação de fontes renováveis, fruto de decisões tomadas no passado e de investimentos de grandes empresas do setor.

O problema aparece do lado do consumo. “Nada serve gerar uma energia limpa, maravilhosamente limpa, se você tem problema na transmissão e tem perdas que podem chegar a ser até 40% ou mais”, afirma. Nas contas dele, o país está bem em renováveis, porém ainda distante de uma boa posição em eficiência energética.

Daí a ênfase em uma equação que ele considera determinante para o futuro: “O grande desafio das nações do mundo é triplicar a porcentagem de energias renováveis, mas duplicar gestão energética”. A combinação entre expansão de renováveis e uso mais eficiente da energia, com eletrificação crescente, é apresentada como a base de um modelo de descarbonização que não seja apenas discursivo.

O setor empresarial brasileiro, na avaliação de Segrera, caminha em duas velocidades. “O mundo brasileiro das grandes empresas, absolutamente” já compreende o tema, segundo ele, com alto nível de conscientização e adoção de práticas ligadas à eficiência e à sustentabilidade. Já as pequenas e médias empresas ainda esbarram em falta de informação e acesso às soluções disponíveis. Por isso, ele defende que as grandes companhias tenham um papel ativo de apoio, compartilhando práticas e conhecimento com a cadeia de fornecedores.

Há também um recado para conselhos de administração e lideranças: “Se elas hoje conseguem ter processos que, com eficiência energética, conseguem 10%, 12% de economia, elas devem ser mais exigentes para ter ainda mais”. E faz um alerta para quem quer competir em mercados globais: “Se o Brasil quer se tornar mais forte em um mundo cada vez mais competitivo, é com a adoção da sustentabilidade. […] A adoção de tecnologia e da inovação é a chave se você quer ser competitivo fora”.

Carreira global e convite aos executivos brasileiros

Ao fim da entrevista, Segrera abre um parêntese sobre sua própria jornada profissional. Venezuelano, começou estudando engenharia, mas trocou para administração porque precisava trabalhar à noite e não tinha como seguir o curso técnico no horário disponível. A curiosidade pela tecnologia, no entanto, permaneceu.

“Essa curiosidade, uma empresa como a Schneider me permitiu aprender muito”, conta. Em quase 30 anos de companhia, passou por Venezuela, França, China, Canadá e chegou ao Brasil, sempre em posições ligadas a negócios e liderança, não à engenharia. Essa trajetória internacional moldou sua visão sobre o potencial dos profissionais brasileiros.

Ele considera que o país tem educação sólida, cultura de inovação e capacidade humana para ocupar mais espaço no exterior. “O mercado brasileiro é tão grande que muitos decidem ficar aqui”, observa. A aposta dele é que a internacionalização pode fortalecer, inclusive, a atuação doméstica das empresas.

Por isso, deixa um convite direto: “O Brasil é um país muito bacana, o mundo também tem muitas coisas que oferecer e você pode chegar e compartilhar as coisas que você faz aqui”. Em outras palavras, ampliar a atuação para fora é parte da mesma agenda que inclui tecnologia, sustentabilidade e competitividade.

Segrera encerra com números que, segundo ele, mostram que essa estratégia não é apenas discurso. “Nossas receitas se multiplicaram por quatro, nosso benefício net (profit), bottom line, EBIT, se multiplicou por nove e a capitalização, o valor da empresa no mercado, por 12, entre 2003 e 2023”, afirma. A mensagem é que eficiência energética e sustentabilidade, quando encaradas como negócio, podem mudar o patamar de empresas de diferentes portes.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves, Priscila Gubiotti e Letícia Valente.

Mundo Corporativo: João Neves, da Thopen, fala do desafio de levar energia limpa do atacado ao varejo

Os bastidores da gravação online do Mundo Corporativo. Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“Nós vivemos em um período em que o nosso grande desafio é que a gente faça coisas de forma que não destrua o mundo. Conforme a gente conseguir colocar dentro dos nossos negócios processos e valores alinhados com isso, eu acho que vai fazer com que os negócios sejam mais duráveis e mais rentáveis.”

João Neves, Thopen Energy

Uma conta de luz errada, um detalhe técnico quase invisível e um ressarcimento de cerca de 6 milhões de reais. O caso se deu quando a Thopen Energy identificou que um cliente estava ligado fisicamente em rede bifásica, mas era cobrado como se tivesse uma ligação trifásica: na prática, “aquela conta ali vinha sempre um terço a mais”. O caso ilustra o que está em jogo na abertura do mercado de energia no Brasil: tecnologia, regulação e educação do consumidor combinadas para reduzir custos, dar liberdade de escolha e, ao mesmo tempo, empurrar empresas em direção a modelos mais sustentáveis. Esse foi o tema da conversa com João Neves, CRO e cofundador da Thopen Energy, no Mundo Corporativo da CBN.

Da conta de luz ao churrasco: quando a energia vira varejo

A Thopen nasceu em 2018 olhando para uma transformação que já aconteceu em outros setores. Neves faz um paralelo direto: “Está acontecendo com a energia o que aconteceu nos anos 2000 em Telecom e nos anos 2010 com os bancos”. Assim como um dia foi normal esperar meses por uma linha telefônica ou deixar dinheiro parado na poupança, ele enxerga na energia um movimento semelhante de migração do atacado para o varejo — com mais opções e mais pressão por eficiência.

Hoje, o mercado livre de energia é consolidado em países que começaram essa abertura há cerca de 20 anos. No Brasil, a transição ainda avança com mais lentidão. A Thopen se posiciona nesse intervalo: quer “dar liberdade, empoderar os clientes para que eles possam consumir energia da melhor forma possível”, tanto pelo lado da oferta (de quem fornece) quanto da demanda (de quem consome).

Esse trabalho passa por reler a conta de luz. Segundo Neves, em sistemas que processam milhões de faturas “naturalmente” surgem erros. A diferença está no que se faz com eles: a empresa cruza dados físicos da ligação com as informações da distribuidora, identifica incoerências tarifárias e aciona a concessionária para ressarcir o cliente. No caso emblemático citado na entrevista, o ajuste gerou cerca de 6 milhões de reais devolvidos.

Ao mesmo tempo, a Thopen opera em um setor altamente regulado e projeta crescimento: hoje fatura entre 500 e 600 milhões de reais por ano e trabalha com a meta de chegar a 1 bilhão. São cerca de 300 funcionários diretos e uma cadeia produtiva que envolve algo em torno de 20 mil pessoas, entre representantes e parceiros comerciais. “As pessoas estão descobrindo que essa é uma forma delas ganharem dinheiro”, resume.

Um mercado cheio de possibilidades e desconfianças

O avanço do mercado livre exige menos improviso e mais método. Neves descreve o setor de energia como “um mercado que está abrindo, um mercado que está cheio de possibilidades”, mas faz um alerta: “É fundamental que esse processo educacional seja feito da melhor forma possível. Então, pessoas que conseguem conversar com pessoas fazem bastante diferença”.

Essa ênfase na educação tem uma razão prática. No Brasil, onde golpes e promessas fáceis fazem parte do imaginário cotidiano, a primeira reação à oferta de conta mais barata costuma ser a suspeita. Na entrevista, ele sintetiza o pensamento do consumidor diante de uma proposta de pagar 10% a menos: “Qual é o primeiro pensamento do cara? ‘Onde é que ele está levando vantagem? Que falcatrua tem aí?’”.

Daí a insistência em credibilidade e transparência como condições de crescimento: “O essencial na estruturação da empresa vai ser a gente conseguir entregar os ativos que a gente tem que entregar e criar credibilidade no mercado para que eles possam usar os produtos que nós temos”. Em outras palavras, reduzir a conta é importante, mas não basta. É preciso provar que a economia não vem acompanhada de risco ou de armadilha contratual.

Essa mudança também reorganiza a lógica de atendimento. No atacado, um executivo pode cuidar de um cliente que movimenta 20 milhões de reais por mês. No varejo, a realidade é outra: é preciso desenvolver sistemas que gerem informação e valor para contas de mil reais, com alto grau de automação, sem perder a capacidade de corrigir problemas rapidamente. Neves resume: “No atacado, ele pode ser mais artesanal. O varejo não, senão ele morre”.

Tecnologia, IA e o papel do CRO

O cargo de João Neves ajuda a entender a engrenagem. “Essa foi uma invenção do presidente da empresa”, brinca, ao explicar o que faz um CRO, Chief Revenue Officer — em tradução livre para o português, CRO é o Diretor Executivo de Receitas. Sua missão é “fazer com que a gente tenha um negócio sustentável, começando lá do institucional, o marketing, publicidade, até geração de lead, de venda, faturamento, crédito, cobrança e colocar esse dinheiro no caixa”. Na prática, o CRO acompanha toda a jornada da receita, da construção de reputação ao pós-venda. Esse desenho exige processos claros e métricas bem definidas. Para formar equipes, Neves aponta três requisitos: “Você precisa ter entregas super claras, um processo muito bem desenhado para chegar até ali e ferramenta para medir — e medir a coisa certa”. No tipo de negócio da Thopen, isso significa acompanhar ao mesmo tempo a relação com o consumidor, com a distribuidora e com os geradores de energia.

A tecnologia é o eixo dessa operação. A empresa montou uma frente específica de inteligência artificial, com dois focos: vendas e experiência do cliente. “A gente pegou todos esses processos, começou a digitalizar tudo e tem uma parceria com uma empresa da Califórnia, com um LLM proprietário”, conta. O objetivo é usar modelos de linguagem em tarefas que vão do relacionamento comercial até o pagamento, para “entregar valor para os nossos clientes”.

Energia limpa como valor social

No fim da entrevista, o tema se abre para além das faturas. Neves trata a energia limpa como questão técnica, mas também cultural e social. Ele amplia o horizonte do negócio: “Nós vivemos em um período em que o nosso grande desafio, como sociedade, é que a gente faça coisas de forma que não destruam o mundo”. Isso inclui medir impactos, entender o que emite mais ou menos carbono e desenvolver mecanismos — como o mercado de carbono — que incorporem esse custo às decisões.

Para ele, essa não é apenas uma demanda regulatória. É mudança geracional. “Acredito que as novas gerações não vão aceitar fazer alguma coisa que elas achem que seja suja”, diz. A imagem que usa tem forte apelo visual: lembra a época em que se fumava em aviões, com área de fumante e não fumante no mesmo ambiente. Imagina a reação dos filhos se alguém acendesse um cigarro dentro da cabine hoje: “Eles vão achar que é um terrorista e que vão explodir aquele avião, porque não vão entender nada”.

No dia a dia, essa sensibilidade já aparece na decisão de compra: “A tomada de decisão dele, quando ele percebe que aquilo é uma coisa sustentável, é bem mais rápida. Ele se sente mais tranquilo em fechar uma compra”. A lógica vale para contas de energia, mas também para qualquer empresa que transforme obrigações regulatórias em oportunidade de negócio. Quem conseguir alinhar processo, tecnologia e propósito ambiental tende a ganhar vantagem competitiva em mercados que passam a valorizar, também, a origem da energia que consomem.

Ao projetar o futuro da Thopen, Neves fala em crescimento interno e em expansão internacional, atrelados à evolução regulatória brasileira: a ideia é desenvolver, aqui, modelos de negócio capazes de competir em outros países, gerar empregos qualificados e exportar tecnologia. Nas palavras dele, o desafio é “gerar valor para as pessoas, para os clientes, e que isso seja competitivo em qualquer lugar do mundo”.

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Mundo Corporativo: Aimeé Rocha e Eduardo Paiva, da L’Oréal, explicam como tornar diversidade e brasilidade em estratégia do negócio

Aimée e Eduardo na entrevista ao Mundo Corporativo Foto: Priscila Gubiotti

“Diversidade é a nossa licença para operar.”
Eduardo Paiva, L’Oréal

A L’Oréal aposta que refletir a pluralidade do Brasil dentro de suas equipes é tão estratégico quanto lançar novos produtos no mercado. Para os executivos Aimeé Rocha, gerente de talento, e Eduardo Paiva, diretor de diversidade, equidade e inclusão, a representatividade é não apenas uma diretriz de recursos humanos, mas uma forma de orientar decisões de negócio. O tema foi abordado em entrevista ao programa Mundo Corporativo.

A diversidade como estratégia

Eduardo Paiva foi direto ao afirmar: “A iniciativa privada deve ser parte da solução dos problemas que a sociedade enfrenta”. Para ele, se a exclusão é um traço histórico brasileiro, cabe às empresas enfrentarem essa realidade. Essa visão se traduz em metas claras de contratação de pessoas negras, profissionais com deficiência, integrantes da comunidade LGBTQIA+, além da promoção da equidade de gênero e de gerações.

Aimeé Rocha destacou o recrutamento intencional como prática essencial. “Quando eu abro uma vaga, eu persigo esse propósito de representatividade”, explicou. Segundo ela, os programas de entrada — jovem aprendiz, estágio e trainee — foram reformulados a partir de 2020 e hoje já refletem de maneira mais fiel a composição da sociedade brasileira. No caso do jovem aprendiz, mais de 80% dos contratados se autodeclaram pretos ou pardos.

Brasilidade como motor

A conexão com a cultura local também guia a forma como a empresa busca talentos. “Pessoas são centro da organização. Quando a gente fala de brasilidade, a gente está falando de uma cultura onde beleza é felicidade e que esse contato humano faz toda a diferença”, disse Aimeé Rocha.

Eduardo Paiva acrescentou que a diversidade brasileira inspira o mundo. “Aqui no Brasil a gente encontra 55 dos 66 tons de pele mapeados globalmente e todos os oito tipos de cabelo. Quando a gente junta isso nesse caldeirão, é a identidade brasileira inspirando vários países.”

Formação de líderes inclusivos

Além de atrair novos perfis, a L’Oréal busca formar lideranças que reflitam esse movimento. O programa Liderança Inclusiva trabalha seis dimensões de atuação dos gestores, como inteligência cultural e colaboração. “A gente cria oportunidades para formar líderes mais inclusivos, mas isso se estende e transborda para colaboradores diversos e não diversos”, observou Aimeé Rocha.

Para Eduardo Paiva, essa transformação também impacta sua trajetória pessoal: “Os últimos seis anos têm sido para mim um encontro com a minha potência, um mergulho na minha brasilidade”.

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Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: Ferrari sem ronco é como cerveja sem álcool?

Foto: Ferrari/Divulgação

Imagine acelerar uma Ferrari e não ouvir o famoso ronco do motor. Difícil? Pois é exatamente esse o desafio que a marca italiana terá de enfrentar com o lançamento de seu primeiro modelo elétrico, previsto para 2026. A montadora promete um som “autêntico”, mas admite: não será o mesmo barulho que fez gerações de fãs vibrarem.

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN, Jaime Troiano chamou a atenção para o desafio: “Acho que a marca é mais poderosa do que o ronco. As marcas emitem vários sinais: cor, forma, clima, aparência geral”. Para ele, a Ferrari será lembrada não apenas pelo som, mas pelo conjunto de atributos que a transformaram em objeto de desejo.

Cecília Russo trouxe uma comparação provocativa: “Uma legião de pessoas têm tomado cerveja sem álcool da mesma marca que bebiam antes. Mal comparando, o sabor sem álcool seria a Ferrari sem o mesmo ronco?” A imagem é engraçada, mas faz sentido. Afinal, quem diria que consumidores tão fiéis aceitariam abrir mão justamente do que parecia ser a essência do produto — o álcool no caso da cerveja, o açúcar nos refrigerantes, o barulho no carro esportivo?

Ela lembrou também que a Ferrari não faz esse movimento sozinha. Outras montadoras já testaram os limites entre tradição e inovação, acertando em alguns pontos e errando em outros. O que diferencia a marca italiana é o cuidado em observar e aprender com essas experiências, sem abrir mão da aura que a envolve.

Ao final, a discussão toca em algo maior do que motores e combustíveis. Trata-se da capacidade das marcas de se reinventarem em meio a novas tendências de consumo. Produtos sem açúcar, cervejas sem álcool e carros sem combustão revelam que a sobrevivência não está garantida pela força, mas pela adaptação. Como resumiu Jaime: “As espécies que sobrevivem são as mais adaptadas. As marcas que se adaptarem às novas exigências da sociedade e do mercado terão longa vida”.

A marca do Sua Marca

Ferrari sem ronco ou cerveja sem álcool? O que parece uma contradição pode ser, na verdade, a chave da sobrevivência. Marcas que ousam mudar, sem perder a conexão com sua essência, conquistam espaço em um mercado cada vez mais movido por tendências sociais e ambientais.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Mundo Corporativo: Rita Knop explica como a Neoenergia ajuda empresas a economizar com energia limpa

Reprodução do vídeo do Mundo Corporativo no YouTube

“Você imagina ter um shopping center atendido por combustível fóssil. Quando você moderniza a matriz energética, se beneficia o shopping e todos os empresários que têm lojas ali.”
Rita Knop, Neonergia

Empresários que ainda não migraram para o mercado livre de energia estão perdendo oportunidades reais de economia e eficiência. Essa é a avaliação de Rita Knop, diretora comercial da Neoenergia, ao abordar os impactos da abertura do setor para pequenas e médias empresas em 2024. A executiva alerta que, mesmo dois anos depois da mudança, há negócios que continuam pagando mais do que deveriam pela energia elétrica. A estratégia da companhia, segundo ela, é oferecer consultoria especializada e soluções personalizadas que garantem previsibilidade e reduções de até 35% no custo da energia. Conversamos sobre o assunto no Mundo Corporativo, da CBN.

Segundo Rita, o papel da Neoenergia vai além da comercialização: “A gente atua como um assessor energético. Assim como existe o assessor financeiro, nós ajudamos o cliente a entender e otimizar sua operação energética”. Essa atuação inclui diagnóstico, elaboração de soluções e até o financiamento da modernização da infraestrutura, por meio de um modelo em que a empresa paga uma mensalidade em vez de arcar com investimentos iniciais. “Ele não precisa se descapitalizar para renovar todo o seu parque de infraestrutura de energia. A Neoenergia faz esse investimento e presta o serviço ao longo do tempo”, explicou.

Da consultoria à transformação da cadeia produtiva

A adoção do mercado livre de energia, na visão da executiva, tem exigido uma mudança de mentalidade dos empresários. Muitos ainda têm dúvidas e medo da instabilidade dos preços, mas a proposta da Neoenergia é justamente oferecer segurança. “Você tem previsibilidade do que vai pagar ao longo dos meses e pode negociar contratos de até 20 anos”, afirmou.

Além disso, Rita destaca que a empresa avalia não apenas o consumo da organização, mas também o impacto da cadeia produtiva: “Junto com esses grandes clientes, a gente monta um plano de assessoria para a cadeia de fornecedores. Se ela não estiver descarbonizada, o cliente não consegue atingir suas metas ambientais, especialmente no escopo 3”.

A executiva também ressaltou a vantagem de a Neoenergia operar em toda a cadeia: geração, distribuição e comercialização de energia. “A gente tem uma energia 100% certificada desde a sua origem até o atendimento ao cliente”, garantiu.

Com experiência anterior no setor de telecomunicações, Rita afirma que vive no setor elétrico uma transformação semelhante à que testemunhou décadas atrás: “A gente dormiu regulado e acordou no mercado livre”, disse, comparando os desafios enfrentados na liberalização dos serviços.

Liderança e diversidade no setor elétrico

Rita Knop também falou sobre sua trajetória e os desafios de ser mulher em um setor historicamente masculino. “Quando me formei em engenharia elétrica, era quase uma agulha no palheiro”, lembrou. Ela afirma que só conseguiu avançar porque encontrou líderes dispostos a apostar em seu trabalho. Hoje, reconhece na Neoenergia um ambiente de estímulo à diversidade: “Não adianta você falar em diversidade, trazer uma mulher e não dar um ambiente, uma condição para que ela atue. Isso eu encontrei aqui”.

Ela cita, ainda, um programa da empresa reconhecido pela ONU, que já formou mais de mil mulheres eletricistas: “É com muito orgulho e satisfação de saber que eu tô num ambiente que eu posso ser uma líder mulher, sem ter que parecer homem”.

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Mundo Corporativo: Paulo Alvarenga, da thyssenkrupp, defende o papel do Brasil como protagonista na economia do hidrogênio verde

Reprodução da gravação do Mundo Corporativo no YouTube

“Quem quiser ter perenidade, quem quiser ter sustentabilidade, precisa rever os seus processos e garantir que a gente vai atingir a neutralidade na emissão de carbono.”

Paulo Alvarenga, da thyssenkrupp da América do Sul

O Brasil pode se tornar uma potência energética global ao aproveitar a matriz elétrica descarbonizada que já possui. A afirmação é de Paulo Alvarenga, CEO da thyssenkrupp na América do Sul, que defende o uso do hidrogênio verde como vetor de transformação econômica e ambiental. O executivo foi o convidado do programa Mundo Corporativo, em que discutiu o papel da indústria e da liderança na transição para uma economia de baixo carbono.

Segundo Alvarenga, o hidrogênio verde permite substituir fontes fósseis em setores industriais de difícil descarbonização, como a siderurgia. “Quando você usa hidrogênio para reagir com o minério de ferro, ao invés de gerar CO₂, você gera H₂O. É a produção de aço sem emissão de carbono.”

Descarbonizar é estratégia, não tendência

A thyssenkrupp lidera globalmente a produção de plantas industriais para geração de hidrogênio verde e, segundo Alvarenga, já investe em soluções para transformar esse hidrogênio em derivados como amônia verde e combustível sustentável de aviação. “Nós temos essa tecnologia há mais de 60 anos, mas só recentemente ela ganhou escala industrial e interesse de mercado.”

Para o executivo, a principal barreira à expansão ainda é econômica. “A vantagem é ambiental, mas não é econômica. Então a gente precisa criar mecanismos, como mandatos ou incentivos temporários, para estimular essa transição.”

Ao falar da experiência da empresa, Alvarenga contou que a thyssenkrupp está investindo 3 bilhões de euros para transformar a primeira linha de produção de aço na Alemanha em uma unidade de aço verde. “A siderurgia responde por 7 a 8% das emissões globais. Se quisermos reduzir de verdade, temos que mudar o processo industrial.”

Ele também destacou o papel do Brasil nesse cenário. “A gente tem energia renovável em abundância, uma indústria existente e mão de obra versátil. O Brasil pode ser exemplo de descarbonização e ajudar o mundo alimentando com energia limpa.”

Liderar é servir às pessoas

Além da pauta ambiental, Paulo Alvarenga abordou sua visão sobre gestão. Para ele, a liderança está diretamente ligada ao propósito e à capacidade de mobilizar pessoas. “Quando você percebe que as suas mãos não vão dar conta de fazer todo o trabalho, você precisa das pessoas. Seu trabalho passa a ser criar as condições para que elas possam fazer o que precisa ser feito.”

Ao ser questionado sobre o desenvolvimento de habilidades humanas ao longo da carreira, ele foi direto: “Você começa sendo bom em algo técnico, mas depois percebe que o impacto vem daquilo que você alavanca nos outros.”

Alvarenga também defendeu o engajamento entre governo, indústria e academia para acelerar a transição energética, e chamou atenção para a criação do marco legal do hidrogênio de baixo carbono no Brasil. “Essa regulamentação pode impulsionar uma nova indústria. Estamos falando de uma neoindustrialização baseada em sustentabilidade.”

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Mundo Corporativo: Marcelo Godoy, da Volvo, prevê que o carro do futuro será um celular com rodas

Registro da gravação no YouTube do Mundo Corporativo com Marcelo Godoy

“Hoje o tempo de decisão tem que ser muito mais rápido. O tempo de decisão, de implementação e de execução. Essa agilidade é o grande diferencial.” – Marcelo Godoy

Marcelo Godoy, Volvo Car Brasil

A transformação da indústria automobilística nunca foi tão acelerada. Com mudanças tecnológicas constantes, exigências ambientais crescentes e um consumidor cada vez mais conectado, as montadoras precisam reinventar seus processos, produtos e estratégias. No Brasil, esse cenário exige não apenas inovação, mas uma nova forma de liderar. Esse foi o tema da conversa com Marcelo Godoy, presidente da Volvo Car Brasil e da Associação Brasileira de Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores (Abeifa), no programa Mundo Corporativo.

A nova dinâmica da indústria automobilística

A digitalização e a eletrificação dos veículos não apenas alteram os produtos, mas também o perfil dos profissionais que atuam no setor. “Se antes era preciso ter uma formação técnica muito específica, hoje você precisa entender de todos os processos e tomar decisões rapidamente”, afirma Godoy. Ele destaca que os ciclos de desenvolvimento de veículos, que antes levavam até seis anos, hoje precisam ser concluídos em menos da metade desse tempo.

Esse ritmo acelerado também impõe novos desafios para as montadoras. “O carro do futuro será um celular sobre rodas”, diz Godoy, ressaltando a crescente integração entre tecnologia e automóveis. Para ele, essa revolução não se limita apenas ao produto final, mas também às expectativas dos consumidores, que já estão habituados a dispositivos tecnológicos cada vez mais intuitivos e conectados.

A liderança no novo cenário

Para liderar nesse ambiente de constantes transformações, Marcelo Godoy defende uma gestão baseada na diversidade de opiniões e na tomada de decisões ágeis. “Indiferentemente do cargo, todo mundo tem a sua opinião. Algumas coisas vão ser aceitas, outras não. Mas se, de cada dez casos, um input de uma pessoa mais nova fizer a diferença, isso já vale muito”, explica.

Godoy enfatiza que sua estratégia de gestão envolve a formação de equipes multidisciplinares, onde a hierarquia cede espaço para a troca de ideias. “Quando tenho um assunto crítico, monto um time de trabalho que pode incluir diretores, gerentes e até estagiários. Essa mistura de experiências gera soluções mais inovadoras.”

Ele também ressalta que um dos grandes desafios da indústria automobilística é garantir que os times estejam alinhados ao propósito da empresa, especialmente em meio a transformações tão rápidas. “Se você acredita na sua estratégia, pode passar um mês sem resultado, o segundo mês sem resultado, mas uma hora ele virá. Porque as decisões certas levam tempo para se refletirem nos números.”

O impacto da eletrificação

A Volvo tem apostado fortemente na eletrificação de sua frota e na criação de uma infraestrutura de carregamento para popularizar os veículos elétricos. A empresa já investiu R$ 70 milhões na instalação de carregadores rápidos em diversos pontos do país. “Quando decidimos instalar mil carregadores, optamos por disponibilizá-los para todos os carros elétricos, não apenas para os da Volvo. Queremos educar e criar esse mercado”, afirma Godoy.

Essa estratégia também envolveu a adoção de uma nova política de cobrança pelo uso dos carregadores por veículos de outras marcas. “No dia em que anunciamos a cobrança para clientes não-Volvo, nossas redes sociais foram invadidas de mensagens de apoio. Os clientes entenderam que estamos investindo na infraestrutura para beneficiar quem confia na nossa marca.”

Para além da eletrificação, a Volvo tem adotado outras iniciativas de sustentabilidade, como a redução da pegada de carbono e a implementação de materiais recicláveis em seus veículos. “O EX30, nosso mais recente lançamento, tem a menor pegada de carbono da história da Volvo, com diversos itens reciclados e recicláveis.”

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Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves, Malu Mões e Letícia Valente.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: estudo aponta o fim das gerações

O conceito de gerações, amplamente utilizado para categorizar comportamentos, consumo e comunicação, pode estar com os dias contados. Essa é a provocação trazida pelo comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, com base em um estudo realizado pela TroianoBranding em parceria com a consultoria Dezon. O levantamento questiona a relevância de dividir as pessoas em “caixinhas geracionais” em uma sociedade cada vez mais fluida e inclusiva.

Cecília Russo destacou que o uso das gerações se tornou uma “muleta” para justificar quase tudo, desde campanhas publicitárias até memes nas redes sociais. Porém, a pesquisa mostrou que, mais do que diferenças, o que une as gerações são os temas estruturantes da vida humana, como identidade, laços afetivos, comunidade, crescimento e bem-estar. “O que muda é a forma como cada tema é traduzido, a depender do contexto social ou da idade de cada pessoa”, explicou Cecília. 

Os cinco elementos estruturantes da pesquisa

  1. Identidade
    Refere-se à forma como as pessoas se percebem e se definem em relação ao mundo ao seu redor. Abrange aspectos como personalidade, valores e autocompreensão, que guiam suas escolhas e ações, independentemente da geração.
  2. Laços Afetivos
    Trata-se das conexões emocionais que as pessoas constroem ao longo da vida. Inclui relações familiares, amizades e vínculos afetivos que dão sentido à existência e influenciam comportamentos de consumo e interações sociais.
  3. Comunidade
    Diz respeito ao senso de pertencimento e à busca por coletivos que compartilhem valores e objetivos. Essa necessidade de se sentir parte de algo maior transcende gerações, ainda que os meios para formar essas conexões possam variar.
  4. Crescimento
    Representa o desejo humano de evolução, aprendizado e autodesenvolvimento. Pessoas de todas as idades compartilham essa busca, seja em aspectos profissionais, pessoais ou espirituais, mas o modo como perseguem o crescimento pode diferir.
  5. Bem-Estar
    Focado no equilíbrio físico, mental e emocional. Embora a forma de buscar o bem-estar varie, como práticas esportivas ou consumo de conteúdos relacionados à saúde, o objetivo de alcançar qualidade de vida é comum a todos.

Conteúdo universal e comunicação transversal

Jaime Troiano reforçou essa ideia ao falar do impacto para as marcas: “Existem mais similaridades do que diferenças entre as gerações, seja de mentalidade, seja no consumo de marcas.” Ele citou exemplos de marcas como O Boticário, Nike e Samsung, que conseguem se comunicar de forma transversal com diferentes públicos, usando os temas estruturantes como base. Para Jaime, a capacidade de criar conteúdos universais, adaptados para diferentes canais, é o que torna essas marcas relevantes para todas as faixas etárias.

O estudo também propõe que abandonar os rótulos geracionais é uma forma de inclusão, pois permite às marcas explorar temas humanos profundos sem a limitação de padrões tradicionais. Cecília Russo destacou que essa abordagem permite prever comportamentos de forma mais rica e abrangente, deixando de lado classificações que já não refletem a realidade atual.

A marca do Sua Marca

A principal mensagem do comentário é clara: ultrapassar a superfície das classificações geracionais é essencial para compreender as pessoas em sua profundidade. “É o fim das gerações, ou as gerações sem fim?”, questionou Jaime Troiano, ao concluir que os marcos geracionais podem, muitas vezes, aprisionar nossa visão. A verdadeira lição é pensar “fora da caixinha” e adotar uma abordagem mais inclusiva e universal, tanto na vida quanto nos negócios.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Mundo Corporativo: Pedro Rio explica como startups podem transformar o mercado de energia

Pedro Rio na gravação do Mundo Corporativo Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“A principal dica para quem está começando é escolher uma indústria que brilha seus olhos, que seja grande e tenha problemas a resolver.”

Pedro Rio, CEO da Clarke Energia

A energia elétrica no Brasil pode parecer um tema técnico e distante para muitos, mas o mercado está no centro de transformações significativas que prometem impactar diretamente o bolso e o meio ambiente. Pedro Rio, CEO da Clarke Energia, acredita que a inovação no setor de energia não é apenas uma oportunidade de negócio, é também um caminho para construir um futuro mais sustentável. Ele explica que “quanto maior a indústria e mais problemas ela tiver, maior é a chance de se capturar valor e encontrar soluções”. Essa abordagem empreendedora foi tema de sua entrevista no programa Mundo Corporativo.

O caminho para transformar uma indústria

A Clarke Energia, fundada em 2018, nasceu com o propósito de empoderar os consumidores no mercado de energia renovável, um setor historicamente burocrático e analógico no Brasil. Rio explica que se inspirou em mercados internacionais para desenvolver a ideia por aqui. Em países do Reino Unido compra-se energia como se compra passagem aérea no Brasil, com os consumidores tendo acesso a marketplaces que permitem comparar preços e fornecedores em tempo real. Segundo ele, “o mercado de energia brasileiro ainda exige muita educação por parte dos consumidores, o que representa um desafio, mas também uma oportunidade”.

Ao longo da conversa, Rio destacou os avanços do mercado livre de energia no Brasil, onde grandes consumidores já podem optar por fornecedores de energia renovável, alcançando economias de até 50% na conta de luz. Ele acredita que, até 2030, o mesmo será possível para residências. “O Brasil é um dos países mais eficientes em termos de geração de energia. Em breve, todos os consumidores poderão fazer suas comparações e escolher fornecedores.”

Além disso, Rio ressaltou que o crescimento da Clarke Energia se deve, em grande parte, ao compromisso da empresa com a sustentabilidade e a inovação tecnológica. A recente aquisição de 70% da startup pela Energisa, um dos principais grupos do setor elétrico, é vista como uma parceria estratégica para expansão, sem perder o foco em atender os clientes de forma personalizada. “A inovação para dar certo em grandes empresas precisa de autonomia. Nossa cultura e DNA são pilares fundamentais para o sucesso da Clarke.”

Ouça o Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

CBN Sustentabilidade: uma conversa sobre a urgência climática e o protagonismo brasileiro na sustentabilidade

No estúdio do CBN Sustentabilidade em Belém Foto: Caroline Papazian/CBN

O voo atrasou como têm atrasado os voos no Brasil, assim como o calor me acolheu como acolhe a todos os que chegam em Belém. Na minha ida a capital do Pará, há cerca de uma semana, a novidade  eram as máquinas e homens em placas publicitárias e em canteiros de obras, esboço do que a cidade pretende apresentar na COP 30, no ano que vem. Fui a convite da CBN que me propôs apresentar uma edição especial do CBN Sustentabilidade, programa que tem minha colega e amiga Rosana Jatobá como titular.

O caro e cada vez mais raro leitor deste blog sabe que me sinto mais confortável diante do noticiário factual do Jornal a CBN e das discussões estratégicas do Mundo Corporativo. Embora o foco em sustentabilidade tenha me levado a um território diferente dos meus programas habituais, posso dizer agora que a transição foi natural.  A pauta ambiental faz parte tanto do noticiário do dia — especialmente em meio a tragédias e emergências climáticas — quanto das conversas estratégicas com líderes de empresas, onde a sustentabilidade assume um papel cada vez mais determinante.

O programa teve como pano de fundo a Conferência Internacional Amazônia e Novas Economias, uma das muitas prévias dos debates que a COP 30 — que será realizada em Belém — levará ao cenário global. Isabela Teixeira, ex-ministra do Meio Ambiente, e Raul Jungmann, diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), foram os meus entrevistados, recebidos em um estúdio de podcast, cercado de vidros, que chamava atenção dos conferencistas que se deslocavam de um painel e outro de discussão.  

Experientes, Isabela e Jungmann trouxeram perspectivas que resumem o momento delicado e ao mesmo tempo promissor que vivemos. Segundo a ex-ministra, a vitória de líderes com visões opostas à pauta ambiental, como Donald Trump, é um desafio, mas também uma oportunidade para realinhamentos geopolíticos. O Brasil, sendo um dos poucos países capazes de oferecer alternativas econômicas que não dependem de combustíveis fósseis, assume um papel estratégico em fóruns internacionais como o G20, que começa semana que vem no Rio. Esse cenário coloca o país na vanguarda de um movimento global que olha a natureza como uma aliada essencial no desenvolvimento econômico e na preservação ambiental.

Raul Jungmann, por sua vez, reforçou que a sustentabilidade não é apenas uma pauta dos ambientalistas, mas uma questão de sobrevivência econômica e social. Ele destacou a importância de definir um preço para o carbono como forma de inibir as energias fósseis e de financiar uma transição para uma economia limpa. A Amazônia, neste contexto, é central não apenas por sua biodiversidade, mas por representar um modelo de desenvolvimento sustentável que o Brasil ainda precisa consolidar. Segundo Jungmann, essa transição exige um projeto robusto para a região, que inclua emprego e renda para os 29 milhões de brasileiros que vivem ali, muitos em condições de extrema vulnerabilidade.

Belém, ao se tornar sede da COP 30, representa simbolicamente a “COP da Floresta”, ou, como os próprios convidados enfatizaram, a “COP da Esperança”. É o momento em que o Brasil pode liderar um movimento global, mostrando que é possível alinhar desenvolvimento econômico e proteção ambiental. Isabela Teixeira ressaltou que, enquanto avançamos lentamente em políticas incrementais, a crise climática já está em um “elevador”, movendo-se rápido e exigindo respostas mais eficazes e globais.

Com isso, saí deste programa especial com uma visão ainda mais clara de que a sustentabilidade precisa deixar de ser uma agenda à parte para se tornar parte integrante de todas as esferas do debate público e privado, com impacto profundo no futuro do Brasil e do planeta.

Assista ao CBN Sustentabilidade

Na entrevista com Isabela Teixeira e Raul Jungmann falamos da importância do setor privado na garantia de que as pautas ambientais sejam permanentes e fortalecidas; dos cuidados a serem adotados para que se realize uma transição energética sustentável no Brasil; e das expectativas de avanços na COP 30. O CBN Sustentabilidade teve as participações de Carlos Grecco, Priscila Gubiotti e Renato Barcellos.