Mundo Corporativo: como a Natura promove o consumo consciente

 

 

O consumidor consciente, ao fazer a escolha dos produtos que compra, leva em consideração o impacto que gera no meio ambiente, na saúde humana e animal, e a relação de trabalho que estão por trás da cadeira produtiva. As empresas precisam estar atentas a este novo olhar e dar respostas práticas às demandas da sociedade. No programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, a diretora da unidade de negócio da SOU da Natura, Fabiana Pelicciari, conta algumas das ações desenvolvidas pela empresa para incentivar o consumo consciente: “as empresas tem que encontrar alternativas para impactar menos o meio ambiente, também. E isso não quer dizer que elas não podem ter lucro. Há formas alternativas de se fazer negócios, sim, continuar crescendo, continuar atendendo o desejo de seus consumidores, porém muito mais responsável”

 

O Mundo Corporativo vai ao ar, toda quarta-feira, 11 horas, ao vivo, no site da rádio CBN. Você participa com perguntas enviadas para o e-mail mundocoporativo@cbn.com.br, pelo Twitter @jornaldacbn e no grupo de discussão Mundo Corporativo da CBN, no Linkedin. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

A sustentabilidade no mercado do luxo

 

Por Ricardo Ojeda Marins

Cada vez mais praticada por empresas de diversos segmentos, a responsabilidade social ganha relevância também no mercado do luxo. É um dos setores que mais dá importância à questão da sustentabilidade. Pela sua natureza, os produtos de luxo e marcas prestigiosas são, em geral, exclusivos, raros, com preço elevado e durabilidade maior se comparados a produtos mais simples, em geral com preço mais acessível, mas prazos de validade menores e com tendência a serem substituídos mais rapidamente. Nesse segmento, a responsabilidade social pode ser percebida em ações como uso de materiais ecológicos, programas beneficentes, engajamento em políticas de conscientização e, ainda, em eventos com renda revertidas a entidades sociais.

 

Claro que não nasceu um repentino amor pelas florestas ou por comunidades de países abalados por guerras e pela miséria. Em tempos de crise, muitas empresas de luxo encontraram na postura politicamente correta a maneira mais eficiente de fazer com que o consumidor não se sinta culpado ao desembolsar valores altos por produtos tão desejados. No segmento automotivo, por exemplo, diversas marcas de prestígio como Porsche, Ferrari e Mercedes-Benz apostam em ações sustentáveis e na produção de automóveis híbridos, com menor consumo de combustível. Fatores como o aquecimento global e a escassez de recursos naturais faz com que muitas montadoras modifiquem seus processos de produção e ofereçam aos clientes opções de automóveis econômicos e menos poluentes, sem, é claro, perder o alto valor agregado do produto.

No segmento de moda e acessórios, vale destacar a atuação da grife americana Ralph Lauren, que mantém a Pink Pony Foundation, entidade criada pelo estilista fundador da marca, que cuida de mulheres que sofrem de câncer de mama. Sua coleção Pink Pony possui em cada peça o famoso cavalinho da marca estampado na cor rosa e parte de sua arrecadação é destinada à entidade. Além de manter a Pink Pony Foundation, Ralph Lauren é ativa em ações sociais: em 2012, doou USD 2 milhões em prol das vítimas do terrível furacão Sandy, ocorrido nos Estados Unidos, e, em 2010, criou coleção de pólos exclusivas com vendas revertidas para ajudar na reconstrução do Haiti, além de outros projetos.

Outro caso interessante é o da grife Cartier, responsável pela compra de 1% de todo diamante usado em jóias no mundo. A marca francesa mobilizou o Responsible Jewellery Council, que reúne 150 fabricantes de jóias, para convencer todos os associados a exigir de seus fornecedores certificação ambiental e social, garantindo que as pedras preciosas usadas em suas peças não tenham nenhuma ligação com zonas de conflito ou desrespeito aos direitos humanos e ao meio ambiente.

 

O consumidor contemporâneo é sensível a ações de responsabilidade social, preocupa-se com o meio ambiente e se interessa pela origem do produto que vai comprar. Para as marcas de luxo, hoje ser sustentável pode até ser uma tendência apenas, mas vai se transformar em questão de sobrevivência, principalmente com o crescimento do luxo consciente pelos consumidores desses produtos e serviços.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Atualmente cursa MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

A batalha da sustentabilidade: SP X RJ

 

Texto publicado originalmente no Blog Adote São Paulo, da Época São Paulo.

 

Guarapiranga, a represa

 

Sou do Rio Grande do Sul como já deve estar cansado de saber o caro e raro leitor deste blog. Os gaúchos somos bairristas, ao menos é a fama que temos desde que na Guerra dos Farrapos grupos rebelados pediam a independência do Estado Farroupilha. Mas bairrista mesmo é você, independentemente de onde tenha nascido. Tenho certeza de que se falarem mal de sua terra natal, você será o primeiro a sair em defesa do seu Estado, a despeito de reconhecer todos os problemas que existam por lá (ou por aqui). Dia desses, minha colega de Jornal da CBN Viviane Mosé comentou sobre a violência em São Paulo. Foi o que bastou para alguns paulistas mandarem mensagens desaforadas para minha caixa de correio. Como aquela moça, nascida no Espírito Santo e vivida no Rio de Janeiro, se atreve a reclamar da falta de segurança em São Paulo? Questionavam alguns, como se o assunto não fosse uma preocupação enorme dos paulistanos. Eu mesmo já ouvi desaforos deste tipo porque me meto a pedir melhorias para a capital paulista.

 

Hoje, em sua coluna Economia Verde, em O Globo, o jornalista Agostinho Vieira, meteu sua colher nesta disputa regional ao comparar as cidades do Rio e de São Paulo do ponto de vista da sustentabilidade. Sabia bem o risco que corria, pois já na abertura do texto lembrava que “para alguns cariocas, a melhor parte de uma viagem a São Paulo é a hora de voltar para o Rio. Já certos paulistas acham que este é um balneário decadente e caro, onde não vale mais a pena nem um fim de semana”. Vieira é craque no assunto – não do bairrismo, mas no da sustentabilidade – por isso trago algumas das comparações pertinentes que estão na edição desta quinta-feira do jornal. Acompanhe comigo:

 

Trânsito

 

SP – 11 milhões de moradores/5 milhões de carros (2,2 pessoas p/carro); 30% viajam de carro; da casa ao trabalho gastam 44min42seg em média
RJ – 6 milhões de moradores/2,6 milhões de carros (2,3 pessoas p/carro) 13% viajam de carro; da casa ao trabalho gastam 44min18seg

 

Metrô

 

SP – 74,3Km
RJ – 42km

 

Ciclovias

 

SP – 36km
RJ – 300km

 

Mortes no trânsito

 

SP – 12,1 morrem p/100 mil habitantes
RJ – 5,4 morrem p/100 mil habitantes

 

Poluição

 

SP- 38 microgramas de poluentes por metro cúbico
RJ- 64 microgramas de poluentes por metro cúbico

 

Emissão de gases de efeito estufa

 

SP- 15,7 milhões de toneladas de CO2 (2005)
RJ- 11,3 milhões de toneladas de CO2 (2005)

 

(neste ítem, os dados de 2011 devem mostra empate técnico)

 

Árvores

 

SP- 12,5 metros quadrados p/habitante
RJ- 56,8 metros quadrados p/habitante

 

Lixo

 

SP- 18 mil toneladas/dia
RJ- 9 mil toneladas/dia

 

Lixeira

 

SP- 1 para cada 58 habitantes
RJ- 1 para cada 213 habitantes

 

Reciclagem

 

SP – 2% do lixo gerado
RJ – 1% do lixo gerado

 

Fornecimento de água

 

SP- 100% das casas
RJ- 91% das casas

 

Esgoto coletado/tratado

 

SP- 96% das casas/54% das casas
RJ- 70% das casas/53% das casas

 

Uma ganha aqui, outro acolá. As duas, na maior parte dos itens, estão bem distante das recomendações internacionais. Mas, como escreveu Agostinho Vieira, “esta é uma boa e saudável disputa. Do tipo que deveríamos fazer questão de ganhar em 2016”. Todos nós, bairristas: paulistas, cariocas, gaúchos, pernambucanos …

Mundo Corporativo: estratégias em gestão ambiental

 

“O gestor ambiental é um profissional que precisa de uma visão integrada da realidade e ter conexão e facilidade para interpretar os especialistas do tema: o geólogo, o biólogo, o sociólogo, o antropólogo. Esse gestor terá de saber dialogar com todos esses profissionais e tirar o melhor de cada um para gerenciar o que é mais complexo: a realidade do seu entorno”. A afirmação é do doutor em engenharia pela UFRJ Marcelo Motta de Freitas, entrevistado do programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Nesta conversa, Marcelo, que também coordena o curso de pós-graduação em gestão ambiental da PUC do Rio e dirige a Ecobrand Gestão Ambiental, descreve estratégias que devem ser usadas pelos profissionais que pretendem atuar neste setor, além de comentar sobre as ações de sustentabilidade desenvolvidas pelas empresas brasileiras.

 

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da rádio CBN, com participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN

Rosana Jatobá: “a Terra sobreviverá, mas nós estaremos vivos?”

 

Por Dora Estevam

 

A elegância não está apenas na roupa que veste ou nos gestos que marcam sua fala. Rosana Jatobá é refinada no conteúdo, também, que vai muito além daquele que a maior parte do Brasil ainda se lembra, e com saudade, quando apresentava a previsão do tempo no Jornal Nacional, na TV Globo, onde trabalhou por 12 anos. Dedica-se agora ao tema da sustentabilidade, sem dúvida resultado do mestrado em Gestão e Tecnologias Ambientais feito na USP, mas que também pode ser explicado pelo destino que o nome de família lhe proporcionou. Jatobá é a árvore que mais sequestra carbono do ar, espécie de faxineira do ar. E Rosana busca ajudar o planeta com o recurso que desenvolveu no jornalismo: a comunicação. Atualmente, apresenta o programa “Tempo Bom, Mundo Melhor” na Rádio Globo, está escrevendo as últimas páginas de um livro e se preparando para lançar o site “Universo Jatobá”. A unir todos os projetos, o desejo de viver em uma sociedade mais justa e sustentável, o que já revelava em crônicas escritas no Blog do Mílton Jung, em 2010 (leia os artigos aqui). E a certeza de que o exemplo começa em casa, como demonstra nesta entrevista que fiz com a ela:

 

Quais as ações de sustentabilidade que você pratica, atualmente?

 

– Coleta seletiva do lixo e destinação correta, levando os resíduos ao posto de coleta do Pão de Açucar; economia de água e de energia; aparelhos eletrônicos com selo de efeciência energética e desligados (fora da tomada) quando não utilizados; uso de bicicleta para pequenos percursos; uso de ecobags; horta doméstica e ioga.

 

Onde você busca inspiração para os seus projetos? Quais são as suas referências?

 

– Minha maior referência é a literatura. Procuro me inspirar em grandes escritores sobre o tema, como Tim Flannery, James Lovelock, Nicolas Stern, José Goldembreg, Washington Novaes, Leonardo Boff, Echart Tolle, etc… Gosto também de ressaltar atitudes sustentáveis de pessoas famosas, pois é um chamariz eficiente de convencimento. Os exemplos mais factuais eu pesquiso em sites como EcoD, Planeta Sustentável, Treehugger e os cadernos de Sustentabilidade do Valor Econômico e do Estadão. Fico de olho tambem em documentarios e podcasts.

 

O consumo, de maneira geral, é um vilão da economia de sustentabilidade?

 

– O consumo é benéfico. Traz conforto e é a mola propulsora da economia. O erro é o consumismo, a prática exagerada do consumo, que resulta em exploração demasiada dos recursos naturais e no descarte inadequado. Temos que migrar de uma sociedade descartável para uma sociedade de bens duráveis. E temos que aprender a nos contentar com uma vida mais frugal, ligada a natureza, a qualidade dos relacionamentos e a espiritualidade, evitando buscar recompensas psicológicas por meio do materialismo. A economia da consciência vai predominar neste século e as inovações da tecnologia vão nos permitir uso mais racional da energia e da matéria-prima.

 

Quais as maiores dúvidas das pessoas com relação as questões ambientais?

 

A duvida conceitual: o mito de que o planeta vai acabar em água ou em fogo! Mas a verdade é que a Terra, por mais explorada e aviltada, sobrevivera, como ocorreu em outras eras. O que temos que atentar é para a sobrevivência da espécie humana e de muitas outras que, como sabemos, estão interligadas neste equilibrio ambiental. A duvida prática: como posso ser sustentável sem abrir mão do conforto material?

 

Já podemos dizer que o Brasil tem um forte apego a sustentabilidade?

 

Podemos dizer que o Brasil tem uma forte vocação e um potencial magnífico para ser sustentável. Temos a matriz energética quase toda limpa, uma das maiores e mais ricas florestas do mundo em biodiversidade, água em abundância, embora com problemas de escassez e distribuição; e um povo que gosta de natureza e é receptivo às mudanças necessárias. Quando a educação for prioridade, daremos as ferramentas para nosso povo fazer as escolhas corretas e lutar por uma sociedade mais justa e ambientalmente correta.

 

Quem você gostaria de ver falando sobre este assunto com você?

 

A minha maior conquista profissional é poder dividir o palco com a nossa Ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira em diversos eventos relacionados ao tema. Os últimos foram o lançamento da “Rede de mulheres líderes pela sustentabilidade” e a premiação do ” Champions of the Earth, da ONU”. Sou parceira do Ministério. Um dos projetos é engajar pessoas famosas como atores e jornalistas, a fim de formar opinião voltada para a preservação ambinetal e a responsabilidade social. Agora, se juntar o Brad Pitt, o Leonardo de Caprio e o Al Gore….não reclamo, não! rsrsrsrs

 

Como convencer o consumidor a ter percepção forte sobre o consumo alternativo?

 

Acho que dar bronca, censurando atitudes, não dá certo. Ao contrário. Você passa a ser encarado como ecochato. Tem que tentar engajar pela emoção, mostrando que o futuro dos nossos filhos está comprometido. E evitar um discurso catastrófico. Mostrar o lado bom de mudar.

 

Quando anda nas ruas da cidade o que mais chama sua atenção e você gostaria de mudar?

 

O que me comove e constrange é a desigualdade social, embora o Brasil seja, pela primeira vez na história, um país de classe média. Mas o fato é que há muita disparidade e uma sociedade desigual gera muitos conflitos. Como convencer um cidadão a fazer separar o lixo, se na porta dele passa o esgoto e a família não tem acesso à água potável?

 


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, aos sábados, no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: não basta ser, tem de parecer Verde

 

As montadoras de carros, os fabricantes de eletrônicos e a indústria da área de consumo aparecem em destaque no ranking global das 50 melhores marcas verdes, desenvolvido pela Interbrand, consultoria internacional de marcas. O estudo teve como base as 100 maiores marcas do mundo e identificou qual o comportamento dessas empresas na questão ambiental e como as pessoas percebem estas ações. O diretor-geral da Interbrand no Brasil Alejandro Pinedo, entrevistado no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, disse que “acreditamos que as marcas verdes mais fortes existem onde a percepção e o desempenho se encontra – uma diferença positiva ou negativa representa um risco para a marca ou um recurso subutilizado”. Os riscos que enfrentam as empresas que falam mais do que fazem e as estratégias para que as marcas que desenvolvem ações ambientais sejam mais bem percebidas também foram temas do programa. A classificação com as principais marcas você encontra aqui.

 

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da CBN, com participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br ou pelo Twitter @jornaldacbn. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

As 50 melhores marcas verdes do Planeta

 

No Mundo Corporativo que foi ao ar nesta quarta-feira, apenas no site da rádio CBN, apresentamos e analisamos o resultado do 2º relatório global das Melhores Marcas Verdes, segundo estudo desenvolvido pela Interbrand. Conforme prometi durante o programa, reproduzo o ranking com as 50 marcas que mais se destacaram neste estudo que abrange a percepção pública de desempenho com sustentabilidade ambiental e a demonstração desse desempenho para as marcas mais importantes do mundo. O relatório completo você acessa aqui, mas se quiser entender porque os fabricantes de automóveis aparecem tão bem colocados nesta classificação internacional, acompanhe a entrevista com o diretor-geral da instituição no Brasil, Alejandro Pinedo, que estará à sua disposição em vídeo na sexta-feira, no Blog, e em áudio, no sábado, no Jornal da CBN.

 

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Cidades roubam a cena na Rio+20

 

 

O documento mais importante da Rio+20 até aqui não foi aquele sobre o qual os chefes de Estado se esforçam para aprovar o máximo possível de frases sem efeito, mas o apresentado pelas 59 cidades que integram o C-40, organismo do qual São Paulo faz parte, inclusive tendo recebido seus integrantes no ano passado. Assumiu-se publicamente o compromisso de reduzir a emissão dos gases de efeito estufa em 248 milhões de toneladas até 2020 e de 1,3 bilhões de toneladas até 2030. Para que se tenha ideia da dimensão destas metas, seria como eliminar por um ano todas as emissões de México e Canadá juntos. Estas cidades terão um enorme desafio pela frente para não frustrar as expectativas proporcionadas pelo acordo, haja vista que abrigam em torno de 544 milhões de pessoas e são responsáveis, hoje, por 14% das emissões dos gases causadores do efeito estufa.

 

Apesar de receber com otimismo a boa intenção dos prefeitos, procuro não me iludir com os discursos e fotos entusiasmadas que se revelam neste momento. A cidade de São Paulo que havia se disposto a reduzir em 30% as emissões até o fim deste ano, chegou a 10% de acordo com informação do próprio prefeito Gilberto Kassab (PSD) em entrevista à rádio CBN. Bem verdade que avançamos muito em algumas áreas e temos iniciativas interessantes como a instalação de usinas de biogás nos aterros sanitários Bandeirantes e São João, onde durante anos depositamos o lixo que produzimos. A inspeção veicular, criticada por muitos, deve ser colocada nesta conta, também, pelo impacto que o controle sobre a emissão de gases dos automóveis têm no meio ambiente, mesmo com o crescimento da frota.

 

Se alguém ainda tem dúvidas sobre a urgência da implementação de medidas de combate a poluição, termino esta conversa lembrando entrevista desta semana, na qual conversei com o pesquisador do Laboratório de Poluição Atmosférica da Faculdade de Medicina da USP, Paulo Afonso de André. Ele calcula que teríamos evitado 14 mil mortes se o Brasil tivesse cumprido no prazo as etapas do Proconve – Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores que prevê a produção de diesel mais limpo.

A solução está na própria cidade e no seu comportamento

 

A boa gestão nas cidades é fundamental para a qualidade de vida das pessoas e para o desenvolvimento sustentável como se percebe em duas reportagens publicadas neste início de semana. Em O Globo, em interessante entrevista, o economista Ladislau Dowbor, professor da PUC-RJ, se mostra otimista em relação as cidades com até 50 mil habitantes, o que inclui 4,7 mil dos cerca de 5 mil municípios brasileiros. Para ele, é uma realidade administrável para assegurar melhores condições ao cidadão, tratar esgoto e não poluir ambiente. O desafio está nos maiores aglomerados urbanos como São Paulo, onde perde-se pelo menos duas horas por dia devido ao tráfego e R$ 20 milhões a cada hora de atraso no trânsito. “Mas há mais pressão por investimentos em carros do que em transporte de massa”, lamenta. Dowbor conclui que estamos muito mal em planejamento urbano e este é vital para o desenvolvimento sustentável.

 

Na Folha, o presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil/SP José Armênio de Brito Cruz chama atenção para a necessidade de se usar o ambiente urbano para integrar as pessoas. Ele explica que a segregação que aparece tanto com os ricos nos condomínios fechados como com os pobres nas favelas aumenta a insegurança: “temos que começar a entender o nosso território como nacional. Ainda que dentro da cidade, ele é de toda a população”. Na entrevista, Armênio destaca a importância de as regras sobre a ocupação do solo serem claras porque a construção da democracia na cidade demanda transparência na informação. A ideia é que o cidadão tem o direito de saber e opinar sobre o que será construído ao lado da casa dele e as compensações que foram impostas pela administração municipal.

 

Apenas mais um ponto que me chamou atenção. O presidente do IAB/SP entende que a população tem de compreender que a cidade é fruto dela própria, a população não é vítima da cidade.

 

Duas entrevistas que deveriam pautar as propostas dos candidatos a prefeitos de todas as cidades brasileiras. E nos fazer repensar nosso papel no ambiente urbano.

Mundo Corporativo: Gestão ambiental é o negócio

 

Parte da frota de caminhões que entregam cerveja e refrigerantes da Ambev usará combustível a base de óleo de cozinha, a partir de material que será coletado em restaurantes, bares e armazéns que fazem parte da sua rede de revendedores. Com esta ação, será possível reduzir o impacto que a circulação de caminhões gera no meio ambiente, além de se impedir que boa quantidade de óleo seja despejada, indevidamente, na rede de esgoto. Esta é uma das iniciativas da quarta maior cervejaria do mundo na tentativa de construir uma marca relacionada a questão da sustentabilidade. Além de contribuir para um melhor relacionamento com as diferentes comunidades, a gestão ambiental também gera lucros para o negócio da Ambev, disse Ricardo Rolim, entrevistado do Mundo Corporativo da CBN, neste sábado.

Rolim, diretor de relações sócio ambiental e imagem corporativa da Ambev, explicou a estratégia da empresa para envolver todos seus colaboradores nas iniciativas ligadas a gestão ambiental.

O Mundo Corporativo é apresentado, ao vivo, no site da CBN, às quartas-feiras, a partir das 11 horas, com participação dos ouvintes-internautas pelo Twitter @jornaldacbn e pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br. Você pode ouvir o programa, também, aos sábados, no Jornal da CBN.