Mundo Corporativo: Bia Martins e Mateus Ferrareto querem democratizar o ESG

Bia e Mateus em entrevista ao Mundo Corporativo. Foto: Priscila Gubiotti

“O ESG nada mais é que uma sigla que comprova as práticas socioambientais de uma empresa. Só que o ESG se tornou algo muito grande e muito difícil para pequenas e médias empresas.”

Bia Martins

Como pequenas e médias empresas podem adotar práticas de sustentabilidade e se beneficiar das políticas ESG (Ambiental, Social e Governança)? Essa foi a questão central da entrevista com Bia Martins e Mateus Ferrareto, fundadores da ESG Pro Brasil, no programa Mundo Corporativo. Eles discutiram como transformar a governança ambiental, social e corporativa em algo acessível e aplicável a negócios de menor porte. 

“Não tem como uma pequena empresa zerar carbono. Ela não sabe o que é isso e vai ser distante. Mas ela consegue trocar o copo plástico por um copo de vidro. Ela consegue apagar a luz quando não estiver usando. Ela consegue desligar o ar condicionado no dia que não está tão calor”.

Mateus Ferrareto

Estratégias e práticas

A ESG Pro Brasil é uma empresa dedicada a facilitar a adoção de práticas sustentáveis para pequenas e médias empresas. Ela oferece um selo de certificação ESG que valida e promove ações socioambientais corporativas. Além disso, a ESG Pro Brasil desenvolve trilhas de boas práticas em parceria com a Unesco, simplificando o processo de implementação dessas práticas. A empresa também colabora com mais de 180 ONGs, atendendo às metas de desenvolvimento sustentável da ONU, e fornece um sistema de benefícios e cashback para as empresas certificadas, incentivando o engajamento e a responsabilidade socioambiental no setor empresarial.

“Então, o que a gente é hoje, de uma forma bem prática: a gente é um selo e a gente quer democratizar o acesso ao ESG juntos”.

Bia Martins

Trajetória Profissional e Engajamento Social

Bia Martins começou seu envolvimento com questões sociais desde muito jovem. Aos seis anos, fundou a ONG Olhar de Bia, motivada por uma experiência pessoal marcante ao ver crianças em situação de vulnerabilidade. A partir dessa iniciativa, Bia se dedicou ao combate à miséria através da educação e da solidariedade. Sua trajetória é marcada por um profundo compromisso com a transformação social, que agora se estende ao seu trabalho na ESG Pro Brasil.

“O olhar de Bia nasceu de uma ação pontual no Natal, ajudamos 600 pessoas e hoje já impactamos mais de 450.000 vidas” 

Bia Martins

Mateus Ferrareto, por sua vez, encontrou no empreendedorismo uma forma de aliar suas habilidades profissionais ao propósito de promover a sustentabilidade. Formado em Arquitetura, ele cofundou a Eco Flame Garden, empresa que desenvolve móveis para áreas externas. Entendeu logo no início o peso de carregar o nome “eco” no seu negócio. Perdeu seu primeiro cliente, porque não considerava os conceitos ESG nas suas práticas. Ao deparar com aquela realidade, percebeu que precisava se aprofundar no tema:

“A Eco Flame Garden se tornou uma empresa carbon-free, com projetos que utilizam materiais reciclados, como redes de pesca retiradas dos oceanos”.

Mateus Ferrareto

A experiência com a Eco Flame Garden inspirou Mateus a criar a ESG Pro Brasil. Sua jornada profissional reflete uma busca constante por soluções inovadoras que conciliem negócios e responsabilidade socioambiental.

Ouça o Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves, Priscila Gubiotti e Letícia Valente.

Mundo Corporativo: a visão de Valter Patriani sobre inovação e cliente

Valter Patriani entrevistado no estúdio da CBN em foto de Priscila Gubiotti

“Então, você veja que a perspectiva do cliente é toda diferente, você precisa ter muita humildade para ouvi-lo, você aprende e transforma esse aprendizado em um bem maior.” 

Valter Patriani, empresário

Em um universo corporativo que exige constante inovação e adaptabilidade, a trajetória de Valter Patriani se destaca por uma visão diferenciada sobre a importância do cliente e da equipe no sucesso empresarial. Fundador da Construtora Patriani, Valter compartilhou, no programa Mundo Corporativo da CBN, ideias valiosas sobre como criar uma empresa vencedora. Este é um relato que vai além da construção de imóveis, adentrando o terreno da construção de relações sólidas com clientes e colaboradores.

O cliente no centro de tudo

Valter Patriani não é um nome estranho ao sucesso. Após uma carreira notável na CVC, uma das maiores operadoras de turismo do país, ele se aventurou no ramo da construção civil com um olhar inovador:

“E a gente vai tentando pegar o nosso cliente e entendendo quais são os momentos da vida dele para fazer imóveis para os diferentes momentos da sua vida, mas precisa ter muita atenção ao cliente, precisa entender de gente,” 

Essa percepção acerca da importância de colocar o cliente no centro das decisões empresariais é um dos pilares de sua estratégia. Fez assim no turismo, quando percebeu que apenas os mais ricos conseguiam viajar de férias, e buscou soluções para permitir que a família dos trabalhadores também aproveitassem os principais destinos do Brasil. Fez na construção civil, ao planejar apartamentos que oferecem funcionalidades e benefícios demandados pelos moradores.

Patriani destaca que ouvir o cliente não é apenas uma parte do processo, mas a essência para a inovação e adaptação. As necessidades e desejos do cliente direcionam desde a concepção dos projetos até as práticas de sustentabilidade e tecnologia empregadas na construção. Placas solares para economia de energia, janelas automatizadas para maior conforto e infraestrutura preparada para carros elétricos são apenas algumas das inovações mencionadas por Patriani, sempre com o foco na experiência do cliente.

Pensa nos detalhes: na janela diante da pia onde se lava pratos ou no nicho para produtos de banho ao lado do chuveiro; se todos os prédios já oferecem gerador de energia nas áreas comuns, o empresário amplia o atendimento a pontos essenciais dentro do apartamento, como a tomada para o celular não descarregar e a que mantém a geladeira funcionando.

Liderança e colaboração: pilares para o sucesso

A visão de Patriani sobre a importância do trabalho em equipe é igualmente reveladora. 

“Tudo nasce dentro da companhia, dentro do time. O que os funcionários de obra estão executando hoje foi pensado a um ano e meio, dois anos antes. E quem é que pensa? O time. Nenhum de nós é melhor do que todos nós juntos”.

Essa filosofia ressalta o valor da colaboração interna e da liderança participativa. Patriani sublinha a importância de conhecer e conversar com os clientes e colaboradores, uma prática que permite uma troca constante de aprendizados e experiências.

Assista ao Mundo Corporativo

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IA: soluções para as cidades, muito além dos cones

Ao acionar o Waze para circular na cidade em que mora, você já deve ter percebido a existência de ícones no formato de cones, que alertam para a existência de buracos no meio do caminho. Há muito mais desses cones de sinalização entre ruas e avenidas do que sua vã percepção é capaz de enxergar na tela do celular. Os “laranjinhas” tem sido a solução para cruzamentos em que os semáforos estão queimados, crateras que crescem em velocidade superior a capacidade de conserto das prefeituras e desvios de obras inacabadas.

O caro e cada vez mais raro leitor deste blog, sabe do meu fascínio pela proliferação de cones nas cidades. São tantos que a impressão é de serem a única solução conhecida pelos gestores municipais. Ironia a parte, a inteligência artificial que, no caso do Waze, colabora no deslocamento dos motoristas, tem transformado o cenário urbano com inovações que simplificam a vida dos cidadãos e otimizam a administração das cidades.

Nesta semana, Aracaju (SE) sediará o evento Smart Gov NE 2024, reunindo representantes de 60 cidades brasileiras para debater o uso da IA na melhoria dos serviços públicos. Esta iniciativa, promovida pela Associação Nacional das Cidades Inteligentes Tecnológicas e Inovadoras (ANCITI), destaca a crescente compreensão de que a inovação tecnológica é fundamental para aumentar a eficiência da gestão pública e a qualidade dos serviços oferecidos à população.

Johann Dantas, presidente da ANCITI e CEO da Prodam SP, aponta que, apesar de o Brasil contar com algumas das cidades mais inteligentes do mundo, como São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Recife, a implementação de sistemas de IA ainda é incipiente na maioria dos municípios. Uma pesquisa da ANCITI revela que apenas 21,9% dos municípios brasileiros têm orçamento previsto para a implementação e desenvolvimento de sistemas de IA, dos quais somente 42,9% estão efetivamente destinando esses recursos para a tecnologia.

Os desafios são muitos, incluindo a falta de legislação específica, a escassez de pessoal especializado e a necessidade de conformidade com legislações como a LGPD. Ainda assim, os resultados positivos do uso da IA começam a surgir. Projetos como o diagnóstico de câncer de pele por análise de imagens, em desenvolvimento em Porto Alegre, e o planejamento de linhas de ônibus por IA em São Paulo, mostram o potencial dessa tecnologia para melhorar a eficiência dos serviços públicos e a qualidade de vida dos cidadãos.

Além disso, iniciativas como a assistente virtual Marisol, de Fortaleza, que auxilia na busca por serviços públicos, e as soluções de IA usadas pela prefeitura de São Paulo para identificar, validar, classificar e preencher documentos, exemplificam como a tecnologia pode agilizar processos e tornar a gestão pública mais eficiente.

Inovações internacionais em gestão urbana com IA

No exterior, há experiências ainda mais incríveis. Em Boston e Sacramento, por exemplo, a Verizon empregou tecnologia NVIDIA Jetson TX1 para analisar fluxos de tráfego, segurança de pedestres e otimização de estacionamentos, integrando a IA nas luzes de rua existentes. Isso ilustra como a infraestrutura urbana convencional pode ser transformada em uma plataforma inteligente, gerando eficiência e novos serviços para a população​.

Helsinki destaca-se por seu compromisso com a construção de uma cidade inteligente, respondendo ao aumento previsto da população através do suporte a startups e à inovação em transporte público, gestão de resíduos e consumo de energia. A cidade visa reduzir o uso de carros particulares e promover uma rede de transporte público integrada e eficiente, acessível através de um aplicativo que planeja viagens combinando diferentes modos de transporte​.

Singapura, por sua vez, está avançando para se tornar uma cidade-estado totalmente monitorada, com a instalação massiva de sensores e câmeras para controlar aspectos variados da vida urbana, desde a limpeza de espaços públicos até o monitoramento do fluxo de veículos.

Colaboração de cidades viabiliza investimento em IA

No Brasil, ainda há enormes desafios para a construção de cidades inteligentes. Um dos questionamentos levantados por Dantas é sobre o retorno financeiro do investimento público em tecnologia. Embora seja difícil mensurar em valores os benefícios proporcionados pela tecnologia, como a economia de tempo e o aumento da eficiência, é inegável que a adoção de soluções tecnológicas é um caminho sem volta para as cidades que desejam se tornar mais inteligentes e eficientes.

O compartilhamento de informações e o trabalho colaborativo entre as cidades é uma das soluções que podem viabilizar investimentos públicos. Por exemplo, a análise de crédito para empreendedores, criação de planos de negócio e confecção de currículos, que já são realidade no Recife graças ao uso de IA, logo serão adotadas, nos mesmos moldes, por Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Londrina. A aposta do Smart Gov NE 2024 é que parcerias como essas se reproduzam durante o evento, que será nos dias 10 e 11 de abril.

O certo é que a trajetória rumo a cidades mais inteligentes e tecnologicamente avançadas já começou. As iniciativas e projetos em andamento no Brasil mostram que, apesar dos desafios, há um comprometimento crescente com a inovação tecnológica na gestão pública. Compartilhar experiências e soluções, como promovido pela ANCITI, é crucial para acelerar esse processo e garantir que as cidades brasileiras não apenas acompanhem mas liderem a transformação digital global. Quem sabe, em um futuro próximo, os cones deixarão de integrar o cenário urbano.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: ESG, a nova fronteira da gestão de marcas

Fabricar produtos com menor impacto ambiental é estratégia ESG

“O ESG surgiu para ditar práticas empresariais, mas também é um bom balizador para pensarmos o que as marcas, inclusive as pequenas, podem fazer no dia a dia para criar novas dimensões de significado à sua percepção.”

Cecília Russo

Em um mundo em constante evolução, a gestão de marcas, ou branding, tem se mostrado uma ferramenta indispensável para empresas que buscam estabelecer uma relação duradoura com seus consumidores. No entanto, atualmente, não basta apenas entregar um bom produto ou serviço. As marcas precisam se mostrar engajadas e responsáveis. Nesse contexto, entra em cena o ESG (Environmental, Social, and Governance) como direcionador das ações corporativas e, por consequência, das estratégias de branding.

ESG, sigla em inglês, se refere ao meio ambiente (E), sociedade (S) e governança (G) das empresas. A sigla surgiu pela primeira vez em 2004, em um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) intitulado “Who Cares Wins” (“Ganha quem se importa”).

“O branding está contido nas atividades de marketing e, por sua vez, está contido na gestão das empresas como um todo. Então hoje, tudo se conecta com tudo.”

Cecília Russo

Referências para entender ESG na prática

Vivemos em um período em que os consumidores esperam mais das marcas do que apenas a entrega de um produto de qualidade. Eles desejam que as empresas tenham um papel social, uma preocupação ambiental e uma governança transparente e ética. As empresas que conseguem incorporar essas dimensões em sua marca encontram um caminho de conexão mais profundo com seu público.

A Rhodia, por exemplo, destaca-se com sua fibra chamada Amni Soul Eco, pois ela não solta microplásticos no oceano, evidenciando sua preocupação ambiental.

“Nós criamos para ela um posicionamento que diz o seguinte: mais tempo com você, menos tempo no planeta. Isso porque a fibra especificamente não solta microplásticos no oceano.”

Jaime Troiano

Outros dois exemplos que atuam no S, do social, investindo em educação no Brasil e impactando milhões de brasileiros são os bancos Itaú e Bradesco.

Como referência para pensarmos sobre a importância do G, temos o caso recente da Americanas que sofreu por falta de governança, de um gerenciamento cuidadoso e transparente.

“O resultado disso é a perda de confiança na marca, que se desvaloriza diante de todos.”

Jaime Troiano

ESG não é tapume

Como Cecília bem ressalta, o fundamental é que as marcas não apenas falem sobre suas iniciativas ESG, mas que elas façam de verdade. Afinal, como já aprendemos em ‘Sua Marca Vai Ser Um Sucesso’: “marca não é tapume”, é a face visível de uma empresa e de suas práticas.

Portanto, para empresas e marcas que buscam se destacar no mercado atual, não basta apenas uma boa gestão de produtos e serviços. É preciso olhar para o todo, para o impacto global de suas ações, e o ESG surge como uma bússola nessa jornada.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O programa ‘Sua Marca Vai Ser Um Sucesso’ vai ao ar no Jornal da CBN aos sábados às 7h50 da manhã, com apresentação de Jaime Troiano e Cecília Russo. Para dar sugestões e fazer comentários sobre os temas abordados, envie email para marcasdesucesso@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: Marcello Schneider, da BYD, fala de geração de emprego e preparo para o futuro sustentável

“A fabricação de um carro elétrico é mais limpa e tecnológica em comparação com os carros a combustão, o que contribui para a redução da poluição e permite produzir veículos não poluentes em maior escala.”

Marcelo Schneider, BYD

O Brasil é um país estratégico para as operações da BYD, especialmente devido à sua rica biodiversidade e ao papel fundamental na luta contra as mudanças climáticas. É o que diz Marcello Schneider, diretor empresa chinesa líder mundial em veículos elétricos e soluções sustentáveis, em entrevista ao Mundo Corporativo, especial ESG, da CBN. A BYD construirá três fábricas para a produção de automóveis eletrificados, caminhões e ônibus elétricos e baterias no município de Camaçari (BA). O investimento de R$ 3 bilhões deverá gerar 5 mil empregos diretos e indiretos, conforme anúncio feito em julho. A empresa acredita que o Brasil pode se tornar um líder global em sustentabilidade.

Veículos Elétricos e a Redução das Emissões

A BYD é pioneira em veículos elétricos e investe fortemente em soluções de mobilidade sustentável. Schneider ressalta que a frota de ônibus elétricos da BYD no Brasil já superou a marca de mil unidades, contribuindo significativamente para a redução das emissões de gases de efeito estufa. Além disso, a empresa fornece veículos elétricos para uso urbano e de carga, impulsionando a eletrificação do transporte no país. Na entrevista, ele identifica os benefícios e os desafios na fabricação dos novos modelos de veículos:

“Vou dar o exemplo do ônibus. Uma bateria pode durar 15 anos junto com os ônibus.  Após essa aplicação para rodar com os ônibus, nós retiramos essa bateria, ela é rebalanceada e ela pode ser usada por mais 10, 15 anos em outra aplicação que são sistemas estacionários de energia. Vamos imaginar grandes containers ou até pequenos containers onnde nós vamos gerar energia através da energia do sol e armazenar”

Energia Solar e Armazenamento de Energia

A empresa também é uma das principais fornecedoras de sistemas de energia solar e armazenamento de energia no Brasil. Schneider destaca que a energia solar tem experimentado um crescimento acelerado no país, impulsionado pela busca por fontes limpas e renováveis. De acordo com o diretor da fabricante chinesa, a BYD oferece soluções completas para geração, armazenamento e gestão de energia, permitindo aos consumidores a independência energética e a redução das contas de luz.

A Transformação do Mercado de Trabalho

Marcello Schneider aborda o impacto da BYD no mercado de trabalho brasileiro. Com a expansão das operações da empresa no país, a demanda por profissionais qualificados em tecnologias sustentáveis tem aumentado. A BYD acredita na importância de capacitar a mão de obra local, criando oportunidades de emprego e contribuindo para o desenvolvimento socioeconômico do Brasil.

“Nós temos já aprovados aqui pelo nosso chairman global eum investimento da ordem aí de 10 bilhões de reais até 2025, tanto para abertura de uma nova fábrica quanto também para outros projetos de expansão e desenvolvimento. Sem dúvida, a gente vai ter uma uma necessidade muito boa de contratação de mão de obra especializada e não especializada”.

Desafios e Perspectivas Futuras

O diretor da BYD compartilha os desafios enfrentados no processo de eletrificação do transporte e da adoção de energias renováveis no Brasil. Ele enfatiza a importância da parceria entre governo, empresas e sociedade civil para promover políticas públicas que incentivem a sustentabilidade e tornem viável a expansão das soluções limpas.

Marcello Schneider destaca que a BYD está comprometida em continuar inovando e oferecendo soluções sustentáveis para o Brasil e o mundo. A empresa acredita que a transição para um futuro sustentável é urgente e que cada passo dado em direção a essa transformação é fundamental para garantir um planeta mais limpo e saudável para as futuras gerações.

O Mundo Corporativo tem as participações de Renato Barcellos, Letícia Valente, Débora Gonçalves e Rafael Furugen

Mundo Corporativo: Samuel Campos, da Vega, mostra como a tecnologia e o compliance ambiental transformam o Agronegócio

“Quem não tiver, não acompanhar esse movimento, não vai conseguir escoar o seu produto e não vai conseguir ter acesso, nem a prêmios ou investimentos, financiamentos de bancos que têm linha de crédito verde com juros diferenciados no mercado; e para ter acesso a isso você tem que mudar o seu modelo”

Samuel Campos, Vega

O conceito de compliance ambiental abrange as práticas e o manejo agrícola, buscando entender a interação da produção do imóvel rural com aspectos ambientais relevantes, como o combate ao desmatamento, sobreposições com terras indígenas, povos e comunidades tradicionais e unidades de conservação. A implementação dessas práticas sustentáveis é essencial para que o produtor atenda aos principais protocolos internacionais, como os da União Europeia, garantindo a aplicação desse conceito em toda a cadeia de suprimentos. Sobre o tema, o Mundo Corporativo entrevistou Samuel Campos, da Vega, uma empresa que especializada em monitorar a produção agrícola e testar a sustentabilidade das práticas na cadeia produtiva do agronegócio.

Rastreabilidade e Avaliação de Fornecedores

A rastreabilidade dos produtos agrícolas é fundamental para garantir a procedência sustentável da matéria-prima. Empresas como a Vega monitoram toda a produção desde a origem até a chegada na indústria, aplicando certificações e selos de sustentabilidade que atestam a conformidade com os protocolos ambientais. A avaliação de fornecedores desempenha um papel crucial nesse processo, e muitas empresas têm regras bem definidas para aceitar ou barrar a compra de produtos com origem não sustentável.

Tecnologia e Desafios para a Sustentabilidade no Agronegócio

A tecnologia tem papel fundamental no desenvolvimento sustentável do agronegócio. Samuel explica que a Vega usa técnicas de Inteligência Artificial e Big Data para processar e analisar dados de mais de 48 milhões de hectares de terras agrícolas no Brasil, buscando formas de integrar lavoura, pecuária e floresta para otimizar a produção e reduzir emissões de CO2. Os desafios incluem a conscientização dos produtores, a regularização ambiental, o monitoramento em tempo real e a transparência de toda a cadeia produtiva.

“O produtor rural às vezes quer estar dentro de um modelo mais produtivo, mas ele não encontra ainda as alternativas de saída: como é que ele vai regularizar o seu passivo? Como é que ele vai trabalhar com o estado no programa de regularização ambiental? Como é que a gente vai trabalhar esse monitoramento dessa transição? Esse para mim é um grande desafio na conscientização e na mudança desse modelo de produção brasileira”

Potenciais Impactos Negativos e Incentivos para a Sustentabilidade

Os produtores que não se adaptarem aos protocolos de compliance ambiental podem enfrentar restrições na venda de suas commodities em mercados internacionais, reduzindo a liquidez de seus produtos, de acordo com Samuel. Por outro lado, aqueles que adotam práticas sustentáveis têm a oportunidade de receber prêmios financeiros pela sua produção, além de acesso a linhas de crédito verde com juros diferenciados. A conscientização e a transparência na cadeia de suprimentos são cruciais para que a sustentabilidade se torne um ativo e não um passivo para os produtores. Além disso, lembra Samuel, os produtores ao aplicarem em tecnologia podem ampliar a variedade de safras e melhorar a produtividade:

“A gente costuma dizer que quando a gente conseguir mudar o mindset do produtor rural, que ele pode ter uma safra, uma safrinha, uma terceira safra ambiental, conectada a rastreabilidade da produção sustentável dele, a gente vai mudar toda a cadeia”.

Samuel destaca que o agronegócio está passando por uma grande transformação, impulsionada pela tecnologia e pelo compliance ambiental. O futuro do agronegócio está na conscientização dos produtores, na transparência da cadeia produtiva e no investimento em tecnologias inovadoras que permitam uma produção mais eficiente e sustentável. O desafio é grande, mas as oportunidades para profissionais qualificados no campo da tecnologia e da inovação são igualmente promissoras.

“Hoje, o mercado ele precisa  cada vez mais pessoas que enxerguem essa visão de sustentabilidade, que tem noção dessas questões de  ESG, de compliance; e quando você traz isso munido ali de conhecimento de inovação de tecnologia, você hoje é um profissional diferenciado no mercado”. 

Assista à entrevista completa com Samuel Campos, da Vega, ao Mundo Corporativo que tem a colaboração de Renato Barcellos, Letícia Valente, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: Raquel Scherer, da Melissa, fala do desafio de ser sustentável em uma fábrica de calçados de plástico

“A experiência sempre está em primeiro lugar. É isso que faz um cliente voltar. É isso que faz um cliente se encantar”. 

Raquel Scherer, Melissa

O encantamento que os calçados de plástico da Melissa provoca nas consumidoras é reconhecido internacionalmente e foi construído ao longo de quatro décadas. Os desafios, porém, não se encerraram na conquista de um público fiel que vê na marca um estilo de vida e é mais do que consumidor, é um embaixador. Precisamos lembrar que a sociedade é dinâmica e temas que no passado não estavam no foco das pessoas, tornaram-se essenciais. A sustentabilidade é um deles —- uma pauta que influencia decisões de compra e poderia ser uma barreira para quem tem o plástico como matéria prima. 

Na entrevista com Raquel Scherer, gerente geral da Melissa, no Mundo Corporativo da CBN, feita às vésperas do início da COP-27, no Egito, falamos de como a fabricante de calçados da Grendene se adaptou às novas exigências. Ela explicou que a jornada de sustentabilidade do grupo se iniciou há cerca de 15 anos com uma série de ações, muitas das quais passaram a ser informada para o público em geral, efetivamente, em 2019: 

“A Grendene sempre foi uma empresa que se preocupou muito em ser para depois parecer. Desde 2019, mais concretamente, a Melissa tem falado muito sobre o tema de sustentabilidade para o consumidor final. E a gente tem alguns pilares que regem nossa caminhada na sustentabilidade. O primeiro deles é a logística reversa”.

Raquel contou que todos os ‘Clubes Melissa’ — como a fabricante chama suas lojas — são pontos de recolhimento de produtos onde os consumidores podem entregar seus calçados. Existem dois caminhos para esse material recebido nos cerca de 350 coletores disponíveis: voltar para a fábrica para compor um novo calçado ou ser entregue a recicladores homologados. 

Pesquisar e usar fontes renováveis como material são alternativas consideradas pelo fabricante. Segundo Raquel, a Melissa tem investido no uso de plástico de matéria-prima vegetal e um exemplo é o lançamento da linha ‘Possession’, ícone da marca, que chega ao mercado a base de PVC oriundo da cana-de-açúcar. O modelo Sun, de 2021, por sua vez, usa até 20% de material de origem vegetal, como a casca de arroz. Considerando a capacidade de produção da Grendene  — e da Melissa, especificamente — esses movimentos precisarão ser alavancados nos próximos anos para que a marca não sofra os impactos da forte pressão que já existe por parte do consumidor e de diversas instituições que atuam em defesa do meio ambiente.

A imposição para que a marca atenda o tripé ESG —da gestão ambiental, social e de governança — aumenta a medida que a Melissa se internacionaliza. Ao chegar nos mercados dos Estados Unidos, Europa e Ásia, a fabricante de calçados se viu obrigada a acelerar seus planos na área de sustentabilidade. Apesar disso, Raquel entende que esse movimento ocorreu de forma natural, porque a empresa já vinha se preparando para atender essas demandas. 

A gerente geral da Melissa destacou, ainda, as ações relacionadas à diversidade  e à inclusão que, segundo ela, são um diferencial competitivo pois trazem diferentes visões de mundo para dentro da empresa e proporcionam iniciativas mais criativas. Apesar de não haver metas estabelecidas para contemplar gênero, raça e faixa etária, Raquel diz que é muito claro aos gestores, no momento da contratação, que é preciso pensar em times diversos.

Uma das maneiras de proporcionar o desenvolvimento de seus profissionais é a participação deles na “Universidade Grendene” que oferece uma plataforma de cursos, desde treinamentos específicos para cada área até a formação de novos líderes. Raquel ressalta que, neste momento, a empresa está incorporando a gestão das franquias, até então responsabilidade de um parceiro externo, o que a levará a ampliar sua equipe até fevereiro do ano que vem. Interessados, podem procurar as vagas no Linkedin da Grendene.

Assista à entrevista completa com Raquel Scherer, gerente geral da Melissa, que fala, também, de como a fabricante de calçados conseguiu criar uma legião de fãs e transformar suas lojas em ponto de convivência dos consumidores:

O Mundo Corporativo tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscilla Gubiotti e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: “zero carbono” é prioridade para setor privado na COP27, diz Fabiana Costa, do Bradesco

Foto Pixabay

“Sustentabilidade não pode mais ser vista apartada da estratégia de negócios. Sustentabilidade é a estratégia de negócios.”

Fabiana Costa, Bradesco

A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas  que se inicia na segunda semana de novembro, no Egito, está sendo posta como a derradeira discussão entre países na busca de desviar o planeta terra de um desastre ambiental. Com as crises provocadas pelo coronavírus e a guerra da Rússia na Ucrânia, ficou mais difícil alcançar as metas propostas nas conferências anteriores e o desafio precisará ser encarado por Estados, agentes públicos e empresas privadas. O Brasil enviará delegação de empresários disposta a apresentar práticas desenvolvidas no país, baseadas no tema da sustentabilidade.

Uma das instituições que estarão representadas no Egito é o Banco Bradesco, um dos três maiores do Brasil. No programa Mundo Corporativo, Fabiana Costa, gerente sênior de sustentabilidade do Bradesco, chamou atenção para o fato de que as conferências anteriores deixaram claro que as mudanças climáticas não são mais um risco emergente, são um risco consolidado e, portanto, as empresas precisam atuar em relação a essa agenda:

“Quando a gente olha a agenda climática, nós temos alguns desafios que é  entender qual que é o risco de tudo isso dentro da nossa atuação. Mas, também, de nos comprometer a apoiar os nossos clientes nessa agenda de descarbonização”.

Para a executiva, a agenda da sustentabilidade é colaborativa, depende de todos os setores e o privado é quem executa as estratégias de atuação. Explica que na COP as ideias são debatidas e, ao fim, todos levam do encontro lições de casa que precisam ser implementadas.  Às empresas cabe o papel de motor que alavanca a agenda de forma estratégica e convergente.

“Minha expectativa é alta (para a COP), eu acho que a gente tem uma pauta que é muito significativa que é a questão de descarbonização. Foi muito forte na última COP e eu acho que o ‘net zero’, toda essa agenda todo esse processo de implementação também vai ser muito relevante nessa COP”.

Fabiana lembra que o Bradesco foi um dos primeiros bancos brasileiros a mensurar a emissão de sua carteira de crédito e identificar qual o impacto disso no meio ambiente. Dentro da política de desenvolvimento sustentável foram criados três pilares: cidadania financeira, negócios sustentáveis e a agenda climática, sobre a qual falamos no início deste texto.

Para Fabiana , a cidadania financeira é a estratégia do banco comprometida em potencializar a a agenda de inclusão e educação financeira, e sintonizada as ODS — objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU:

“Como instituição financeira, nós temos um compromisso de trabalhar a educação financeira dos nossos clientes, da sociedade, por isso quando nós estruturamos a nossa agenda de sustentabilidade, olhando quais seriam os pilares principais de atuação do banco, a educação financeira foi um deles”.

No pilar de negócios sustentáveis a intenção é Impulsionar negócios de impacto positivo que fomentem o desenvolvimento socioambiental e, conforme, proposta do banco, a meta corporativa é direcionar R$ 250 bilhões para negócios sustentáveis até 2025 — até junho deste ano, 52% dessa meta já foi alcançada. 

“Além da meta nós fizemos todo um esforço aqui de capacitação e  engajamento de todos os nossos times corporativos para que eles tenham também esse entendimento e clareza; e levem isso para os clientes”.

Esse trabalho para capacitar e envolver todas as equipes internas, colaboradores e parceiros de negócio é um dos desafios do Bradesco, segundo Fabiana . Para ela é preciso desmistifica o assunto, falar de uma forma assertiva e ter uma estratégia que as pessoas entendam do que está sendo tratado. 

No programa Mundo Corporativo, Fabiana Costa também falou sobre políticas de diversidade, projetos apoiados pelo banco, formas de promover o tema da sustentabilidade na sociedade e como pequenos e médios empreendedores podem se engajar na agenda ESG. Assista ao programa completo:

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, no canal da CBN no Youtube, toda quarta-feira, 11h. O programa tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: desconhecimento sobre ESG de pequenos e médios comerciantes é desafio para Fecomercio, diz Luiz Maia

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“Sem o envolvimento de todos nós não vamos chegar nos objetivos finais; e não podemos jogar toda a responsabilidade no governo”

Luiz Maia, Fecomercio

O trabalho que você realiza, o serviço que você presta, o armarinho do seu bairro ou o mercado ‘tem-tudo’ que abastece sua região têm impacto no meio ambiente? A maioria dos pequenos e médios comerciantes de São Paulo (97%) responderam com um sonoro não a essa pergunta, em uma demonstração de desconhecimento da pegada ecológica que todos deixamos no planeta, independentemente do nosso papel na sociedade. Verdade que de acordo com a nossa consciência e a função que exercemos as marcas que deixamos no meio ambiente são maiores ou menores, mas é inevitável que sejamos consumidores de recursos naturais, como relata Luiz Maia, coordenador do comitê ESG, da Fecomércio SP, em entrevista ao programa Mundo Corporativo:

“Mesmo uma pequena empresa tem de uma certa forma impactos climáticos. Isso pode ser através do descarte dos seus insumos, que não é feito de uma forma adequada, pode ser através de sua cadeia de valores, onde existem emissões de gases, pode ser através de consumo de água, que não tá sendo controlado, não tá sendo monitorado, e pode ser pelo consumo. também, de energia elétrica”.

A Fecomércio — Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo — ouviu 100 empresas do setor na capital paulista, das quais 90 têm menos de dez empregados e as restantes têm mais de 50. Na pesquisa identificou-se que quase um quarto dos entrevistados alegam falta de conhecimento para adotar os critérios ESG. Se não conhecem os impactos ambientais que geram, se não conhecem as práticas de sustentabilidade que estão ao alcance, temos um problema pela frente — cenário que Luiz Maia prefere enxergar como uma oportunidade.

“Essa discussão tem que envolver as grandes empresas, ajudando as pequenas empresas a descobrir como elas podem cooperar e de uma certa forma participarem também desse processo de descarbonização, dos processos de despoluição que nós temos hoje no meio ambiente, na sociedade”

O aspecto social é considerado o mais relevante no tripé ESG por 46% dos comerciantes ouvidos pela Fecomércio. A porcentagem das empresas que deram prioridade a este tema superou as perspectivas ambiental e de governança — ambas com 27%. Para Luiz Maia essa percepção reflete tamvém os efeitos da pandemia, durante a qual muitos negócios se esforçaram para não demitir funcionários e adotaram medidas para controlar a disseminação do coronavírus —- em ações que alcançaram colaboradores, clientes e a vizinhança.

Por falar em oportunidade. Luiz Maia lembra que a maior parte desses comerciantes está na “última milha” do relacionamento com determinadas comunidades, o que pode torná-los em difusores do conhecimento das práticas ESG, alcançando a casa das pessoas nas regiões em que estão inseridos. Por isso, a Fecomercio quer usar os dados da pesquisa para criar estratégias para orientar os pequenos e médios negócios.

Na conversa que tivemos no Mundo Corporativo, provoquei Luiz Maia a antecipar medidas que poderiam ser implantadas de imediato pelos comerciantes atendendo as demandas ESG. Vamos a esse roteiro que vou chamar de Manual Prático de Sustentabilidade:

  1. Reduzir custo de energia elétrica com troca de lâmpadas e equipamentos de maior eficiência energética; e investir em geração fotovoltaica;
  2. Na área da governança, regularizar pagamento de tributos e a contratação de mão de obra;
  3. Fazer um planejamento financeiro que capacita o negócio a ser economicamente sustentável;
  4. Na questão social, pensar como se engajar na comunidade e aproveitar o espírito de voluntarismo do brasileiro para atuar em programas de saúde, educação e segurança pública.
  5. Dar preferência a contratação de pessoal ligado à comunidade em que atua.

“Com essas ações, o pequeno empresário tem o poder de começar a mudar um pouquinho para onde a direção da  agulha está indo; o caminho certo! Eu vejo essa iniciativas totalmente plausíveis de acontecer e se elas estiverem dentro de um contexto de um ecossistema de um grande grupo podem se beneficiar de várias outras formas, também”. 

Assista à entrevista completa com Luiz Maia, coordenador de ESG da Fecomercio SP, ao Mundo Corporativo, da CBN:

Colaboraram com o Mundo Corporativo: Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Mundo Corporativo: Maurício Adade, da DSM, diz como investimento em nutrição tem reduzido impacto ambiental na pecuária

 

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“Não existe espaço hoje para nenhuma corporação se esconder atrás de vitrines de sustentabilidade. Tem que atuar. E sustentabilidade é um ótimo negócio”.

Maurício Adade, DSM

O segundo e o mais danoso gás emitido no Brasil é o metano. Boa parte — enorme parte — é emitida pelo arroto do boi. Cerca de 72% das emissões de metano vêm da agropecuária, segundo dados do Sistema de Estimativa de Emissões de Remoções de Gases de Efeito Estufa. Se há um desafio para o Brasil alcançar as metas que assumiu na Conferência do Clima (COP-26), eis aí um dos maiores: reduzir a emissão de metano no campo, especialmente pela importância deste setor na economia.

Uma das soluções é o investimento na ciência, na pesquisa. E a nossa conversa no Mundo Corporativo ESG traz um pedaço dessa história que está sendo construída. Entrevistamos Maurício Adade, presidente da DSM América Latina, uma empresa global que surgiu há 150 anos e, atualmente, trabalha com nutrição humana e animal ou, como a própria se define, uma empresa de saúde, nutrição e biociência:

“Nós somos os maiores produtores, por exemplo, de vitaminas do mundo isso faz com que a gente atue no campo de nutrição animal e humana com ingredientes e soluções para os nossos parceiros estratégicos, parceiros comerciais  … e temos um negócio também que está relacionado com cosméticos”.

A marca DSM é pouco conhecida do público em geral. Não está na gôndola do supermercado nem na plataforma de comércio eletrônico. Mas está na margarina da mesa do café da manhã, no omelete e no cafezinho de cada dia. É, também, uma das líderes mundiais no fornecimento de vitaminas para a indústria de cuidados pessoais e cosméticos, estando entre as  principais indústrias em princípios ativos para emulsificantes, filtros UV e cuidado com a pele.

Dito isso, voltemos ao arroto do boi, que abriu a nossa conversa. De acordo com Maurício Adade, a DSM criou um aditivo para ração de vacas, ovelhas e cabras, com o qual é possível reduzir as emissões de metano. O cálculo que Adade faz é que se essa solução alimentar um milhão de animais seria o equivalente a plantar 45 milhões de árvores.

“Em setembro do ano passado, para orgulho nosso, o Brasil foi o primeiro país a registrar essa solução que chama Bovaer, uma solução que reduz pelo menos em 30% do gás metano em gado de leite e no gado de corte chegamos até 90% de redução de emissão de gás metano. E é uma solução muito simples, totalmente segura, ela foi aprovada recentemente pela comissão europeia, agora em fevereiro, e é muito simples”.

Simplicidade é algo que Adade dá sinais de gostar muito. Em meio a entrevista, quando pedi para que ele nos oferecesse outros exemplos de ações relacionadas ao tema da sustentabilidade, o CEO disse o seguinte:

“Eu gosto de coisa simples, porque complexidade normalmente gera custo e algum tipo de problema”.

Deixo a frase aqui registrada como sugestão para quando você estiver falando com outras pessoas ou pensando em soluções na área em que atua: seja simples!

De volta a entrevista.

Além do desenvolvimento de produtos para parceiros de negócio, pautados pelo tripé ESG, a DSM também investe em economia de baixo carbono internamente. Por exemplo, toda vez que surge a ideia da criação de uma nova fábrica ou nova linha de produtos, inclui-se no cálculo a pegada de carbono, usando como preço básico da tonelada o valor de 150 euros. Segundo Adade, sugestões que aparentemente eram boas deixaram de ser consideradas porque a pegada de carbono era muito grande.

Outro parâmetro dentro da economia de baixo carbono: toda inovação proposta têm de ter pegada de carbono menor do que a da tecnologia que será substituída.

Na área da diversidade e inclusão, Adade destaca o programa de combate a desnutrição que se inicia em pequenas regiões do Paraná e próximo de Lima, no Peru. A DSM oferece transferência de tecnologia e conhecimento para pequenos e microfazendeiros, capacitando-os a produzir ovos, que são usados na alimentação própria e para a venda. 

“Nós já conseguimos produzir oito milhões de ovos e esses ovos têm sido consumidos. Estamos fazendo agora um estudo de impacto nutricional. O que isso tem representado nessas pequenas comunidades. E a nossa ambição é ter, quando esse piloto estiver realmente consolidado, uma diminuição de pelo menos uns 30% da desnutrição na América Latina”.

Assista à entrevista completa do Mundo Corporativo ESG com Maurício Adade, CEO da DSM na América Latina:

O Mundo Corporativo tem as participações de Bruno Teixeira, Renato Barcellos, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.