Triste dia em que as telefônicas inventaram o call center

 

Por Milton Jung

 

No “Tô de saco cheio”,que li neste blog na última segunda-feira,o Mílton se queixava da TIM. E com inteira razão. Essa empresa andava cobrando-lhe dívida inexistente,eis que ele jamais foi assinante dessa telefônica. Lembrei-me do tempo em que,aqui no Rio Grande do Sul,éramos atendidos por uma concessionária apenas:a Companhia Telefônica Nacional,que somente não atuava em Pelotas e Capão do Leão,servidas pela CTMR. A CTN,mais tarde,foi encampada durante o governo de Leonel Brizola e passou a se chamar CRT – Companhia Rio-Grandense de Telecomunicações,que foi a primeira companhia telefônica brasileira a ser privatizada.

 

Fiz o intróito para justificar o que vou contar a seguir e que faz parte das lembranças que ainda guardo na cabeça desde a minha mais tenra infância. Nunca esqueci,por exemplo,o número do telefone da casa paterna: telefone da casa paterna:35-11. Esse ganhou depois um acréscimo. Virou 2-35-11. Em Caxias,onde nasci,os aparelhos telefônicos ainda não haviam adquirido um mínimo de modernidade. Eram bem diferentes dos atuais. Em em armazém, que ficava pouco adiante da casa do meu avô, cujo funcionamento sequer me atrevo a explicar. Demorava-se muito para completar uma ligação,ainda mais quando se tratava de fazer contato com Porto Alegre. Seja lá como fossem as traquitanas telefônicas da época,ao recordar-me delas, sinto muita saudade. A gente era feliz e não sabia.

 

Por que sinto saudade delas? Ah,naquele tempo não se sabia que,em um triste dia,as empresas telefônicas inventariam os famigerados “call centers”. Após a criação dessas pragas,acordam a gente de manhã cedo,interrompem a nossa sesta,deixam-nos furibundos e nem sempre temos o “prazer” de ouvir, do outro lado,uma pessoa querendo nos vender um serviço da sua empresa,mas umas ligação robótica,com voz masculina ou feminina.

 

Aqui em casa,temos sido assediados pela Oi, que assinamos,várias vezes a cada dia. Não faz muito,ligavam dizendo que falar da “central de provedores” e que iriam trocar o nosso modem. Os caras que nos contatavam tiveram o peito de fazer um telefonema após outro,obrigando-nos a deixar o telefone fora do gancho. Quem possui celular também sofre com “torpedos” enviados por suas concessionárias com ofertas variadas de produtos e de serviços. Nossa privacidade vem sendo, sempre mais, invadida por telefonemas indesejáveis de toda espécie.

 

Não deixem de ler,todas as segundas-feiras,o “Tô de saco cheio”,criado pelo Mílton Jung. Ele aceita colaborações.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Tô de saco cheio: TIM cobra dívida que não existe

 

Há dois meses, talvez um pouco mais, a TIM liga para o telefone fixo da minha casa todos os dias, inclusive aos sábados e domingos, cobrando dívida que jamais contraí.

 

De acordo com a mensagem automática que VOCÊ PODE OUVIR CLICANDO AQUI é “um comunicado de extrema importância” no qual sou informado que tenho pendência financeira que pode ser resolvida se eu ligar para o número 0800-8882373.

 

(Quer ouvir a mensagem de novo?)

 

No início imaginei que fosse algum golpe, desses que tentam copiar seus dados, tais como nome completo, número de telefone, CPF e endereço residencial. Antes de retornar a ligação, reclamei pelo Twitter ao @TIM_AJUDA que, um dia após, me respondeu pedindo um telefone de contato. Uma funcionária da empresa me procurou, mas não conseguiu explicar o motivo da cobrança.

 


(Quem sabe você ouve a mensagem mais uma vez?)

 

Algumas mensagens automáticas depois, decidi retornar para o 0800-8882373 porém novamente o problema não foi resolvido. A informação que recebi é que o meu telefone fixo está registrado em nome de algum caloteiro da TIM e, por isso, estou sendo cobrado. Passei meus dados, mostrei que sou o proprietário da linha, que não devo nada para a empresa mas isso não foi suficiente. A TIM informa que, apesar de mandar recados de cobrança, não encontra o meu telefone fixo nos seus registros. Ou seja, tem meu número para cobrar, mas não sabe de quem está cobrando. Legal, não?

 

(Já não aguenta mais ouvir esta mensagem? Eu também não)

 

Quer mais uma curiosidade nesta história: eu não sou cliente da TIM.

 

A coluna #ToDeSacoCheio é publicada às segundas-feiras, aqui no Blog, e funciona como uma espécie de divã do consumidor, onde a gente descarrega a raiva das empresas que desrespeitam seus clientes (e seus não-clientes, também)

Conte Sua História de SP: na fila para comprar passagem de trem (ou TIM)

 

Por Douglas Rufatto

 

Ouça aqui o texto que foi sonorizado pelo Cláudio Antonio

 

Depois de criança, minha primeira chegada a São Paulo foi engraçada. No interior de Santa Catarina me formei advogado. Logo procurei conhecer Goiás com ideia fixa de ficar rico, comprar fazenda, criar gado. Que esperança! Depois de visitar cidades que cresciam não sei quanto por ano, parei em Rio Verde, não mais que três dias, suficientes para desistir de toda aquela ideia e voltar para Santa Catarina com a humildade que aquela idade não quer aceitar. Entendi que onde o povo prospera o advogado vai mal. O advogado não prospera onde a prosperidade faz ninho. Advogado vai bem onde impera o problema. Onde impera a falência e a desgraça alheia. É essa a verdade. Não é outra a realidade da profissão. Mas para não perder o foco, volto a São Paulo.

 

Contava que saí de Rio Verde de ônibus e cheguei pelo terminal da Barra Funda, chegada de quem vem do norte. Minhas instruções eram boas, mas só para quem vem do sul, e chega pelo Tiete. Por sorte, o sertanejo que tem boca e um pouco de coragem, obtém, lá mesmo na rodoviária, um papelzinho explicando como tomar o metro e em que direção seguir. Tomei o pequeno mapa e fui logo à fila, tencionava comprar a passagem do trem. Acho que fiquei uma hora esperando minha vez. A fila era grande e eu, fazendo cara de macho, esperando a chamada, com o dinheiro dividido entre o bolso e a meia, sem olhar para o lado. Depois daquela espera, com a perna cansada de ficar em pé, já com a perna curada de ter ficado sentando uma noite e um dia, pedi à moça que me desse passagens do metro. Arrumando as notas que recebera do cliente anterior, sem me dirigir o olhar, disse apenas: “senhor, aqui não vendo passagem do trem. E indicando com o dedo, para cima, como quem mostra a lua, mostrou-me uma placa gigante que dizia: “RECARGA TIM”.

 

Agende uma entrevista em áudio e vídeo pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net ou escreva um texto para milton@cbn.com.br. Para ler outras histórias de São Paulo, visite o meu blog, o Blog do Mílton Jung.