Conte Sua História de SP: na fila para comprar passagem de trem (ou TIM)

 

Por Douglas Rufatto

 

Ouça aqui o texto que foi sonorizado pelo Cláudio Antonio

 

Depois de criança, minha primeira chegada a São Paulo foi engraçada. No interior de Santa Catarina me formei advogado. Logo procurei conhecer Goiás com ideia fixa de ficar rico, comprar fazenda, criar gado. Que esperança! Depois de visitar cidades que cresciam não sei quanto por ano, parei em Rio Verde, não mais que três dias, suficientes para desistir de toda aquela ideia e voltar para Santa Catarina com a humildade que aquela idade não quer aceitar. Entendi que onde o povo prospera o advogado vai mal. O advogado não prospera onde a prosperidade faz ninho. Advogado vai bem onde impera o problema. Onde impera a falência e a desgraça alheia. É essa a verdade. Não é outra a realidade da profissão. Mas para não perder o foco, volto a São Paulo.

 

Contava que saí de Rio Verde de ônibus e cheguei pelo terminal da Barra Funda, chegada de quem vem do norte. Minhas instruções eram boas, mas só para quem vem do sul, e chega pelo Tiete. Por sorte, o sertanejo que tem boca e um pouco de coragem, obtém, lá mesmo na rodoviária, um papelzinho explicando como tomar o metro e em que direção seguir. Tomei o pequeno mapa e fui logo à fila, tencionava comprar a passagem do trem. Acho que fiquei uma hora esperando minha vez. A fila era grande e eu, fazendo cara de macho, esperando a chamada, com o dinheiro dividido entre o bolso e a meia, sem olhar para o lado. Depois daquela espera, com a perna cansada de ficar em pé, já com a perna curada de ter ficado sentando uma noite e um dia, pedi à moça que me desse passagens do metro. Arrumando as notas que recebera do cliente anterior, sem me dirigir o olhar, disse apenas: “senhor, aqui não vendo passagem do trem. E indicando com o dedo, para cima, como quem mostra a lua, mostrou-me uma placa gigante que dizia: “RECARGA TIM”.

 

Agende uma entrevista em áudio e vídeo pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net ou escreva um texto para milton@cbn.com.br. Para ler outras histórias de São Paulo, visite o meu blog, o Blog do Mílton Jung.

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