Avalanche Tricolor: fizemos por merecer

 

Grêmio 1x 0Toluca
Libertadores – Arena Grêmio

 

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O gigante Ramiro marca o gol aos 15min na foto de Lucas Lebel/GrêmioFBPA

 

A sensação de assistir à partida pela Libertadores sem a tensão da busca pelo resultado é incomum. Verdade que esta tranquilidade só pode ser conquistada porque muito esforço, suor e talento foram despendidos até aqui. Sofremos na primeira, na segunda e em todas as demais rodadas desta competição porque assim é a Libertadores. Superamos todos os desafios impostos por adversários considerados pelos críticos, assim que os grupos foram sorteados, como os mais difíceis a serem vencidos. E nos demos ao luxo de chegar a esta última partida da fase classificados, sem riscos e ainda jogando diante da torcida.

 

A tranquilidade desta noite se construiu, também, quando a bola começou a rolar, pois fomos capazes de impor o futebol que tem sido nossa marca desde que Roger assumiu o comando da equipe: marcação intensa, sem espaço para o adversário, toque de bola veloz, muita aproximação e deslocamento.

 

Tenho chamado atenção também para outro fator que se repete jogo após jogo, ao menos a seis jogos seguidos: gols marcados nos primeiros 15 minutos. Hoje, após alguns chutes sem muita pretensão, quando o relógio já se aproximava do primeiro quarto de hora, diante de forte marcação do adversário, e depois uma série de troca de passes com presença de quase toda a equipe, Luan e Ramiro protagonizaram belíssima jogada feita de categoria e atitude.

 

Luan, como sempre, com a bola dominada no pé e a cabeça erguida, deu um passe magistral, foi talentoso e preciso. Ramiro, redescoberto lateral, se agigantou entre os zagueiros. Antes de disparar para dentro da área acenou para seu companheiro de equipe e surpreendeu a todos. Um golaço para tornar a noite ainda mais tranquila.

 

Uma noite tão tranquila que consegui, pela primeira vez neste ano, escrever esta Avalanche durante o segundo tempo da partida. Eu merecia. Nós fizemos por merecer.

 

Mas, como diria Tio Ernesto, é bom não acostumar, porque daqui pra frente só tem decisão.

Avalanche Tricolor: um sonho mal sonhado

 

Toluca 2 x 0 Grêmio
Libertadores – Nemésio Diez/Toluca (MEX)

 

Grêmio_Bandeira_Fotor

 

O desafio era enorme para o time que começa a temporada tendo de acelerar o ritmo pois tem de cara sua principal competição. Pois tinha a obrigação de fazê-lo a 2,6 mil metros de altura, o que sempre gera transtornos e trapalhadas. Para o torcedor que ficou aqui no Brasil, como eu, acrescente-se o fato de a partida ser de madrugada. Assistir ao jogo, independentemente do resultado, seria um sacrifício com preço a ser cobrado no dia seguinte, durante o expediente de trabalho.

 

Surpreendeu-me, porém, ao ver a bola deslizando no gramado de pé em pé e com movimentação tão intensa de nossos jogadores. Intensidade e velocidade não só rimavam como combinavam em campo. 

 

Ao adversário, empurrado pela torcida e animado pelos pulmões bem acostumados às alturas, restava pouco espaço. Seus atacantes não tinham liberdade para jogar. Os cruzamentos na área eram cortados na origem da jogada, por nossos laterais  sempre bem posicionados. Se por ventura a bola fosse alçada em direção ao nosso gol, contávamos com dois zagueiros saltando no tempo certo, despachando-a para longe, muitas vezes oferecendo a oportunidade do contra-ataque.

 

E lá na frente, aqueles meninos correndo de um lado para o outro, sempre em posição para o chute final proporcionado pelos passes que chegavam redondo dos pés dos meio-campistas. O gol era iminente; a vitória, uma certeza. 

 

Diante deste cenário, um relâmpago fora de hora estourou na madrugada paulistana, aqui perto de casa. Eu acordei desorientado, olhei para a TV e o jogo já havia se encerrado. Peguei o celular para conferir o APP do Grêmio que já anunciava a derrota na estreia da Libertadores.

 

Tudo não havia passado de um sonho mal sonhado. E nos meus sonhos, assistia ao Grêmio que Roger nos ensinou a admirar, em 2015. Que, queira ele, queiram os jogadores e queiramos nós, voltará a campo o mais breve possível.

 

Para meu consolo: um sonho mal sonhado está muito distante de um pesadelo.