Falta de respeito à lei causa morte e acidentes de caminhão, no Rio e São Paulo

 

 


A terça-feira se iniciou encrencada para os motoristas de São Paulo e Rio de Janeiro devido a acidentes de caminhões em algumas de suas principais vias de tráfego. Logo cedo, assim que o Jornal da CBN entrava no ar, noticiamos que as marginais Pinheiro e Tietê apresentavam problemas na circulação em função dos acontecimentos. Aparentemente, foi o acidente na Pinheiros que causou maiores problemas depois que um carreta de 40 toneladas transportando plástico tombou na via expressa, em direção à rodovia Castelo Branco. Houve necessidade de equipamento especial e operação cuidadosa para destombar o veículo e liberar as faixas. O motorista não se feriu, mas terá de dar explicações do motivo de estar rodando na Marginal Pinheiros dentro de horário de restrição, que se inicia às quatro horas da manhã e foi criado com o objetivo de diminuir os congestionamentos e os riscos aos motoristas de carro que usam a via.

 

Nada do que aconteceu em São Paulo se compararia com a notícia que chegou do Rio de Janeiro assim que o Jornal da CBN se encerrou. Recebemos a informação de outro caminhão que havia provocado acidente ao se chocar com uma passarela de pedestres, na Linha Amarela. Desde as primeiras notícias na rádio, assim como as imagens que a GloboNews transmitia ao vivo, davam a ideia de que o caso carioca seria ainda mais grave. No decorrer da cobertura, infelizmente, nossa percepção se confirmou e soube-se que quatro pessoas morreram e cinco ficaram feridas após o caminhão, que estava com a caçamba levantada, derrubar a passarela. Na Linha Amarela, os caminhões só podem rodar após às 10 horas da manhã, mas o motorista disse à polícia que estava atrasado e para ganhar tempo decidiu cortar caminho.

 

As duas maiores cidades brasileiras têm buscado soluções para reduzir o impacto do trânsito e aumentar a segurança restringindo a circulação e a velocidade de carros e caminhões em horários e áreas específicos. Porém, a falta de respeito de motoristas – muitas vezes profissionais como os personagens das notícias desta manhã – e a fiscalização capenga impedem que os resultados sejam efetivos. Enquanto todos acreditarem que a vida em sociedade carece de respeito às regras, mortes e transtornos se repetirão seja no trânsito, como hoje, seja nas obras, como no Itaquerão há dois meses, seja nas boates, como na Kiss, em Santa Maria, há um ano.

Motoristas argentinos não pagam multa no Brasil

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Em minha recente visita à Argentina tomei conhecimento de que as multas de trânsito tiveram o seu valor elevado para preços capazes de assustar até mesmo os motoristas financeiramente mais abonados. Lá,não só paga caro,além de sofrer outras penas,os que bebem antes de dirigir. Furar o sinal vermelho,estacionar em local proibido,enfim,cometer qualquer tipo de irregularidade custará os olhos da cara. Não me dei ao trabalho de converter o valor das penalidades em reais. Acreditem-me,porém,os argentinos terão de ter muito cuidado ao saírem às suas avenidas,ruas e rodovias para que não sejam multados.

 

Já sobre os nossos vizinhos, o jornal Zero Hora do dia em que escrevo o texto semanal para o blog do Mílton,ou seja,terça-feira,abriu esta manchete:

 

– De volta para o verão, hermanos devem R$20 milhões em multas

 

O número de penalidades não pagas é impressionante.Todos os anos as nossas autoridades tentam,sem sucesso,cobrar as infrações cometidas não só por argentinos,mas por outros estrangeiros. Em 2011 e 2012,o percentual de multas pagas por motoristas de outros países – os da Argentina,claro,são a maioria dos devedores – ficou em míseros 4%. Entre janeiro e dezembro de 2013,o índice é de 13%. O baixo número de infrações quitadas se explica pelas dificuldades que a Polícia Federal enfrenta para cobrá-las,seja nas estradas,seja nas fronteiras. Não é possível fiscalizar todos os veículos de turistas. Há os que se dão mal,são parados pela PRF e têm de pagar. Resta às autoridades brasileiras criarem maneiras de conscientizar os turistas afim de que não cometam infrações. Confesso que não acredito quase nada em campanhas com tal propósito. Seja lá como for,não custa colocá-las em prática e torcer para que deem certo…ou ajudem a diminuir o número de infratores dos países vizinhos.

 

Pemitam-me que mude radicalmente de assunto. Vivendo e ainda aprendendo. Do alto dos meus 78 anos,acabei de tomar conhecimento de uma palavra cuja existência e o seu significado nem de longe haviam passado por minha velha cabeça:selfie.Descobri tratar-se de importante estrangeirismo,mais um dos muitos com que temos de lidar. Afinal,li que o Oxford Dictionary,respeitadíssimo – como não ? – elegeu-a a palavra do ano. Fui ao Google – o salvador da pátria – e este me esclareceu sobre o significado de selfie:fotografia que a pessoa tira de si mesma,geralmente com um smartphone ou webcam e é carregada em um site de mídia social. Em resumo:selfie não passa de um autorretrato sofisticado graças ao uso,pelo autorretratista,de aparelhos modernos ou nem tanto,uma vez que experimentei me fotografar com um Nokia C3-00. Perdão,esqueci,também cheguei a utilizar para fazer uma foto minha,há tempo,com a webcam do PC,a fim de ilustrar (?)o meu perfil no Skype. Prometo que a ninguém assustarei com a minha selfie.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

As vítimas do trânsito somos todos nós

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Escrevi, na semana passada, que muitíssimos de nós,inclusive eu,sabe-se lá por que,somos felizes,mas duvidamos disso e nos queixamos da vida. Na primeira quinzena de novembro,lembrei o trágico tufão que assolou o arquipélago das Filipinas munido de ventos ferozes,para exemplificar episódio que,entre outros menos letais, desqualificam os resmungos de quem,como eu, é feliz e contradiz,assim mesmo,as benesses que Deus concede gratuitamente,porquanto não fazemos por merecê-las.

 

Na coluna anterior,além de citar os meus conterrâneos que,por força de enchente que atingiu cidades gaúchas,perderam seus parcos pertences e,inúmeros deles,viram ruir as suas casas,pensando já no feriado prolongado, comemorativo à proclamação da República – começou na quinta-feira e se estendeu até domingo – salientei que,geralmente,nesse tipo de folga,o número de acidentes de trânsito é bem maior do que nos fins de semana comuns.

 

Não deu outra. Em ocorrências nas rodovias do Rio Grande do Sul e em zonas urbanas,houve 20 óbitos,mais de 400 pessoas ficaram feridas e o número de motoristas embriagados seguiu sendo assustador, apesar das campanhas e da Balada Segura,que visa a flagrar esse tipo de infração. Um dos mais dolorosos dos acidentes com vítimas fatais não aconteceu, nas estradas gaúchas,mas no cruzamento de duas ruas de Porto Alegre,onde segundo se imagina,os motoristas respeitem um pouquinho mais a velocidade máxima permitida em vias urbanas.

 

Nesse,de nada adiantou o cuidado de pais que,preocupados com as suas filhas,revezavam-se para as buscar após inocentes baladas noturnas. Na madrugada do último sábado,tocou a Francisco Capaverde levar sua filha Bruna e as suas amigas,para a sua casa,onde dormiriam. Porém,não chegou lá. No cruzamento das Avenidas Pernambuco e Brasil,um Corsa colidiu violentamente com a EcoSport dirigida por Capaverde,que capotou. Bruna morreu na hora e as suas duas amigas ficaram feridas. Diego Alberto Joaquim da Silva,motorista do Corsa,fugiu pela Avenida Pernambuco,na contramão,mas foi localizado por agentes da EPTC. O pai de Bruna quer transformar a morte da filha em uma bandeira para os que lutam contra a imprudência no trânsito. Vai juntar os seus esforços ao da arquiteta Diza Gonzales,que criou a Fundação Thiago de Moraes Gonzaga,depois que o seu filho perdeu a vida no trânsito.

 

Ambos e os seus familiares,isso sim,têm sobradas razões para se queixar da vida. No caso que relatei,tivemos não uma,mas duas vítimas: os pais de Bruna e os de Diego,que defendem o filho ao dizer que “ele não é um monstro”. Seja lá como for,as vidas dessas duas famílias,daqui para a frente,nunca serão as mesas vividas até sábado passado.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Somos felizes, mas fazemos de conta que não sabemos

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Muitos ou,quem sabe,muitíssimos de nós somos felizes e,sei lá por que razão,fazemos de conta que não sabemos disso. Estou,confesso com lisura,entre essas pessoas que sempre encontram algum motivo para se queixar da vida. Faço,particularmente,uma força danada para me corrigir. Foram tantos,nos últimos dias,os episódios trágicos que lotaram os meios de comunicação,que me fizeram,no mínimo, repensar minha maneira de ser.

 

Creio que nada pode ser mais terrível do que as forças malignas da natureza. Supertufões, como o Haiyan,que atingiu com violência descomunal o arquipélago das Filipinas,armado de ventos que chegaram a 278km/h e de ondas gigantes,talvez tenha matado 10 mil pessoas,fora as que,se não perderam a vida,ficaram sem suas casas, ameaçadas por doenças e necessitando do socorro de inúmeros países. No Brasil,não sofremos com catástrofes provocadas por furacões,tsunamis e outros que tais,capazes de infernizar, com alguma regularidade, outras regiões do planeta.

 

Menos letais são os problemas enfrentados pela gente pobre brasileira,especialmente aquelas que se obrigam a erguer os seus casebres em terrenos que ficam à margem de rios ou córregos,sujeitos a verem suas residências paupérrimas serem inundadas em consequência de chuvaradas, episódios que ocorrem mais do que uma vez por ano. Exemplo disso está nesta manchete do jornal gaúcho Zero Hora:”Chuva mata,isola e deixa desabrigados no Estado”.

 

Refiro-me ao que aconteceu no início desta semana no Rio Grande do Sul. Olho as fotos publicadas pela mídia e fico a imaginar o desespero dos que perderam,mais do que as suas casinhas,todos os seus eletrodomésticos adquiridos a duras penas. Não bastassem os danos causados pela mãe natureza (ou madrasta natureza), em meu estado,não há semana,principalmente as que tenham feriados prolongados,esses que começam nas noites de quintas-feiras e se estendem até o final dos domingos,em que não ocorram acidentes fatais, nas vias urbanas e nas estradas,envolvendo toda espécie de veículos. Nesse domingo,colisão entre dois carros,um deles com oito pessoas,matou cinco jovens com idades entre 16 e 24 anos. A maioria das vítimas retornava de uma festa. Mas os óbitos não ficaram nisso:nesse final de semana,registraram-se mais 17 mortes,em acidentes de trânsito,no Rio Grande do Sul.

 

Diante desses fatos que acabei de relatar,sou obrigado a me perguntar até quando vou inventar motivos para me queixar da vida. Eu sou feliz. E sei disso!

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Teste de direção reprova 61% dos candidatos no RS

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Não pretendia voltar a escrever novamente sobre trânsito,uma semana após fazê-lo,mas uma manchete do jornal gaúcho Zero Hora me levou a mudar de ideia. Ei-la:

“Teste de direção reprova 61% dos candidatos no Rio Grande do Sul”.

Foram efetuados até agosto,no Estado, 321,6 mil exames,com 197,4 mil reprovações,lê-se também na matéria. Os números indicam que as exigências para os que se submetem aos testes são altas,reconhece o chefe da Divisão de Exames Teóricos e Práticos do Detran-RS,Jeferson Fischer Sperb. Não poderia ser diferente. Apesar disso,há quem,mesmo tendo passado pelos exames,dirige como se nunca tivesse cursado uma auto-escola,seja por cometer amiúde excesso de velocidade,seja por dirigir alcoolizado o seu veículo,seja por estacionar em local proibido ou infringir as demais regras das mais diversas maneiras.

 

Pode-se acrescentar a existência de mais um problema a ser enfrentado por quem pretende conseguir carta de habilitação:nem todos os instrutores, responsáveis pelas aulas práticas, se mostram à altura do cargo. Minha filha teve,por exemplo, o desprazer de ver o seu“mestre” pegar no sono ao seu lado. Segundo Jeferson Fischer Sperb,existe,por outro lado,carência de examinadores,razão pela qual,às vezes,se cria distância entre as provas prática e teórica. O candidato à carteira se ressente disso porque,ao lidar com a teoria,já esqueceu de alguns detalhes da prática.

 

O investimento para quem pretende sair com a carteira de habilitação na mão ao final da epopeia para obtê-la,não é pequeno:R$1.131,07. Ah, mas se o candidato não passar nas provas depois de dois anos,tem de recomeçar todo o processo.

 

As dificuldades, que são enfrentadas por quem pretende ser motorista de categoria B,talvez diminuam com o uso do simulador. Esse equipamento cria situações reais,nas ruas,mas nem todos os especialistas em trânsito estão otimistas com o seu efeito.

 

A diferença,por razões óbvias, entre o que é exigido agora e o que era necessário na época em que tirei carteira de motorista,são abissais,sem que vá nisso qualquer exagero.

 

Lembro-me,como se fosse hoje,que o meu pai me emprestou o seu Citroën 1947,isso em 1954,quando completei dezoito anos. Fui da casa paterna até o Detran sem a companhia do seu Aldo e de alguém habilitado para dirigir. Estacionei o carro na Avenida Ipiranga,fiz o exame teórico,no qual só respondi sobre o significado dos sinais de trânsito e, após esse,um policial entrou comigo no carro, pediu-me para dar a volta na quadra,vendeu-me um livrinho cujo conteúdo não recordo. E voltei para casa habilitado. Não gastei um tostão em aulas práticas. As teóricas,como as de hoje,simplesmente não existiam. Não contem para os meus netos,mas eu já pilotava o Citroën bem antes de tirar carteira. Claro,com anuência paterna.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista, bom motorista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Não dá pra aceitar 43 mil mortes no trânsito

 

Por Milton Ferretti Jung

 

O meu assunto de quinta-feira da semana passada foi a preocupação que me persegue desde a infância. Cheguei a lhe dar nome próprio,isto é, Dona Preocupação. Lembrei que, aos sábados, quando emprestava o carro ao Mílton para uma saída noturna, enquanto a mãe dele dormia a sono solto, eu permanecia acordado até ele chegar. Já naquela época, embora em Porto Alegre o número de automóveis fosse bem menor do que o de hoje em dia, eu rezava para que o meu filho voltasse incólume do passeio, não por desconfiar do seu comportamento ao volante, mas por medo dos motoristas que, especialmente à noite, se sentem tentados a pisar forte no acelerador.

 

Na semana passada, or exemplo, tivemos, aqui nesta cidade, dois acidentes com vítimas fatais, ambos envolvendo jovens. Em um deles,o irmão da vítima, ao ver que o mano, que costumava lhe dar carona, tardava a chegar, pegou um táxi e saiu atrás dele. O Vectra que o moço pilotava havia derrubado um poste e se incendiado. Testemunhas revelaram que um carro negro, dirigido na contramão, teria provocado a tragédia e fugido do local. Poucos dias depois, também à noite, três automóveis participantes de um racha,chocaram-se e, além dos que ficaram feridos,morreu o motorista de um deles.

 

O trânsito é um dos assuntos que abordo algumas vezes em meus textos, neste blog, porque é uma das minhas preocupações. Afinal,conforme lembrou Rosane de Oliveira em sua coluna do dia 2 de outubro,citando opinião do psiquiatra Flávio Pechansky, diretor do Hospital de Clínicas e da UFRGS, estamos 30 anos atrasados nesta matéria. Fico feliz ao ver que, hoje e amanhã, dezenas de jornalistas estrangeiros vão participar do 1º Simpósio Internacional sobre Drogas, Álcool e Trânsito, que terá lugar no Hotel Plaza São Rafael. Estará em pauta o debate das possibilidades da redução de acidentes, com base em experiências que obtiveram sucesso no Hemisfério Norte. Especialistas estrangeiros em trânsito não conseguem compreender, segundo Pechansky, citado por Rosane,a naturalidade com que o Brasil aceita a morte de 43 mil pessoas, por ano,em acidentes,além do número maior de feridos. O simpósio destes dois dias será preparatório ao Congresso Mundial sobre Trânsito,Álcool e Drogas que,pela primeira vez na América Latina,será realizado na cidade de Gramado. Desejos aos participantes do 1º Simpósio que tirem dele o melhor proveito.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

A revolução nas estradas começa na escola

 


Por Milton Ferretti Jung

 

Em Porto Alegre, de onde escrevo esta coluna, ano após ano, de maneira indefectível, no dia 20 de setembro, a Guerra dos Farrapos ou, se preferirem, a Revolução Farroupilha, é lembrada pelos rio-grandenses. Uso a palavra lembrada porque não entendo que revoluções ou guerras mereçam ser comemoradas. A Farroupilha estendeu-se de 20 de setembro de 1835 a 1º de março de 1845. Gaúchos de todo o estado reúnem-se durante o mês de setembro inteirinho no Parque da Harmonia. Desta vez, os que vieram acampar na capital, encontraram um parque com vias asfaltadas e livres, portanto, do barral que tinham de enfrentar, eis que sempre chove muito por aqui nesta época do ano.

 

No dia 20, o desfile dos piquetes na Avenida Edvaldo Pereira Paiva é o ponto alto do tradicional evento. Trata-se de um feriado estadual. Feriados desse e de outros tipos – nacionais, estaduais ou municipais – especialmente se caem em quintas ou sextas-feiras, são mais propícios à ocorrência de acidentes, eis que, ao contrário dos fins de semana normais, aumentam consideravelmente o fluxo de veículos nas rodovias. Às vésperas desses dias, a mídia costuma divulgar recomendações aos motoristas, visando a que não corram, tomem cuidado com as ultrapassagens e não consumam bebidas alcoólicas antes de dirigir, além de outros tipos de cuidados.
Como sempre,porém,nem todos dão a devida atenção aos avisos. Aqui no Rio Grande do Sul, o feriadão do dia 20, deixou saldo de 20 mortos nas estradas gaúchas. Em 2012, 18 perderam a vida nessa data. Não bastassem os acidentes fatais, o número de embriagados ao volante também é assustador: 115 foram flagrados, no Viagem Segura, dirigindo sob efeito de álcool. Desses, 67 foram conduzidos a delegacias porque se negaram a se submeter ao bafômetro.

 

Sempre que escrevo sobre o assunto, lembro que tem de ser obrigatória matéria versando acerca desse tema, já no curso primário, de maneira que as próprias crianças adquiram condições de influenciar os seus pais a respeitarem as leis do trânsito.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Rodízio de carros mais amplo não melhora trânsito em São Paulo

Texto publicado originalmente no Blog Adote São Paulo, da Revista Época SP

Ligação leste-oeste (Foto Pétria Chaves)

 

O motorista paulistano acordou com frio e sob ameaça de ter seu espaço ainda mais reduzido nas ruas da Capital. A CET – Companhia de Engenharia de Tráfego anuncia para setembro a ampliação em 240km da área em que o rodízio municipal estará em vigor, incluindo as avenidas Aricanduva (zona leste), Eliseu de Almeida (oeste), Inajar de Souza (norte) e Washington Luís (sul). A data para implantação do novo sistema estaria relacionada a melhoria do transporte público, que segundo o diretor de planejamento da companhia, Tadeu Leite Duarte, acontecerá com as novas faixas exclusivas de ônibus que estão sendo entregues desde o início da gestão Haddad.

 

Pesquisa anual feita pela própria CET mostra que a velocidade média dos veículos nos principais corredores caiu 12% no ano passado na comparação com 2011. Se antes estava ruim, agora ficou pior: enquanto pela manhã a velocidade média é de 23km/h, no período da tarde, é de apenas 15km/h. No horário de pico da manhã (7h às 10h), os congestionamentos subiram de 53 para 68 quilômetros e da tarde (18h às 21h) passaram de 107 para 120 quilômetros. Mesmo fora do horário de pico a situação ficou mais complicada: às 11 da manhã, o índice médio de congestionamento subiu cerca de 50%, de 34 para 66 quilômetros.

 

Com o desafio de mudar este cenário, a prefeitura tem investido na ideia de aumentar o espaço para os ônibus e restringir o dos carros. Foram instalados 70 quilômetros de faixas exclusivas para o transporte coletivo até agora, incluindo a Avenida Paulista e as marginais Pinheiros e Tietê, e a ideia é chegar a 220 até o fim do ano. Para 2016, o plano prevê 150 quilômetros de corredores de ônibus, mais efetivos do que as faixas. Com as intervenções feitas até agora, estudos preliminares teriam mostrando aumento na velocidade dos ônibus de 13km/h para 15km/h, o que, convenhamos, não motiva ninguém a deixar o carro de lado para subir no ônibus. Por isso, não dá para crer que a ampliação da área de restrição de circulação de carros levará os motoristas a se transformarem em passageiros.

 

Hoje, conversei com Luis Célio Botura, engenheiro especializado em transporte, sobre a pretensão da prefeitura em relação ao rodízio. Para ele a medida trará mais prejuízos do que benefícios, pois aumentará a quantidade de carros dentro dos bairros, em ruas pouco apropriadas para a circulação de veículos, onde, aliás, não existe monitoramento da CET (ou seja, sequer serão calculados nos índices de congestionamento da capital). Ele defende a ideia de a prefeitura atuar nos pontos críticos da cidade com melhor controle sobre os semáforos e a construção de passagens subterrâneas para eliminar cruzamentos como o da avenida Giovanni Gronchi com a Morumbi, na zona sul.

 

A redução do espaço para os carros em avenidas importantes da Capital, desde a implantação das faixas exclusivas de ônibus, tem gerado fortes críticas de motoristas (e estas vão aumentar com o fim das férias escolares, semana que vem). A prefeitura não deve recuar na iniciativa de implantar faixas apenas para ônibus, apesar da bronca de parcela da população. Não precisa, porém, tornar a situação ainda mais complicada com o aumento do rodízio. Vai comprar uma briga em troca de resultados pífios.

Perigo na direção: TJ-RS deixa Lei Seca mais frouxa

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Fazia já um bom tempo em que não me valia deste espaço para abordar as mazelas do trânsito,especialmente aquelas que ocorrem e enlutam famílias do meu estado: o Rio Grande do Sul. Retorno ao assunto, nesta quinta-feira, porque há questões correlatas ligadas ao tema e que me chamaram a atenção. O jornal Zero Hora,na edição dessa segunda-feira, estampa duas manchetes que,talvez,tenham ligação.

 

Esta é a mais chocante: “Colisões Fatais”. Abaixo se lê:”Final de semana tem 12 mortes no trânsito”. Em seguida:”Acidentes graves ocorreram em várias regiões e motivaram protestos”. A notícia acentua que,em pelo menos dois acidentes,mais de uma pessoa morreu na mesma colisão.O Vectra, dirigido por uma das vítimas, colidiu com dois caminhões. Esse se registrou em Veranópolis,na Serra do Rio Grande do Sul. Outro,também na Serra – a colisão de um carro contra uma caminhonete – matou uma mulher de 55 anos e uma criança,de apenas 5. Em Santo Antônio da Patrulha,o motorista perde o controle de um caminhão carregado de cevada e o condutor do veículo morreu. Além dos desastres citados,houve mais 6, com vítimas fatais,em várias regiões.

 

O mesmo jornal,também na edição de 15 de julho,mancheteia com tipos enormes, “Nova brecha na Lei Seca”. Em matéria assinada por Humberto Trezzi,toma-se conhecimento de que desembargadores da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul deram nova interpretação à Lei Seca,a tornando mais liberal. Agora,além do bafômetro,a decisão do TJ-RS exige mais provas para condenar motorista que ingerir álcool além do limite,isto é,de 0,34 miligramas em diante. Antes dos rigores da Lei Seca,o condutor saía em paz se tivesse tomado uma taça de vinho e alguns copos de cerveja. Os desembargadores do Tribunal de Justiça Criminal gaúcho,entretanto,absolveu um motoclista,flagrado em 2011 em uma batida,por não ter ficado comprovado que estivessem sem condições psicomotoras para pilotar o seu veículo.

 

O problema é que a decisão dos desembargadores pode abrir perigoso precedente, uma vez que se trata de um afrouxamento das rígidas normas que estavam em vigor.O motociclista,convém lembrar, havia sido condenado por ultrapassar os limites da Lei Seca e outros,penalizados como esse,talvez se aproveitem da brecha aberta pelo TJ-RS.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Conte Sua História de SP: Que bela cidade preguiçosa

 

Por Marcel Crespin
Ouvinte-internauta

 

Ouça este texto que foi sonorizado pelo Cláudio Antonio

 

Hoje a cidade acordou preguiçosa

 

Hoje, dois de janeiro de dois mil e treze, a cidade acordou preguiçosa. Nem o sol ousou levantar. O céu cinzento, desde cedo, anunciava um dia lento em São Paulo. Acostumada ao trânsito que consome horas do cotidiano paulistano, a cidade estava lenta, o trânsito não. Quase não havia carros na rua. O trajeto que levo, em média, mais de uma hora para percorrer, não levou sequer 20 minutos para ser percorrido.

 

Quem dera fosse esse o ritmo da cidade. Não o da produção das indústrias ou o da intelectual, não o dos espetáculos culturais, nem o do comércio pungente, não o da educação ou o das feiras livres, nem tampouco o dos anunciantes ou o das agências de propaganda, mas da vida, que muitas vezes deixamos de saborear como deveria ser feito, por conta da correria insana do dia a dia.

 

A lassidão do primeiro dia útil do ano podia ser notada em tudo o que se via por aí. As poucas pessoas que andavam a passos lentos pelas ruas, bocejavam preguiçosamente e se espreguiçavam como quem acaba de levantar da cama. As faixas de pedestres surpreendentemente vazias das ruas e avenidas mais movimentadas da cidade, ilustravam que de útil o dia só tinha o nome. Ou quase isso.

 

Ao entrar na garagem, as inúmeras vagas disponíveis antecipavam o movimento praticamente inexistente de pessoas no luxuoso edifício da marginal Pinheiros. Subi sozinho no elevador que me conduziu ao térreo, onde fiz a baldeação para o outro elevador que me levaria até meu destino final.

 

Normalmente coalhado de pessoas indo e vindo, o andar térreo do edifício dessa vez estava completamente vazio. Nem mesmo o balcão da recepção tinha todas as moças que tradicionalmente atendem as intermináveis filas de visitantes. Ao invés de várias, apenas uma estava lá, lixando entediada e cuidadosamente as unhas. Passei pela catraca estranhamente sem fazer fila e lá estavam todos os elevadores me esperando para um confortável passeio até o décimo segundo andar.

 

Ao ter as portas do elevador fechadas, notei que uma televisão dava notícias exclusivamente para mim. Aquela televisão, presença cada vez mais comum nos elevadores, que via de regra traz as últimas notícias e anuncia de forma masoquista a quilometragem caótica do trânsito paulistano, hoje trazia as primeiras notícias do ano e anunciava os inacreditáveis oito quilômetros de congestionamento em toda a cidade.

 

Ao ver as portas do elevador se abrindo novamente, sem fazer sequer uma escala em outro andar, pude ver muito pouco. O corredor do décimo segundo andar era todo meu. Nem uma pessoa dividia aquele espaço comigo. Pude ouvir meus passos me conduzindo, apenas intercalados pelo som da minha própria respiração. Pelo caminho, as luzes apagadas dos escritórios vizinhos, tradicionalmente acesas até tarde da noite, manchavam de escuro o piso claro do corredor que iluminava nada, nem ninguém.

 

Ao chegar, me senti aliviado por encontrar vida alheia. Poucas, bem poucas, mas lá estavam alguns heróis da resistência.

 

Como sempre faço ao chegar de manhã, fui à minha sala, me ajeitei na cadeira e abri meu computador para checar meus emails. Apenas para desencargo de consciência, uma vez que já havia checado inúmeras vezes antes de sair de casa e pelo caminho, dessa vez percorrido muito rapidamente, se comparado a um dia normal.

 

Com a preguiça de um domingo de manhã, minha caixa de entrada me ajudou a perceber logo que a letargia das ruas não havia invadido apenas esse edifício da marginal Pinheiros, mas muito provavelmente tantos outros dessa cidade, que em plena quarta-feira nos dava a nítida certeza de que o mundo não havia acabado, conforme anunciado, mas que também o ano ainda não havia começado.

 

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