Canto da Cátia: Protesto contra o buraco do Kassab

 

Protesto no cone

 

Foi a Cátia Toffoletto quem encontrou nas ruas de São Paulo o cartaz com protesto contra os buracos na cidade. Na imagem, aparece o rosto do prefeito Gilberto Kassab (PSD) coberta pela placa de proibido e a frase: Buraco do Kassab. A pista lateral, por onde deveriam passar os ônibus, nota-se com clareza, está inviável. E não apenas pelos buracos, mas também pelas ondulações do piso.

Cruz credo, más notícias

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Das múltiplas informações que me chegam pela mídia,pelo meu PC e por tantos outros meios ao alcance das pessoas, hoje em dia, existem algumas que me irritaram profundamente, outras que me estarreceram. Vou citar três para não extrapolar o espaço que o Mílton, bom filho que é, me reserva em seu blog nas quintas-feiras. Em férias, não enviei textos nas duas últimas. Sei que ele, porque avisado por mim, se deu conta de que eu não compareceria.Se mais alguém notou minha breve ausência, agradeço.

 

Vou enumerá-las em ordem inversa. Ouvi, na manhã de hoje, ao acompanhar, como faço sempre, as notícias locais do Jornal da CBN, além é claro, das do restante do Brasil e do Mundo,apresentadas pelo meu filho, que foram 19 as vítimas fatais de acidentes de trânsito registrados apenas nesse fim de semana aqui no Rio Grande do Sul. Este número é maior do que as ocorrências deste tipo que se verificaram durante o prolongado feriado do carnaval. Não pretendo ser injusto com as Polícias Federal e Estadual às quais está afeta a segurança das rodovias gaúchas. Creio que a redução do número de acidentes nos feriados mais longos se deve ao aumento dos efetivos das duas polícias, o que facilita a fiscalização, seja a feita com radares, seja as que preveem, em determinados locais, a vistoria de veículos. Estamos todos cansados de saber que, com o crescimento estupendo do número de carros, muitos saem para as estradas sem as melhores condições e, outos tantos, dirigidos por neófitos, com experiência zero em rodovias. Seria interessante que o policiamento nas estradas federais e estaduais fosse, pelo menos nos fins de semana, parecido com o que é programado cuidadosamente para os feriados prolongado.s Não reparem se não uso o termo feriadões, que acho um aumentativo horroroso, pura mania de grandeza de quem se serve deles.

 

Embora eu seja velho e digite debaixo do peso de meus 76 anos, revolta-me saber que todos os aviões que transitarem nos céus deste país deverão oferecer, a cada voo, dois assentos gratuitos para velhos com mais de 65 anos e renda de até dois salários mínimos. Isso se for aprovado o demagógico projeto do senador Vital do Rêgo (PMDB-PB). O projeto prevê outras asneiras. O pior dele é que, se entrar em vigor, ”jovens de 15 a 29 anos” (agora um cara com 29 anos é jovem. Se fosse profissional de futebol seria considerado semiveterano). Esta é a tal de “bolsa-avião”, como se já nas bastasse as demais criadas pelos último governos.

 

Prometi tratar de três notícias que, para mim, foram, no mínimo, desagradáveis. Esta eu li no dia 22 de fevereiro, por infeliz coincidência quarta-feira de cinzas, o início da quaresma. Prédios da Justiça do Rio Grande do Sul não poderão mais ostentar crucifixos nas suas paredes, uma decisão do Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça. Tenho ganas de escrever “justiça”. O TJ atendeu solicitação da Liga Brasileira de Lésbicas e de grupos de defesa dos direitos dos homossexuais. Foi chutada, escorraçada a botinadas, uma das mais puras tradições do nosso estado. A quem faz mal, num tribunal, olhar para um crucifixo? Nunca a presença de um emblema como este causou qualquer espécie de constrangimento a não ser para quem possui, para tal, razões que fogem ao meu envelhecido e revoltado alcance. A desculpa absurda é que respeita a diversidade de religiões. E li isso de um jesuíta. Deus me livre de precisar entrar num tribunal gaúcho. A militância anticristã está em festa, escreveu o advogado e jornalista Cleber Benvegnú,na Zero Hora do dia 8 do corrente. E eu concordo.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Preservem os ciclistas

 

Ciclovia na Radial Leste

 

A morte de mais uma ciclista na avenida Paulista, sexta-feira, ocorreu no dia seguinte a reportagem publicada no Jornal Nacional a qual mostrava que a bicicleta ganhava espaço na cidade. Ao assisti-la na noite de quinta-feira, além da satisfação de ver meu incentivador Andre Pasqualini como personagem, pensei como esta poderia influenciar a visão das pessoas e, principalmente, atenuar o medo que meu pai sente sempre que tem notícias de que irei pedalar na cidade. Ele, por mais de uma vez, escreveu nos posts de quinta-feira aqui no Blog, às muitas restrições que tem ao uso da bicicleta em ruas tomadas por automóveis, e defendeu a ideia de que o comportamento dos motoristas e a diferença de forças entre os dois modos de locomoção são um risco a vida de quem pedala. Importante ressaltar que meu pai, aos 76 anos, gosta de dar suas pedaladas aos fins de semana e aproveita a proximidade para exercitar as pernas de casa até as margens da praia de Ipanema, no Rio Guaíba, na zona sul de Porto Alegre. Em seus textos já confessou, porém, que prefere usar as calçadas e faz questão de descer da bicicleta toda vez que precisa atravessar a rua até chegar a ciclofaixa disponível ao longo do rio. Ao ler as notícias que chegam de São Paulo, seu temor de que serei vítima de acidente vai se acentuar, não tenho dúvidas. Quase consigo ouvi-lo: “não te avisei ?”

 

O fato é que ciclistas morrem todas as semanas na cidade de São Paulo – um por semana, dizem as estatísticas oficiais. Quando esta se registra em avenida tão conhecida ganha caráter simbólico, provoca protestos, mensagens indignadas e pedidos de punição exemplar. Em Porto Alegre, não é diferente, foi lá que um tresloucado acelerou seu carro e atropelou vários ciclistas durante uma bicicletada. Lembra? Fez um ano há poucos dias. Precisamos, porém, perceber que além de ciclistas, morrem pedestres, também. E muitos. Assim como motociclistas e motoristas de carros – estes últimos em menor número. Nem por isso, defendemos o fim dos passeios a pé – apesar de que este parece ser o sonho de alguns governos de tanto que incentivam o uso do transporte motorizado individual.

 

Onde quero chegar com este texto, é mostrar a você que me acompanha no Blog que não adianta deixarmos as bicicletas em casa sob a alegação de que do jeito que as coisas estão é praticamente um suicídio encarar o trânsito pesado. Sei que esta é a primeira reação da maioria, eu mesmo pensei duas vezes antes de sair pedalando no fim de semana, em São Paulo. Meu temor havia aumentado. Mas isto é o que desejam aqueles que seguem acreditando que os carros são os donos das ruas. Nós precisamos é ocupar, cada vez mais, as cidades com bicicletas, pois enquanto pedalar for um fator surpresa no trânsito, muitas mortes vão ocorrer. Precisamos transformá-la em lugar comum, abrir espaço e tomar as vias públicas, ganhar o respeito dos demais que a utilizam a bordo de um automóvel, ônibus ou caminhão – e, também, respeitá-los, seguindo as regras de boa convivência e de trânsito. Ao menos assim, quando souber que fui andar de bicicleta, meu pai, em lugar de medo, terá orgulho. E eu, também, da cidade que escolhi viver.

Tem graça feriado com estrada congestionada ?

 

Por Milton Ferretti Jung

 

É cada vez maior – e isto que me refiro apenas ao Rio Grande do Sul – o número de veículos, especialmente automóveis, caminhonetes e utilitários, que transportam as pessoas que, principalmente nos feriados prolongados de verão, dirigem-se, visando a fugir do calor, às praias não só deste estado, mas da vizinha Santa Catarina. Fico a me perguntar qual a graça que encontram em se atrever a pegar estradas congestionadas e, portanto, perigosas, para passar alguns dias no litoral. Será que vale a pena o sacrifício? Elas devem achar que vale, caso contrário, não iriam. Levam vantagem, principalmente as que permanecem em Porto Alegre. A razão é simples: a metrópole, pode-se dizer sem exagero, com tanta gente motorizada saindo dela, esvazia-se como num passe de mágica. Sei que isso também acontece, proporcionalmente, claro, em São Paulo.

 

Talvez aí (quando digito aí, se trata de São Paulo|), seja até pior do que aqui, porque duvido que essa cidade, somente por força de um feriadão ou outro, ficará, em matéria de veículos nas ruas, tão vazia quanto minha Porto Alegre. Observem estes números: nos dias 17 e 18 deste mês, nas principais rodovias do Rio Grande do Sul – BR-101, Estrada do Mar,Free-Way e ERS-040 – registraram-se congestionamentos monumentais. Pela Free-Way e pela Viamão-Cidreira, 185 mil veículos partiram rumo às praias. É mole? Esse número superou todas as expectativas. Quem quis ir até Santa Catarina, sofreu muito mais: gastou 12 horas para cumprir o percurso Porto Alegre-Florianópolis. Normalmente, leva-se a metade desse tempo para viajar até a capital catarinense. Sei de quem tirou uma bela soneca antes que os veículos andassem.

 

Podem me chamar de saudosista, mas morro de saudade dos tempos em que havia duas estradas para as praias gaúchas: uma por São Sebastião do Caí, outra, por Viamão. Quem buscava as praias do norte, ia por uma; quem queria ir às do sul,pela outra. Houve até, durante alguns anos, uma prova automobilística que começava em Gravataí e terminava nas areias de Capão da Canoa. Durante uma época, a velocidade nas duas estradas era controlada, por um cartão que se recebia ao sair e tinha de ser mostrado, na chegada, à Polícia Rodoviária Estadual. Os apressadinhos eram multados porque chegavam ao fim fora do tempo que o cartão marcava.

Estou concluindo este texto antes da volta do feriado prolongado. Fico, porém, imaginando como estarão as rodovias no retorno.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Pais têm medo de deixar filhos irem de bicicleta para escola

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Ainda não tinha ouvido falar em um programa chamado Caminho da Escola. Li sobre ele, nessa terça-feira, na Zero Hora, e achei-o muito interessante. Ele está sendo colocado em prática não somente no Rio Grande do Sul, mas em outros estados. Ao todo, por enquanto, foram entregues 100 mil bicicletas até o final de 2011. Vou me fixar, porém, no que está ocorrendo, no meu estado,o Rio Grande do Sul, com o Caminho da Escola. A matéria do jornal explica que três municípios daqui receberam bicicletas visando a beneficiar estudantes que precisam caminhar de dois a 12 quilômetros para que cheguem às suas escolas ou aos pontos onde embarcam em ônibus escolares. Barros Cassal ganhou 400, Marcelino Ramos, 150 e Santo Cristo, 450.

 

Não chega a me espantar, preocupado que sou com questões de trânsito, que a secretária municipal de Educação de Marcelino Ramos, Isabel Ramich, esteja encontrando dificuldades para encontrar famílias dispostas a permitir que os filhos participem do programa. Os meus caros e pacientes leitores já devem ter adivinhado o que leva os pais a temerem que seus filhos pedalem até suas distantes escolas. Claro, a preocupação deles é com a segurança das crianças. Essas, evidentemente, encontrarão veículos pelo caminho. Fosse eu pai de família em uma cidade beneficiada pelo Caminho da Escola, com certeza, pensaria seriamente na questão da segurança e não sei se aceitaria que um filho meu usasse bicicleta para ir ao colégio.

 

Seja lá como for, os pais interessados no programa que, repito, é interessante, devem procurar a prefeitura de sua cidade para fazer o cadastro e assinar contrato de cessão de uso. Os prefeitos precisam, igualmente, entrar em contato com a Polícia Rodoviária Estadual para que, por meio de palestras de seus integrantes, as crianças, que utilizarão as bicicletas, recebam lições sobre segurança, principalmente se terão de pedalar por estradas vicinais. Há, afinal, muitos motoristas que, esses sim, não aprenderam a respeitar sequer os adultos que andam de bicicleta. O que dizer, então, quando se trata de ciclistas infantis? A propósito, a PRF bem que poderia promover palestras. E atenção! Nesta sexta-feira começa a Operação Carnaval 2012 da Polícia Rodoviária Federal. Ponham suas barbas de molho, apressadinhos!

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Fiscalizem o uso do cinto de segurança

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Sinto-me obrigado, volta e meia, a retornar a um assunto sobre o qual não gostaria de ser tão repetitivo: o lado negativo do trânsito. Faz algum tempo, numa dessas quinta-feiras da vida, nas quais, a convite do meu filho, escrevo neste blog, relatei uma pequena viagem a Tramandaí, em que estava acompanhado por Maria Helena, minha mulher. Então, ainda era de 100 quilômetros por hora a velocidade máxima, para veículos leves, na Free-Way, apelido recebido pelo trecho da BR-290 que leva às praias do Rio Grande do Sul, quando se acreditava que a rodovia fosse, realmente, permanecer free, o que não aconteceu. Subiu, hoje, para 110, tratando-se de veículos leves. Já os pesados, ônibus e caminhões, não podem (ou não deveriam) ultrapassar 90 por hora.

 

Fiquei revoltado, especialmente no retorno da viagenzinha, com os motoristas dos veículos pesados que rodavam bem acima da velocidade permitida. Afinal, com minha Tucson a 100 por hora, era ultrapassado por ônibus e caminhões. Pois bem, nos últimos dias, sem falar nos caminhões tombados ao longo de rodovias gaúchas, o que ocorre com frequência, quatro ônibus se envolveram em trágicos acidentes em estradas gaúchas. As causas desses desastres ainda não foram explicadas, mas é difícil que o excesso de velocidade não tenha estado presente.

 

Fiquei sabendo que os ônibus, fabricados antes de 1990, não estão obrigados, por lamentável falha da legislação, a oferecer cinto de segurança para os passageiros. Não me lembro quando o cintos passaram a ser acessórios obrigatórios em veículos leves. Sei, porém, que já faz muitos anos. Ora, por que os ônibus anteriores a 90 também não são forçados a se atualizarem? Caso isso não ocorra, que sejam descartados. O diabo, é que mesmo muitos condutores de automóveis dispensem o uso deste apetrecho que salva vidas. Nunca peguei um táxi, por exemplo, cujo motorista, apesar de eu estar sentado ao seu lado, me alertasse para afivelar o cinto. Se sento atrás, então, nem se fala.

 

A Polícia Rodoviária Federal, aqui no Sul, pretende, visando às viagens do carnaval, fiscalizar os ônibus a fim de tentar conscientizar motoristas e passageiros para a necessidade de usar cinto de segurança. Sem ele, basta apenas uma travada mais forte – imaginem uma queda ou trombada de qualquer tipo – para que as pessoas sejam projetadas contra os bancos que ficam à frente. Seria interessante que a PF desse uma olhada, igualmente, nos motoristas e passageiros de veículos leves.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Lei de trânsito exige bom senso de motorista

 

 

Artigo escrito, originalmente, para o Blog Adote São Paulo, da revista Época SP

 

Nas minhas férias de verão, voltei a cidade de Ridgefield, pequena localidade no estado americano de Connecticut, que conheci há alguns bons anos desde que parentes de minha mulher foram morar lá. O lugar é incrível, pois oferece a seus cerca de 22 mil moradores bosques intermináveis, cortados por estradas que levam até uma área central bucólica, que mantém traços da cidade fundada no século 18. Foi palco de uma batalha histórica durante a Guerra da Independência dos Estados Unidos, em 1777, quando os generais americanos Wooster e Arnold enfrentaram as forças britânicas. Descobri, também, lendo placas que estão expostas nas calçadas da Main Street (rua que aparece na foto que ilustra este post), em uma espécie de museu aberto, que um incêndio quase dizimou a cidade em seus primeiros anos de fundação, tragédia que foi contida graças ao apoio das comunidades vizinhas que enviaram brigadas de incêndio.

 

O frio na semana que antecedeu o Natal impedia passeios a pé ou mesmo de bicicleta, portanto andar de carro era quase obrigação. E uma tranquilidade, pela inexistência de congestionamento nas redondezas. Apenas ao sair de Ridgefield em direção a Nova York, distante mais de uma hora, ou a caminho de Danbury, que fica logo ao lado, encontra-se volume significativo de carros. Foi em uma destas viagens que aprendi uma peculiaridade das leis de trânsito de Connecticut: a conversão à direita é livre, mesmo que o sinal esteja vermelho para você, desde que feita com atenção; apenas nos cruzamentos mais perigosos, existem placas proibindo a manobra. A lei é inteligente, pois não o obriga a ficar parado quando não há carros para cruzar a via nem passageiros para atravessá-la.

 

Fico imaginando se algo semelhante seria possível em cenário caótico como o trânsito de São Paulo. Aqui, as autoridades sequer aceitam liberar os semáforos durante a madrugada nos cruzamentos, expondo o motorista e passageiros ao risco de assaltos. E não agem assim porque são injustas ou estejam a serviço dos bandidos, apenas porque conhecem o comportamento de parte dos motoristas brasileiros. Poucas vezes respeitamos a faixa de segurança – em São Paulo, somente a ameaça de multas consegue conter alguns -, dificilmente aceitamos a preferência dos outros nas rotatórias e jamais paramos o carro quando vemos o sinal de “Pare” na esquina, apenas desaceleramos para não perder a viagem.

 

A permissão que encontrei em Riedgefield e vale para todo o Estado de Connecticut só é possível em locais nos quais a sociedade esteja consciente de seus direitos e deveres. Exige bom senso – produto que está em falta em nosso trânsito.

De bicicleta e com ordem, é legal !

 

Por Milton Ferretti Jung

Sempre gostei de andar de bicicleta. Antes de ganhar a minha, que já apareceu até em ilustração usada pelo Mílton no topo de texto blogado por mim não faz muito, pedia aos amigos que me emprestassem as suas e, confesso, invejava-os por possuí-las. Na minha casa, hoje, embora nela moremos apenas eu e minha mulher, há três bicicletas. Eu uso uma delas para acompanhar Maria Helena em suas caminhadas pela beira do Guaíba (que deram para chamar de lago, com o que jamais vou concordar). Apeio, volta e meia, e empurro-a sempre que se faz necessário atravessar uma rua. Acontece que não me atrevo a pedalar fora das calçadas. Apavora-me saber que, nas ruas, sempre haverá carros surgindo pelas minhas costas. Nem sempre fui medroso. Houve uma época da minha infância na qual, embora morando em bairro afastado, não temia visitar o centro da cidade de Porto Alegre. Não existiam vias superlotadas de automóveis, caminhonetes e caminhões. Sei de ciclistas que foram atropelados naqueles bons tempos, mas esse tipo de acidente era raríssimo.  

Bem mais corajoso do que seu pai foi o responsável por eu estar escrevendo neste blog. Participou do Desafio Intermodal em que, pedalando sua bicicleta, enfrentou Heródoto Barbeiro. Esse seria transportado de helicóptero até a Prefeitura paulistana, mas não saiu do lugar por culpa do mau tempo. Não bastasse isso, foi à CBN e voltou da Rádio após fazer o seu programa, também pedalando. Fez mais uma que, aqui, chamaríamos de gauchada, mas deixa para lá. Fiquei sabendo das proezas quando já não existia mais motivos para preocupação. Preocupação e polêmica provocou, na capital gaúcha, o movimento denominado de Massa Crítica. Por mais que eu goste de bicicleta, não posso aprovar as pretensões dos seus integrantes. O fato de pretenderem sair às ruas em grande número sem avisar com antecedência as autoridades, isto é, EPTC e Brigada Militar. Arriscam-se e complicam o trânsito das outras espécies de veículos. Andar de bicicleta em pequenos grupos é uma coisa, em massa, outra bem diferente. Seria o mesmo que permitir manifestações populares ambulantes. O pessoal da Massa Crítica que me desculpe, mas trate de se acertar com as autoridades na reunião marcada o próximo dia 12. Suas bicicletadas só serão legais se não infringirem os regulamentos de trânsito. E, oxalá, chamem a atenção para a carência de ciclovias “utilizáveis” em nossa cidade.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)
 
 
 

Viagem segura e com cinto

 

Por Milton Ferretti Jung

Mais vale prevenir do que remediar. Em se tratando de trânsito, convém lembrar, remediar nem sempre é possível. Nesse feriado prolongado, que culminou com os festejos da virada do ano, mesmo que o fato não tenha sido divulgado com destaque pela mídia do Rio Grande do Sul, a Operação Viagem Segura, realizada pela Polícia Rodoviária Federal, Comando Rodoviário da Brigada Militar e Departamento Estadual de Trânsito, foi executada com sucesso. É verdade que, apesar disso, 2012 começou com uma tragédia, cujo palco foi a Estrada do Mar. Três carros envolveram-se em acidente que provocou duas mortes. A motorista de um dos veículos estava visivelmente embriagada e não possuía carteira de habilitação. O automóvel, que ela dirigia, se chocou frontalmente contra outro veículo que, por sua vez, atingiu um táxi.

Neste réveillon, nas 60 horas em que se desenvolveu o programa preventivo criado pelas autoridades, foram aplicadas, por hora, 91 multas. Na mesma época de 2010, em que a maioria dos infratores abusou da velocidade, o número de multas foi superior: 126 por hora, em três dias de rigorosa fiscalização. Agora, falando apenas nas estradas gaúchas, controladas pelo Comando Rodoviário da Brigada Militar, uma irregularidade chamou-me a atenção: foram multados 353 motoristas, porque eles ou passageiros dos veículos que dirigiam, não faziam uso do cinto de segurança. Eu imaginava que esta infração fosse das menos expressivas, mas me enganei. Ficou em segundo lugar, com 353 autuações, perdendo somente para as ultrapassagens proibidas, que levaram 484 motoristas a perder pontos na carteira de habilitação.

O motorista e o passageiro que fica ao seu lado, em geral, atam seus cintos. Os que viajam no banco traseiro, porém, porque não sabem o perigo que correm e aquele a que expõem os que estão à sua frente, não se dão ao trabalho de afivelar este verdadeiro salva-vidas. Sempre que ando de táxi, não só trato de usá-lo, mas peço a quem viaja atrás, que aperte o seu. Não quero correr o risco de ter a cervical rompida por um passageiro catapultado desse local, caso ocorra uma colisão ou, até mesmo, uma freada brusca e forte. Seja lá como for, torço para que as autoridades responsáveis pelo trânsito, em cada fim de semana, pelo menos, repitam a Operação Viagem Segura.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Nos feriados, a violência nas estradas

 

Os feriados, tanto o do Natal quanto o do ano-novo, tratando-se de trânsito, são altamente preocupantes. É a época em que mais ocorrem desastres em nossas estradas. Não lembro de ter ouvido ou lido notícia, como a do dia Quinze de Novembro, por exemplo, data na qual as Polícias Federal e Estadual esforçaram-se, com aumento de seus efetivos e uso de radares, visando a evitar o excesso de velocidade nas rodovias sob suas jurisdições. Motoristas irresponsáveis, quando tomam conhecimento de que as autoridades estarão mais atentas do que normalmente e prometendo punir os infratores, tendem a respeitar um pouco mais, pelo menos, as leis de trânsito. Não sei se a ausência de noticiário acerca do assunto pode ter influenciado na transformação do feriado natalino deste ano no mais violento desde 2001. O jornal gaúcho Zero Hora contabilizou, do meio-dia da última sexta-feira até o meio-dia de ontem, 24 mortes, oito por dia, em rodovias e vias urbanas. O acidente mais grave foi o que vitimou cinco pessoas de nacionalidade argentina que viajavam, de férias, para Santa Catarina.

Outro feriado vem aí e o número de carros nas rodovias que levam às praias e à Serra tende a ser bem mais alentado do que em 2010, tantos foram os veículos vendidos pelas concessionárias em razão do crédito fácil que proporcionou a muitas pessoas trocarem os seus usados por novinho em folha ou adquirirem o seu primeiro carro. Esses últimos, em geral recém saídos de auto-escolas, mas que se acham “os caras”, são os mais propensos a abusar da velocidade. Tirei minha primeira carteira de motorista com 18 anos – estou com 76 – mesmo assim procuro ser cada vez mais cuidadoso. Não gostei que a nossa “Free Way” tenha sido liberada para que se dirija a 110 quilômetros por hora. Nem todos os que vão pegar a estrada nesta passagem de ano estão com condições de pilotar nesta velocidade. Seja lá como for, sugiro que os motoristas, mesmo os mais experientes, passe os olhos nos jornais dessa semana e prestem muita atenção nas fotos que estampam como ficou a van da família argentina depois do choque com um ônibus.