Conte Sua História de São Paulo: o orgulho de entregar cartas com o quepe e o uniforme dos Correios

 

Por Paulo Queiroz Neto
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Nasci em uma vila na Avenida Celso Garcia, bem próximo da esquina com a Avenida Antônio de Barros, na zona Leste. Era uma noite de setembro de 1942. O mundo estava em plena guerra e São Paulo estava no escuro. Era um blecaute de guerra, daqueles muitos simulados que ocorriam. Talvez por isso, sempre gostei e valorizei as luzes das noites de São Paulo.

 

Em pleno racionamento de petróleo, os veículos circulavam com gasogênio da queima de carvão, mas a economia retomava o crescimento, uma daquelas idas e vindas econômicas brasileira. Eu também crescia e com 15 anos, comecei a trabalhar entregando mensagens como funcionário dos Correios, saía do centro , dentro do garboso uniforme e com o respeitável quepe com o símbolo da República, do Ministério da Viação e Obras Públicas. Me sentia tão grande quanto São Paulo.

 

Usava os bondes para percorrer os diversos bairros da nossa cidade, que aos poucos conhecia como o quintal da minha vila. Mas era o Penha-Lapa da CMTC (208) o meu caminho da Roça e o Anhangabaú, meu destino principal. Meu coração sempre pulsa mais forte quando chego naquele lugar

 

Foi no Estadual da Penha (E.E. Nossa Senhora da Penha) que conheci minha cara metade; alunos regular daquele amado colégio, logo constituímos família e nos casamos na Igreja da Penha, em 1962.

 

Para suportar as novas necessidades, consegui um segundo trabalho, na administração e cobrança do nosso glorioso Sport Club Corinthians Paulista. Foi um tempo maravilhoso, meus sonhos cresciam verticalmente, como crescia a nossa São Paulo.

 

Nasceram meus dois filhos, e terminavam os anos de 1960. Começava a galgar cargos dentro dos Correios.  Naquela época, dizíamos entre os colegas que tínhamos contraído “ECTITE”, uma paixão pelo trabalho nos Correios. Até hoje não sarei.

 

São Paulo se transformava. Já nos anos 1970, nascia o Elevado Costa e Silva, o Minhocão e vimos uma década de transformações na paisagem, culminando, para nós, com a mudança da sede de nossos Correios do charmoso Palácio dos Correios, no Anhangabaú, para o avançado e tecnológico prédio na Vila Leopoldina.

 

Hoje, aposentado, perdi uma vista por causa de um câncer de pele, não tinha o costume de usar protetor solar nas andanças pela cidade; mas com um olho bom, ainda sinto alegria em olhar pela varanda do meu apartamento as luzes da amada São Paulo, com uma janela voltada para a querida zona Leste.

 

Paulo Queiroz Filho é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capitulo da nossa cidade: envie seu texto para milton@cbn.com.br.

O uso do uniforme valoriza a profissão

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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A expressão “discriminação revoltante”,  usada pela advogada cuja babá foi impedida de entrar no E.C. Pinheiros, em SP, por não estar vestida de branco, exemplifica o emocional vigente.

 

A relevância é desconsiderar o principal, pois a exigência do branco à profissão de babá, é funcional.

 

Assim como máscaras e luvas são essenciais a determinadas funções para proteger quem as executa; ou o verde, aos cirurgiões para enxergar melhor num cenário vermelho de sangue; ou, ainda, o branco, aos médicos para distinguir melhor o asseio preventivo e essencial aos pacientes.

 

E assim por diante: os militares usam fardas para proteção e identificação, os pilotos usam roupas adequadas à sua segurança, os alpinistas, roupas coloridas para destaque nos cenários brancos, etc.

 

A dissonância começa nas palavras, pois ter função é a mais positiva situação ao ser humano. É sinal que é habilitado a produzir, mas muitos fazem ginásticas linguísticas para evitar chamar de funcionários quem tem função. Empregado, hoje em dia, é uma palavra que quase ninguém mais usa, embora o emprego seja um dos maiores direitos que uma nação digna deva oferecer aos cidadãos.

 

Neste caso, em que o Ministério Público atendeu aos clubes, que foram explicar o porquê dos uniformes às babás, mostrando que o serviço prestado aos bebês e crianças exigia asseio e precisava do branco, e necessitava de identificação que é obtida com o branco uniforme, demonstrou sensatez e lógica.

 

Em termos de babá como profissão, e de bebês e crianças como clientes, apenas a acrescentar que o uso do uniforme valoriza a profissão.

 

Se a mãe contratante dos serviços quer dispensar do uniforme, que o faça, mas sem infringir as normas das sociedades que frequenta, pois se assim o fizer estará descumprindo normas gerais e pode estar colocando em risco a segurança de terceiros. Um direito que evidentemente não lhe pertence.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

A Copa na Moda

 

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

A indústria da roupa esportiva, como que antevendo o bom nível de futebol da COPA 14, desenvolveu vestuário condizente com a qualidade do futebol apresentado. Um exercício de inovação de produto. Roupas funcionais, elegantes, tecnológicas e dentro das tendências atuais da moda.

 

A Nike, que veste a seleção brasileira, pesquisou o corpo de cada jogador para identificar as áreas de maior tensão e esforço. Desenvolveu então matéria prima que reforçasse essas regiões e pudesse fornecer maior elasticidade e consistência. O peito e os ombros foram beneficiados. A Nike é a marca com maior presença na COPA, fornecendo uniformes para as seleções dos Estados Unidos, Inglaterra, França, Holanda, Portugal, Grécia, Croácia, Coréia do Sul e Austrália.

 

A Puma marca esportiva pioneira na preocupação com a moda, e que patrocina as seleções da Itália, Suíça, Uruguai, Chile, Camarões, Costa do Marfim, Gana e Argélia, criou um tecido cuja tecnologia faz micro massagens no corpo do atleta, além de apresentar um look atlético e de moda. A peça mais justa traz o beneficio adicional de dificultar o cada vez mais tradicional recurso do puxão na camisa.
A Adidas, que é responsável pelas roupas da Espanha, Alemanha, México, Colômbia, Rússia e Japão, desenvolveu o mais leve de todos os tecidos até então criados por ela.

 

Para o futebol, e para a indústria do vestuário esportivo, este é definitivamente um legado da COPA 14. Incontestável, ao que tudo indica, pois os jogadores tem se manifestado com satisfação às novidades apresentadas. E pelo que temos visto em relação a outros componentes, como cabelos, tatuagens e demais adereços, a moda é elemento de destaque neste show de bilhões. De pessoas e de dólares.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.