Avalanche Tricolor: e assim será a Libertadores!

 

Defensor(URU) 1×1 Grêmio
Libertadores – Montevidéu URU

 

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A festa do gol  (reprodução SportTV)

 

Era Libertadores, mas tinha cara de estadual.

 

Estádio de bairro, arquibancadas baixas, campo acanhado, estruturas mínimas e quase nada a oferecer para os times e torcedores além de um gramado aparentemente bem cuidado.

 

O adversário parecia ter bebido da fonte dos times do interior do Rio Grande do Sul: postou-se atrás e criou uma barreira de jogadores diante da sua área, se dispôs a segurar a partida até onde fosse possível e deixar o tempo passar. Estava feliz em não perder.

 

Nessas condições, o Grêmio jogou bola pra lá e pra cá, movimentou-se de um lado para o outro, trocou jogadores de lado e cultivou a paciência. Arriscou alguns chutes de fora da área e quando conseguiu acelerar o passe chegou ao seu gol.

 

Foi um gol marcado pela insistência, pois além de ficar com a bola nos pés a maior parte do jogo, na jogada que foi concluída por Maicon, já aos 37 do segundo tempo, tanto Jael como Everton já tinham aparecido com chances. No empurra daqui e chuta dali, sobrou para o nosso capitão estufar a rede.

 

Por descuido, fomos punidos, três minutos depois. Punição muito maior do que a que merecíamos dadas as circunstâncias da partida. Parecia mesmo alguns dos jogos que disputamos no estadual.

 

Parecia estadual, mas era Libertadores.

 

Injusto ou não e independentemente das condições oferecidas pelo adversário, teremos de nos acostumar com essa situação ao longo da competição. O Grêmio é o campeão a ser batido.

 

Sendo assim, o esforço será encontrar soluções para furar esse bloqueio e encarar todas as demais dificuldades comuns a Libertadores. O que convenhamos não será nenhuma novidade na caminhada gremista: se tem um time sempre disposto a superar adversidades, este time é o Grêmio, é o Rei de Copas!

O meu longo andar de carro pelas estradas até chegar a Punta del Este

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Permitam-me, para início de conversa,que parafraseie Mário Quintana,o meu poeta preferido,lembrando o meu longa andar no rádio gaúcho. Foram,afinal,sessenta anos,durante os quais trabalhei também em agências de propaganda, como redator,no Correio do Povo e na Folha da Tarde e fui o primeiro narrador de futebol na recém inaugurada TV Guaíba,por escolha do Dr.Breno Caldas,proprietário da Cia.Jornalística Caldas Jr., de saudosa memória. Fui,também – os mais velhos não me esquecem,modéstia à parte – locutor-apresentador do Correspondente Renner em um longo período: de 1964 até 1º de abril do ano passado.

 

Em todo esse tempo,fiz inúmeras viagens,uma das minhas obrigações como narrador de futebol e,muitas vezes, de outros esportes. Renitente,quando se tratava de viajar para o exterior – preferia ficar ao lado da minha família – atuei em duas Copas do Mundo apenas:Argentina e Alemanha. Acompanhei a Seleção Brasileira na maioria dos seus deslocamentos pelo país dos meus ancestrais. Não conheci nenhum Jung. Em compensação,sempre que íamos a um banco de Frankfurt para sacar dinheiro,o atendente repetia incansavelmente que em meus sobrenomes, o por parte de mãe – Ferretti e o alemão Jung,herdado do meu bisavô – havia muitas contas. A equipe esportiva da Guaíba ficou bom tempo em Frankfurt enquanto o Brasil não precisou trocar de base.

 

Ruy Carlos Ostermann e este seu criado,ficamos um dia em uma cidade e precisamos ser comboiados para o pouso seguinte porque não atinamos com a saída dessa. Viajamos com um BMW alugado. Com ele,viajar de um local para outro por autobahn,mesmo que fosse um pouco mais longe que as feitas de avião,era um prazer. Se no Brasil a velocidade máxima mais alta é 120km por hora,na Alemanha,para usar um velha expressão,é café pequeno,lá 160 é comum. Em uma dessas autobahns,tínhamos de sair da estrada e em cada placa que encontrávamos o nome era o mesmo. O Ruy,com algum conhecimento da língua germânica,entendeu que deveríamos entrar na primeira à nossa frente. Eis que,abaixo de uma elevada,havia um hotel e,por puro acaso,aquele onde o restante da nossa equipe se hospedava. Claro que fomos gozados pela babaquice.

 

Enfrentamos muitas estradas em minha carreira radiofônica. Nos preparativos da Seleção Brasileira para a Copa da Alemanha fizemos uma gauchada:viajamos de Kombi de Porto Alegre até as estâncias hidro-minerais usadas para treinamento do selecionado. Saímos dessas últimas e partimos para o Rio de Janeiro e acompanhamos os ensaios brasileiros em Niterói e Macaé. Encerradas as baboseiras que os políticos inventaram para “saudar” a “canarinho”,surgiu a oportunidade de deixar a Kombi de lado. Edmundo Soares,repórter do Correio do Povo,ganhara como prêmio voltar a Porto Alegre com um Volks zero quilômetro. E me convidou para o acompanha e auxiliar a pilotar o fusquinha. Na passagem por São Paulo,perdemo-nos. Deixamos SP sem dormir e seguimos viagem para POA. Foi uma viagem cansativa,como os meus leitores(?)podem imaginar.

 

Quando se tratava de jogos pelo interior do Rio Grande do Sul,viajava-se de Kombi. Os que tinham carteira de motorista,de 100 em 100 quilômetros, assumiam a direção. Ao contrário dos caminhos mais longos,como o da viagem para as estâncias hidro-minerais mineiras,as estradas era bem mais curtas e menos preocupantes. O problema é que não eram vias asfaltadas e,se chovia,embarradas e escorregadias. Confesso que quanto mais alto fosse o que era chamado de “camaleão”,um trecho mais elevado da estrada,mais eu gostava de traçá-la.

 

Por falar em viagens e estradas de todos os tipos, desde as autobanhs às embarradas vias do nosso interior,umas satisfaziam meus desejos de pisar fundo no acelerador,outras de derrapar nos “camaleões”. O que eu não esperava,porém,era que seria convidado pela turma de parentes para ir até Punta del Este. Depois de ficar tanto tempo andando por Porto Alegre,achei interessante fazer uma visita a esta cidade balneária do Uruguai. No afã de me preparar para a viagem,esqueci-me de perguntar quantas horas teríamos de viajar para chegar a Punta. Nove horas,disse Maria Helena,minha mulher. Foi um susto. Felizmente,apenas a longa viagem é desagradável para um velho traseiro,mas a cidade a ser visitada fora da época de veraneio,é excelente em tudo,do resort em que paramos,às visitas magníficas,aos restaurantes quase vazios e,claro,o cassino,no qual não joguei,porque não me agrada,mas onde se almoça muito bem. Quem tiver paciência para suportar nove horas de viagem e para quem não conhece Punta del Leste,atrevo-me a sugerir que trate de conhecer uma cidade praiana bem diferente das nossas.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Ao olhar para aquele gramado

 

Milton Ferretti Jung

Lembrei-me do meu avô por parte de pai ao olhar para aquele gramado (?) no qual a seleção brasileira perdeu, nos pênaltis, para a paraguaia. Derrota, seja no tempo regulamentar, na prorrogação ou numa série de penalidades máximas, ainda mais quando o perdedor é o time do nosso coração ou a seleção nacional, sempre é algo profundamente desagradável.

O amigo, que porventura leu o início desta postagem, deve estar se perguntando por que me recordei do vô Adolfo Pedro Jung e o liguei ao gramado da nossa desdita futebolística na Copa América. A questão, se levantada, é pertinente. Meu avô, que eu saiba, não dava a mínima atenção para o futebol. Ocorre, porém, ter sido ele, com seus dotes de carpinteiro, o fabricante dos mais queridos brinquedos da minha infância: um carrinho em que me empurravam; um indestrutível caminhãozinho de madeira, que tirava pedaços dos de meus amigos em todas as colisões; e uma mesa em que jogávamos futebol de botões. Ficou nisso a ligação dele com este esporte ou muito me engano.

A mesa, por incrível que pareça, ainda existe. Está aqui em casa. E resiste ao tempo. É perfeita. E tinha que ser. Até hoje guardo três times, mesmo sem ter com quem jogar. Os botões e a bolinha – e isso é fundamental neste tipo de jogo – deslizavam e ainda deslizam maravilhosamente, como se a mesa fosse nova em folha. Novos ou reformados são os estádios nos quais a Copa América está sendo disputada. Naquele em que alguns dos caríssimos jogadores da seleção brasileira desperdiçaram decisivos chutes da marca do pênalti, a grama deveria possibilitar que a bola não apenas deslizasse quando fosse esta a intenção de quem a passasse a um companheiro ou que, num chute em que a precisão é necessária – a cobrança de tiros da marca de 11 metros, por exemplo – tomasse rumos inesperados. O capricho do meu avô ao fazer a mesa de botão não foi, entretanto, o mesmo dos responsáveis pelo piso do estádio em que o Brasil perdeu para o Paraguai. Não estou tentando desculpar nossos desastrados representantes, mas não deixa de ser uma vergonha que, apenas no futebol, a cancha na qual este é praticado, não seja, como a minha mesa de botão, absolutamente perfeita.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele).

Avalanche Tricolor: Nós fazemos a história

 

Grêmio 2 x 1 Inter
Gaúcho – Rivera (URU)

Festa gremista faz história do Gre-Nal (Foto: Gremio.net)

Era a primeira vez que o clássico Gre-Nal seria disputado fora do Rio Grande do Sul. E pela primeira vez seria jogado no exterior, já que as divisões geográficas deixaram Rivera do lado uruguaio. Era, portanto, um Gre-Nal para ficar na história.

E este é um assunto que o Imortal Tricolor entende bem.

O primeiro clássico de todos os tempos foi do Grêmio. O cinematográfico 10 a 0, em 1909, oportunidade em que a diretoria gremista ofereceu o time B para enfrentar o adversário, que do alto de sua prepotência não aceitou.

Para comemorar os 100 anos desta rivalidade, o Grêmio marcou mais uma vitória sobre o “tradicional” adversário, em 2009, em partida disputada no estádio Olímpico. O placar não foi elástico, é verdade: 2 a 1 de virada, lógico. Haveria graça se fosse diferente ?

Ao longo da história deste clássico – que alguns no centro do País dizem ser o de maior rivalidade do futebol brasileiro -, o Grêmio sempre escreve o capítulo mais importante.

Para o jogo desta noite em solo uruguaio – que, diga-se a verdade, é praticamente território tricolor dado os grandes feitos alcançados naquela terras – decidimos por enviar o time reserva, como aquele que queríamos escalar no primeiro dos Gre-Nais. O titular treinou pela manhã, no estádio Olímpico, em trabalho acompanhado por torcedores empolgados.

Nem nosso técnico deixou Porto Alegre nem nosso presidente foi a Rivera nem mesmo a torcida mais empolgada do Olímpico – a Da Geral – fez força para ocupar o estádio Atílio Paiva. Não por acaso a maior parte das arquibancadas estava vazia e o menor público de um Gre-Nal foi registrado: 7 mil pessoas.

Mas a camisa tricolor estava em campo. E isto faz diferença. Às vezes, parece que basta isto para fazer diferença em um Gre-Nal histórico. Basta o azul, preto e branco para transformar jogadores com pouco ritmo e sem entrosamento em uma equipe vitoriosa.

Lógico, não seria fácil. Nunca será. Por isso, foi de virada (novamente).

E serviu para homenagear ex-jogadores como Roger, que estreou no papel de treinador, após muitos anos se dedicando ao bom futebol. Elogiado pelo elenco ao fim da partida pela maneira como motivou a todos no intervalo, mostrando a eles o que representava vestir a camisa do Grêmio.

E, também, consagrou o lateral-ala Bruno Gollaço – perdão pelo trocadilho, mas a cobrança de falta dele valeu o ingresso do jogo.
E fez surgir um novo nome em nosso elenco de goleadores, Lins – nome simples como o gol que marcou, bola recebida de presente do zagueiro adversário, ajeitada com a perna e tocada para dentro do gol como devem fazer os goleadores.

Enfim, para um Gre-Nal histórico, o resultado não surpreende. Porque se existe alguém que sabe fazer história no Rio Grande do Sul este time é o Grêmio Imortal.

Avalanche Tricolor: Cheiro de Libertadores

 

Liverpool 2 x 2 Grêmio
Libertadores – Centenário, Montevidéu

Lúcio na primeira decisão da temporada (Foto: Gremio.Net)

De baixo das arquibancadas do estádio do Nacional em Montevidéu o cheiro do puchero dominava o ambiente. Era bem simples o restaurante no qual a delegação do Grêmio havia sido recebida pelos adversários. E foi nele que fui apresentado ao panelão com um caldo capaz de levantar defunto. Lá dentro, acompanham o grão de bico tudo aquilo que nós costumamos servir em uma feijoada – menos o feijão.

Dado o impacto que a comida uruguaia teve no meu estômago e o estrago que fez no meu preparo físico até hoje desconfio que a mistura levava algo mais do que os condimentos previstos na receita do chef.

Era fins dos anos de 1970 quando sofri esta primeira experiência em uma competição no exterior. Naquela época ainda arriscava alguns pontapés nas canelas de ponteiros atrevidos vestindo o número 6 às costas da camisa tricolor. Mesmo o torneio sendo entre equipes infantis, o cheiro da rivalidade entre Grêmio e Nacional estava no ar.

Quando assisti ao Grêmio entrar no Centenário na noite desta quarta-feira, aquele azedo voltou à minha garganta. O estádio era outro, mas o país era o mesmo e a rivalidade idem, apesar do adversário ter pouca tradição no futebol sul-americano, ter sido batizado com nome de time inglês e vestir camisa inspirada em um italiano.

O cheiro se espalhou quando a transmissão da televisão cortou a imagem do jogo para mostrar torcedores incitando uma batalha nas arquibancadas. Soube após a partida que policiais teriam agredido alguns gremistas. Nunca se saberá qual foi a ordem dos fatores.

O gramado ruim, a sola da chuteira acima da linha da bola, a dividida ríspida, a troca de tabefes e safanões não deixavam dúvida de que aquele não seria um jogo qualquer. Os gols atrapalhados confirmaram a tese.

O sofrimento nos cruzamento na área, o vacilo dos zagueiros, o passe mal feito no meio de campo e as arrancadas sem destino dos atacantes davam um sabor estranho para esta primeira decisão do ano.

Não dava para esperar muito mais. Alguns novos nomes apareceram na camisa branca do Grêmio, gente que mal havia sido apresentada para nós torcedores.

No apito final, o empate em dois gols foi um alívio e deu ampla vantagem ao Grêmio que decide tudo em casa, diante de sua torcida e no Olímpico Monumental. Estádio que além de churrasco tem cheiro de Libertadores.

Minhas férias (lá se foram)

 

Volta às aulas era sempre assim. A professora pedia uma redação na qual teríamos de contar como foram as férias escolares. Nem sempre tínhamos coisas interessantes para escrever, mas o número de linhas era pré-estabelecido. Aí, era aquele enorme esforço para preenchê-las com algo legal e sem muitos erros de gramática. Lembrei disso ao pensar neste post que marca meu retorno ao trabalho depois de 15 dias de férias e uma semana inteira de folga devido ao Natal. Vamos à lição de casa:

 

Dique em Porto Madero

Buenos Aires, na Argentina, e Colonia del Sacramento, no Uruguai, foram meus portos seguros nestas férias de dezembro. As duas cidades que estão em margens opostas e próximas do Rio da Prata se completam. Um barco, cerca de R$ 150, alguma burocracia de fronteira e uma hora separam a capital argentina fundada em 1536 da mais antiga cidade uruguaia, que surgiu no século seguinte, em 1679.

A primeira, uma metrópole caótica com comércio de qualidade e tradição preservada em alguns de seus bairros. A segunda se contrapõe oferecendo tranquilidade excessiva e ruas e prédios históricos a vista de todos. Interessante casar o passeio pela riqueza de elementos e preços bastante atrativos, seja para comprar, se alimentar ou se hospedar. Cruzar o extenso Rio da Prata deveria ser programa obrigatório para quem vai a Buenos Aires, tanto quanto visitar a Ricoleta, o Boca e o Porto Madero.

Os portugueses, sob o comando de Manuel Lobo, tinham mesmo a pretensão de criar no pedaço de terra mais próximo da Argentina uma base que lhes permitissem chegar ao território dominado pelos espanhóis. Estes logo entenderam as más intenções lusitanas e botaram seus navios do outro lado, expulsaram os recém-chegados e tomaram o território, só o devolvendo muitos tratados depois.

Centro de Colonia del Sacramento

Aliás, esta mistura portuguesa e espanhola é possível de se perceber em Colonia del Sacramento com casas de tijolo e pedra que se avizinham, todas ao longo de ruas calçadas como antigamente, sem um só pingo de asfalto. Por ali passam poucos carros e a preferência é para lambretas e carrinhos de golfe, alugados com facilidade para quem não quer caminhar.

A cidade não tem mais de 21 mil moradores, dos quais apenas dois são brasileiros – outro contraste com Buenos Aires que, sozinha, tem quase a mesma população que o Uruguai inteiro. Há quem a compare com Parati, no litoral fluminense. A mim lembrou Embu das Artes, na região metropolitana de São Paulo (sem o rio, é lógico).

Não vá até lá esperando luxo e requinte nem mesmo uma farmácia com produtos básicos para a higiene pessoal. Nas lojas, a aposta é pelo artesanato. Esteja preparado para a conversão, pois eles aceitam dinheiro de qualquer nacionalidade e origem – não deve ser uma coincidência que o Uruguai é visto como uma espécie de paraíso fiscal sulamericano.

Carros da metade do século passado desfilam pelas ruas mais “modernas” ou fazem pose estacionados no centro antigo. Novos apenas os da frota de táxi que ajuda no deslocamento dos hotéis para os pontos turísticos.

Aproveite para relaxar, refletir e fotografar.

Patins em Buenos Aires

Se em Colonia há poucos brasileiros, em Buenos Aires nós estamos saindo pelo ladrão (sem trocadilho, por favor). As lojas estão tomadas pelos conterrâneos com carteira recheada de real forte. Os restaurantes, também. Em ambos, produtos de qualidade enchem os olhos e o estômago. Tive de me conter em um caso e em outro, pois vinha de um dieta programada para o fim do ano.

Confesso que sinto inveja do que os argentinos foram capazes de fazer em Porto Madero, principalmente após ter visitado, logo no início das férias, o cais de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul – grande desperdício. Fiquei hospedado ali perto e da sacada do apartamento enxerguei coisas muito agradáveis. Saudáveis, em especial.

Ciclofaixas se estendiam por boa parte do trajeto que fiz em Buenos Aires e muita gente de patins brincava em grupo. Passear na cidade me faz pensar como seria agradável São Paulo com este espaço para pedalar e patinar.

O que não dá saudade é o trânsito, mesmo porque estamos falando da segunda maior área metropolitana depois de São Paulo. Principalmente durante a semana, dirigir por lá me pareceu uma ação tresloucada.

Na região próxima do Aeroparque (o Congonhas portenho), os carros se misturam aos enormes caminhões que transportam carga no porto e ônibus coloridos que levam passageiros para os bairros da cidade. Os “marronzinhos” que vestem jalecos amarelos dão a impressão de que são apenas figuras decorativas tamanho o desrespeito às leis.

Ainda bem que bares, restaurantes e boas vistas não faltam para amenizar este estresse que, diga-se, é dos motoristas, apenas, não deste turista. Afinal, férias é para se divertir, conhecer e viver. E isto fiz muito durante estes dias todos.


Veja mais imagens de Buenos Aires e Colonia del Sacramento feitas por este fotógrafo amador