Minimalismo de boteco

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

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Dias atrás, deparo-me na Veja SP com reportagem sobre botecos onde a palavra minimalismo é usada indevidamente. “O conceito é minimalista, poucos metros quadrados e pequena quantidade de mesas”. É a frase que inicia o artigo “Boteco para os íntimos”.

 

Na verdade o texto não tem nenhuma intimidade com o minimalismo. Como sabemos, minimalismo é o significado de um movimento ocorrido nas artes, na decoração, na moda e, no estilo de vida, na busca do requinte, em que o menos é o mais. No sentido de qualidade e singularidade. Nada a ver com tamanho.

 

O maltrato a uma expressão tão cara a quem milita em área em que a palavra minimalismo é técnica, gerou de minha parte um e-mail ao editor da Veja, e uma ratificação do valor do tecnicismo vocabular. Tão criticado por muitos.

 

É fato que em algumas áreas como a Medicina e a Economia realmente há exageros, gerando os pejorativos medicinês e economês. Entretanto, por mais que se critique a comunicação técnica, não há como fugir em determinadas ocasiões de palavras que representam significados específicos.

 

Culposo e doloso, por exemplo, são termos jurídicos que podem confundir, mas não podem ser evitados. Culposo, como se sabe significa a culpa sem intenção, enquanto doloso representa a culpa intencional. Na Administração, organograma que é a representação gráfica da estrutura hierárquica, e o fluxograma o desenho dos processos, são muitas vezes confundidos ou trocados.

 

O caminho para evitar dissonâncias é a naturalidade. Aos técnicos deve caber o uso sem abuso dos termos restritos ao entendimento de leigos. Aos leigos recomenda-se não entrar em área desconhecida, mesmo que aparentemente palavras como minimalismo possa indicar tamanho reduzido.

 

O melhor mesmo é ser minimalista, comunicando-se através de palavras comuns, sem excessos, articuladas com simplicidade e objetividade.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Serviço público: procuram-se talentos

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

A evidência da diferença entre os setores público e privado se comprova na dificuldade em que os talentos privados têm para obter sucesso na área pública e vice-versa. Bloomberg na prefeitura de New York, Meirelles no Banco Central do Brasil são bons exemplos de executivos de sucesso que tiveram êxito na vida pública. Exceções à regra. Provavelmente! O que, é um pouco desconcertante, pois temos hoje um punhado de empresas brasileiras no topo do mercado global, dirigidas por competentes executivos nacionais. Cujos talentos poderiam servir no governo das nossas cidades, estados, municípios e mesmo do país.

 

As páginas amarelas da Veja, que me trouxeram a essas ponderações, sinalizam através da entrevista com Abílio Diniz um conhecimento do público através da ótica do privado que não podemos prescindir. Até mesmo para não transgredir com a nação, pela simplicidade e pela objetividade. Diniz lembra que sugeriu à Presidenta Dilma reduzir o ministério, que tinha 37 membros. Hoje são 40. O aconselhável de acordo com as melhores práticas de administração, é que um dirigente tenha no máximo 12 subordinados. Número também adotado por Abílio. Defensor da Reforma Tributária, Diniz dá hoje preferência à Reforma Política em função do potencial de corrupção que o financiamento das eleições oferece.

 

Considerando que a gestão moderna foca processos e pessoas, não admite a morosidade do governo. Fato que o faz considerar 10 anos perdidos quando participou do CMN Conselho Monetário Nacional. Como sequestrado que foi não deixou de observar o sistema penal brasileiro, levando-o a sugerir a segmentação da legislação do menor em três faixas específicas: 16 anos, 16 a 18 e 18 a 21.

 

Se as ações dos dirigentes privados não garantem o resultado no setor público, ao menos a sua visão precisa ser considerada. Estas considerações, compartilhadas certamente por um punhado de brasileiros ficam esperando pela ação do setor público. A habilitação terá que ser dada na votação. Quando, não sabemos. Talvez nas próximas eleições?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Morumbi para muitos e para poucos

 

É Morumbi: Casa de Vidro, Oscar Americano e Praça Vinicius de Morais


Por Carlos Magno Gibrail

Muitos têm destacado Paraisópolis e sua imensidão; o estádio possível de abrir a Copa e as controvérsias com a FIFA, o SPFC e os moradores; o monotrilho; a explosão imobiliária vertical; a discussão em torno da possível saída da sede do Governo Estadual do Palácio dos Bandeirantes; as festas em casas de aluguel temporário e também a criminalidade.

Poucos sabem ou fingem ignorar os benefícios advindos das características urbanas e florestais da região. Uma invejável área onde as construções estritamente horizontais e arborizadas propiciam uma qualidade de vida exemplar. Bom para os moradores e benéfico para toda a cidade.

É um balanço desfavorável, mas ainda assim a notoriedade da marca Morumbi não só permanece como potencializa acontecimentos negativos sem a contra partida dos positivos.

Em 2010 ocorre uma concentração de ameaças às qualidades do bairro. Prefeitura e Estado se esmeraram em colocar na berlinda os encantos da área Oeste (ou Sul?) do município. Além dos políticos eleitoreiros e das construtoras.

Estas fazem parte dos poucos que conhecem as vantagens e fizeram com os 8mil apartamentos comercializados nos 3 últimos anos o maior crescimento da cidade. Não ignoraram inclusive a renda média familiar de 14mil reais, como também não ignoram que a predominância de casas e mansões residenciais ainda existentes será em breve transformada. Exatamente pela verticalização que tanto explora as características originais de casas e mansões para vender apartamentos.

Esta preocupante tendência começa a tomar corpo quando a imprensa propõe matéria sobre o que há de melhor no Morumbi e, ao destacar o crescimento vertical esquece-se da Fundação Oscar Americano, da Casa de Vidro, da Casa da Fazenda, da Praça Vinicius de Moraes, mas destaca Paraisópolis com seus 74% de moradores que trabalham ali mesmo, e os apartamentos que invadiram e invadirão o bairro. É só conferir nas bancas a Veja SP.

Entretanto, o Morumbi poderá ter mais sossego, na contribuição aleatória de Andrés Sanchez, levando para Itaquera a abertura da Copa e a VEJA SP informando a Goldman e Kassab que 74% de Paraisópolis não precisam do monotrilho.

Uma sorte e tanta, pelas mãos do inimigo declarado e da rala matéria sobre tão nobre bairro.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve toda quarta no Blog do Mílton Jung