Morumbi para muitos e para poucos

 

É Morumbi: Casa de Vidro, Oscar Americano e Praça Vinicius de Morais


Por Carlos Magno Gibrail

Muitos têm destacado Paraisópolis e sua imensidão; o estádio possível de abrir a Copa e as controvérsias com a FIFA, o SPFC e os moradores; o monotrilho; a explosão imobiliária vertical; a discussão em torno da possível saída da sede do Governo Estadual do Palácio dos Bandeirantes; as festas em casas de aluguel temporário e também a criminalidade.

Poucos sabem ou fingem ignorar os benefícios advindos das características urbanas e florestais da região. Uma invejável área onde as construções estritamente horizontais e arborizadas propiciam uma qualidade de vida exemplar. Bom para os moradores e benéfico para toda a cidade.

É um balanço desfavorável, mas ainda assim a notoriedade da marca Morumbi não só permanece como potencializa acontecimentos negativos sem a contra partida dos positivos.

Em 2010 ocorre uma concentração de ameaças às qualidades do bairro. Prefeitura e Estado se esmeraram em colocar na berlinda os encantos da área Oeste (ou Sul?) do município. Além dos políticos eleitoreiros e das construtoras.

Estas fazem parte dos poucos que conhecem as vantagens e fizeram com os 8mil apartamentos comercializados nos 3 últimos anos o maior crescimento da cidade. Não ignoraram inclusive a renda média familiar de 14mil reais, como também não ignoram que a predominância de casas e mansões residenciais ainda existentes será em breve transformada. Exatamente pela verticalização que tanto explora as características originais de casas e mansões para vender apartamentos.

Esta preocupante tendência começa a tomar corpo quando a imprensa propõe matéria sobre o que há de melhor no Morumbi e, ao destacar o crescimento vertical esquece-se da Fundação Oscar Americano, da Casa de Vidro, da Casa da Fazenda, da Praça Vinicius de Moraes, mas destaca Paraisópolis com seus 74% de moradores que trabalham ali mesmo, e os apartamentos que invadiram e invadirão o bairro. É só conferir nas bancas a Veja SP.

Entretanto, o Morumbi poderá ter mais sossego, na contribuição aleatória de Andrés Sanchez, levando para Itaquera a abertura da Copa e a VEJA SP informando a Goldman e Kassab que 74% de Paraisópolis não precisam do monotrilho.

Uma sorte e tanta, pelas mãos do inimigo declarado e da rala matéria sobre tão nobre bairro.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve toda quarta no Blog do Mílton Jung

7 comentários sobre “Morumbi para muitos e para poucos

  1. Sobre o monotrilho, vale ainda reforçar que o trecho 3 da linha 17, a que, se concretizada, irá degradar uma área estritamente residencial e que constitui patrimônio ambiental, foi um pedido do comitê paulista para 2014, quando ainda se pretendia realizar jogos da copa no estádio do Morumbi. Essa é uma informação passada por engenheiro representante do Metrô em seminário realizado em 11/04/2010 na Vila Sônia e posteriormente confirmada por alta patente da Secretaria de Transportes Metropolitanos (STM).
    Utilizaram Paraisópolis como palanque eleitoral (todos os partidos políticos e o próprio clube de futebol vizinho) e, agora, que está decidido que não haverá mais copa do mundo naquele estádio, ninguém tem coragem de voltar ao projeto original da Linha 17 que terminava na estação Morumbi-CPTM da Linha 9 – Esmeralda, nas proximidades do Shopping Morumbi.
    O problema é que só o trecho 3 custará mais de R$ 1.5 bilhão, dinheiro mais do que suficiente para resolver os problemas do transporte coletivo em boa parte da região sudoeste, inclusive Paraisópolis, que, se ligada por ônibus à Linha 5 – Lilás, no terminal João Dias, estaria integrada a toda a rede metroferroviária da cidade.
    A análise das demandas projetadas para a Linha 17 (não passam de 6.000 passageiros/hora.sentido na hora de pico da manhã) também não justifica o investimento e indica que o modal de média capacidade escolhido, o monotrilho (20.000 passageiros/hora.sentido), não é o mais adequado. Essa é uma questão que merece ampla investigação pois denota o mau investimento do escasso dinheiro público em obra não prioritária para a metrópole.
    O fato é que existem grandes interesses por trás dessa obra, inclusive os do clube de futebol que vislumbrou na copa do mundo a oportunidade de conseguir, com investimento público, um estacionamento em praça pública para 1.600 veículos à custa da desapropriação de uma grande área na região da rua Corgie Assad Abdalla.
    A questão do estacionamento está diretamente relacionada às ações que o clube vem empreendendo no sentido de alavancar suas receitas com a realização de um maior número de shows com o projeto Arena 25.000 e com a exploração do estádio como área de entretenimento com bares, restaurantes, academia de ginástica, livraria, etc.
    Uma contradição se considerarmos que o clube não cumpriu com as contrapartidas estabelecidas na escritura de doação, entre elas a obrigação de construir um estacionamento, isso mesmo, um estacionamento de 25.000 m2 na área recebida, tema que tramita no Ministério Público que já caracterizou a própria doação como NULA, problema sério em que a Prefeitura não terá como se omitir.
    É nítido, também, o conflito de interesses existente na STM, onde o secretário-adjunto que assinou o convênio para a obra da Linha 17 com a Prefeitura e o Metrô, é também dirigente do clube de futebol.
    Apenas esses interesses é que podem justificar a exposição ao ridículo a que se prestou o presidente do SPFC ao longo dos dois últimos anos de tentativas infrutíferas de fazer do Morumbi o estádio da copa em São Paulo.

  2. Sobre o monotrilho, vale ainda reforçar que o trecho 3 da linha 17, a que, se concretizada, irá degradar uma área estritamente residencial e que constitui patrimônio ambiental, foi um pedido do comitê paulista para 2014, quando ainda se pretendia realizar jogos da copa no estádio do Morumbi. Essa é uma informação passada por engenheiro representante do Metrô em seminário realizado em 11/04/2010 na Vila Sônia e posteriormente confirmada por alta patente da Secretaria de Transportes Metropolitanos (STM).
    Utilizaram Paraisópolis como palanque eleitoral (todos os partidos políticos e o próprio clube de futebol vizinho) e, agora, que está decidido que não haverá mais copa do mundo naquele estádio, ninguém tem coragem de voltar ao projeto original da Linha 17 que terminava na estação Morumbi-CPTM da Linha 9 – Esmeralda, nas proximidades do Shopping Morumbi.
    O problema é que só o trecho 3 custará mais de R$ 1.5 bilhão, dinheiro mais do que suficiente para resolver os problemas do transporte coletivo em boa parte da região sudoeste, inclusive Paraisópolis, que, se ligada por ônibus à Linha 5 – Lilás, no terminal João Dias, estaria integrada a toda a rede metroferroviária da cidade.
    A análise das demandas projetadas para a Linha 17 (não passam de 6.000 passageiros/hora.sentido na hora de pico da manhã) também não justifica o investimento e indica que o modal de média capacidade escolhido, o monotrilho (20.000 passageiros/hora.sentido), não é o mais adequado. Essa é uma questão que merece ampla investigação pois denota o mau investimento do escasso dinheiro público em obra não prioritária para a metrópole.
    O fato é que existem grandes interesses por trás dessa obra, inclusive os do clube de futebol que vislumbrou na copa do mundo a oportunidade de conseguir, com investimento público, um estacionamento em praça pública para 1.600 veículos à custa da desapropriação de uma grande área na região da rua Corgie Assad Abdalla. É incrível mas o próprio estudo de impacto ambiental (EIA-RIMA) da Linha 17, apresenta a vista de topo da praça com o estacionamento projetado pelo clube de futebol e com terminologia utilizada no caderno de encargos da FIFA como Commercial Display e TV Compound.
    A questão do estacionamento está diretamente relacionada às ações que o clube vem empreendendo no sentido de alavancar suas receitas com a realização de um maior número de shows com o projeto Arena 25.000 e com a exploração do estádio como área de entretenimento com bares, restaurantes, academia de ginástica, livraria, etc.
    Uma contradição se considerarmos que o clube não cumpriu com as contrapartidas estabelecidas na escritura de doação, entre elas a obrigação de construir um estacionamento, isso mesmo, um estacionamento de 25.000 m2 na área recebida em doação, tema que tramita no Ministério Público que já caracterizou a própria doação como NULA, problema sério que, junto com a falta de proteção acústica para a realização de shows, não permitirá à Prefeitura simplesmente se omitir com tem feito na expedição de alvarás para os shows que lá se relaizam.
    É nítido, também, o conflito de interesses existente na STM, onde o secretário-adjunto que assinou o convênio para a obra da Linha 17 com a Prefeitura e o Metrô, é também dirigente do clube de futebol.
    Apenas esses interesses é que podem justificar a exposição ao ridículo a que se prestou o presidente do clube ao longo dos dois últimos anos de tentativas infrutíferas de fazer do Morumbi o estádio da copa em São Paulo.
    Do lado da sociedade civil, não se pode aceitar a realização de projetos não contemplados no plano diretor da cidade que resultarão no benefício de poucos em detrimento dos interesses da maior parte da população paulistana.

  3. Ricardo,comentário 1
    Seria interessante que as outras partes envolvidas, Prefeitura, Estado e SPFC se manifestassem diante do relatório que você como morador interessado na preservação do bairro apresenta acima.
    Obrigado pela contribuição ao tema, tão importante para a cidade.

  4. O que estamos presenciando ultimmente na cidade de São Paulo é um verdadeiro descalabro, desmando, abuso de poder em detrimento de poucos, dos lobbys exisntentes e enraizados.
    Sinceramente, como cidadão paulistano jamais presenciei tamanhos desmandos no que se diz respeito a,construção de grandes avenidas, tuneis, viadutos, uma infinidade de lançamentos e empreendimentos em qualquer lugar, rua, agora querem a todo custo a porcaria do monotrilho para completar e assim tornar a vida dos moradores do antes paradisíaco, arborizado bairro do Morumbi mais um inferno.
    Como se não bastasse os outros infernos causados por tais obras e empreendimentos.
    Gostaria de saber quem são os conselheiros, dirigentes, presidentes, do AIB, SECOV.
    Não é possível ter que suportar como estão acabando literalmente com a cidade mais rica da américa latRina, numa velocidade de fazer inveja ao supersônico Concorde.
    Sem esquecer de mencionar favelas e mais favelas cresendo também de forma vertiginosa em locais antes extremamente proibidos.
    Mas como mais favela, mais predios, resultam erm mais população, mais gente, mais votos, eis um dos aspectos de interesse puramente politico e dos lobbys.
    Por mais absurdo que uma obra venha ser implantada em local totalmente inadequado, ninguem consegue, barrar.
    A exemplo do que vem acontecendo na Vila Olimpia, vila Nova Conceição, Moema, Itaim bibi, Mooca, Tatuapé, a Barra Funda agora está também na mira das construtoras que pretendem descaracterizar um dos bairros historicos de são Paulo, tradicional com edificações dos tempos da arquitetura clássica, arte.
    Nos jardins, e na “suposta e considerada de forma totalmente equivocada por muitos como cartão posta de São Paulo, que de cartão postal atualmente não tem nada a não ser somente concreto e asfalto, que um dia no século passado foi sim cartão postal, com suas mansões e seus grandes, bem tratados e belissimos jardins.
    Hoje so vemos homens e mulheres apressados, estressados,l transito caótico, marginalidade, toda a sorte de ambulantes.
    E assim o paulistano nestas ultimas administrações esta tendo que viver, sob o descaso, abuso de autoridade, desrespeito a o cidadão, eleitor, municipe que paga os olhos da cara de impostos, sem fim e a cada ano aumenta mais anida, foi-se a qualidade de vida, a saude.
    E o resto, transporte publico,l saude, educação, saneamento basico, qualidade de vida, limpesa publica, manuntenção de ruas e avenidas, lixo, a cada dia aumenta o numero de mendigos e moradores de rua.
    Povo do Morumbi, unam-se, briguem lutem pelos seus direitos constitucionais, pela sua qualidade de vida.
    Da mesma forma como população es de outros bairros estão fazendo.
    BElo texto Carlos
    Abraços
    Armando Italo
    http://www.blogdoaitalo.blogspot.com

  5. Prezado Armando Italo, e assim a cidade vai levando estes assaltos à sua sustentabilidade.
    De um lado o processo eleitoral que permite a participação das construtoras e incorporadoras como patrocinadoras de candidatos.
    De outro, a carreira dos eleitos que são colocadas como objetivo de vida de cada um, fazendo com que o interesse individual se sobreponha sobre o coletivo.
    Estado e Prefeitura armaram discurso contra dinheiro público em estádio para abrir a Copa. Você acredita?

  6. Bom Dia MIltom, Armando e Carlos,

    A pergunto que fica para nós contribuintes e donos desse dinheiro todo, é a seguinte; No caso dessas construções megalomanicas e faraonicas, qual o retorno que vamos ter, em termos de educação, saude, segurança? por que a cada dia que passa, estamos sendo mais roubados, tantos pelos politicos que ai estão e pelos bandidos. As escolas, continuam um lixo, na saude, os hospitais, parece mais açogues. Se um bode fizer xixi na Mg. Pinheiros/Tieté, é motivo de alagamento ou seja, faz muitos anos que essa cidade/estado não tem governo. Que manda nessa caso da mae joana, é o pcc e ponto.
    Agora, o pior de tudo isso, é que grande parte da ppopulação, continua votando nesses governos que ai estão. Principalmente, a classe rica, que hoje, é os principais alvos dos bandidos.

    Abr,

    JR.

  7. Jose Sinval, talvez obras como essa possam chamar a atenção e exigir da população mais ação.
    É o que está acontecendo com parte dos moradores do Morumbi.
    Ficou claro para eles a “traição” dos politicos mais votados na classe média alta.

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