Avalanche Tricolor: A primeira decisão do Mário

 


Grêmio 4 x 2 Veranópolis
Gaúcho – Olímpico

Foi a primeira decisão do ano, jogando em casa, precisando apenas do empate e contra um adversário que talvez você nunca tenha ouvido falar.  E o que estava em jogo era apenas uma vaga na semifinal do primeiro turno do Campeonato Gaúcho. Apenas?

Seja sincero. Quando seu time entra em campo toda e qualquer partida tem importância. Ninguém quer perder, ouvir o torcedor adversário que senta na mesa ao lado corneteando no seu ouvido ou abrir o jornal do dia seguinte e ler os comentarista criticando a sua equipe. Imagine, então, se este jogo é eliminatório. Perdeu, está fora. Vai ficar em casa assistindo aos demais disputando a competição para voltar apenas no segundo turno.

Desculpe-me se você desdenha momentos como esse. Eu, não. Por isso, desde cedo tenho anunciado: hoje é dia de decisão. E decisão em ritmo de copa é com o Grêmio mesmo. Time que neste ano havia jogado nove partidas e em oito saído atrás no placar.

Foi com este espírito – o de decisão – que o Imortal Tricolor entrou no estádio Olímpico, onde há um ano e cinco meses não perde uma partida sequer. E logo de cara nossos atacantes mostraram  porque estão entre os goleadores do campeonato: Jonas, com drible e oportunismo, e Borges com categoria e esperteza deixaram as suas marcas, mais uma vez. (Borges já fez 11 gols na temporada; quantos o Washington marcou, mesmo ? Quatro ?). Hugo que entrou faltando 10 minutos também fez um e tem muito a agradecer pela jogada do colega Borges.

Dedico o último parágrafo desta Avalanche para falar do terceiro gol gremista. Contrariando a natureza, o grandalhão Mário Fernandes é habilidoso com a bola nos pés. Hoje, aos 38 minutos do segundo tempo, o menino que ainda vai completar 19 anos marcou o primeiro gol como profissional. Não foi um gol qualquer. Foram sete cuidadosos toques na bola em jogada que se iniciou fora da área, com a cabeça erguida, desafiando o marcador que recuava a cada passo que ele dava, gingando o corpo para desviar do zagueiro, livrando-se dele com leve toque de pé esquerdo que o deixou diante de seu objetivo. Preciosista ainda deu mais uma ajeitada com o pé direito para concluir cruzado e correr para a torcida que já o tem no coração.

E esta foi apenas a primeira decisão que o Mário disputou. Que Mário ? Calma, um dia você vai conhecê-lo melhor.

Avalanche Tricolor: Gol de Souza

 

Grêmio.net

Grêmio 1 x 1 Veranópolis
Gauchão – Olímpico Monumental

O moço da TV não viu; o amigo dele na cabine não viu; e o repórter que está lá no campo para ver tudo aquilo que eu não vi, também não viu. Mas o goleador Jonas … por este nada passa despercebido.

Dentro da área, marcado por dois ou três adversários, ele enxergou a bola chegar adocicada aos seus pés, ameaçou um chute, deu um corte para a direita, abriu espaço e a colocou naquele ponto em que o goleiro por mais que se estique não alcança. O terceiro gol de Jonas em três jogos garantiu a incrível invencibilidade gremista em sua casa: 41 partidas. São dois campeonatos Gaúchos, dois Brasileiros e uma Libertadores sem nenhuma derrota no Monumental.

Apesar da importância do momento, ao ensaiar a comemoração Jonas fez questão de mostrar a todos no estádio, inclusive aos meus colegas de profissão, que tudo aquilo que havíamos assistido era de total responsabilidade de outro craque: Souza, o maestro.

O “desbocado” meio-campo gremista é o mais criativo jogador a vestir a camisa do Imortal Tricolor, neste momento. E tem exercido com qualidade a função para qual foi escalado pelo técnico Silas: comandar o time com a bola nos pés.

A partir dele saem os cruzamentos, ocorrem as cobranças de falta, acontecem os dribles e aparecem jogadas como a que resultou no gol gremista. Apesar do congestionamento que havia dentro da área adversária, Souza estava como sempre com a cabeça erguida, buscando um colega, um espaço, um momento para ser genial. E o foi.

A bola invadiu a área e passou rasteira pelos zagueirões sem que eles tivessem tempo de pensar. Se aproximou do pé de Jonas como se tivesse sido entregue com as mãos. E chegou na velocidade e espaço precisos que deram ao atacante a condição do drible e do chute.

Assim como no meio da semana, o juiz deu a um zagueiro a autoria do gol contra que teria de ser anotado para Jonas, hoje poderia ter assinalado para Souza o gol de Jonas. Não seria nenhuma injustiça, apesar do complemento primordial do atacante.

O futebol costuma ser injusto com estes maestros em campo. As câmeras estão sempre voltadas para quem jogou a bola para dentro do gol e se esquecem de celebrar quem ofereceu aquela oportunidade. Devíamos aprender com o basquete americano que destaca – inclusive com prêmio – quem faz o maior número de assistências.

Amanhã, quando a televisão reproduzir a jogada, talvez a edição mais uma vez se esqueça de valorizar o lance de Souza, como fizeram durante a transmissão do jogo os meus colegas (justiça seja feita ao diretor de TV que tentou chamar atenção deles), mas nesta Avalanche Tricolor estamos sempre atentos a cada instante. Pois, assim como admiramos um carrinho bem dado, um chega pra lá decisivo, somos fãs daqueles que fazem magia com a bola. E Souza tem feito.