Avalanche Tricolor: se o Juca disse, quem sou eu para desdizer!

 

 

Grêmio 2 x 0 Veranópolis
Gaúcho – Arena do Grêmio/Porto Alegre-RS

 

47213592211_e24c91aabd_z

Marinho comemora mais um gol em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Era noite de estreia. Não na Arena. No cinema. O documentário “Vida em movimento” do meu amigo — e colega de CBN — Márcio Atalla estava sendo apresentado ao público pela primeira vez, com sessão prevista para o mesmo horário da partida do Grêmio.

 

Em situação normal de pressão e temperatura — haja vista ser uma segunda-feira –, ficaria em casa assistindo ao meu time, na última partida antes da estreia na Libertadores.

 

Mas não podia perder a oportunidade de estar ao lado de alguém que tanto admiro, em momento desta importância. Assisti ao documentário no cinema Iguatemi, aqui em São Paulo, enquanto o Grêmio cumpria mais um compromisso pelo Gaúcho.

 

Vida em Movimento relata uma série de ações e pesquisas pelo mundo que mostra o risco do sedentarismo na sociedade moderna e nos faz pensar: o que estamos fazendo com a nossa vida?

 

Soube do resultado da partida pelo aplicativo que me acompanha no celular. Primeiro gol, Marinho. Segundo gol, ele de novo. Marinho deve ter arrasado com o jogo, pensei comigo.

 

Sem chance de conferir os gols e melhores momentos, qual não foi minha surpresa, hoje cedo, ao ouvir as palavras de outro craque que tenho o prazer de ser colega de trabalho — e amigo: Juca Kfouri.

 

Comentarista do Jornal da CBN, que, na segunda-feira, resmungava a baixa qualidade do futebol jogado pela maioria dos times brasileiros, neste início de temporada, Juca teceu elogios ao meu Grêmio.

 

Disse no comentário da CBN e repetiu em seu blog no UOL:

Com dois gols de Marinho, um em cada tempo, o Grêmio chegou a 23 gols em oito jogos e mais uma vez mostrou atuação agradável de ver, sob chuva.

 

Ah, mas contra o lanterna, o Veranópolis, dirá alguém.

 

OK, e contra quem têm jogado os principais time do país? Como o Santos e o Fluminense, o Grêmio não esquece que tem gente que gosta de futebol bem jogado, não apenas de vencer.

 

Pois tem vencido e jogado bem.

 

Ah, mas o Gauchinho é mole. É, e o Paulistinha, o Carioquinha?

 

Pegue o Avenida, por exemplo, que vendeu cara a derrota para o Corinthians na Copa do Brasil e só por 1 a 0 para o Inter ontem.

 

O Grêmio enfiou-lhe meia dúzia…

 

A vantagem do Grêmio sobre o Santos e o Flu é óbvia: tem Kanneman, Geromel, Maicon, Luan, Everton, enfim, tem jogadores de mais qualidade para impor aquilo que Renato Portaluppi determina.

 

Hoje, sem concorrência, foi possível vê-lo jogar e redimiu o péssimo futebol jogado pelo Brasil afora no fim de semana.

 

O Grêmio lidera o Gauchinho, com 20 pontos ganhos….

Se o Juca disse isso, quem sou eu para desdizer.

 

PS1: Reproduzi o comentário do Juca sem pedir licença a ele; fico na expectativa de que ele me perdoe por tal atrevimento.

 

PS2:O documentário de Márcio Atalla estará no circuito de cinema, a partir do dia 28 de março. Antes, o tema será foco de reportagens no Fantástico.

Avalanche Tricolor: vítima da falta de respeito do futebol brasileiro (e gaúcho)

 

Veranópolis 2×1 Grêmio
Gaúcho – Veranópolis/RS

 

IMG_0862

 

Escrever sobre o jogo um dia depois de disputado nos oferece algumas boas oportunidades de reflexão. Mais tempo para pensar costuma resultar em palavras mais equilibradas menos influenciadas pela emoção do resultado. E, mais uma vez, o resultado não foi bom. E não o foi pelos motivos que conhecemos muito bem, mas parece que alguns preferem deixar em segundo plano.

 

Sem ter tido tempo de preparação, planejando a temporada sul-americana e às vésperas de mais uma disputa de título, o da Recopa, abriu-se mão do Campeonato Gaúcho ao colocar times de transição, reservas, alternativos ou seja lá o nome queiram dar. Paga-se o preço por tal decisão, talvez mais alto do que merecêssemos: houve partidas em que seria justo termos pontuado mas bolas desviadas, árbitros atrapalhados e algumas pataquadas da nossa defesa nos levaram a somar revés atrás de revés.

 

De volta às vantagens de escrever uma dia após o jogo: dá tempo de ler o que dizem seus protagonistas, como é o caso de Renato, que durante toda a partida de ontem revelou insatisfação com o desempenho do time, entre caras e bocas registradas pela televisão. Na entrevista, admitiu erros e desentrosamento, mas fez questão também de criticar a Federação Gaúcha de Futebol. Pediu que os organizadores do campeonato “pensem um pouquinho” em relação ao sacrifício que obrigam alguns clubes a assumirem para atender o capricho do calendário da competição. E reclamou: “preferem quantidade e não qualidade”.

 

Foi na leitura dominical que encontrei na mesma página de site, naquele espaço em que destacam as mais lidas, duas manchetes que dizem muito sobre o que acontece com o Grêmio nesta altura do campeonato. Na primeira, um colunista fez o cálculo: temos quatro jogos para encerrar essa fase da competição, precisamos de três vitórias para se classificar e duas para não cair. Na segunda, estava a informação que o Grêmio é o quinto clube com mais títulos internacionais.

 

Não há como não relacionar esses fatos, mesmo que estejam escritos de maneira isolada. Somos grandes e nos comportamos como tal; e no futebol brasileiro ser grande é pecado, porque confederação e federações sobrevivem com os votos dos pequenos. E para beneficiá-los criam competições maiores do que nossa capacidade e espremem o calendário sacrificando os melhores times, aqueles que vão mais longe, que disputam títulos aqui dentro e se capacitam a jogar lá fora, como é o caso do Grêmio.

 

O Grêmio é o time gaúcho com mais presença em competições no exterior e disputou 17 vezes a Libertadores. Só nos anos 2000 participou nove vezes do principal torneio sul-americano. A lembrar: 2002, 2003, 2007, 2009, 2011, 2013, 2014, 2016 e 2017. Uma sequência de anos que o fez focar, por óbvio, na competição maior, deixando o Gaúcho para o que desse e viesse.

 

O Grêmio não é vítima de seu sucesso, como eu mesmo já devo ter escrito algumas vez nesta Avalanche. O Grêmio é vítima da falta de respeito do futebol brasileiro (e gaúcho) com seus grandes clubes.

Avalanche Tricolor: ¿hablas español?

 

Veranópolis 0x2 Grêmio
Gaúcho – Antônio David Farina/Veranópolis

 

Gringos

Miller e Barrios marcaram na vitória em Veranópolis, foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

O Grêmio fez um e fez dois. Poderia ter feito três, quatro ou cinco.

 

Exageros à parte, a bola rolou de pé em pé mesmo com o pouco espaço que a marcação oferecia.

 

Na dificuldade para chegar ao gol, começou a chutar de fora: Miller, Pedro Rocha e Luan arriscaram sem sucesso, mas trouxeram a defesa do adversário um passo à frente. Com isso, abriram-se outros caminhos: por cima e por trás. E foi por cima dos zagueiros deles que chegamos ao gol.

 

Rocha perdeu na primeira. Miller, não. No lançamento que veio do meio do campo, nosso atacante esperou a bola quicar no gramado, enganar o goleiro e com calma concluir no gol que estava livre. Un golazo!

 

Na defesa, estávamos seguros. Risco zero.

 

Do meio pra frente, o time se movimentava com rapidez. Volantes e laterais também se apresentavam para o jogo. E mesmo nossos zagueiros, especialmente Geromel – que baita jogador, heim! – se faziam presentes no ataque quando havia oportunidade.

 

Apesar do domínio completo da partida, perdemos gol atrás de gol. E até o goleiro deles, que pipocou no primeiro, passou a se consagrar com defesas de um lado e de outro.

 

Cansado de ver o time desperdiçar suas chances, Renato foi ao banco e trouxe os dois gringos que estão loucos para mostrar seu futebol, mas ainda não acertaram o pé e o ritmo. Ou não tinham acertado.

 

Gastón Fernandez e Lucas Barrios quando entram em campo me passam a impressão de que ainda não entendem a língua de seus companheiros. Não me refiro ao português, é lógico. Falo da língua do futebol, aquela que permite um diálogo perfeito entre os colegas, que faz com que o passe chegue no ponto certo para a sequência da jogada e o outro anteveja sua intenção ao largar a bola.

 

Os dois entraram no momento em que o ritmo da partida havia caído e as chances de gols tinham diminuído, além de estarmos assistindo a uma reação desorganizada do adversário. Isso mais uma vez parece ter atrapalhado o entrosamento, e os poucos passes que trocavam não tinham sucesso.

 

Barrios até arriscou um chute, mas a bola foi desviada pelo goleiro e desperdiçada por Luan na sequência. Em seguida, recuado na defesa, nosso atacante errou a passada e se estatelou no chão em um lance bizarro (tropeçou no buraco do gramado). Não desistiu da jogada nem do jogo.

 

No lance seguinte, após uma cobrança de falta rápida, Fernandez levantou a cabeça, viu Barrios entrar na área e com o olhar mandou o recado: la pelota es suya. E foi. Depois de receber o passe enfiado por entre as pernas do marcador e correr por trás dos zagueiros, Barrios com uma só batida seca e forte fez o 2 a 0 que esboçávamos desde o primeiro tempo. Gol de Barrios (com sotaque espanhol)!

 

E assim, com dois gols qualificados de vantagem e decidindo em casa, podemos arriscar: el Gremio está casi en las semifinales del gaucho.

 

¡Hasta la próxima!

Avalanche Tricolor: é preciso de tempo para que todos falem a mesma língua

 

Grêmio 1×1 Veranópolis
Gaúcho – Arena Grêmio

 

 

33379950592_9a173d49b7_z

Luan e Ramiro se entendem muito bem, foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Foi no intervalo do jogo que Lucas Barrios ensaiou seu portunhol para falar com a repórter da televisão e reclamar do último lance do primeiro tempo em que o árbitro anulou a jogada que seria concluída por ele a gol. E ao tentar explicar que Ramiro estava em posição legal, em lugar do português ou do espanhol, usou a expressão em inglês: “não foi offside?”, perguntou.

 

Ouvi offside e a memória voltou no tempo. Para um tempo em que a língua original do futebol ainda dominava nossos campos. Se impedimento era offside, escanteio era corner, o zagueiro era o quarterback e o goleiro era o goal keeper. Não que eu seja desse tempo, mas quando joguei bola na escolinha do Grêmio, lá pelos anos de 1970, a influência inglesa ainda se refletia nos bate-papos do futebol, especialmente quando ouvíamos o pessoal das antigas.

 

Era uma época em que o Campeonato Gaúcho era disputado por apenas dois times, sendo todos os demais coadjuvantes. Não que as partidas no interior não fossem difíceis. Eram batalhas disputadas na lama e no alambrado. Sangue, suor e frio faziam parte do cardápio regional. No entanto, jogava-se uma competição inteira apenas para cumprir tabela, pois sabia-se que ao fim e ao cabo o Gre-nal é que decidiria o título.

 

Hoje, de tão curto, o Gaúcho é quase todo disputado no verão. Os termômetros nem começaram a sentir os reflexos do outono e o campeonato já está chegando ao seu final. Com o interesse voltado para outras disputas, tem de se aproveitar o regional para acertar o time, testar novas formações, lançar novidades e reafirmar algumas convicções. Passar a fase de pontos corridos em posições intermediárias é mais comum do que gostaríamos. Encontrar adversários com o time bem ajeitado, mesmo quando se joga em casa, faz parte do jogo.

 

Na tarde deste domingo, não foi diferente. O toque e o domínio de bola do adversário surpreenderam, enquanto nós tínhamos a impressão de estarmos tentando nos acostumar com uma nova forma de jogar. Em lugar da troca de passe até a proximidade do gol, testava-se bolas mais lançadas para a área, sem, porém, o entrosamento necessário para que origem e destino funcionassem com precisão. Meio campo e ataque não falavam a mesma língua.

 

Foi somente após tomarmos o gol e voltarmos para o segundo tempo que a engrenagem dava sinais de que funcionaria. A mudança de Renato, ao abrir mão de um dos novos volantes e apostar no talento de Lincoln mais à frente, deu resultado. O Grêmio dominou o restante da partida, mesmo encontrando dificuldades para jogar com seu centroavante mais avançado.

 

O gol acabou saindo mesmo de um lançamento para dentro da área, mas, não por acaso, em jogada da qual fizeram parte dois velhos companheiros, que se entendem há muito tempo. O entrosamento de Ramiro e Luan que desde o ano passado tem tido ótimos resultados voltou a dar certo. Em campo, o diálogo deles funciona muito bem.

 

Aliás, que baita gol … falasse espanhol, Luan teria crônicas inteiras dedicadas a bola matada no peito, ao movimento de corpo que tirou o zagueiro da jogada e ao toque para a direita que desconsertou o goleiro. Tudo isso realizado em um espaço curto do campo e marcação acirrada. Mas Luan fala português e parece que alguns não entendem a linguagem que usa com a bola nos pés: a linguagem universal dos craques.

 

Fizemos por merecer o segundo gol. Controlamos a partida. Jogamos pela direita, jogamos pela esquerda, tabelamos no meio e atacamos intensamente. O empate foi injusto mas nos manteve na parte de cima da tabela, o que nos proporcionará vantagens no mata-mata que se aproxima e nos dará tempo para que todos falem a mesma língua.

Avalanche Tricolor: antes que comece a próxima partida

 

Veranópolis 0x1 Grêmio
Gaúcho – Estádio Antônio David Farina/Veranópolis

 

24580626999_73ae6a74de_z

Lincoln é destaque no time do Grêmio FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA no Flickr

 

Jogo tarde da noite, o caro e raro leitor deste blog sabe bem da minha dificuldade para escrever. Mal consigo ficar em pé até a hora que a partida se encerra, pois logo em seguida terei de levantar para trabalhar. Imagine, então, ter de traduzir em palavras meus sentimentos enquanto olho para o relógio e acompanho os ponteiros se encontrando à meia-noite. O problema é que se demorar muito para publicar esta Avalanche, o próximo jogo já se iniciou, pois amanhã, sexta-feira, já estaremos em campo novamente.

 

De qualquer forma, resolvi deixar para hoje cedo, quando o sono ainda me aplaca, para contar a você o que assisti, ontem ao fim da noite, no acanhado Antônio David Farina, em Veranópolis. Um estádio, aliás, que está anos-luz fora do tempo, com todo respeito aos simpáticos torcedores adversários; alguns, inclusive, vendo a partida sentados sobre o muro que cerca o local. O conforto aos jogadores reservas e comissão técnica não ia muito além. O reservado me lembrava as antigas casamatas, nas quais o pessoal ficava sentado a altura do campo e se levantasse corria o risco de bater com a cabeça no teto.

 

Confesso que não saberia falar sobre a condição do gramado, mas a forma como perdemos mais um volante neste início de temporada deu-me a entender que a coisa ali também estava feia. Moisés travou o pé no piso enquanto tentava desarmar o adversário, e foi de lá direto para o departamento médico fazer companhia para Wallace e Ramiro.

 

Preocupa-me muito a perda de jogadores com tantas competições sendo disputadas ao mesmo tempo. Levo medo sempre que um dos nossos escapa a driblar em direção ao gol, pois tenho a impressão de que o marcador será implacável à saúde alheia. Uma chegada mais afoita pode selar o destino de nossos jogadores para o restante do ano.

 

A boa notícia de ontem é ver que Lincoln tende a crescer ainda mais com a experiência e a personalidade que vem adquirindo a cada entrada no time. Se conseguimos produzir alguma coisa no ataque, devemos muito ao talento do guri que, ontem, vestiu a camisa 10. Sem contar que a assistência que levou Bobô a marcar o único gol da partida ainda ofereceu ao atacante a oportunidade de reconquistar a confiança perdida há algum tempo. Sabemos que a autoestima dos centroavantes depende muito dos gol marcados. E pela maratona de jogos que temos à frente, Bobô pode ser útil (desde que fazendo gols, claro).

 

Gostei também de ver Felipe Tontini estreando no segundo tempo em lugar de Giuliano (outro que andou pelo departamento médico). Pelo lado direito do campo, mostrou domínio de bola, coragem para driblar e bom passe. Mesmo que sejam necessários mais jogos para confirmar suas qualidades, é sempre legal saber que os talentos rondam nosso elenco.

 

Por falar em elenco, eis aí talvez a melhor das notícias de ontem à noite. Com todas as dificuldades de entrosamento, o Grêmio tem sido capaz de vencer suas partidas, acumular pontos nas competições que disputa e fazer um rodízio de jogadores. De bons jogadores.

 

Avalanche Tricolor: só um pouco de esperança, pode ser?

 

Grêmio 0 x 1 Veranópolis
Campeonato Gaúcho – Arena Grêmio

 

16529399552_4247a3d349_z

 

Lá se foram algumas horas, uma noite inteira e a manhã de domingo já se iniciou antes de começar a escrever este texto que costumo entregar após as partidas do Grêmio. O jogo foi ontem ao fim da tarde, em pleno Sábado de Carnaval, o que, ainda bem, motivou apenas 9 mil torcedores a ir ao estádio. Ninguém merecia passar pelo que eles passaram. Alguns, como eu, interromperam suas atividades, para sentar diante da televisão e acompanhar a mais uma partida pelo Campeonato Gaúcho. Além de torcer, por razões que não preciso explicar neste espaço, vejo os jogos na busca de um bom gancho – como os jornalistas se referem aos assuntos que os inspiram em um texto – para a Avalanche que teimo em escrever. Pode ser uma jogada bacana cometida por alguns dos nossos. Pode ser uma bela defesa que impediu o gol matador. A abnegação dos que suam a camisa e se entregam como eu faria se estivesse dentro de campo. No meu caso, me entregaria de corpo e alma, mesmo porque futebol não teria muito para entregar. Gosto também de encontrar na reação do torcedor o tema para o texto. Os closes que a câmera flagra durante a transmissão às vezes são simbólicos: a mão no rosto demonstrando sofreguidão, o casal de namorados que nos revela que tem coisa mais importante na vida do que a bola rolando, ou a criança entusiasmada de estar em um estádio de futebol, apesar de os jogadores terem esquecido de levar o futebol para o estádio.

 

Começo a me preocupar mesmo é quando a partida está chegando ao fim e quase nada encontro que valha a pena uma escrita. Pior ainda: quando o que assisto dá raiva e me leva a praguejar contra Deus e todo mundo (leia isso apenas como uma expressão, por favor!). Será que terei de fazer uma Avalanche cheia de ódio neste coração tricolor? E quem será o alvo deste ódio? Os jogadores que estão ali tentando se entender um com o outro? O veterano que, com a bola no pé, tenta encontrar alguém solto para recebê-la? Os guris que mal saíram de casa e já se exige personalidade de líder e decisão de gente grande? Coitados, são todos promessas de um bom futebol, mas que podem desaparecer no emaranhado da mediocridade. Quem sabe falo mal do técnico que escalou a todos? Mas ele escalou o que tinha para escalar, pois mais não encontrou no elenco. Poderia começar, então, pelos diretores que fizeram do clube uma feira livre, onde quem chegar com dinheiro no bolso leva. Mas eles, pelo que parece até aqui, também são vítimas deste cenário triste que estamos passando, pois tentam acertar as contas que foram corroídas nas gestões anteriores. Eu digo a você que não sei bem quem as corroeu, pois se tem coisa que detesto no futebol é prestar atenção no jogo da cartolagem que, pelo que já percebi, está cheio de torcedor envolvido.

 

Confesso que se desgosto do desempenho do time que está em campo, gosto menos ainda de ficar esculachando todo mundo. Sempre tento acreditar que alguma coisa acontecerá para reverter a situação. Quem sabe um desses jogadores que são sempre apresentados como esperança de bom futebol, deixem de ser apenas uma esperança e passem a jogar futebol de verdade? Ou o atacante que está há alguns anos no banco de reserva a espera de sua chance, sem nunca ter mostrado nada que lhe fizesse merecê-la, de repente desembesta, acerta o pé e todas a bolas que costumam ir para fora tomem a direção do gol? Fico a espera que o cobrador de faltas, aquele que, é o que dizem, fazia gol nos times em que jogou antes de vestir a camisa do Grêmio, consiga concluir em gol as cobranças de falta. E que o zagueiro que disputou a Copa do Mundo como titular consiga ao menos não tropeçar na bola. Minha torcida, como você percebe, sequer é por performances arrebatadoras. Resultados brilhantes. E vitórias heróicas. Quero pouco, muito pouco. Só um pouco de esperança! E se vier com futebol, melhor!

 

Em tempo: quando vejo que até o redator do ClicRBS tropeça feio na língua portuguesa ao flexionar o verbo haver para dizer que não existiram cartões vermelhos no jogo, percebo que a vida não está fácil para ninguém ….

 

Estatistica

 

A foto do alto deste post é do álbum do Grêmio no Flickr

Avalanche Tricolor: um jogo de paciência e tolerância

 

Grêmio 1 x 0 Veranópolis
Campeonato Gaúcho – Arena do Grêmio

 

 

Há uma certa impaciência no ar. Das arquibancadas têm-se ouvido bochichos desde cedo como se ninguém estivesse disposto a esperar pelo período de adaptação que os times passam no início de temporada. Veja que, apesar deste espaço ser dedicado ao Grêmio, escrevi na frase anterior times (assim mesmo, no plural), pois é o que tenho percebido em muitos Estados. A mais absurda das cenas foi o que aconteceu no Centro de Treinamento Joaquim Grava, do Corinthians, quando gente criminosa invadiu o local e colocou em risco a vida de profissionais do clube. Bem antes disso, porém, o técnico Osvaldo de Oliveira, do Santos, por duas vezes, durante as partidas, teve de brigar com torcedores que o chamavam de burro já nas primeiras rodadas do Campeonato Paulista, apesar de seu time estar sendo reconstruído com jovens talentos que, aliás, têm feito belas partidas e goleado adversários, inclusive em clássico como ocorreu contra o Corinthians. Ontem foi Paulo Autuori o alvo das críticas dos torcedores do Atlético Mineiro devido ao desempenho frágil de sua equipe no começo do Campeonato Mineiro.

 

Na Arena, as reclamações também surgiram diante de uma performance sofrível no primeiro tempo, quando se repetiram muitos dos erros da partida anterior (e do ano passado). Já disse na Avalanche publicada domingo que também andava com um pé atrás em relação às nossas pretensões, mas que a recomendação de amigos e colegas logo mudaram minha disposição e estou pronto para a temporada. É preciso mais paciência com jogadores que estão sendo submetidos a regime especial de treinamento visando não as partidas do Campeonato Gaúcho, mas a longa temporada de competições importantes como a Libertadores, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro. Neste momento, a musculatura ainda se adapta ao ritmo do jogo, a perna está presa e não acompanha o pensamento, o drible sai truncado e o chute perde a precisão. Alguns conseguem melhor resultado do que outros e não por acaso são os mais jovens os que estão tendo mais destaque. Ontem mais uma vez, assistimos ao talento de Jean Deretti, à presença de Luan e às chegadas de Wendell no ataque. Soma-se a garotada o fato de Barcos ter marcado o gol da vitória, o que sempre nos oferece a esperança de que o goleador está de volta. Tudo isso foi mais do que suficiente para nos manter na liderança do grupo e no caminho da decisão do título estadual. No próximo domingo temos o clássico que se antecipa a estreia na Libertadores (fico pensando quem é capaz de fazer um calendário como este) e tudo que peço é que se tenha um pouco mais de paciência com nosso time. E tolerância uns com os outros. No futebol e, principalmente, na vida.

Avalanche Tricolor: tarefa cumprida na Taça Piratini

 

Grêmio 1 x 0 Veranópolis
Gaúcho – Olímpico Monumental

Gremio x Veranopolis

 

Ao me ajeitar corfortavelmente no sofá de casa, nesta tarde de domingo, imaginei assistir a uma preparação para a Libertadores, principal objetivo desta temporada. Entrosar o time seria fundamental para nossas pretensões na competição após o tropeço na primeira rodada da fase de grupos. Ficou claro que o excesso de “novatos” prejudicou nosso desempenho. Logo que soube da ausência de Barcos no ataque, supostamente por que teria de resolver problemas pessoais (nenhuma outra explicação pública foi oferecida ao torcedor), confesso que me frustrei. A maior carência da equipe estava no ataque onde os dois titulares, Barcos e Vargas, ainda precisavam se conhecer melhor. Tinham, também, de combinar o jogo com os dois meias mais avançados, Elano e Zé Roberto. E acertar o tempo da bola nos cruzamentos das laterais, com Pará e André Santos.

 

Sem Barcos e com os primeiros movimentos em campo logo percebi que minha avaliação estava errada. Ao entrar no gramado – belíssimo gramado, registre-se – do estádio Olímpico, o Grêmio estava se preparando não para Libertadores mas para mais uma partida da Taça Piratini. E partida decisiva, pois precisava vencer para passar à próxima fase, depois de uma campanha capenga com o time formado por jogadores da base e alguns reservas. Venceu com um gol no primeiro tempo, marcado de cabeça pelo zagueiro Werley, apesar da forte retranca do time adversário. Chegou a ensaiar boas trocas de bola do meio para a frente, alguns chutes a gol, mas nada que o fizesse ampliar o placar. Ao mesmo tempo, correu poucos riscos lá atrás e soube levar a partida até o fim com o resultado que lhe mantinha na competição.

 

Querer comparar o que se faz em uma partida pelo Campeonato Gaúcho com o que vai ser feito em uma da Libertadores é misturar alhos com bugalhos. São competição, adversário, comportamento e objetivo completamente diferentes. Portanto, comemoremos a passagem às quartas de final do primeiro turno do Estadual, cumprindo assim nossas obrigações, e nos preparemos para o maior desafio do meio da semana, contra o Fluminense.

 

Que estejamos prontos para começar a reescrever nossa história na Libertadores !

Avalanche Tricolor: Sai da frente que lá vem o Grêmio

 

Veranópolis 1 x 4 Grêmio
Gaúcho – Veranópois (RS)

 

Time comemora com Gilberto Silva primeira gol da goleada (Gremio.net)

 

O adversário era líder na chave, segunda melhor campanha de todo campeonato, invicto jogando em casa e se transformou em nada diante do poder de ataque gremista. Ataque que passa pela cabeçada de um zagueiro, o pé direito de um ala e o chute de fora da área de um volante – de onde saíram três dos quatros gols desta tarde de domingo. Nossos atacantes não deixam por menos e fragilizam os defensores com uma sequência de jogadas fulminantes, acompanhados da chegada de jogadores do meio de campo, especialmente quando Bertoglio entra (a propósito, porque ele ainda precisa entrar no segundo tempo e não é escalado desde o início?). Para o conjunto ficar completo, lembro da melhora incrível de nosso goleiro que se reafirma e oferece segurança a toda a equipe, com ótima colocação e defesas corajosas.

 

Há quem entenda que o futebol que apresentamos esteja ligado a presença do novo técnico. Sem tirar-lhe o mérito, acredito muito mais na evolução natural de um time que havia sido desconstruído, precisava de tempo para se ajeitar, fazer com que seus jogadores passassem a encontrar seu espaço em campo, ganhassem personalidade e, claro, retomassem a forma física. Resultado deste conjunto: em março, marcamos 14 gols em quatro partidas.

 

Ainda faltam algumas peças, mas começamos a entrar nos trilhos. E aí de quem estiver no nosso caminho.

Avalanche Tricolor: L., 17 anos, craque e gremista

 

Grêmio 2 x 1 Veranópolis
Gaúcho – Olímpico Monumental

Com 17 anos ainda pensava na possibilidade de ser professor de educação física, tinha o jornalismo como excelente oportunidade e o basquete como realidade. Joguei apenas alguns anos mais, desisti de dar aulas de ginástica no segundo ano de faculdade e a comunicação se transformou na opção mais viável e apropriada como a vida profissional tem demonstrado.

Nesta idade, a maioria dos garotos ainda está em busca de uma personalidade, apesar de dar alguma pista nos palpites que arrisca e nas decisões tomadas, ambos ainda com a marca da imaturidade. Por isso, ver um guri jogando o futebol que L. tem demonstrado em campo é surpreendente mesmo em um esporte no qual a precocidade tem se tornado exigência, haja vista a quantidade de novos valores que surgem a cada temporada.

Perdão se utilizo apenas a inicial dele, mas sigo regra estabelecida nos veículos de comunicação que não citam o nome de crianças ou adolescentes que, por ventura, tenham se envolvido em prática infracional.

E o nosso L., camisa 21, hoje à tarde, cometeu o crime de querer fazer gols.

Quando o time já vencia por 1 a 0 – gol dele, registre-se – foi dividir bola com o goleiro adversário que chegou antes e teve seu braço tocado pelo pé do craque. Seu atrevimento foi punido com um peitaço do goleiro e uma reprimenda pública em rede nacional de televisão – desculpe-me, isto é apenas um jargão, pois a bronca foi no P.P.V, aquele que a gente paga pra ver e de troco tem de ouvir, também.

O comentarista era Batista, volante bastante conhecido no futebol brasileiro que com a bola nos pés teve todo nosso respeito. Ao lado do narrador da partida, fez um discurso que me causou mais indignação do que a agressão do arqueiro adversário.

Quase deram razão ao agressor. Afinal, L. tinha de ter evitado a jogada. Pouca vergonha, este guri querer chegar antes do goleiro e marcar seu segundo gol nessa tarde de domingo, que se transformaria em seu sexto gol em apenas cinco partidas profissionais.

Das muitas faltas que ele foi vítima neste e nos demais jogos nada foi declarado.

L. vai ter de ouvir muita coisa neste futebol. Dos comentaristas e dos colegas de profissão. É daquele tipo de jogador predestinado a sofrer ataques, caçado por todo canto em que tentar um drible, sempre que arriscar um passe preciso ou um chute certeiro. Alguém o acusará de querer humilhar o adversário, exagerar nas jogadas bonitas ou – como hoje – de insistir em chegar ao gol.

Até aqui, porém, deu sinais de que não vai se intimidar com esta marcação cerrada – em campo e fora dele. Tem a mania de jogar para frente nem se entusiasma com a firula sem sentido.

Tem personalidade para tomar a camisa de titular do Imortal e oferecer à torcida alegrias infindáveis … até que dure. Até que nossos dirigentes cometam a insanidade de perdê-lo para o futebol europeu como já fizeram com tantos outros craques que despontaram no Olímpico. Ou até que os toscos consigam convencê-lo de que não existe mais espaço nos gramados para quem acredita no talento do futebol.

Enquanto nada disto acontece, não percam o próximo espetáculo de L., 17 anos, craque de bola.

N.B: Apesar da prática de divulgar as iniciais de crianças e adolescentes envolvidos em atos infracionais ou submetidos a humilhação, o Estatuto da Criança e do Adolescente, desde 2003, proíbe qualquer tipo de identificação.