Cidadania marca encontro do Adote um Vereador

 

Havia um clima de agitação no centro da cidade nesse sábado quando integrantes do Adote um Vereador se encontraram pela primeira vez neste ano. O local escolhido foi o bar do Pateo do Colégio, onde a cidade de São Paulo começou a ser construída. Não muito distante dali, pela manhã, centenas de estudantes haviam participado de audiência pública para discutir o preço da passagem de ônibus, no plenário da Câmara Municipal.

A presença de tantas pessoas nas dependências do legislativo paulistano, não fosse pelos abusos cometidos, é o cenário que idealizamos desde o nosso envolvimento nesta rede de cidadãos, que se propõe a acompanhar o trabalho dos vereadores. Alguns integrantes haviam assistido ao debate acalorado na Câmara e aproveitado para dialogar com parlamentares e manifestantes.

Ainda me surpreendo como são ativas e motivadas estas pessoas. Dá orgulho.

No Pateo, em torno de uma mesa de bar, tivemos a oportunidade de ouvir as sempre entusiasmadas opiniões e sugestões das “terroristas” da ONG Voto Consciente. As chamo assim desde que cinco delas foram expulsas das galerias da Câmara por terem estendido uma faixa em protesto contra o comportamento da Mesa Diretora, na época comandada pelo vereador Antônio Carlos Rodrigues (PR).

Moças que pensam e agem são, realmente, um perigo para alguns senhores.

(O que devem ter imaginado estes mesmos parlamentares quando viram os estudantes subirem à mesa da Câmara, nesse sábado?)

Da experiência do Voto Consciente à persistência do Adote um Vereador é possível identificar que avanços ocorreram, apesar da insistência de alguns políticos de manterem comportamento retrógrado. Por exemplo, ainda hoje dados oficiais são publicados de maneira a dificultar a fiscalização do cidadão e contra isto é necessário lutar.

No encontro deste sábado, foi apresentada aos participantes a ideia que começa a ser construída em outros fóruns: o Movimento Brasil Aberto, que defenderá a aprovação de lei de acesso à informação pública que está no Congresso Nacional. Assim que estiver formalizado, certamente contará com o apoio de todos que estiveram reunidos.

Aliás, este tema nos levou de volta ao trabalho realizado pelo cidadão Maurício Maia que criou programa para reunir informações sobre os gastos dos vereadores com a verba indenizatória. Um rápido olhar foi suficiente para identificar prática comum entre os parlamentares: aumentar consideravelmente os gastos no último mês do ano.

Em dezembro de 2010, foram gastos R$1.333.383,36, quase o dobro da média mensal da verba indenizatória usada por todos os 55 vereadores. A maior parte do dinheiro ainda vai para correios (R$ 1.737.165,41) e material gráfico (R$ 1.719.982,80). As duas categorias juntas representam 44,38% dos R$ 7.790.566,90 desembolsados pela Câmara para atender os gabinetes. Ressalte-se: nesta conta não estão incluídos os salários dos parlamentares e funcionários e os gastos gerais do legislativo.

Conheça este trabalho acessando o link que leva a “Prestação de Contas da Câmara Municipal de São Paulo”.

Outros temas agitaram a mesa do bar, no Pateo do Colégio, e novas ideias surgiram do bate-papo que durou duas horas e meia. A unir todos os assuntos a fundamental presença do cidadão no legislativo, seja na Câmara Municipal seja na Assembleia de São Paulo. Não necessariamente com a veemência usada por alguns grupos que estiveram no Palácio Anchieta no início do dia. Mas com o mesmo desejo de que as coisas melhorem na política paulistana.

Depois de 17 anos, vereadores são condenados em SP

 

Foram 17 anos a espera de uma decisão. Mas valeu a pena. Os 55 vereadores que estavam na Câmara Municipal de São Paulo entre 1993 e 1994 foram condenados a devolver o que receberam de salário acima do previsto na lei. Cada um deve reembolsar, em média, os cofres públicos em R$ 95 mil.

Leia reportagem do Estadão sobre o assunto

A ação contra os vereadores foi apresentada por quatro cidadão paulistanos: Rancisca Belizia Shlithler, Raymundo Medeiros, Rosemary Oneil Minson e Paulo Antonio de Oliveira.

Raymundo Medeiros, 74 anos, foi entrevistado pelo Heródoto Barbeiro na edição de hoje do Jornal da CBN. A fala deste senhor é um exemplo para os cidadãos paulistanos:

Ouça a entrevista com Raymundo Medeiros

Na lista de condenados existem vereadores da atual legislatura e o prefeito Gilberto Kassab. Veja o nome dos 55 condenados:

Ana Martins
Joao Brasil Vita
Murilo Antunes Alves
Devanir Ribeiro
Edivaldo Alves Estima
Nelo Rodolfo
Aldaiza Sposatti
Antonio Sampaio
Cosme Lopes
Darcio Arruda
Roberto Tripoli
Avanir Duran Galhardo
Hanna Gharib
Lidia Correa
Jose Viviane Ferraz
Jose Mentor
Mario Noda
Mauricio Faria
Arnaldo Madeira
Francisco Whitaker Ferreira
Almire Guimaraes
Antonio Paiva M. Filho
Oswaldo Sanches
Guilherme Gianetti
Gilberto Nascimento
Adriano Diogo
Odilon Guedes
Ushitaro Kamia
Prefeitura Municipal de Sao Paulo
Marcos Cintra
Jooji Hato
Mario Dias
Tereza Lajolo
Bruno Feder Netto
Wadih Mutran
Paulo Kobayashi
Vital Nolasco
Alberto Calvo
Alex Freua Netto
Arselino Tatto
Gilberto Kassab
Dalmo Pessoa
Henrique Pacheco
Camara Municipal de Sao Paulo
Osvaldo Giannoti
Zulaie Cobra Ribeiro
Archibaldo F. Zancra
Italo Cardoso
Marcos Mendonca
Paulo Roberto Faria Lima
Emilio Meneghini
Antonio Carlos Caruso
Aurelio Nomura
Vicente Viscome
Jose Indio Ferreira Nascimento
Eder Jofre
Manoel Sala

Agora o outro lado

Nota divulgada pela Câmara Municipal de São Paulo:

A decisão da Justiça, motivada por ação popular, trata da devolução de valores de Imposto de Renda não retidos na fonte no período de 1º de Janeiro de 1993 a 1º de janeiro de 1994. Após este período o Imposto de Renda voltou a incidir sobre os valores pagos aos 55 vereadores da Câmara Municipal de São Paulo, medida aplicada até a presente data Cabe esclarecer que em nenhum momento a ação questionou a fixação da remuneração dos parlamentares que está de acordo com o teto constitucional.

Assessoria de Imprensa da Presidência Câmara Municipal de São Paulo

E a Câmara de São Paulo abre os ouvidos também

 

Depois dos olhos, os ouvidos abertos. Uma semana após colocar na internet as imagens das comissões permanentes, a Câmara de Vereadores de São Paulo cria a Ouvidoria do Parlamento, um canal que receberá as reclamações, sugestões e informações do cidadão. O órgão terá o papel de analisar e encaminhar as mensagens ao setor responsável do legislativo e cobrar respostas.

Ouça a entrevista com o presidente da Câmara Municipal, vereador José Police Neto (PSDB), ao CBN SP

O Ouvidor tem de ser um servidor concursado da Câmara e terá mandato de um ano, podendo ser reconduzido ao cargo por decisão do presidente do legislativo. Ele terá o direito de pedir documentos que esclareçam situações expostas pelo cidadão e poderá recomendar mudanças de procedimentos administrativos e promover estudos com a intenção de melhorar a relação da Casa com a sociedade.

Os prazos para atendimento das reivindicações também estão estabelecidos no ato de criação da Ouvidoria. Os servidores e órgãos da Câmara terão até cinco dias úteis para responder aos pedidos feitos pelo Ouvidor e este terá dez dias úteis para informar as providências adotadas. Este tempo pode ser estendido dependendo do grau de dificuldade do pedido.

A Ouvidoria será acessada pelo eleitor através de diferentes canais: na página da Câmara na internet, por telefone com uma linha 0800, pelo correio e fax, além de atendimento pessoal.

A intenção é acabar com a reclamação comum de cidadãos que enviam mensagens com diferentes solicitações aos vereadores e muitas vezes não obtém qualquer tipo de resposta. Além disso, existe a expectativa de que a sociedade colabore com ideias para que o trabalho do parlamento seja qualificado.

O contato direto com o parlamentar se manterá, mas o eleitor ganhará um reforço e tanto com a Ouvidoria do Parlamento.

Leia, também, o post “De olhos e ouvidos abertos na Câmara Municipal” (05.02.2011)

Vereador pode aplicar redutor em salário de R$ 15mil

Os vereadores de São Paulo têm dito que são obrigados a aceitar o reajuste de 61,8%, determinado pela Câmara dos Deputados, que elevará o salário deles para R$ 15.013,00 por mês, em março. Alegam que a Constituição Federal impõe o teto de 75% do subsídio dos deputados estaduais. Não é bem assim, como explicou o presidente da Comissão de Direito Administrativo da OAB-SP Adib Sad, em entrevista ao CBN São Paulo.

O advogado deixou muito claro que a legislação fala apenas em teto e não obriga a aplicação automática do gatilho salarial, apesar desta ser uma prática comum no setor público.

A Constituição diz que o subsídio dos vereadores deve ser fixado pelas respectivas câmaras municipais observando os limites máximos de remuneração de acordo com o número de habitantes do município.

Nas cidades com até 10 mil moradores, os vereadores não podem receber mais de 20% do subsídio dos deputados estaduais; este percentual sobre para 30% nos municípios que tenham de 10 mil a 50 mil habitantes; 40% naquelas com 50 mil até 100 mil; 50% para as cidades de 100 mil até 300 mil; 60% nas com 300 mil até 500 mil; e 75% para as que têm mais de 500 mil moradores – onde se encaixa a cidade de São Paulo.

Sendo assim, os vereadores se tivessem interesse poderiam determinar que o reajuste salarial fosse abaixo dos 61,8% – o que seria algo inédito no que se refere ao serviço público.

Há outra regra que complica o reajuste salarial dos vereadores de São Paulo e, conforme informamos em post abaixo, leva o Ministério Público a investigar o aumento que receberão em março. A Constituição Federal diz que o subsídio deve ser fixado sempre para a legislatura seguinte, é o princípio da anterioridade. Adib Sad apesar de não ter uma resposta definitiva sobre a questão, afirma que a tese da irregularidade deve ser analisada, sim, pelo Ministério Público.

Suplentes de vereador tentam vaga no Tapetão

A investigação do Ministério Público sobre a legalidade do reajuste de 61,8% no salário dos vereadores de São Paulo (veja post abaixo) é apenas um dos casos envolvendo o legislativo municipal que passa por análise de promotores ou vai parar nos tribunais. Há duas vagas na Câmara que podem ser decididas, também, no tapetão – com o perdão do linguajar futebolístico.

David Soares x Seu Madruga

A primeira põe em choque os vereadores David Soares (PSC) e Jonas Santana, o Seu Madruga (PRP). Eles fizeram parte da coligação que elegeu Marcelo Aguiar (PSC) vereador, em 2008. Este, porém, renunciou ao cargo para assumir vaga na Câmara dos Deputados, no dia 1º de fevereiro.

Naturalmente, David Soares seria o suplente a assumir o cargo, tendo sido o segundo mais votado na coligação, com 27.494 mil votos. Filho de R.R Soares da Igreja da Graça, empresário e proprietário de emissoras de TV, porém, desfiliou-se do PSC, assinou ficha pelo PDT e mudou domicílio eleitoral para o Mato Grosso, interessado em disputar a eleição de 2010 como suplente de Senador em uma chapa com o PT. Seu nome, porém, foi descartado na coligação e ele voltou ao PSC e à São Paulo.

As variantes na vida política do vereador David Soares abriram espaço para que o terceiro vereador mais votado da coligação PSC-PRP reivindicasse a vaga de Marcelo Aguiar: Seu Madruga, líder comunitário, catador de material reciclável, e o mais votado no PRP, 7.705 votos. Os defensores de sua candidatura alegam que Soares abriu mão da suplência de vereador no momento em que mudou o domicílio eleitoral.

A Câmara de São Paulo deu posse dia 1º de fevereiro a David Soares, mas Seu Madruga ainda acredita na possibilidade de o Ministério Público Eleitoral mudar esta decisão. A pretensão dele é muito difícil pois a lei leva em consideração a condição legal do candidato na promulgação do resultado.

Em conversa na Câmara, Seu Madruga confessou que ficaria feliz se Soares aceitasse um acordo para que ele tomasse posse e permanecesse como vereador ao menos uns três meses. A proposta não foi aceita.

Quito Formiga x Afanásio Jazadi

A outra discussão bem mais encrencada do ponto de vista jurídico é em torno da vaga do vereador Jooji Hato (PMDB) que vai renunciar em 15 de março para assumir o cargo de deputado estadual na Assembleia de São Paulo. A princípio quem tomará posse é Quito Formiga do PR – que em entrevista ao CBN SP anunciou que representa os espíritas na Câmara -, que integrou a coligação com PMDB e DEM, em 2008.

Com base em decisão do STF sobre a posse de suplentes na Câmara dos Deputados, o ex-deputado estadual Afanásio Jazadi (PMDB) foi a Justiça para requerer a vaga do partido dele na Câmara de Vereadores. Em dezembro do ano passado, o Supremo entendeu que a vaga de um parlamentar que havia renunciado para não ser cassado era do partido e não da coligação. Afánazio seria o quinto suplente da coligação e o primeiro do PMDB.

Nos próximos dias, a Câmara de Deputados terá de dizer se acata decisão do STF e aceita que seja dada posse ao suplente do partido.

Agora o outro lado

O ex-deputado e suplente de vereador Afanásio Jazadi, em nota, nega que esteja requerendo a vaga do vereador Jooji Hato. Leia:

“Radialista Milton Jung

Tomei conhecimento, somente há pouco, que V. Sa. teria tratado do
assunto “suplentes da coligação ou do partido”, com o Vereador Kito
Formiga, em seu programa.

Fui citado várias vezes – segundo alguns ouvintes – sem ter sido
procurado pela sua Produção para eventual versão de minha parte.

Independente do ali tratado, afirmo a V. Sa. que não ingressei em juízo
contra quem quer que seja sobre referido assunto. Muito menos, por
enquanto, tenho questionamentos a fazer.

Como o bom e velho jornalismo não foi seguido à época, espero que, ao menos, essa minha posição seja colocada o mais rápido possível, como satisfação a meus eleitores, muitos deles seus ouvintes.

Gratíssimo!

AFANASIO JAZADJI
11-3241-4422
http://www.afanasio.com.br”

Olhos e ouvidos abertos na Câmara de São Paulo

 

As câmeras de segurança da Câmara Municipal de São Paulo ganham nova função. Desde terça-feira, são os olhos do cidadão a vigiar o trabalho dos vereadores. Se antes serviam apenas para preservar o patrimônio, agora transmitem pela internet as sessões das comissões permanentes e audiências públicas, onde são realizados os principais debates em torno de projetos de lei e temas de interesse da cidade.

A estrutura técnica do site da Câmara permitirá que cerca de 300 internautas assistam aos encontros de uma só vez, número que aparentemente é baixo se levarmos em consideração a audiência possível na internet, mas é muitas vezes maior do que a quantidade de eleitores que comparecem no parlamento.

Foi Massao Uehara, um integrante do Adote um Vereador – projeto que convida o cidadão a controlar ação parlamentar através de blogs -, que identificou a possibilidade de transformar as imagens das câmeras de segurança em fonte de informação da sociedade, no ano passado.

Naquela época, a demanda já havia sido apresentada pela ONG Voto Consciente em uma lista de sugestões para tornar mais clara a atuação dos vereadores. Restrições técnicas eram alegadas para impedir o acompanhamento das comissões na internet. Pura balela, como pode se ver agora.

Bastou o grupo que mandava na Câmara ser derrotado na eleição à Mesa Diretora para o projeto ser executado. Foi um dos primeiros atos do novo presidente da Casa José Police Neto (PSDB) que sem gastar um só tostão em equipamento colocou as imagens na tela do nosso computador. Para a transmissão serão desembolsados cerca de R$ 7 mil por ano.

Mais importante, porém, é o que esta medida tomada pelo novo comando da Câmara Municipal de São Paulo significa na relação do legislativo com a sociedade. “Foi mais do que um passa à frente, foi um enorme pulo”, disse Sônia Barbosa do Voto Consciente entusiasmada com as raras ações que tornam a vida no parlamento mais acessível ao cidadão, nestes cerca de 20 anos em que a ONG acompanha o trabalho dos legisladores.

“Vai facilitar nosso controle, pois boa parte é feita pela internet”, reforçou Cláudio Vieira que ao lado de Audrey Danezi e Sérgio Mendes representaram o projeto Adote um Vereador no lançamento do sistema.

A falta de transparência é um dos motivos que levam o legislativo paulistano – e não é diferente nas demais cidades – a um índice de confiança vergonhoso. Dentre 24 instituições, é a pior avaliada, tendo a desconfiança de 62% das pessoas ouvidas em pesquisa do IRBEM – Indicador de Referência de Bem-Estar no Município, encomendada pela Rede Nossa São Paulo.

Para mudar esta percepção será preciso ir além. Por isso, depois dos olhos eletrônicos é preciso abrir bem os ouvidos para o que a sociedade pensa.

Seria importante criar um canal para receber, examinar e encaminhar as reclamações, sugestões e pedidos da população. Comentários deixados neste blog revelam o quanto a ausência de respostas indigna o eleitor.

Mais do que reduzir a frustração deste à falta de atenção a e-mails e cartas enviadas, o serviço poderia funcionar como um representante dele dentro do parlamento, identificando as demandas não atendidas e cobrando medidas em determinadas situações.

A luta (literal) eleitoral que ocorreu na disputa pela Mesa Diretora em dezembro, a troca de favores por cargos no Executivo e o surgimento de denúncias de vereadores que se beneficiam com verbas indenizatórias – como a que atinge Antonio Goulart (PMDB) – mostram que a Câmara tem muito a melhorar.

Portas escancaradas – seus olhos e ouvidos, incluídos – à comunidade pode induzir esta transformação de comportamento. E caberá ao cidadão ocupar estes espaços com sua voz para que as decisões no parlamento se traduzam em melhor qualidade de vida no ambiente urbano.

Vereador paulistano custa R$ 115 mil por mês

 

Os vereadores voltam ao trabalho nesta terça-feira sob olhar atento da sociedade incomodada com o reajuste de 61,08% que eleva o salário deles para R$ 15 mil por mês. O gatilho salarial do legislativo foi disparado em Brasília com a decisão da Câmara dos Deputados e põe em questão quanto vale um político.

Antes que você publique qualquer comentário desaforado – e eu compreenderia perfeitamente sua reação – faço aqui as contas de olho nos gastos da maior cidade do País com a sua Câmara Municipal. De dinheiro que vai para sustentar diretamente o vereador e seu gabinete, deve-se por na conta:

Salário R$ 15.013
Verba de gabinete R$ 84.407,60
Verba indenizatória R$ 15.393,75

Puxando o traço, chegamos a R$ 114.814,35 por mês.

Lembro que a verba de gabinete paga o salário dos 18 assessores a que têm direito; e a verba indenizatória será recebida desde que o parlamentar apresente as notas fiscais comprovando seus gastos com material de escritório, telefone, gasolina, viagens para outras cidades, material gráfico, manutenção de site entre outras despesas ligadas ao mandato.

Aqui não está calculado o dinheiro para sustentar toda a Casa e seu corpo de funcionários

Não entrarei na conta rasa se o que desembolsamos para sustentar os vereadores é muito alto ou não. Entendo que é fundamental analisarmos antes o que fazem cada um desses vereadores pela cidade.

Um parlamentar que cumpra seu papel de representante da população e fiscal do prefeito começa bem nesta avaliação. São tarefas difíceis pois exigem enorme esforço para superar interesses partidários e políticos. Imagine um vereador da base governista ao se deparar com uma ação do prefeito que cause prejuízos à cidade. Denuncia e prejudica o trabalho de seu correligionário ou se cala para evitar desgaste do Governo, tentando resolver o problema apenas nos bastidores?

É importante que zele pelo dinheiro público defendendo a aplicação do Orçamento de forma equilibrada e nos programas considerados prioritários para a cidade, alertando sempre que verbas deixem de ser investidas nos setores para as quais foram destinadas.

Em relação ao dinheiro que gastamos para sustentá-lo, o verereador tem de formar um gabinete que atenda mais aos interesses de mandato do que de campanha. É comum as vagas serem distribuídas entre cabos eleitorais em lugar de profissionais capacitados a atuar em áreas ligadas a atuação de parlamentar. Um vereador que atue na comissão de finanças é recomendado que tenha entre seus funcionários especialistas em finanças públicas, por exemplo.

Além disso, deve estar ciente de que a cotratação de pessoal e empresa precisa não apenas ser legal, mas moral. Contratar empresas ligadas a parentes ou que não sejam idôneas é desrespeitar o dinheiro do cidadão. E sai caro para a cidade.

A transparência nas ações, a clareza na defesa de suas ideias e a abertura de canais de comunicação e participação de eleitores com o mandato são outras formas de tornar bem mais barato o peso de um vereador nas contas públicas.

Por tudo isso, é preciso que o cidadão se aproxime do vereador pois somente assim terá noção mais clara sobre quanto ele realmente vale para a cidade. Aproveite a retomada dos trabalhos legislativos na Câmara de São Paulo e adote um vereador. Controle os políticos antes que eles controlem você.

Adote um dos novos vereadores de São Paulo

 

Com a volta do trabalho legislativo, haverá mudanças na formação da Câmara Municipal de São Paulo. Nove vereadores da atual gestão conseguiram se eleger para cargos na Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados. Assim, os suplentes estão prontos para assumir seu posto de representante do cidadão paulistano.

Você bem que poderia aproveitar a oportunidade para encarar o papel de ‘vigilante’ da cidadania e participar da campanha Adote um Vereador (veja aqui como é fácil e importante este trabalho).

Como o calendário dessas casas não combinam, os que se elegeram deputado estadual somente deixam a Câmara Municipal no dia 15 de março, os demais saem no início deste mês.

Hoje, o CBN SP começou a conversar com cada um dos suplentes que assumirão a partir da semana que vem para conhecer um pouco estes parlamentares. Veja quem entra e quem sai e faça a sua escolha:

PT:
Carlos Neder assume no lugar do vereador João Antonio. (em 15 de março)
Ouça a entrevista com Carlos Neder, no CBN SP

PR:
Marcus Vinicius de Almeida Ferreira (Quito Formiga) assume no lugar do vereador Jooji Hato. (em 15 de março)

DEM:
Edir Sales passa a ser suplente de Marcos Cintra. (em 1º de fevereiro)

PSC:
David Bezerra Ribeiro Soares entra no lugar do vereador Marcelo Aguiar. (assume em 1º de fevereiro)

PSDB:

Aníbal de Freitas Filho assume no lugar da vereadora Mara Gabrilli . (em 1º de fevereiro) Ouça a entrevista com Anibal de Freitas, no CBN SP

Sebastião Soares de Farias (Tião Farias) assume no lugar do vereador Gabriel Chalita. (em 1º de fevereiro)

José Rolim assume no lugar do vereador Carlos Bezerra Júnior. (em 15 de março) Ouça a entrevista com José Rolim, no CBN SP

PP:
Attila Russomano assume no lugar do vereador José Olímpio. (em 1º de fevereiro)

PV:
Aurélio Nomura assume no lugar do vereador Penna. (em 1º de fevereiro)
Ouça a entrevista com o vereador Aurélio Nomura, no CBN SP

Presidente da Câmara explica reajuste de vereadores

 

Dez da noite no Jornal da Cultura, oito da manhã no telefone. Noite e dia nas redações, o novo presidente da Câmara Municipal de São Paulo Jose Police Neto (PSDB) tem se dedicado a uma tarefa inglória desde o anúncio do reajuste de salário em 61,08%: convencer a população de que um vereador vale os cerca de R$ 15 mil mensais que receberá a partir de março.

O presidente da casa explica que este será o único aumento em todo os quatros anos de mandato dos vereadores paulistanos e, mesmo assim, aplicado apenas nos últimos 23 meses de trabalho, o que representaria pouco mais de 30%. Até aqui, os parlamentares vinham recebendo o salário decidido em 2006, algo como R$ 9 mil.

O impacto deste reajuste no Orçamento da Câmara é de aproximadamente R$ 850 mil por ano, o que representaria cerca de 1% do quanto um vereador gasta por ano pelo seu mandato, considerando aí custo de gabinete e outros serviços realizados.

Explica, também, que ao contrário do que se diz, o aumento para os vereadores, levando em consideração o prazo que será pago, seria inferior ao recebido pelos professores municipais desde 2006.

Minha dúvida, exposta em post neste blog, era se o aumento neste percentual era moralmente justificável, já que legalmente há respaldo. José Police Neto entende que sim e se dispõe a debater com a sociedade quanto vale um vereador. Lembra que ao aprovar o “IPTU progressivo” que pode conter a especulação imobiliária, o fundo de saneamento ambiental e a política de mudança climática que podem ajudar a combater enchentes, a Câmara Municipal de São Paulo mostra seu valor.

Outra questão era a possibilidade de os vereadores aplicarem um redutor no gatilho salarial. “Não sei se é possível criar um gatilho inverso seria necessário consultar o setor jurídico da casa”, disse por telefone. Mesmo assim, alerta que qualquer mudança só poderia entrar em vigor no próximo mandato.

A ideia era que a lei que vincula o reajuste dos salários dos deputados federais com os vereadores de todas as Câmaras Municipais sirva apenas como um teto de aumento salarial, tema que pode ser debatido na cidade de São Paulo.

Netinho, como ainda é chamado pela maioria, nega veementemente que o aumento fez parte da negociação para se eleger presidente da Câmara: “A regra que aplica o índice de reajuste dos deputados federais aos vereadores existe desde 1992”. Neste caso tem razão o parlamentar, afinal prometer o que já estava acertado não faz sentido.

Vereadores de SP têm de dizer não a gatilho salarial

 

Os vereadores de São Paulo vão receber, a partir de março, R$ 15.013,00, um aumento de 61,8% em relação ao que ganham atualmente (R$ 9.288,00). Um decreto legislativo de 1992 garante a eles o mesmo reajuste determinado para os salários dos deputados federais.

Com esta regra, os vereadores paulistanos mostram estar a frente do seu tempo. Afinal, artigo 29 da Constituição prevê que o aumento decidido no Congresso Nacional atinja o bolso de todos os vereadores brasileiros somente a partir de 2003. Em São Paulo, isto ocorre desde o século passado. Nada como dar o bom exemplo.

O “gatilho salarial” foi imposto para impedir abusos de vereadores em cidades nas quais o controle da sociedade e dos meios de comunicação é frágil. Levava em consideração, porém, que os deputados federais tivessem respeito com o dinheiro público. Quando se tem um Congresso que dá as costas ao cidadão, o resultado é uma avalanche de aumentos que varre as casas legislativas e os cofres públicos.

Além disso, os vereadores não sofrem o desgaste da discussão do reajuste salarial e deixam para seus colegas em Brasília o peso da decisão.

Uma curiosidade é ver que todos os 55 vereadores paulistanos apoiam o reajuste em uníssono, mesmo aqueles que há menos de um mês chegaram a ir as vias de fato na disputa pela presidência da Câmara andam agora de mãos dadas.

“É legal”, defende-se o novo presidente da Casa, José Police Neto (PSDB). Tem razão, todos os procuradores da Câmara respaldam o reajuste. Mas alguém que chega com o ar da renovação deve oferecer aos seus pares a oportunidade de rever a regra diante da insensatez dos deputados federais, sob a justificativa da moralidade. E não lavar as mãos diante da legalidade.

A Câmara de São Paulo ainda tem a chance de ao se reunir em março, quando se encerra o recesso parlamentar, mostrar que realmente (sem ironia) está a frente de seu tempo. Abrir mão do reajuste salarial seria um sinal de respeito à opinião pública. E mostraria o quanto eles realmente valem para a cidade.