Morador usa charge virtual para protestar contra Kassab

 

Por mais que se esforce, Lourivaldo Delfino, morador em São Mateus, na zona leste, não consegue convencer a prefeitura a fazer a obra de canalização do Riacho dos Machados, no Jardim Tietê. Incomodado com o silêncio dos vereadores paulistanos, usou de sua habilidade no computador para dar voz aos 55 parlamentares e levá-los – nem que seja virtualmente – a reclamar do prefeito Gilberto Kassab (DEM).

Na charge eletrônica, os vereadores cobram a obra em um trecho de 400 metros que estariam prejudicando a vida de 130 mil moradores da região. Em seguida, aparece o prefeito dizendo aquilo que o Lourivaldo e vizinhos sonham ouvir um dia: a obra está sendo feita. O morador lamenta apenas que o fato só foi possível porque ele próprio dublou os vereadores e o prefeito. Pois se depender deles …

Escolhi um dos vídeos para reproduzir neste post, mas se você visitar a página Tietê News (http://www.tietenews.kit.net/n35.htm) terá acesso a todo trabalho realizado por Lourivaldo Delfino que há algum tempo briga pela liberação de verba e início das ações no riacho que, se nada for feito, voltará ao noticiário assim que as chuvas de verão despencarem sobre nossa cabeça

Câmara vai restringir uso de sacola plástica, em São Paulo

 

O comércio será obrigado a cobrar dos consumidores pelo uso da sacola de plástico se projeto de lei que está na Câmara Municipal de São Paulo for aprovada na semana que vem. O texto original do vereador Carlos Alberto Bezerra (PSDB) recebeu a colaboração de vários colegas de parlamento e pretende incentivar o uso de bolsas retornáveis para reduzir o impacto ambiental provocado pelo descarte do plástico.

Ouça a entrevista com o vereador Carlos Bezerra, ao CBN SP

Para conscientizar o cidadão, a proposta quer que os comerciantes discriminem na nota fiscal o custo destas sacolinhas que, calcula-se, é de R$ 0,20 a unidade. A adesão à lei seria de um a quatro anos, com as grandes redes de supermercados sendo as primeiras a se adaptarem e pequenos comércios e feiras livres os últimos.

No Brasil, descarta-se cerca de 12 bilhões de sacolinhas plásticas durante um ano, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente, e para entender o tamanho desta encrenca o ouvinte-internauta Raul Lenguasco sugere que se preste atenção no vídeo que abre este post.

A cobrança pelo uso da sacola plástica é comum em outros países. Mara Rocha escreveu para o CBN São Paulo e disse que em Portugal todo supermercado cobra U$ 0,02 por unidade. Enquanto a ouvinte-internauta Patrícia Fortunado informou que em Washington, nos Estados Unidos, quem não usa a sacolinha ganha desconto de U$ 0,5.

Uma reação bastante comum contra a restrição no uso do saco plástico, perceptível através de e-mais e tweets encaminhados, ocorre devido ao hábito de se usar este produto para acomodar o lixo residencial.

Primeiro que deveria ser esforço de cada cidadão reduzir a quantidade de lixo descartado, consumindo produtos com menos embalagem e reciclando o que for possível. É assustador ver que de cada três sacos de lixo deixados na calçada para a prefeitura recolher, dois tem material que poderia ser reaproveitado passando por processo de reciclagem.

Segundo, armazene o lixo em sacos de plásticos maiores em lugar de se encher uma quantidade enorme de saquinhos de supermercado.

Terceiro, substitua o saco plástico pela folha de papel de jornal, usando o sistema de dobradura sugeridos por dois ouvintes-internautas Mariângela Alves e Thiner.

Acompanhe o passo a passo enviado por eles:

1. Tudo no origami começa com um quadrado, então faça uma dobra para marcar, no sentido vertical, a metade da página da direita e dobre a beirada dessa página para dentro até a marca. Você terá dobrado uma aba equivalente a um quarto da página da direita, e assim terá um quadrado. 

2. Dobre a ponta inferior direita sobre a ponta superior esquerda, formando um triângulo, e mantenha sua base para baixo.

3. Dobre a ponta inferior direita do triângulo até a lateral esquerda.

4. Vire a dobradura “de barriga para baixo”, escondendo a aba que você acabou de dobrar.

5. Novamente dobre a ponta da direita até a lateral esquerda, e você terá a seguinte figura:

6. Para fazer a boca do saquinho, pegue uma parte da ponta de cima do jornal e enfie para dentro da aba que você dobrou por último, fazendo-a desaparecer lá dentro.

7. Sobrará a ponta de cima que deve ser enfiada dentro da aba do outro lado, então vire a dobradura para o outro lado e repita a operação.
 
8 Se tudo deu certo, essa é a cara final da dobradura:
 
9 Abrindo a parte de cima, eis o saquinho!
 
10 É só encaixar dentro do seu cestinho e parar pra sempre de jogar mais plástico no lixo!
 
Outras sugestões passadas por ouvintes-internautas:

A avó de Ana Carolina Cardoso “usa de um artifício bem antigo: o bom e velho carrinho de feira”. A Sívia Scuccuglia comenta que no supermercado Pão de Açucar oferece aos clientes que não usam sacos plásticos pontos em seu programa de fidelidade que podem ser trocados por dinheiro: “Em um ano ganhei R$ 300,00”.

O advogado especializado em direito ao consumidor Josué Rios informou que se deve ficar atento para quantidade de plástico que pegamos dentro do supermercado, não apenas no caixa. Para evitar isto, o Sonda permite que frutas e verduras, por exemplo, sejam pesados no próprio caixa, enquanto o Futurama obriga o consumidor a ensacá-los antes “o que duplica ou triplica o consumo do plástico”.

A mudança de hábito é demorada e sempre provocará reações contrárias, mas o ideal é que o cidadão e as empresas, sem necessidade de interferência do poder público, estejam conscientes dos produtos que consomem e pensem como reduzir, reaproveitar e reciclar este material para diminuir o impacto no meio ambiente.

Câmara de SP não informa voto de vereadores

 

O cidadão tem o direito de saber como o vereador votou nos projetos de lei em debate na Câmara Municipal. É uma informação importante para que se possa avaliar a coerência do discurso com os atos dele. Apesar disso, o legislativo paulistano segue escondendo estes dados do público.

Desde agosto, o Movimento Voto Consciente aguarda a lista com o nome dos 55 vereadores e como cada um deles votou em plenário. Apesar destas informações serem públicas até agora são mantidas em segredo.

Falta organização ou transparência ? Para Sônia Barboza, do Voto Consciente, é falta de interesse mesmo. “Há um mês disseram que o veredor Chico Macena (PT), primeiro secretário da mesa diretoria, iria passar as informações, mas todas as vezes que eu cobro só recebo promessas”, disse ao CBN São Paulo.

Ouça a entrevista com Sônia Barboza, do Movimento Voto Consciente

O curioso é que os próprios vereadores prometeram divulgar estes dados no site da Câmara que foi lançado em setembro mas até hoje não está no ar: “Eles fizeram a festa mas não levaram o bolo”, ironizou Sônia Barboza. Ela lembrou, ainda, que no Orçamento do legislativo municipal estão destinados à área de comunicação R$ 36 milhões, além de R$ 17 milhões para publicidade.

Condolência com dinheiro público desagrada família

 

Sensibilidade é preciso e parece ter faltado no caso relatado pela ouvinte-internauta Ana Maria Moliterno. A mãe faleceu recentemente e para surpresa da família uma mensagem de condolências assinada pelo vereador Toninho Paiva do PR-SP chegou a cada dela. Ana não sabe como o parlamentar tem o endereço da residência e foi informado sobre a morte da mãe. Sabe, porém, que não gostou nada do que chamou de “prática lamentável” com uso de dinheiro público:

Prezados Srs. Vereadores, Lamentável a atitude do Vereador Toninho Paiva que tomou conhecimento do falecimento de minha mãe, provavelmente por meio de alguma mala direta ligada aos serviços funerários municipais ou de qualquer outra forma que não autorizei, e não poupou a ocasião para enviar-me um telegrama com sua mensagem de profundo pesar. Tal atitude seria apreciável se não o tivesse feito com uso de dinheiro público e interesses obviamente eleitoeiros, uma vez que ninguém em minha família o conhece e nem mesmo acompanha sua atuação na Câmara. Apesar da quantia ser, talvez, irrisória, eu preferiria que ela fosse investida em saúde, segurança e educação. Com certeza demonstrações de respeito ao dinheiro público honraria muito mais a memória de minha mãe, uma grande mãe cidadã brasileira, e traria conforto e esperança, a mim e aos meus familiares, de um dia termos um país melhor para viver. Atenciosamente, Ana Maria C. Moliterno e familiares.

Lá vem o Adote um Deputado …

Era inevitável, na primeira reunião do Adote um Vereador após a eleição o rumo da conversa seria como agir com os novos parlamentares. Tem vereador que virou deputado estadual, tem vereador que virou federal, tem vereador suplente que vai virar vereador de verdade. E tem a cobrança para se estender a campanha para as demais casas legislativas.

Desta vez não estive por lá, mas não faltaram café e esfiha nem gente interessada em discutir a importância da cidadania, apesar do início do feriadão de Aparecida. Do Blog Fiscalizando o Ricardo Bezerra, mantido pelo versátil Mário Cezar Nogales, reproduzo alguns parágrafos:

Neste sábado houve mais um encontro da turma do Adote Um Vereador, ali na cantina do Centro Cultural São Paulo, e mais uma vez, entre cafézinhos e esfihas conversamos a respeito do que os parlamentares vem fazendo. Além de mim também estavam presentes o Cláudio Vieira, Sérgio Mendes e Massao ( os três mosqueteiros ) e entre conversas e fotografias trocamos ideias sobre as ultimas eleições e os vereadores que foram eleitos para outras esferas parlamentares.

Como não podíamos deixar de citar, já estou controlando os parlamentares que votei e que foram eleitos, o Aloysio Nunes para o Senado e o Carlos Alberto Bezerra Jr (este último atual vereador), além de estar acompanhando o Vereador Aurélio Miguel, o Deputado Estadual Re-eleito Fernando Capez, e o Senador Suplicy.

Dentre os parlamentares que a turma acompanha temos também a novidade, o Alecir que não pôde comparecer, começou a acompanhar o Candidato Eleito Francisco Everardo, mais conhecido como TITIRICA. Em breve mais parlamentares como Deputados Estaduais e Federais estarão sendo acompanhados por esta turma.

Um ponto da nossa conversa ficou para definição em geral, agora com parlamentares de outras esferas como deveremos nos chamar? adote um politico? adote um parlamentar? adote um deputado? adote um senador? ou todos de uma vez só? Não chegamos a uma conclusão.

Minha preferência é seguirmos a mesma linha do Adote um Vereador e batizarmos os próximos passos de Adote um Deputado e Adote um Senador. Quem tiver ideia melhor, não se acanhe. Mande sugestão para cá. E mesmo que não a tenha, adote alguém, passe a acompanhar o trabalho dele, fiscalize, monitore e controle. E não deixe de compartilhar todas as informações que você levantar em um blog.

E aí, vamos controlar esta turma ?

 

A eleição ainda está em curso, a campanha no rádio e TV recomeça hoje e o segundo turno está logo ali. Durante a semana, olhamos e revisamos a lista dos deputados e senadores eleitos. No CBN SP, estiveram alguns deles, inclusive Aloysio Nunes PSDB e Marta Suplicy PT que serão nossos representantes no Senado.

Você que lê este post talvez tenha se sentido satisfeito com o resultado e conseguido eleger o seu representante para o parlamento. É um privilegiado, pois a maioria dos eleitores não conseguiu porque não compareceu às urnas, votou em branco, anulou ou, simplesmente, escolheu alguém que não teve voto suficiente para garantir uma vaga.

Em uma ou em outra situação, o certo é que dentro de poucos dias, semanas, meses a eleição será passado e, muito provavelmente, boa parte do brasileiro esquecerá em quem votou, por isso temos de aproveitar este momento, em que a discussão política ainda está viva, para darmos início a mais uma etapa do projeto Adote um Vereador, que se iniciou em 2008. Vamos ampliar estas fronteiras.

Ainda nesta semana, Mário Cezar Nogalez colocou no ar o Blog Fiscalizando Aloysio Nunes, onde irá postar todas as informações que obtiver sobre o senador eleito. Ele, com apoio de voluntários, já mantém um blog para fiscalizar Eduardo Suplicy PT, desde o ano passado.

Deputados estaduais e federais também devem ser alvo deste controle da sociedade com acompanhamento dos primeiros movimentos antes mesmo da posse e, depois, do trabalho deles no parlamento. Algumas experiência neste sentido já existem na Assembleia Legislativa de São Paulo, mas os resultados mais avançados ainda se concentram nas câmaras municipais.

Participar do Adote (um Vereador, um Deputado ou um Senador) é muito mais simples do que parece e com resultados bem interessantes, seja na forma do parlamentar agir seja na consciência que o ‘adotador’ desenvolve.

Escolha um dos parlamentares eleitos, abra um blog e publique todas as informações que você considerar importante sobre o trabalho dele.

Para conseguir estas informações, não deixe de acompanhar o noticiário no rádio, TV e jornal; crie uma rotina e procure referências ao político nos sites de busca; se for possível mande e-mails cobrando posições e respostas sobre o tema de seu interesse; se quiser vá até o gabinete dele, peça para ser recebido por ele, conheça aquele ambiente de trabalho e reproduza suas sensações.

Encontro neste sábado

Uma vez por mês, integrantes do Adote Um Vererador de São Paulo se reúnem em volta da mesa do bar do Centro Cultural São Paulo, na rua Vergueiro, a partir das duas horas da tarde. É um encontro informal, marcado pela troca de experiência e contação de história sobre a relação com os “adotados”. Não adianta perguntar para a coordenação do Centro onde estaremos porque eles nunca sabem. Às vezes, nem mesmo nós. Mas lá na lanchonete do Centro, a mesa mais animada e com uma placa do Adote um Vereador em cima é onde estaremos.

Conheça um pouco mais desta experiência no wikisite do Adote um Vereador e no site Adoteumverador.net.

Controle os políticos, antes que os políticos controlem você.

Seu Madruga e mais 7 assumirão na Câmara

 

Falamos aqui no Blog sobre as mudanças de cadeira na Câmara Municipal de São Paulo, após a eleição de oito vereadores a deputado estadual e federal. Hoje, o Estadão trouxe a lista dos suplentes que assumirão o cargo a partir de 2011. Importante lista para identificarmos quem serão os parlamentares responsáveis por cuidar da cidade e nos representar.

Na relação tem políticos experientes como Carlos Néder (PT) e gente que desconhece o trabalho parlamentar como o Seu Madruga (PRP) que na declaração do jornal conta com a “ajuda de Deus” para assumir o cargo.

Reproduzo aqui a lista dos novos parlamentares publicada no Estadão. A reportagem completa você lê clicando neste link:

Carlos Néder (PT)

Substitui João Antonio (PT).

Deputado estadual, não se reelegeu. Médico, foi secretário na gestão Luiza Erundina (1989 – 1992) e três vezes vereador.

Tião Farias (PSDB)

Substitui Mara Gabrilli (PSDB).

Vereador entre 2005 e 2008, também já havia sido suplente na legislatura anterior. Foi assessor de Mario Covas.

Aurélio Nomura (PV)


Substitui Penna (PV). Advogado, foi vereador por três legislaturas: de 1993 a 1996, de 1997 a 2000 e de 2005 a 2008. Foi líder da bancada do PV em 2005.

Jonas Fontoura – Seu Madruga (PRP)

Substitui Marcelo Aguiar (PSC).

Ex-dono de um ferro-velho, Fontoura participou de sete eleições.

José Rolim (PSDB)

Substitui Gabriel Chalita (PSB).

Líder comunitário na Favela de Paraisópolis, zona sul da capital, Rolim foi vereador na legislatura 2005/2008.

Áttila Russomanno (PP)

Substitui José Olympio (PP).

Russomanno foi vereador na legislatura anterior e candidato a vice-governador de Orestes Quércia na eleição de 2006.

Aníbal de Freitas (PSDB)

Substitui Carlos Alberto Bezerra Júnior (PSDB).
Nunca foi eleito, mas como suplente já ocupou provisoriamente cadeira na Câmara Municipal em 2009.

Quito Formiga (PR)


Já era vereador na vaga de Marcos Cintra, atual secretário. Agora, na vaga de Jooji Hato, assume em definitivo.
A suplência de Cintra ficará com Edir Salles.

Vereadores bem avaliados conseguem se eleger, em SP

 

O desempenho dos vereadores-candidatos de São Paulo pode ser considerado bom se levarmos em consideração a votação deles na eleição desse domingo. Dos 17 que disputavam cargos de senador, deputado federal e deputado estadual, oito conseguiram se eleger, alguns com resultados bastante expressivos. A começar por Gabriel Chalita (PSB) que chegou a 560.022 votos, tendo a segunda maior votação na disputa para a Câmara dos Deputados, no Estado. João Antonio (PT) foi dos vereadores o mais bem votado para a Assembleia tendo conseguido 110.684 votos.

Na Câmara Municipal de São Paulo, vereadores pouco acostumados com o controle externo, costumam dizer que parlamentar bem cotado pelo Movimento Voto Consciente não se reelege. O resultado nesta eleição põe por terra esta bobagem.

Carlos Alberto Bezerra (PSDB) garantiu presença na Assembleia Legislativa com 107.837 votos. Ele havia sido o mais bem avaliado pela ONG em ranking apresentado há um mês com os vereadores-candidatos. Bezerra tirou a nota mais alta, 7,57. Aliás, seis dos nove parlamentares que tiraram nota acima de seis saíram vitoriosos. Enquanto entre os oito com pior avaliação, apenas dois conseguiram vaga: Marcelo Aguiar (PSC) e José Olimpio (PP) – eleitos muito mais pelos grupos que representam do que por seus trabalhos políticos.

Se Netinho de Paula (PCdoB) está lamentando a derrota para o Senado, mesmo com cerca de 7,7 milhões de votos, outros dois vereadores têm muito o que comemorar, apesar de não terem recebido um voto sequer. Antonio Carlos Rodrigues (PR), presidente da Câmara Municipal de São Paulo, elegeu-se primeiro suplente na chapa ao Senado com Marta Suplicy (PT); enquanto o vereador Milton Leite (DEM) foi capaz de eleger seus dois filhos: Milton Leite Filho (DEM) para a Assembleia e Alexandre Leite (DEM) para a Câmara dos Deputados.

Com o resultado da eleição, a Câmara Municipal abrirá vaga para oito suplentes. Antonio Carlos Rodrigues não precisará deixar o cargo. Caso tenha de assumir o lugar de Marta Suplicy, no Senado, bastará pedir licença sem remuneração, tendo direito de retomar ao legislativo municipal a qualquer momento.

Veja no quadro a seguir, como foi o desempenho de cada um dos veredores-candidatos, em São Paulo e confira a nota que haviam recebido do Voto Consciente:

Haja paciência, vereador !

 

“O exercício de um cargo público exige também o exercício da paciência”.

A frase abre artigo assinado pelo vereador Aurélio Miguel do PR que está publicado em jornal de bairro que circula em redutos eleitorais dele. Nada mais apropriado do que ele falar sobre o tema, afinal é um vereador que chegou a política impulsionado por seus feitos em esporte no qual a paciência é um mérito.

Surpreendeu-me, porém, o que li nas demais linhas de texto que tomou espaço considerável da publicação.

Aurélio Miguel não exercita a virtude da paciência para suportar a pressão de grupos econômicos poderosos que tentam – e conseguem – influenciar as decisões na Câmara. Ao menos não é sobre isto que o vereador escreve.

Como também não é sobre a necessidade de praticá-la com o intuito de obter sucesso nas negociações com forças políticas antagônicas dentro da Casa. Menos ainda a propósito do tempo para o convencimento de seus pares na aprovação de algum projeto de lei que, por ventura, tenha interesse em particular.

O que demanda muita paciência do vereador, está escrito, é o comportamento de instituições que “se auto-intitulam fiscais dos mais diversos poderes”.

Diz lá: “a crítica fácil, os julgamentos apressados e feitos sob critérios pouco claros, sem rigor técnico, baseados no ‘achismo’ de seus autores terminam publicados como verdades ‘verdadeiras’. Notas são dadas pelos desempenho dos legisladores e governantes”.

E reclama: “No caso da Câmara Municipal, boa parte dos avaliadores nunca sequer colocou os pés no Palácio Anchieta. Baseiam suas análises a partir de dados parciais, critérios subjetivos e sem nenhum conhecimento do trabalho legislativo”.

Aurélio Miguel não é original em seu pensamento, lamentavelmente.
Reproduz o que parte de seus pares diz nos gabinetes ou mesmo no plenário da Câmara. Ficam incomodados pela  vigilância do cidadão – organizado ou não. Preferem o eleitorado amorfo que se restringe ao ato de votar.

Mesmo tendo se consagrado pela coragem com que enfrentava seus adversários, no artigo Miguel preferiu não citar o nome das “organizações não governamentais (ongs) e outras instituições particulares”, apenas levantar suspeitas: “A questão está em saber quem as financia e quais os verdadeiros motivos que as movem”.

É uma pena, pois com isso vai me obrigar a partir para o ‘achismo’ que tanto exige de sua paciência.

Das instituições que fiscalizam o trabalho dos vereadores, conheço bem ao menos uma: o Voto Consciente. A esta, porém, não cabe a crítica de que seus integrantes desconhecem a ação parlamentar, pois os ‘fiscais’ assistem às reuniões das comissões, participam de audiências públicas e acompanham as sessões em plenário. Mais não controlam porque a própria Câmara impede.

Tampouco procede a reclamação sobre os critérios usados pelo Voto Consciente para a avaliação anual que faz dos vereadores. Estes são de conhecimento público, devidamente divulgado aos parlamentares e, em sua maioria, objetivos. Não se avalia, por exemplo, o comportamento de um determinado vereador quando tem seus interesses negados em uma determinada subprefeitura. É difícil de ver e mensurar tal atitude.

Dos cidadãos que expandem seu papel de eleitor ao cotidiano do legislativo, conheço alguns,  parte reunida em torno de uma ideia lançada no CBN SP, o Adote um Vereador. Mas a estes chega a ser risível a desconfiança sobre o interesse de seus financiadores e do que os move. Do cafezinho que pagam nas reuniões mensais a passagem de ônibus que usam para visitar a Câmara Municipal, o dinheiro tem origem conhecida: o trabalho de cada um.

A motivação ? A cidadania.

(“E o senhor acha pouco ?”, perguntaria o motorista Eriberto França.)

Sei lá se são estes grupos e pessoas que levaram Aurélio Miguel a desabafar. Tivesse sido mais transparente, facilitaria a vida deste leitor.

Mas que fique bem claro, aos incomodados e impacientes: o cidadão tem o direito – chego a dizer, o dever – de fiscalizar, monitorar e controlar o trabalho dos parlamentares, conheça ou não o que é feito dentro da Câmara Municipal, na Assembleia ou no Congresso Nacional.

E para fazer este trabalho é preciso mesmo, vereador, muita paciência !

Câmara tá com a caçamba cheia

 

Lixo da Câmara Municipal SP

Por Devanir Amâncio
ONG Educa SP

O lixo que sai de uma obra da Câmara Municipal de São Paulo está transbordando em duas caçambas(20/9), em frente ao número 211 da rua Santo Antônio, entrada oficial dos vereadores. O mau cheiro está insuportável.

Um gari disse: “A gente  já varreu umas três vezes hoje ao redor dessas caçambas…daqui a pouco tem lixo no chão. Fui falar com o pessoal da portaria para retirar as caçambas. ..o homem disse: – gari , vai cuidar do seu serviço”.
 
O morador de rua Cristiano Leandro Brás, 23 anos, revirava  uma delas  em busca de pedaços de madeira para fazer caixa de engraxate.
 
“Pode me chamar de Negrinho !.. Todo mundo me chama assim.  Sou filho de Araraquara,interior de São Paulo. Estou na rua um tempão… frequento o SEFRAS (Serviço Fraciscano de Solidariedade) na  Riachuelo. Fotografar? Pode!.. Minha Ficha é Limpa. O que pode acontecer é minha família descobrir  o meu paradeiro.”
 
Agora o outro lado (publicado às 17h43)     

“A respeito da reclamação encaminhada pelo Sr. Devanir Amâncio, da ONG Educa São Paulo, esclareço:
 
As duas caçambas citadas pertenciam à empresa contratada para execução de serviço de remoção de entulho, deixado por obra em andamento na Câmara Municipal de São Paulo.
Elas foram retiradas no mesmo dia 20 de setembro que o ouvinte faz referência. Não continham lixo, somente entulho de obra.
A empresa contratada colocou uma nova caçamba. Foi advertida para que seus funcionários adotem todas as medidas destinadas a manter limpo o local ao redor da caçamba.  
 
Assessoria de Imprensa da Presidência da Câmara Municipal de São Paulo”