De simplicidade

Por Maria Lucia Solla

músculos Olá,

Quanto mais penso, mais perto chego de uma constatação incontestável. Simplicidade é o estágio mais difícil de alcançar.

Encontramos um amigo e já nos turbinamos. Lançamos mão de todos os adjetivos disponíveis na língua mãe -nossa e dos outros- e superlativamos tudo.

É tudo mega, super, hiper, ultra. Se o fato não receber ao menos uma comenda, corre o risco de morrer na praia. É preciso espetacularizar.

Se você disser que está com dor-de-cabeça, ninguém dá a mínima. Para despertar interesse pelo caso, o relato precisa conter palavras como: enxaqueca – terrível – insuportável – ameaçadora – neurônios destruídos, e por aí vai. Se seu discurso for sangrento, então, você é içado, com hino e tudo, ao Monte das Celebridades Instantâneas  e Efêmeras, e ainda oferece a quem sorveu, com deleite, cada gota do superlativo relato, a chance de pisar o solo do mesmo Monte, recontando recortando, editando e maquiando o fato. Fazendo pose com chapéu alheio.piercing111

De qualquer maneira, se você não é o melhor e nem o pior, se não é o mais – ou pelo menos o menos – em tudo, não está com nada.

Carlos Drummond de Andrade, no poema Definitivo, afirma que o que é simples é definitivo.

O que você acha?

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Ouça o texto “DE SIMPLICIDADE” na voz da autora clicando aqui.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e autora do livro “De Bem Com a Vida Mesmo Que Doa”. Aos domingos nos ajuda a ver a vida sem exagero.

De votos de vida longa ao inimigo

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Olá,

Abençoado seja o inimigo, porque é ele o verdadeiro amigo.

Agora compreendo. Rendo-me, e declaro enorme gratidão aos que se consideram, agem – ou deixam de agir – como inimigos. Aos do passado, do presente e aos que estão, agora, rosnando, afiando línguas e armas, prontos para o ataque.

E não é de boazinha, não. Demorou, mas aprendi que é a atitude dura, incompreensível ou “injusta” que nos faz sair da zona de conforto, parar e rever nossas atitudes, crenças, comportamentos e sentimentos. Está aí um caminho que leva inevitavelmente ao crescimento. Evidentemente para onde se quer crescer é escolha de cada um, e não dá para meter o bedelho, mas que a gente cresce, cresce. Para o lado que decidir crescer.

O inimigo crônico ou eventual é fortificante que a Vida nos dá de colher. A gente torce o nariz, esperneia, chora e grita, sofre e se descabela, Quer explicação para atos e palavras – ditas e não ditas – e não encontra.

Por que?

Elementar, meu caro. Porque olhamos para a direção errada. Ficamos estacionados no gosto amargo do remédio, gastando energia e tempo preciosos. A atuação do inimigo em nossas vidas é dose de vacina. É oportunidade de parar, derramar algumas lágrimas, esbravejar, escarafunchar o coração, arregaçar mangas e dar nova arrancada. É reforço de coragem para enfrentar o fato de que, se dói, é hora de mudar.

Que venha a crise.

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Ouça na voz da autora o texto De votos de vida longa ao inimigo

Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira. Todo domingo escreve aqui no blog e nos convida a refletir

Quando o tempo não permite mais erros

Por Abigail Costa

Aos 18 anos é permitido se trancar no quarto e chorar um amor não correspondido. É até angelical perder horas, dias, pensando no castelo desmoronado, no príncipe que disse não.

A mãe preocupada batendo na porta, dizendo que a falta do almoço vai lhe deixar doente, quando você já se sente com a enfermidade do amor não correspondido.

A gente lê sobre isso. A gente escuta sobre isso. Se tem exemplo da mesma situação. E aí como começou, passa. Vai embora. A moça encontra outros amores.

Mas quando se trancar no quarto vem perto dos 40 anos. O choro compulsivo prestes bem perto do meio século de vida. Aí pesa, mais do que a rejeição. Do você não serve para mim. Tem o peso da idade.

Não é porque você estava velha para esses momentos adolescentes … É que você não pode mais perder tempo com eles.

Pode parecer rude, mas no correr da vida, um dia trancada no quarto vai lhe fazer falta. Não uma falta que será sentida bem mais tarde. É amanhã mesmo. Serão horas mal-aproveitadas que lhe farão falta.

Sem contar que nessa tristeza toda entram as rugas, mais cruéis do que nunca. Vincos profundos na pele para te lembrar sempre daquele momento trancafiada em problemas que já deveriam fazer parte da rotina. Afinal, você passou por eles há vinte e pouco anos.

Pior do que o sofrimento é não ter aprendido com as ocasiões anteriores.

O tempo não te permite errar, pelos simples motivo que ele é sábio.

Ele sabe que num determinado ponto da vida é preciso aproveitar tudo.

Abigail Costa é jornalista, escreve toda quinta-feira aqui no blog e transcreve os conselhos que durante toda sua vida foram responsáveis pela conquista de novos amigos.