A sociedade do celular

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O celular deixou de ser um meio. Tornou-se o ambiente.

O show já nasce pensado para a tela do celular. O enquadramento importa tanto quanto a música. O refrão precisa caber em quinze segundos. O aplauso virou registro. O espetáculo só se completa quando alguém levanta o braço, grava e publica. Não basta assistir. É preciso provar que esteve lá.

O mesmo acontece com filmes, séries e novelas. A imagem agora precisa funcionar no ônibus, na fila do banco, na pausa do almoço. O roteiro acelera, o plano encurta, o silêncio incomoda. Tudo para caber no bolso — e na atenção cada vez mais disputada.

A comida segue o mesmo caminho. Antes de ser comida, precisa ser fotografada. A exposição virou “instagramável”. A experiência só existe quando é compartilhada. O prato esfria enquanto o celular trabalha. E segue sobre a mesa, ocupando o espaço do diálogo.

Esse é o lado mais ruidoso da história. Há outro, bem mais duro.

O poder público também aprendeu a olhar pelo celular. Em São Paulo, o Smart Sampa cruza rostos, identifica suspeitos, localiza procurados. Nas estradas, câmeras com inteligência artificial verificam se o motorista usa cinto ou segura o celular enquanto dirige. O olho eletrônico se espalha no espaço público. Vigia. Registra. Arquiva.

Ao mesmo tempo, cresce a disputa sobre quem controla esse olhar. A exigência de câmeras corporais em policiais e agentes de segurança virou batalha ideológica. Para uns, transparência. Para outros, ameaça. O debate não é técnico. É político. E, sobretudo, simbólico.

É nesse ponto que o texto de Julia Angwin, publicado no The New York Times, nesta segunda-feira, acende um alerta.

Ela descreve o celular não como distração, mas como arma cívica. Uma ferramenta de proteção do cidadão diante da violência do Estado. Nos Estados Unidos, pessoas foram intimidadas, agredidas e até mortas enquanto filmavam ações de agentes federais. Em alguns casos, o simples ato de gravar passou a ser tratado como violência. Alex Pretti foi executado por membros do ICE, em Minneapolis, portando como arma um celular.

O que está em jogo não é apenas o direito de filmar. É o direito de testemunhar.

O celular guarda algo precioso: a possibilidade de responsabilização futura. Mesmo que quem filma seja silenciado, a imagem permanece. Ela pode desmentir versões oficiais, expor abusos, recontar a história. Não por acaso, regimes autoritários costumam começar cortando a internet. Sem imagem, não há prova. Sem prova, sobra a narrativa de quem manda.

Há quase três décadas, o escritor David Brin antecipou esse dilema ao perguntar: quem controla as câmeras? Quando só o Estado vê, temos vigilância. Quando todos podem ver, temos fiscalização recíproca. A diferença entre opressão e liberdade passa pelo controle do olhar.

Vivemos, portanto, um paradoxo. O mesmo celular que nos distrai também nos defende. O mesmo aparelho que nos expõe pode nos proteger. Ele banaliza a vida e, ao mesmo tempo, preserva a verdade.

Talvez por isso incomode tanto quando alguém manda “guardar o celular”. Especialmente quando quem faz o pedido é pago com dinheiro público.

Na sociedade do celular, o risco não está no aparelho. Está em desistir de olhar — ou em aceitar que apenas alguns tenham o direito de fazê-lo.

O celular não é neutro. Ele revela quem somos, o que consumimos, como nos exibimos. E, quando necessário, mostra aquilo que alguém preferiria esconder. Nesse sentido, ele não é só um objeto do nosso tempo. É um termômetro da nossa democracia.

Porque onde ninguém pode filmar, quase sempre há algo errado acontecendo.

Conheça o Smaps: aplicativo do bem contra o mal

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Os moradores de grandes cidades acostumados ao benefício dos aplicativos, que os tem levado de forma mais rápida aos seus destinos, terão um adicional providencial e essencial: que tal além de poder se deslocar pela rota mais rápida, saber a mais rápida e mais segura?

 

Essa é a ideia do Adm. Douglas Roque, criador do aplicativo SMAPS-Segurança Colaborativa Mundial. Na verdade, o aplicativo, que roda no Iphone, no Androide e em desktops, fornece também outras indicações, tais como:

 

– Locais mais seguros para se locomover, morar, trabalhar, passear e investir.
– Alertas de perigo sobre regiões como moradia, trabalho, escola, clube, casa de praia e de campo.
– Imagens de câmeras instaladas nas ruas e zonas de interesse dos usuários.
– Registro ordenado de todos os tipos de crimes e abusos contra a pessoa ou o patrimônio. Dos mais hediondos aos mais comuns como as ofensas sexuais ou raciais. Até mesmo o insolúvel problema do barulho de festas, clubes noturnos, etc.

 

Tudo isso, além de contribuir com os especialistas e as autoridades envolvidas na segurança.

 

O SMAPS já conta com 2.500 colaboradores e visitação diária de 400 internautas. Tem o apoio de vários CONSEGs e de algumas ONGs, como os PAULISTANOS PELA PAZ. Já tem audiência marcada com a Prefeitura de São Paulo e várias entidades sociais.

 

Se no âmbito do Marketing, Philip Kotler, um dos seus ícones, afirmou que o Marketing era muito importante para ficar restrito aos especialistas, o que dizer então da Segurança?

 

É realmente momento oportuno para as redes sociais entrarem em campo com tudo, como colaboradores e usuários, nesta área tão séria quanto carente que é a da Segurança. É função de vital importância que não deve se restringir à Polícia. O SMAPS é um dos caminhos. É só acessar: http://www.smaps.com.br

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

São Paulo tem 50 mil microcâmeras de olho em você

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Os telejornais estão tomados de imagens captadas por câmeras de segurança. Não escapa uma edição sem que flagrantes de ataques a caixa eletrônico, agressão contra pessoas, acidentes de carros ou assaltos a residências surjam na tela. Hoje, são mais eficientes do que os antigos cinegrafistas amadores que faturavam um bom dinheiro vendendo cenas exclusivas às emissoras.

Dia desses, uma televisão de São Paulo pagou R$ 1 mil por imagens exclusivas com a ação de bandidos que invadiram a loja de conveniência em um posto de combustível e explodiram o caixa eletrônico. São tantos os detalhes revelados que a impressão que temos é que as câmeras estavam lá apenas para registrar o cotidiano dos ladrões e torná-lo em espetáculo.

Parece impossível passearmos na cidade sem que um desses olhos eletrônicos estejam nos perseguindo na porta de casa, na saída do prédio, diante da agência bancária, dentro da academia de ginástica, no pátio da escola ou quando cruzamos a esquina.

Leia o texto completo no Blog Adote São Paulo, da revista Épocas São Paulo

Tempos Modernos

Por  Oscar Roberto Junior

camerasGuardadas as proporções, do ponto de vista de segurança, o edifício onde moro – como boa parte dos prédios das grandes cidades neste país -, deve estar muito próximo de Guantánamo! Além dos funcionários, das grades e dos portões, há câmeras onipresentes filmando tudo.

Dias desses, como faço três vezes por semana, saí da minha “prisão” e fui à academia fazer um pouco de exercício. Afinal, nada como uma vida saudável. Ao chegar, minha entrada é liberada por um software que faz a leitura ótica das digitais do meu indicador. Imediatamente, minha foto surge na tela de um computador com o meu nome e a catraca é liberada. Um funcionário lê meu nome e me dá um bom dia robótico com um sorriso artificial.

Na academia notei que as câmeras também se multiplicam por todos os ângulos. Ou seja, enquanto me contorço como um faquir na tentativa de acertar o ritmo indicado pelo professor, alguém deve gargalhar da minha falta de jeito para aquilo. Penso que em mais de dez anos de treino não melhorei nada e que ainda devo ser motivo de chacota para aqueles que têm o desprazer de me assistir.

Ao sair da academia caminho pela Avenida Paulista e sei que sou observado por outras inúmeras câmeras privadas e públicas. Tomo, portanto, cuidado para me aprumar e finjo normalidade. Alguns minutos depois, entro em uma loja a procura de uns livros e bingo, lá estão as meninas, atentas a tudo. Sei que depois o meu comportamento, como o de milhares de outros clientes, será estudado por profissionais de marketing. Que horror tudo isso.

Deixo a livraria para ir ao  banco. Sei que serei torturado para entrar e tento me preparar utilizando recursos da minha religião. É a instituição financeira lapidando a alma, quem diria.

Como esperado, a porta trava, começo a suar e aqueles que querem entrar e sair me olham com ar de desprezo e um pouco de medo.  Seria eu um perigoso ladrão?

O segurança pede para eu tirar da mochila o material  feito de ferro, alumínio, etc. Começo a recolher as moedas, guarda-chuva, chave, caneta, celular, etc. E nada de a porta girar.

O funcionário então me pergunta o que eu quero fazer no banco! Respondo-lhe de pronto: “Comprar Novalgina”. Trocamos olhares belicosos, mas, sem saber o porquê, finalmente, fui aprovado. Aleluia.

Para relaxar me dirijo a uma conhecida casa de café e peço um expresso. Repito, para relaxar. O caixa me pergunta se eu quero a marca X ou Y. Digo X, por favor. Mais perguntas: “Normal ou com leite?”. Normal, por favor. “Salgado acompanha?” Não, obrigado, só um simples expresso, digo. “O senhor quer nota fiscal paulista?” Imagino estar enlouquecendo. “Não, obrigado” – e imediatamente lhe dou a nota de cinco reais. “O senhor teria quarenta centavos para facilitar o troco?” Meus batimentos cardíacos se aceleram, sinto a tensão de um homem-bomba antes de puxar a cordinha e “bum”, deixo o local nervoso e sem café.

Chego à minha casa com o telefone tocando. Atendo e ouço: “Sou Valéria do banco que o senhor acabou de visitar. Vamos estar fazendo um cartão de crédito com custo zero por um ano e limite de crédito pré-aprovado”? Fora do meu estado normal falo: “Vou estar pensando e depois vou estar conversando com você, está bem”? Continuo, “Agora preciso estar descansando porque acho que vou estar enfartando se não o fizer.”

Tento dormir um pouco no escuro e dessa vez é um vendedor de uma concessionária me desejando feliz ano-novo. Será que isso é possível?

Oscar Roberto Junior é ouvinte-internauta do CBN SP