Conte Sua História de São Paulo: viver aqui é aprender a seguir em frente, sem nunca esquecer de onde se veio

Ricardo Cordeiro

Ouvinte da CBN

Parque da Luz

Vista aérea do Parque da Luz. Foto: Renata Carvalho/CBN

Nasci em 1963, em plena ditadura militar, quando São Paulo crescia sob concreto, fumaça e silêncios impostos. Vim ao mundo no bairro da Ponte Pequena, região que hoje abriga a estação Armênia do metrô. Eu, também, descendente desse pequeno país na região do Cáucaso, a Armênia, talvez por isso traga comigo, desde cedo, o sentimento de pertencimento misturado à resistência.

Minha infância foi marcada pelo Colégio Prudente de Moraes, que hoje abriga a Pina Contemporânea, anexo da Pinacoteca. Onde antes havia salas de aula, hoje há arte — e eu gosto de pensar que essa transformação também diz muito sobre São Paulo e sobre mim. O Parque da Luz fazia parte do meu cotidiano, um respiro verde em meio à cidade dura, um espaço onde o tempo parecia desacelerar.

Aos nove anos, minha família se mudou para a então Vila Sônia, região que hoje atende pelo nome de Jardim Trussardi, próxima ao estádio do Morumbi, o que me fez são paulino. Fomos morar em uma pequena vila, carinhosamente apelidada de “vilinha”, um lugar pitoresco, acolhedor, que até hoje preserva sua identidade. Ali aprendi o valor da convivência, da rua, do bairro como extensão da casa, fiz inúmeros amigos, que até hoje me acompanham

Comecei a trabalhar cedo. Fui contínuo em banco — o motoboy da época — circulando pela cidade, conhecendo São Paulo por dentro, nos seus corredores, calçadas e contradições. Estudei, me formei em Comunicação e, como a própria cidade, mudei muitas vezes de caminho. Trabalhei em jornais, como a Folha de São Paulo, vivi o ritmo intenso das redações nos tempos do fim da ditadura, e também passei por grandes montadoras, como a Mercedes-Benz, experimentando outros mundos dentro da mesma metrópole.

Casei, me separei, tive um filho, que hoje tem 34 anos, e mais tarde fui presenteado com uma filha linda, que hoje tem 10. Duas gerações separadas pelo tempo, mas unidas por essa mesma cidade que nunca dorme.

Hoje sou empreendedor na área de design digital e impresso, criando, reinventando, comunicando. E como São Paulo também é festa e resistência cultural, criei um bloco de carnaval de rua: o Perdendo a Linha, porque às vezes é preciso se perder para se encontrar.

São Paulo sempre esteve presente nas minhas conquistas e nas minhas derrotas. Uma cidade dura, generosa, caótica e acolhedora. Cresci com ela, envelheci com ela, e sigo caminhando ao seu lado. Minha história se mistura com a dela — porque viver em São Paulo é, acima de tudo, aprender a seguir em frente, sem nunca esquecer de onde se veio.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Ricardo Cordeiro é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva você, também, o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Morumbi e Vila Sônia discutem segurança nos bairros

 

Moradores de diferentes bairros de São Paulo têm buscado saídas para reduzir a violência em suas regiões. O bairro do Morumbi e arredores, na zona sul, que estão no foco da mídia com frequência têm, através de algumas entidades, realizado reuniões e debates sobre o tema. A Samovis – Sociedade Amigos do Morumbi e Vila Suzana está convocando moradores e colaboradores a discutirem o tema.

 

Reproduzo comunicado diculgado pela Samovis:

 

Nós da SAMOVIS – Sociedade Amigos do Morumbi e Vila Suzana, estamos engajados no projeto de fazer do Morumbi um bairro mais seguro. Nesse projeto estamos, juntos com os moradores da Jose Galante, empenhados em fazer dela umas das ruas mais segura do nosso bairro. Os moradores da Rua dos Símbolos também estão trabalhando num projeto semelhante, e já evoluíram muito nesse sentido, outras associações ou ruas do bairro estão caminhando na mesma direção. Venha conhecer essas iniciativas e trocar experiência, traga alguns dos seus vizinhos, quem sabe você e eles se animam para fazer alguma coisa semelhante na sua rua. Reserve sua agenda para esse encontro e confirme sua presença nesse evento, no telefone ou e-mail abaixo:

 

Data: 29/05/12 (terça-feira)
Horário: das 19:30 as 22:00 horas
Loca: Auditório da Escola Graduada – Av. Jose Galante, n. 222.
Confirmações: samovis@samovis.org.br ou telefone: 3501-6347

 

Vejam abaixo como é importante nos comprometermos com o tema segurança:

 

A Segurança tem sido o problema mais presente nos assuntos da maioria dos paulistanos. Enquanto o crime vem crescendo em frequência, ousadia, violência e, pasmem, até em competência, o Estado vem mostrado os seus limites na capacidade de nos fazer mais seguros. Além disso, da mediocridade do nosso legislativo, que conseguimos piorar a cada nova eleição, jamais vai sair propostas de leis ou orçamentarias capazes de enfrentar com competência esse problema. Nova York conseguiu porque priorizou e conseguiu engajar a sua população. Até a Colômbia, depois de anos sob o domínio dos cartéis do narcotráfico, conseguiu se transformar no país mais seguro do nosso continente, e em pouco tempo. Mas nós brasileiros não acreditamos mais que, em segurança, dias melhores virão dos nossos governos, mas acreditamos muito que pode vir sim, da força de uma população unida e engajada.

 

É crescente o numero de edifícios invadido por arrastões violentos, e nessas invasões os bandidos tem permanecido até mais de seis horas nos prédios, submetendo os moradores a toda sorte de abusos e violências físicas e morais. E, na maioria das vezes, nem o prédio vizinho fica sabendo que algo de anormal acontece no prédio ao lado.

 

É sabido, pelos profissionais da segurança pública, que esses bandidos não estão dispostos ao confronto com a polícia, nem com helicópteros e viaturas com sirenes ligadas cercando os edifícios invadidos, sequer gostariam de enfrentar a cobertura da mídia. E é por isso que, quando são descobertos, a ação é abortada de imediato e eles fogem rapidamente do local. A mídia tem divulgado que muitos desses bandidos agem sob a proteção da banda podre da policia, e agem sempre sintonizados na frequência da policia, portanto, quando avisamos a policia e a polícia aciona as viaturas da rua, esses bandidos ficam sabendo e fogem. Por isso é importante avisar a policia no menor tempo possível.

 

Mas também podemos agir preventivamente, esses bandidos não entram por acaso num condomínio, eles são bem mais competentes e organizados do que pensamos. Quando um prédio é invadido, uma operação de inteligência foi iniciada por eles, e bem antes, às vezes meses antes. Os bandidos costumam estudar o prédio a ser eleito, eles passam dias à espreita avaliando os movimentos e hábitos dos moradores e da policia no local, avaliam a qualidade dos equipamentos de segurança instalados no edifício (humanos e técnicos), às vezes até contando com informações de serviçais do próprio edifício. E é por isso que os nossos porteiros precisam