Dinamarca, voto e ajuda social: a verdade que ninguém te conta!

Trabalho com a ‘caverna do diabo’ aberta à minha frente. Enquanto converso com os ouvintes pelo microfone, na tela do meu computador, centenas de mensagens são despejadas pelo WhatsApp. Entre uma entrevista e outra, chegam informações de todo tipo: agradecimentos, críticas e sugestões de pauta, tanto quanto ofensas pessoais, denúncias infundadas e as correntes que prometem revelar “a verdade escondida” sobre algum assunto.

O que me chama a atenção não é o volume de mensagens — que já faz parte da rotina —, mas a confiança com que muitas delas são enviadas. Ouvintes, pessoas que nos acompanham há anos, repassam informações falsas com a mesma segurança de quem anuncia a previsão do tempo: “Vai chover amanhã, pode se preparar.”

Outro dia, recebi uma mensagem afirmando que, na Dinamarca, toda pessoa que recebe ajuda social perde o direito de votar. O texto ainda sugeria: “Compartilhe se quiser que o Brasil faça o mesmo!” Essas mensagens não apenas espalham desinformação. Elas revelam preconceitos guardados: a ideia de que quem precisa de auxílio social não saberia votar com autonomia ou de que os problemas do país se resumem a um “voto comprado”.

A realidade é que, na Dinamarca, quem recebe assistência do governo não só pode votar como participa ativamente da vida democrática. O país investe em proteção social justamente para garantir dignidade e participação de todos.

Mas por que tantas pessoas continuam acreditando nessas histórias?

Uma das razões é o viés de confirmação. Quando alguém já acredita que programas sociais servem para manipular votos, qualquer mensagem que alimente essa visão será rapidamente aceita. É como se cada um de nós tivesse um filtro invisível que escolhe o que confirmar e o que descartar, conforme nossa conveniência.

Outro ponto é o formato: textos curtos, diretos, carregados de emoção e indignação. Ao provocar raiva ou medo, aumentam a chance de serem repassados antes mesmo de qualquer reflexão.

Há também o recurso de citar países tidos como exemplares — caso da Dinamarca ou da Suécia — para dar um ar de credibilidade. Quem vai verificar se isso realmente ocorre? Quase ninguém. Talvez um jornalista.

Para conter o avanço dessas mentiras, temos três ações à nossa disposição:

Desconfiar. Antes de encaminhar qualquer mensagem, vale perguntar: quem escreveu? Existe alguma fonte oficial? A informação aparece em veículos de imprensa reconhecidos? Ah, você não confia na “grande mídia”? Quem sabe, então, pesquisar nas milhares de fontes disponíveis na internet?

Conversar. Em vez de ironizar quem compartilha, é mais eficaz explicar, com calma, onde está o erro e mostrar a informação correta. Ou seja, despender um tempo do seu dia para ajudar na disseminação da verdade.

Apoiar projetos de checagem. Hoje, várias iniciativas se dedicam a verificar fatos e disponibilizam o resultado gratuitamente.

Receber mensagens faz parte do meu trabalho — muitas nos pautam, e tantas outras nos levam a refletir sobre como estamos praticando o jornalismo. Corrigi-las, também. Mais do que desmentir boatos, é preciso convidar o público a cultivar a curiosidade, questionar, buscar outras fontes. Neste cenário em que a verdade disputa espaço com versões fabricadas, cada um de nós se torna guardião da boa informação.

Em tempo: Sim, o título deste texto foi escrito no melhor estilo “corrente de WhatsApp” — daqueles que gritam para chamar sua atenção. Afinal, se funciona para espalhar boatos, por que não usar para espalhar a verdade?

Avalanche Tricolor: um recado ao grupo de WhatsApp

Santos 2×1 Grêmio

Brasileiro – Vila Belmiro, Santos/SP

Foto de Lucas Uebal GrêmioFBPA

Quem me conhece bem sabe que quase não abro espaço a grupos de WhastApp em meu celular. É estratégia para preservar a sanidade. Uma forma de silenciar o barulho das redes sociais e ser menos impactado pelo contágio emocional que a vida em bando provoca. Quando uma pessoa expressa uma emoção forte como medo, empolgação ou raiva tende a insuflar esse mesmo estado psicológico em seus pares. Pessoas aparentemente tranquilas podem ter reações extemporâneas e radicais se envolvidas por um coletivo que reforça suas convicções e pensamentos. É em parte o que acontece em um estádio de futebol no instante em que cidadãos pacíficos fazem coro aos torcedores que ofendem o árbitro, o adversário ou o jogador que pisa na bola (ou esquece que ela está em jogo).

Mesmo que não acredite em grupos de WhastApp que eles existem, existem. Poucos, mas estão lá no meu celular e se movimentam ativamente conforme a situação. Hoje, minha tela não parava de piscar com as notificações de um desses grupos — claro, aquele formado por gremistas –, especialmente após os 17 minutos do segundo tempo quando se iniciou a “contra virada” (será que posso chamar assim quando meu time sai na frente e entrega o jogo depois?). Aos 44 do segundo tempo, após a pataquada dos nossos jogadores, o que era pisca-pisca virou luz estroboscópica. A prudência me fez virar o celular com a tela para baixo e me calar diante do que haveria de acontecer ao fim desta primeira rodada do returno do campeonato.

Preferi deixar que a turma do WhatsApp expressasse no silêncio do meu celular sua indignação perante a iminência da derrota que nos afastaria do líder e nos deixaria momentaneamente fora do G4 — grupo que almejamos ocupar para garantir vaga direta na Libertadores e ganhar um respiro no início da próxima temporada com uma preparação mais longa para a competição sul-americana. Não queria ser influenciado pelas opiniões catastróficas e as teorias de conspiração que costumam florescer nesses momentos de forte emoção. A bronca, a opinião exarcebada e a frase sangrada pela raiva se justificam por humanos que somos. Tanto quanto mais apaixonado, mais sensível se torna o nosso coração. Não pense que sou santo — ops, melhor não usar hoje esse adjetivo. Não pense que sou calmo mediante os acontecimentos do futebol. Assim como qualquer torcedor, alterno o vibrar e o esbravejar conforme o lance. Reclamo do árbitro nas marcações contra o meu time — mesmo que tenha de me redimir ao conferir o acerto dele no replay. 

Minha estratégia, porém, é clara. Jamais permitir que o movimento de bando me impulsione a dizer o que a razão não concorda. Da mesma forma que não faço cálculos antecipados que “provam” que seremos campeões após uma vitória incrível sobre um adversário de peso, me nego a ter previsões trágicas por causa de uma derrota impossível de admitir como a deste domingo. Mesmo porque, nesta altura do campeonato, o destino de cada time ainda não está traçado. Alguns até flertam desde o início com o rebaixamento e outros estão se aproximando cada vez mais desta faixa — sem nenhuma provocação, tá!?! Assim como há os que miram o topo da tabela e têm feito por merecer o lugar lá no alto. 

O Grêmio, que voltou a ter revés contra times da parte de baixo da competição, ainda tem muito a fazer para que possamos dizer com certeza qual será nosso lugar neste campeonato. Aquele elenco que nos colocou na vice-liderança foi reforçado para o returno com as novas contratações e a recuperação de lesionados. Acertá-lo e fazê-lo jogar de maneira coordenada mesmo quando há necessidade de substituições ao longo da partida é responsabilidade do comando técnico. Teremos mais tempo para fazer esse arranjo a medida que estamos agora dedicados ao Brasileiro, por força da desclassificação da Copa do Brasil, no meio da semana passada.

Quanto a você que por ventura esteja  gritando “Fora Renato” ou “desse jeito nem Libertadores” ou “o campeonato acabou para nós” ou “tem que botar todos estes que aí estão no banco” —- juro que não li meu grupo depois que a bola parou —, tenho certeza que vestirá a camisa tricolor no próximo domingo, vai correr para frente da televisão, ligar o rádio ou ocupar uma cadeira na Arena, e ressuscitará sua esperança logo que a bola começar a rolar, devolvendo ao nosso grupo de WhatsApp aquele clima saudável e de confiança que nos entusiasma a entrar logo cedo e desejar: “Bom dia, gremistada!”

É proibido pedir voto pelo WhatsApp?

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

Photo by Anton on Pexels.com

 Mais de 120 milhões de pessoas utilizam o WhatsApp no Brasil. Em função disso, é absolutamente corriqueiro, até mesmo previsível, que grupos de usuários sejam formados para debater política, eleições e pré-candidatos. Quando isso acontece, surge uma indagação: pedir votos em grupo de WhatsApp durante a pré-campanha eleitoral configura propaganda eleitoral antecipada? Vai haver multa para quem pediu? E para o candidato?

Não, não vai haver multa. 

Primeiro, porque as redes sociais são distintas entre si. Segundo, porque o ambiente da postagem do Whats é privado, não sendo aberto ao público a exemplo de redes sociais como o Facebook e o Instagram. Terceiro, que em razão das duas peculiaridades anteriores, a conversa não objetivou o público em geral, mas ficou confinada aos membros do grupo. Portanto, tal comunicação é de natureza estritamente privada, restrita aos interlocutores, sem cunho de conhecimento geral das manifestações nele divulgadas. Isso justifica a prevalência da liberdade de expressão.

Quando o fato concreto reúne tais características, geralmente a postagem não ostenta potencialidade lesiva ou aptidão a ponto de comprometer o princípio da igualdade entre os candidatos concorrentes. Neste sentido, levando em conta que a “atuação da Justiça Eleitoral em relação a conteúdos divulgados na internet deve ser realizada com a menor interferência possível no debate democrático”, o Tribunal Superior Eleitoral, apreciando hipótese desta natureza, decidiu:

“…dada a sua relevância para a democracia e o pluralismo político, a liberdade de expressão assume uma espécie de posição preferencial quando da resolução de conflitos com outros princípios constitucionais e direitos fundamentais”.

Resumindo: a intransponível restrição que caracteriza esta plataforma de rede social, limitada que é aos usuários que possuem vínculos entre si e que inclusive obtiveram a aprovação do administrador para ingressar no grupo, são fatores que impedem o reconhecimento da propaganda eleitoral antecipada. Dizendo isso com outras palavras: não se trata de um meio apto ao conhecimento público do conteúdo propagado. 

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e escritor. Autor de “Campanha Eleitoral – Teoria e Prática” (Verbo Jurídico).

Avalanche Tricolor: meu WhatsApp com o Diego Souza tá bombando!

Caxias 1×2 Grêmio

Gaúcho — Centenário, Caxias/RS

Diego Souza comemora em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Devo ser figura rara entre usuários do WhatsApp. O número de grupos no meu mensageiro é restrito. Aquele famoso da família, jamais foi construído. De amigos, nunca tive — refiro-me ao grupo, lógico, porque amigos consegui manter alguns na minha lista. Bem poucos para ser sincero. Mas isso resolvo no divã. O grupo do Jornal da CBN só se formou há um ano e por causa da pandemia. O outro que tenho são das duas turmas de aula que frequento. Têm data para expirar. O da Igreja preservo porque é apenas para receber recados. Ninguém pode escrever nele, além do administrador. 

Quem entra no meu WhatsApp, vê de cara a mensagem: “vale a pena?”. Pode parecer antipático, mas tem o objetivo de alertar as pessoas para que reflitam antes de escrever. Hoje, desperdiçamos muito tempo gerenciando a quantidade gigantesca de mensagens que navegam pelas mais diversas ferramentas de comunicação. Assim, sugiro: vamos escrever o estritamente necessário e ajudarmos a combater um fenômeno que tem causado sérios problemas de saúde mental: a infoxicação —- resultado do volume de informação que intoxica nosso cérebro, dificulta o entendimento dos fatos, e causa estresse e ansiedade.

Falo desses fatos em uma coluna destinada a comemorar (ou lamentar) resultados em campo porque graças a uma missão que assumi desde que Diego Souza foi contratado — por indicação de Renato, lembra?!? — meu WhatsApp está movimentado.

contei em Avalanches passadas que, ao saber que o filho querido do meu amigo Luiz Gustavo Medina é fã do atacante gremista —- vista qual camiseta estiver vestindo —-, decidi enviar uma foto de Diego comemorando cada gol marcado pelo Grêmio. Confesso que começou como uma tentativa, sem sucesso, de cooptar o menino, são paulino por influência do pai, para o nosso Imortal e hoje virou um ritual. 

Diego marca, saco o celular, registro a comemoração na tela da TV e envio para o WhatsApp do Teco. Pra ter ideia, só neste domingo, foram duas imagens transmitidas. Uma ainda no primeiro tempo, quando nosso goleador aproveitou uma bola desviada pelo zagueiro adversário e em um chute cruzado colocou o Grêmio à frente no placar. A outra foi na cobrança de pênalti no segundo tempo, quando parecia que não encontraríamos mais espaço na defesa que se postava diante da área para segurar o empate alcançado ainda antes do intervalo — a propósito, uma curiosidade: sabia que o Grêmio não desperdiçou nenhum pênalti neste ano?

Com os dois gols que deixaram o Grêmio em vantagem na semifinal e — se confirmarmos a classificação — levarão a decisão do Campeonato Gaúcho para a Arena, Diego Souza chegou a melhor marca dele em um início de temporada —- e duvido que outros tenham conseguido algo semelhante, neste ano: em nove partidas disputadas marcou 11 gols. Sim, mais de um gol por partida. Aos 36 anos, o artilheiro combina força, precisão e experiência para estar bem colocado, saber vencer a disputa pesada dentro da área e encontrar o momento certo para o chute. 

Graças a Diego Souza, meu WhatsApp tá bombando! 

Conte Sua História de SP 467: o grupo de WhatsApp que mexeu no meu bom retiro

Por Betty Boguchwal

Ouvinte da CBN

“Os quadros e as obras de arte marcam

a presença dos moradores numa casa.

Digo isso porque a decoração

podemos encomendar a um profissional,

mas a arte nós que escolhemos”.

Maurício Boguchwal

 

Dentre os inúmeros grupos de WhatsApp e reuniões via plataformas digitais que movimentam e atenuam o isolamento social e, também, diversificam o cotidiano e cenários desta interminável quarentena, seleciono o grupo Bom Retiro — um coletivo com lotação máxima de 256 pessoas com larga faixa etária, comprovada vivência neste bairro — condição sine qua non para marcar presença nesse “hospício”, como é carinhosamente chamado. Daí o slogan:

— Você sai do Bom Retiro, mas ele não sai de você!

O dito bairro carece de uma revitalização digna da história de seus antepassados para, atualmente, marcar a presença da comunidade judaica em São Paulo. Na primeira reunião, agendada para às oito e meia da noite de uma quarta-feira, excepcionalmente eu estava on time. Sabe, com tantas reuniões no Zoom, eu criei um lugar, melhor dizendo, puxo uma mesinha que expõe antiguidades, substituo um telefone quadrado de disco, bege com dourado, pelo meu fiel companheiro notebook Dell, e arrasto a referida mesinha em frente ao sofá, onde me sento sempre no mesmo lugar, óbvio, na esquerda.

Ora, esse tipo de reunião em plataformas digitais tem as mais diversas demandas, com um anfitrião muitas vezes desconhecido, além de muitos outros convivas, que abre a sala Zoom, Google Meet, etc, com uma lista de convidados e agregados. E com esse convite você acaba entrando na residência, local de trabalho, enfim, lugares diversos de pessoas que invariavelmente você irá conhecer ou não, com tudo e todos dispostos na tela vertical. A propósito, a pauta dessa reunião era a revitalização do Pletzl — maneira carinhosa de chamar a esquina da Rua Correia de Mello e Rua da Graça, cercada pelo comércio atacadista, uma sinagoga histórica, hoje convertida no Museu Judaico do Holocausto, e bancos, onde nossos pais, avós se encontravam e sabiam das novidades, negócios e fofocas.

E não é que em meio aos “boa noite”, Mauro me faz uma pergunta bem peculiar:

— Este quadro aí atrás é muito bonito, ele é original?

Olho para trás e respondo:

— Não, este é uma reprodução, afirmei.

— Ah, mas ele é tão lindo, que nem pude identificar que fosse uma cópia, complementou.

De fato, Mauro tinha razão. Trata-se de um Alfredo Volpi. 

Caramba, com tantas reuniões sentadas neste mesmo lugar, como vem este Mauro com esta observação singular?

Pois é, tanto a sala, como o apartamento  inteiro estavam com muito pó, e embora isto não fique visível no Zoom, ele involuntariamente passou um aspirador não somente em todo o imóvel, como também na minha cabeça. No dia seguinte, ele me moveu a um ato, já ensaiado há um considerável tempo. Desembalei todo o acervo de quadros, esculturas, obras de arte, enfeites que vieram da residência da minha mãe, desde sua partida final, há um ano, e que estavam escondidos da minha visão.

Em outra parede, pendurei uma autêntica mulata de Di Cavalcanti. E que mulata! Aos poucos, fui selecionando com a Márcia, a co-herdeira, outros quadros e objetos, os quais, prazerosamente distribui no meu novo ambiente e ela, respectivamente, fez o mesmo no seu. Ou seja, eu simplesmente revitalizei a sala com diversas e singulares imagens em fortes cores. Ah, incluí a presença dos meus pais na minha casa, à minha moda.

Quanto ao objetivo do grupo, revitalizar o Pletzl, a prefeitura se encarregou da obra física e elegemos Artur Lescher, escultor, para criar a obra que contemplará o espaço histórico. 

Betty Boguchwal é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva agora seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade visite o meu blog miltonjung.com.br e assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Adivinha em quem os brasileiros mais confiam quando querem notícia de verdade?

 

Screen Shot 2019-02-28 at 6.27.49 PM

 

 

Em conversa com executivos de empresa de tecnologia, no início desta semana, fui provocado a apresentar uma solução para a enxurrada de falsas informações que circulam pelas redes sociais, assim como para o diálogo tóxico que assistimos nas diferentes plataformas. Os questionamentos também não deixaram de fora o trabalho dos veículos de comunicação tradicionais —- nesse caso, eles queriam saber qual seria o futuro das redações jornalísticas. Como todo tema complexo, não existe resposta simples nem solução fácil. Mas tendo a acreditar na ideia de que vivemos um processo de amadurecimento nessas relações. 

 

Os meios de comunicação que conhecíamos perderam o monopólio da informação —- ainda bem. Hoje, cada cidadão tem a capacidade de produzir e divulgar conteúdo. O alcance dessa mensagem dependerá da estratégia usada, mas os recursos estão em suas mãos. O cidadão conquistou esse direito e tem usufruído dele dizendo o que quer, agindo da maneira que lhe convier e transmitindo mensagens doa a quem doer —- com forte poder de construir ou prejudicar a reputação de pessoas e instituições. Por outro lado, não percebeu, ao menos não a maioria de nós, que também passa a responder pelo poder que exerce. Ao emitir opinião, é responsável pelo que essa possa causar. Ao compartilhar informação, é autor ou coautor dos seus efeitos. 

 

À preocupação dos executivos, reforcei meu discurso de que a  sociedade contemporânea está em estágio de aprendizado, diante das transformações digitais que impactam nossos comportamentos. O tempo nos ensinará a usar de maneira mais responsável os meios modernos de comunicação. E o jornalismo profissional tenderá a prevalecer como principal antídoto aos que publicam falcatruas sob o apelido de “fake news”. 

 

Ao falar do tema ainda não tinha em mãos o resultado de pesquisa sobre a confiança dos brasileiros,  encomendada pela XP Investimentos ao Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe). A consulta tinha como uma das intenções saber o que os brasileiros pensam neste momento do presidente Jair Bolsonaro, mas vou me ater ao tema central desta nossa conversa: os meios de comunicação — os tradicionais e os digitais. 

 

Atente-se para o que responderam os mil brasileiros ouvidos pelo Ipespe quando os pesquisadores fizeram a seguinte pergunta:

“Na sua opinião, as informações e notícias veiculadas nesses meios que vou ler são, na sua maioria, verdadeiras ou são falsas?”

As piores avaliações foram do Facebook, com apenas 11%, e do WhatsApp, com apenas 12%, respondendo que as notícias veiculadas são verdadeiras. Twitter e Instagram também ficaram na parte de baixo deste ranking. A percepção sobre veracidade de informações para blogs e sites de notícia, assim como jornais de notícias na internet, foi de 28% e 32%, respectivamente.

 

A mídia tradicional, tão bombardeada em redes sociais e com comentários frequentes que colocam em xeque a credibilidade do conteúdo produzido, aparece mais bem posicionada e com índices de confiança bem superiores às novas mídias. Por exemplo, as  notícias publicadas em jornais e televisão são verdadeiras para 61% dos entrevistados.

No topo desta tabela —- e aí você logo vai pensar, eu sabia que o Mílton queria chegar a algum lugar — aparece o rádio:  64% dos brasileiros pesquisados responderam que acreditam no que ouvem no noticiário.

E com isso, esse veículo que me tira da cama todos os dias, às 4 da matina, e me impõe uma série de desafios  no cotidiano —- tais como a apuração dos fatos, a busca constante da verdade, o respeito ao contraditório e o reconhecimento de nossos erros sempre que estes são identificados —- , a partir da opinião dos nossos ouvintes, me dá a certeza de que o esforço diário dos jornalistas de rádio está sendo recompensado.

 

 

5c915a29215a7

WhatsApp em rede de franquias: solução ou destruição?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

cup-2884023_960_720

 

Os canais de comunicação nas redes de franquia refletem o que existe hoje em todas as formas de mídias sociais. A eficiência e agilidade disponibilizada pelos meios eletrônicos têm possibilitado utilizações tecnicamente perfeitas, ao lado de outras mal-intencionadas — informações falsas, críticas exageradas, assuntos impertinentes e grosserias.

 

O WhatsApp desponta como o canal mais usado pelas redes de franquias.

 

Pela facilidade e agilidade é um meio convidativo de enviar e receber informações. E é esta característica que tem originado a criação de grupos de franqueados dispostos a críticas e intromissões em ações e decisões da franqueadora — minando a relação de confiança e dedicação essencial ao sucesso do sistema de franquia.

 

Diante dessa realidade, temos informação que algumas empresas estão proibindo o uso do WhatsApp, e outras incentivando a sua utilização através de um canal oficial.

 

A experiência tem demonstrado que a proibição nem sempre é a medida mais eficiente. O incentivo ao uso de um Wapp do franqueador é melhor caminho, mas a solução definitiva sempre será o contato pessoal. Ou seja, é conveniente que se tenha uma abertura de comunicação permanente do franqueado com o franqueador além de reuniões presenciais com calendário anual.

 

Estas reuniões deveriam expor desempenhos de todos e exaltar os bons resultados, com a presença dos responsáveis pela gerência das lojas e dos franqueados, dirigidas pela franqueadora.

 

Um dos melhores preceitos de Walt Disney é:

 

“Trate seu funcionário como você gostaria que ele tratasse seu cliente”

 

E, a melhor estratégia de consumo hoje é:

 

“Omni channel” e “Unified Commerce” que possibilitam ao cliente usar todos os canais disponíveis para consumir e se comunicar com as marcas.

 

Portanto, por que não tratar o seu franqueado como se deve tratar o seu cliente?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Projeto de lei ajudará cidadão a controlar gastos públicos pelo WhatsApp

 

texting-1490691_960_720

 

Escrevi esses dias sobre minha participação em apenas um grupo de WhatsApp, ao contrário da maioria das pessoas que conheço. Limite imposto pela minha incompetência em gerenciar tantos canais falando ao mesmo tempo. Imagine que ao receber mensagens de um e outro, individualmente, já me vi em saia justa ao responder o outro em lugar do um. Em grupo, seria uma …

 

O grupo que acompanho é o do Adote um Vereador porque há regras restritas e uma turma disciplinada conversando por ali. Porém, a persistirem às intenções de projeto de lei que corre no Senado talvez tenha de mudar este meu comportamento, em breve.

 

Explico: há um mês, quando estive na Câmara dos Deputados para fazer palestra sobre cidadania com base nas experiências que desenvolvi trabalhando com comunicação e ao lado do pessoal do Adote um Vereador, fui procurado pelo senador João Capiberibe, do PSB/AP. Por telefone, ele gostou de saber da experiência do Adote e me apresentou projeto de sua autoria que acabara de ser aprovado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. É o PL 325/2017.

 

A ideia do projeto é criar a Gestão Compartilhada, permitindo que grupos de cidadãos, através do WhatsApp ou Telegram, acompanhem os gastos públicos de obras, prestação de serviços públicos e compra de material e equipamentos. Pelo projeto, pessoas interessadas em controlar, por exemplo, o andamento de uma obra na sua região se reúnem em grupo nos aplicativos e se cadastram em um órgão público. Esse órgão, por sua vez, tem a obrigação de colocar um agente seu no grupo para prestar informações.

 

Pode-se pensar em pais de uma escola pública dispostos a saber como o dinheiro investido pelo município está sendo usado no colégio. Ou moradores de uma rua onde se inicia projeto de construção de uma praça. Ou motoristas que acompanham a construção de uma ponte na região por onde passam. Ou cidadãos que queiram saber qual o ritmo das obras do metrô no seu bairro.

 

Hoje já existe uma volume considerável de informações nos Portais de Transparência – verdade que em alguns lugares bem mais estruturados do que em outros – mas com a Gestão Compartilhada o cidadão teria acesso mais rápido às informações, acompanhamento mais preciso dos gastos públicos e em áreas de seu interesse. Para o senador, a Gestão Compartilhada é um passo adiante à Lei da Transparência. Ele próprio faz este exercício oferecendo aplicativo que permite que o eleitor tenha acesso às informações do seu mandato.

 

Um aspecto que pode ajudar na aprovação e implantação do projeto é a sua simplicidade. Os aplicativos são acessíveis e usados com facilidade pela maioria da população, especialmente nas áreas urbanas. União, estados e municípios, por força de lei, mantém pessoal para fornecer informações. Facilita a comunicação e reduz a burocracia.

 

Uma encrenca que percebo no sucesso deste projeto é a falta de estrutura especialmente de municípios para atender as demandas do cidadão. Haja vista, a dificuldade que encontramos em algumas cidades quando se pede dados da prefeitura ou da Câmara Municipal através da Lei de Acesso à Informação Pública, um direito que todos nós temos e uma obrigação do poder público.

 

Falta estrutura e, claro, de interesse. Recentemente assistimos na cidade de São Paulo um assessor de comunicação flagrado em áudio no qual confessava que não mediria esforços para impedir que jornalistas tivessem acesso a determinadas informações públicas. Ele foi afastado da função. A cultura do medo e da falta de transparência, duvido.

 

O projeto de Gestão Compartilhada, como disse, foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e vai para a Comissão de Transparência em caráter terminativo. Se aprovado não precisa passar em plenário e vai direto à Câmara dos Deputados.

 

Acho que vou ter de me acostumar com esses grupos de WhatsApp!