Avalanche Tricolor: redivivo e pentacampeão!

Grêmio 2×1 Ypiranga

Gaúcho – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Festa gremista em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Puxei a cadeira azul claro, de ferro, relíquia original do saudoso Olímpico, pra frente da TV, pouco antes de a decisão dessa tarde de sábado se iniciar. Foi a maneira que encontrei de reviver as finais que me levavam ao estádio da Azenha, geralmente ao lado do pai. Hoje, substituo aquela companhia incrível com quem confidenciava minhas preocupações e ansiedades com a performance de nosso time pela dos filhos, especialmente a do mais velho, o Gregório. E talvez pela presença deles — e dele —, tenho, também, muito mais pudor em revelar meu sentimento e entusiasmo, por juvenil que costumam parecer.

Não foram apenas o estádio e o meu decoro que mudaram. Naqueles tempos de Olímpico, às decisões eram reservadas o domingo, dia santo, sagrado e de festa para algumas culturas e religiões. Dia de futebol para todos os brasileiros — hoje não mais. As finais eram um privilégio dos dois grandes de Porto Alegre, com as exceções de praxe. Atualmente, os times do interior se mostram presentes e tem beliscado a taça com muito mais frequência. Haja vista que os cinco títulos seguidos conquistados pelo Grêmio foram disputados contra quatro times diferentes.

Tudo é muito diferente se comparar com o que vivenciei no passado, quando levantar o troféu de campeão Gaúcho era a maior das vitórias almejadas. Desde lá, sonhamos mais alto, ganhamos o Brasil, estendemos nossas fronteiras ao continente e alcançamos o topo do Mundo.

Nessas reviravoltas da vida da bola, cá estávamos nós, mais um vez, depositando todas nossas fichas nessa competição — e assistir à decisão sentado em um cadeira do Olímpico, mesmo que em frente a televisão, fez do sábado um “domingo de final”.

Redivivos no gramado estavam Everaldo, Babá, Alcindo e Joãozinho. Havia Anchieta, Tarcísio, Iura e Loivo. Não faltaram Bonamigo, Cristovão, Cuca e Valdo. Nem Danrlei, Adilson, Paulo Nunes e Jardel. Todos craques que de alguma maneira ficaram na minha memória. E na história do Grêmio.

Redivivo na cadeira do Olímpico estava eu, o guri que forjou sua personalidade nas dependências do velho estádio, apreciando o sabor de uma conquista estadual.

Redivivo, na Arena, neste sábado, estava Roger que entrou para o seleto grupo de gremistas que conquistaram o título gaúcho como jogador e técnico, completando um ciclo que havia sido interrompido em 2016 quando desperdiçou o direito de ser campeão no comando do time com uma derrota na semifinal.

Redivivo estava o Grêmio, de Geromel, que, após o revés de 2021 e os tropeços no início de 2022, volta a ser campeão. Penta Campeão!

Avalanche Tricolor: marca alto, marca forte e marca gol!

Ypiranga 0x1 Grêmio

Gaúcho — Colosso da Lagoa, Erechim/RS

Lucas Silva comemora o gol, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

Parafraseando locutores de futebol de televisão que descrevem o momento em que a torcida está mais empolgada com um “canta alto e canta forte” —- acho que o autor do jargão é o Luiz Carlos Júnior, da SporTV —. o time do Grêmio, montado por Roger, “marca forte e marca alto”. É isso que faz toda a diferença no sistema defensivo, e jamais retranqueiro, que o treinador conseguiu montar em pouco mais de um mês de trabalho.

O adversário ter mais de 60% de bola em todo o jogo, significa muito pouco para Roger. Ele sabe que sua equipe está posicionada para dar o bote lá na frente, e com poucos toques e velocidade chegar com perigo, como aconteceu em todo o primeiro tempo da partida de sábado à tarde, pela semifinal do Gaúcho.

Caso a bola não seja roubada ainda antes de passar o meio de campo, o time recua fechando os espaços de tal maneira que ao adversário cabe a troca de passes entre os seus defensores na esperança de que aparecerá alguém livre na intermediária para dar sequência à jogada. Mesmo quando esse movimento tem sucesso, ainda será necessário superar a última linha da nossa defesa que se antecipa bem, dobra marcação e, em último caso, ainda tem Geromel para resolver. 

O lance que culminou no malabarismo estético em cima de Diogo Barbosa, ainda no primeiro tempo, ilustra bem o que digo —- por mais lindo que tenha sido, assim que o drible se completou já havia Villasanti na cobertura para impedir a sequência e o perigo ao nosso gol.

É isso que surpreende os analistas de futebol e os críticos (não os da crônica esportiva, mas esses que tem prazer em falar mal do próprio time em rede social). É difícil de entender como a equipe tem tão pouco a bola nos pés e chuta tanto a gol, como no primeiro tempo, em que por duas vezes o poste ou o travessão foram seu destino.

Quando o esquema parecia perder força —  e estava —-, Roger fez mudanças que deixaram a turma eriçada e cheia de argumentos para provar o acerto das críticas que fazem ao time, ao técnico, a diretoria, a Arena e ao raio que os parta. Tirou Campaz e Elias, dois dos melhores em campo, para colocar Janderson e Gabriel Silva. “Que absurdo!”.

Roger estava apenas recompondo seu esquema, porque os dois por melhores que tenham sido, tiveram desgaste físico acima do normal que os impedia de fechar os espaço quando necessário — espaço que se traduzia em ameaça ao nosso gol. Mais adiante, ainda entraram Churín e Vini Paulista em lugar de Diego Souza e Bitello — outro gigante no meio de campo.  “Tá louco!”.

Por curioso e não por coincidência, assim que fez a primeira mudança, o Grêmio voltou à partida, roubou a bola, saiu no contra-ataque com Janderson pela direita, que cruzou em direção ao gol para a chegada de Gabriel Silva, que por pouco não abriu o placar. Da mesma forma, diminuiu o risco lá atrás, onde ao adversário cabia apenas arriscar de fora da área.

O gol aos 43 minutos, começa com Janderson na intermediária, que abre para Lucas Silva, que se desloca por trás dos marcadores para receber na ponta direita. De primeira e para o centro da área, nosso volante —- escolhido o Homem do Jogo — cruza. Vini Paulista deixa a bola passar e Churín é derrubado quando tentava concluir a gol. Gabriel Silva também já fechava em direção ao gol. 

Lucas Silva cobrou muito bem. O Grêmio manteve 100% de aproveitamento em cobranças de pênalti —- o que é um fato a ser comemorado, especialmente depois daquela sequência de desperdícios no fim do ano passado. E leva uma vantagem importante para a final na Arena, sábado que vem, especialmente porque está diante de um adversário que precisa ser respeitado. 

Roger sabe o que faz. Sabe com quem pode contar. E quando pode contar com cada um deles. Em pouco tempo, fez-se entender pelo elenco —- como o próprio Lucas Silva disse ao fim da partida  —, montou um time que “marca alto e marca forte” e está prestes a levar o Grêmio ao pentacampeonato, o que, certamente, fará a torcida, cantar alto e cantar forte — menos aqueles que preferem desperdiçar suas energias falando mal do time pelo qual deveriam estar torcendo. Que se danem!

Avalanche Tricolor: Limonada vive!

Grêmio 2×0 Ypiranga

Gaúcho – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Campaz comemora gol olímpico. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Sou do tempo do Banha, massagista que fez história no Grêmio. Resolveu a situação de muito jogador com a musculatura desajustada. O fisico avantajado e a gordura que lhe renderam o apelido eram superados por uma habilidade e velocidade impressionante sempre que era chamado a intervir no gramado. Naquela época, massagista fazia parte da estratégia de jogo: conforme o placar e os interesses do técnico e do time, entrava com maior ou menor rapidez no gramado, assim como estendia ou buscava um atalho no tratamento de emergência,. Na foto clássica do título mundial, de 1983, lá estava perfilado, ao lado do time, o saudoso Banha.

Outros nomes entraram para a história do clube, sem que necessariamente tivessem tido a oportunidade de vestir a camisa do time. De presidentes inesquecíveis, como Hélio Dourado, a treinadores geniais, como Oswaldo Rolla, o Foguinho. Dos massagistas, além do Banha, a quem conheci pessoalmente, e fui cliente, havia o Limonada, que cheguei a usar os serviços quando ele estava iniciando carreira e eu era um eterno lesionado nas quadras de basquete.

Neste fim de semana, Limonada teve seu nome lembrado na Arena do Grêmio. Nome e sobrenome: Darli João da Silva. Foi após a assessoria de imprensa do clube anunciar que seria realizado um minuto de silêncio em homenagem ao funcionário tão querido que teria nos deixado, aos 83 anos. Nas emissoras de rádio, colegas jornalistas reproduziram a informação em tom de lamento; tristeza que durou pouco — ainda bem.

O Grêmio até já havia aberto o placar, com um gol olímpico de Campaz, e o intervalo não havia chegado quando o telefone tocou em um das redações de rádio do Rio Grande do Sul: “Limonada está vivo!”, teria dito o interlocutor que denunciou a “barrigada” gremista. Alertado por uma sobrinha, Dona Liberaci da Silva disse que “o Limão está vivinho aqui em casa. Ele está vivo e bem. Limpa a casa, faz de tudo”. 

Consta que o futebol do Grêmio, também. Graças a Deus!

Avalanche Tricolor: estranha vitória para chegar a um resultado costumeiro

Ypiranga 2×3 Grêmio

Gaúcho – Colosso da Lagoa, Erechim RS

Tiago Nunes em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Tudo muito estranho para mim, confesso. Até no uniforme. A camisa é a recém-lançada, que deveríamos ter usado pela primeira vez naquela competição que você-sabe-qual. Pelo que percebo, a atual é baseada em um modelo dos anos 20 —- a retrô está no memorial aqui de casa, ao lado da camisa autografada por Danrlei e Geromel. A combinação com o calção branco ficou estranha. Sem marca. Sem alma. O que não tem a menor importância, eu sei. Uniforme não ganha jogo. Nem perde.

Senti estranheza, também, na figura ao lado do campo. Vou precisar me acostumar. Foram quatro anos e meio acompanhando Renato, suas caras e roupas. Tiago Nunes tem outro estilo — até no jeito de se vestir. Ainda é estrangeiro no ambiente tricolor, mesmo que tenha se esforçado para revelar intimidade nas primeiras palavras como técnico do Grêmio. Nada que o tempo e os resultados não superem.

O que mais me preocupou foi a estranha marcação dentro da área a cada cobrança de escanteio. Todo mundo parecia deslocado, sem saber qual função exercer, enquanto os adversários desperdiçavam gols atrás de gols.

Ouvi os entendidos na televisão dizerem que Renato gostava da marcação individual e Tiago quer marcar por zona. Que zona foi aquilo?!?

Ver a estatística no intervalo da partida e descobrir que o adversário teve 60% de posse de bola também foi esquisito —- especialmente porque nos últimos anos assistimos ao Grêmio jogar com a bola de pé em pé, às vezes além do necessário. Espero que tenha sido apenas circunstância do momento e quando o time entender o que o técnico quer, volte a dominar o campo de jogo. Ou será que eu também vou ter de me acostumar com isso?

Nada mais estranho, porém, do que a partida em si, na qual fizemos um jogo mediano e conquistamos a vitória em cinco minutos, após um pênalti bem cobrado (mesmo que mal assinalado), uma patacoada do goleiro adversário (e a gente não tem nada a ver com isso) e um belo chute de Vanderson que colocou o Grêmio com uma ótima vantagem no primeiro tempo: 3 a 0. Tão boa vantagem que mesmo a sequência de erros no segundo tempo não nos tirou a liderança do Campeonato Gaúcho ao fim de mais uma etapa classificatória.

Aliás, se tem coisas que não me causaram estranheza na noite deste sábado, foi ver o Grêmio, tricampeão, chegar como líder ao mata-mata do Campeonato Gaúcho, e saber que, ao fim de 66 partidas disputadas, os finalistas da competição são as duplas Gre-Nal e Ca-Ju. Estranho é saber que insistimos nessas fórmulas desgastantes para alcançarmos praticamente os mesmos resultados.

Avalanche Tricolor: simplesmente sofisticado

 

Ypiranga 1×2 Grêmio
Gaúcho – Estádio Colosso da Lagoa/Erechim

 

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Lincoln comemora golaço, em foto de Diogo Zanaga/Gremio.net

 

O gol de Lincoln foi belíssimo. Há muito não se assistia a algo semelhante. O guri atrevido descobriu-se dentro da área, não bastasse todo o talento que tem demonstrado quando fora dela domina a bola, levanta a cabeça e coloca seus companheiros em condições de gol ou apavora seus marcadores com dribles rápidos e precisos.

 

A mando de Roger, Lincoln tem jogado mais próximo do gol e gols tem feito, como o que nos manteve na disputa da Libertadores no meio da semana, no minuto final da partida, e esse que nos ofereceu a liderança do Campeonato Gaúcho, ainda no primeiro tempo.

 

Dessa vez, o guri caprichou. Pelo alto, girando e de calcanhar colocou a bola longe do alcance do goleiro. Primeiro disseram que era de letra, depois chamaram o lance de chaleira, quiseram até compará-lo a Ibrahimovic, enquanto todos nós comemorávamos como sendo genial.

 

Foi preciso, porém, o guri deixar o gramado no intervalo de jogo para entendermos bem o que significava aquele gol para ele: uma ordem cumprida; função exercida a pedido do “professor”; aproveitar alguma bola que sobre por ali; nada de mais, até porque, disse com a mesma simplicidade com que dribla seus adversários, já marcou outros de calcanhar.

 

Visto o lance a partir da descrição de seu protagonista, confesso, tudo pareceu mesmo muito simples, sem ostentação, nada de excepcional, apenas o recurso que a jogada exigia pela maneira como a bola chegou nele e pela forma como ele chegou na bola.

 

Se com os pés, Lincoln fez os narradores lembrarem-se de craques do futebol, suas palavras me remeteram a um gênio da humanidade. Leonardo da Vinci já ensinou que “a simplicidade é o último grau da sofisticação”.

 

Lincoln foi simplesmente sofisticado.

Avalanche Tricolor: a efemeridade dos fatos e das vitórias

 

Ypiranga 0 x 1 Grêmio
Campeonato Gaúcho – Colosso da Lagoa/Erechim

 

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Está tarde para escrever esta Avalanche. Quando digo tarde, não se deve ao fato de o jogo ter terminado quase meia-noite. É tarde, porque não escrevi após a partida como costumo fazer. Sequer tive tempo de fazê-la pela manhã após o programa que apresento na rádio CBN. A tarde veio com mais uma sequência de compromissos. E a noite chegou. E somente agora há pouco consegui parar para pensar melhor sobre o que aconteceu ontem, na cidade de Erechim. Assim que começava a escrever, surge um alerta na tela do meu celular com o aviso de que o Guia da Partida já estava à disposição no aplicativo oficial do Grêmio. O guia se refere ao próximo compromisso do tricolor, no sábado, às seis e meia da tarde, contra o Cruzeiro, na Arena. O jogo de ontem já é passado. Por isso é tarde para escrever esta Avalanche que sempre se dedica a falar sobre o desempenho gremista.

 

É curiosa esta sensação: nossas vitórias são efêmeras diante da velocidade dos fatos. Um jogo termina, mal se comemora a conquista e no dia seguinte temos de começar a pensar no próximo jogo. Não há tempo a perder. Se demorar muito, já era. É assim no futebol, é assim na vida. Estamos sempre correndo para superar o desafio seguinte. Se perder hoje, a vitória de ontem é esquecida. Se não alcançar sua meta de agora, os resultados do passado provavelmente não serão suficientes para sustentar seu status. É do jogo, é da vida.

 

No futebol – afinal este é o nosso foco – as vitórias apenas têm significado se nos levarem ao título, esta sim uma conquista que fica na história. E é isto que estamos construindo jogo a jogo neste Campeonato Gaúcho. Apesar dos reveses nas primeiras rodadas e dos tropeços preocupantes na Arena, tem sido evidente a melhora de desempenho. De ontem, apesar de ser passado, ficou a impressão de que as peças começaram a se encaixar; no mínimo, os passes começaram a entrar. O gol de Giuliano, resultado de uma enfiada de bola precisa de Luan, no meio da defesa adversária, deixou isso muito claro. Esse foi apenas um dos bons lances construídos pelo time que ainda ganhou um novo atacante, Braian Rodrigues, algo que vinha nos fazendo falta. O cabeceio no primeiro cruzamento pelo alto na área foi o cartão de visita dele. E ainda tem Cristian Rodríguez e Maicon credenciados, pela burocracia e pelo futebol, a aturem entre os titulares.

 

É tarde para escrever sobre o jogo de ontem. Nem tive tempo para lembrar que jogamos com um a menos boa parte do segundo tempo e fomos fortes para resistir a pressão. Muita coisa já aconteceu. Felipão pegou suspensão e não estará na estreia da Copa do Brasil. Nossos cartolas já chiaram contra o juiz, também, e depois recuaram. Quem não jogou, já treinou. Não dá mesmo para parar: é hora de se concentrar para o próximo jogo e mostrar que o que vimos ontem foi apenas mais um passo para um futuro vitorioso.

Avalanche Tricolor: Mais dois trófeus

 

Grêmio 4 x 0 Ypiranga
Gaúcho – Olímpico Monumental

 

 

Foi uma semana de muitas emoções para este coração tricolor e, curiosamente, estas foram provocadas mais pelo que ocorreu fora do que dentro de campo. Não que os resultados destes últimos dias tenha desagradado. Bem pelo contrário. Foram duas vitórias importantes, sete gols marcados e nenhum tomado que nos deixaram um passo mais próximos de nossas conquistas. Seja na Copa do Brasil seja no Campeonato Gaúcho, faltam apenas três adversários para serem batidos até o título final. Uma sequência incrível de decisões em mata-mata que promete testar nossos nervosos e capacidade até somarmos mais dois troféus para nossa galeria. E pelo jogo de hoje, quando os jogadores de trás se sobressaíram, aparecendo de forma positiva no ataque, é para acreditar na nossa força, sem esconder as carências que ainda são evidentes. Mas não estou aqui para falar sobre estas, aproveitando apenas a frase para deixar meu desejo de que sejam resolvidas no vestiário e nos treinos da semana.

 

Quero mesmo é dedicar esta Avalanche à alegria que senti ao receber um presente e tanto. Dois troféus – como fiz questão de apresentar a todos os amigos. Alguns estavam perto de mim e logo perceberam meu sorriso quando fui agraciado com a caixa contendo duas camisetas comemorativas do Grêmio que marcam os 58 anos de trajetória no Olímpico Monumental, este estádio do qual estaremos nos despedindo no fim do ano e no qual vivi alguns dos momentos mais intensos da minha vida de torcedor, jogador, filho e cidadão. Um dia ainda terei tempo para descrever o quanto amadureci respirando o ar tomado pelo cheiro de cimento das arquibancadas do Olímpico, de terra dos seus campos suplementares e de umidade no seu ginásio de basquete. Hoje quero dividir com você a satisfação de vestir a atual camisa tricolor, desenhada pela Topper a partir do modelo usado por Tesourinha, Airton Pavilhão e equipe na inauguração do Olímpico, oportunidade em que vencemos o Nacional do Uruguai com dois gols do atacante Vitor. Aliás, a outra camisa que ganhei é a réplica daquela que ainda tinha no peito o escudo gremista com a palavra Foot-Ball em destaque, que não deixava dúvida da nossa missão: jogar futebol de verdade (a propósito, foi o que fizemos na tarde deste domingo, não é mesmo?)

 

As duas camisetas já têm lugar reservado no Memorial do Imortal, espaço que mantenho em minha casa com ítens que se transformam em pedaços da história gremista.

Avalanche Tricolor: Uma noite pouco e bem dormida

 

Ypiranga 1 x 2 Grêmio
Gaúcho – Erechim (RS)

 

 

Dormir à meia noite, acordar às 4 da manhã e ter um dia inteiro de trabalho pela frente é tarefa árdua, exige sacrifício incomum e causa especial. Feita a escolha de encarar o desafio que ao menos sejamos premiados. E foi assim que me senti ao ver a bola raspar na cabeça de Douglas Grolli (confesso que só identifiquei que era a dele na repetição do lance) e parar no fundo do poço, como diria meu pai em memoráveis narrações futebolísticas. Aquele gol, aos 48 minutos do segundo tempo, foi redentor. Já estava me lamentando por mais uma noite perdida diante da televisão a espera de um jogo mais bem qualificado. Praguejava contra as bolas mal passadas, os chutes sem direção, as defesas do goleiro inimigo e as escapadas dos atacantes adversários. Temia pelas reações dos torcedores e a falta de convicção dos diretores se o resultado não fosse positivo, pois nesta altura do campeonato – aqui não apenas como figura de linguagem – é preciso paciência para não se abortar um trabalho que pode dar resultado mais à frente. Se havia certeza na escolha do técnico Caio Junior, comissão técnica e elenco, recentemente, é de se esperar que algumas semanas apenas não sejam suficientes para uma revisão, apesar do desempenho frágil até aqui. Sem contar que mudanças agora, além de precipitadas, poderiam ser desastrosas dadas as opções que temos à disposição no mercado. Os sentimentos mudaram ao fim da noite com aquele gol de cabeça. Justiça seja feita, Marcelo Moreno ajudou e muito com o gol de empate, não apenas porque nos abriu a possibilidade da virada, mas por ter mostrado, novamente, que não está na área para brincadeiras. A bola sequer era dele, mas o que importa? Atacante é para fazer gol, sem depender de apelidos e imagens forjadas nas páginas de jornal. Moreno fez o dele. Douglas, também. E o Imortal, está de volta. Minha noite pouco e bem dormida, agradece.

Avalanche Tricolor: Gol de craque e craque no gol

Ypiranga 1 (2) x (4) 1 Grêmio

Gaúcho – Colosso da Lagoa, Erechim

Esta foto é em homenagem a qualidade da imagem na transmissão do PPV

O gol de um craque e um craque no gol fizeram do Grêmio semifinalista do segundo turno do Campeonato Gaúcho. O chute de Douglas no primeiro tempo e a defesa de Vítor nos pênaltis ratificaram o talento de dois jogadores fundamentais para o time que tem suas pretensões vivas em todas as competições que disputou até aqui na temporada.

Importante ressaltar isto, em momento de questionamentos. O mau resultado do meio da semana e as incertezas que foram impostas à capacidade deste grupo poderiam ter um efeito devastador neste domingo.

Este Grêmio, porém, já encarou bem a pré-Libertadores, passou à etapa de mata-mata da competição sul-americana e venceu o primeiro turno do Campeonato Gaúcho, fato que nos garante presença na final haja o que houver nas próximas duas rodadas.

E, mesmo que não fosse necessário para quem também quer ser campeão estadual, passar por mais um decisão com vitória neste segundo turno era essencial. A impressão que se tem é que o time está sempre precisando provar alguma coisa para a crítica e para sua própria torcida.

Agora me pergunto: quando não foi assim ? Nossa história foi forjada nestes momentos. E enfrentá-los com coragem é obrigação que está acima da própria vitória. Quando as duas aparecem temos é que valorizar e comemorar.

N.B: Agradeço à NET pelo jogo mal transmitido. O PPV se transformou em PP NO-V, pois o sinal só foi levado ao ar com qualidade pouco antes dos 40 minutos do segundo tempo. Antes disso fui obrigado a ver uma “luta livre” e imagens quadriculadas de um susposto jogo de futebol. Uma vergonha.