De Anjos e Confortos

Maria Lucia Solla é professora, terapeuta e autora do livro “De bem com a vida mesmo que doa”, lançado pela editora Libratrês. Aos domingos, estará neste blog com textos sobre o cotidiano:

Olá,

Você já percebeu que estamos cercados de anjos de carne e osso, e que em vez de prestarmos atenção neles, e no que dizem, ficamos escarafunchando os céus e procurando dentro de igrejas?
Santa ingenuidade!
Os anjos de outras dimensões vivem recebendo pedidos, de nós humanos, por uma vida melhor para nos sentirmos felizes, e para que nos protejam do mal.
Vamos pensar juntos. Em primeiro lugar, alguém fora de nós, mesmo tão poderoso quanto um anjo, não poderia saber o que cada um considera uma vida melhor e do que exatamente precisa para se sentir feliz; até porque vivemos mudando de opinião. Vida melhor é um conceito diferente para cada indivíduo e muda ao sabor da época e circunstância. No entanto, nosso pedido vai sem especificação. Queremos uma vida melhor, e pronto. Como se pudesse chegar por Sedex, num lindo pacote.
Ora, estamos cansados de saber que se não avaliamos muito bem cada passo, acabamos no buraco.
E falando em buraco, pensei na minha cidade, que justiça seja feita, não é só feita de buracos. A Operação Cidade Limpa, aqui em São Paulo, por exemplo, me deixa feliz, e portanto melhora minha qualidade de vida. Poluição visual me faz muito mal. No entanto, tenho um amigo que adorava os gigantescos outdoors da Marginal Pinheiros e sente falta deles.
Pobres dos anjos, debatendo-se para satisfazer o desejo dele e o meu. Precisam sair lá da Cidade dos Anjos – onde não deve ter poluição visual e nem buracos, e onde há paz – e se digladiarem por nós. Não é justo levarmos anjos, seres divinos e pacíficos, a se digladiarem. Uns tentando arrancar os outdoors e outros tentando mantê-los bem firmes, nos seus gigantescos e horrendos suportes metálicos.
Mas, conversando com um anjo-homem, domingo pela manhã, ouvi dele que se queremos sucesso, em qualquer área de nossas vidas, precisamos sair da zona de conforto. Incrível. Nem ele percebeu o impacto da frase, em mim. Não foram necessárias orações, nem velas de sete dias. Simplesmente, numa fração de segundo, ele me deu de presente um mapa para uma vida melhor. Deu uma sacudida na minha consciência, que tirava um bom cochilo, e sorriu. Fez-me lembrar que só eu tenho a varinha de condão e que sou arquiteta e decoradora da minha própria vida. A cada passo, decido o caminho. Faço escolhas e me dou conta de que cada uma delas implica em abrir mão de outra direção. Sou assessorada por anjos incríveis que me cercam e que eu mesma atraio para a minha vida.
Quanto aos anjos nos protegerem do mal, tenho cá as minhas dúvidas. Não que eu abra mão de uma oração, de um papo direto com o Criador, seja ele quem for, como for, que formato tenha. Mas a cada oração, tento manter presente uma certeza. A de que estou aqui com a missão de ser feliz, e de que a responsabilidade é minha e de mais ninguém.
Minha zona de conforto andava espaçosa demais, mas já estou dando um jeito nisso.
Pense nisso, e até a semana que vem.

2 comentários sobre “De Anjos e Confortos

  1. Pingback: Maria Lucia Solla fez a passagem | Mílton Jung

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s