Gabriel Kwak: O Trevo e a Vassoura

O jovem Gabriel Kwak pensava no seu trabalho de conclusão de curso quando decidiu relatar a história de dois ícones da política brasileira e, em especial, paulista: Jânio Quadros e Adhemar de Barros.

Entrevistou mais de 100 pessoas. Conversou com políticos e jornalistas, pesquisou até onde seu esforço permitiu e do trabalho bem acabado surgiu o livro “O Trevo e a Vassoura”, lançado pela editora “A Girafa”.

O conheci autografando na Praça Benedito Calixto no projeto “Autor na Praça”. Quem o vê ainda com cara nova tem dúvidas sobre o que teria lhe interessado tanto na história desta turma do passado.

Reproduzo aqui trecho do livro, um tira-gosto para que você entenda, desde já, os bons motivos que levaraqm Kwak a esta experiência:

“Jânio Quadros queria que Carlos Lacerda, o homem que havia precipitado o seu gesto ingênuo de renúncia, escrevesse um manifesto de homens públicos com direitos politicos cassados. O espevitado ex-presidente fez essa proposta ao veterano jornalista Luiz Ernesto Kawall, muito ligado a Lacerda, na missa de sétimo dia do empressário Ciccilo Matarazzo.

Dias depois, Luiz Ernesto esteve com Lacerda no Rio de Janeiro, na editora Nova Fronteira, de propriedade do ex-governador da Guanabara, e tocou no assunto. O Corvo cortou:

– Esse é um traidor da patria. Eu nunca mais quero falar com esse f.d.p !

Oito dias depois, Carlos Lacerda faleceu na Clínica São Vicente. Jânio, então, declarou à Folha de S. Paulo que o falecido tinha sido “o culpado da sua renúncia”. Luiz Ernesto contra-atacou, plantando na coluna “Painel” do mesmo jornal as declarações sobre Jânio que ouvira de Lacerda, dias antes.

Dias depois, Luiz Ernesto foi a um vernissage de Paulo de Tarso Santos em A Galeria, na Rua Haddock Lobo, nos Jardins, São Paulo. Lá encontrou Jânio QUadros, em companhia de Fernando Mauro Pires da Rocha e Roberto Cardoso Alves. Quando viu o jornalsita, o ex-presidente teria pedido o fair play e saído em disparada em sua direção. Fora de si, chamou Luiz Ernesto às falas:

– Foi você que me chamou de traidor da “Folha”?
– Eu não. Foi o Lacerda.

Sacudindo um copo na direção de Luiz Ernesto, Jânio ameaçou:

– Mentira ! Vou esmagá-lo !

Luiz Ernesto não se intimidou e ainda arremedou o estilo do homem da vassoura:

– Esmaga-lo-ei primeiro, presidente !

Se não fosse a entrada em cena da “turma-do-deixa-disso” , a noite acabaria em prejuízo para um dos dois galos de briga. Abreu Sodré, no entanto, queria que o episódio, verdadeira cena de opera-bufa, tivesse outro desfecho. O ex-governador disse a Luiz Ernesto:

– Você deveria ter dado um tapa nesse canalha.

Um comentário sobre “Gabriel Kwak: O Trevo e a Vassoura

  1. Tenho profunda admiração pelo jovem Gabriel Kuak, formado em jornalismo pela Cásper Líbero, mas não posso concordar com fatos que não são verdadeiros ( a fonte deve ser secundária). Tal “estória” JAMAIS aconteceu (ponto) Isso é folclore!(ponto final e não há parágrafo) Jânio Quadros SEMPRE responsabilizou Carlos Lacerda pela sua renúncia e jamais plantou em qualquer órgão de imprensa histórias inverídicas de quem quer que seja. Abreu Sodré jamais diria tais palavras ao senhor em questão. MENTIRA. Eu estava presente na tal Galeria e não houve qualquer tipo de incidente entre Jânio e outras pessoas. E o medo? E a linguagem não é de Jânio Quadros. Só falta dizer que Jânio atravessou a mar Egeu a nado! Os lobos sairam do covil e vieram para a planície atacar a imagem de Jânio Quadros. Oras, isso é plantar notícia.

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