Patrimônio histórico: o que está em jogo ?

?

A decisão do Conselho Municipal de Preservação ao Patrimônio Histórico de São Paulo de permitir a construção de prédios de apenas 25 metros de altura na vizinhança do Parque da Aclimação, na zona norte, tirou R$ 50 milhões do bolso de apenas uma das empresas que atuam no mercado imobiliário. Duas torres de 23 andares deixarão de ser construídas e o dinheiro investido no terreno vai parar na coluna do prejuízo no balanço anual.

Os prédios de apenas 10 andares que poderiam ser levantados já não lhes interessam mais.

No bairro do Ipiranga, onde as restrições garantiram a manutenção de 12 edifícios de valor histórico que fazem parte da herança do conde José Vicente de Azevedo, vizinhos ao museu e ao parque da Independência, algumas empreendedoras de imóveis vão deixar de faturar bem mais. Não é diferente na Móoca, outro local atingido pelas regras impostas pelo Conpresp.

As empresas, na maioria dos casos, compraram terrenos prevendo levantar espigões ao lado dessas áreas, vendendo aos seus clientes a vista para o parque, sem devolver nada para o próprio ou para a cidade Segundo conselheiros que incentivaram a restrição não só não pagam como ainda darão prejuízos com impacto no meio ambiente.

Pelo dinheiro que deixarão de faturar e o prejuízo que vão amargar as empresas do ramo imobiliário, dá para compreender o esforço dos vereadores em criticar o Conpresp e o desrespeito ao acordo que havia sido fechado com todos os líderes dos partidos. Eles haviam acertado prazo de 60 dias para que uma comissão de estudos avaliasse mudanças para “dar mais transparência” as decisões do conselho. Em dez minutos, apresentaram emenda e a aprovaram.

Vereadores recebem das imobiliárias

De acordo com o jornal Folha de São Paulo (http://www.folha.uol.com.br) empresas ligadas ao setor imobiliário fizeram doações de campanha eleitoral a 23 dos 55 vereadores paulistanos – ou seja, 43,64%.

A campanha do vereador Toninho Paiva (PMDB), por exemplo, custou R$ 243 mil, conforme números declarados ao TRE, dos quais R$ 89,4 mil saíram do caixa do grupo Savoy, que mantém imobiliária e construtora.

A propósito: Toninho Paiva é o representante da Câmara dos Vereadores no Conpresp.

Teve quem arrecadou mais, batendo na porta das imobiliárias e construtoras: Claudete Alves (PT) pegou R$ 115 mil, enquanto José Américo (PT) levou R$ 100 mil, mesmo valor que o colega de plenário Antonio Goulart (PMDB). Por coincidência todos votaram a favor das mudanças que enfraquecem o conselho de defesa do patrimônio histórico.

Que fique claro: o dinheiro entrou de maneira legal, está registrado no TRE e toda pessoa jurídica tem o direito de dar para o candidato que bem entender. O que se discute é se vereadores que dependem do dinheiro das imobiliárias para manterem suas campanhas tem independência para agir no parlamento.

Em editorial, nesse sábado, o jornal O Estado de São Paulo ( http://www.estado.com.br )lembrou que “o interesse a ser preservado é o da cidade de São Paulo e não o de um único setor econômico, por mais importante que seja”.

2 comentários sobre “Patrimônio histórico: o que está em jogo ?

Deixe um comentário