Negros, um salto para a humanidade; Gays: um passo atrás


Por Carlos Magno Gibrail

Referendo conjunto com as eleições que coloca Obama no poder, tira avanço alcançado meses antes na Suprema Corte da Califórnia. O casamento gay recebe voto contrário no plebiscito americano na Califórnia, na Flórida e no Arizona. Em Arkansas, a maioria contrária vai além atingindo a adoção de crianças por casais de gays.

Em tudo isso o que mais chama atenção é que a maior parte dos negros votou junto com os mórmons e os católicos. E, provavelmente, com a Ku Klux Khan também.

Os líderes dos grupos de defesa dos direitos dos homossexuais tributam o resultado dos referendos à comunidade afro-americana, quando 70% votaram contra os gays. Sinal que o preconceito, vilão indeletável das sociedades, permeia não só as maiorias como também as minorias, vítimas primeiras.

Ou será que o vigilante da Casas Bahia era de classe social e racial diferente do jovem assassinado? Emblematicamente este caso retrata a incompreensível rejeição da minoria pela minoria.

A ONG Gay Lawyers estima em 16 milhões o número de homossexuais no Brasil, quase 10% da população. Sonia Azambuja, analista didata da Sociedade Brasileira de Psicanálise e membro da IPA International Psychoanalysis Association, infere que a grande injustiça aos gays é que se impõe uma carga extraordinária de medo para que assumam a homossexualidade, tal a rejeição que terão que enfrentar diante da sociedade preconceituosa que vivemos.

“Cotado para assumir o posto de capital mundial do turismo gay e com fama de liberal, o Rio está longe de se livrar do preconceito e da violência. Uma pesquisa feita em parceria pela Uerj, Universidade Candido Mendes e Grupo Arco-Íris, mostra que 56% já foram ameaçados de agressão ou morte por sua condição sexual e 16% foram efetivamente agredidos por esse motivo. O trabalho também revelou que mais de 90% dessas pessoas nem chegaram a registrar queixa em delegacia”, comenta Michel Alecrim.

Karen Schwach, da SOS Dignidade, diz que a maior prova da ira da sociedade aos gays é o caso mais explícito de bissexualismo estampado pelos travestis. Por exibirem a escolha, não têm espaço na sociedade organizada, restando como opção de trabalho a prostituição e afins.

Azambuja lembra ainda que a origem do comportamento gay longe de ser uma doença é constitucional – cromossômico – ou edípico. Portanto, nada a ver com processos de cura. Em todos os casos de pacientes homossexuais que tem atendido, não há nenhuma intenção de “cura” e sim de enfrentamento com os fantasmas naturais de mentes humanas e com um problema efetivo que é o narcisismo.

Nos últimos dois anos, em algumas regiões, ganharam o direito de adotar crianças, de deixar pensão para os companheiros e até de desfilar pelas ruas, sem esconder sua opção. Em Mato Grosso, Sergipe, Rio e Distrito Federal e em 76 municípios é crime discriminar gays e lésbicas.

O INSS também deu uma demonstração de liberalidade ao regularizar a concessão de pensões a viúvos de homossexuais.

O projeto de lei federal Marta Suplicy, que legaliza a união civil entre homossexuais e condena a homofobia, está parado no Congresso desde 1998.

Ainda assim, o potencial do mercado animou empresários paulistas a criarem a primeira Associação Comercial GLS do Brasil. São Paulo tem cerca de 90 estabelecimentos simpáticos aos gays.

No dia 10 de dezembro ,os gays dos EUA estarão repetindo o que os imigrantes já fizeram. Realizarão, simultaneamente a escolha do Nobel da Paz, e do International Human Rights Day da ONU, o Dia Sem Gay.

Se você quiser apoiar, basta não ter preconceito e clicar em www.daywithoutagay.org.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, escreve toda quarta-feira aqui no blog e já registrou o apoio dele no site do Day With Out Gay.

20 comentários sobre “Negros, um salto para a humanidade; Gays: um passo atrás

  1. Bom dia, Carlos!
    Preconceito ainda é uma palavra chata e difícil de digerir, mas infelizmente existe. Nós que temos amigos queridos que são g***, sabemos bem como é duro para eles poderem assumir. O medo, a vergonha da família, conflitos pelos quais passam até se assumir de fato sua condição, são já demasiadamente constrangedores. Não precisa que a sociedade ainda os jogue mais para o fundo do poço. Vamos dar nosso apoio a eles, afinal, respeitar o próximo é parte de uma sociedade que se diz civilizada.
    Grande abraço
    Sandra Tenório

  2. Sandra, na entrevista que fiz com a psicanalista Sonia Azambuja ,um dos pontos nevrálgicos da questão é que ao se dar conta da diferença ,o individuo fica com medo de assumir a condição de g**, exatamente pela questão do preconceito que terá que enfrentar.
    O curioso é que aí entra a questão do “armário”, lamentável mais uma vez.
    Em todo caso em linhas gerais temos tido evolução, salvo esta situação criada na eleição norte-americana, onde aflorou o preconceito de outra minoria.
    Em nossa área de moda , como o g** já é bem vindo, nota-se um outro fenômeno, inverso, isto é, o estilista hetero ou o gerente de loja feminina hetero sente o preconceito invertido.
    Haja preconceito.
    Grande abraço

  3. Conheço pessoas heterosexuais que, depois do anvançar da idade, passaram a pensar melhor sobre seus preconceitos com os g***, apoiando-os e repudiando qualquer manisfestação do contrário. O por que disso é que, essas pessoas tem mais de 40 anos, principalmente homens, que não se casaram por opção ou por condição e, recebem direta ou indiretamente, preconceito por isso. Ou seja, ainda se pensa que, o sujeito que não se casou , pode ser um homossexual, alguns até apostam na certeza disso; até em uma entrevista de emprego, é questionado se é g**, pelo fato de não ser casado e não ter filhos. Isso nos leva a crer que, o preconceito é uma coisa tão terrível imbutida na alma do ser humano, a ponto de as pessoas na falta dele, procurar algo que julgam diferente no seu ponto de vista em pssoas ou grupos, para não perder o sentimento de ser mais normal que os outros.

  4. Os indivíduos, em massa, são imbecis. Misturados na massa, escondidos em certo anonimato, exibem seus preconceitos com as minorias, chegando até a agressões físicas – quando não, à homicídios. Vemos essa imbecilidade até no futebol. No estádio, torcedores se estapeiam porque torcem por times diferentes. Quanta imbecilidade. Por outro lado, na individualidade, todos temos amigos (e bons amigos) que torcem para outros times que não os nossos… e obviamente não saimos com socos e ponta-pés contra eles.

  5. Para o comentário 4.
    No mundo acadêmico temos o similar que é o juízo de valor. A metodologia científica chama a atenção para a sua existência quando se executa um trabalho de tese. O autor tem que se esforçar para reduzi-lo, embora dificilmente conseguirá eliminá-lo totalmente.
    Este ponto de vista pessoal pode se tornar preconceito no mundo real.
    É um elemento presente que as pessoas de bom senso tem que administrar.

  6. Armando, a solução é lutarmos a favor da aceitação sem preconceito.
    As escolas são um bom lugar para resultados futuros favoráveis. Acontece que é exatamente onde encontramos focos de enormes problemas, como vimos anteriormente.
    Abraço

    Carlos Magno

  7. Carlos Magno, adorei como você pode escrever de uma maneira tão fluente e democrática sobre uma das questões mais candentes da civilização: que é como podemos filtrar da nossa natureza pulsional processos criativos e transformações enriquecedoras. O preconceito surge quando esta possibilidade está bloqueada e a ética é confundidade com o normativo. Parabéns!

  8. Sonia Azambuja,em primeiro lugar o agradecimento pela entrevista que me concedeu, extensa e intensa,e agora pela presença nos comentários.
    Aproveito para informar ao ouvintes internautas que estamos tendo a opinião de uma das maiores autoridades da psicanálise em nosso país, tanto pela vivência empírica quanto teórica.

    Grande abraço

  9. Fico contente em ver que as travestis foram incluídas no texto. Por trabalhar com elas, percebo que muito pouco compreendemos sobre tais indivíduos e assim os esquecemos. Já passou da hora de considerarmos que todos as pessoas são merecedoras de dignidade, sejam elas homens, mulheres ou andrógenos. É muito triste ver o quão distante da sociedade estão as travestis. Figuras muito interessantes, na minha opinião. Infelizmente as pessoas, em geral, se sentem constrangidas e amedrontadas ante uma presença capaz de provocar questionamentos e valorações individuais relacionadas a sexualidade. Intrigante esse medo, penso eu! Agradeço, mais uma vez, a inclusão das travestis. Também penso que os preconceitos de hoje não são mais os de antigamente e se nos negarmos a entender o redirecionamento deste sentimento, estaremos sendo tão ignorantes quanto àqueles do passado que julgamos preconceituosos.

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