Por Carlos Magno Gibrail
Ary Barroso, flamenguista declarado; Nelson Rodrigues, fluminense extremista; talvez bastassem através da genialidade reconhecida em suas artes, para servir de paradigma às futuras gerações, ao apresentarem suas paixões quando no exercício do jornalismo esportivo.
Salvo exceções, como Juca Kfouri e Victor Birner, a grande maioria esconde suas preferências.
Nas outras esferas a situação é ainda mais distante, pois ninguém se apresenta. Política, negócios, artes, culinária todos que certamente escolheram as áreas de atuação por admirá-las, escondem juízos de valores e opções pessoais.
Quando não, exageram, ao decidirem explicitar posição em cima de um mesmo tema, como Diogo Mainardi que viveu longo tempo só atacando Lula, a ponto de escrever um livro chamando-o de anta. Desprezando princípio da comunicação que adverte a possível reversão do resultado, como também a lição do mestre Carlos Lacerda neste tipo de jornalismo, que é preciso carisma e linguagem agressiva de alto nível. Tanto que os dois principais algozes deste declinaram da vida (Vargas) e do cargo (Jânio), enquanto o daquele bate recorde de popularidade (Lula).
“A verdade é raramente pura e jamais simples” Oscar Wilde.
Marcos Nobre, sociólogo e filósofo, lembra que o formato notícia fica por conta da modernidade eletrônica, via internet e blogs. O jornal moderno, ou se aplica na pluralidade da informação através da variedade das seções de análise e de opinião, ou organiza as informações diferenciadamente apresentando posições. “Também por isso a ideologia da neutralidade da notícia já não convence mais. Qualquer que seja o formato a informação só faz sentido hoje se explicitar sua tomada de posição”.
Grande parte da imprensa esportiva viveu anos informando que os europeus não davam importância ao campeonato mundial de clubes.
Ronaldinho Gaúcho e Cia. aos prantos desmascararam esta informação, plantada, evidentemente, por jornalistas torcedores de clubes que nunca chegaram até Tóquio.
Há dias, Manchester United ganhou o título e seus jogadores enlouqueceram na comemoração, embora alguns tivessem informado que sua torcida estava contra sua ida ao Japão.
Na política, o jornalismo não identificado de direita, sempre cobrou a independência do Banco Central. Agora estão perguntando quem manda no país, o Lula ou o Meirelles?
Ao mesmo tom que perseguiam o objetivo do grau de investimento, que ao chegar foi minimizado.
A força das expectativas como uma das verdades da economia ao ser aplicada é criticada pelo mesmo jornalismo que antes a reclamava.
Não tenho dúvida quanto à necessidade do posicionamento do jornalista, a questão é a escolha. Enviar um fã da Madonna para cobrir o seu show? Ou outro que não a admire? Pedir para aficcionado da cozinha francesa fazer reportagem da cozinha brasileira? Colocar um jornalista keynesiano para entrevistar um economista liberal? Enviar a Dubai um são paulino para cobrir a vitória do SPFC? Ou a Soninha para tentar secar?
Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e toda semana está aqui no blog. Para presidente, votou em branco na última eleição. Em São Paulo, escolheu Soninha no primeiro turno e “branqueou” no segundo. No passado, votou em Jânio, no Lula, no Mercadante, no Suplicy, entre outras escolhas. O SPFC é o time eleito.
Jornalismo imparcial jamais existiu, por mais que a busca pela objetividade seja uma das metas. O importante é que se tenha um trabalho honesto no qual se seja capaz de mostrar ao cidadão as diferentes visões da sociedade sobre o mesmo tema, mesmo que se tenha uma determinada tendência.
Carlos Soares
Concordo totalmente com o seu comentário.
O problema é que mutas vezes , mesmo parcial, não há explliicitação da tendencia e ainda o material é incompleto.
Ontem , por exemplo, a Folha que tem dado cobertura excepcional ao tema que abordei semana passada sobre os indices, apresentou matéria sobre o PIB e FIB bastante incompleta, embora ocupando pagina inteira.
Obrigado pela participação e feliz 2009
Carlos Magno Gibrail
Quando fazia cobertura política, a jornalista Delis Ortis usava deste espediente. Nos escândalos envolvendo políticos de vários partidos, citava seus nomes sem citar seus partidos, a não ser quando era alguem do PT, era dito com ênfase. Não sou petista nem de outro partido, mas, isso me irritava, pois, ja que os votos pertecem aos partidos, temos que saber a que partido pertence todos os políticos envolvidos em escandalos ou não.
Beto
Beto é isso aí,
Só vejo vantagem em explicitar, inclusive dentro deste contexto de opinião,me sinto á vontade para usar o Sardengerg como exemplo.
Quando fala de futebol, que não é a sua área, se identifica como torcedor do SPFC. Bom para o ouvinte.Se do SPFC, fica feliz, se fanático por outro clube, leva em consideração na medida de sua paixão.
Quando fala do Lula, é sempre contra. Mesmo quando anuncia medidas cobradas anteriormente.
É pura paixão na politica e na economia. Mas não para por aí, Nerval, Miriam e cia. também são do mesmo time.
Enfim, a CBN está melhor resolvida no futebol e em outras áreasl, pois consegue ter várias correntes.
A relação com empresas ás vezes fica cômica , quando se quer encobrir nome de patrocinador. A ginástica para tal facilita a identificação.
Agradeço a sua participação e lhe desejo um super 2009.
Mas concordo com o Mainardi. Ele parece estar sozinho nas denúncias de corrupção de Lula e sua gangue da cueca. E se a reversão de resultado acontecer também nesse caso, isso demonstrará que o título do livro deveria ser extendido ao eleitor do próprio…
Paulo Tavares,
A questão é de resultado. Acompanhei a trajetória de Lacerda, assisti discursos,comicios, como também de Jânio e cia.
De Getulio pouco ,pois ainda era criança, entretanto vivenciei a ultima eleição dele.
O caso do Brigadeiro, a questão dos votos dos marmiteiros, Hugo Borghi, enfim , corrupção e competencia já existiam e era tanta quanto ou até maior.
O que procuro levantar é que para este tipo de jornalismo é preciso muita competencia , é necessário aglutinar forças opostas poderosas, etc
Sabemos que para a História o filtro da distancia do fato é o melhor.
Aguardemos o futuro.
Hoje, na minha opinião, tanto Getulio como Lacerda foram grandes brasileiros.Com falhas e acertos, embora não aprecie ditadores, mesmo com qualidades. Sou frontalmente contra reeleição. Haja vista o percentual de prefeitos reeleitos.
Para mim foi o pecado mortal do FHC. Tão grande que o destino cobrou de imediato.
Muito obrigado pela sua colaboração. Volte sempre e tenha um feliz 2009
Olá Carlos!
Realmente é difícil ser imparcial em situações que gritam aos nossos olhos. Nada tem tanto valor quando não podemos ou não conseguimos ter. É a velha questão de desdenhar quando se quer comprar. Vale para tudo, mas no esporte algumas posturas de jornalistas chegam à antipatia, como insinuar enterros de times e outras coisas mais. Este assunto fica para o nosso café, em breve!
Um grande abraço
Ótimo ano pra você.
Sandra