Conte Sua História de SP: A enchente

Enchente em São Paulo

Foi na temporada das chuvas que o ouvinte-internauta Cláudio Vieira desembarcou em São Paulo e não precisou mais de uma semana para constatar boa parte daquilo que seus conterrâneos o alertavam sobre os riscos na grande cidade. Alagado, com muito esforço, otimista, ele encarou a capital paulista e se apaixou como é possível descobrir no texto enviado ao Conte Sua História de São Paulo:

Ouça o texto “Enchente” de Cláudio Vieira

Conte mais um capítulo da cidade de São Paulo enviando texto ou arquivo em áudio para contesuahistoria@cbn.com.br.

Veja outras fotos de Marcos Paulo Dias no álbum de imagens do Flickr

Uma nova família no transporte de passageiros (2a Parte)

Por Adamo Bazani

Leia a primeira parte deste texto clicando aqui

Depois de largar as empresas de ônibus nas quais trabalhou, José Pereira se dedicou exclusivamente ao transporte de cargas e jamais imaginara retornar aos ônibus  mudando a tradição da família, identificada com os caminhoneiros.

Mas o que é o destino (para os que acreditam nele) ? Mas o que são as oportunidades (para os mais céticos) ?

José Pereira começou a atuar mais na região da Grande São Paulo, depois de rodar Brasil a dentro, com a ampliação da atividade fabril nos anos 80. Época em que os trabalhadores faziam muitas greves, corriam o risco de ser demitido, mas sabiam que, bastava não estar listado pelo Regime Militar, tinham emprego no dia seguinte em outra indústria.

Foi para  uma dessas indústrias que José Pereira prestou serviço de transportes. Na realidade, trabalhou para a empreiteira contratada pela Solvay, fábrica do setor químico, com sede em Rio Grande da Serra, que ampliava seu parque industrial construindo uma espécie de cidade particular com moradias, praças, galpões, hospital e linhas de ônibus.

O dono da empreiteira perguntou a José Pereira se ele não teria ônibus para transportar os operários, sem que a empresa dependesse do horário restrito das empresas que faziam o transporte urbano. Muitos trabalhadores começavam o turno cedo demais, antes mesmo de os “ônibus correrem a linha”, outros iam até de madrugada, quando o sistema não funcionava mais.  Assim que ouviu quanto o empreiteiro pretendia pagar, ele não teve a menor dúvida em encarar o negócio.

Em 1983, iniciava, com um velho monobloco O 362, o transporte de operários. O ônibus fabricado em 1971 era bem rodado, mas dava conta do recado.

A era de transportadores de carga dava lugar aos poucos para a dos transportes de passageiros. “Quando se planeja obras, industrias, residências, se pensa em tudo, menos no operário. Ninguém tinha se dado conta que o pessoal precisava voltar pra casa, mesmo que fosse perto do local da construção”.

Em 1985, José já tinha 13 ônibus, para os operários das obras da indústria Solvay, e outras obras, também. Começava a operar a empresa Zezinho Turismo, apelido de José até hoje. Anos mais tarde, foi rebatizada Zetur Fretamento.
Naquela época, a Refinaria de Cubatão, no litoral, também se expandia e os ônibus de José operaram nas obras da refinaria.

José posa ao lado de um modelo Caio

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Pacaembu ‘corinthiano’: Plebiscito, sim e não

Ouvir o paulistano em plebiscito para saber se a prefeitura deve promover a concessão do estádio do Pacaembu para o Corinthians foi a proposta do economista e atual presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Beluzzo, um dos entrevistados sobre o tema no CBN São Paulo.

O diretor de marketing do Corinthians, Luiz Paulo Rosenberg, claro, defendeu o negócio e aceita explorar apenas o estádio de futebol, deixando o Museu e o clube esportivo por conta da cidade ou qualquer outras solução que apresentem.

Já Ienedes Benfatti, da Associação Viva Pacaembu, segue firme no discurso contrário a exploração pelo Corinthians. A entidade luta há muito tempo para impedir a ampliação das atividades futebolísticas, culturais e religiosas no estádio, devido ao transtorno que estes eventos geram à vizinhança.

Nessa terça-feira, voltaremos ao tema com o secretário municipal de Esportes Walter Feldmann

Ouça as entrevistas de hoje e deixe a sua opinião:

Entrevista de Ienedes Benfatti, da Associação Viva Pacaembu (SOU CONTRA)

Entrevista de Luiz Paulo Rosenberg, diretor de marketing do Corinthians (SOU A FAVOR)

Entrevista de Luiz Gonzaga Beluzzo, presidente do Palmeiras (MUITO ANTES PELO CONTRÁRIO)

Site cria Observatório de Prefeitos

Símbolo do Mayor Monitor“Quanto é bom o seu prefeito ?” pergunta em inglês o site CityMayor.com que agrega informações sobre o ambiente urbano de várias cidades pelo mundo. A opinião dos moradores é ouvida pela internet e passa a fazer parte de um espécie de Observatório do Prefeito (Mayor Monitor) que classifica os administradores municipais de acordo com a performance de cada um deles.

O internauta escolhe o prefeito e dá uma nota de 1 a 10, na qual a mais baixa significa que o administrador tem desempenho muito fraco e a mais alta é concedida aquele que tem ação notável no município. Deve, também, justificar sua avalição descrevendo qual as melhores e piores ações do prefeito. A opinião é feita por escrito com o objetivo de restringir a possibilidade de fraude.

Na classificação atual, é a prefeita de Mississauga (Canadá), Hazel McCallion, com 9,03, que tem a melhor avaliação. Chamada de visionária e coinsiderada “um tigre”, recebe elogios pela recuperação da região central e por ter equilibrado financeiramente as contas públicas.

O prefeito de Berlim (Alemanha), Klauz Wowereit, está bem na foto. Tem média 8,9, é visto como dos melhores representantes da nova geração de berlinenses, recuperou a imagem da cidade “onde todos são bem-vindos”, e encorajou os gays a defenderem seus direitos. Na áreas das críticas: “ninguém é perfeito”, disse um dos internautas.

Quem não anda nada bem, na avaliação, é o prefeito de Nova Iorque (EUA), Michael Bloomberg (4,68). A restrição aos direitos das pessoas foi apontada pelos internautas como dos seus maiores erros. Além disso, é criticado pela falta de transparência dos seus negócios.

Arrisque no seu inglês e passe a monitorar, também, o prefeito da sua cidade aqui no Brasil.

Canto da Cátia: Cidade que para

Construção civil faz protesto

Logo cedo trabalhadores caminharam pela Marginal Pinheiros para chamar atenção das demissões e dificuldades para obter reajuste salarial. Este foi um dos focos de congestionamento na cidade que atingiu a marca de 120 quilômetros nesta manhã de garoa. A Cátia Toffoletto acompanha a passeata que partiu do Shopping Cidade Jardim, novo templo do luxo na capital, onde complexo residencial e comercial está em fase de conclusão. Por incrível que pareça, porém, foram acidentes com ônibus, carros e motos, além de veículos quebrados em diferentes pontos que elevaram a encrenca no trânsito paulistano.

Palco da final faz aniversário e pode ser ‘vendido’

Estádio do Pacaembu fotografado por Andre di Lucca, no Flickr

“A inauguração oficial do Estádio Municipal de São Paulo, que se realizou na tarde morna e luminosa de ontem, constituiu um espetáculo de inédita beleza e sadio entusiasmo, enchendo de alegria e legítimo orgulho os olhos e o espírito de toda a multidão ali presente às cerimônias de abertura da majestosa praça que lhe dá a primazia na América do Sul, em mais esse setor.”

Com este texto, o jornal O Estado de São Paulo abriu a reportagem sobre a inauguração do estádio municipal Paulo Machado de Carvalho, apelidado Pacaembu, devido ao nome do bairro onde foi construído e inaugurado, em 27 de abril de 1940. O futebol só chegou ao gramado no dia seguinte, pois à festa de abertura reservou-se cerimônias oficiais com desfile de 10 mil atletas, entoar de hinos e discursos, com destaque a fala de Getúlio Vargas, presidente da época, e pouco querido na terra dos bandeirantes.

O aniversariante da semana voltará a sediar uma final de Campeonato Paulista de Futebol, domingo que vem, na qual o Corinthians, que não apenas jogou na inauguração como foi o time que mais vezes disputou partidas por lá, tem ampla vantagem sobre o Santos.

Não é desta final, porém, que pretendo escrever agora. Mas do Pacaembu, transformado em uma espécie de segunda casa (ou seria a primeira ?) do Corinthians ao não ter um estádio próprio capaz de receber partidas de futebol. Há 69 anos tem sido assim. E por uma dessas desavenças da administração não-profissional do futebol brasileiro, o será mais uma vez no fim de semana. Os 40 mil lugares serão poucos para abrigar o entusiasmo corinthiano embalado pela presença de Ronaldo com a camisa 9 e a proximidade do título estadual.
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Dê nome ao novo programa de esportes do CBN SP

Você está convidado a nos ajudar a batizar o quadro de esportes do CBN São Paulo que, desde a semana passada, reúne narradores, comentaristas e repórteres da rádio para debater os principais assuntos do dia. De segunda à sexta, logo após às 11 e meia, eu e mais dois colegas da equipe de esportes conversamos sobre as coisas do futebol na nossa cidade. Claro, você não estará livre, de me ouvir puxando a sardinha para o Grêmio, afinal paixão não se discute. Mas o foco está nos times paulistas que chegam a final do estadual e disputam as principais competições do país e do continente. A pauta também estará aberta as demais modalidades esportivas porque nem tudo se resume a um chute na canela e outro na bola.

Solte sua criatividade e registre aqui a sua sugestão.

De consciência em coma

Por Maria Lucia Solla

Tem salvaçãoOlá,

Você leu a notícia de que a torcida sãopaulina atacou o ônibus do Corinthians, na chegada ao Morumbi?
Eu não gosto de andar de ônibus, mas adoro andar de trem, e fico sonhando em deixar o carro na estação e ir para onde eu quiser. Para Minas Gerais, para o Rio Grande do Sul, sem o estresse e o sufoco do trânsito que já entope as vias dos bairros mais longínquos.

Sonho em não ter que entrar no corpo-a-corpo com o perigo, incorporando rugas por dentro e por fora do meu corpo,  a cada quilômetro rodado. Tenho horror a poluir o ar de quem está quieto e de ter que engolir sapo empanado na fumaça negra de quem não está nem aí para nada que não seja o próprio umbigo. Me imagino embalada pelo encontro da máquina com os trilhos, lendo um livro, comendo chocolate, ouvindo música, curtindo a paisagem pela janela… Mas é melhor voltar para a linha do assunto principal.

O que será que o predador sente? Ele fica à espreita, de tocaia, arquitetando o ataque, afiando o bico e as garras. Será que dá barato? Porque me parece que vicia e que é tremendamente contagioso. “Melhor nem experimentar”, sabiamente diria a minha avó.

Já está mais do que provado que dinheiro não dá garantia de felicidade, e que cultura, educação e estudos também não dão. Se a terceirização da sua vida não está trazendo os resultados prometidos, só coheço uma saída. Despertar a consciência.

Quem sabe saída não recolheu o assento, que, acreditávamos fosse cativo, para a gente não sentar e dormir. Para que possamos nos dar conta dela e descobrirmos um mundo cada dia melhor. Como ? Arregaçando as mangas e mandando às favas o medo, a preguiça, a procrastinação, que é, sim, um baita palavrão. Só mesmo desinstalando o software de birra de criança mimada, no qual fomos treinados, é que podemos fazer alguma coisa.

Será que dá para parar de destruir o brinquedo dos amiguinhos ? Dá para parar de brincar de queimada com bomba e tiro de metralhadora ? Dá para parar de espernear e bater o pezinho toda vez que alguma coisa não sai do jeito que você tinha planejado ?

Dá para parar com os crimes de todo tipo e tamanho, contra tudo e contra todos ? A maioria dos crimes são filhos da consciência que dorme a sono solto. Arruaça é filha da consciência em coma. Dá para parar de querer ter razão ? Até porque o único que sempre tem a última palavra é o eco.

Então me diga, por favor: pelo time e pelo partido, vale tudo ? Pelo poder, pelo dinheiro, pela vaidade, vale tudo ?
Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Ouça “De consciência em coma” na voz da autora.

Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira. Aos domingos está sempre por aqui para mostrar que, apesar dos pesares, existe uma saída.

Um porta-aviões em São Paulo

Estou de joelhos no milho, com o olhar voltado para a parede, mas duvido que o perdão me seja oferecido. Por motivo que não saberei jamais explicar, em lugar de dar autoria para o real autor do texto abaixo, o sempre atento e frequente ouvinte-internauta Armando Italo grafei nome de outro ouvinte-internauta de nossa programação. Somente agora à noite, deste sábado confuso, identifiquei o erro imperdoável. Minhas desculpas a quem sempre foi fiel a este espaço e jornalista. 

Por Armando Italo

Imagem área do Aeroporto de Congonhas em São Paulo

Assim é considerado o Aeroporto de Congonhas pelos moradores da cidade que mais cresce na América do Sul  e num paradoxo, não tem mais para onde crescer.

Antes do início das operações do aeroporto de Congonhas na década de 30, pousos e decolagens, eram feitas no Campo de Marte. Já naquela época, as cheias do rio Tietê, causavam um grande transtorno para os moradores do bairro de Santana, passageiros e tripulantes. Todo aquela área ficava inundada.

Devido aos transtornos causados pelas cheias do Tietê, foi inaugurado em 1936, o atual Aeroporto de Congonhas,  na antiga Vila Congonhas, de propriedade do Visconde de Congonhas do Campo, que foi presidente da província de São Paulo no período imperial. Uma aeronave da VASP, o trimotor Junker, realizou então o primeiro vôo para a cidade do Rio de Janeiro.

Após a inauguração do Aeroporto de Congonhas, ao longo dos anos, a cidade foi crescendo, se expandindo de forma desordenada, trazendo novos moradores ao redor deste importante aeródromo.

Culpar e responsabilizar a quem por Congonhas ser apelidado, atualmente, Porta-aviões de São Paulo? Os ex e atuais gestores  da cidade ? Os moradores sabedores da existência de um aeroporto “barulhento e perigoso” bem nos quintais de suas residências e varandas das janelas  dos seus apartamentos situados nos bairros do Campo Belo, Moema e Vila Olímpia? As construtoras e incorporadoras que construíram as suas “belas e grandiosas torres” com permissão das prefeituras passadas e “dentro da lei”?

E agora José?

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