Atchiiiiiim ! É gripe ? Saúde e informação

Máscara para proteger da gripe é exagero, no Brasil

O uso de máscara para se proteger da gripe suína é exagero e ineficiente dizem os médicos, apesar da confirmação dos primeiros casos da doença no Brasil. Assim como não há razão para as pessoas entrarem em pânico mesmo que novos infectados com o vírus apareceçam no decorrer do fim de semana. Ressaltam que a notícia de ontem, quatro pessoas tiveram a doença detectada, e a possibilidade de o número aumentar ainda nesta sexta é resultado da chegada de material apropriado para a realização dos exames. Apenas isso.

Todos os médicos com quem a CBN conversou dizem que é preciso, sim, atuarmos de maneira preventiva, mas que a doença está sob controle. A doutora Nancy Belém, da Unifesp, lembra que de nada adianta sair correndo atrás da vacina da gripe que está nos postos de saúde e farmárcias se a intenção é se proteger do H1N1, vírus que assusta o mundo desde o mês passadp. Enquanto o doutor Juvêncio Dualibi Furtado, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, ressalta que os casos surgidos no Brasil são importados. Até aqui não houve transmissão de uma pessoa para outra dentro do País. E mesmo que haja, há ações para controlar a doença.

Para quem precisa de informação sobre a gripe suína acesse o site da Sociedade Brasileira de Infectologia. É bastante comunicativo e escrito para leigos, como eu e como você. 

Ouça a entrevista com o presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Juvêncio Dualibi Furtado

Ouça a entrevista com a chefe do setor de pesquisa em vírus respiratório da Unifesp Nancy Belém  

3 comentários sobre “Atchiiiiiim ! É gripe ? Saúde e informação

  1. São brilhantes as palavras dos encarregados de acalmar a população sobre a tal “gripe suina”. Todavia, para se ter uma ideia do que é um atendimento médico, é só comparecer, após as 23 horas no Pronto Socorro(antiga Faisa) em Santo André. O médico nem examina, ele deduz, pela informação do paciente o que ele tem. Mande alguem verificar. Se aparecer por lá a tal “gripe suina”, até o profissional de medicina irá se contaminar.

  2. Na verdade o que mais me incomoda no poder público é essa cara de inteligência que fazem quando vem à público minimizar um assunto.

    Pior que isso, é percebermos que nem eles estão sabendo direito do que se trata e acabam falando muita besteira.
    Parecem “baratas tontas” quando jogamos veneno nelas.

    Nós vimos gente chegando nos aeroportos e dizendo que não tinha ninguém da vigilância sanitária os aguardando.
    Passageiros entrevistados pela TV relataram que ao sair do México tinham sido acompanhados de perto pelas autoridades locais.

    Más como dizem aqui é Brasil com “Z” e até a imprensa expôr a situação à opinião pública e o assunto render.
    Só aí as autoridades brasileiras começaram a se mexer.

    Ainda bem que temos a imprensa, os profissionais da área da saúde para nos informar e nos acalmar sobre o assunto.

  3. O POETA E A TUBERCULOSE

    (*) Nelson Valente

    Outro dia, em conversa com o acadêmico Arnaldo Niskier, um dos maiores exemplos de fertilidade literária, falou-se sobre a inspiração de escritores que tiveram a infelicidade de sofrer de tuberculose. É impressionante a relação dos quais padeceram desse mal, a começar por Castro Alves, que morreu antes mesmo de completar 25 anos de idade. A primeira referência à tuberculose, no continente americano, está nas cartas dos jesuítas, que a reconheciam em si mesmos, como fizeram os padres Manoel da Nóbrega e José de Anchieta, que para aqui vieram desde 1549. A tuberculose apareceu em nosso folclore e na nossa literatura – e de tal modo que Tristão de Ataíde, ao analisar a Revolução de 64, escreveu que “os brasileiros se ponham de acordo com o tratamento da nossa atual tuberculose política, pois a terapêutica assenta no emprego de uma penicilina de liberdade e de confiança”. Durante o romantismo literário, a tuberculose chegou a fazer-se querida, desejada por homens que nela viam a libertação de um mundo que não os satisfazia. A enfermidade tornou-se até elegante, pois dela morriam os poetas e suas amadas. Esse é o lado lírico de uma doença que, lamentavelmente, agora volta ao cenário das discussões públicas. Os motivos são os mesmos: condições insatisfatórias de higiene, saneamento e uma ausência quase completa de medidas preventivas. Fala-se novamente em desasseio, como se fôssemos voltar aos tempos de Rodrigues Alves, Pereira Passos e Oswaldo Cruz. O fenômeno é cíclico, mas indesculpável. Fala-se hoje em tuberculose, abstraindo a carga poética, é um verdadeiro absurdo, que pode envergonhar a nossa geração. Ainda há tempo para reagir, com ações preventivas que não devem tardar. O Dia Mundial da Tuberculose é comemorado no dia 24 de março, a data em que, em 1882, Dr. Robert Koch descobriu que a infecção bacteriana se espalhava pelo ar.

    (*) é professor universitário, jornalista e escritor.

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